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Full text of "Reflexões sobre a lingua portugueza"

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REFLEXÕES 



SOBRS 



LIHGUA PORTUCnEZÂ, 

ESCRIPTAS 
POR 

FRANCISCO JOSÉ FREIRE, 

PUBLICADAS COM ALOVMAS AKHOTAÇOSS 

PBLA 
SOCIEDADE PROPAGADORA DOS COMHEGUUS2<TOS UTEIS. 



PARTE PRIMEIRA. 



Traia do valor das palavras e correcção da Grammatica 




^.\ ^^^ 



Sfíím 



LISBOA. 

TsfpograpJtia da Sociedade Propagadora dos ConhecimetltOê (/tct\ 
Rua Nora do Carmo N.o 99 — D. 

1842. 










r-, 



r> 



.V 









PREFAÇÃO DA PRESENTE EDIÇÃO. 



E, 



^atendimento e linguagem ftSo dons irhvSos gemeof , e geniêoi 
Qnidos -em nm %6 corpo por orgao» communs , e por tal draposi- 
$So , que a nutrição e vida de um alimenta iempre , e vivificA' 
o outro ^ aisim como as enfermidades de cada umdelles passanr 
logo, e se cómmunicam a ambos # 

A historia da civilisaçao de um povo não é mais do que a 
historia do séu progresso intelleetual *, e nesta historia é a da lin- 
guagem uma parte integrante , ou para melhor diíer , essencial. 

Seguindo aS differentes phases da cultura intellectual dopo-' 
yo portuguez , pode a sua língua consíderar-se como tendo já pas* 
sado por ires idades bêm distinctas. — A primeira comprehende 
desde a origem delia , desde a primeira combinação de seus ele*' 
mentos, até formar om «ystema completo, unido, e dtstincto 
de outro qualquer, ainda que derivado da mesma ra is. Estende» 
•e desde os tempos* anteriores á fundação da monarchia até aoi 
fins do século 15.^ e pode chamar*se tdadeora^e-^/asstffá.-^AS*^' 
eomprehende 6 período em que o systema da linguagem come- 
çob a desbastarrse , e a polir-se , até se tornar elegante ^ flew 
Tel , e apta para todos os géneros de escrever , isto é , para ex- 
primir com propriedade e energia as mais delicadasi conccpçdea 
do entendimento. Corre desde os principioa do 16.^ século até 
ao primeiro quartel do 17 M E' a idade Clássica. — A 3.^ abra- 
sa a epocha , em que a língua degenerou daquella pureza e ele- 
gância da idade anterior , ou por nella se admittirem sem dis- 



VI. 

cernimento vozes estranbás , ou por se applicar a exprimir pen- 
samentos intrincados , mal definidos , e dedusidos contra as re« 
gras da recta rasao. — A estas três idades poderão talves os que 
depois de n6$ vierem accrescentar uma quarta , que não sei se 
diga deverão chamar idade da rettauração , e cujos princípios 
devem ser pontudos « ^nando muitg, (los ^na^do sççiilo .18.® 

A idade ante-classíca apesar de mais antiga , 6u tálvei por 
isso mesmo 9 é de todas a menoa estudada 9 e menos conhecida. 
Mui judiciosamente o advertiu amillustre erudito de nossos dias 
n quando escreveu (•)• — à Reparo , e com toda a justiça , que 
» certos ensaios da nossa literatura passem por alto os séculos XII, 
*• XIII , e XIV , e que satisfeitos^ de redusirem a poucas pai»* 
I» vr#s t«da a historia Uteravla 4aq«eU«9 tei^pcA , «iiUem M «•- 
ii:qii1o>XV| q«f «e julga pfopmiaeBte aquelle^Qínd^ 8eUn$saiMt 
9> 01 fdndaipen^M da hqvía reputação Uteraría* Nio pbatante « 
I» 08fM«e» <ie nMiiuiiicnt«a daquellea pvimeir^ «eoiUo^ Í9k 90iii« 
99 monarchia era conveniente que oseiLplorad^ea df^noss^ *Q^Í|^ 
» Uleralur4 não se conletiitMten» de lev* Vx^ BefnArdi9 ik Srito, 
tt e Manifee) deFatk % B«iisa^ wah que, «diautando-^sf) um poa-« 
V eômáia, esaminasiira^ft oACcidiee^d^queUfiidadey o«de p#*yeiK 
» tora acharia» Haguagem mais oorieaW^ que a de FevAão Lo- 
n pe 8 1 Qomes £annet de Aiuvara 9 e Ff « BerikardQ 4e Ale^ba-- 
fi ga. M<««^Uaia fotté ra^o potem » nesta «nesBiiQ reparo aponta^ 
da f dasoulpa Ankneto dosneMoa orilfeoaácefoa da alguma» epo« 
ehas' desta pnnieira i^d^. Os mouuaieiktos | porque cila se pon 
de estudar a conhecei jaíeran pek maior parte aaoovididos eignch 
vados j aia que as tecentea indagaçõea históricas e philalogicaa 
os teem ido a pouòo a paaco deaenta»rail4e do pá dos arcUvoa^ 
eantorioa, e biblioftheeas.*^£atre todos satrteáhe « ehamado» 
Caiieio«eiVe do CaMegi» dos Jlbàrei y fMiiblicado em Paris á austn 
da 6ir Çaxies Sluart em 185^3 ; a w ín^diU* de Jleeb^tga f divcle» 
á lin em 1828 pelo iUu&tre Auetor>á citado » ^l(hO| aofoatncii*. 
to do mesmo moiAeiro* 

(%) Q Dr. Fr. fvrMwala de Sl. Boaventura. MfmfirM *ohxê aLUiirq,% 
lure Hebraica entre 0^ Portugiiczes CathoHco9 , no tom. 9.*^ das daAcad, 
R. das Seiencias &e Liebea. 1899. ' 



VIX. 

A {4ilde quInUnti^to , ou ClaMka <« «lui eQBkeoidft ; mh 
tre eU« 59 U«m omajMdo todos et «ritioos da liqgnay e m dk 
«e wtUwm aa M^ttoeê ço«te«daJi oo presente volime* 

' . Ptoado o prÚDMfo qi^irtel ã^ iwoulo de •eiaceaU») coae*^ 
çou enife ník a degenerar q bom goite Uiaiarki; e a iiataBali«p 
dada c anadoreia do aalUo dos quiahenlistas a aeieai aiiliitiiain 
daa peioa oQoeeitoa Mtodadot , metapliorat «lra?ídai 9 a datpni* 
petitadaa antitbeMs 9 equivocoA, a troeadUhoi.— Ahi esiSo oa 
discursos académicos , e evangélicos , as narraçl!^ hitterioat ^ af 
silvas, osrQmanoes , os labyrinthos , os aerosUeot, e todos oses- 
cviplos, mónnente dos princípios doseenló la.^, que aonde qaev 
qoe se abrirem daria asanifestiia docnmentoê daquelle género da 
eMrever.--r«Jíá Jacintho Freire 9 e Vieira , Clássicos puritanoa 
na Nngoagem , se aebam tocados da epidemia devastadora dir 
bom gnsto do estilo. 

iO^eaes Awsm porem aa causas da degenerafSo da pnreia y a 
soibiio uso da linguagem eatre o4a f gsave qwMlSo á eiU ; a tSa 
grave , qoe nem pode ser tratada /de passagem , nem para trata« 
Ui eomo mereee y nos julgámos preparados oom bastante eabe» 
4al de acieacia. 86 diíeaMS que a linguagem degeneron á pro* 
poefão que a pbilosopUa lei saindo do trlHio da maiou Froe«* 
ni as QMMas da iatroduesSo e piedoasinio das argueks es d ia< 
laalieas , e aubtilesas peripatetioas ^ e abi adiareis as de todos os 
vícios, que inquinaram a formeMif a da Uaguagem português» 
pof tanto teonpe^ q.uente.fol.o que durou aqueUe vicioso asetbo« 
do S» discoirer* -^ JNfo curámos de íaUar dos males prodosidas 
na puaesa db Jtngua pela torrenCe da miseráveis tradues&ss , com 
qu« algum tempo foi moda insuUar a respeitável qiemoria dè 
^ortoa, de âoM«a ^ e ds Lucena. Esta snod^ aluda nSo passou 
da :todo f mas com ajuda do Senbor vai«m limitando a alg^as 
iljnoiíados Jharradnres de papd* 

Maf tomando .ádegeaeiagio, que poderem» dimr pbiloso-* 
pbiça;, dfk Uagaagemj^ é ceito que quando oseoulo 16.® m ap« 
{^rosÂmava ao meio de eua caueira 9 on parque ommmplo deca* 
traobas nos viease c^^itav da nosso klbargo , on porque o es^ 
piaito bmliano de si mesmo cobra noves briaa para levantar^sop 



qoaiydô-se ietite abatklo , come^ratn alguns íelcrsos da tidtira e 
prosperidade nábional a clamaT contra tio into]«ravel abíiso do' 
divino dom 'da^ pahivra j que por naiural consequência rêfleeiiar 
of^aeuB tnfttttf rasahados sob ca o próprio penianiento. O^ãrda- 
déir-O' Métkodo deMituãar íoi ornais alto brado destefclainoraav 
foi coBoloí^^rtoque de rebate, ao qual acudiram dou» bandos oppos* 
tos 4 ifaivaf dé parte a parte uma bem renbida e diutiirna^ata^ 
Iba ^ que 8Ó'se'deu por acabada aos desapiedados golpes do Mar-* 
qne^ do Fdmbal. 

Giesta :po^fio8a bataiha entrou com não pequeno* contingente* 
a lavor da causa da reforma das letras, eplanta^*3o dobòm govto^ 
oiinaaBO.Fjrabcisco José Freire, mais conhecido pelo nome- arcadi- 
OD de-Cau(tiiio Lasttano.-^De sua vida apenaa sabemos o pouca 
qwe nus deixou emosensoria o Abbade Barbosa naauajBtò/. Lut* 
Nasceu em Lisboa a 3 de Janeira de 1719 ^ estudou bumanidadet 
Bo-Collt^o de «Santo A|itao, e philosophia nos Padres Theátinos. 
Foi geptil' homem do primeiro Patriarcba D. Thoinaz de Almiíi« 
da , de.oujp servido passou para a Congregada do Oratório deS» 
Phiiippé Neri no anno de 1761 , e nâo no de 1752 , como o Ab^ 
bode Barbosa affirma , salvo se se refere ao anno da profisslb , • 
nio aO da«ntrada. Ekte pequena erro no» é rectificado pelo pre* 
prib Freire uo seu Mundano enganado e desenganadoy quando de* 
clara que o escrevera no anno de 1761 , sendo noviço na Congre* 
gaç&Q. Falicueu , se nos não falha a- memoria , no.anno de I77d« ' 
. Se é pouco o que de sua vida sabemos, muito é o que nos dei- 
xou- eaoripto* Aos 20 annos de idade saiu a publico «om a sua|>ri- 
meira obra. E^ o poema latino Pktuius Tagij que apesar ée nio 
ter todo aquelkr merecimento , que seus censores , ou • antes pane* 
gyristas, apregoam 9 écom tudo documento de grande applieap^o^ 
eprogrcssos em taó eurta idade. — Pouco depois (ewa 1741) pu- 
blicou a Fida do Padre JBartholomeu do Quental , tradusida do 
latim ^ e noanno de 174JS deu á lus a primeira composição -na lín- 
gua materiía , Mlogio de D* Franeiaeo XavUr Matearênhui , no 
qual logq mostrou quanto se afastava do )estilo dceo, e rctttniban« 
te de «eus conte uiporanêoa para outro mais fluente e natural. •— 
^uecessivamente íbi apparecendo com outros opúsculos ^ «orno 



àdimlxi' w pod« ^r -tio cftt«l«g& de «eu» escviptos \ « êiitre éltei 
&evâ«a'grattdebiiMm a OoHo t/^xtio^étitea, e o ^«etra Defêndiâè'^ 
Bas'qaae8 tiégava ^aeíossê aaotoi d&^He de JPV^^tor q Vkáfe Ad- 
tofiio Vi0ira* A^m d«fMiéeu «)le uma boa caaia , postoque ii«m 
Mttiprá itfom mui toUdk» é eonvtodetitcfB Medas \ e «onclãia que a 
Arte de Furtar era obra posterior a Vieira j no ^ae fiio podemos 
«oMordar, e aiitesa vepataiiioa de maí» aiit^a data. -^—Depois de 
tariá» «poesiaft latimaa, e elogios portugaeies pubUcou em 1T45 a 
pvimeíra Mia obf a didáctica , o'8êereturio pM^tí^ex , oi^ra , que 
Bb |0a género aii^da oâo pétdeaa «ttima , que e puMico lhe tem 
confirmado tfm.tuoeesBiiwredi^Sés y boara nSo vàigáraietitecoii- 
cttdida a Qwriptoa portagueisf. 

-^ . Aaoa Arie I\Kt6oáj publicada em 1T48 , foi' também a pri-^ 
nietra quesi^ na língua materna. Ao Veràãdèiro Meikodo de Ep^ 

iudar confessa o Auotor deirer o fervor e estudo', com que cònti-' 
Buoa na empresa desta eomposifao, que jád^antes intentara, mas 
que ppr oUtros estados abancbnára. Daqui- se colhè Já que^nesta 
j^idjeoBdemna.os vícios, que entSo grassavam na^litetatura pa- 
tfía. — p £>* verdade -que. o auctor, com outros mestres^ do seu tem- 
poy testava' ooaa toda a sinceridade de seu coração convencido que 
a escriBpalosa observância das regras, classícaa-, qué então se tra- 
tava de ressuscitar , era por si s6 bastante para formar poetas , 
oradores e escriptores de consummado' gosto em todos os ramos 
das bellas letras , e que nas regras bavia um condão capas de su- 
pair? <y piofkcio- enganbo. . Haja pára qualquer prt ncipiante é dou* 
tfiiia corrente que ás regras nio oriam o génio; mas ao mesmo 
tenifio bom>é não esquecer, que com ellas 'se lhe podem corrigir 
os érroaf e embalar o passo -a seus extravios. «—Sobre este the- 
na continuam comtudo a disputar Cla$sicot e R4nnantíeo»j se 
únda^^ntieé elles .cobtinuam disputas; que más tornámos a nosso 
pffoposito. 

Depois, da pnblicafão da nntL Arte Poética a|>rovettou o Auc- 
tor nova occasião para roborar suas doutrinas, tradusindo, e il- 
lustrando a de Horácio, que todavia sd saruálos ein 1V84, an- 
xíos' depois do seu fallecímento. A este intento de melhorar os 
«8tudo9 das bellas letras se enoaninbavaBi quasi todas as suaa 



Gomposisõei; e dViitre MÍmprMiaa.iíb ainda digfta» d«a«|NHifal 
maa$j(Q o Hítcionarta JWm ^ ^uatHtt em IVfi^ y a ot Mlifiewkt$, 
tobre a Ungum JW<y$rHf«a j qua agora «aem pala piímaíra vaa^ 
a. M>bra «ajoJiíeraffisieata apanaitmaasuM âleaibranta qua a8<H 
oiadada Propagadora dos Conheoimeatot Ulais »So duvidau ia» 
la^a» ioiprinir á Mia awta , a na tua oíficíiia. 

ftaem cartar a aalalago das oatrat abrat y ainda, inaditat f 
do Auctar dat ÍUfi€9m%y fiíeibaanta vara qiiaiilo naika avalfan 
a« iradaeçõe» an& var«o portogaai das obra» dot poetai GlaMicat 
da antigiHdada , awiai §^m comolatíoo8»*-«*Naopiiiífta dajuL« 
gador compataata (a) não tãoesta» obras atqna mai» falia faiam 
á nossa literatura \ porque ainda qna natntal a aorranta , é tau 
aMijo prosaico a diflaso. — O fim do auctar com tudo netla ás- 
pero trabalho das tradne$0ca'dos po^as ara liciàilaa o noidieei^r 
manta dalles ^ e malbarar com bons axamplos o ettndo das bal^ 
laa letras* 8a ao ara tampo gora» da maior fama ^ do que boja 
jttlganH>s qae merece , Bejamoa<»lba apasat à» tudo gratos parai** 
gmu y a naa paqaano serviço y qoa assim mesmo fek 4s paferiat 
latf m aom suas mbma didaetkas a oritieai . «^ Osaguiata catalago 
da auM obras y o mais completo , que podenras ordenar ^ dáiaoâ 
lob^ prova dqs «eus bane damjos , a ineanmvel actividade. 

OfifiAS IMPRESSAS. 

riausus TagÍ9 qao £xaalksilisaímoritm , at Ravarendissimorom 
'DtD« Didftci àê Alnn^a Portugal^ et D. Fraileíaei de Ab* 
. meyda Masearenbes , Sanctn Ecelesise Oocidentalia Frtn* 
cípinn trsompbttm^ et powesstonem lact in tpm Saneta Ji«a« 
alaaia oeiebravit , poeAicè deaorlptas à Franoiseo Joaepba 
Freira Uljesiponansi. Uljmpona oooidantali» fiteadabaft 
Antonius Isidorus da Fonseca, Dncis Cadavalensia typogra* 
|>bua. Ajina Domina I7M« Soparaornmparmisan.f-^aiipag. 
«m4*« 
Ckinata da Via versos baraisos. 

(•) O Sr. A. F. de Castilho no Protogo da sua IraducçXo dasJf^^^- 
mmfpkom áã QviiiÊ, a |ag. XXVI. 



JLU 

Vida do Venerável Puini Birtho l o M MWi do tan^aUl , Fmiâftdor 
da Congregação do Oratório noi reinos de Portugal | escri- 
U na lingw latína pato Pt Joieph iCatalaiio^ e otpoita ao 
JdiooM |Nirt«c>M«-^libbQa » flor A*taiiio ludoto da Fon- 

• • • • • ' 

QipiffaiMi^liniA Ca9lãrit<-^UIjrinpoigiey Apud Aatooiiito lai- 

Elogio de D. FraneifQO .Xavier Matearenliaay Cavattiebo Pro- 
Imiúl da 0Td««i d» Ohfflitoy ComboI » <|iie fioy ^ han dos 
. Rag im e pts i de Marinka, . a CoaiiBaadaiite da Esqnadr», que' 
4IIII Oanao da lir40 lai para o Balado da índia, eom patebia 
deSaiCgaoto If^r de Batalha, fiwtilo a dadioada kJikJ^ e 
£x.™^ Sr.^ Condeça de 8. Tiago por Francisco José Frei- 
re. Lisboa. NaoffifínadaAatoaioIftifbiodaiFonstea» 1742. 
4.^ de 126 pag. 

Rllasto vafdldma da laaidafal tefraoMÉo, q«e padacao a Ci- 
dadã d&Uofaa om !• dé Janeiro dé I94:t. Lisboa, pot An- 
. t^o Isldoio da Fanteca. âi42. ^fi 

Sala eom. o aote# da Fernando Jasá Fsesre, 



Dominea D.D. Mans ThafeHse WalWrg , Hun. 
^rjsa» et BrihwiMtar AagÍMa^ Pka , Fcèidb, Inviet» , vera 
Ktt^ea ealstoitfte. Ul^mipoflia , TypU Aalonii Isidori à 
FqMhmi* t74S. 4.^ 
* Comfea da tiiata Epigiaosmas». . . 

Cátia. Apalagatina, ena q«e ae mostra ^oa aio é AnÚmr dV Li- 
Hio.iAlítaladft 4Írie sk Fmtémr a snsífna P« Asiitoni» Viay*. 
rai» da CaaB4pattkia.de Jaana^ saeaita pot linift laWsa.da U* 
luitee mamada dssie grande eseiilor. lÂsboa, aaBagia CM* 
ftMa 8j4iàaM. iMii. 4.<> «B» pag^ 
Saiu anonyma. 



XII* 

Oontra esta Carta jápoh^eUeá I6 puMIcoa \ 

a 

OiBsertaçio Apologética e. Dialog^stka , que mostra ser o Aa<* 
tbor do Liivro JÍrie de Furtar digno desvelo do engenho il- 
lustre do P. António Vieyra , em resposta de hama Caria 
escrita por hum ignorado seloso da memoria do dito Padre. 
Offisrecida aoIlL°^^ Sr*. D. Rodrigo deNorolifta : «om posta 
aquella entre dous curiosos génios^ residentes ambos na Cor- 
te de Madrid. Lisboa. Na nova Officina Sylviana. 1746 [e 
não 1747, como dis Barbosa]. 4.^ 26 pag. 
Também suio anonyma , mas é obra do I^. Pr* Francisco 

Xavier dos Serafins Pitarra, Religioso Franciscano de Xabregas. 

Defendeu, mal uma má cansa ^ começando pela infelicidade da 

commetter «rros grammaticaes logo no titulo >da obra. 

Contra elia feedarguiu Frem eom o 

Vieira defendido , Dialogo Apologético , em que se mostra que 
nSo he « verdadeiro Author áo Livro intitulado Arte de 
Furtar oP. Antobio Vieyra, da Companhia de Jesus; res- 
pondendo-se ás rasoes de huma nova Dittertagão^ em que im- 
pugnando os fundamentos da Carta Apologética^ se perten- 
de mostrar , que a dita Arte be obra do mesmo Padre : es- 
crito por hum seloso da memoria illustre deste insigne Es* 
critor ) e.offerecido ao Senhor Joseph Félix RebeHo , Fi- 
' dalgo da Cata de Sua Magestade , Cavalteiro Professo na 
Ordem de Cbristo, Escrivão do Conselho daFasenda, dcc, 
por Francisco Luis Ameno. Lisboa. Na Regia Officina Syl- 
viana. 1746. 4.^ 67 paginas. 

Também ánonymo.-<-Porn8o ser aqui logar próprio^ reser- 
vamos para outro tratar novamente esta questió, curiosa ná lit- 
teratura portuguesa ; e fundados assim em boa auctoridade , co- 
mo na critica da obra, mostrar que ^Arte de Furtar sep^decom 
segurança attribuir ao celebre jurisconsulto Tbomé JPinheiro da 
Veiga. 



mi. 

JSogia.lditvmileMlylo kptdftrs eomcbiitt EpigtwnrÊ%ai^ em ap* 
pbiufo da P. Mestre: Fr. JoSo de Nbasat Senhora, Reliçioso 
Menor da Província dos Algarves, éseu Chronista. Foi. 
Nao temi anno da impreitio. 

In laadem.Domiiii Jooainii Rodri^ue» Ghavet, Saeromm Anna- 
llúm Clwonolagiocnnim voloineh primam ia lacem edentis 
£legia. 
Consta de 60 distichos. 

Exoetlélitiniouirf ac. RevèrendiMinns D.D. Jose»pbas Dantas 
Barbosa , Archiepiscopiis Laeedaemòniiensis y Eminentíssimi 
D-D. Thoniae Cardinalis Patriarchae Coadjator in Sacro- 
sancta Basílica Patriarchali consecratur Epigramma. 
Coasta de «< distichos. 

Emineotissimoy ae HeTerendissimo Prinoipi D.D. Jacobo ex Co- 
QÚtibus Oddi, et LasitaitiaB Regnifl) ac dominiis Lfegato 
Apòstéiico.» nono sacro Parpnratornm Patrum numero ad- 
scripto, Epigramma* 
Consta de 6 distichos. 

. . • • • " 

Tradocçlo Latina^ que consta deT Dintadios^ do Soneto com pos- 
to pdo Desembargador Lak.Bor^ de Carvalho , á morte 
do Bxcellentissimo Conde dá Ericeira D. Francisco Xavier 
do Sifidesesy que priaefplft ( 

O^ dura pedra , 6 Conde da Ericeira. 

* 

Saiu esta traáoo;^' no Obêequio Fúnebre ^ e particular á 
saadosa memoria do ^ta Conde. Lisboa, por José 4a; Sylva da 
Ni^tividade.il744...4.^; .: . 

Elogio de Joze de Sousa, Académico Anonjmo de Lisboa. Lis* 
boa 9 poç* António Isidoro da Fonieca. 1745. 4.^. 



xiv: 

filegio da M. R» P« M^ttre Fr. Ctetafta J« i» Jút^- Cái1«fítá 
I)eêcal$o^ Lii^G«« Na Regia OMcim Sylviani. lT4tf/4.^ 

Elogio do Excellentissimo , e Révereiíéwsiíii^ Sunlwr D» Fran- 
cisco de Almeida Mascarenhas , Principal da Santa Igreja 
4e<Ltiboa« Línbosy^^r Ifiiadò EodHfuM* 1T46* 4*^ 
Este Ekygiú foi tradashihi em casteUuino, esaúi em Madrid 

1746. 4.® 

Segundo Elogio na morte do Excellentissimo e Reverendíssimo 
(Sunhor D. Fraliolsco dt Aime}nd« JCc. LisbM.Nii On«llMl 
Ôylviana. 1745. 4.° 

É lâpidttr. 

« 

O Secretario Portuguez compendiosamcniè hiltruidc^ HO Wodo 
de escrever Cartas por meyo de huma instrucçao prelimi- 
nar y regraa de Secretária /fórmalarid d« tratáttiétitM ^ « 
htim grande numero de Cartai com todas ai es|)«|èfe« , que 
tem mais aio. Lisboa, por António Isidoro da Foíiseca. 

1745. 4.<^— 1760, 1786, 1801 ãía^ 

« 

Illustrissimo et Excellentissimo Domino Duci de Soto roayor 
àb Abgustísiimf» Híspabianim Hqçe Férdinaadd VI ad Air« 
gustissimum Portugalie Regem Joamiein Vlegato extraor- 
dinário mfftio plandit LjTsia^ 
É um poema de 70 distichos* Nio Cem legar daànprèisSo, 

mas saiu no anno de 1747. 4.^ 

Methodo breve e fácil para estudar a Historia Portuguesa , for« 
madtt em humas Taboas Ckrtmobgioas Históricas dM Reis, 
Aainbás, e Prificipes de Portugal ^ filfam iRegitimoa» 1>a« 
quês , Duquesas de Bragança , e seus filhoSé Lirtwsi , f0* 
Francisco Luis Ameno. 1748. 4.^ 

Arte poética, eu regraada verdadeira poesia enl geral, e de to- 
das as suas espécies principaes , tratadas com Juiso critico. 



— LisbOiy por FfUi«iâl4 XtfuIiAMMtó^ 1748. 4.^ — e 1758. 
é « primeira que saiu em português. 

Elogio do lUustrissimo e ExceUentinimo Senhor D» Frascisco 
Paulo de Portugal «Caitr», Mgando Marquat d« Vaknça, 
Mordomo mdr da Rainha N. S. Lisboa, por Francisco Luiz 
- AlnaaOi 1749« 4%^ 



Iliu8tra$So Critica a huma Cartli) que' hum Fidalgo de Heipa- 
nha escreveo a outro de Lisboa acerca de certos Elogios La* 
pfdant. Trata<«i também ornsamnia ào livro intitulado 
Verdadeiro Methodo de egiudar^ e largamente sobre o^bom 
gosto na eloquência. Lisboa* Nã Odftdna doMigoel Rodri- 
gues. 1751. 4.^ de 80 pagt 

Vida do Infante D. Henrique. ^^ Lkbda > na Oiftoina Patrlar- 

chal de Franoisoo Luis Ameno. 1758. 4.^ grande. 

í - ■ ■ • < 

Máximas aobre a Arte Oratória.— r Lisboa 1759. 8.® 

Athalia ^ Tragedia de Monsieur Racine , tradusida | illostrada , 
oofeaoida áBerenissimafienhtea D^IMariannay lafiinta dé 
Itelngal, por Cândido LnsiâanD. «^ Ukboa ^ na Ottcina 
Patriaichal de FrAwnioo Lioia Amono* 1968* 8*^. 
Mencionada na JK6I. Ludl* , ainda iliediAak 



Dlodonaiio BMtieo.*^I4shoa. Na Offieina de A«éno«: 4f8â. 

2 rol. 8.<> 

• ' . . . _ 

Arto Poética de Gluinto Horácio Flacco em huma Epistola aos 

PÍ88H,tradniída por Cândido LiÉsiUnOé-^Liiboa^ 1784.4.^ 

Redexta sobre n Ijingna Portogueia* 

É o presente volume , cujo oiistnal existe na -BiUiolheca 
Publica Eborense, e é o códice >^::f 



xvt. 

OKUtô INÉDITAS. 

• . * • 

Lacio Papirio — Opera, tradusida do italiano. Representada no 
aano de 1739. 
Mencidnada na Biò/foéA€ea JUmíona. . 

De Bem para Melhor. = Comedia traduzida doitalíano^Ilepre- 
sentada no dito anno de 1737. 
MsntiotiAdk míBikl* Lunt. < . 

Séandettberg«--^Qper& Igualmente traduzida^ e rèpca«»iita4A no 
' ídito anoo. ■ ' v-. \ 

■ MenQÍonAda>na'iSi&k' X«m7» 



O 



Lyra Pastoritia. — Eclogae tex. — 8/ 
-.. Mencionada naiJ3iM.dL«si^. 

Lucubrationet poéticas , sive Poemata , et Elegise Sacr» et pro- 
pbanãe.\4.9. i • . / j. . -• -•..-. 

Mencionada na BibL Lusit, 

Theatro' Genealogiooi dalllttftlrisalma.Casa.de Alm0Ídar-T^£.uma 

- - Artore genealógica de óbnoi aVQS;.do;Oon^e/de.l4íaíadio 

D. António de Almeyda. Fd. grande^ . t :: : \ 

Mencionada, na B%kL Ludt, / . . •'• 

Memorias Históricas de Lisboa, .fias qiaes.K^eie^evevi.eit.BM^ 
giosdosReys, Princepes , e Cardeaes, A róetóspot,: Bis- 
pos , Varões Doutos , Capitães illustres , que nacerao nes- 

j .•: ta Cidade.- » i .^ •. 1 ••.'•*•' ' •...-.'*.*/ 

.Mencionada na BibL ãivkUi '. 



M ■ < .» í. 



Reflexões ao Psalmo= Múereve mHíoi i>ais :=:'tQackzÂdas di^Hm^ 

iiano ém porlngueí. 8.^ ^ - 

Mencionada na J9i6/. hunU • * • '' 



xvir.' 

Iloiiiilias áo Papa Clemente XI. , tradoiídas de latim em por- 

tagaes. 5.^ 

Mencionadas naJ3t6/. Liuit.j que declara estarem promptas 
para a impressão. 

Excellentissimo , ao Keverendissfmo D.D. Caetano Ursino de 
Cavalleriis , Archiepiscopo Tarsensi , et in Lusitayiicis Re- 
gnis Nuntio Apostólico, Poema Panegyricura. 
Consta de 700 versos heróicos. 

Começa — lUe ego, qui Pindi nunquam penetrare recessiu 

Ausus &.C. 
Acaba — Semper bonore meo, semper cclebrare canta. 

Mencionado na J3t6l. Léunt, 

Panegyrico das gloriosas acções da Vida do Eminentissimo , e 
Reverendissihio Senhor Cardeal Patríarcha 1 P de Lisboa. 4^^ 
Mencionado na Bt6/. Lunt,^ que declara conservar-se na Li- 
vraria do mesmo Patríarcha^ 

Refiexoes sobre a Poesia Bucólica eSatyrica. % tom. 8.^ grande. 
Mencionada na JBibl. Lusit, 

Máximas sobre a Eloquência Oratória , extrahidas das Obras 

' dos antigos Rhetoricos, e largamente illustradas. 4.^ grande. 

Mencionada na JBtòl. Lunt, ^ e provavelmente é a mesma 

obra , que se imprimiu com o titulo de Majcimoã iohre a Arte 

Oratória. 

Discursos Poéticos, em que illustro alguns lugares da minha Ar* 

te Poética. 4.^ grande. 

Mencionada na BM. LnuU. — Será o mesmo que as Cartat 
Poética» T 

A Elloquencia Christã, composta em francês pelo Padre Gisbert, 
da Companhia de Jesus. 4.^ grande. 



que adiante vai com o mesmo titulo. 

Boro Gosto I^itterario, dirigido á Mocidade PortUgueM noettU'« 
do das Sciencias e Artes. 4.^ grande. 
MenoioQiida na J9fMi Lurih 

O Mundano engaoado desesganado. Obra <]*e Cândido Lusita- 
no. Escrita no seu Noviciado eiP a Congregação do Orató- 
rio de Lisboa. 1751. 2 Tomos 4.°— 173—161 folhas. 
Mencionado na BibL Lusit. \ eo original se conserva na Bibl. 

Publ. £bor. Códices JZIJl "•> e T^^ "• 

Édipo , — Tragedia de Sophoclçf. E^xpQsta Qa língua porttfgue- 
za por Cândido Lusitano. 1760. 

Com. — Oh Tbebanp«, ob roeu« que«id<ps Filhoa^ 

Recente geração do aptigo Cadmo. — • 
Ac. — Da carreira da vida á mela extreipa. t- 

Edlpo,—r Tragedia de Soneca. Traduiida pQ? Cândido LusUa» 
no. 1769. 

Com. *T- Afugentada a noute , o dúbio dia 

Já torna, e triste nasce fin volto em 9i|veQ>« — 
Ac. — Outras guias não ^wr mii^ba ceguaira« 



Estas duas Tragedias estão juntas em um volume de4t"9 de 

* CXIII 

108 folhas, — original da letra do A. — EoCod. çzií d. na Bi- 
bUôth. Pttbl. Ehoir. 



Médea. Tragedia de EUiripede». Exposta na Língua porfcugueza, 
por Cândido Lusitano. 1769. 

Com. «^Provera ao Ceo^ que de Argo a Náo faoAOsa 
As Sympleya^as ondas Cyaneai*^ 



XIX. 

Âc« — Mas ái eousas , qae nos d9o espêráinos ^ 

Dão fim estranho : nesta Acção o Vemos. — 

Medea. Tragedia de Séneca. Traduaitik por Cândido Lusita- 
no. 1769. 

Com. — A vós Deozef liupeiaes ^ a ti Liícina , 
Deidade tutellar do Sacro Leito. — 
Ac. — Vay , e p6t éisa ethereeí f edondèSa 

Mostra bem claro era ti , que nao ha Deofles. — 

Andara também jantas em um sá volume : 4.** dtí 96 fo- 
lhas.— Original.— Cod. —^ d. na ihtfsmaBibl. 

Heèubá, cPhenioial. Tragediaé deBuripedes. Pataffaíeàdas por' 
Cândido Lttsitanoé 
A Hecuba começa : 

— Dos Manes os horriíicos lugares , 

£ o reino, onde afaistado dos celest€íá — 
Ac. — De asperoe Senhores ; 
Gtue duro he servir ! — 

A FKenicka começa : 

— O' Sol que po^ «StVadáá lutoinosfts 
Rápido corres entre bellos Astros — 
Ac.**" Minha vid>4 ac9m|>dnha 
Com honra e gloria. — 

Ambas em um Volume. 4.« — Original. — Cod. ^^ d. 
na mesè»a Bibl. 

Hercules Furioso , e Iphigenia em Aulides. Tragedias de Euri- 
pedes , psrrafraÉeadâsr pôr Cancfídò Lusitano. 
A Hercitíei comera t 

— Glue mortal ha, que Amphitriam Argivo 
Filké dtf Akéo , a quora Fertêo gerai*a — 



Ac. — Mas por nds, que perdemos taes Amigo» 
Os mais úeÍBj valefttes, generosos.-— 

A Iphigenia começa : 

— Velho , vem cá depreua — 
Ac. -» Ostentando preciosos 
Teneros despojos. «*• 

CXIII 

Ambas em um volume. 4.^ Original. Cod. 'jZIa ^* name»r 
ma Bibl. 

Merope. Tragedia do Marquez Scipiao Mafiéi , exposta na lín- 
gua portuguesa por Cândido Lusitano. 1751. 
Trai no principio um — Discurso sobre a presente Trage- 
dia, dirigido ao 111."^ Sr. Duarte de Sousa Coutinho, Cavalei* 
ro da insigne Ordem Militar de Malta. — Datado de Lisboa 10 
de Dezembro de 1751. 

Com» — Merope, do teu peito em fim expulsa 
Essa tao longa dor, ódio, e suspeita. — 

Tem illustrações do traductor. — 1 vol. foi. Original reto- 

CXIII 

cado por letra do traductor. — Cod. ^ g na mesma Bibl. — Des- 
ta obra faz menção a J3í6/. ZêUmí. 

Iphigenia em Tau ris. Tragedia de Euri pedes, traduzida em por- 
tuguês. 

rxiii 
Está incompleta. Original — Cod. 'Jirjõ °^ ^^^^ Bibl, 

■ 

As Transformações de Publio Ovidio Nasam. Traduzidas por 
Cândido* Lusitano. 1770 e 1771. 4 vol. em 4.^ Originaes. 

Com. — Em novos corpos as mudadas formas 
Cantar desejo: \6s y 6 Divindades — 

O traductor intentava accrescentar iUtutragões , que nae 



XXI. 

«-* ^11 cxiii , . /. CXIII j 

tfiegoQ a conjidr. Sao os Coda. ^j^:^ d. ate |;;^::g- d. na mesma 
Bibl. 



Cartas dePublio OvidioNasam, escritas do Ponto Eiixino. Tra- 
duzidas por Cândido Lusitano, l vol. 4.^ Original. 

Com. — Nasam , que Já não he da cruel Tomos 
Recente habitador te envia , 6 Bruto — 

Cod. "j^g ^' "* mesma Bibl. 

Elegias Tristes dePublio Ovidio Nasam. Em cinco Livros. Tra- 
dusídas , e crittcameute iJlustradas por Cândido Lusitano. 
1769. 1 vol. foi. grande. Original. 

Com.— * Livro [não to embaraço] hirás a Roma , 

Roma, ay de mim, que ao teu senhor se veda«— 

Cod. ^2 2 <l* n& mesma Bibl. 

Satjras , e Epistolas de €t. Horácio Flacco. Tradustdas , e il- 
lustradas porCaadido Lusitano. 1765. 1 vol. foi. gr. Oiig. 

Com.-— Donde virá, Mecenas, que contente 

Ninguém vive do estado que professa — 

Cod. g 3 na mesma Bibl. 

Eneida de Virgílio, tradusida em português por Cândido Lusit. 
Deita obra fas menção Bento José de Sousa Farinha no 
Summario da Bibl, Luiit, , e existe autographa na Bibliotheca 
da Academia Real das Sciencias de Lisboa , como declara o Se- 
cretario José Maria Dantas Pereira no Diteuno do 1 .^ de Julho 
de 1Q24. 

Faraj^rases de Cândido Lusitano sobre alguns Cântico» e Sal^ 



XXII. 



da Sagrada Esctiptnra , poélioamêitte Ulintradoí pali^ 
mesmo traductor. 1760. 
Começa pelo Cântico de Moyses — - Canf^mtis Domino — 

«^ CsLVÂAféy ào Senhor fayrono gloríoêa 
Porque a prodígios de seu braço invicto 
Fundio no mar oovallo j e oavaUeiro. — 

CXIII 

Em 1 vol. de foi. grande. Original. God. gHg na Bibl. 
Publ. Eborense. 

O Parto dá Virgem. Poema de Aceid Sinoei^o Saniiasara; tfa« 
du3Ídoy e fHu«trado por Cândido Lusitano. 1769.^*^ 1 vol. 
4." Original. 

Conii *-* O PatÉo virginal , e ao grande Padre 

A Pioie ígoal j que do alto eeo mandada — 

^oá, YHJò ^' "* mesma Biblr 

O Mentol» de Fidelmo^ EicritOf píin(íípiânt«. 

Teve primeira hl eiiíe o titulo d^ -^ Cândido Conselheiro de 
Fidelmo^ escripior principiaiite — E uma espécie de Arte Poéti- 
ca, ou antes Preceitos da Arte de bém escrever, dispostos 6m ver- 
so solto. — 1 voL 4.^ de 32 folhas ^ e 1U3 versros. 

Com. — Se a carreira que' dás , cbaro Fidelmo , 
Nos diversos Estádios de Minerva , 
Qbut banhâo do Moxidego aé aufeas ondas , 
Té deizao descançar em ócio jasto --- 

Ac. -^ Amigo Verdadeiro , se he perito ^ 

Tenbo por melhor Aiestre, e mais sincero ^ 
Glue do Grego Orador o amigo espelho. — 

Em Janeird de 1842 devemoís á boiVdade do Sr. Morgado 



xxin. 

de AM«n<i« t«r em noiía mio o aútogvaphi» deita obra , ciijo 
dono é o Sr. José Pedro Nunes empregado na Secretaria doGo- 
yerpor Civil de Lisboa. x 

Pratica da Eloquência em hum Diccionario Oratório. Para uso 
dos Principiantes, que se çxerqitSo na Eloquência vulgar. 
Ordenado por Cândido Lusitano , e consagrado a ElRey 
Nosso Senhor. 
Sâo passos escolhidos dos bons A A. , e dispostos por ordem 

CXIII 

alphabetica. l.vohfol. grande. Original. Cod. ^;^ na Bibl. 
Publ. Ebor. 

A Eloquência ChristS : Observações expostas aos Portugueies por 
Francisco José Freire da Congregação do Oratório de Lis- 
boa. Em 1764. 1 vol. foi. grande de 102 pag. Original. 
Trás uma /advertência ao leitor^ que começa por estas pala- 
vras: — Este Tratado sobre a Eloquência ChristS ha muitos an« 
nos , que sahio a publico em hum corpo tão pequeno j que mais 
era planta , que edeficio. 

Começa a Obra. — Nunca se v5rSo na Igreja tantos Pre- 
gadores, quantos presentemente se vem.— 

CXIII 

Tem 22 capítulos. — Códice '^ZJf "* mesma Bibl. 

r 

Cartas Poéticas e Criticas , em que se discorre de algumas par- 
ticularidades da Poesia, e se faz juifo sobre diversos Poetas. 

Com. a 1.* Carta. — Meu amigo. Eu nSo sey se V. me. 
me quer fazer confuso ou agradecido ; porque louva a minha Ar- 
te I^oeiica de modo, que me confunde. — 

Sao 44 Cartas. 1 vol. foi. grande. Original. É a 2.* Parte 

da yárte Poética^ como o A. declara no Prologo da mesma. Cod. 
CXIII ^.,, 

-f^ZZé ^^ mesma Bibl. 



XXiV- 

Vida da B. Juliana Corneliente. Por Franciíco José Freire. 

Com. — Para gloria da Santidade, e entimulo á imitaçíío^ 
daremos a ler em succiota escriptura a vida da B. Juliana Cor- 
neliense» — 

CXTII 

1 vol. foL BorrSo original. Cod. f^z::^ na mesma Bibl. 

«T. ff, da Cunha Bivara. 



N. B. O Sr. Rwaraj por sua erudição bem conhe» 
eido j auclor do presente prologo e de mm preciosas bases 
para as notas , (por exem,plo , a breve dissertação sobre o 
que devemos entender por AA, clássicos) teve a bondade 
de vUgiar pela exacçâo da copia do Ms. — Também é de 
justiça mencionar neste logar que ao %elo pela litteratura 
pátria^ de que é animado o Sr. Alves do Rio Júnior , $o* 
mos devedores (quando sermu de Administrador Geral do 
Distrtcto d'* Évora) da permissão para sahir álu% apresen- 
te inédito. 

Os EE. 



iiTTRODirag^AO 



AO 



ZSGBXPTOa VazVGXVXAMTS. 



M, 



.uiTo ha que para o nosso particular uso escrever 
mos as presentes i2e/feir^« , extrahindo a doutrina delias 
da lição de todos os Auctores que geralmente são tidos 
porClassicos na Lingua Portuguesa. Nunca tivemos ani- 
mo de dar a público este trabalho; porém estimulado do 
mesmo zelo, com que temos publicado algumas obras , 
só em obsequio da Mocidade Portugueza , mudamos de 
opinião y persuadindo*nos de que esle livro lhe dará 
não leve soccorro para escrever com propriedade., e pu- 
reza, visto não haver até aqui em Portuguez um uníçp 
tratado , que instrua theoricamente aos Escriptores prinr 
cipiantes a usarem da nossa linguagem com a correc- 
ção, e energia que lhe é devida. 

 ordem , que seguiremos , será dividir estas Refk- 
açtes em três partes : na primeira trataremos de diversos 
pontos pertencentes ao valor das palavras , e á correcção 
da Gramroatica ; na segunda discorreremos em matérias 
tocantes á Pronunciação ; na terceira trataremos da nos- 
sa linguagem antiga, e illustraremos com mais copiosa 
doutrina muitas das Reflexões das duas partes antece^ 
dentes ; satisfazendo assim a uns reparos , que nos fize* 
ram depois de composta a primeira e segunda parte: 

Começaremos esta obra dando uma breve idéa dos 
Auctores , que são mais , ou menos Clássicos na nossa 
linguagem , e depois de estabelecermos a sua auc.lorida- 
de, passaremos a mostrar que esta não é tão forte, 

1 



que o uso constante , e prudente a nao abata ; para o 
que daremos a ler um catalogo devoít^ antiquadas des- 
de João de Barros até o P. António Vieira, não obs- 
tante terem a seu favor não só a estes , mas a muitos 
Mestres insignes. , 

Depois produziremos outros muitos vocabuhs , dos 
quaes usando frequentemente o commum dos Escripto^ 
res y não lhes podemos atéquí descubrir exemplas segu- 
ros, que satisifiEiçam acrítica rigorosa. Por esta occasiSo^ 
}>ara mostrarmos o como os críticos firmam muitas vezes 
t>S' pés com pouca segurança , defenderemos com exem"» 
pios dè boa &ota a outras muitas P^mesj que os rigoris* 
tas da língua não tem por legitimas Portugueísas. 

Passaremos a dar outro Catalogo de palavras , tiro-* 
^as das línguas , Latina , Italiana , e Francteza , e in-» 
troduzidas na nossa por Escriptores de inferior nota ; por 
tcuja raKão não deverá usar delias quem quizer escrever 
tsòm propriedade, e pureza, e só se lhe concederá licen>- 
ça, quando potfalta devores naturaes, edecentes ,não 
se poder explicar com precisão, clareza, e energia. 

Prosegiíiremos discorrendo sobre a nos^a. Syntaxe fi- 
gurada^ 6 suas liberdades , que lhe augtnentam a grar 
ça , e elegância contra o parecer dos ignorantes. Por ul- 
timo recommendaremos como precisiseima circumstancía 
VL ptopriedade, e pureza na locução ; para o que apon-^ 
taremos alguns exemplos de Vieira, que provem, dará* 
mente esta propriedade, e pureza; e remataremos ooni 
tim Vocabulário , que mostre a rigorosa significação db 
muitos termos, que erradamente se tem por »^ynonymo6. 

Na segunda parte, todo nos occu paremos só no que 
J>ertence á Prommciaçâo, Mostraremos o quanto está 
corre viciada em alguns Nomes com o ignorante uso dò 
povo.- Passaremos depois a reflectir sobre diversos termos^ 



tpíe ou fio tamreiofularo oupluml? pp^ra qu^ çE^çfíptof 
jpoucQ cuUo nao comolette peiro vulgar 4edar o^s.^ito; 
l^omes o número 9 qUe elles hSq |em». Sstit' J^cílç)^â9 
cháÃaré p^r outra ^ em que iambejtQ . n^o^tr^remQ$ oQe^ 
a*ro Vierdadeíro , a que perlfUícem diver^afi vqz^^ ', quç§ 
em vários livros se acham, já olaspi^Uaaa^ j,i feH^ijiÍQaS) 
Discorreremos igualmente sobre a genuina terminação 
de aA^w^ Superlativos ^ qu^ nâo; erguem á r^gi^com- 
mum de acabarem ^m krimp; <} ^^«L|9nJ<^ tf^l^bem so- 
bre a pura pronunciaçâo , e uso de alguns advérbios , e 
Interjeições y em que se commetlem bastantes erros. 

Não nos esqueceremos de f aliar dos Diminufivos , 
cuja pronunciagão corre frequentemente viciada, e tam- 
bém de alguns Paríicipios 5 que a cada passo pronunciam 
com erro até aquelles , que presumem não ser povo. 
Igualmente nos lembraremos de apontar a legitima pro- 
nunciaçâo de diversas palavras , e os Nomes próprios , a 
que muitos erradamente dão a penúltima syllaba já bre- 
ve, já longa 5 ou lhes alteram as lettras , resultando des- 
ta mistura um modo de fallar vicioso. 

Reflectiremos , como matéria muito iniportante, 
sobre os erros, que se commettem na Conjugoçâo de di- 
versos verbos, fazendo-se anómalos, oudefectivos. Tra- 
taremos por ultimo das Figuras pertencentes á Dicção, 
para satisfazermos a alguns reparos , que nos farão sobre 
a Reflexão antecedente, tocante á conjugação dos Ver- 
bos. Remataremos esta segunda parte com um longo 
Vocabulário de palavras, em cuja pronunciaçâo verda- 
deira não acertarão muitos Escriptores, nem ainda hoje 
acerta grande parte daquelles que não querem ser con- 
tados no número do vulgo ignorante. A terceira parle 
servirá [como já dissemos] de commentario ás duas. 

Bem estamos persuadidos que não desempenhar e- 

1 * 



4 

mos o assumpto ; porém sempre a nossa ousadia serviri 
de despertar engenhos com mais forças para este peso, 
dando á Mocidade Portuguesa reflexões mais judiciosas ^ 
e eruditas em um argumento táo importante y qual é o 
de íallar e escrever com propriedade y pureza 9 e correc* 
(8o. £ntretanto tu ^ Leitor : 

J)a veniam ieriptU y quorum non gloria nóbU y 
Caima^ 9€dutir%ta$y officiumqw fuiU 



% 



REFLEXÕES 



••BBS 



Zanr^TTA PORTTTOTnBSA. 



REFLEXÃO !•* 

Sobre a attctoridade dos Attctores Clássicos 
da JJingua Portugtteza. 



E 



doulrina certa entre os antigos Grammaticos ^ e 
Rhetorícos ^ assim Gregos ^ como Latinos 9 que a princi-* 
palíâsima qualidade ^ que deve ter qualquer Escriptor^ 6 
a pureza da linguagem 9 em que escreve. Sem proprie« 
dade no fallar perde muilo qualquer obra litteraria da« 
quelle solido merecimento que depende nSo do juifo do 
povo Ignorante , mas da sentença da critica judiciosa* 
Esta propriedade consiste em usar daquelles vocábulos ^ 
daquellas frases ^ e idiotismos ^ que constituem o distin* 
ctivo y e Índole legitima do idioma , em que se escreve. 
Para se conseguir esta necessária perfeição nSo ha sen2k> 
seguir 08 vestigios dos Auctores Clássicos , que tem cada 
«ma das linguas cultas. 

Muitos ba y que ou ignorando j ou despresando a 
grande auctoridade destes textos , nSo reconhçcem ou« 



tro mestre, senSô ao tlso covreAte. Não se pôde negar 
que em pontos de propriedade , e pureza de linguagem 
é o uso um arbitro soberano nos idiomas vivos , porque 
sem elle se contaminaria o fàllar puro e correcto com 
-vozes já fastidiosas , e decrépitas. Mas que uso é este ^ 
ao qual se deve cegamente obedecer 2! Não é o que reina 
Jio vulgo ignorante , nem ainda o que favorecem os ho- 
mens lettflidos, pouco escrupulosos nas prt^iedades da 
sua língua ; é só o que floreceu , e florece entre aquel- 
les , que mais se distinguiram na pureza do fallar pró- 
prio, genuíno, e natural de sua nação. 

Assim como não se deve aprender de todos os ho- 
mens o verdadeiro íaodo do^ Vivçr ^ pqrque delles se con- 
trahiriam costumes , parte vis , e parte viciosos , mas só 
daquolles| que são mais perfeitos ^ e distinctos no juí- 
zo , na probidade da vida , e na pratica do mundo j 
assim igualmente no fallar nãò se deve seguir o uso 
do povo idiota , inimigo declarado das linguas ^mais 
«ultasy mas só o daquelles^ que á focça de' observação^ 
-è de estudo fallarám sempre com escrupulosa proptie- 
dgdej e pureza. 

Contrahindo esta gerul doutrina , que todas as na>- 
*^6es polidas cultivaiYi 9 e fomentam , digo n respeito da 
^Linguagem Pbrtugu^za que infaliivelmente vão erra* 
.^06 txklòs os qrue não .catíiinham pelos vtestígios daquel- 
Jefe Auctofes , qué pelo fteu justissimo merecimento la- 
-gram entre os sábios o titulo áeClasúcoB. A experiência 
•assaz mostra todoà oè dia6 a verdade desta proposição, 
'<iuvindõ-se , e kndoAfee livros d^Portugaez tão barbara, 
que são o alvo do despreso, ou da indignação dos críti- 
cos zelosos. Mostremos pois ao Escriptor principiaat^*, 
^quaes sqarh éfetes OhmcOè' pelo commum consenso dos 
'^ue «lais culUvam a pura Linguagem Portugueisai Sfij- 



7 

bam aos que devem escolher por guias , para nao etra*« 
rem o camioho , nem cahirem em despenhadeiros. 

Aales do felícissímo reinado d^El-Reí D. Manuel 
quem chamasse inculta , e barbara á Língua Portggue-i 
sa, nao lhe erraria o nome. Contentaram-^se osseu» pri- 
mitivos £sccíptores de íaUar uma linguagem pouco soe- 
corrida da correcção da Grammatica, e de todas aquel-* 
las qualidades , que ensina a Arte de bem fallar. Os 
melhores, que escreviam empresa, eram aquelles, de 
cujo. estilo secco , cançado , e confuso temos tantas pro- 
vas, quantas são as Chronicas dos nossos Reis antigos. 
Qs maia distincios no verso são os que lemos noCaiicio« 
neiro de jElesende, Poetas todos , que não conhecerem o 
polimento da Arte. 

Se por aquelles tempos não apparecêra .o insigne 
João de Barros , não teriamos obra , que pela lingua- 
gem merecesse ser lida com approveitamento, e gosto* 
Empenhou-se este illustre homem em dar regras segu- 
ras á Lingua , e em pratica-las nas suas obras , escre-» 
vendo-as oom termos tão próprios , c puros ^ que mere- 
ceu ser chamado o fundador da pureza , e elegância da 
sua Língua^ com tanta justiça , quantos foram os me-^ 
recimentos para também o appellidarem na Historia 9 
Lívio Portugtte%. Na verdade que quem lêr por este 
Clássico admirará nelle uma tal abundância de ter*' 
mos , cheios de prc^riedade, e energia , e uma tal af- 
fluência de expressões genuínas , nascendo tudo de um» 
estylo claro, e correcto, que jamais se animará a negar-» 
lhe o justo titulo de prirnáro Mestre da Linguagem Por- 
tMgueza. Por isso o nosso António Luiz w> seu TratadQ 
de Pudore , que lhe dedicou , disse delle com justiça 
Tuoqti/e ex ore {quod de Nestore scripsit Horrrcrus) mUk 
duktor profhii oratio» Por isso igualmente Nicoiáo An-» 



ú 

tonio na sua Biblíot. Hisp. chamou ao puro e eloquente 
estylo deste illustre Hisloriador luculcnia oratiOy Lvóia^ 
nae aemula &c. Esta mesnía justiça lhe fazem infinitos 
Escriptores naturaes , e estranhos , cujas auctoridades não 
queremos transcrever , porque são supérfluas para provar 
a summa auctoridade, que tem João de Barros na Lio-» 
gua Portugueza , onde o uso dos séculos seguintes lhe 
nâo antiquou ou palavras , ou pronunciações. 

Fr. Bernardo de Brito , que lançou os alicerces á 
grande Obra da Monarquia Lusitana ^ entra igualmen- 
te na honrada classe de João de Barros , porque lhe se- 
guia os passos 9 escrevendo em estylo puro, e correcto. 
Obrigado desta justiça é que o nosso famoso antiquário 
Manoel Severim de Faria disse nsis Notictas de Portugal 
pag. ^B4 que elle na linguagem ejui%o pôde iermr de 
modelo &ic. Do mesmo parecer éCaramuel noseuP&íiip. 
Prud. pag. 118 , dizendo : » Est hercule de Rhelorica 
optime meritus , cujus perenne studium ^ ac felicem dih- 
gent%am vulgata opera testatam faciunt. Os seus conti- 
nuadores Fr. António , e Fr. Francisco Brandão tem 
pènna ingénua , indagadora , e verdadeira , mas falta 
daquella propriedade , e pureza , que sobresahe em seu 
antecessor. Os outros Chronistas, que continuaram esta 
grande Obra, ainda na linguagem tem entre os Críticos 
menos merecimento que os dois Brandões , especialmen- 
te Fr. Rafael de Jesus , que morreu sem saber o como 
devia fallar a sua Lingua um correcto Escriptor Por- 
tuguez. 

Fr, Luiz de Sousa , grande esplendor da sua Reli- 
gião , a nenhum outro Clássico cede em pontos de pure- 
za de linguagem , e energia d^expressôes. Damos razão 
á critica, que affirma, que este Historiador tirou toda 
a esperança de ser imitado naquelle puro, vario, e na- 



9 

> luralúsimo eâiylo, com que escreveu a Cbronica domi- 
nicana , e a vida do grande arcebispo D. Fr. Bartholo- 
meu dos Martyres. Um destes crilicos é Nicolau Ânto-. 
nio na sua Blbliot. IJisp. dizendo delle a Mira ae exqui^ 
nia luútam ser^nonu facúndia ^ &c. Ainda foi mais ex* 
pressivo, pela honrada comparação, D. Fr. Mtfnuel de 
Mello na sua carta ao doutor Themudo, onde diz a Po^ 
diamos crer animava nclle a alma do famoso João de 
Barros y &£. Mas para que é transcrever mais elogios a 
este insigne historiador , onde está o do grande Vieira ! 
Confessa elle na censura da 3.^ Parte , que o estylo de 
Fr. Luiz de Sousa é claro com brevidade y discreto sem 
affectação ^ cojAoso sem redundância , e tão corrente , fá- 
cil j e notavety que enriquecendo a memoria y e affóçoanr 
do a voníadey não cança o entendimento. • . . Di%endo o 
commum com singularidade y o similhante sem repetição y 
o sabido y e tmlgar com novidade y e mostrando as cousas 
[comofa% a luz] cada uma como éy e todas com lustre. A 
linguagem tanto nas palavras y como na phrase y é pwror 
mente da ttngua y em que professou escrever y sem mistu^ 
ray oa corrupção de vocábulos estrangeiros. A proprieda- 
de y com que falia em todas as matérias y é como de qi^m 
a aprendeu na eschola dos olhos , ^c» 

A D. Fr. Marcos de Lisboa dSo os críticos a auc- 
toridade de clássico y porque escreveu a Chroníca da Or* 
dem dos Menores com aquella pureza de linguagem , 
que era vulgar nos sábios da sua idade. Posto que nao 
chega a possuir aquelle [digamos assim]] atticismo da 
lingua portugueza y que se admira nos clássicos acima 
apontados y merece comtudo o elogio, que lhe fez D. 
Francisco Manuel na Carla 1.* da Centúria 4.*, cha- 
mando-lhe muito eloquente. 

Do P. António Fifkra diremos pouco, porque occu- 



10 

Cariamos todo este livro, se fosse necessário provar 5 qu^ 
é o clássico mais auctorisudo da língua portugueza ; ma^ 
.ninguém ha entre nós, que o nao confesse, nem çntre 
os estranhos ', que o nao saiba. Se não me cega ^ pai- 
•X8k>, ou n£o me enganam os testemunhos de sábios in- 
finitos, nem antes, nem depois deste singular orador 
tivemos penna do mesmo aparo. Possuiu elle em grau 
sublime todas as delicadezas, propriedades, e energia 
da sua língua ; e por isso é que ainda ninguém duvidou 
usar de vocábulo , phrase , e e:^pressâo achada em seus 
escriptos, ou se atreveu a censuraJas , achando-as em 
alheios , exceptuando uma, ou outra palavra, que o uso 
inteiramente deu por antiquada ; injuria , a que estap 
sujeitos os clássicos mais distinctos das línguas vivas,. 
Seguir sempre em tudo e por tudo o fallar de Vieira 9 
é uma seguríssima regra de conseguir não só a pureza , 
.mas o louvor de t.er todo o conhecimento das subtilezas 
xlo idioma portuguez \ porque nenhum outro clássico te- 
mos, que escrevesse tanto, e sobre tão diversas maté- 
rias. Discípulos deste grande mestre. foram diversos ora- 
dores, especialmente António de Sá, e D. Luiz da As- 
cenção , imitando-o na pureza do eBtilo , e correcção da 
grammatica, porem a cada um delles se pode applicar 
-com verdade : sequiturque pairem non pçissíbíès wquis» 

Jacintho Freire de jdndrada tem por sua puríssima 
lox;ução um logar distincto entre os clássicos da nossa 
lingua. Na vida, .que esqitjyeu do grande D. João de 
.Castro nos deixou um perfeito modelo da força, grar 
ividade, e energia da legitima linguagem portuguesa. 
Deixando um, ou outro defeito, como verbí gratia dizer.: 
a altura da elevação do polo^ descuidos., que se .deveiti 
attribuír á indispensável fraqueza do entendimento hu- 
mano , no demais guardou exactíssimo respeito ás ve- 



11 

lieraveid caSi ^ e antíanidade da nossa gcfnuina língua^ 
Igem. 

A vida do Conde das Galveas , escripta por seu so^ 
brínho Juho de Mclh e Ckutro é um arremedo • do que 
lios deixou Jacintho Freire. Tem polimento , e pureza 
de phrase, mas commummeBte revestida de t4Uita pom« 
pa de palavras , que quem lér a este escríptor logo b 
^ade julgar por poeta; porque couceitua a cada passo 
eomo homem arrebatado de enthusiasmo ; porem isto 
<mais pertence ao eslplo ^ do qual nâo é o nosso assumpe 
to fallarmos , do que á simples hxsiiçâo , que é todo o 
argumento desta obra. Por isso também nXo dem<» b 
nosso juízo sobre o merecimento dos clássicos até aqui 
apontados em matéria de estylo ; nem o daremos nos 
que se seguirem 9 reservando este assumpto para occa'- 
siâo diversa. 

Fté íkrniirègoí IhíXâirti , na vida do nosso famoso 
Condestavel , melhor se soube revestir da Índole , e carac- 
ter da locuçSo de Jacintlio Freire. A's vezes é delle um 
imitador sertil, mais na estudada symetria das palavras, 
que na elevação e energia dos pensamentos; posto que 
tem muitos nobres, e sempre ditos com pureza e pro- 
priedade de linguagem correcta. Deixou-nos o mesmo 
*àuctor escripta a vida de Gomes Freire de Aiviroda ; 
mas á edifício de architectura mesquinha , e de Ornatos 
menos graves. 

JOhtúrle Ribeiro de Macedo éaxLCtót com dislinoçâo 
benemérito da sua lingua. Escreveu pouco; mas o qtie 
delle temos foi o que bastou para os ciiticos lhe darem 
logar entre os clássicos óá prímetr$i nota. Entre todos os 
>seiis escriptos em nenhum brilha tanto a simplicidade 
nobre e puta da nossa linguagem como na vida da 
•priíK^ea Theo(toi^» Bastava 56 este livro. para de jua^ 



19 

tiça ò constituir mestre : tanta é a propriedade c pu- 
reza, que nelle admiram até os mais difficultosos de 
contentar. 

Os .juristas tem a justa vaidade de darem em Manuel 
Rodrigues Leitão mais um Clássico , que hombrea com 
os da primeira auctoridade* O seu Tratado Analítico nSo 
é menos thesouro da pureza e abundância do nosso idio- 
ma que da jurisprudência ; mas especialmente a lonj;a 
dedicatória é uma daquellas obras 9 em que a critica 
mais severa passa para sincera e admirada panegyrista. 

A Franciicó Rodrigues Lobo não se lhe pôde negar 
logar nesta classe, porque possuiu perfeitamente a lín* 
gua e a praticou com distincçSo, posto que na Or- 
te na Aldêa com mais especialidade do que nas outras 
obras. No seu poema do Condestabre é onde se lhe acha 
menos pureza e energia de linguagem. 

Estes são os principaes textos^ cujas pisadas seguem 
os escrupulosos para escreverem com propriedade e pu- 
reza. Muito perdeu a nossa lingua em nao deixarení 
obras alguns sábios do século decimo-sexto , como um 
D. Aleixo de Mene%eSy um JD. Jeronymo 0$oriOj e ou* 
tros , de cujas cartas e papeis iK>liticos argumentamos o 
summo grau de perfeição com quefallaram a sua lingua. 
Grande serviço faria a esta quem delles fizesse e publi- 
casse uma collecçâo. Os críticos formam segunda classe 
de auctores beneméritos da nossa linguagem , mas de 
merecimento inferior aos antecedentes , já porque foram 
menos correctos , já porque usaram de termos que na 
sua idade se tinham por archaismos. 

Contam entre estes a Mamiel Severim de Faria. 
Nós, que delle temos liçSo, achamos em suas obras 
bastante pureza no fallar, mas diversas vezes affecta sem 
motivo antiguidade de linguagem , usando de vocábulos 



13 

de Barros, ê outros, que no seu tempo já nSo estavam 
em uso. 

D* Franeiico Manuel de Mello ainda affectou tnaíi 
os archaisinos , e por isso tem sido censurado por niui- 
tos. Com tudo é auctor, pelo qual se deve estudar i 
porque é úm daquelles em que se acham vocábulos 
exquisitos, próprios da língua; e neste ponto, como os 
outros clássicos raras vezes usaram |[ou talvez nunca3 de 
similhantes vozes, faz este escriptor a mesma auctòri-* 
dade que fariam os primeiros mestres* Os seus dialo* 
gos, os seus versos e cartas servirão muito nesta ma^ 
teria ao leitor pouco instruído nas delicadezas da nossa 
linguagem familiar. 

O P. Jo&o de Lucena justamente merecia occupar 
logar na classe dos mestres da primeira nota ; porque 
escreveu a Ftda de S» Francisco Xatner com tal pro* 
priédade, energia, e pureza de língua, que os muitos 
elogios, com que os sábios honram a sua memoria, ain« 
da nSo são os que bastam para quem tanto honrou com 
li sua pura locuçSo aqúella Linguagem Portugueza què 
a critica só reconhece por genuína. Temos obser vado 
que esta injustamente o censura de usar de diversos ter- 
mos destituídos de clássica auctorídade; porque de todos 
os de que o arguem , lhe achámos exemplos seguros , e 
ide todos usou depois Vieira, como facilmente mostra- 
ríamos , se fosse o nosso assumpto fazer aqui a apologia 
do P. Lucena. 

O P. Francisco de Sousa no seu Orienle Conquis- 
tado é mui benemérito do Idioma Portuguez. Temos '^li- 
do e observado a locuçSo deste escriptor , e raro é • 
Tocabulo, ou phrase, que iiSo sejam próprios da lín- 
gua , ou já no seu tempo naturalisados pelo uso cons- 

tiiQte. Porem como Oie falta aquelle atticismo , ou pri- 



14 

mor de litiguagem que se encoDtra nos primeiros me$^ 
três, nao concordam os críticos em lhe dar na purai^i^ 
dia locuçlk) aquelle distineto lugar, em que o põem 
mais pela elegância que gravidade do seu e^tylo , quâ 
guitas vezes descabe em jocoso. , i 

. Fr. AniorAo das Chagas foi um daqu«Ues auctorei 
que mais souberam os mysterios da lingita pprtujgUeza» 
Bastará ler qualquer de suas obras para se ver quo 
usara delia com propriedade, como, quem medira a suli; 
vastidão. Nas Cartas Espvritwac& acham-lhe os críiico& 
mais cultura e pureza do que nos outros livros, esper 
ciaimente no uso d^ termos e phrases' familiares, se bem 
que muitas, ou inventou, ou tirou do castelhano, seitt 
as achar defendidas por escriptores dé clássica auctorí- 
dade. Adndai assim se o seu estalo nao fora tâo florido^ 
inconstante, e muitas vêees poeHco^ cremos que teria 
facOitado aos rigcmstas a lhe darem Jogar mais distk^or 
to entre os textos portuguezes. 

O Feneravd P. Boi^thohmeu doOnental fallou cotti 
grande propriedade, nao admittí^do jamais em seus e$« 
críptos vozes ou expressões roubadas a outras linguasè 
Por commum consenso dos críticos é purissimo o aeu 
porluguez, partícularmehte nos Scrmôci^ que até em 
elegância e- gravidade àtò estylo síí devem imitar. jDíí 
um crítico- moderno que Já nas suas Meditações lhe nao 
4acha tanta ppceza do linguagem ; iquereríá talvez dizer 
tanta nobreza. Mas assim convinha a gente popular pa- 
ra quem escrevia. O em que todos os cultos concor- 
dam cem toda a justiça é^m que este apdstoiioo or^ 
dor falia va com escrupulosa pureza de lòcuçiibo ^ quai>- 
do como pregador á& capella real arava diante dos veh 
e primeiras personagens da corte. , \ 

O P» MaTvud^ JSetimrdôs ^ filho 4o institiito e ^ 



ia 

tàpirilo do Tei»eMroI P» Quental, injustamente não 
hombrêa com os clássicos do saculo passado 9 sendo uov 
acérrimo imi^tador de Vieira; mas tempo virá em que 
criiica màís recta lhe dè logar merecido , quando este 
auctor já não passar por moderno. Para eàta distiacçâo 
bastará observar bem qualquer das suas obras, excep- 
tuando a das Florestas^ na qual se não conhece tanto 
a lima da puríssima locução e [digamos assim] o ver^ 
niz da rfegancia , que só tem por legitima a linguagem 
portugueía. As suas Medttaçots sobre os Nõvmimoí do; 
Homem immortalisam a sua penna , ennobrecem a^ Mu- 
gua, e honram a Congregado do Oratório , da qual ft* 
exemplarissimo filho. 

O conde da Ericeira, jD. Lm% de Mene%es^ lev^ 

clareia, gravidade de locução, nias não concordam os 

rigoristas em. llie conceder no seu Portv^al MesiauradQ 

perfeita o constante pureza de língua. Nos termos pot 

rem, que são ffícultativos^ e pertencentes á milícia j 

ninguém ha que o não tenha por texto, pois què^nesta 

tnatería já perderam a aiictCH^idade os: nossos antigos. 

No tempo em que este auctor escreveu âoreéeram ou* 

tros assae beneméritos da língua nacional , que puMi- 

cál-am puríssimos escriptos políticos sobre a justa aocla^ 

4naçao do Sr. rei D. João 4^Pi porem não fazemos dei-? 

le« dÍ6tíncta memoria , porque ainda não são ootíiados nd 

catalogo dos clássicos. 

Estes são os principaes auctores , que na prosa for* 
«nafii o catalogo dos textos tia língua, ou da primeira j 
ou da segunda classe. Outros críticos ha, que estendeni 
mais este numero , talvex guiados pela paixão que tetn 
ás obras de algum particular escriptor. Nós também h 
estendemos , pondo nelle aqu^iies^ ductòreíi , que escrev* 
Tam com linguagem correcta de drrcFsa&aciencias^e ar- 



16 

tes , porque seguindo o exemplo de todas as nações cul* 
tas devem nellas ser contados por Clássicos. 

Taes são Fílippe Nunes na Arte da Pintura , e Poe* 
sia 9» na da M usica António Fernandes , e Manoel Nu- 
ne$ da Silva » na da Grammatica Fernão de Oliveira » 
na Náutica Lui% Serrão Pimentel j e Manoel Pimentel 99 
na Militar João de Medeiros Corrêa y e Lui% Mendes de 
Vasconctllos y^ na da Artilharia ha%aro de-la-Isla » na da 
Caça da alta volateria ZHogo Fernandes Ferreira » 
na da Cavallaria jintonio Galbão de Andrade^ e Anto* 
nio Perdra Regov na Architectura Militar Lu%% Serrão 
Pimentel n na Arithmetica Leandro de Figueira ^ e Ma- 
noel de Figibeiredo » na Arte de BrazSo Antorão de VU- 
las-boas Sampayo j eoutros^ cujas obras correm la^ff 
Em cousas pertencentes ao trafico camponez , e á cultu- 
ra dos campos &c. Leonel da Cosia. Na Soiencia Astro- 
nómica é texto André de Avellary e Pedro Nunes n na 
Geográfica Gaspar Barreiros j e Fr. Pedro dePoyares, 
e o Mariyrologio em Portuguez para a verdadeira pro- 
nunciação dos nomes de muitas terras 99 na Medica Af-- 
fonso de Miranda y Francisco Morato Roma^ eFr.Ma^ 
noel de Azevedo rf na Juridica Manoel Alvares Pegas ^ e 
outros do século passado , que publicaram diversas Al* 
legações. De quasi todas estas Artes , e Sciencias ha ou- 
tros A uctores modernos; mas por isso mesmo que o são, 
ainda não os contam os rigoristas no numero dos Clás- 
sicos y não o desmerecendo pela propriedade , e pureza , 
com que escreveram. A mesma sorte estão padecendo 
[em quanto não vier outra idade^ diversos Oradores, 
Historiadores , e Poetas assaz beneméritos da Lingua 
Portugueza, Alumnos de varias Academias, e especial- 
mente da Real da Historia destes Reinos. 

Corre umerrooommummcntereeebidQ de muitos, e 



17 

^m a ser 9 que os Poelas por conta daa liberdades da 
Bua linguagem n2o podem fazer em prosa auctorídade 
aagura em pontos de pureza de locuçSo. Demorem<vnos 
mais y doque é nosso costume , nesta matéria , mostran- 
do a equivocaçSo j que ha nella. Os Poetas «im usam 
de .\ozew estranhas , que nao sâb permittidas aos que es- 
£rev€m em prosa; porém nem sempre se valem desta li- 
berdade ^ nem a devem pòr em prática em qualquer es- 
pede de Poesia. Aristóteles, só a cxMxcede aos Épicos , di- 
zendo 19 Verba externa Poetu EpicU 9unl accomodaia : 
gramtaíem namque hoc , et tnagniiaquentiam in se con/i- 
nenty et audadam. 

CrUii!os ha , que ainda passam a mais , af firmando 
que nSo s& sao licltos na Epopea os vocábulos estrangei- 
ros^ mas também vozes fingidas , que em nenhum idio- 
ma se encontram. Assim o prova o dou tissímo Apologis- 
ta de Annibal Caro contra Luiz Castclvetro na pag. S5 
tsonfirmando-o com exemplos nSo s6 de Epioos gregos, 
e. latinos, mas modernos^ de diversas Nações. Nestadou- 
trina parece-nos, que ha nãk> pouco excesso, porque não 
sabemos de que modo se pôde usar na Epopea do pala- 
vras ,' não extrahidas de algum idioma , mas totalmen- 
te novas para todos , porque se ellas nunca foram ouvi- 
das 9 também nSo seram entendidas , o que é grave 
defeito. 

* O nosso parecer é , que o Épico sim se pode valer 
cfce.voeabulos estranhos, inas devem sertirados dè idioma, 
que dSo seja tSo desconhecido que os sábios não te- 
nliam deste uma geral noticia. Porém esta liberdade não 
deve ser excessiva, mas moderada, á maneira deVirgi-^ 
lio 9 qu® ^ lingua sabina tirou a palavra Oipentiis^ 
da Pérsica G<x%ay da Macedonica Phalanx , da Galli- 
ca íTri 9 dft Puniea Magalin &c. Com esia limitação 



19 

p6d« o Bficf^ mtir de yotm «trorfbas <m por iMcosstdv^ 
de^ ou meramente paraifaser maissdbiíme, emagestosa 
a Ihhgvagem poetíca , que é nelfe incUapensavel. Esta 
licesça poiém «ao é concedida ás ou toas espécies .de 
iBoena^ «xceptaaiido na Li^rica as Odes Pindarícas» 

Por onde icoQclttiaaos que se nestes nocabalos «stra^ 
«ibos bSo lazem paia a psosa auctoridade os exemplos 
dos Poetas Epioos , certamente a íácem naipRUas ipala*- 
^ras.^ ;que iamjbem tem uso na p«osa , e «stas nia^aeii^ 
duvida (fue «são «m muito maior námeiío do que as esr 
4jiangeÍEa5. Por exenipio^ .quando eu duvido se se pôde 
usar , ou não , em um Panegyrico das palavmS'Ca£i«mf 
iéf ÀfffSm^^ hnffn^ Jknpcrary SoperoiíOy ÒLc.y «nSo 
stibeiido-9 que a^ usou Yieu^iem divessos Sennfies , as 
ftd)Q (^'CsamSesy Grabcíel Beneíra , Bacelibur^ eoutroe^^ 
tepfao ino^ties Poetai exemplos seguros paca (usaff delias ^ 
dandc^as ;por ilegítimas Portugiiesas., porque imdadeira^» 
pnente este? vocaâ»ulos ii4k> s8o os que em rigor «oasti^ 
tuem a linguagem poética, como bem «abem os inteHÍT 
gentes* Quattlo mais qve o buscar os exemfdios dos 
Clássicos nio é só gaca a puressa « propriedade das fpala^ 
vi!as > ma3 também para a^s^iiirança nas regras daCiajoa^ 
xpatíca ; e todos sabem , quo estas no vorso .sSo at «ses^ 
m9» f que na prgsa ^ fsxceptua^do alguma coUoeaçSo de 
-vozes , que por virtude daSyntaxe figurada é privativa 
pe^a os Poetas. 

Aflseatando pois naates principies adnd.uamos quis 
ainda para a prosa são textos clássicos os bon« Poetas 
em ponitos de pureza dp vpc.abu]K>s , e oorrecçio de Grani* 
matica^ Assijoa o praj,icam todas as nat^s cuUas^ que 
\eux public94<^ Vocabularjps da lUia lingva ^ aUegando 
nielles f|-equeateia^(ite <çcim os axemplos dos se«» melbc^ 
xe$ Ppeit^. Só quem fSQmbiaa a locu^ do Qil Vícen-. 



^e « a 'de tock» «s Poetas, q«iè fofmmi o Oahctóiid^o 

d^ ReMsde ^ é i)iie sabe avaliaa- bem o quatdo deve 1k 

LÍDgtfa Por4ugtteza áqneUes suMimes espíritos , q^we^eâ»- 

fre nés culiiyaTátn ^ oa [dteesdo melàorj Amdatafiíl tt 

Poesia «Q ^Seeulo deèimô ^exto. Estes tcemiiaradoè CMl 

os Poeiass^ ^ai^ lhe jafrecedtoranK, tem o mesmi^ mer^eci^ 

BieiiloQaeJyíoiiKeío.^ VUigUio^ Ovídio^ Catwlto, 1>ef€(ii<^ 

cio '9 e ^^Aitmos. a; ve^ito dê Eflaío ^ Nem^ Aiarár^nfeo^ 

Pacavio &0)b ^ 

Tal foi.£u» defja7?}âB«^ laonraiiDiÉetrtal^ níâo só dA 

Peesía-, iiiasdaijkigiiagem'i^tagiieza, {lot^rqueafisiísi^ 

sua Epopea , cohio em todas as demais obras poetjfèafc jp^li^- 

iieòu atm-admiravel-daresa^ |»Miprn»lBKÍe<) ^«ft6^»6ía, e 

«iMargia dè Liâgaa. Quem èè a CanvSes^ «fâásl ^Xie Vkk 

ptareoè estar IodAo «m Poeta da idnde pKfsealné ^e t|«íè 

úiz respeite á tpmrexa, ^ «^correcçito daiMf^sa 6hâtt¥MíÉi^tiel^ 

Vão (tomoí •amai os fefUosos D^go S^nmiáNlts ^ ^tktoH^ 

J^bfínÁra^ Anntindkni Bkbeàro^ iwvn^mè ^èCè^U Rtisd^ 

exmtvo% dfi^fucileâeeiílo ; poKfW^ aaisua kioa^^ á^vé!2€% 

aspéra^ « incaita fcciiineínfic deelaram é. idade, ism ^u^ 

aásoeram ^ sesdo de ClaiiiSeG xúfti» fieiít icaicadov^ aa 

elegância da Poesia que nas da líoguaigem... ^ / [ 

J^n Sferneírdo yh Brito iTos pouocis v«»rsos^ ^e nos 

det&ovi p 'eonseri^a x> fncsraío logar da Olasiiijo tfuQ ilia 

adqQirttàm as saars obras em |ffosá. Mestt^^ i|Qa aas^ 

eèrti taato para a Poesia ,' como ])atti^ a Hiátoria^ e peò- 

qiUe Qb tHÍtíÁ<» rigorislas aapureza dai^iagua adnm em 

«eus^ versòft iom^sma políaiento^ propriedade^ eiorga cie 

IdodçBa Ponmgueia^ que adimiraih nos seUs leadriptjos 

em prosa , por isso em qualquer das suas obrá« t> reec»- 

tiliettem n^ta matéria por mastre ^ e taxíao da ppbneira 

olavse^ 

OSò o itresliio Jbgar a Graòriei Pereira dèGMIro^ e 



to 

com justiça 9 porque é benemérito da nosia linguagens. 
No sou Poema a Uly%%ta , onde o nSo attrabiram as 
liberdades poéticas , para conservar a grandeza Épica ^ é 
quasi sempre puro, e próprio, ou na Gramroatica, ou 
nas vozes; mas ntmca como o foi CamSes em qualquer 
de suas obras. Pôde ser que este juizo pareça a muitos ex* 
cessívo; mas será em quanto não observarem asuaBpopea 
com a exacta reflexão , que ella merece ; nSo digo pelo 
que toca ás regras Épicas [porque nâk> é este o nosso as« 
Bumpto^ mas pelo que respeita ágenuiná pureza daLin* 
gua , em que ás vezes faltoiT^ como em seu logar mo»* 
traremos. 

António Barboza BaccUar é um dos primeiros Poe« 
tas 9 que tem o nosso Parnasso , ou se attenda a todas 
as qualidades poéticas^ ou á purissima locuçSo. Poucos 
fi&o os versos , que possuímos de tSo sublime engenho ; 
mas esses poucos são os que sobram para os rigoristas 
assentarem entre si que quem se defender com o exem- 
plo deste Poeta em matérias pertencentes á Lingua pro* 
^uz em sua defensa um texto da primeira classe. Léa 
AS suas obras com reflexão judiciosa quem duvidar da 
justiça desta sentença. 

Aniofáo da Fonccca Soares , segundo alguns Críti- 
cos y tem tal merecimento em seus versos ^ no que toca 
ás especialidades da locução , que querem se lhe deva 
dar logar entre os Clássicos. A verdade é , que não ha- 
iverá palavra expressiva ^ frase y e modo de fallar legiti- 
mamente Portuguez , que não se achem neste Poeta y es- 
pecialmente naquellas obras , em que usou do estylo 
temperado y ou do simples. 

A estes Poetas se seguem outros , que formam se- 
gunda classe 9 porque não se acha nelles a mesnla pro- 
priedadií de linguagem que nos antecedentes* Taes são 



BaUha%ar Estaco nas suas JRimqs ; Francisco de Sá de 
J!ilcne%es na sua Malaca Conquistada ; jéntonio de Sousa 
de Macedo na %ust Ub/ssipo ; Manotl de Galhegos na sua 
Gigantomachia j e no seu Templo da Memoria; e outros 
que não apontamos ; visto não serem de grave auctori- 
dade entre os bons cultores da nossa Língua. As Acade- 
mias dos Singulares , dos Generosos , e dos Anonymos 
tiveram fdgunsAlumnos tSo cuidadosos da pureza delín-* 
guagem ^ que tempo virá 9 em que com elles se aucto^ 
jUe^ quando se formar um Diccionario Portuguez^ cu* 
jos vocábulos se vejam sempre auctorisados com exem-* 
pios clássicos para segurança dos Escríptores pouco ins- 
truídos na Língua materna. O P. Bluteau y a quem 
muito seguinio»^ nesta obra , nSo foi neste ponto escru- 
puloso y como devera , em todos os termos que trás no 
seu Vocabulário, allegando a cada passo , já com AA. 
Clássicos , já com outros da ínfima nota ; mas sempre 
será um Escriptor de immortal fama entre os Portugue- 
ses , por lhes dar um Diccionario , qiie elles nSotínham, 
e de que tanto necessitavam. E* gloria , que sempre a- 
pompanhará a sabia religião Theatina fundada nesta 
Corte. 



%^ 



»••«■ 



REFLEXÃO â.* 



iSbõre o uso de algntnces votes aniiijttadícts. 



N. 



a Befiexâot antoctdonteHbOBtiiádniM, qtiat era a fftoxh 
de %iMterid«id6 do» aoesoA ^ uctoves Glasakos ^ e o oo> 
z|k9 Qs49QK>s. obrigtdbft a Gaminbap pelba seita t(i»iigi$)Q> 
pi^irft iriAM segur«« mst fMfexst j. e: cocrecçaa da» Liof u»* 
getn^ Po«é». como* e^ uso recehidor ptloa sabma j <)iiie 8t 
9eguk9»Di a 6s4cBi aiestxes ^ levir inaíoe aucteridade > do 
q^ elledi,. poifue eslta é a diffnreiíçtt da» liiiagttast ma« 
^ iQíOff^aa f. £areiDe& agora memoria de algumas, vezes , 
qne l9idk>j 9Ído lasadas. pdbs loielbores Classicoft^ ^ eslato 
Ik^ iateiramieiíte aatiqmadaai 

Nikr espere aqni o feitor um Catalogo po^oUxa de 
i^aauf^f. qim já. despresáca. pM aBlilq»ado& o iosigne! JLoSo 
dít Barros ^ quando em seita admka;(rei» escviptos deo 

* 

p9ikime93^ , e cuLbiura á nossa Linguagem ^ porque d^ tae» 
vozes trataram já Duarte Nunes de LeSo, Bento PievcL- 
TB, y e com especialidade o P. Bluteau em um especial 
Catalogo 9 que anda no tomo segundo do Supplemento 
ao seu Vocabulário» 

Trataremos somente de algumas daquellas palavras^ 
que desde Barros até Vieira íloreceram reinantes, e vie- 
i>am a murchar na idade presente , sem mais fundamen- 
to , que a opposiçao do uso , arbitro muitas vezes im- 
prudente em taes matérias. As que não vao no Catalo* 
go, que se segue, busquem-se no que vai no fim da se- 
gunda parte, no caso que o antiquado consista mais na 
pronunciarão , do que meramente na palavra. 



^ Agrurcu ^de moateai} poir impureiar ó de'B«fT08» iio 
Decs^d. 1** pftg..' 49. eol. 1.* 

jáJpargat^ 4 lemwo, deque ^aria» v«26s «scMii Vkiiai 
908 sftu& Sermõesi;! e |por nSo psoiduzivmos ncais exemplos^ 
l^stftiá €k do IQB». 4'.^ pag. J^^, aonder dia » As ídpcm-* 
gatas semeadas de todo q geaeiD db pcdtmrias &c. ^ 

/^noJQ : eJtômavâJii Qft boas ataligos* ao animal de 
um aQQOk Seoiat b(Mik que aeudaase de^tlsb palavra ^ por«r 
que nâo temos outra , que signi&que o meemoi Aifldttr 
bo^ qhamaim ot isaquieiros amp» aoa bezocnos. dt um 

Arenga j por discurso serio, era antigamente pala-*^ 
vfa u^adidéima. Sbi^je sígHificja^ disreusso^ désos4«tMido e 

uérneof ^.fG^- cnf^liaaR y. é de Vieixa ao seimXo. das 
e^qaíais da £K Maria de Atajdei, pag*. láS^. ^<fr€tt-sâ^ 
Qíipi^ta» das esfperanças , que &c« 

^/avio,paf en/c>^e também é avtíquad^i.. 

ÇolwfmÃo valia eatie osaati^os. o mesmo> q/oe çntre 
|i<^ primo c6iif«aao»; mas. hoje é anláquado dij^r-<se <^Mf> 
7i^^ se^ «MiÂs outra alguma palavca>». 

Companha por companhia. & é& Fr. Lujz de Soiisar^. 
cie Camões/ n0> cant. 3i. est. 49, e de Bacvo^ Stecad. 1.^ 
pfig.. 6i3?:; oftas« emo- que. do P. Fr. Luííí die Sctasa para 
dia<lt« natt sei insau» maia esta palavra. 

Córrego significava o meamioi, que bofo r^wvro^ 
Usi^^am-^iich os clássicas com o exttmpk) di* Baotc^s na 
Ç^cad.. U^ pag* li€&.« >i 

XíeiÍQng»^ poe dilaçáot era: mui usado em ouim idnq 
de : usou deste termo Damiio de Goe& ua Si%ia ehr«aip.^ 
pag* li> e .Sá dcí Miiraada ei^^ divessoa logarea éBA suas 

JDiarTtiK^ra era palav^taf ^iainuais^iiifi eoim o^>ç»; 



94 

•criptores do século decimo-sexto^ etetimo^ assim na 
prosa como no verso. Hoje está quasi antiquada y espe* 
cialmente em poesia ^ porque se tem por voz plebea. 

Dc%a%o por negligencia ou descuido. Acha-se' em 
Leonel da Costa nas Georgicas de Virgílio pag, 5f , e 
no tom. 7 da Monarch. Lusit. pag. ô&i. 

Desdar por desatar teve algum dia em seu favor os 
melhores exemplos ^ e até ao tempo de Vieira não esta* 
va antiquado. 

Desnaccr acha-se em Vieira na Palavf*a de Dcum^ 
Empenhada j pag. 168. Hoje não vemos usado este 
\erbo. 

Despeado per maltratado dos pés, disse João de 
Barros na Decad. 4 pag. lôO, e foi seguido de muitos. 

Daqúerido por não amado tem presentemente raro 
uso, não obstante ser de Vieira no tom. 2 pag. 179. Se 
se viu desquerida e despresada, &c. £* termo, que nSo 
deve antiquar-se, porque faz falta na lingua. 

Daviver por acabar de viver é verbo , do qual hoje 
ninguém quererá usar se-der ouvidos aos escrupulosos. 
Pois lem a seu favor , não sõ a Vieira , mas a outios 
auctores de igual auctoridade. 

Devaneo por desvanecimento se acha na Vida de D. 
Fr. Bartholomeu dos Martyres, seguindo seu auctor a 
Duarte Nunes de Leão. No livrinho Christaes d^alma 
ainda se acha este nome. 

' Dição por domimo se encontra em diversos escrip- 
tores , especialmente na Vida da rainha santa Isabel , 
pag. 66,. onde diz: a Dilatando as suas armas, e as 
diçSes do reino, &c.9 

IXssidenie por ducorde era termo mui vplgar até o 
tempo de D. Francisco Manuel, que usou delle nas 
suas cartas , pag, 311* injustamente é hoje antiquada 



t5 

voz tSo expressiva y derivada da latina ^ da qual a nossa 
língua é com vaidade fiVia legitima. 

Doestar e doesto por injuriar e injuria tem em seu 
favor todos os bons exemplos antigos , especialmente o 
de Barros, que na Decad. 3.^ pag.SSl disse: «Defen- 
dia*se com as mSos e doestos da língua , &c. n Ainda o 
seguiu o auctor da Monarcfa. Lusit. tom. 6.^ pag. 18. 
« Era castigado quem o doestava j ífc. n 

Umbair por enganar é de Brito no tom. 1.^ da Mo- 
narch. Lusit. pag. 88. «Costumam embair os ouvintes 
de suas mentiras, &c. » 

Embestegar por metter-se emlogar embaraçado, é 
de Barros na Decad. S.^ pag. 81 onde diz: uEmbester- 
gar em logares sem sabida , &c. f> 

Emboras por parabéns foi termo usadissimo pelos 
nossos clássicos. Ainda Jacintho Freire usou delle no 
liv. C.^ n.^l7S. a Muitos príncipes, que lhe davam em- 
òoras da victoria , &c. 9» Sem rasSo se antiquou esta pa- 
lavra , e louvámos muito ao moderno escriptor do Pa- 
negyrico á Casa de Marialva por usar delia muitas ve- 
zes ; porem nao nos resolvemos a fazer o mesmo , por 
nflo nos expormos á critica dos que não admittem pala- 
vras que nSo sejam correntes. 

Emprenhidão por prenhez é de Brito no tom. 1.? da 
Monarch. Lusit. pag. 6S. «Amores tão secretos* que os 
veio a publicar a emprenhidão da moça , &c. f> 

- Em/arado por enfastiado da repetição de uma mes- 
ma cousa, anda no livro Ethiopia Oriental ^ png. 3lf. 

Escarcéu significando ondas grandes que fazem os 
mares cavados, foi termo muito usado até o tempo de 
Vieira. Hoje só» significa uma admiração mui encareci* 
>da , e é voz popular. 

Escudar por cubrir*se com o escudo , usou não s6 



JoSfit de Banos e Ef> Beoiardla de Btijtoi,. uM o P. 
Vieira no tom. @.^ pnig;. 19. «Havendo p^ o priaeipe 
^. se «seusaE ^ oih csciuiav cosi es, aeiK. eooselhosty &c. 99 
S)^ aiinaBies da. ling;H& sentem %tte se nâo us» doste ^UQfí- 
i^r t^tqua ^joda a e[»pot)íece-la a ^ta» d«lljsik. . » 
, JEigcu^cit fox mem^ ,, e nowimenjbâst feitost cota » car 
iB, oa com 09 olhos,^ ufiOUrset eoastanà&amnté^^tÁ <^ teflkf 
po de Francisco RQdrig.uesLohe^^ em eujas. isebiasf dixersa» 
.v^ezes se* ach».. Veja^se; a^ sua Ca^te nOi jíldea pag. IIS. j 

Eimmh^ír a. cabeça por fazer oeUa uina feridift>>. é 
verbo, de que usou Lobo na Corte, oa Aktea pBg« IIS^ 
imiianda aa& aotigos; clássicos*. 

Himalar por. dar esmõZoa tem . a seu favoc os. mie>- 
Ihores textos da lingua : hoje 96 «e. \»sa é aé por podif 
,«saM>Ia>. 

J&porce2a£Ía por mar que lem. bancgs de pedra ,, ei» 
^09sAft»temeBte usado até a idades de Viiiiraiy que, n4^ 
lam..S«^ pag.. 34^. disse: «^Com e$te& mates tao espcirc^ 
iocío» y, e chek>& de baixo»^ ^c.» fia^e tQfDK)<,. pela f«lU 
i|ue faz.,, deviai tc^roAr a floiecer^ se bemi (fue entre alr 
gu^s aiadar uio é antiquado^. 

JSsçwvôT, vesbo mui jaecessan&a ,. e^qn^ úiiuslamtiirije 
se antiquou , porque não s4 significava, impedir o» accesr 
pa e ÊimiUaridade q|ue nm& pessoa. pedia\ tef com* <»utra, 
inas. tamJbem ^^lia; o mesm^ que. eviU/ar e e^mtar^Hè. Vir 
cando-nos. csqmvQ e esgjw&ua*^^ um> sei powqiiB perdemos 
a verbOk 

Eúugiat por 0fiic9Áa/n é entce outiws; die D.^ ifjaneia^ 
ÇQ Maouel na QurA» d^ Gmcu parg.. âd. « Eétukf^ o pas- 
f^, e sogu^ «}ró akançarfoi^.&cv £^ verbo qu»,. pM ext- 
i^resââvo., deveria eonser^af-ae, porque estugar vale o 
mesmo que xmtigar ou picar ; e poslof que se: diga pico» 
<^, passo 9 em vez de apresse^,; nao' é phcase^que áe ad- 
mítta em composição grave. 



97 

FoSioHr fcntfaUm é de João de Barroft na Decad. 
-1.' pag» 98-, dizendo: «Não lhe faUeeafiam moa pouccs 
de paus 9 &c«» Imiton-a D. Francisco Manioel na Carta 
de Guia pag. 158 , onda disae: «RNSa/Á/fastf qveta di^ 
gay ôiè^nj Hoje s6 significa. falt»t por occasiio de morte. 

Fótíça pov com^íí fingtdku é leniu» asado por todos 
os elassicos' até o tempo de D. Fnmcisco Maiiaely qioc 
dÍ9se nas suas cartai u.baliu»feit9fa.j e acB ^etts RehgUH 
f atlantes « discurso feitiço , ífc. » 

.JPetíwra por creaáwa q,uerera alfm?. q|ue se Tá an- 
tiquando^ não obstante sec dos melhores clássicos^ è 
com especialidade de Vieira em diversos legares, como 
Babem os que delle teem Gç2o. Nio^ ba rasao» paia qfic 
•este termo se rSo eonâeive, imilasido> ao. marquez de 
vValeDça> D. Frandsco de Pocto^l^ auctor modierno 
db puttsk linguagem^ que maitas. vezeS' usou; deile nas 
Baas obras. 

J^rOB pof ameaças dánte hqje. poc aaliquado, apen- 
sar da grande auctorâiack: dís Jacintiko Frcivej^ que na 
pag. 86 di^àe;: a*A esta carUr com4)08ta. de fâros^ k líson*- 
jasí, &c»0 

Gregfi ow gr€ge> y dft cfMm asoa JBanos. na Década 1 .^ 
pAg. 178, d&endot: u Ter congregado a sua grege.x^ é 
hcge in4»iramente.' antiquado ^ mas com prejmizo dalini' 
gua , por lhe faltar aixui pailaTra , com a. qual em» senili'- 
ibr zJgODDSQí dsnotavam: os nossos bons antigos <xgado 

. Gabtfídoar f/um prmnèar quasi cj^ já. ninguém diz, 
i||aaaido com fre^encia usaram d^Ue os paros êscrípto* 
jea da secafe» passado , e- á saa imitafâkK deferiam fazer 
à mesmo os: dor piTeseniet. 

Genitura por geração , de que muitas vcizes asoai 
JhSo de Barros.,, jí iia> idade de Fr. Laís de Sousa se 
nao dizia. Yeja-se na Decad. 3.^ a pag. 130. 



S8 

Gentalha já ninguém quer dizer em discurso' gmvey 
imaginando que é voz plebea, assim como canaZAa ; po* 
rem sem fundamento , porque usou delia nSp menos 
que Jacintho Freire na pag. S61. 

GovernaUio por leme já ninguém diz ^ sendo aliás 
mui usada uo tempo de Damiio de Goos^ que a traz 
na chronica d^elrei D. Manuel, pag. 30. NSo se sente 
a sua falta, posto que venha da voz latina Gubcrna* 
culum, 

'Hoite por um arraial^ e Aos/ct por inimigos , sSo 
termos que a cada passo se acham nos clássicos do sé- 
culo decimo-sexto,'e injustamente antiquados, especial- 
mente conservando hostilidades. 

Imigo por inimigo, imi%ade por inimizade sSo sin- 
copes que já se não soff rem nem em poesia : o mesmo digo 
de espri^o; se bem que alguns ainda o supportarão em 
alguma epopea : de Mór nâk> sendo em officio da casa 
real , ou da republica ; e de Grão não se ajuntando a 
algum grande titulo ou dignidade, como verbi gratia: 
Grão Senhor , Grão Prior , Grão Duque , ifc. 

Ladear por ir ao hão : usaram deste verbo os nos* 
SOS antigos, e ainda contentou ao auctor do tom. 7.^ da 
Monarch. Lusit. , usando delle na pag, 187. Injusta- 
mente se antiquou, e bom seria resuscita-lo com a au- 
ctoridade de Horácio na sua Poética* 

Látego por açoute de correias era termo frequente 
nos clássicos antigos ; mas muito ha que está antiquado. 

Lasso por cangado é já hoje palavra desusada na 
prosa ; nio. sei a rasao ; sei que é de Jacintho Freire na 
pag. 1Õ2. u Estando os nossos com as forças já lassoM , 
jfc. Ao presente serve para denotar cousa que nio está 
muito apertada. 

. Lide por peleja ha muito que se antiquou, e já n2o 



S9 

era palavra máda quando »e compoto tom. 5.^ da'Mó- 
narch. Lusit. , que a traz na pag. ICC. 

Longor por comprimento é de João de Barros na 
Decad.C.^ pag. 119. Acha-se também na Arte de Nave- 
gar ^ e em outros auctores do século decimo-sexto. 

Lotiçania por gala e acào foi palavra usadissima 
até ao fim do século passado; Os clássicos mais antigos^ 
como Banos e outros , diziam louçainha^ pronunciarão 
de que ainda usou D. Francisco Manuel na Carta de 
Guia de Casados pag. 4é. 

Manceba do homem casado tinha entre os antigos 
clássicos o nome de comlborça. Sem rasão algUroa se an- 
tiquou esla palavra , não ficando outra em seu logar ; 
pois conculnna^ propriamente é a manceba do homem 
solteiro. 

Mescabar por desestimar é de Fr. Luiz de Sousa na 
Vida de D. Fr. Barthoíomeu dos Martyres pag. 167, 
onde diz : « Se o podia deslustrar e mescabar j í(c, n Os 
dassioos que se lhe seguiram disseram men/oscábar ; po- 
rem tanto uma e oHtra palavra , como a de menoscabo^ 
estão antiquadas. 

Miramento por olhar com attenção, acha-se em 
muitos livros que entre nós fazem auctoridade , e ainda 
Vieira usou deste termo no tom. C.^ pag. 49, dizendo: 
a Com tal miramento e attenção á grandeza e magesta^ 
de , &c. » * 

Mutra por sinete era termo vulgar no tempo de 
Fernão Mendes Pinto, que assim o traz nas pag. 96 
e 177. 

Nadively rio que se pôde passar a nado, palavra tão 
própria como injustamente antiquada. Usou-a Barros 
na Decad. 1.^ pag. 169, onde dir.: te Em logar de agua 
nadivclf i(c*n 



30 

Pairisar ipor conformar^-se xxun os «stjios «ia pato» 
é de Barros no prplogQ á Decad. 1.^ 

Peefão por txmsa cuberta àfpó^ iermo xpíe m cada 
passo 96 acfcà nos livros «do bom secâlo , ja se .n&é usa^ 
Vieira dizia empoado ^ <e aioda boje é seguido. 

Pompear par iuzir e ostentar oom pompa ^ usaram-» 
no iodos ^s aniigos^ esp^cialnseate Fr. H^ftor Pia to , 
lom« ÇtJ^ dos Diaiotg;. pag. 57. 

P<oêhrtor68 por vindoaiios é de Barros »a Dieoad^ 
4.^ pag. 16, dizendo: a Para «aempio ícofs pòsterwrtsè ^ 

2(C.99 

Pria por paeaM com o wu verbo j^réor se aeha «ib 
Barros na Dceada 1,^ pag. 59 : èoje é vox pkbea. 

Preántado por «ingicfo 'dimsa os clássicos aníígios^ 
c ainda Vieira os seguiu , dizendo no seu Xavier Dor»* 
mindo^ pag. 100: «Era um catre prccintmh de oordas 
de cairo , &.c. «9 Com a an^rctoridade dos mesikios c1bssi«^ 
cos o usou tatebem D. Rodrigo da Cunba na JHistoruí 
do8 Biepòs de LUboa^ dizendo : tt Um caixão de madei^^ 
ra precmktdoúe faicas de prata ^ i&e, » 

Privado e privança por valido e 'í>tí&mmio já os 
modernos criticos não admittem , mas si^tn tm&o*^ por- 
que sSo termos suinmam«nto expressivo», segundo a sua 
ctymologia , e por tiaeã vtsou delles muitas veses o grau- 
de Vieira. 

Queixume foi palavra polidissíma até o fim do se* 
culo dccitno-setimOT hoje já não é admitlida n^m ainda 
em Poesia, com seatimento daq^iwlles^ que tesptttaè^ 
[como dizia Jacintho Freire no seu prologo] as vebeia* 
Teís caâs e andaaidade madura da nossa linguagem 
antiga. 

JfkaicKa^ toraioaçtigo^ emuiboexpressivo, qoi soat 
fundamento se antiquou , nâo ficando outro ena «eu lo^ 



SI 

^r^ que eiprinísee a força da saa sighjixsaçiou Porem 
com 09 muitos •eseoiplos tle Vieira *ainda ha quam omSo 
dá poraaliquado 9 victoschr fleeessaiJo:eexpresfÍTOu Vide 
40BI. 1.^ pag. fiSO. 

Referia por ooiitoula, por&a , ou Tepugnancia, é <Ie 
Barros aa Década 1^^^ pag. 84: «aSem rej^<a'f)a^u o 
que era obrigado. « 

Hemoda por 4uirdt % pirraça^ é de Brido no tom» 
i.^ da M<MKirck. Lusft. , pag. 97%, «Fazcndo-lhe em 
aeits ^hos oima renvoôla tfto affcontoea , &c. *> 

Bepktmdo e repleno em logar de -cheio , serSo b<!ja 
«straahados pelos jcritícos ^veixM^ oomo ternioè «Klígos, 
que já perderam a 'sua ameloridáde. Porem nSo percc^bo^ 
a Tasão por que se hãode antiquar , admittiiMio a$s êer-^ 
raphnado e terrapleno , e- sendo tao necessário o uso das 
sobreditas Tozes j para exprimirmos com uma s5 palavra 
composta uma cousa cheia do que queír que seja ; á ma- 
neira de JoSo de Barros , que assim o usou na Década 
3.a pag. S33. 

Sáfaro por homem rústico , e mal morigerado , foi 
usado por todos oá clássicos até o tempo do P. Vieira. 
Aeha-se em Fr. Luiar de Sousa , na Vida de D. Fr.Bar- 
tholomeu dos Mariyres, pag. 191 col. 9.*, e aa Vida 
de S. Francisco Xavier, de Lucena, pag. S69 col. 1.* 

Sahimento por pompa fúnebre , se dizia no século 
decintQ-sexto 9 eo usou DamiSo de Góes ma chron. de 
elrci B. Maaud, pag. 9 col. 4.^ 

SobtseeenhOy termo de muita eaergia, de que usa-* 
ifram t)6 nossc» antigos ^ applícasdo-o a pessoa agastada^ 
que arrogava a testa, e carregata as sobrancelhas. Brí* 
to, iVíonarch. Lusít. , tom. 1.^ pag^353. «Ouviu a em^ 
bâixadsi do» bolsos com gfande Bobrccenho^ fingindo^sé 
agravadissimo , &c. » . . - 



3f 

Itntoneiro chamavam os nossos bons antigos ao qae 
governava o leme de qualquer embarcação : hoje não 
quer a critica soffrer já este termo , e despresa soberba 
a auctoridade de Vieira^ que no tom. 10 pag. S42 dis- 
se : a Perguntou ao itmoneiro do bergantim ^ i&c. v 

Poderamos fazer crescer este catalogo com outras 
muitas vozes, usadas pelos nossos antigos , e já hoje 
abolidas ; porem como o nosso fim não foi fazer memo- 
ria de todos os antigos termos, pertencentes ou á lingua- 
gem da plebe, ou á das sciencias e artes, mas só dar 
uma leve noticia daquellas palavras que se teem pre- 
sentemente por antiquadas nos discursos graves, naa 
obras serias, e nas conversações polidas, damos fim a 
esta reflexão. 



REFLEXÃO 3.^ 



Sobre algumas palavras , das quaes frequettie- 
mente se usa , e os críticos não admitttm , por 
não acharem delias exemplos seguros. Mostrar 
se em algtimas ó erro destes críticos. 



p 



arece a muitos supersticioso o cuidado com que al- 
guns Escrlptores trabalham por escrever com pureza o 
seu idioma, usando só daquelles termos que teem aos 
Clássicos por defensores. Porem erram nesta parte [co- 
mo em tudo o mais] estes ignorantes , parecendo-lhes 
que qualquer palavra , uma vez que se ache em algum 
auctor, para logo é portugueza^ t se pôde usar delia 
sem o mínimo escrúpulo. 



NXo fállariam ftssim se floubdssem que todàf as na- 
^8es cultas teem os seus textos da língua j e que sem 
imitar a estes na correcção e pureza da linguajem , nãlo 
se atreve a escrever aquelle que pertende as estimações 
da crítica severa. Esta nSo saffre em português alguns 
termos frequenteiaetile usados , mas sem exemplo de 
auctor seguro. Faremos menção niio de todos ^ porque 
nSo escrevemos vocabulário ; mas só de alguns que teem 
mais uso nos discursos graves , e nas conversações po- 
lidas. 

jíctor de theatro : nSo lhe achamos exemplo segu- 
ro : repr€uniani€ é o termo genuíno. 

Atttná&vtl em nenhum clássico até aqui o adiamos \ 
e nSo obstante ser palavra tSo vulgar ^ nem o mesmo 
Bluteau a traz no seu vocabulário* 

AtiaÈaçâo^ e aiiestar na significação de te^ificary 
não tem exemplo j que faça auctoridade. Não basta o 
-do Qrytol fxanfioaiw(h nas pag, 337 e 343. Os antigios 
sim usaram deste nome ^ e verbo ^ mas em sentido to- 
talmente diverso , que se pôde ver em Bluteau &c. 

BenemcrtwÂa se acha em vários livros modernos ; 
mas ainda não lhe podemos descobrir exemplo , que li- 
vre da censura aos que usam deste termo. 

DefiAcfídc [por não ter fé] não é termo seguro^ acha- 
te no livro Enáwia da» P^erdadeg pag. 6è , mas em auc- 
«tor clássico certamente se não encontrará. 

Depredar por assolar j e saqutear foi usado por Fr. 
Jacintho de Deus no seu Vergel de plantas ^ pag; 18 e 
4Cy porem é de pouco peso a auctoridade deste escriptor. 
Desadorar por indignar-se 6 verbo frequentíssimo 
aiodA entre aqudUes , que se prezam de não ser povo. 
Nâo lhe achamos exemplo algum, nem ao menos de ín- 
fsriot classe. 



3» 

Dtíériúr na «igiiilficaçSo de péor tó o achamos no 
paoegyricx) do marqu^a de Marialva , pag. 10 : porem 
este exemplo é daquellcs que despresam ot críUcus pie 
ritanos da língua. 

Empalltdxeer é verbo bastantetnente vulgar ^ mai 
destiluido de auctoridade^ e até aqui o melhor exem* 
plo^ que delle ach^nos, é o de Barreto na saa oH&o- 

JSffiprcgo por íxxupaçio^ cargo ^ ou offie\Oj é pala*- 
vra que ainda nao soffrem os adoradores dos nossos pri- 
meiros clássicos. A verdade é que e^tes pela maior par- 
te usaram de tal termo s6 na Bignifccaçft> de compra. A 
que presentemente lhe dSo^ já Se acha na Orte na ai" 
dêa pag% COO; ao Pcrlugcd Ilestauraáo tom. 1.^ pag. 3; 
em Chagas nas CartaêEêptr^éwoj» tom. ft*9pMg, 137 ^ e no 
Numero Focal ^ pag é$>7. Estes exemplos apoiados pelo 
uso constante dos presentes., .laaem com que^s^a «xoes- 
sivo o escrúpulo dos criticos modernos, muito mais achaiH 
dò-se já na famosa Hiãiorki de S. Domingos ^ a em al- 
guns sermões do insigne P» Vieira. * 

Enérgico , termo, de que vulgarnsenle se usa , para 
exprimir cousa que tem energia , nâo se iba aoha a seu 
favor algum exemplo Seguro em prosa. 

Etcolko por penhotcoj ou rocha no mar, >é mais pa- 
ra o Imerso 9 do ^ue para a prosa ; e nem ainda em Poe- 
sia lhe achámos até aqui melhor «xemplo que o da ÍMEqk 
iaca Cbnquigtada^ liv. IS «sL ultima. 

Eitilar ma significação de cousa, que é cêfyhy e 
costume fazeNse, nio sei que tenha e&em pios seguros^; 
isei sim que os «scriptxxres puritanos não usam pre- 
sentemente de tal verbo ; porem bom asria , que dalle 
usassem. 

Forragem por muiura , de que usou muito o auo« 



86 

tor da Púfyanthea Medic. pàg* 313 , e ãe que sé valem 
alguns Biodernosy oianliíeivedores àm termos alatÍBodos^ 
nao tem muito uso entre os que escrev^ip com pureza. 
86 um .exemplo achamos em Vieira po tomo 9.^^ pag. 
âB6 ool. S/ 

lUaquear só o poderá lusar quem tiver por anclor de 
boa ceasse ao que escreveu a Vida de S. Jo8o 4a Gíué^ 
pocqtie iraz este Ferbo na pçg. 58. 

/nununcy de que usam sem escrúpulo diversos e»? 
«TJptones modemos^ i^ Uim eicemplos seguros , oonto 
iem Immmódaêe* 

Inacção é jtq}e ternio^ que anda na boca ée todoS| 
e por isso inteiramente admittido na língua , poslo que 
delle nao adiasse Blvteau algum bom exemplo. ' 

Toaaigvfraçâo y ^ Inaugurar ad^lm<^se diversas vezes 
nas Florestas do P. Bernardes^ e até aqui é onde O» t^ 
«los adiado9;porem ^para muiios' «índia uSp basta a auc- 
torídadíe deste puríssimo .escripAor^ sei^o na-^ot»», das 
Floreãias^ porque afio tem acUa taula pureza de jin.- 
^guagem^ conio nas outras ,. especialmenie nas Ji&cft to- 
ldei dos Naosmmos j Jft^ ^ < 

Indefcsso se lê muitas vezes no jigiologu) Lusitano : 
Jbuxxnçavd é o que achamos em Vieirn. 

JfúíisMueí edsiawely termos ^ qv^ a .cada ^passo iSe our 
vem 9 por mais que lhe temos procurado exempk>segUr 
jo^ a(^da o aio spod^pio» deseubiir. k 

Inrjeduswel é palavEra ^ que tá achamos na <xuerra 
£ra6ífkaj pag. ^€ff ^ quevjil lO mesmo que^iísej: « 
não temos pof legitimada. . 

Lofkiwj^ fMr^doa tique tem alguma ioseripçSo, é 
^jBalaiwa iiasAattleaoieale usada; mas .aSo ^i' que ieaba 
«tielhor exemplo que o da Monarch^ Luait. tom ..6 i^ pag. 
113 9 OMfuail anise os criiioos.6}ée classe inferior. 



B6 

Lhano apenas se soffre em estylo familiar; em 
qualíjuer outro é reprovado, porque, nio se lhe adia 
auctoridade segura. 

Mencionado y e Mencionar foram termos admittidos 
nas conferencias eruditas , feitas em casa do Conde da 
JEriceira ; porem alguns escrupulosos ainda duvidam usar 
delles, porque os nSo achara nos escriptores mais puros, 

Necedadc em logar de fatuidade nSo sei que tenha 
exemplo mais clássico que o do P. Bernardes nas suas 
obras. Ao menos Bluteau nâk> aponta deste termo cas- 
telhano auctoridade mais segura em portuguei ; e se al- 
guma se descobrir hade ser rara : ))elo menos nós ainda 
a nao encontramos. 

Nixniedade é palavra , que nSo admittem os críti* 
•COS9 porque dizem que é destituída de exemplos de bom 
século. 

Prendas por qualidades e dotes pessoais , antes de 
Vieira nSo sei que fosse usada por Auctor Classieo. Os 
bon^ antigos quando usavam do dito termo 9 era para 
significar os mútuos presentes dos esposos; e a^lda hoje 
neste sentido dizemos com toda a propriedade Prenr- 
das, 

Proficuo nSo lhe achamos em seu favor auctoridade 
clássica. Usou desta palavra o Auctor da Vida do Prín- 
cipe Palatino pag. 173. 

Progénie tem raríssimo exemplo seguro em prosa, 
se dermos credito a um critico moderno. Nós com Blu- 
teau descobrimos um na Corte na. Aldêa pag. 813 j onde 
se diz f> A Venturosa progénie que creara &c. 

Projecto tem a seu favor mais o uso constante de 
alguns cultos deste século do que bons exemjdos- dos 
Clássicos , os]quaes diziam Idéa , e só em Poetas antigos 
de inferior classe se achará Projecto na significação de 



97 
lançado fera. Conheci Auctores tSo escrupulosos ,* que 
niiDca quízeram usar desta palavra ^ não obstante te-ia 
admíttido a classe das pessoas polidas. 

Promíscuo só a achamos em Escriptores de baixa 
anctoridade, como é em matérias de pureza da Liogua 
o P. Fernandes na jíhna Instruída tom. 2. pag. 36S. 

Propíignacuh é termo hoje muito usado em discur- 
so grave , mas nâo lhe temos achado melhor defensor 
que oAuctor da Vida da Rainha Santa Isabel pag. 8S5. 

Prostíbulo j casa de mulheres prostitutas ^ querem 
os críticos ^ que com o exemplo de Vieira , e de outros 
se use de Lupanar ; mas parece*nos demasiado o escrú- 
pulo. • 

Proter^yo j que parece só tem uso no verso , foi usa- 
do por Fr. Luiz de Sousa na Parte 1S.^ da sua Historia : 
pag. ÕO. Havia outros pratervos y e duros &c. 

Radiante , e Radiar nao se admitte em prosa : no 
verso tem exemplos Clássicos em Camões no Canto 6. 
est. 9., e no Canto 10« est. 81. Seguio-o Gabriel Perejt* 
ra na Ulissea, Canto 1.^ est. SI. 

Receptivel: ainda onSo achámos em Auctores ^ que 
tivessem authoridade superior á de Lacerda na Vida de 
Santa Joanna, e á do P. Fernandes na Alma Instruída. 

Re^men : achamos-lhe muitos exemplos, mas ne- 
nhum Clássico. l7sou-se delle na Vida da Rainha Santa 

Isabel pag. S39. 

Resentimento é termo de pouca antiguidade na Lin- 
rua y e por isso os escrupulosos na pureza delia ainda o 
nào querem admittir. 

Huiikmte^ e Rutilar y que se lé em alguns moder- 
nos Sérmdes , >e Elogios , não tem em prosa bons Aucto- 
res , que os defendatn . Nos fipicos não lhes faltam exem - 

pios. 



S8 

S^n^óadq por dòctUe ou mudado de parecer y é 
Tdcabulo , dé que só usani es qvte não sabem què coQsa 
seja pureza de linguagèmi 

TerHo por comfiássivo nSo lhe achámos ainda exem- 
plo sègurdi Os Gladsicoà diziam tenro j e giiatdavam 
iernO para exprimir o hámero de tt^$. Porém o liso (la-» 
rece que teni adoptado ésté termo nâ significação de 
piedc^o. 

Fulná'ai' pbr/erif dlsém os que pi'esl]metn de cul- 
tos ) e talvez que nao achem desta palavht ihaidf au- 
ctoridade que a da VaH^ Poètoral do Porto na pág. SG^ 

Poréni àe a estas palarras nSo acham bs críticos 
exemplos seguros, não é a sua sentença tão infallivél^ 
que não se possa achar uma ^ ou outra auctorídadé nas 
Vastas obras de t Ari tos Clássicos : pofque lanlbem oé 
mesmos critíeos põem no Catalogo dos terteos^ qufe não 
são Portuguezes ^ a tnuitos 'que cert&mente tem exem- 
plos seguros. A))ontaremos alguiid paia instrução dos 
pQncipiabtes no exercíélo de compor. 

Ahmo por abismo é de Cantões: CanÇkS%*èst. 7.* 

Acfiirada^cnte por perfdiameiite é de Viçim no 
tom. b.^ pag. 161. éol. 2i«^ 

Advúcado por chamado ^ é dé Vieira no tóm» S.^ 
peg. @lf. » Todos estão Advócados a esta casa das mer- 
cês &c. fí 

u4sserlo y e Assertivamente ^ de que os eseruptilósoà 
não querem usar> por serem termos modernamente ala- 
tinados, tem exemplos clássicos , e antigos. O primeÍTO 
na vida de D. Fr. Bartholomeu dos Martjrres pag» 7&. 
coL 3.^ O s6guiido tia Mon. LixúU iom. 3.^ j^ag. 62. 

AvaruAa por avarè%a 6 não nienos que de Barros 
Decad. 3.^ pag. 262 , onde dií avarMa dos Ma^stra- 
dos &c. 



39 

Vàmp^cto por prtsenfa é do P. Vieira |io tom. 3.^ 
pag» 484* onde di^ » ÂGcesao ao vos^o çonspejçtç divi-» 

Denwitoã.pOT d^vnarepimentQ é de Fr. Lute de 
Souaa pa P« 9.^ da sua Historia pag^ 171* çqI. 9,^ Pa^ 
recendo-Ihe que por seus deméritos pSo seria ouvida &c* 

IJe^idia por pergwif» açba-^se-eoi Vieira jqo tom. 
4*^ pag. 46(>, 9 dizendo ; Quaudp o Priocipç ^ quem toç^ 
ter as rédeas do gqverao 9 pof dcú4*a , o Q^gUgeaciít 
as larga &c. 

Dwarsario por eiiaUqg«m é da m^smo Çliiís^içp no 
tom. 8.^ pag« 17$. , onde fallaado da casa de AbrabSoy 
como hoiipedaria commum a todos os peregrinos ^ lhe 
<:bama «Uo^^orio universal ice. 

. JSc^leo j esp^ie de çayalletç | ep^ que atqrmenlgya^ 
os antigos Martyres ^ é do mesmo Auctor no tom* ^^^ 
P9g> ^« Oviros ^r^of 9 ^ 4çscp9juQçt9do9 190 ecú- 
leo Jur. 

jEmpregQ, Vide pag * 34* 

JE^ento ppjr iSpioaci^ 9 ^ d^ Fr. Bernardo ^ Brito 
^m diversos Jogaras 9 ^^ual seguio f). Francisco Ma- 
noel nas Spfmaforas pag* 4ôO. Ç^q^eçou o govfrno de 
Flandes com alguns felices eventos &c. 

JEtAt^fwr aclia-<se divfrs|Ls veves fs^ Vieira^ Veja-se 
O tom. 7.^ pag. S3&^ 9 e foi iieguido pelos no^sfOis Qrado- 
res de mt^is pura Ung^ag^m 9 como 4 o P^ António de 
Sá 9 le oiii^os* , 

i'í^!w>^ p^uf^Qo Templo dp G^ntiUamQ, foi usadtx 
por Vieira no tom. 8.^ p^ig, 469* Lev.«nfop £lEei Jero-* 
boam um Templo > ou /«^t €;m ^ue ç^llocpu dois be- 
(rerrps 4e ouio §lç» 

forragem é de Víeír^ no tom. 9*^ pag. 9J96.^ oiide 
diz farragem de Heregias &c. 



4(> 

Fkxuoio por tousn que não está directa 9 ou que 
vai dando voltas, acba-se em Francisco Rodrigues Lobo 
na Corte na Aldêa pag. 330. 

Guiano é de JoSo de Barros na Década l.^ pag. 
43. imitado por Fr. António das Ghagas no f .^ tom. 
das Cartas pag. S56. 

Imbecihdadc tem em seu favor a Fr. Luiz de Sousa 
na vida de D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, pag. 5 9 
seguindo a Barros, que na Década 4.*^ pag. 329, disse: 
fi gente fraca e imbele &c. 

Infenso por c(mirario e inimigo é de Vieira tom. 
4.^ pag. 132. Daquella sempre inferna y e venenosa Me- 
tropoli âcc. 

Inflado é palavra tfto Portuguesa , que usou delia 
Barros na Década 3.^ pag. 2C6. Não inflado nem im- 
perioso &c. 

Intaturavet fOT insaciável édeVieira tom .7.^ pag. 97t. 
Intemerato : usouk> Vieira no tom. S.^ pag. IC^. B* 
uma inteireza perfeita, incorrupta, intemerata &g. 

Lenho por nau intendem muitos que é só permit- 
tido em Poesia , mas usou-o Vieira no tom. 4.^ pag. 499 ^ 
onde diz : As venturosas pr6as de seus primeiros le- 
nhos &c. 

Licenciar por despedir , que muitos tem por verbo 
italiano novan^ente introduzido, é entre nós tão antigo^ 
que se lé na Chronica d'£lRei D. JoSo l.<> pag. 276. 
Achamo-lo diversas vezes nas Obras de Duarte Ribeiro de 
Macedo, Escrfptor de puríssima linguagem, e não me- 
nos em Vieira tom. 7.® pag. 430. 

Manes , deidades infemaes do Genttlismo, tem a 
auctoridade de Vieira no tom. 9.^ pag. 161. Donde se 
vê , que não é termo só privativo da Poesia , como al- 
guns imaginam. 



41 

Mes$ô por ^mentAra é do mesmo Clássico em di« 
versos logares , assim dos seus Sermões ^ oomo das syai 
Cartas. 

Meta por batí$a y que se tem commummente por 
palavra destituída de bons exemplos 9 já a usou Jo2o de 
Barros , e varias vezes o seguio Vieira , e Duarte Ribei* 
ro de Macedo. 

Muladar^ que niio se tem por termo legitimo Por* 
tuguez ^ é de Vieira dizendo : E Job tão bom no sed 
muladar &c. 

Nrfario por infame 6 de f r. Bernardo de Brito no 
tom* 1.^ da Monarq. Lusit. pag. 96 ^ dizendo : Tendo 
por crime nefario viver contra a vontade d^£l-Rei &c. 
Nòfárta sacrilégio. Hist. de S, Domingos. P. 8.^ pag. 
40* €<rf. 3.* 

Pavonaço por côr roixa 9 tem muitos por palavra 
inventada por Vieira no tom. 1.^ pag. 114. Os que as- 
sim decidem , ignoram ^ que já antes- a trouxera Duarte 
Nunes de Leão na Origem da Lingua Portugucza pag. 
87 9 onde faz um catalogo das palavras que tirámos das 
italianos. 

Paix)n€ar é verbo que se censurou em um moder- 
no Elogio y na significação de desvanecer ; mas foi a cri- 
tica sem fundamento , porque mais de uma vez o usou 
nas suas obras o insigne Fr. Luiz de Sousa. Veja-se a 
Vida de D. Fr. Bartholomeu dos Martyres na pag. 161 ^ 
onde diz: Se vos reverdes^ e pavoneardes nella &c. 

Prelibaçâo ; por gosto antidpadamente provado , e 
cujo uso duvidam muitos , é de Fr. Luiz de Sousa na 
Vida de D. Fr. Bartholomeu dos Mairtyres pag. 106, 
dizendo : U má preRbagâo da gloria &c. 
Ptendas: Vide pag. 36. 

Prévio f que alguns não querem admittir ^ édeViei- 



4S 

ra no tom. 10. pag. 173, dizendo: U ma jn-et^ia 9 e for* 
BiQsa repreteitta^iQ &c.. 

Proditor por traidor , termo sempre sujeito á cen'* 
sura por estranho á nossa Língua » adiasse em Vieira no 
tom. 4i^ pag» Õ37. Se eu assim o fizesse > seria ser pro- 
ditor das mesmas ovelhas tup. 

Prolação de palavras , cm vez de pronttnciagio 9 foi 
do uso de João de Barros na Década 8.^ pag. Sã ^ onde 
di2: Por terem duas leiras 00 seu Alpbabeto ^ que quer^ 
rem imitar na sua prolação &c. 

JProno, palavra que parece modernamente eMrahi- 
dá dos vocabulários Latiaos ^ achamo4a em Barn^s aa 
Década 4.^ pag. õl6. Como os homens naturalmeqiQ 
sao pronos ao mal &c« Com exemplo tilo auctari$ado 
bem podia reviver este termo para riqueza da LiiH 
gua. 

ProUrvo. Vide pag, 37. 

Rucímo por cacbQ <f é da Vieira no tom* &^ pag« 
4i81. Dois radmos de ilva*. 

Rapa4Àdadc por iadioaçâo a tomar o alheio 9 é de 
Vieira tom. 9.^ pag. 3S9. O avarento com a su9krap0^ 
cidade, apanha &e. 

Rec^rmar e Recamo ^ por bordar e hordadura^^ em 
c«jo u^ duvidam os escrupulosos , «io palavras de Víei^ 
ra no tom. 3.^ pag* 4S0 , e no toçii* 4-^ pag. 184. h% 
roupas recamadas de ouro &c. AlU arruga 9 aoolá reca^ 
wa Slc. It. tom. 8. pag. 16^ Em um lavor , e recamo- 
de ouro &g. 

Recemcar tem em seu favor .a J:aSo de Barros con- 
tra a critica dos «que n&o tem a este verbo por legitimo 
Portuguez. Veja-se a Década 4.^ pag. 384 p oade diz : 
Ao feitor p e outros offíciaes passados reo^mearamaft con- 
tas ^&c. 



RtcenU ^ iojUstatkiènte m tein(>or palfttra Latioa, 
que aiúda nito está liatutalUada. Umu â«Ua VMra no 
tomi. 4s^ )}t^. 37§. Tendo que já andata na Cht^nica 
d^£l-Heí D. JoSo !.<" pag. «08. : 

iZeciprocar é de Vieira no tom. 5.^ pag^ 4G69 dn 
condo: 8e a paixão^ e compaixão reotpfxioam de Ul sor* 
te a« penas &c. 

iSt^tire pòr uma espeâie dé maduuio y que levavam 
09 Li^tores diattte dos Supremos Ministros da Justiça Ro^ 
mana, de nfenhnm modo quer admittir acrítícaiia pro^ 
sa portu^uezak Admiitío^-a Vieira no iotn.5/' pag,9f8^ 
dizendo : Levarèiâ diante de si aa vacas ^ e a scfure 
&c. 

Simultâneo^ disse Vieira no tom.S.^pag. S6£. Nâk> 
faliam os Concílios de CoUecção nmultanea y mas suc- 
cessiva &c. 

Soga por corda acha-se em Vieira no tom« IC. pag. 
37S. E vinha com a sog'a na garganta &c. 

^SdMrdso, i^tlè muitos tiíifti«& pdr^NKs poética, âdia« 
se diversim vekes- etn' Fr« Ltris ide So<isa« Uittá g«atide 
voz clara , e Bonar^m^ tom. S.^ pag« S6. 

Subitaneo em logar de repentino^ usou-o Barros na 
Decad. S.^ pag. 193 , onde diz: por morte suòiton6a&e. 
Foi seguido por outros muitos sem oesGrupulo^^que hc^ 
já affeeiain alguns iaoder*os , que Ioda :a palav^va LatS« 
na- aportuguesada resolutamente dão- ipor. imprópria. 

Trífaitce 6 epítheto ^fue áe âtha em Vieira no tom* 
6#^ pag. S9 ^ onde diz : Propriameaie tr^auoc , porque 
polr três bocas , è três liflguas &c. 

IVésttifco^ sendo termo fjoeiÍGO^ aoba^se também em 
Vieira no io*i. 7«^ png. 486* IV)r isso chamado trino^ 
eru irwalco^èLti 

Fmar por vecupor é verbo q^ie nem «m Poesia sa 



à»4è 

quer admíltír. Em prosa usou delle Vieira no tom. 4.*> 
pag. S8ã y dizendo : lacando s6 a Deus , e a si &c. 

F^toriar por dar vicioria , é do mesmo Clássico no 
tom. 3.° pag. %òò. Applaudidos, e victoriados de todo 
o theatro &c. 

Poderamos produzir outros muitos exemplos , que fi- 
zessem copiosíssimo este catalogo ; porém como o nosso 
assumpto não é escrever Vocabulário exacto de palavras 
duvidosas , ou seguras da Lingua , mas só fazer reflexões 
sobre algumas y suppra esta nossa falta o Leitor pouco 
instruído descobrindo outros muitos termos legitima* 
mente portuguezes na lição de nossos Clássicos. 



REFLEXÃO 4/ 

Sobre alguns nomes latinos introduzidos na Lm- 

gua Portuguesa por Escriptores de inferior 

classe , aos quaes não se deve seguir. 

f^or occasiSo da Reflexão antecedente nos persuadiram 
alguns que para soocorro do Escriptor principiante qui- 
zessemos apontar msis alguns termos derivados dolatím^ 
que introduziram no Portuguez Áuctores pouco . bene- 
méritos da nossa Lingua. Como acima fizemos ínençSo 
de varias palavras latinas , qne entre nós teni exemplos 
seguros, pareceu-nos justo abraçar a idéa, para que tam- 
bém saibam os pouco instruídos as vozes de que devem 
fugir 9 sequizerem escrever com pureza. As que nãio vão 
no catalogo seguinte , é porque pertençam mais própria- 



46 

mente á pTODunciaç2o y e asaím buiquem-Ae no Vocabu- 
lário j com que daremos fim á segunda parte deste Li* 
vro. 

jibtohUo por todos os números ^ isto é cabalmente 
perfeito ^ nSo é frase portuguesa ; posto que o parecesse 
ao Auctor da Alma InUrmda tom. f .® pag. 39. 

AcuUo pelo ferrSo da abelha , soffre-se nos Poetas , 
mas nSo nos que escrevem em prosa. Acha-se diversas 
vezes no livro f^aloroêo lAuAdenó. 

Acumc de engenho trás Nunes na sua Arte Poéti- 
ca y em vez de agudeza de engenho. Na prosa nSo que* 
rem os críticos admiltir este termo. 

Aeunúnculo por cousa agtiçadaj achamo-lo era cer* 
to Escriptor moderno , imitando a Fr. Jacintho de Deus 
no seu Fergd de Plantas. 

Agilitar por fazer ágil , acha-se no livro j Fabula 
dos Planetas pag. 65. 

Apcrçâo por Abertura : disse puerilmente o Auctor 
do Vergel de Plantas pag.St^ Pela aperçâo de livro '&;c. 

Bipartido por cousa dividida em duas partes, s6 no 
verso tem bom uso com o exemplo dos no$sos Poetas 
Clássicos 9 e na prosa nãío se deve seguir a alguns que a 
usaram. 

Bipedc por cousa de dois pés , só no verso se admit* 
te. Temo-lo achado em alguns discursos , tratando«se de 
monstros, e ijiesta accepção pôde ser permíltido. 

Calamo por instrumento pastoril , tem exemplo em 
Faria na Fonte Aganippe ; por penna de escrever usou-o 
o Auctor do Valoroio Luádeno. Tãío atrevido é este term- 
ino na prosa , como no verso. 

Qmfecto por acabado : usou*o o Auctor do Vergel 
de Plantas pag. 3f ^ dizendo: Qmfecto quasi de idade 
decrepila &c« 



4« 

Conterramwo por ptámno é do mesmo Auetor itci«t 
ma allegado, famoBa i&trodtictor de Yozeji Latinai, cai4 
de o não obrigava a necessidade ^ pag. 121. 

Dealbado ae^chaem alguns Sermonarios, diâfindo: 
8«pukhro9 dtalbadot eçi v«e dfi branqueados. Certo mou 
derno usou d$sl^ termo $m uma Oração Académica. 

Dtjwmt é palavja ascética 9 da qual nalguns usam 
com o «exemplo de Fr« Anlonio das Chagas, fiste Au*? 
ctor é respeitado em maierias dis pureza da Língua^ âias 
per si só nAo faz nella (eioemplo claast^o 9 que iguale o 
de Vieif a 9. JaejiiAo Fnsifiç , e algum outro da sua 0^09- 
ma idade 9 segundo já mostrámos* 

Dcrelieto por d^gamparfido ^ aokarse no Verf«I de 
Plantas^ pag. 1918. Muito deireria a Língua. Português 
za ao seu Auclor 9 se os escrupulosos o imliassem ^ poiv» 
que nfpguevi tí^mo^ , que mais do que elle 9 usasse 
de termos alatinados. 

/>imcias; .«dmiitte^^e na Epopea com o e^iemplo de 
CamOôs no Cajaio?.*^ JSs|;an.8/^ £m espécie de Poesia 
menos .sublinhe «ao Usxi a approvAÇ^io à» criticía. • 

fíivQ pOfT ^Qnto 9 jpôde di^erT-se ;etm ^oema Epieo 9 
ponque tem em seu íav.or a Camo^ <«ko Canto Ify, £st« 
89. Aqui só verdadeiros 9 gloriosos Dwo& estão &e^ 

SffcroAo por embravecido 9 acba-rse -no tom.. A.^ da 
Monarc. Lusit. pag^ S3. Quadido cfferodm s^ psoepípitSo 
a fazer m#l Ic^. 

Jg{imiii4KÍ0 .por ^ngaáp ^r« da porta lande vnaCar- 
ta Pi^toiM 4o Porto pag. hb. Devem «er d^ Jgrdrja eli* 
miaados &e^ 

Espelunca só em Poemft :se admiUe 9 ,e vs^m deste 
termo o Auclor 4a Iiis»l«kDa qp ipv.. 4.^ £»t> 10%.* En« 
traado -em òm pela ^jp^nca eseiira &p. 

Exarado por cousa esculpida só a acháatf>s«iBK> f^» 



gel de PbmiaM^ e com eftte livro aUegou o P. BInteau ^ 
ao fazer menção desta desnecessária palavra , para a qual 
temos nSo só etculpido ^ mas gravado , oberk> &e. 

JSaiareerar se acha igualmente ao mesmo litro pag. 
376. "Bem a miaima necessidade , porqua noa sobtijam 
verbos legitimes da Lingua^ qae signiãcam o mesmo. 

EaBeiito patdeêtruiçâOj admiUe-se na llly^tea Cant, 
S. Est. 4. por ser Epopea^ oSo na Vida da Priaceea D. 
Joanna^ pag^. 176. 

JExhnmagão , acçSo de desenterrar um cadáver : usa- 
6e deste termo no Livroda Rcmha Santa Iwbcl ^ pag» 104, 

Extar por mbústir , dic um critico moderno ^ que 
só o achara nos Commentarios da Guerra do Alemtejo j 
pag» 6.9 livro mais observante da verdade da Historia f 
que da pureza da Linguagem ; mas o6s achamo4o cm 
Vieira no tom. ^P pag. S70. 

Exterrecer por causar terror >^ anda no Poema a S* 
JoSo Evangelina pag. 146 Est. 9^» £^ Âuctor ée levís- 
sima auctoridade. 

JPocu/^oso em legar de rico e opulento 9 é ama da* 
quellas muitas palavras desnecessárias 9 que em cada pa** 
gina se encontram na Vida da Princeza D^ Joansa^ Ve« 
ja-se a pag. 4S. 

Famulenio por faminto ^ é liberdade só reservada 
nSo para ijualquer espécie de Poesia ^ mas para a Epo- 
pea j ou quando muito para ;a Lyrica em suas «ublímes 
Canções com o exemplo de Camães na CançSo 2,.^ £st« 
b*^ y que disse : Imaginando como , e famulento &c« 

FfiuÀnadior 9 JFcudnanie 9 e Faiwtar y isSo lermos 
de 'que usou o Auctoir do livjpo Corre^^êo de j^buios em 
diversos logares : ainda os uSo achámos -em Escriptor de 
mais auctoridade^ mas poderá -see que se encontrem. 

Eoitigio por grande altura ad)a-se 210 lívtro .i>ominto 



4S 

ióbrc a fortuna^ escrípto por AnUmio de Sousa de Ma* 
cedo^ na pag. 61. 

Fedo por^orpe, e$ord%doj acha-se nSo só em yerso^ 
onde o uso émais tolerante , mas em prosa de Escrípto- 
res presumidos de cultos, O P. Bluteau allega neste Vo- 
cábulo com a Luz da Medicina 9 pag. 348. 

Fedi/rogo por qu^antador de pactos e leis , se lé 
no tom. 5.^ da Monai. Lusit. pag. 140. Fr. Bernardo 
de Brito , fundador desta Historia , não a havia de usar. 

Femimdade por fraqueza feminil não agrada aos 
que tem linguagem correcta ; nem para elles basta o 
exemplo da Brachyolog. de Principes, pag. S51. 

Feracissinu) por fcriilissimo , que traz Bluteau co- 
mo Vocábulo Portuguez , nãk> tem em prosa exem]do , 
que nZo seja de Auctor inferior. 

Ftdo jpoxfiel , só na Poesia nSoé digno da censura 
de uma critica prudente. 

Fimtimo por cor^nante nSo tem exemplo seguro. 
Acha-se nos Cercos de Malaca, pag. 9. 

Fhtgicto por acção infame se animou a dizer o 
Auctor da Fabula dos Phmctm na pag. 6^, eFkji^unoBO 
o P. Fernandes na Ahna Instruída y tom. 8.^ pag. 831* 

FlamatKÀa por cousa que faz lavareda se acha na 
Vida de S. J080 da Cruz , pag. 183. 

FUwo por louro admitte-se em verso com o exem- 
plo de bons Poetas , mas não em prosa oom a auctori- 
dade do Auctor da vida do Irmão Pedro de Basto, pag. 
483-. 

Fragor por estampido do raio é termo de que só 
nos Poetas se acharão bons exemplos, c máos na prosa. 
Usou-se delle na Cart. Pastor, do Porto , pag. 68. 

Genito por gerado não tem a seu favor , senão 9 
Fergel de Plantas^ na pag. 43 , ou outro Auctor simi- 



49 

Ihante qne te?e por leve circumstancia a pureza da lin- 
guagem. 

GUba por torrão , não sei que o usasse algum Poe- 
ta dos mais atrevidos nas liberdades poéticas j e usou-o 
o Auctor da Luz da Medicina àa pag. 177. 

Gymnusios por Aulas, nSolsó se acha na Insulana 
de Manoel Thomaz Liv. 10. Est. 5õ, mas até na Arte 
Militar pag. 56, cujo Auctor nâo se devia valer das li- 
cenças que se toleram nos Poetas. 

Hausto por gole , disse o P. Fernandes no tom. S 
da Alma Instruida pag. 370. Nâo sei que nenhum ou- 
tro seguisse lâk> pueril innovaçSo. 

Hodierno por cousa de hoje, usou-o Landim na vi- 
da de S. JoSo de Deus , pag. 15. Poeta bem pouco ju- 
dicioso nestas liberdades. 

Tgnavia e Ignavo^ nâk> lhes achamos em prosa exem- 
plo, que os defenda: no verso tem em seu favor a Ca- 
mões. 

TgnotAl cncontra-se em livros, cuja auctoridade n2o 
iaz peso. Ignobilidade ainda é mais destituída de patro- 
nos; porem no verso ambos podem ter uso. 

Immaculidade acha-se no tom. 6 da Monarq. Lusít. 
pagé^ 399 ; e só pelo uso deste vocábulo se vê que n8o 
deve ter peso a auctoridade. deste continuador. 

Immaturo só em Poesia se tolera com o exemplo 
de Camões, na Elegia 10, est. 3, e por isso tem des- 
culpa o Auctor da Insulana de usar deste termo no Liv. 
3 , est. 4. 

Implume se atreveram alguns a chamar em prosa 
ao pássaro , que ainda nSo tem pennas , sendo termo só 
admittido no verso com á auctoridade de Camões na 
Eclog. 6, est. C3. 

IncapillatQ por calvo ^ a€baino-lQ no Poema da Msh 



^19 

'taióa Conquistada Lít. 5.^^ est. 21, mas não foi por de- 
cência poética , que se usou desta palavra ; porque 
•depoie de se dizer calva ^ desnecessariamente se accres- 
iceniou InçQpillata. 

íncola por habitador ^ s6 pertence á linguag^em dos 
;poetas^ dando-lhes exempla o nosso grande Épico no 
'cant. 3.^ c&t. 31, onde dÍE a£;néLle então os tno9l<ii pú- 
-meiros. &c. 

Ineolumc , e Incohimidúde achamo-los no Vergel de 
CPlant^», pag. 3S4, livro, que com mais propriedade 
-se deveria chamar sementeira de vocábulos latinos puè- 
lilmente aportuguezados. 

líicude por bigorna , digam-o embora os poetas com 
-o exemplo da Ulys&ea no cant. 10 est. 13 . onde se lè 
<<Na incude sonora hiam batendo, &c« 

Indébito pot cousa nâo devida, disse Queiroz na Vi- 
da do Irmão Pedro de Basto, pog. 664, mas nâo éau* 
ctor escrupuloso na pureza da língua. 
\\ Indiminuto por cousa, que nâo tein dtmmúiçao, 
-somente o achamos no contiaiiador da Monarq. Lusit. 
tom. 7 pag..õé6. 

Inõrme por desarmado tem hom uso em Poesia-, por- 

<que tem a seu favor a Camões no cant. 3,^. est. 111, 

e a outros, que o seguiram. Na prosa não lhe adiamos 

tmelhor exemplo que o de Varella no Nwm. Vocaly 

•pag. 47^. 

Ingemtú 6 palavra , de que usa Blut>eau no Prolo- 
go ao Leitor Estrangeiro. Quem lêr as diversas Prefac- 
ijgôes, que traz no principio do vocabulário, encontrará 
^tras muitas voKes^, em cujo uto não pareceu fautor da 
pureza da língua, a qual hòarava. 

Ingente: hoje nem em Poesia [salvo se for Epica^ 
i^ q^êr ^oíÈn^u Achaco em Çamdes, ma» nti, Epopea, 



t^ 



61 

cnnt. 7 eii» 68. Sm Odes Pindaricas h&b é feprefaea»i- 
vel o uso, porque pede a mesma magnificência de vo^ 
jces estranhas ^ que oompeiem ao Poeta fipico* 

Inimicicia por immi&aãc se animaram algunsf a usar 
Há pifosa ; nem na verso se quef boje tolerar, nSo ob- 
stante o exemplo de Camões no cant. d est. 8, tnm te- 
mos iftto por injuria ao principa da nossa Poesia , eojo» 
(Yestigios [diz Faria^ seu comentador] nSo só se devem 
seguir, tnas adorar na linguagem poética. 

Inupta por ssoUeira achasse no livro Cíu aberto fia 
ierra pag. IM^Nâío sabemos, ^ue o seu polido adctor, 
para assim a dizer, tívefse algum dassico^ que o d«féa^ 
desse. 

Inndia pot áiatia , de qae usou Camões no cant. 
9 est« 39 nao lhe a^hamos^ em . prosa ex^emplo até ii(t- 
quelles escríptores de leve aucloridade, que disseram, 
Jíiakíiar, j&isidiodbr, Inúdko&o\ 

Instaurar em wz de rcÃiiXiirar , .n&y tem exem{>k>^ 
•qxie dchra seg«ir-s6 em prosa s no i^rso é waíd toierti- 
tbI o seu U50. 

IníonBOZ pertence sem eeftsaea a linguagem <io« pioé- 
ia9> J 09^qu« «ella nâo (âcrevftm^y.nâo p podem dízer^ sem 
se sujeitarem ao justo reparo da critica.- 

Inmú por caminho^ que não é trilhado, ou pòr ter- 
ra^ <iue nSo dá caihíafao^ acha-se em Godiâbo na stía 
,Viligein da índia, pag. ISé^r 

/ntfiior porcanóidar , anda na 3.^ Pai>le dos TVi- 
-utiBtphx» JEoq/ng^lud^ pag. 111^ D«poís de Vieira, e da 
•5tfa eedioika é mui vulgar n&o se acbas em set monaito 
parez^f e coriecçiSo de lti|guagieni, qtraiKb éHk» deviam 
ser os seguros depósitos destes preciosos bens. 

jfavsUddb [f^ desusado] saifre^se eoi Poòsiá, por- 

..mjus rne-úcb» em Gamões no csitU S ^1. l&l ,• más nttd 

^ 4 « 



5S 

se tolera bo P. Blutéau j usando delle no Prologo fal« 
lando com o Leitor Estrangeiro. 

Jugular por degolar , disse sem alguma necessida- 
de o Auctor da Vida de S. Joào da Cruz pag. 43. 

Lactar por dar leite a uma criança , se acha na 
•Cart. Pastoral do. Porto ^ pag. 126. Encontramos igual- 
mente este Yerbo em alguns sermonarios modernos. 

Lavacro por banho , ou lavagem , só em Poesia o 
poderão soffrer os escrupulosos. Anda na P%da de 5, 
João JEvangelista y escripta por Nuno Barreto Fuzeiro. 

LocuBta [por gafanhoto] disse Varella no seu Num. 
Tocal, pag. 157. Este Auctor nZo é| como outros^ cos- 
tumado a usar de taes liberdades. 

Longevo Jjpor idoso] não é reparado em verso, por- 
que o usou Camões na Écloga 6 est. 19 , porem em 
prpsa nao se tolera. 

Longínquo [por mui remoto] se lè no Valoroso Lu- 
cideno , dizendo j longínquas terras. Este escriptor é 
pouco benemérito do seu Idioma. Se usasse deste vocá- 
bulo nos muitos versos , que no dito livro misturou com 
^ prosa , seria desculpável a sua liberdade com o exem- 
plo de Gamões, que no cant. 8 est. 54 disse a Até o 
longínquo china.. 

Lucubração [por estudiosa vigia] encontra- se em 
bastantes livros , creio , que imitando ao P. Telles , que 
na sua Ethiopía pag. 2 não duvidou usar desta palavra. 

Ludo Oljmpico [por jogo"] disse Gaspar de Barrei- 
ros na sua Corographia , pag. 13. He para desculpar, 
porque geralmente é escriptor correcto, e poderá ser 
que se fiasse em algum exemplo clássico , que nós igno- 
ramos. 

Lutulento [por cheio de lodo] anda no Crysol Pu- 
Tificativo^ pag. 691. Este livro é uma abundante sémen- 



63 

teira de joio de vozes Latinas sem necessidade aportu- 
guezadas 9 como claramente mostraremos no fim da 9,^ 

Parte. 

Litnpha soffre-se nos poetas 9 e admite-se nos medi« 
cos, insignes fautores de vocábulos estranhos^ ainda 
quando a necessidade os nSò obriga. 

Mcsmcidadc [por identidade^ se lè na Brachylog. 
de Príncipes 9 pag. S6$. Seu auctor por querer nesta 
palavra ser nimiamente portuguez , deixou de o ser. 

Modio [por alqueire] se resolveu a dizer o Auctor 
da Vida da Princeza D. Joana pag. 47 , traduzindo as 
palavras do evangelho. Ncmo ciccendU lucernamj et po^ 
nit com vtíb modio. Desculpa-mo*lo por não querer usar 
de um termo 9 que nãlo conserva gravidade no estylo. 
No Vergel de Plantas pag. 44 achou-*se usada a mesma 
palavra. 

Mole [por corpo de desmedida grandeza] como mon* 

' tros 9 gigantes &c. , ainda lhes nâk> achámos em prosa 

exemplo clássico. Usou deste vocábulo o P, Fernandes 

no tom. ftP da Alma Instruída pag. 309 y tomando-o no 

sentido figurado. 

MullipRce nSo lhe achamos exemplos seguros , mas 
pôde ser voz facultativa ; e de facto tem uso em discur- 
sos filosóficos. 

Murmw por estrondo, anda no Poema áãDeítrui" 
ção de Eképanháy Liv. 4.^ Est. 35. 

ObKtcrar 9 anda puerilmente usada na pag. 5. da 
Primasàa Monarq. 

ObtMrrArar concede-se aos Poetas com a auctoridade 
de Camões no Canto 6.^ Est. 37 • mas em prosa , como 
ba pouco o lemos em um Discurso Académico , é obje- 
cto de censura. 

Odor por eh^ro : achamo-lo em diversos Auctores ^ 



Hl 

que julgam ter a Liogua Portuguesa ncç2o a toda a pn^ 
Iqvra CaMelbima, ou Italiana* 

Omniinodo se diz lulgarmente no estylo forense;; 
mas a não ser nelle 9 só o achámos em MarinKo na^ An- 
tiguidades de Lisboa, parte 1.^ pag, 841, e no Âuctor 
do Vergel de Plantas pag. 370. 

Gjpimo arrogaram a 9Í alguns Poetas , e entre ou** 
tro» o achámos no Poema da Imulana , e no da Mala- 
ca Çonqui«tada«^ 

jPat»hlo por PcMifo , disse sem alguma necessidade o 
P. Fernandes no lom. 1.^ pag. 409 da Alma Instruída^ 
14 os Poetas de inferior nota sao muitos os exemplos. 

Paramb por planicie , ou campo deserto usam os 
presumidos de cultos, mas com mais frequência em ver«- 
so do que em prosa. 

Paupérrimo soffrem os criticos em Poesia, roas niio 
^as Noúçkií do Bra$il^ onde se acha na pag. ISi. Te- 
mos observado que os superlativos acabados em crrimo 9 
cor^o aspérrimo , celeberrimo , integerrirao , salvòer^ 
rimOf tem na prosa raro exemplo, que faça auclorida»- 
de clássica. O commum é achar-se com terminaçio em 
wimo á maneira dos outros superlativos , v. g. po&rissi^ 
mo I asperimmOy oelebradisúmo j âcc. Iniegerrtmo , 9 
saluberrimo com a mesma terminação é de que ^nda 
não lemos exemplo, 

Plúlaucia em logar de amor próprio , nfto pôde ter 
duvida em Poesia , usando Camões d^sta voz grega no 
Cant. 9.^ Est. S7. £m prosa não se pôde usar com se^ 
gurança | so se íòjt trazida como palavra facultativa da 
Etbica t ou se escrever com os caracteres gregos , para 
se mostrar que não se adopta. Assim o pratiooa Cícero 
com este mesmo termo no Livro 1.^ ad JÍU\€wn^ 

Piaustro por cario descuberto , é uma das muita» 



Vbses que tém a nossa linguagem Poética. UsaTam-Oia: 
diversos Poetas , como Sá de Menezes , Manoel Tho*. 
más 9 e Gabriel Pereira no Gant. S.^Kst. 52. Que tinha 
bom lugar na linguagem da prosa 9 ainda o não acha-; 
mos ^ porque de nada valeria os muitos exemplos que* siB 
encontram no vicioso estylo das Novellas de Mattheuf , 
Ribeiro. 

Popina por iaterna anda na Poesia da Destrui$jãk>. 
de Hespanha, Lív. 4.^ Est. 13&. 

Poto por bebida se acha na Bracbylog. de Princi-. 
pes, pag* S96. Nao tem melhor exemplo» 

Prematuro^ que no verso apenas se tolera ^ acha-^se 
no Vergel de Plantas , pag. 3{> , ^. nSo foi uma sé vesç 
que seu Âuctor usou de tal. vocábulo. ^ ^ .4 

Prcsagvar ^ pôde ser que tenha exemplo clássico ,. 
porém ainda o nâo encontrámos , como o .descobrimos a 
presagio , e a presago em Vieira y Duarte Ribeiro d^ 
Macedo, e outros. 

Primevo^ quem o usou, $ó se pede defender com o 
exemplo do Auctor da Alma Instruída no tom. $.^ pag. 
4ãl , ou de outros Escriptores de igual nota. 

Primórdio por principio , dizem commummente^ os 
que no seu fallar affectam ser cultos ; mas n6s ainda 
tifto detcubrímos este vocábulo latino em Auctor PortUr 
guez , que faça auctoridade , nem Blateau aponta me^ 
Ibor que o do Livro Grandciat íjU Lisboa na 1.^ Part-^ 
pag. 39. 

Pristino por cousa muito antiga, fie lé na pag> 
S65* do Vergel de Plantas , livro tantas veaes citado , 
qu€ ainda citaremos , porque nenhum outro nos socr 
corre tanto de vozes latinas puerilraente aportuguezar 
das. 

Probo por 2»a;ii ^ nao tem exemplos tao graves co^ 



Ò6 

mo probidade. Âcha-se na Vida da Rainha Santa Isabel 
pag. 139, 

Proceridade por Qliwa , anda na Alma Instruída 
tom. 8.^ pag, 354. Pareceo bem este Vocábulo a certo 
Académico moderno em um Discurso que corre manus* 
cripto. 

Pròccro por grande e elevado , nSo teve dúvida a 
escrever o Auctor das Noticias do Brasil pag. 242 , mas 
qualquer Escriptor nosso , que for escrupuloso na pureza 
da lingua ^ terá duvida em não o s^uir. 

Procrastinar por dilatar de dia em dia , acfaa-se na 
vida da Princeza D. Joanna , pag. 15 , e em diversos 
logares das Novellas de JMlattheus Ribeiro. 

^Procreofc^ , e Procrear , nâo tem [[segundo Blufeau^ 
melhores exemplos que o de Marinho nas Grandezas de 
Lisboa pag. S 9 e o de Barreto na Pratie, entre HeracL 
Democ. pag. 20. 

Prófugo usurpou aos Poetas o Auctor da vida deS. 
JoSo da Cruz pag. 229. £m vários Sermões modernos se 
achará também o uso deste Vocábulo ^ chamando v* g. 
prófugo a Cain depois da maldição de Deus. 

Pri^nmasma , é de Manoel Severim de Faria no 
Prologo ao Leitor ^ dando este nome aos seus Discursos 
f^arios. Os criticos hâio de querer que em logar delle 
dissesse Preambulo. Mas em fim tomada esta voz sim- 
plesmente como Grega , e n&o como já adoptada na lin- 
gua , pôde admittir-se , muito mais se se escrever com 
caracteres diversos. 

Propinar por beber á saúde ^ de que apenas usaria 
um Poeta atrevido nas liberdades da sua linguagem 9 
usou-o o Author do Vergel de Plantas na pag. 228. 

Proicrmaj eProtervOy poderá ter exemplos seguros^ 
porém ainda os não adiámos. Da primeira palavra sé 



67 

USOU QO Castrioto Lusitano pag. 18 ; da segunda na Cart. 
Pastoral do Porto, pag. S49. Nos Poetas nSo são raros 
os exemplos. 

PrudemAar nSo se p6de dizer , em quanto se nâo 
achar um.Auctor de maior auctoridade que a que tem 
o que escreveo os Successos Militareê do AUmUjo, Veja- 
se a pag. 89. / 

Pudibundo deo Camões este epíteto á rosa no Cant. 
4.° Est. 7ô , e com este exemplo sofírerá a critica o uso 
desta palavra em uma Epopea , mas não nas outras es~ 
pecies inferiores de Poesia. 

Quadrufcditífitc [jxix qiujdni>pcd6\ é um dos infinitos 
Vocábulos Latinos que com excessiva liberdade poetici^ 
foi aportuguezando o Auctor da Imulana. 

Hccesso tomado pelo logar mais remoto de algum 
Seíno, ou Província, achamo-lo na Cojografia de A vel« 
lar pag. 43. Barros sim usou desta palavra na Decad. 
3.^ pag. lOiS, mas como termo astronómico > dizendo: 
Com o accesso, ou recesso do sol &c, 

JRedivtvo encontra-se em diversos livros , escriptos 
neste século ; mas taes , que nSo são para imitar seus 
exemplos. Nos Poetas é mais tolerável o uso. 

Itemittr em vez de repiignar poderá ter em seu fa- 
vor auctoridade segura ; mas a que podemos até aqui 
descobrir, não é a que deve contentar, por ser do Au- 
ctor da vida da Rainha Santa Isabel pag. 17. Renitenr 
da tem exemplos um pouco melhores , e se a memoria 
nos não engana, usou delle Vieira. 

lienuir em vez de Recumr , e Regátar , encontramo- 
lo naquelles livros , cuja linguagem despresam os criti-^ 
co^i nem Bluteau os descobriu bons para defender a in- 
troducção deste verbo. 

Jtepercutir em vez de reverberar ou reflectir é vo- 



68: 

cabulo que se permilte no verso 9 e em discursos pbisi-^ 
cos; em outras obras aiada o nao encontramos auclorí- 
«ado com bons exemplos. 

Semita por caminho , ou vereda ^ disse o Poeta Au- 
clor do Ramalhete Juvenil <y Lyra 1.* pag. 6Ô. 

Sobérani%ar por engrandecer ^ disse o Auctor do» 
Cercos de Malaca na pag. %l , e seguio-o Mattheus Ri- 
beiro nas suas Novellas. 

Stridor se acha na vida de S. João da Cruz, pag. 
bZ, Nâk> se tolera senão em Poesia Epíca , ou Lyrica, 
qua6do se usa do estilo Piadarico. 

Stultilocjuio não sei que se ache em Auctores de boa 
elasse. Aonde o encontrámos foi na Carta Pastoral do 
Porto , pag. 48 , que lambem usa de Vaniloquio na 
^ag. 38. 

Suggesto por logar á maneira de púlpito, oupalan* 
que , de que usaram os antigos Romanos , se acha na 
Cart. Pastor. 4o Porto pag. 9õ. Deste vocábulo se vê 
claramente o quanto o Prelado , que a compo2 , era fá- 
cil em se valer sem alguma necessidade de vozes Lati- 
nas. Podendo dizer púlpito , ou cadeira, dmeSuggestOi 

Temulento por embriagado , disse o Auctor da vida 
da Rainha Santa Isabel, pag. 168. Só em verso o sof- 
frerá a critica rigorosa. 

Tenebrosidade se acha em um grande numero de ii- 
Tfos modernos , supponho que por acharem seus Aucto- 
res esta palavra na Guerra do Ahmtejo pag. 149, ot)ra 
mui pouco correcta na linguagem. 

Tcntorio por Tenda mtíUar , é do tom. ^.° pag^r 714. 
do Agíologio Lusitano , a cujo Auctor deAem mais a* 
Antiguidades Eccjesiasticas de Portugal , do que a lio* 
gua em que as escreveo. 

Tepor por qualidade media entre quente© frio, lô- 



69 

iera-se nos livros de Medicina , mas nSo om outros ^ co« 
mo o da Guerra do AUmtcjo qti« usou deste vocábulo 
na pag. 148* 

Tcr%o por limpo, e polido , tem em Poesia muitos 
exemplos : na pro&a se algum tiver de Auctor Clássico 
será raro: Bluteau nao lho aponta. 

TonUruoto por sujeito- a trovSes , nik) sei em que 
Escriplor de auctoridade o acharia , quem escreveo o li- 
vro LeràtvMè da dor écc. usando desta palavra na pag. 66. 
Trkb^lo por abrolhos , se lè na vida de S. João da' 
CruB na pag. 8. , e creio que com este exemplo se ani- 
maram nSo poucos Pregadores a trazer esta palavra nos 
seus Sermonarlos 9 e quanto mais estes sao modernos tan- 
to mais a achamos. 

Tripudio por alegria ^ não teve dúvida em dizer a 
Auctor da vida da Rainha Santa Isabel na pag. 343 , se 
escrevesse em verso não seria tão censurado. 

TVivio por logar que se reparte em três caminhos , 
ou aonde vão dar três estradas, se acha no Num. Vocal 
pag. 331 • 

Truculência y e Trv.cuknto y não tem os mais segu- 
ros exemplos. A primeira palavra ^e acha na Cart. Pas* 
lor. do Porto pag. 157. A segunda no Num. Vocal pag. 
144. Em Poesia são menos reparáveis. 

f^ate em prosa não se admitte , e estranha a critica 
que um Auctor como Varella, que não é muito bárbaro 
na linguagem, usasse deste termo no Num. Vocal pag. 
SQl ^ applicando-o ao Baptista. 

yeótação por andar a cavallo , ou em carruagem, 
é de Severim de Faria nos seus Discursos pag. 146 v.^ 
Seria necessário Auctor mais Clássico , para se poder 
usar seguramente deste tertno. 

/^en^^undo , usou-o b P. Fernandct no tom. ^.^- 



60 

da Alma Instruída pag. 180. Temos observado , qiiè 
estes particípios acabados emu9ufo como /uriòumío, pu* 
dtbundo &c. tem entre nós mais uso no verso que na 
pro&a^ como verá quem lér os nossos Clássicos. 

f^oáferar por grilar^ achamo-lo na Guerra do Brasil 
pag. 14Ô , e em alguns modernos , que escrevendo em 
prosa 9 imitam sem pejo a linguagem dos Poetas , gente 
livre 9 e ousada na adopção das palavras. 

Se nos quizessemos valer do Vocabulário dos Médi- 
cos , dos Juristas , dos Poetas , e de outras classes de 
tciencias e artes , faríamos mais copioso este Catalogo 
em termos latinos aportuguesados , dos quaes todo q 
bom Escriptor deve fugir , sempre que o nao obrigar uma 
necessidade extrema y como já mostiámos em uma das 
Reflexões antecedentes. 



REFLEXÃO 6.* 

Sobre alguns Vocábulos Francezes , e Italianos , 
novamente introduzidos na Língua 

Portugueza. 

JrjLssím como nas idades passadas era mui vulgar nos 
Escriptores de linguagem impura valerepi-se dos vocàbu* 
los latinos, e accommoda-los á pronunciaçSo Portuguç* 
za; assim hoje é mui commum na mesma classe de Au- 
ctores, servirem-se de vozes francezas e italianas , pre* 
tendendo naturalisa-las em Portugal* Destas creio que 
o numero é já infinito, espalhadas por todas assciencias, 
artes, e officios mechanicos j porém com especialidade 



61 

na Filosofia Experimental ^ na Arte Militar, na Arqui* 
tectura Civil &.c. Dizem que a falta de termos próprios 
obrigara a introduzir tantas palavras novas : se assim 
foi j procedeo-^se com razSo , porque obrigando a neces*- 
sidade , devem«se buscar vozes para se exprimirem as 
cousas. Porém os amantes da pura linguagem Portugue- 
sa queixam-se de se introduzirem termos novòis , mera- 
mente por moda, e nfto pòr precisão , pois que a nossa 
língua tinha muitos y e bons , com que se explicava an- 
tes que se mendigassem outros ás estranhas para se ex- 
primir o mesmo* 

Que necessidade havia £dizem os puritanos da lin- 
gua]] de se dizer abandonar tendo desamparar ? qffare» 
tendo negócios ; Belku Lttrat havendo Letras Huma- 
nas 9 e Boas Artes : Bdleuu da Eloquência , havendo 
rasgos j de que sempre usou Vieira : JSoi», G(Hto ^ ha- 
vendo já discernimento, e juizof 

Porque se havia de introduzir Cadete por filho , que 
nSo é primogénito: Cfiierw por Arte Critica: Canoculo 
por óculo de vêr ao longe : Quirlaiâo por palrador igno- 
rante : Chiclmhm por galan , ou amante : Dettcadciba de 
engenho por subtileza : Desscrt por aparato de sobreme- 
xa : JD4$còlo por extravagante , e mal procedido : Posbc^ 
gem por logar, ou passo de algum bom Auctor : JBe^o- 
/Aos de eloquência por pedaços de eloquência f 

Que precisão tínhamos de Garante j e Garantia por 
fiador y e affiançar : de Imagem por logares , e passos 
eloquentes, ou da fantasia 9 ou do juizo: de Interessanr 
ic por importante : de Prejuw> por antecipação de jui- 
xo 9 ou juizo antecipado : de Projecta por dar idéas j e 
arbítrios : de R^jponaawl por obrigado a responder : de 
Siuo€pt%vel por cousa capaz de receber outra : de Viajoir 
por correr terras : de Mawibra por marcação &c. ? 



Não 96 desta» palavras , Inat de oulfas muiUâ q«e 
agora not nao occorrem y mas lembram bem aos queiHOt 
SOS delias , se lamentam 06 freis conservadores da pura 
Linguagem Portugueza; porém outros críticos niioacbanll 
para tanta queixa bastante fundamento. Dizem 9 qiie 
com esta liberdade é que se enriquecem de vocábulo» ai 
línguas, vivos , e que só nas mortas 9 como a Grega 9 c 
Latina , ^ que^o.uso nao pôde exercitar o seu absoluto 
•dominio. 

Que. nao sa tem enriquecido ha menos de um scculô 
a Língua Ingleza com a íntroducçâo de infinitos termos^ 
já inventados , já pedidos a outros idiomas , em que o 
Portuguèz tem iguahnente seu logarf B por fim bahojç 
4ingtia viva que não tenha naturalizado iaumeraveis vo- 
^cabulos estrangeiros y sem exceptuar ainda a Cas^Utc^ 
na., e Italiana^ não obstante a sua copiosíssima abtt&- 
dancia? 

. Assim faJIam os defensores das vozes novas ^ i e nós 
para dizermos o que sentimos entre estes indulgentes 9' e 
aquelks escrupulosos , dizemos que uns, e outros ten 
razão* Os escrupulosos , porque é certo , que havendo 
para exprimir qualquer cousa termo nacional , e usaMÍto 
pelos Auctores , que sào textos, nao sedevç adoplar um 
novo ; porque de outio modo nunca 9e verificaria qitc 
um Escriptor é de linguagem mais pura do qtie <Ni<tiOj, 
e seria vão o non^ de Clássico , que se dá áqueiles Au- 
xtores que o mereceram* 

Porém estes escrupulosos pedcao muitas vezes por 
excesso , sentenceando por vozes novas , -einttiod»2Ídás 
pela moda , que reina na presente Litteratuia do nosso 
século, a algu«ias que tem já muitos annos, otambeMi 
séculos de antiguidade. Por exemplo: estranha-^ poroOt- 
vamente adoptada a palavra Reproche , e jén DiMrte Nq- 



63 

lieá de LeSo iái delia memoria coBtando-a por uma da- 
queltaa que fomos buscar aos francezes. Yeja-se a este 
Auolor na sua Origem da Língua Pòrtugueza , pag. 81» 
Tem igualmente por nova a palavra PxUiáà ^ t é não 
méaoâ que de JoSo de Barros na Década 3.^ pag* 87 ^ 
onde diz : Nhto se mostra a grandeza , e po&cta daquela 
-k Prindpe &c. Que não dizem ellès também contra a 
|)alavra Pedante , quando Duarte Nunes de LeSo na sua 
JOrtfaogrepbia já traz Pedantesco ? Não podem ultimamen- 
4ie solfrer, que se use do Italiano Affanar , e A ff ano ^ 
Jba vendo em Português Âffligtdo , angustiado , Affligvr^ 
sej e amgustkQr^^se^ quando Vieim^ insigne texto daLin- 
^ua j disse , como sabem os eruditos , Affanaâo^ e Affano. 
-Podemos tsa,^ menção de outros vocábulos ^ a que oses^ 
crupilosos erradamente chamam novos , o como taes os 
<reprovaaB ; mas não sejamos prolixos ^ e passeiSK>s ade^ 
fender os Escriptores. indulgentes* 

Tem estes razão em procurarem , á maneira das ou- 
tras NaigSesy e vivamente protegerem a introducçSò dô 
vocábulos expressivos , e precisos, quando não podemos 
•exprimir uma cousa , senão porlobga, e tediosa 'círcum*- 
locução. Separa nós expressarmos a forçar do verbo fran- 
xez Swpphxntar , nos é preciso usar do rodeio de dizer : 
•usar de força ou artifício para tirar a alguém o cargo , 
•ou fortuna que possue ; não será bom que admittamos 
jestè verbo'^ e digamos SupplantarT N8o 6 mais expres^ 
aivo e breve dizer O-iteno do que Arte critica , /«sigm- 
J&ante , do que cou^quc nada significa ? Não é mais 
4M]ccÍBto usar de uma só palavra , qual é Reífponêitvet ^ t 
Shbmeptivel ^ do que occupar diversas vozes, dizendo: 
-obrigado a responder , e capaz de receber ? Se podemos 
-^lOia tim só vocàfepulo exprimir o filho segundo , terceiro 
Scc» dè uma ftimilia, porque se não ha de dizer Cadete t 



64, 

Porém quando a nossa língua tem termos proprlo^^ 
que exprimem o. mesmo que os outros novamente intro^ 
duzidos 9 em tal caso é com razSo reprehensível a novi- 
dade , porque se oppoem áquella pureza de f aliar de que 
em todas ás' outras Nações se faz especial apreço. Por- 
que havénios dizer Abandonar se temos Desamparar; 
Hesurcc se temos Remédio ; Díscolo se temos Màlprocedi* 
do ; Affarei se temos NeffKxo &c. &c. Porque diremos 
Iniriga^ Intrigante ^ e Intrtgador por enredo, enredar ^ 
e enredador, ou por maquina, maquinar, e maquina- 
dor ? Porque havemos dizer Caracter por distinctivo; 
Conducta por procedimento , governo , prudência &c. ? 

£is-aqui o como nos parece que devem concordar os 
xlois partidos, ambos excessivos, um porque nada permít- 
te, ainda havendo precisão, outro porque tudo ccmcede, 
ainda sem havár necessidade. Este nosso juizo é fundado 
sobre o mesmo parecer qne deram os Académicos da 
Crusca para se introduzirem ou nâío no seu famoso vo- 
cabulário vozes estrangeiras. Foi seguida esta prudente 
resolução por Monsieur de Furetiere 9 e pelos sábios das 
Rçaes Academias Castelhana , e Franceza , quando em* 
preáderam os seus Diccionarios. 

Aqui tinha bom logar para instrucção do Escriptor 
principiante fazermos memoria de alguns modos de fal- 
lar novamente introduzidos , os quaes a Língua Portu- 
gueza tem por fazenda de contrabando , introduzindo-a 
sujeitos nimiamente amantes dos idiomas francez , e 
italiano. Destes taes modos de fallar se valem a cada 
passo nas conversações e cartas > e [o que mais é] nos 
escriptos impressos. Dizem v. g. Mo não é que uma in- 
ioleruAa , ou is^o não é que um favor , em vez de dize- 
rem como bons Portuguezes isto não é senão uma inio- 
fencta , i$to não é zenão um favor. Dizem igualmente : 



63 

titã acção fa% o objecto do pubRco Oitombro , em logar 
de dizerem á Portugueza j é o objecto &c. Do mesmo 
modo escrevem fa%er ob deltciat do povoy em vez de es» 
creyerem ter ca dcRcku do povo. Destes modos de fallar 
estrangeiros y e aportuguezados temos feito um largo ca- 
talogo j o qual seria bem útil , que oopiasssemos neste 
capitulo em beneficio da mocidade , sempre amante de 
novidades ; porém temos justos motivos para o recolher 
na gaveta 9 receando prudentemente fazer-mo-nos odiosos 
a nâo poucos Escriptores modernos. Quanto mais que 
nós nSo pertendemos neste livro^azer um Tratado exa- 
cto 9 e completo de tudo o que pôde ser ReílezSo sobre 
a linguagem Portugueza. Em assumpto ^ em que nada 
havia escripto y contente-se o Leitor com este pouco. Se 
este nosso tal qual trabalho for bem recebido do públi* 
oOf e tiver a fortuna de vér nova edição , conao os âni- 
mos entarSo entSo mais dispostos, acrescentaremos novas 
Reflexões ^ que por ora fatiam grande ruido. 



M 



REFLEXÃO 6.* 

Sobre a Synlaxe figunxda , e Idiotismos da 

jÀngua Porlugue%a. 

x^omo escrevemos para Escriptores principiantes , ou 
pouco versados na sua linguagem , nSo será cousa inú- 
til discorrermos alguma cousa sobre a Syntaxe figurada^ 
bto éy sobre as /aftas, super fhádadde» y alieragâeBy epro* 
priedadesy que tem a nossa Lingua , quando se aparta 

da Sintaxe regular. Prímeicftmente^ ha nella umas M- 

ò 



66 

tâ$ '<Se palavras, que Iheaugméntam à gmça, e«n«tgiii. 
Quando D. I'Tâíicísco Manuel dí^se: Recebetido ã dé /^. 
Smhoria qui%era ter forças^ e n&o moiesika^ f«igor , e 
'hão embaraços para responder como a 6br\gaçâo o pedi^ 
àic, i Miou este Auctor com e-^p«cíal elegância da tjyn- 
taxo figurada , por encobrir na dita oraçfio algumas pa- 
lavfas , as quaes não deviam faltar, segundo a» regras 
dá Bytilaxe regular.- Conf3rme estás havia dedÍ2«r, Rõ^ 
èthtmâo a Catta de V, Senhoria , quhera ter foi'§as -, : 6 
fíâo qu%%€ra ter moléstia , qui^ra ter vagar y e não qu\»^^ 
raterembáraçOèà^Q. Por onde oommittirapalavta caria^ 
e o verbo gtiissera por três tezes é o que consiste a ele* 
^i^ia da dita oração, pelo que di£ respeito á Syntaxe» 

fia Oiutra falta que nâlò dá á nossa lingua menos 
graça que a antecedente. À cada pássb altera ella a re- 
gra 'gètal , dè que todo o verbo nó tnodo finito pede an* 
tes d<ô si nominativo. E assim é nella frequentíssima a 
eliipse de diíer: Sempi^e levo os melhores Auetore» Pú^tu," 
gue%es , em vez de dizer : Eu sempre leio &c. Faço esta 
reflexão para me tornar contra um numero infinito de 
modernos, que presando-se mais de francezes , que de 
Portuguezes , affectam* nâo usar desta figura, e sempre 
dizem á franceza : Eu vejo.^ eu pasmo y eu me confundo 
&c. 'em occastôes em que nao pede , ant^ o reprova^^ a 
energia, e índole da no$^ linguagem. Os que cultivam 
a sua pureza y e propriedade nativa , bem percebem o 
que nós censuramos. 

Temos igualmente. observado nos nossos ^mdlhoreà 
Clássicos, que por especial elegância tiravam muHas ve<*> 
z^s os. artículos a diversos nomes. Nao ha cousa tao fre- 
quente em ^acJntho Freire, e em outros muitos, que o 
seguiram \ como o dieere«i ^ meu ^uelo y minha ieaidade , 
stl#8 noçâesy seus progra^os^ e nao o mâu kc/o, a mhihú 



«7 

Ualdadc &c» Vejo hoje pouco observada e^ta elegância , 
sendo tanto» ^ e da primeira mictoridadc oe classlcod que 
a praiicaram. 

Porém atsim como estas /dftos, e outras qae omit- 
to f costumam augmentar a graça nativa da nossa Lín- 
gua 9 asiim a txvperjlmiadc de palavras lhe causa seu 
deslustre. Conte»rae o Leitor [«e p6de[] o número das 
vezes que tem ousido em discursos graves adjectivos supér- 
fluos 9 que dizem o mesmo que o seu substantivo , v. g. 
lacrimoso choro , flmdas ondas , estreito carreiro , ondas 
maràtimas^ e outros similhantes epíthetos, que achámos 
em um âermoaario moderno. £' na verdade insigne o 
seu Aucior nestaf^ elegâncias. Nelle se acha também," 
que Jeremias já antes havia profetizado a ruína deJeru<* 
salem &c« , que a dextra mão d^rMa de Deus pesa 
igualmente a Justiça ^ e a Misericoidia &c. , banhava a 
húmida chuva ao dtsaoompcmhado solitário k,c, , se vos 
derem uma bofetada na fate , beijai a m&o que vo-la 
deu &c. ,^ — •InBnttos outros exemplo^ aebaría o Leitor ^ se 
me lòra licito declarar o titulo do livro. 

Persuadém-se alg^uas , govef nando-^e pelas regras 
geraes da Syntaxe , que éerro na no^sa Língua , não con- 
cordar unia palavra com outra , com a qual devia con- 
cordar ; porém engõnam-se , porque ignoram que esta 
falta de concordância 4 ultt modo de lallar' figurado ^ 
que , á maneira dos Latitios ^ f az a oraçSo mais ole^gan- 
te. Por exemplo 9 é melhor dizer : Depois da víctoria o 
resto do exercito iniftnigo parte fugiram , envergonhados 
dt sv^a fraque%a ^ parte morreram ^ por serem incuraveíts 
as feridas i do que dizer t parte /tígto, e parte morreu ^ 
porque na palavra parte se incluem mnitos soldados. 
Poy virtude da mesma figura Byllepse ;é mais elegante 
dizftr : tstaiúa o campo €obério de lÊohrosa gente , e iódoà 



68 

apoêtadoi a vencer , do que concordar dizendo , e toda 
apoitada a vencer. NSo concorda em género, c numero 
cora o substantivo Gente , mas com o signi6cado ho« 
mens ^ que se subentendem. Em qualquer outro nome 
de multidSo y como povo ^ plebe ^ turba &,c. j tem seu 
logar este modo de fallar figurado. Por virtude delle 
dizemos também : EURd com a Corte te divertem na 
caça y devendo dizer-se^ segundo aSyntaxe regular, se 
diverte y porque Corte está em ablativo com aproposiçio 
com. 

Porém assim como a nossa Língua admiite á. imita* 
ç2o da Latina estas liberdades da Syntaxe figurada , as» 
sim nSo soffre outras, que sao frequentes entre os Lati» 
nos. Para ella raro é oHyperbaton, que deva admíllir* 
se na prosa 9 porque nSo tolera , como supporta a língua 
italiana , palavras na oração fora do logar que lhes é 
devido. Não é próprio da sua Índole dizer-se : João se 
armou para a vida tirar ao inimigo seu ; mas sim : jír* 
mou-se Joâò para tirar a vàda ao ieu inimigo. Pelo coih 
trario na Poesia. é esta alteraçSo elegância, dízendorse: 
Eitaê que já canta rimai Mnorai j enSo restai rimos io* 
tnaê BOnoroB que canta &c. Advertimos por ultimo , que 
havendo no Latim diversas castas de Hyperbaton , em 
Portuguiez só ha três , que são: ^noÃtrophcj ParentheêCy 
e Syndusc ; qualquer outra que aella se admítta 9 é erro 
crasso ^ e sem exemplo na prosa. 

Mas passemos já. aos idiotismos , que são próprios 
da nossa Língua^ e não seguem as regras da Gramma* 
tica Latina , posto que concordem com a de outras Lin< 
guas vivas. Não trataremos dos diversos idiotismos que 
temos na conjugação de alguns verbos , porque sobre ser 
matéria cançada, e fastidiosa , poucos são os erros em 
que neste ponto cahem os ignorantes. Commummcnte 



69 

conjugam bem ; posto que nSo saibam que na tal oon^ * 
jugaçâo ha já particular propriedade da Língua. 

Ha porem alguns idiotismos ^ que devemos explicar 
aos que nascendo em Portugal , não sabem Portuguer , 
pois tem por erros crassos certos modos de fallar , que sSo 
propriedades' nativas da Linguagem Portuguesa. Por 
exemplo : sabem que na Lingua Latina duas negações 
affirmam , e persuadem-se erradamente que no Português 
é o mesmo, tendo difficuldade a dizer: Eunâo$c%nada\ 
Eu nâo vi ninguém &ic. Quem duvida a fallar assim mos- 
tra claramente que nenhum estudo, tem dos nossos Clas^ 
sicos antigos ) e modernos; pois que estes jamais admitti- 
ram que em Portuguez affirmassem duas negações , como 
no Latim af&rmam, porque só nelle dizer : Eu nâo s^ 
nada , vai o mesmo que dizer : eu sei alguma cousa. 

Na concordância do verbo com o seu nominativo te* 
mos também um particular idiotismo no verbo Haver : 
porque nas terceiras pessoas do numero singular nSo 
concorda em numero com o seu nominativo. Os igno» 
rantes , e também muitos dos que presumem nSo o ser^ 
governando-se pelas regulares conjugações de outros ver* 
bos, tem por erro crassissimo ouvirem dizer : Houve ho* 
meni que nunca havUarn de ter nasiAdo ^ em logar de Aou- 
wram homens &c. Haima muitas Iguarias no banquete ^ 
em vez de haviam muitas iguarias &c. Porém estes pre- 
sumidos são os que erram 9 porque com todos os Clássi- 
cos da nossa lingua se prova , que o estar este verbo no 
singular , e o seu nominativo Homens^ ou iguarias no 
plural 9 é um idiotismo 9 e Grammatíca irregular muito 
própria da nossa linguagem» 

Por virtude do mesmo idiotismo temos outros mui« 
tos modos de conjugar verbos ^ de que nSo poderíamos 
usar f a seguirmos as regras da Syataxe regular* Diz^ 



70 

•mos Y. g. Aborreço a. affectaçêo em vez de Aborreçe-mc a 
affectação : E&qiieceu-mc ó negocio ^ em logar de Esqueci" 
me do n^ocio : . Lembro>-ine tu^ por LembTOHnc a mhn : 
JEnfastlovr-nie o comer , em vez de Enfastiei-Ttie do comer y 
« outros muitos modos que o uso ensina , quero dizer ^ 
o Uso daquelle» que cuidam em fallar com pureza , e 
correcção y seguindo sempre ' os vestígios dos Clássicos ^ 
de cuja auctoridade só os igaofaates duvidam. 



REFLEXÃO 7/ 

Em que recommendcmdo^se o /aliar com toda ^ 
. pf^opriedade se cfferece um CaiaJogo de ter- 

ntífs próprios , cujo legitimo uso JrequetUemenh 

te se perverte. 

X^epoís de termos 4isoorriâo nas ReíIexSes anteceden- 
tes sobre diversos pontos , que conduzem para a obser- 
vância da pureza da nossa lingua^ juramente seriamos 
arguidos ) senSo fizéssemos uma ReíIexXo separada sobre 
o valor , e propriedade de muitos lermos Pòrtuguezes ^ 
a qual anda pel-\''ertida pelos Escriptores ignorante^^ pei> 
'suadidos de que sSo synoQimas palavras y que muitas 
\ezei na significação sSo entre si contrarias , e oppostas* 
Naverdade.de q«e serviria termôe fallado sobre vor 
zes justa ou injustamente antiquadas ^ sobre vocábulo^ 
xpie pertencem miais a outros idiomas do que ao nosso, 
e sobre algumas propriedades da Syntaxe figurada ^á 
ttosia Qrammatica^ sei deixaBsemos em silencio o tratar 



71 

* 

de muito& verbos , e nomes , ciya propriedade é &ó estu- 
do daquelles poucos , que trabalham por laJUar com.pu-r 
reza? , 

Pôde umGsçcjptor nSo introduzir nas suas obras vo-i 
çabulos latinos, italianos, e franceses; pode praticar as 
propriedades , ou idiçtismos da sua liogua ., e não se 
valer de termos , que o uso já dep por antiquados ^ e, 
ainda as^im dízer-se delle sem mentira , i^em offensà, 
que não falia com propriedade ; porque transtorna o \\òo 
legitimo f e genuino dos verbos , e.nomfs » yalendo-se 
delles , quando nem a sua significação, o pixle» nem o 
seu conceito lhes corresponde. 

Esta propriedade , que raras vezes se \ê pratícacja y 
é a que deo a um João de Barros, a i^m Ff. Bernardo 
de Brito, a um Fr. Luiz d^Sousa^ a um Jaciniho Frei-! 
re , e especialmente a um Vieira a distincta bonra dõ 
ili^s^res daLinguaPortugueza, Quanto ipais selér a es* 
te illustre Clássico , mais se admirará j que é singujat 
entre todos na escrupulosa propriedade, e energia ^ cQm 
que usa das palavras para exprimir os seus conceitos. 
Ora demos desta vctrdade a)gunf, exemplos ) afim dequ§ 
pprelles o Gscriptor principiante lomeaffççto a este gian-: 
^^ Clássico , e o não larguf da mão ^ para,co^seg.uir^ 
como elle, oexplicar-se sempre com os termos maispro^ 
pjip\f e cheios 4^ energia. Não seremos dif fusos, por* 
qup.fariamos ^crescer esta obra mais do que piçde o estylo 
que sçguixnos, se déssemos liberdade á penna ^m transr 
çrever todos os exemplos qu^ oífei;ecem os livra^,desl^ 
insigpe Mestre. . . ,..v ; 

. Observe-se no liv. 3.^ num. @13 a propriedade d^ 
vozes, e a vivera de expressões, com.q\ie.usa de diverr 
s^s Hyperbol^. * — ,is O I^eão, paca quem toda a Libi^ 
WK P^Wf^ jcampanljii j a Águia para quem todo 9 ar era 



78 

pouca esfera ; o Touro , que nSo cabia na praça ; o Ti« 
gre, que nSo cabia no bosque; o Elefante , qiie não ca- 
bia em 8Í mesmo &c. 99 — Veja-se no tom. S.^ os termos 
propriíssímos de que usou para se exprimir. — a Cante- 
Ihes aos homens o Rouxinol , mas na sua gaiola ; diga- 
lhes ditos o papagaio ^ mas na sua cadéa ; vá com elles 
á caça o açor ^ mas nas suas piozes ; faça-lhes buf una- 
rias o bugio y mas no seu cepo &c. y> — Observem-se os 
verbos que applicou metaforicamente no tom. 14. a di- 
versas paixões do animo — <c Arde o ódio, morde-se a 
inveja 9 escuma a ira, raiva a desesperação, grita furio* 
sa a dôr , e desafoga-se , sem nunca desafogar-se , a vin-- 
gança &c. 

Eque próprios são os termos incisos, com que usan- 
do da figura correlação y descreve no tom. 4.° os enfeites 
de Judilh! — « Manda vir cheiros, jóias, galas, es- 
pelhos : veste, compõem, enriquece, esmalta, os ca- 
bellos , a garganta , o peito , as mãos &c. » — Não são 
menos próprias as vozes de que usa na Ethopea , que se 
lê no tom. 1.^ pag. 396. — a Vedes aquelle mancebo 
macilento e pensativo, que roto, e quasi despido, com 
uma corneta pendurada do hombro , arrimado sobre um 
cajado , está guardando um rebanho vil de gado mais as* 
queroso?9» — Porém ainda temos por mais viva a pin- 
tura, que nos deixou no tom. 1.^, na qual a proprieda- 
de das palavras vence toda a viveza das mais solidas co- 
res. — a Vedes aquelle homem robusto, e agigantado, 
que com aspecto ferozmente Iriste , tosquiados 03 cabei- 
los, cavados os olhos, e correndo sangue, atado dentro 
em um cárcere a duas fortes cadéas anda moendo em 
uma atafona? &c. » — Foi este Orador verdadeiramente 
maravilhoso nestas pinturas. Eu não sei seá melhor que 
a antecedente, esta^ que se lè no tom. 7.^ num. 390. 



71 

•--• tf V«rds a um destes [fiilla de um homem opprimtdo 
lie profunda tristeza] quando ainda se conta no numero 
dos vivos , descorado , pálido, macilento ^' mirrado : as 
faces sumidas , os olhos encovados , as sobrancelhas cahi« 
das y a cabeça derrubada para a terra ^ a estatura toda 
do corpo encurvada , acanhada , diminuída &c. n 

Porém cessem todas as pinturas deste Rafael dot 
Oradores , á vista da que se admira no tom. 6.° num. 
448. Eu copio parte delia ^ para vér o Leitor que na 
propriedade 9 e energia dos termos, é em que consiste a 
sua horrorosa viveza. — « Inclinará Deus os céus , e 
avizinhar-se-ha mais á terra para castigar seus morado- 
res. Debaixo dos pés trará um remoinho de nuvens ne* 
gras , escuras , e caliginosas : das ventas lhe sahirao fu- 
mos espessos de ira, de índígna^jSo, de furor: da boca, 
como de fornalha ardente , exhalará um volcSo de fogo 
tragador , que tudo accenda em brazas , e converta em 
carvões. Atroará os ouvidos attonitos com os brados 
medonhos da sua voz , que sâo os trovões : cegará á vis- 
ta com o fuzilar dos relâmpagos alternadamente accesos, 
abrindo*8e , e tornando-se a cerrar o Ceo temerosamente 
fendido: disparará finalmente as suas setas, que sSo os 
raios, c coriscos: abalar-se-hSo os montes, retumbarâk) 
o» valles, affundar-se-hfio até os abysmos os mares, des- 
cubrir-se-ha o centro da terra , e apparecerão revoltos os 
fundamentos do muado &c. » 

Emparelha no seu género com esta Prosopopea a- 
quella vivíssima J!>cscrippâo , que anda no tom. 11. num. 
J8Ô. — j» Vistes o que cada dia acontece nos povos , e 
cidades principalmente grandes , levantar-se enlre ho» 
mens sediciosos uma briga , ou arruido súbito , que na 
campanha se podtéra chamar batalha ? Todos puxam pe- 
las armas, e sSo armas tudo o que demais perto se offe- 



74 

rcce ás mãos. Chovem os golpes ^ voam as pedraf ; um 
ferem, outros cahem; todos correm, e acodem sem sq* 
ber Qquem, ou contra quem , ou a causa; uqí íjjcí lados 
do ódio, e da ira i outros sem ira» nem ódio ; tudo í 
grita 9 tudo desordem , tudo confusão &c. 9 

Porém se nos exemplos antecedçutes c^vulia aforça^ 
e viveza da nossa Língua, outros muitos seadmiram nes- 
te illustre Orador, nosquaes nãq reluz o^eiios aproprier 
dade , e energia. Falia elle da formarão de uma ima* 
gem humana , e diz assim no tom* .3.^ num. Ml: *— 
u Ondea-Ihe os cabelloâ, aliza-lhe a testa, ra^a-lhe os 
olhps , a&a-lhe o nariz , abre-lbe a boca , avuUa^he as 
faces., tornea-lhe o pescoço , estende^he as mãos , dívida 
lhe os dedos, lança-lhe os vestidos: aqui (lespr«ga,..al)í 
arruga, acolá recama,, e &ca um homem peffeit40, e tal^ 
vez um sdnto &c. » — Agora nos occorre outro «xem^ 
pio, em que igualmente a cada clausula do pcjiodo cor- 
responde seu verbo próprio. — «Ha se de arar a terra, 
ha se de semear, e gradar o trigo, ha de rega*looCeo, 
ha de amadurece4o o sol , hâo de •colh0-lo segando os se- 
gadores ; posto em paveas na eira , depois de calcado e 
limpo , ha de ser moido , depois apiaçado e levedado , 
edepois fiiaalmente cosido , até que se possa comer &ç. » 
-^ Baste de epiemplos, porque quando nao^, iremos- in-*- 
sensivelmentp copiando todps^ os Sermões deste grande 
Orador , pois que nâo ha pagina que nSo nossoccorra 
çom ampla matéria. Só Advertimos queae lèa.no tom. 
Vi.^ Sermão 9.^, porque nelle se admira em alto gráo p 
propríisiimo uso da nossa Lingua» . , 

Eftte é o principfil Mestre que deve imitar O; Eiãth 
ptor principiante , desejoso dç is^ber. e.piaUcai: Wdod.os 
primores da sua ;Liqgq(^í^.ma8 tl^pi^ -é^precíso adveitiiry 
Ibe que Vieira wífi a ^up^iyia «MOtoriilade dej^slxè 



7Í 

usou de alguAs termof pidbeos ^ e f eã alguihas dàcii« 
pçôes y que o principiante oâodevé imitar 9 porque àquel« 
las liberdades^ que não desdizem na boca de um velho 5 
nade um mopo são jastamente ceiisuradas. 

Vieira commummente sim é escrapuloso observantt 
do decoro Oratório , fugindo de textos plebeos ^ que cos* 
tumam abater a oração , por isso em vez de Lameiro^ 
fmmtiiro âcc. , disse muladar ^ aterquilinio , cloaca y e 
sentina , é foi seguido sempre pelo P. Bernardes 9 espe- 
cialmente nas suas Meditações so&re os Nomsstmos do 
HoíHcmi Por isso em logar de òefracío usou de embriaga^ 
do , ou dd umbriadM) ^ ou se valeo de alguma engenhosa 
cÍTGumloouçftO:, qual é a do tom. 13; pag. 170, òndedis^ 
se decoroâumente : — « A^s outras nações voita-ihe Ba* 
cho O juiKO com o licor ^ a que deo o ndme &c. n — E 
no tom; lÊ. num. 91f « , disse com igual decoro : —a Díé 
mais o Profeta 9 qu-e esta lua resplandecente levava nas 
mãos.) o que os touros traaem na cabeça. ^ «— No tom. 
7.^ num.'75<, é igualmente admirável a modéstia coto 
que se ekplicou ^ quando disse : -^ a koi Portuguezes as 
fontes sfto as que nos matam a sede ^ e xAo as vides &c. n 
w. Por ultimo admire-se, «e imíte-^e o decoroso enfaze, 
com ^ue exprimio^ no tom. 8.^ num. 4S3. ^ cousas, que 
explicadas por seus nòches ptoprios offenderiam a gravi*- 
dadé doestylo Oratório. -^ ét Deixo |^diz dk]. aos que 
eobetti aos postos pelos cabellos, e não comas -forças' de 
Saqsik)^ senão tom as forças de Dalila; Deixo aos que 
com^'^l vos conhecida de Jacob levam a benção de<Esaú^ 
e 1^0 com as luvas calçadas 9 senão dadas ^ ou prometti^ 
das. 'Deixo os que sendo mais leprosos que Naaman 
Byro 'se alimparam dadepra , e não. com as aguas dd 
Jordfio> sctíão com as do Rio da Pmta; n 

>' i^ém não obstame a^ua escruptiloslEi observância 



7G 

do decoro Oratório , usou com a libeidada de velho «K 
guns termos ^ que ao Escriptor destituído de credito não 
devem servir de exemplo. Será reprehensivel j se disser 
como Vieira: — a Atassalhar ^ abocanhar y agatanhar, 
peçonhento ) movifco, alporcas^ rameloso, chacota ^ a- 
ranzel ^ golodice j e outros vocábulos plebeos^ que nao 
escaparam á critica atrevida. Aquella sua famosa Dei- 
cripção y que anda no tom. 7.*^ num. Iô8 ^ nâo é tam- 
bém para imitar ^ quem nao estiver, comoelle, no mes- 
mo gráo de auctoridade. — a Considerai-me uma cara ^ 
[|diz elle] que nâo mereça nome de rosto , nem ainda de 
monstro y disíormissimamente macilenta j seca , e esca- 
veirada : a còr verdenegra , as queixadas sumidas j a tes- 
ta enrugada , os olhos sem pestanas nem sobrancelhas ^ 
e em lugar de meninas , com duas grossas bellidas ; cai* 
va, remelosa» desnarigada; a boca torta 9 os beiços azues, 
os dentes enfrestados amarellos , e podres } a garganta 
corcomida de alporcas , em logar de barba um lobinho f 
que lhe chegue até os peitos , e no meio delle um can- 
cro fervendo em bichos , manando podridão , e matéria ; 
nao só asqueroso , e medonho á vista j mas horrendo ^ 
pestiiente, e insupportavel ao cheiro &e.9» — Quem nSo 
for um Vieira y nâk> se metta a ser tSo fiel Retratista ^ 
antes siga as doutrinas de Quintiliano y que em simi- 
Ihantes imitações dos homens grandes dá prudentíssimos 
conselhosw Mas já é tempo de apresentarmos ao Leitor o 
vocabulário y que no principio desta Reflexão lhe pro- 
mettemos sobre a propriedade y valor y e energia de al- 
guns termos y que tem mais uso em graves conversações y 
e discursos. Se para a Lingua Latina sao utilíssimos os 
muitos Auctores que escreveram de Differcntiu Ferbo* 
rum y persuadi-mo-nos que também o catalogo seguinte 
n&o será jnutil para os pouco introduzidos na Uúgua ma* 



77 

terna. Já estamos antevendo que muitas das differençat 
que apontamos terão alguns por desnecessárias , c su* 
períluas^ visto serem triviaes , e sabidas ; mas é porque 
não advertem ) que sSo frequentissimos os exemplos dos 
que não as praticam em seus escriptos , o que nos seria 
facil a provar j senão temêssemos fazermo-nos odiosos. 
Advertimos por ultimo , que não é nossa tenção provar* 
mos 9 que seja erro o uso metafórico de um grande nu- 
mero de vocábulos , que trazemos neste catalogo , mas 
só sim pretendemos ensinar aos principiantes a sua rigo- 
rosa significação. Por exemplo não condemnamos a pa- 
lavra jíbundancia na significação de grande quantidade 
de qualquer cousa solida , posto que rigorosamente se 
deva applicar a matérias liquidas. Sirva este exemplo 
para os demais vocábulos y que se actiarcm em nossos 
Clássicos no sentido metaforicct &c. 



^boiiado y rico j e opuknto : em rigoroso sentido não 
é o mesmo.: jíbaiiado é aquelle que tem ò que lhe 6 
bostante para viver, iíico é o que tem para viver com 
grandeza. Opuhnio é o poderoso por suas riquezas. 

jibdicagâo não é o mesmo que renunciaçâo , porque 
é largar a dignidade que possue , sem a renunciar a ter- 
ceira pessoa. ^6(2icam-s€ reinos. i(kntmciam-«c beneficios^ 
disse Vieira. 

Abnegação não é voluntária privação dos bens , du 
dignidades, mas da própria vontade , appetites, e gostos 
da vida. 

. JÍbçrr€c& fkSQésyn(makoptop:ÍQÍ^d€tgoêtar. AhoT^ 



78 

teça a Pedro por desgosto de Pedvo. Aborrecer é ter .«res- 
s$o coip tédio y e horrof. 

jiborto^ nâo lhe compete o verbo jntmr como Ihedeo 
certo moderno^ ms^ lançar,^ Proprianientea desde os três 
lliezes até sete* Sendo causado por força , e aates desUt 
Otezeti díz-se abono com o exemplo de Vieira, e outros. 

AbsUnáo j nâo significa o que se abstém de comir* 
das 9 mas de bebidas^ especialmente de mnho. 

Absurdo como adjectivo , v. g. cotuasabsurdaB , nSo 
se acha nos bons clássicos , e só usam de tal os £script€K 
res de inleriOir oota* 

AbundcmcM ^ e affh^enáay rigorosamente fallando ^ 
é de s^uas: copia paea o demais. 

Ãkusâo 9 e àhuso nSo sigoi&camo mesmo , como 
eatendom os. ignorantes. Abusão vai o mesmo quetsir^ 
persttçâo; e abuso só significa, mio uso de alguma cou» 
sa. Nem obsta achar-se cm Barros abusão por abuso, 
porque se dá por antiquado o exemplo. 

Acatamento é mais que respeito^ porque vai o mes- 
mo que veneração profunda. A's vezes significa presença 
de Pessoa Divina , ou de grandes Príncipes. i:^, 

Acçurnular é para cousas que possam iazér ivanuhy, 
cu montão.' Metaloricamente évque se di^ : accumulac 
cuidados, delidos &c. 

Acenos , e ocgooi dif ferem , em que ocinof s&osi-* 
gnaeft^ue sed&o <^om a cabeça, olhos, emáos., selncon- 
cprrencia da voz : acções sao gestos acomponhados.de parf 
lavras , e feitos com diversas partes do eorpOr Aceno» 
servem para chamar, dar consentimento, requestar &C# 
Acções ittTx^eui ptira e^^primir tndo^ MetaíoricâUfoente 
çccno se p6de lomar por ttualquer leire indicio da voa*. 
tade. 

. ^chaijpmot .é miaiA que éocínU ^ e enfermo ; porque 



79 

Qfihaquc éo nal que sobrevem a «ma grave doença, o» 
que nasce de má disposição de temperamento, e é habi- 
tual^ e qiiasi naiUrai do oorpo. 

Acorrer , e ncodkr dif ferem , porque ocorrer é acodir 
^m accel^raçâo a^poessa. 

Acossar é propriamente perseguir o touro no corro : 
Vunbem ae appUca ás outras feras no/» matos. Metafori- 
camente se dÍ2 Qcassado da fortuna, dos trabalhos, dos 

jicrtmktr , próprio do ouro que se apura no crtsoL 
[Metaf.3 jâcr-isoUtr a virtude, a aroisade, o amor &c. 

Acrcj cousa de sabor pungente, epíoantenalingua : 
o^ro ferro <te má qualidade , e que fadlln>eDte sé abre. 
Acrx rio na Província de Calábria. 

Actor aquelle que representa no tfaeatro* Âuctor^ o 
q^ie dá princípio a alguma cousa , como Auctor de li- 
vro6^ de engenhos, de pleitos, de crimes écc. 

Adematnes sâo em rigor as acções que se fazem só 
com as mãos, para exprimir os movimenlos da vontade ,. 
V. g. a|untao-9e as palmas e os dedos em signal de pe*' 
dir; cerra-se o punho para ameaçar; alarga-se o braço,» 
emostra-^se a palma para fazer parar alguém; encosta-se 
o braço, e abre-se a mâo para pedir &c. 

Adgar , próprio das aves , quando batem as azas.* 
£' muito usado de Vieira. 

Admtratwdy cotisa que denota ^ ou iacuioa admirar» 
QÔès : admirável y cousa di^na de se admirar. Nao será 
Serm&o admirável y mas admirativo ^ disse Vieira notoin.. 
1.^ pag. 463. 

Adm;octtfur é advertir alguma cousa com brandum ^ 
rtprthender com severidade 4 irwfíepftr eom aspereza. O 
bispo Jerony mo Osório em uma carta a EL-Rei .D. Se* 
baétiao diz ; adBii>estei-o priiii«irP| depois o neprèhendi 



00 

vfcZo^Meiícia é pfopriaaneat^ aqMeUaíâiMle.^C^ covre 
depoU da puerícia ^ até que se acaba de «reocei & «SeguHr 
âQ Yc^ A09 homenft é até os S^rei^iios^ /ttafi ioul|iQnii 
até os $1. •»•-... 

jídofrofiOf é acto de religifio^com «s demonatraçSet 
mai^ ]|QiKM:i6^aa y coma genuflexão, pKMtragSo ^c. ^c- 
fierafão^é^respeilo pipíaudo: veip do verbo t^r^^i^f « a«im 
como adoratto vem do ací o$ oratioy hlaé. ní^niUtmr^i^ 
i?H:)l»^<)<)ii)ev2)r,aa JuSos jui^tas até a boca em^»%nal de 
fubmissão, e súpplica. ^ 

, . .^4(lQrj9«M|^r^é.coinesar a dormir, ^domim/ané cau« 

ti 

- i^Jfç?^ ^h^^igV^ rigorosamente tem 4|ff^eil^Ji.<|i^ 

/fi^,é o 4^^^ *^ooL\perder o seu decqro^ trata ^fls^^ea* 

.Jã cgwi; ipdos; 2^i^gru> ^ o que com moda.«uAV€i;if^;be- 

aefiçios, Pílfere este. do bom , porque páde o.fa^^q».^ 

kr cpi^no bqm ^ e.não o fazer com doçura^ çomqc|f^,o 

beoq^o. . . , , ..- í-^ -^ .'. 

^*i^(£fMo é mais do que incfinafío, porque rp«de mfH 

,,]KÍmçniU^ e iocliuaçSo forte do animo , O'q^9^^|o.riequer 

.a.ijiçlínaçSo*. ^^ - .c 

Jffáçoadí^ é menos que om^o , porque-aj^^^ jS 

beoevojisncia com propensSo. natural : av^ym^à Mm fif)^- 

ie, e redprocç amor^ fundado em boa rAxãa^yi;^ ^em vJJt- 

Jgotúc^ é mais que afflhcç&o j. porque ,nSo ^.rVSJ^* 
fica o confliçto 4^ vida com a morte , mas un;^ f^^^fi^' 
mo combate de. pi^isda» qiue ppem ocora^So et^vmortaes 
apertos* . . , - . • ' ií i»'*jiíu<. 

: Jfffmo^ 4 rigopMimeitte adivinhar ;pek)i<taB(|o ^ 



81 

av«9 assim oomo «mu^hôo pelo vóo das mesmas : anu- 
pieífia pelas eotranhas dos onimaes : aortikgio por sor- 
tes : fúgramanáa pelos cadareres : fj/romancia pelo fogo : 
aromanda pelo ar : hjfdramancía pelas aguas : chyraman^ 
ria pelas linhas da mSo .: me^^DOscopia pelas feiçSes do 
losto : e g€cunan(Aa por pontos feitos na terra. 

jígricttUar é propriamente fabricar as terras: cu/<i* 
«ar é para jardins de plantas , flores &c. Sempre assim 
o achamos observado por Vieira ^ Fr. LtiÍ2 de Sousa ^ e 
Jacintho Freire. 

jtjm/^j voz própria paracSes de caça ^ quando pren- 
dem um a outro. 

j^fíkime$Uo de homens em jornada é rancho ; em 
omvecsaçSo rcda ; em Sermões , e Discursos Academi- 
4IDS iíudUorio ; em «spectaculos públicos concurto : s^jun- 
tamenlo de pedras é tnoniSo^ de peixes cardume ; de ca- 
valgadiicas rioua^ decamelos ^q/í/a; decSes moiitta; de 
cavallos tropel^ de lobos alcatéai de porcos íHxrai depas- 
aaros òaodo; de ovelhas rebanho :í de cabras /ato; ajun- 
tamento de cavallaria é troço ; de arcabuxeiros mai^; 
de forçados da gala chusma ; de sábios coi^gresso ; de pre- 
lados concilio; de hereges conckliabuloi de judeos sino^o- 
ga\ áe feiticeiras convetUicuh ; de negociantes praça ; de 
«liaislios f ou theologos /unto ; de cardeaes em Roma 
'Ctmgp^ogâo^ e se o papa os convoca coastfiorto; de mi- 
nistros politicos em Àllemanha cfiefa; de commerciantes 
em Londres boiça : ajuntamento de juises em Hespanha 
é comxlko ; em França ^ e Inglaterra parlamento j em 
Boma cnria^ congr^açâOf e rota^ entre os antjgos Ro- 
manos senado í entre os Athenienses areópago &c. &c. 

jílaeridadc não é o mesmo que oiccria. Esta é um 

snave movimento da alma 9 com que se dilata o coraçSo 

na cQQsideragio de um bem eflectivo ^ ou imaginário^ 

6 



8fi 

presente, òu fútiiró. AtMâ^á^èâtft^Iatm Hò Tratado 
do Perfeito Súlãado , cap. 4.^ f^ara ékprhxiír um Mimo 
desafogado ^ è imperturbável nas pelejas , e justo é cfÊtt 
ie Use. - . V • 

jílarido, propriameateéa vozeria nàsbatalhtis^. Vdo 
dos Mouros, è Turcos, que no pri^dí^ió dá ijtíejã dbas- 
mam todos JítMy Alláy isto é, Deus^ Deus. • '•^ 

Aleijado é o que nSo pddb uâar on''dè bráços< ou ét 
pernas. Mdnco é oeAropeado détilgirWa dáBindbii'^ àojoo 
de alguma das pernas. ' ' 

' Alijar f^ nSò altihar^ o «liávio dá minta càr^a> laa- 
çando-se ao mar , dizem os que bem fallúm. 

■Âlòjamercto próprio para- òexêreíto -, àsMm íbo&io^s^ 
pedógcm pata os peregrinos -, pousàiéki iiá'e»talagèiii' píftfA 
os 'pássajgeiros. Tem igàalmènte diversos hotnes offteeé'* 
ptaculos de aníinaés. O dos peixes é mikkito ; dks ãvci 
TÍÍrãío ; das cabras , ê outro gado c^rroí ; das ovelhiis* pií^ 
ra a ordétíhá hw^^Kt^ dos cávallos cotxlAai^i^; dfia^ferfi^ 
9errálHo\ áás abelhas colmeal ^ e oor^^; dòs |k>ttos judi- 
ei jjga; dos lobos com/; cios pamrós gâioAs ; dós pòtribòs 
pòmftaZ; do^ touros ^ottríí ôtc. &c,* De todas è^liâipafo^ 
vras usou elegantemente Vieira. 

Alquilar é verbo próprio pára èxpritíntif '6 Idlugti^ 
uma besta: delle Vem besta de c^/gui/e. Abha^seyliVérMh 
Vezes em Francisco Rodrigues Lòbò ^ e etti tD. Francis^ 
Manuel. ' ' : • - 

Altwe:%a'(íscòérba differein emquetffiít?^*h'iíièm*8éfli- 
-prfe se toma em mão sentiáo, cotnòtóbefbà fCÍfTÓgániná^ 
6 orguViÒ, aátés íbuitás veZes srgtaificasobcranfe,- Ru- 
deza de aaimo, e brfo. • » 

Alvoroço é agradável perturbação de ániikàb por al- 
gum bem que se espera. Ahàróto épiipular "pèHuAiá^fo 
vpor algum mal que se teme. 



$gaín<;nlf! ^e i9 (>fVitid<if, , Seçojlo jes^tp >juptqr 9 ^tflgg 
dito Wín«99 '- ;!fH»«íw jj%er/! poíesí ; pii^v» pff firj^. . 

Jv^stift , ,ç /ri6j*^áo diífejefla, .^pgtj^tía^ f^^^- 
cem í -í^ilW j ftcibpl^açQ^f ^ ,CR«»9. 

Animal^ bruto ^ /fim: flfi%mpí;é t^m? S^P^ri^;^*»? 
r?.q»f»lqíV5r^e^^:: ^tes<^aiRftm ^R^Uie-^ftu^ parece 

édo P. Benlso Pereira , nSo me agrada ; antes teâh)^,9 
f(m^\,;B íin^ jpor^uflHiT^SqíV^ ijqu^tt; ]S,%X^s ,qs divido 
^aa^ipffw^icqs ., ,cçMfH9 o cp^valto, p ^i^, ,p j;í^ , o. çíto j, 

Ml>.i:í^rp,,t%rp,\l9l?Pi> Javali:, «f^g^c. ^^arA^^li^ 
çqçi %9í09a)p^ffípri«4^d^ ,^^^^di^^ ; ^HgAP>1P?í í .^Wn 
ra o jumento; rtncAa ou relincha o (q&sf^ç y.b^ffí j^ xf\^ 

e a toapefirs ; gane o cachorro ; regovga a raposa ; ,çytç^ 
fí^kffft^fifijft^», OU i^t^iff^n. ,•■' • , • 

Teprehensivel ousadia. Neste, j^Jído né <qfie i|^pji.v^5.i» 



S4i 

palavra Jacintlie Freire , quando disse no liv. 4.^ num. 

59. Reprehendeo asperamente sua animosidade &c. 

jinnaeii é historia segundo a serie dos annos ; /ás- 

^08 significam o mesmo. Outros querem que annaa seja 

a historia daqúelles annos , que nSo cabe na idade do 

historiador ; e historia aquelles successos que elle presen- 

ceou 9 ou podia presenceár. Ephemertdcs ou diariò , é a 

narração de successos por dias. C^ronica díffere de ôyi- 

naes^ porque estes s6 descrevem as acções annuáes de uma 

s6 NaçSo j e chronica comprehende as de outros povos. 

'Memorias sSo noticias escriptás sem aquella ordem , me- 

thodO) e estylo que pede a historia. 

jíparentar differe muito de apareniar^se. O primei- 
» * ' ■ ■ • ■ 

ro significa ser parente de alguém ; o segundo fazer-se 

parente ^ como bem adverte o AUctor da Corte da Ât- 

dea. 

jíppetecer^ é desejo vehemente de álgúmá cousa êom 
mais curiosidade y do que necessidade, ou razão. Desc* 
jary é querer uma cousa, mas cóm moderação , seguhdò 
as circumstancias do logár, e do tempo. Este é' o pri^ 
meiro gráo do miovimènto da alma , que nos impelle a 
querer alguma cousa : appetccer é o segundo : suspirar , 
ou anhelar o terceiro. 

jiqfuaiico é o que nasce ou vive na agua , conío os 
peixes, jíqueo é cousa que consta de agua. Humor a^u«sò^ 
partes oçueos totalmente apartadas dos corpos , dizem os 
Médicos. 

jíHsiarchom chamam muitos ao censor satyrico, lli- 
justo y è imprudente , dando-Ihe o mesmo carácteV que 
teve Zoilo. W erro crasso , porque Aristatchò f<A' úià. 
censor tão judicioso , e prudeiite , qua! o descèeVè Horá- 
cio na sua Poética ; Zoilo é que foi* um 8atyricò''cttéIo 
de paixão, e de imprudência. * ' ^ ' ^'^** *^ * 



8» 

A^wada.é do exercito naval. Pareda escusada esta 
advertejiikcia y mas nSo é^ porque temos achado em algu- 
ma modernas traducções do Francez ^ e do Italiano ^ 
chamar-se armadas aos exércitos de terra ^ porque nas 
ditas, línguas acharam armic^ e armatc. 

Arxm^ 9 perfume ^ e fragranAa nSo sKo propriamen- 
te synonímos* Aroma é o cheiro de drenas , cuja fragrân- 
cia persevejr,a muitos annos ^ e para cheirarem nSp é ne- 
cessário queima-las ; como ¥. g. o âmbar ^ o almiscar, 
a canella âic. Fragr<mcia querem muitos , que s6 se.de<- 
vaapplicar.aq suave cheiro dasflores. Perfume é todo o 
cheiro, que provêm de fumo de aromas j v.g. do incenso^ 

alfazema, &<^* 

Atpeçto por semblante , muitas mais vezes se acha 
applicadç a homem, que a mulher , e também com rari- 
diade lhe dák> os Clássicos os epithetús de belloy gentil.^ 
alegre 9 ,e outros, qye mais convém arpsto. Diz«se com- 
Jini^mente iupteto melancólico, feroz , carregado , seve- 
^9.9 grave. ^ vej^erando , e outros epithe tos próprios de 
^Uem ameaça, ou atemorisa, ou se faz respeitar. 

Aucmhar próprio para cSo ^ gato , e alguns outros 
animaes que nâo tiverem verbo diverso, como o àéaco^ 
uir , que tem o touro , e o leão ; o de esporear que pet- 
iencfí ás bestas de cavalgadura } o de c^Mhoar próprio 
de boi &c. tffi. 

jiHOêtmo, nSoé simples matador ^ que enfurecido 
tira a alguém a vida \ mas aquelle que a sangue frio 
ipítta^pçT.dinfeeiío. 

,. jíss^tffr próprio, parg peça de artilharia, assim co- 
mo qg^^niçf jpara f eta , espingarda &c. 
,... ffín^&C9. jegundo Agostinho Barbos no seu Dic- 
f^f^^W.9 é |erri^r grapde , que fa:^ romper em desordena- 
das acções , e tr^eitos i e.por isso este/Auctor faz of- 



66 

àéif&>fàdo iftionimò de^ftd!étfloHiMAà<?d. Nàd èatfiâios por 
c^td è^pHeáçâò t chamaiíiòi aÉioníhtado fio qtié éé ferroa 
miifdà' ò sézbbkaté , è pasiftbukf âò ^è pférdè o iUo ddi 
iêtítidVSS^. Pof itfèthfaíbra , âèftio^ri? 'é tliâá ttamiraçao ^é 
enleva ossentidoS^ ètal o ihe!(ãíò i}trè pãinfôi étípáhttí. 

Js^iô é éé ptóptib <te teíá{5!o ^ òu dè lògá* Sagra- 
do : toúto é para lògar d^e pefeáoas pritil^giad^. 

Atfi^iaQdè' »âô é HtiípVéi í?nté/ddai?', è /yftífitóeí; 
iriá^ tyWfatfia j fe WUèldàdé feSéeásivá. J##foi èbtíitóutíti- 
Ta^Me dií-^é Btài^ dás cbtlãá^áv <|iie dâ^ j^ssoáé. 

^©fct/^Ví^tt , e a^%áo tfefíi tótíiWs {jbf umd tílèsmá 
eòúiiá. Em tígbr avareza é ò deÀiàMadô ambr dás Htjtte-^ 
zas. v^mòifoo é o desejo desordenado de honVfrsiiSb m^-^ 
tildas: BHh itaoitOl h)^t«» ob^^vá VfMrtt^é^á^âlffbrença. 

tó i áe deriÁíôè thátUh ú tt^tiÉ, qtle ém látito '«^f&Vè^ 
Tftíxi sbbi^ a diffeVétigá dft^ palátrâl^. A Qètriâb éOái ô 
tètt^po perdê-ãe , ó ^t^ibrf^dinenió tóíA' fátíUétàÚé iè é^ 
^bnefce ; pbfrem ú oHiú dlffrciltaenté fe% e*tfngu'éi B' sett^ 
tença dé ArfbtOtèlèi tfb «.^ da iUietdrí«â. 

i¥eiiíf^ é pro(!>tTiaineillè dfebidOMr ic>6 otj^éflt^ ^^ lon- 
^^ |jo^tO(}^ t^mbèrá bie tiâe ))õr ^i^-^^ tté^a f]iè9S^'^dJbli 
x^iía. . . . • 

declina para cruel ^ e por isso vem de sosini^'. 

A^tfHhd dff fere ^ bidMk> , èm ^e ^tè téih rodízio, 
e aiqUéUlí roda* ^r íbra ^ iolA^é Éadé. TMíbeib 6' nfóU 
nbo anda, ou com vento, ou com ag\ib ^ tio , e A^é^ 
iit^'ítoái agíia âé^Hftdb', qiiè^^tfiikldò ii& rèdâ- lhe dá 
impulso. ^ -* » r, 

J9â^fdf«o^ o fiik<y tfiA «Sò úÚ^iééSi de ie^lViiíftb ma- 
tii%ioàí6 : ^ém em i^i^òéb ^enlISÔ cti^a^e ^Mkf^ttl 
to iòkci96QA'%<MAté'i "etoíleirí : «j^íiHír «d qàfe rfiór 



67 

\pfíi pui c^rto : (uMt^inp ao w»?cido <ie »^ a(j4iMwft í 
inces(tM>fio ao nascido de incesto : sacrílego \jfçguuào ai* 
gWà] aoqw ÍQm Wi ^ac^r^pte, ou iiiíi religlpsaj mas 

JBatc^tiÃq , ^ e^^^^d^. 19^ ^o synoçíiínqs ,. comp 
«liten^eu certo |j?4rf<er<ip/ Oprin^eíro p iiQcpo deçavall^- 
W> 9 fÇgundo ^€i,j[ftfai|ten^. Ppr^opde i^fíp pc4ep)os di- 
is^ y ,çoní9,ííí*ena ^./r«)pe?í9^ vM^M© í}fi infap^Çiaf 

JBaxe%a é menos que vile%a. Corre a mesma djfíjsr 
íWÇa.íqji^ ba iWíLr<^. I^o^^qi 4e h(m<^ , ^Jie.,t4/.condi- 

^igfl^l 4^-.íWIQr..> flM^s .l?U!dÍoí> :. o s.eg^^dp .^.ííepípas^r^ç^ 

de amisade, e.(i^:«^^á#/^ Wí«1w40íM^ 

M^ ^ta,tógQTOfea,díjfifer,çne§.;,,.f^ ^tinos 

bo, a lU^f» i ;^.;^ Jp*ç^iÇÍÍii#. Tq^Q9r.9 SRfP^ )m^^^^ ' 

<^p^qÍ^sjg]U0Ut{a4e9j4$ ^«nt^. : Twto.>se aflpl^c^^s p^^- 
soas, como ás cousas : l^p/^q das ^utes ., (^93. ^di^cifi^j, 
Af\^Mm^^Â^<^>x^0KmmmPr4( ajpqTf^í^pi;ç|?oj[sãQ^C[ue per 
-IÍ5 e;^tr;^:isi,,, »j^eí» nâípi.^<$ .^M<Spe^-^9 Í9tfp > ..Ria?.^s 
outras partes do.«Q.rij>IHÍi«n>WP>. giwdí^B4oo«gia.^factA 
UW^fttrift^ftjjl^fpigaQ,. X*Jl foiiUj^pft €y^tre,pí5.Çirfpgos, e 
Dido segundo o delicado retrato de Vii^gjJUg.jfjfp ^Vjas 
í^^}mmV^m».ps^kil^fkMt'.. JD/e ffl#n«|fa, ,<iue,^i(ormo- 
sura veid^deir^ cqfn.p^l^ade ,fim .^i .ft viveza ,;.e dOTaiip., 

%, a |opiosufv9r:arrebala ; ,^ Mll»».Á 9mft;WHB?SíP .^^^ 



creattira perfeito : a formosura 4 uma id^ cb Crirador 
S^ipromo Ag. 

JBdlieo 9 e bellko$o nSo é o mesmo : o primeiro 6 
cousa de guerra; o segundo homem inclinadotá guerra { 
e pòr isso nfto se diz com propriedade bdkcomê tendei- 
Tas j mas òe/fieos , nem beUico Império , mas frfCHoaK>« 
BeUSígcro é o que se pôde appliear a heUico ^ e a beític^^ 
so. NaçSea belRgeraty ou bcUigerarUcs ; beílkgero esCan^- 
darte &c. Em Poema é que não valem sempre etlas re^ 
gvas. 

Mencookncia é aquella espeeíe deamc^, aã.deami^ 
zade com a qual extremamos a alguém ^ para lhe faaerr 
mos bem. Benignidade é brandura de animo , e iasUdar* 
gao a £izer bem, v. g. Pedro teiti bemgnidade y ílias a 
meu respeito ainda nSo tem benevolência* 

Bem movcU em rigoroso sentído são aquelfes bem 
que de si nSo tem movimento j como jóias , baiitclas^i 

« 

alfaias &o« Bem movenies , s&o os que pèr si omaibos se 
movem y como animaes, escravos &c* 

Bicho Bflo se deve appliear aos quadrupede» y mas 
aos insectos y que se criam ou na terra , ou nos corpo» | 
ou nas arvores, ou nos fructos. Dir-se^ia mal bictlo*dQ 
maio , ou do bosque , por fera. 

Boninas nSo são todas as flores , mas das. jsaaí» |>e- 
quenas, dalicadan, e. mimosas , que copti uJSi leYe mi- 
mosear logo peidem a galia , e betteza. 

Brandir verbo próprio para lança ,' quaiado a mo- 
vem para attraré 

Braveza acKo em Vieira na aceepf ão de feresa , b 
òmoosiilacfe na- de arrogância. Tom. ^^ pag. 79.- 

BrinçoÊ por adorno^das or^lhaa ^ nSo 6 tão pioprio 
como arrecadai , palavra de que ainda hoje usa tdda a 
corte. jMfUpo éjoU4ojgí^^t .r. 



Í4 






CbMIfotqtiarafkr incultos ^ grenha , qutfiidó^oMiiprfdos, 
not homens gaddhas ^ nas mulheres madxAxa^ ; qúiidÒ 
brancos eoBM. Nos cavallos sSo cHna ^noslefiés/iite) ou 

oamÂ^m- linguagem poética. ' ' 

• • C%a, se é de veado» , chama-se caça de t^a^ão;:se 
é de 'feras monioria, sé é de âve^ i^fa^eH». *'A^lm o a«- 
chamo^ iempre em Fr. hnXt de Sousa : Veja-se o 'tòmi 
!^.^ pag/ftW>.*^ Para outras dilTerenças Idam-se oe^ clás- 
sicos que escfereram sobre esta matéria. < 

Cadêa : do religioso diz-se cárcere ^ para o ecclesii»- 
tli!ò'a^'iiie, pava o loMado calabúfago^ pam'^JadlÍo en- 
«dt^i fMira o fidalgo í&rre y porá os forçados gola i plua 
as Káras serraMo ftc; E* disUncção do P. Blèiteauv 

Cbmponto oque vive no^mpo, vnofiidfttex cio moo» 
te 9 serrano na «eivvi^ oiMeclo wMoJdta^-uliúafgem^vm^ tes^ 
ç^iies I JUrfiillda no en^io^i soM^irlo no Ariiif^o séaÉ^com- 
petaAriay onoeorefo jtm to coift outros; 

CSmAito é branco mais put6 e soibido y que ahmfá. 
Cândida nevcj alabaêtro &c. ' ...;;' 

Camvknia i eanioret , ou éatUtídãra ^ dé*^!» lisa Bar- 
rara na Deead« t,'^ pag. 149. col. C.« nSo são synonimee : 
a' primeira^ 4' a mulher que canta algumas ir^tcfs ^ e* a si>* 
gunda é a que tem officio decaular ya qtlè hoje cbamia 

•r< €bH«lâs'ptopffattentè 4k> )aqueHirt(> demonstraç&oi 
alegres de affecto, qtí<e motftram'&9 mBfâ aos'fllhos;> « 
oer filhos ' áe ai2is.' ' ; >> * 

Caridade em rigor é com os po&reâ e IsieeeMiladoSb 
Cb/i^xtiúMk^á que pôde ser com os íiNaIos'. ^ 

Cbf^r ^^ró^amente èk&Mf' arrtehandl^^ a <âinie\ 
;A«itei d achan»» seitffláe' nos^ elâssf cot y 4 miritar vetes 

Catadupa estrondo laonówêo^^* fyât éMtlè^ d^pe- 



id^j^dof^ d^uma allúnima r^lia; é v^pij^^^ia ptrque 
as qi^éda^ «^ifondofias de t ou trás agidas de6(>çQt^4as ch^r 
mam-se caiar actm. i 

Catadura y aspecto feroz e íira4o* W teriQo.^iiiitigo^, 
Q por moHo exp(e6sÍ¥o 0'Vis# fieqMOoteiiiêatQ Vj^ir^. 

Cavailo y SB tçm c{^r grafite a vçrmelhQ , é ^h%ik> i 
se tcmaa mãos e pés braacQs gtea^izZi^ia; «aói^usso cor-^ 
£2âD; se iodo mgro mm^^hy mniÍQ é hemuf^XQ andrlf 
7u>; se é castanho miiít/Q $èhkfQb(i^.i 89 «^de çâr mislu» 
js^a.deJbmik^o e eaataoJio ro«iiJAo« Os.ptitilis.i&oia^íei^ que 
Ik^ 4jijLi«*Art9 de C!€^:vaUaTJA ^ iacílmeiít^ se percebem i 
porque ;§fto d^core^ Q0]:ih9QÍd^&, ççmo^Tmli^j ma^hQ^^ 
brancQiy4Wt4mhó^ proi4Qdo p r^rvmdff^ &^r -i^x, .^pl^Q 
Á,çiiyaUo 4iie\BftQ tem idade de servir f pMf^Q- P /tjue já 
pôde ^Qfl»e^ a trabalbaf ; ^^ndtàrQ q ^\^, q|^, pr«s(a ^ 
nem pQk 6gftf^> mm .pelp tr^balb^ ; fm^oqike ^ p^r 

queno de corpo; roçvmiQ qv^ é dç servigp) #.,Qãp<^ fâr 
oamS' /^¥^ ^o.q,ue yi&aí^^ de Jipl^wdia pa^c^ «^rir em 
carroagem; egoa maninAa é aqueL'jauQ09vpp^i^9 neca cp^f- 
oefc^ ç-^orfKMftA é a de.pofpo pequ^p. ,. e4evA9rvJ^o de 

caiiQrpQ.. >...••.■■ 

V .CfifUdaphiQ é uBi .^Qp^ilf^K) J^Qaerifmo^ ^eppi qiiAS.nSp 

j^'i:}Qrpo ; ^ iiislo di£ff^ de i^i^Ofuiq^t^^ : - ,, .: >. . ^ 

Charlatão é o vadio que anda de cidade jB^-^ad^ 

yanÚÃndíQ-e encarecendo, lepn^igçw^^s >fifilavxa^ imaga, 

•drogas mediQinaes;, A^ng»^^^ .&4i^ 

Chocarreiro , e gracioso sâo aquelles com c^x^açíx ^Or 
dos «om.bfifB , e «eUe^^ da tpdQs*»faf^^ zpfi^barja , doendo 
graças, e ditos .agMâosp ;qi^ pírOVQCa/nia. riso. Y^m-dp 
ver^Kx lçLt^p:^/ciçar^. J9o^A\é p^çpriifipaeft^ o graai^so da 
•cofflaedia .| e deriv4N»6ieade»^;pp^'.Qif^>Gai)QO.oJ)çg^ 
e estólido. Louco ^ e doudo é o mesmo , isto é^AqueUe 
jqi»e,perdç: <? Í«Wí?? eficou 4CK>]a,J[|ui(s|dQSriatttV4i;^ 



61 

Êí parvo vai ottiasAio ; isto 6, hammti sifhj^las^ qte na 
idade ttotnpeterite nfte^ t«fiii discurso. Ou de un», mi dté 
ottros , dos qné vão apoiiiadds ^ sé «offipoem aquelk» 
classe de gente chamada gerâílmetités^t>dfi(%*âr^ cfuêteitl 
os príncipes , e grandes ««nhiffes em sea$ palá€Ío&' para 
es íditeriirem. 

CheUnú éaquelle qne ptúíMneim aspalaviM eomo «« 
tmraài mUilos iá. &agú é o qii« prenuncia com fabà 
dete^t^s. '.fittOI/cknld i proprhkmettte oim^niâo que òò^ 
mb^aQd0>a fallar pftmuAofa aspalavtas imperfeitas* .Tb^ 
taro é o que troca letras diversas em ^# ^ oVI [segando 
eu4^a6^'4y.qae>é Hkhfo tta proâuliuiaçikK i 

Câmi^ttrtra ([se{t«n\ÍD Varella oti Numtmyooal pag) 
5Õ6] é praprío de Turcos ^ ou Persas. Aifúfnge dn Mou^ 
rasi ^7/ii4arr«i tem « foUiá larga , > e 4<$'mtío para a pon- 
ta vai voltando^á maaeÍ4ta d^feuea^: xálfim^ tem a fe^ 
Um cUreita. . , • *• « 

GIoto ife'die pmpríMmente da^uelley c«jo;oiume ifi^ 
cede do amar, e aftoda emula^^ ou- do nimio^ desejo 
de algutfm eiDUsa. Bormetaphora é t\m pôde adihíttir 
màiB alguma liberãlide. 

■j -r &po 'em >termos preprkis é iHSia jjjbequena. cKdumna ^ 
ou marboy em '^ueise <^at^ta alguma iDecripçào , para 
pecpeluar nas^sepultunàs a hKânòria de alguifta eoíuísaw 
Tasàbam-é-Jtefttio^lirdiiirio para; «jr»obiaH> de tronco de 
famlUa. Ooni a prameiia ssgmficagS^^ ojadianiçíá sempre 
aK> lUvro lénJí^ttèciotfm de ÍÀ»bÔQ. Com a eeguvida n^ 

Csrco posto que João de Barros na Deúmi^Si^^pagi 
iildioo trbga ptMJcwimhj aiim prapria ^8Ígiiifieo|ibJé de- 
éò^w âs^^díversas :pfw;aisi mealares ^we- teve Roma) , fÀw 
a pomposa i«pre«MHafllo ile ^us jogo» ., «bamados poi 



dmlf e 1180 cMea sedis^efiigeval a tudo o^ae pti^ 
Unceva eidadSo. Qtnco.é só para coroa de catvalbo^ tM 
azinheira 9 com a 4]ual o« Romanos covoavam aquelte 
que salvava a vida a algom cidadão. 

QèiMaic f « ^M em oatio tempo foi emtxe .069 e 
contradictorio de eítn/i^as, e cMRi latíno; i»lo^^ signi- 
ficou rmikidade ^ e gtoHoria por tifftitde da figuna anti- 
frase. Veja^se a Chronica d'£L«>Rei D. JoSo l.^^ pag. 
19* 9 e nSo menos a Joào de Barros , Deoad^. 3.^ pBg« 
ftlV. , «o qual ainda seguia D. FraoQÍsoo.deiBoxlMigal no 
seu. livro Prts* , e so/lur« pag* M^ 

Clarão não é o mesmo que oiorklíMÍr emgeial.^ por- 
que é uma grande InZj da qual se n2o.Tà^priilci|áo qua 
a ptoduaa^ mad s6 os extremos^ ou os reflexos* ' .* 

^ Obresui por claridade da la2 oAo é pniprio* Dis^a 
clareza da vista , do discurso^ da aobresa^ 

Claiuiíear posto que em rigor seja o mesmo qaa 
€oaxar , não admitie Vieím senão no sentido ^nsatafori- 
eó : daudUar na amisade, no amor &e. \ j: 

Gêmaiíie em sentido rigoroso não é [como^ alguns 
imaginam] o mesmo qne pUuAdo. Homem : que «wk^ 
guem òffende é dgmomic : homem affavel pua todos é 
plaeido. Gtemente é próprio do animo;, pladdo do losto^ 
JSsta díffcrença, queé de bons Auctotes ^ nfio^a 
pela mais segura. Ckmenie [quavio a nós} é o-qve 
pêra o rigor do oa«tigo , sem faltar ao iek> da justiça. 
PkuÁdê é o homem fadl eeá seapplabar^ ouem appbh 
car aos outros por meio da affiabílidadia dàs palaífias^ iC 
do semblante. 

Cobiça ; raras v^zes se toma por desejo des possuir 
cousa boa , por isso so os^ «eus oommmis epifhelos são 
imackiee2, duordenada^ isêacoíkia^ dmtnfireadatBÇií-i y 

Colgadura , o brinco que se di por ocoaáift daai^ 



itm^ Vêm áoCúitdlbáaò^c^igãrf tòspeiuifr ; poiqàe era 
QOfitiuM. antigo lançar um coidfto de oufa<o.peMo^ ^ 
^ttOQ^ faaia annos y on pda mMios itma fita. 

CóUoquiOj dialogo contcmrlio : toiàHjvào SsàlBor com^ 
úgò- mesoiõ ; frequeBlemaiile os ignorante», o. tomam por 
uma mesma- cousa. 

Coifyfio r é remédio pertencente á ntolealia de olhoM 
Em sentido nSo rigoroso . se tomou por medicamento de 
Qutioé males* •' 

f .Cbftmbi. terra povoada de novo; Tanilsem se toma 
propriamente por gente mandada a fiaxer nóvapovoa^fe. 
' Oohmaé rsgoiosaiDeKte um corpo tlojdto-^ que em 
eerto modo -perturba a» visto ^ nSo podendo os olhos vMo 
todo de uma rcB. Por isso o§ anti§M chamaram colosso 
4 grande estatua do sol em Bbodeâ, m ao desmedido 
retrato de Nero em «m.panne de cento évinl^fiós de 
alile.. 

QmAatc de duas pessoas é de»^ : de duas , on;de 
mak òriga: de dois exércitos frò^olAo : de parte do exerr 
eita efcogriie : de mar por espeotaoulo de^Vertimeiíto nath' 
inoçtisac deihitaderesiiftla i os oombatentes nos antigca 
jogo» Ore{^, ou Romanos chamavam-se othkk» : se os 
jogos eiam depúnhadas ^ o se« nome er^ jMi^fo : se de 
-armas deierro gladiadores : se se valiam^ das fer|as« <|c 
mBosoipèsy eliamayaan-se pcMseroeios &o» 

Gemidos 9 termo próprio para explicar oiyuntameií- 
to do' poib' Romano na eleiflo dos Mag;is trados ^ ou Bft 
protaçto das Leis.^ Achaa^os usada esta palavra em alr 
guns livros 9 especialmente nas AtUigu^dod^ de Xisftoo^, 
-pag. -4|19à 

-: CkmAtm nome pvoprjo de guarda , que maada ^r e 
castigar' os iorçados', e lemeho^ de uma gai^» Já o uso^ 
^nini derfimaos na Deatd, %.^ p«g* 46. 



«b aJgiitta .fx>U8a , eBerifaita jetn lestjslQ lúmfdeaj • > ) > 
Commodeáè f.àetmo ptapéo iogen^ ilsicausa qme se 
«agipresUi^ e se hawáe. ceilituir «ia ipeaiBa cajoi^eie ^ )toiiiô 
r4 ig*. ivma i joía ^ um ca^l»^ 'fcc* Mtiá^io ijmlo joonlictjm 
é o empréstimo de cousa que não se raslilxiA uia mcaona 
eÊftmey eòfeno dínheinot, vinl^o Aie« Vioíca :U|0U)Je9tat 
duas fudttyraíi noito|n.<8.'f' pag. 18>1. 

Companheiro : na milícia é camaraeía .r ooincfiçotJD 
Msk> : tno mtmdiú o9nducipulo ^ a» ;Míi]iBtt9sio^ildlitico 
etl^tffa^. qaaiiarattça ap-ienfair»: 4e-jGfEMiie«aieBainoi|i«R^ 
aorf :'tn06 jogos |Mirc«ino}: ao m9^xmnálè.xofmolíét^Ma. &c. 
V > G>aipiiai{p4o >qiMoem*an^iiiM quetB&Di^JB>'0;BVMmo 
«faeíooMnpé» 19 >d»eQdD tser.cQfnyiia{a&) .um ja§iegado xlè 
obiats «le>di<¥ef9»s Auctorès sobre ^uma BUbteria y*^MiOf#&» 
ftÍ0'O fif rc^ob de^^varias «oun^queise- te«r £dd. 9 >e ifto»- 
tado V. g. eoUecçâo de ditos, e senten^s &c. ^ econijflô- 
dbftfa deileis.) je X!oÉeílios4&c; - • t d • > 

GM7^íátqs9>àia inftoté.syoODisko doiqualqn^-^oitoie 
-piater ; immié gQiAo<.ttom ;mdade , fwdaéaraa ,iboa ofô^ 
a>ião i|uo>oadfi rum itcÉ» de si. íNão^tiQssappomos ia.eHa 
fvKflUaoogíbtjdos rGcaHmmioos i, «e iftoaso tfallHn* «dn «qfn*<^ 
flUaoeuctarque cada-mm tem p^ra:0Qitt$igp4iieaan9'» «i|Jb 
•{iam;«Qm fos.oittis^.^' porqtte:etta entSk) . ^yal. oitncsmo.que 
o&seçuío, donde ;ye» i tio t tyj^ gar -opm lO^giigiw^y :Í4io é|ii{ih 
afip-lhe ;o . gosto e vontade. 

': 'fG^r«fllw>.,^«oiisa^er|iOiieie ean^adaremradmi^o^i^ 
pairle>ÍQl»i36r ., fe'*eoBM»o a^fatte^exterior f4èí»lii;«ie«wt 
,oouMt« A> aiipeirime« eclenmi deititmiglobo jé^«ofiv(v?a :; i5> 
seu âmbito exterior é concavo. Na língua laiip^i *Bi|t&|i|^ 
Texei ae .«onf uode cftia dfelJ0a(^ yier^cMni o-mwaA^loidè 
Viigílío , quando. disse- : jjRcuiít. afl?â.o(hi9«n» • (ttMiry ^e 
alguns AuctoreiJ^iugneiíei eMukloteittac^btMiíftMi atem 



•o 

«onfoadido»' O» exeiktplos Imíaob neslft anrtsrift 3ifiio os 

defendem da aenfura; > ' < (' 

€bnccp{;âaé a «ètual «reppcsentaçfto de: uma «ousa á 
ifectildaée 4ãWlleetíntBL , ou « oeto de ecmo^èeriii^Dtal- 
wtote aigufiía^coMá. O^miAj^ énlar p?iQotpk> áJfortnm*- 
^jíbdo fèU)^ fV)8to qtie etii ngor imia e outra coo9a'8qia 
« ttt€»iiK> 9 ddtti t'ude Vieim mmea^ÃÀsè : QmscetjMto^i 
idéas, e concepção da crealura no tmflre.Ds^erno') >dON> 
t^^dirfãtíi os out]'^^ clasísicòs maitr aaligd»: 
' " (iínj€úiuf*a' <Slfete de 9?{spei#a '6K& q\iB ^estavfie fâviiia 
etti*:raiídâ8'%éftu«s^ qtíè feidilmefíi€e^8efaMfk»m-) e«^f««i^ 
ia'ètíi ai^ihentoa inais fertetí e v«r<i»i!iieí$; iCbi^^tofa 
-éíndkío de «ousa occulta', que buem* a^ t^idade-por «í^ 
gnaes , e razoes : suspeita é ténue di»vkiii*de álgvUra '4SM^ 

'8E'itiQ0ís;âita. . . *. .t . . .;•. .... 

> > Cbs^'<tTâj!A» , -e t;è»tâj;if«rj^ 'tétndMfef^nçKffliirrígà^ 
4iiib^^entfdo ; porque cohjurttçSo é titxfa tnaifio dern»âite 
pessoas jutatnéBtaáas para a^mort^de «m ^Brátitípev íí>4 
para a ruina de um Estado. Conspiração- é isto mesnor^ 
Mis denl- jihtaitehAo , e*46 &mL «fuiuso «oti«fiflo. YTam* 
âsMn áfe tcttna -^etti ix>nf '^^ntiãd ; ^cMi^raçiieK>ièuiiiÁ^ »'U 
* «âMcrr^^ , 'hoitne do anifgcS^ifadof^^lomatfOi, ^tíu 
>fiít^pmj»riimi^títé^db SefXiadby féhto^de^^fov^p 

• ^cmòlaetór é parct pessoa 2 {)oH»(0Já^€V4i^ 'pâM 'èDli9tt): 
homem úomofador ; earta cofísofcffórkl ^ e^ãti^Diwote- 

dMdrtey qoerem aljTKntf crií{t5ò^, ^^wpètMtrçermàil 

A4^tJti«afttèáte'á'midter.Gasfa^ , c^o^^Ue a'^«i «AarMir; 

porque dizem^, que eHa^xiòínòHsu^íèa aV^^tRWWi ^ ^«^ 

^^iMiptttUéilbia aa^èorfè délte. Ainda tifto^ac^aiMis^s fun- 

'^toinétitos ^^arar^iB^^aistinVí^ , "pèíMfeíMMto^a^Aildlor 

iSll^êo lV>f^tu^tte2. • f ' •*'-• •'- '^'í* - -j'.-: •-' > 

'^^ t uGAsiM^iwf^ tiifM 'se^^ie*re' ttllll{í^ pof «fttotrilwo >dè 



tremo desalento , cmedo, qualpq^^,s^f;cç4^ :l^lVf^rv^«i 

^. . . Conmhr é aquelle que foi Cqq^i^}^ f nfr o^||^|[|le 
{}I99«bU^ a,^. Njesift equivQCiisio çrfup ç^jcjp, J^^i^^i^ofQr 
moderno , chamando Consulares a Roma^^^.qi^f^ ^Ç|t¥tf^ 
mftfitfie^am CQos.uIje^.. Dignidade^ Qrcl,^.^,9fAgi^trado 

Qmmlar fite. póde-se dúer. , , , ,. , . 

QyntOíiamí^ta, f, e içon/er^p^ 4ÍMe , * (9*tov^ Qçtfp. -gffMlr- 
de carUcfUagoMníQ da tua ch^ga^a^, jda ^,|^)^g|a, i(j^^ 
4iia9. lourtuous^ &c., £ e^u. con^ nm cf^^,jE^Jx>^nto ^ 
^ bqmem de bom <:o»<c«rfa jJlpvç^nçjn^^^gjyJ^ ^^.^ijfj^ 



»< ' i- ' ;.' • \k] 



do rigoffoso. Continência é a virMi4e,, .tC«^^ fl9<4 JUff^ 
al^t^tllõs^ -íAíífideiqwVlMerjgpstpjíui^Hí,,^^ 

^í. Cbti^ifiMO se diz.de ams^pçnflwjíç A^^uri^^^nQ!, %- 
4#rrttp^ C<Mw^^»edi^4Bq^l|^.i}9^ 
4ira<w^<^W» com. outra» F^brct ç^fl^u^^.^.^ç BlMM^e 
:4ontwiuadai moto aw<ií»wQ; e lii^b^qi pç^r^j^^f^jj^^^dia^n 

GmârarUv^Quíe em opiniões é cfi;ssj9^^ gr A^.fP.f^Wa 
Ii2a npo«»eii: ^ty^ eipulos é,Qj^«váa;^^,fe9^f^^veBPWSíi»i- 

£i^tn«^ .^ ^s.flfie ;sUqp)^ Jf0vr'^,i^,z9qsgíi^6 
do,^|CiK>ii^flc P>9ft>i§IP 4N» pÇftC!ffi[ift>;nJ^«^to^lttft«í- 



9T 

íírfe^elife ètaCiécro vMíer: icOífeiítlifa irSo s6 ikm iti^ 

Conecncubfi *em Júitó é tòniAòtò'^ èm' AYgitftt«bto 
ÚlXíSbí' WTttíúiSéco Màifuél di^é nas titias cartas: 
^a€bihÍão ektaii pot minhas raisôes, senSd comActo no tri*? 

'- '''Cbnti^oHèilòKle etii' ópfft^ é icftMemãd / na foirtuna 
Àão revetes: entre emulos é oppost^So. ^entt^'ad tersos 
íHíiàtibdè e^oiHo: no génio anfipatkí: eníi fázér alguma 

c^-»' CbWuCnXícítto, •pbitóa gcíàtéjunta, que ittaq^fn» ai* 
fldiaií còUtó^febittfaí Ò bem âdi particulares^ ou daRepu- 

'^k^^^òttV^tf sijjfáiflca f^ uhtátnento dts* Mtfceirtis . 

Corça , espécie de cabra brava y qúb tetn al^inft le 
tifSlfiflS^*'tcmo teàdò: o séii hiacbbécori^jMrfm co- 

í-taiiiesrtiatlfefl^^ifefgiliá do R*í :* ta*fa««* •se>dÍ2 dtó- 

'}mía i' pUH^^gdfosâfcíiente faílatídd átíiâettíà é aifH^ôik 

antiga banda^ ou íaxa branca, com que os Reis cinglMt 

V éBBe^'> CkMfet tJK «òrés 'é ddpeflb : de lúúió^ tálí^el , ou 

^ÍiiâlWynbi'^tkib§^2^ àGr&i^; 0è míl&gm9ib^ 

^^KUíiW ík>K>tfraiki òs seus líõldaclois com dtvei^sfas c6rdB%. 

-'^^Iriwiíífaf^tto pritoclpioera de louro, ê dep6is* foi de 

tíâi^^i^lk oftiUBoml éra de grama, è se dava' ^éftyCkbôí, 

que livrava á Cidade Vle^aljgtàn a^éKbi \k'ãf^(i età^ãe 

^Àti^)hb'ou ásiiiheítò, e a d^va o cldácHlò^líbèHádo ao 

^èftMino' libertador:' a Tmimí ers"de ouro, c a dava^ 

^fátâëirib V)tíè priiitt^ito escalai osnniros do iirimfgo : 

a cat^rensí^ táililbém' ttú de outo com ^n iá^iijtiM do- tftt- 

àft^M^^stadédáV "te «m yrielfa ò primdib qtíé^YQthfiià o ar- 

d^toSlé^ fiiimf^^l^^iatM!il ^¥a' 4gtíafiMefnté 'déottMv^^ró^'^ 

--ifftABl^A^idâJÍ^rS^dé^^hiâKíos^^^^JdÀ^^^ aá'qfalè' ^íftatbro 



99 

41^9 jft .usava»» icWIft. i^ |riu,4>f^^«* tl<^:pf!fl»u#fH>fr ^iwa.-x 
fos : a okaginea era de oliveira , e 5e (lava iq^fiJlçs.^UPi 
tóm «^ l*rfí».*<í|»»íí^ ft^ batfiJhw , .f!onseg|^ifí{9,. ftl glo- 
riai dotrÍMnfo, Todas ^s|af ^iff^refiç4§í?Qafêij|patí?r, p«n 
ra ee es<sr*wr «oqa piEoprieíiftdç. . . . . \m . 

Coi rente de ferro é propriamente f)rifftQ poli^ ÇJijíM^VlT 

ra, pescoçp 6ç.c* Grilhão éf^n^ d^pé^s ^Ai^finiia ffe mãos. 
Coríeíiia AOS priciçip^à. é ^ni{f^l?|p ; n.ft «UÍÇÍ^ í 

Co yarcíc JR%^ é ' tmvici • pw fr^$(> , ^4^ d«§aii|síi^^f^ 
iMDte tímido p f r^eo. Hqp^eoa WW«- c(^\H^^. Stí*^ Jiinido 
66 acha.inuUas y^t^s «fn Vi^ir^^ ^ara oprimir aqvdle, 
que Da« linrtetinytau^m» ^ I^rígQ tomoi • pi»f ft «i ^ s^«^ 
roa^i e.c^(fe do^ pu.tr<^ ll.l)QQrfi. ;. 

rigorosa crime é aquelle mal capital -.^onda .^:1^U djcr 

^einas^cni huniad)0»9 com o qual^e ^Keqd^ gray«iitt,^te a 
IU0« «já*repf^i(vir optpo V. g. sfiip mortes y (aUida^dfi» • 

tP t^QipartíQUlor e.nSQ ao publji^p^ y,,|. ji^inyirj»yQS^rr. 
to Iccr Pi?/ i«5o .d3o ^e çhanwrflío fçoa ^ig9rm^. prppri^ 
dasle. dcs/ktei aob prioieè ílIç. I,iesanMcig«^«ítoi JdiWoiíi, PH 
Imnif^pa, « oijUos,, em <]<4e a Jm^Mi^ .fP^aQ^i^ffendídê ioit 
Q^^eiilj^^a^meoto. seínter^s^a. Pu>^P%.4)]?r$«% f}ttfí Qi;ini«ift«n 

jft, cwípa d« copiinipsSo , q iWwío.íía lOfiÀioisi^Q- : > 

CífiínirM>«> : do ^Qbr{^ii9 se tjpa , Qiie • «te .naiiieá 

mMs grave que q â^, delinqíHnte ^ e q^È/e» InUaiidp In» 

rigQr,;^ nâo d^^v^^n» cofvf^^dív, Aadm.i^^^m^ 0^ ÍUtAÍ09t 

doença^ Q^HpRl» tea»^ pu.piíra si^^imfeimp* n » 



od 



t l< 



<rrí><ftM^é'4os'propr(a'*6(>cor«^/«b^uild6 n Arte 4i 

Cn^eMeídi Ib€í^s tMttt» propriameiíee êm bom«tl^^/t^ 

ressa dos homens e das feras. «... < , » . ./ 

CkMura de urvat 4/^>&H^: de <?tobft^ €fift0^, ou 

CwrkMleícSMfe em 'rigor nteé ^'me^nô qué e^íudio-' 
Ma^^ etnte^ í um ddftovdenfidof^deserjõ de vér, ôudescb» 
bdr coaiai novas j ou ^(la' nSo sSé uleís ^ nem HdeesêCk 
tSbls^ ò ^n oppbsto é itegtigíiMéa» S6 ém^ «eiitido figura<* 
ddéqutf dtiríosfdakl^ aXo á' vicio. « : ^ >> ' ^ 

Dador e doador não é o mesmo em Portugife^, <MV 
mo é no l^úm dotêr. Doadên^ é o que faz doaçlô^^le ai- 
gupia oonaa 5 e é termo f(»ense. Doiad&r 4 É^pl^s^mmé 
o^*4qUe 4á qool^er cousa. Détts déicfer de todotf ois b<m» 
&C. dídam os: «o^wmt melhov^s classkov. < * • 

JQiMhHO á )>mpriaiii«Btè))«réí«'das<!0«tâftifte)^^ 
pie»i: 4€irbtM7vl<yiéfMidéoerdimí«ittl^ iia«<«Kei»tias^u5ei^ 

Decok»': t^rmo' próprio para asar^K^res, qu0tidd:lMi^ 
ocnplbmos ra«[iQS. Na Artt? da Coça^ pag. 76 , também 
se applíca este verbo ao tirar as pennas ásav^Si » "o . . 
^S' Deúfeóin^raõ 9- dècré^f^en/uto tomado por etí^Mmáçâo y 
temi Kia dfireysa «appKea^tto, se Mnvppmos ^\oi^texs^' 
de «lgui|6 oriêicosi Q«Mrmi' quéi líeeriínwn^^rviÉ ^=^aiJ 
m ^ lua,' pois qu* è6: pai% ^la. é pfopría a piílavírtf 4m 
ei^sm<f«ft>, e'ú\mttL qu0 éi<$^«cii»7i4$fvf^ ^ para ^'^imfiufçâo 
dé» tudo o inafs. ' • . • - 

i>écímiaito vai o mesmo que decimo. Vi6imidwrre^ 

vémdo «má U^ÉHéP^ixtcy tom.tP^ pâ|;'; 306 dis !^^*Quan- 

èõ (Véfa» iiottdta •deGÍ«yi# y-^ií ééhmiè^iM Sus. » Aponta es«« 

tè^MelfrpIo, paYA' mostrar tttni^m çoatm aljgtifis ^seiui 

piiièis^ intfdéfdos^f <|ue «na pi«lafva')é ponu^tiMa^' ' ' 

Dec;ki:t|?âs^ em ^ rigor não é o oMMfií^-^fM ^uigtai 

7 « 



too 

ção *^ púvqvLe' cofuagrar é fazer sagrado tiití logar qtte an- 
tes era profano ; e dedicar é offerecer a. Deos o mesmo 
lógar já consagrado. Para o intento da Igreja dedieafão 
Tale o mesmo que sagraçâo. 

Defraudar nSo é tirnr simplesmente a alguém al- 
guma cousa, mas tirar-lha com fraude, injustiça é engano. 

Decolar nSo é propriamente o mesmo que dctcaht" 
çar. Este verbo significa separar a cabeça do corpo, co- 
mo se acha em Jacinto Freire, pag. 395. Degolar signi- 
fica matAr com golpe na garganta, mas sem apartar do 
corpo a cabeça , como diz Blúteau com os demais voca<* 
bulistas. 

Dehbbro , palavra usada dos poetas , é pelb nosso 
traductor das Georgicas de Virgilio, nãò é o mesmo que 
templo» Os romanos deram ò nome de dèhbbro ao tem- 
plo pequeno, ou a uma' parte do templo, como se colhe 
do logar de Yarrão, que diz: a O capitólio dè utíí tem- 
plo, que debaixo do mesmo telhado inclue três dieilubros, 
um a Júpiter, outro a Minerva, outro a Juno.» 

Demasia vai o mesmtí quer exceÈso^ e ménos que 
superfluidade, 

Democraáa é o governo politico, no qual á êlei^ 
dod magistrados depende dos votos do povo. j^ristfò^aáa 
é o que depende dos votos dos nobres. Monarquia é o 
governo opposto a estes dois, porque nelle é um só o que 
manda, e^nSo o povo ou a nobreza. Governo demoárà^ 
tico ibi o de Roma e Athenas: aristocratiàó é hoje o dé 
Veneza &c. 

Demónio y quando tenta para a soberba, dévè-se di- 
zer coín rigorosa propriedade jLuci/er : quando 'incUaá 
luxuria ^smodeo: quandd' inspira ítnpàdendá Sstafittiií : 
quando persuade aj^Ulá JBeei/^Of '-qtxando teíitã^]^^ 
fa\é]^ Éeekebui &c. ■ 'c-'---^ ^--^ «^-'^"^ 



101 

JDc^nodado : o mesmo que aifevido , inircpidQ e re^ 
toJuta» Votos denodados entre os nossos antigos eram aquel- 
1«8 que. se fasiam com demasiada audácia, e fantástico 
atrevimento. Vieira usou muitas vezes deste nome. Ve- 
jUrse o tom. 4. pug. 16é. 

Demo : querem alguns^ com a autoridade de VarrSo^ 
que sqa nome mais próprio para bo»que e nuUo^ no qual 
as arvora estejam tão juntas, como os dentes em um 
pente, eque^por isso se diz denso: compo/cto quertfm que 
sirva para a densidade dosmetaes: espesso para a das nu- 
vens : croASQ para a das matérias liquidas. 

Depravação é mais do que corrvpçâo. Naosó se cor- 
rompem ^ mas se deprawiTn os costumes com a ambiçSo 
das riquezas, dizia Cicero no 2. de Offic. Depravado 6 
p .perverso } 0orrtÉpto o viciosq. 

Deprecar é rogar com preces ^ orar com v^exaçíio 
e Jiumildade. 

Derivar , çoxao vem de riams , é verbo que , rigoro- 
samente fallando, s6 pertence aos ribeiros, regatos, ou 
c^nos, ,qae Ifsvam uma a>rrente do logar do seu nasci- 
mento para outro diverso , e diz-se com toda a proprie- 
cla^e, tf Águas efef*itxK2ai do nof> &c. 

Derrogar é abolir uma lei em parte : abrogar é dç 
to^o abpU-la* 

. Desacato é muito mais que despreso ; porque é tra- 
taram injuria a cousa digna de toda a veneração. De- 
fqca<a-se a Deus e aos príncipes. Despresa^ie o inferior .e 
o pobre &c* 

, D^s^t^çio querem muitf^que nao seja o mesmo que 
jdemffe^o^ dizendo que pôde baver desaffecto a uma pes- 
sq^kjt ^ aiçda assim coaservedr-l)ie ajgítma affdção^ pof- 
^Uj; j/f^tp .; é ja^r mais gnp^qi^e áffeigSp..N8o appip- 
vamos esta diíferenga, e só dizem^s^ (}^iq , cf ^<ijfeif 09 . ,é 



Toofds uat^g^si quó deãaffetíta^ posto que (ii(giHâi9tf4i 



mesmo ^ 



»' 



» i 



iier^o0]i!a alguma âesipre«a todoa oa foiio^ da h<mm^ àsk 
Tasâo eda decência. Na sua rigqrosa ^aíãiaQj|& élei^mpi 
4q9 jtiTiBtas f g6Ibi a qual deno^aià aqpiieUe qua fhggrava 
4jttsl}ça^ des^piseaeado' o» feroie leis dori-eijic^w 

. Desalmado é aqudle i]^<çbégoii ao ultiao pooto da 
depravação de co^umes^ YÍi^endp coflaOise- uSoi.tíveFftrAt- 
ma d^qiie dar eoala aDeosv £^ hotíi^ ibuilp expcosuvo^ 
e mui anligo n^ L{p|^Ua. i ,) . i 

Daak^Qiír Q^ropfiaiaeQie teritK> milíiftiiy e«e%liifica 
levant^ar o- ar#aíal> Pai âgjura.é q»e se- ioma. ecdiouia«nt 

Desamor não é extincgSoy itaasdítttiikntção* de amor^ 
pOiHoqu^ algumaf^ vezes <»e t<^m.« por Jal/« dellet hú. que 
nâo ama como d^antes , chama Vieira desam/ánàdo' úo 

Demr propriafiDi^nteié vicio da iiAturèiw»:id?/<M0»/«Bc 
d^ 4a '^«te» Ott|tfO$ quei;ef») poiesi' çqh^jícimo :(|UHhH 
mealOy que cí^or ^ej» uQia falta kive «p<oo«p«r^ jâíiífffT 
fcilo uma grave. - . - . - - / - . 

'i>í^a^€dk^ <|iteremi.mtt'iloft que ttaO^^e diga daq^^elle 
a quem falta a justa proporção das partes âi».Qútpkj< éa. 
é (d^ desairosa âg^aiji taaa.aíii^ do que é.d^omiiedálaen- 
te graníle^ (úada quesqa pr<)|>oi^ioja^o. GtHno^ucfltqisfi' 
scya s^ ^ladBs^il^i}^ bo^ estilo jocd^; ou ^faimli^Uí. w .. 

Desatentado é aqucUe que não repara nortque-jfaisrf^ 
D^sçti^^/^, j^ o dft^OpteZfp qttb pllc^ €9Qfttd0iaí lior<|<}\e faz 

aq^ella q^cr par^ir.tô fa;ier é ^^càaft estaa^ io^tàca^ iMXdiriv 
zenda melhor] ce(o ««mi#!K^- ;jii t .u? ;i ul' íop y 



ím 

DèêaUiha^titíéb Hlò é [édin^ tffrtéádefà Bhitéiiti] ho- 
iSktuí ^uèí tem potító respeko^- mua áquellè qUe tetn per- 
áifito « da ptopr^ AxHhoríáetàè. 

Dêèb(^kídà:'etí\Jts& qtteièíhpetáidò útbr; inttà niosc 
àá^voêXúéUièòiéÊdOf ttisé descolado; porque desbotada 6 «d 
fMH^â eôU9à itfd^àito-ada, tM^c^Uál ha dlgumacòf dea^tfficio. 

Ik»bcttuíe t desbairatò tíSòf ê &'iBeêmo. O priitneiro 
Yttle o m^títe^ qftfé dèspròfjfiOÀif^ ê dísparMe: àégtTtklò é 
^ooibYttM» A- destroço e rota do éaerdtó. * ' 

Dacahir díz-se da fortuna, do conceito, da eípArán^ 
çfity doê ben^^f do i^átiménió &c. Qu^tfido descahir é da 
obâervtfttciá réli^ôsa diz'*^è? ií*dtítmçãâ\ ^tiâildb é enf írá- 
á« âatitíeâ tale o mésítto que perder o navio» O i^^ftfHoí cí 
âéftotá ^ que levava : quarido se applícá á idade é totne^ 
çar a envelhecer &c. 

JOiMQftíéh lâkf é tégéyMêéítnenie' à sínrpleãr atrevido, 
é deêavérgénfrafdó, tòá# sftwáíjuelle, ^\tè poir suas t^'#tfc- 
§ôeB liSo devia lei' cará parai apparecèf.' & terttió iritrí 
expressivo ák Lfégttaf, è th-âdb do latitti. 

^ De^ieatnm afké éfeíífrifíleétíié^tètfríífcariié, ittasápar- 
U#f wcani^dos <^s09. ♦ ' 

D&àétrthtbáhiát é itimd propriâf áas aves dte íJErftína ,- 
quando, depois de cevadas na carne de afgútíi dãfitnat 
fiiortoy ií tòín^etH últín^ doti^cho. D^âqtií é que ò vul- 
go tireU a<frai^ íx^Gtu^to-de^efnbutchaf-rrté^í^^ i^o é, ^iièít 
o que tenho reprimido uo intèi^iOf. 

J^P, Bmènho éáiúeíá^tfiiécfpíttiot iÓrma no pénsátheâ-' 
to, para depois a delinear, riscar, debuxar e pintei^.' I^à^ 
Têm tfonr' é èxéifaplo de l^íèífa fto» fonfit. 1. pé^\^ 3W po- 
éè*4^i tisd^ <t0 ^iâmòhfíò pUW siçárf fldM as' jtí9tà^ i^édidas , 
pMpdrçS^s éf^ftxMM^xrétfic^fét^' c}^ dè^efii^ ter 6è óbjeiú* 



D<i$(mvQltura póde-se tomar em bom e <^ maVitenT 
tido , e não sempre em mau , como pertende o Autiioc 
do Antídoto da Língua Portuguesa. Pix^^se hometa coia 
descTvqoltura , isto é y com agilidade , desembaraço e desr- 
pejo. Applicado este termo. a mulher, entendo que» nSgh 
se achará exemplo senão na significação . de tmanodcUtam 

Desinçar é propqamente extinguir imectos y qi|0 ín** 
cofnmodam agente. No sentido figurado. udau deste ver- 
bo João de Barros na Decad. 4. pag. Õ33 9 fiiUancb) do» 
mouros de Cananor. v\ 

Deslindar é propriamente mostrar e deçli^iiajr ios li^ 
mUes de uma fazenda do campo por alguris sinaes, oi> 
mo pedras y valados &c., para que nao se confunda com 
outros prédios. Por metáfora é que se diz daíindfiH* uma 
difficuldsMle 9 um negocio &c. 

Deslumbramenio é a muita luz que offende 6. vista, 
e quasi faz cegar, conK> succede ao que fixa 09 olbo»;na 
luz, do soL Veja-se a Vieira no tom» 7 pag; 146. Em 
sentido figurado se toma por cegueira do juízo. 

JDesmalar em rigor é.só próprio dl^s flores, >pOrque 
é um verbo metafórico, tirado do moz da .ildTaíPy em^iKi 
a mafor parte das flores ou murcham , qu perdeiavi^uito 
da sua. viveza^ . . . . s 

DcimanUlar se dí;; propriamente por jsynonimo dci 
d^t-vbar os muros de uma cidade. £m outro qualquaf 
sentido usa-se por metáfora. 

De^lar não é o mesiioo que simples arrmnar , mas 
desjtruir edificios , igualando^ps com o chSo. Aãscior é o 
Bjii^smo. i 

Despejo diz D. Fr#9dsco Manuel na sua Carta de 
GhÍ9« de Çasaflos p^tf « 6^.^. qu» , rigaiosamente &Uan- 
dç,». yale o mesmç qufí dç$^(mpo^k>9ra ^ a que aa^im eo^ 
mo põfo é cous£^ bon >i^jp^;é tcQusfi <ttíoi« £m auUmc 



10» 

assim é y em hoiifiem é muitas véses desemban^ de 
animo. 

Deitaoamenio palavra de pouca antiguidade na lín- 
gua, mfi» necessária , porque nSo remediavam bem iro» 
pa^' e parthda. DestacarnetUo é separação de uma parte 
doexereiíto a reforçar oiitra para um ataque, ou ouítra 
qualquer facçSo. A'8 partes de um exercito chamam-sc 
iro§o$i e nao destcusamcnío* : partida é aquelle .troço 
que se avança , e é menor que Destacamento. 

Desterro é propriamente lançar fora a alguém da 
terrft, o&de habita. Eatermtnio lança-Io fora dos termos, 
e limites do Reino, onde vive. Desnc^raíUação tirar- 
Ihe os direitos, e privilégios de patrício. 

• Destroçado [termo militar] nào se diz doexeidlo de 
todo perdido, mas do que perdeo parte da sua gente, por 
q«e-vem do verbo Destroçar ^ que vai o mesmo, que 6 
feduzir um madeiro a troços. Por isso se -d» eom propnte* 
dade náu destroçada aquella, que perde o leme^ os mas* 
tros , as emx^rciiíis , às velas , e vai dar á costa. 

V DcsiruifCo^diz-se propriamente de edificios , é òcon- 
tniiMiide eomtrucçiOí 

' Detestar f segundo um grande numero de críticos, 
não é em rigorosa significação o mesmo que abominar. 
Dettítar é testemunhar a iniquidade de uma cousa, es- 
t3»nbaRdo*a como execranda, jibonnnar é reprovar uma 
opusa, como máo agouro: e assim díip^ae còtú: íoíbl êl 
propriedade, u Detesto pactos Reboliços , e abomino pa- 
lavras superstMosas j por queeíe^^sfor étãobem mais pro^ 
prio para factos, e abominar para palavras. O piimeiíro 
verbo ó mais forte , ^ueo segundo. 

j Deoorar é^eagulir de umá veí^ « não IcVar a peda^^ 
ços o que se^eome. Por isso Vieiràr tom.í^ pbg. SS7 cha- 
mou; ^dct^oràr ao engolir povos in^teire^» ' - 



108 

acl^aq^íc á melancolia » enfermidade, á triit€%a , á doença 
^ a diversos males do corpo, o que parece prova bepi.a 
apontada difíerença; Mas o certo é que nesta matéria até 
nosprinieiros Clássicos se acidam equivoeados estes nomed. 
O mesmo Cícero, que especulativamente distingue , na 
pjratica muitas vezes os confunde. 

DoiOj e fraude tem differença. Dolo é grave ma- 
quinação para enganar, alguém. Fraude é uma leve ca- 
vilaçao , e engano. Alguns querem [mas sem lundamenr 
to]] que dolo seja engano por obra, e fraude por pala« 
vra^t Outros pertendem , que fraude se possa tomar em 
bom , ou em máu sentido , e dolo sempre em máu ; mas 
também isto nao é certo, nem entre osAuctore^ latinos, 
nem entre os Portuguezes Juristas, que distinguem dous 
géneros de dolo , máu , e bom , como quando o medico 
engana ao doente para lhe fazer bem , porém neste caso 
querem 03> críticos, que se deva usar áe fraude y e que 
dolo bom só tem lugar nos justos estratagemas da milícia. 

Domar ^ e domesticar não é o mesmc^ fallando-se 
de fera : doma-la é subjuga-la , e vence-la. Domesticai- 
la é faze-la mansa, abrandando-lhe a natural fereza; 
donde se sçgue que domesticar é mais que domar. 

Domicilio , é habitação certa , fixa , e permanente. 
Casa é aquella , em que se '^ive por algum tempo , ou 
como própria , ou como alheia , e daqui vem chamar-se 
com propriedade casa de campo aquella , em que por ai- 
guqfi tempo se assiste fora da corte. De maneira que to- 
do o domicilio é casa , mas nem toda a cas^«é domi- 
cilio. 

Donativo é propriamente a offerta, que se faz á Igre* 
ja. Dad wa é presente de superior para inferior. Preicnr- 
te 4e igual para iguala Mirito de amigo para amigo, o^ 
de amante para amante. Çongiario d^ivas dos fffinci^ 



109 

ái> seu povo. Achamos esta palavra em alguiis Auctorés 
pórtúguezes , tratando dá Historia Róáiana. Todas estas 
distíticçÕes y que s3o dos antigos grammaticos^ nãò tein 
tal certeza, que muitas vezes se não' achem confundidas 
nos melhores Clássicos. 

JDomieUa em rigor n2o é omesnio que so/feira,'nem 
significa virgem em termos rigorosos ; e se CamSes cha- 
mou donzella a D. Ignez de Castro, foi por qtie noseu 
iènípo ainda tinham este nome as damas no paço, como 
beín pr6vá Faria no seu Commentario. ([Vide P^irgent]* 

Dor nSo se diz rigorosamente faltando dá afflícçâo 
do espirito , mas do corpo ; posto que a alma seja a que 
sinta. Dores do espirito s8o algumas paix5es' do animo 
V. g. as afáicçôes, as angustias, &c. das quaes o corpiò 
sente os cffeitós. Alguns seoppoem a estadistincçSo [sè 
bem que patrocinada por graves Auctòres] e índlstinG- 
tamente chamatn dorcB aos sentimentos da. alma, e do 
corpo. 

17ott/o, não é o mesmo, que erudito. O que sabe 
as sciencias , e artes com perfeição , capaz de as ensinar, 
é propriamente douio : o que tem delias muita instruc- 
çSo é erudito y que vai o mesmo que minime rudis. Por 
onde doiito é tanto mais qUe erudito , quanto b, dou- 
trina 6 superior á erudíç3k> , sé fatiarmos em rigoroso sen- 
tido. Esta dlstincção, que é dos antigos Clássicos, tanto 
não vai hoje entre muitos modernos, que tem erudito 
por superior a douto ^ dizendo, que ném todo o douto 
é erudito , mas que todo o erudito é própria , e solida* 
mente douto. 

Ebriedade\j e embriagu€% [[palavras , que se acham 
em Aucfoirõs riossosdcboakiota^ tem suadifferença. Emí^ 
òriagues, é adaquelle grande bebedor, qué frequentemen- 
te )>efâe de todo o juízo ^ por não guardar itaedida no vi« 



110 

ahoy í)ue ^be» JSbriõck^ é daquelie qae , t»8o 'sendo 
«xistumáido, se toldou tãom o vinho/ £ita é cazuelidade^ 
ai|aella évieío;- uma procede deGOSiume^ óutmâecáusa^ 
Esia dítiíncçâo é de Faria nofiCkmimentarios a Gamões:. 

JSça propriamente é o tumulo honoriíieo euk nismo<- 
ria de' defunto 9 cujo eadaver njlo está presento nas exé- 
quias: estando exposto 6 tarima, 

Edifiáo em sentido rigoroso sSo obras grandes da pe- 
drarias , cop&o palácios , templos ^ âcc. : ás casas de toda 
UBOta cidade , e não a cada uma de pcrsi, podamos cha^ 
mwc eâHfmoê^ porque o todo faz grandesa^ posto que as 
partes mostrem pobresn. 

i^^ier per^ende PoBtano^ que esta palavra senão 
d^e applicar, f rigorosamente fallando] a obra de pín^- 
4or y abridor , ou escultor , mas sim de oleiro , por que 
se derií^a de figuluz ; e que assim um retrato fejto em bara- 
ço éque eer^ propriamente tffigie. Não concordamos com 
Pontano, por que esta voz não vem áefigulitSj maa do 
<v$rbo Effingo, Vai o mesmo ^w.Tdrato^ maedtffere de 
imagem y em que tocja a effigieá imagem^ porém nem 
t^a a' imagem é elfigíe, toda a vez, que náo for, ou 
fiiiitadà 9 ou esculpida , £ec. 

Egregko 6 aquèlfe^ que por suas exeellèneias se dis^ 
tJngUB entrà a multidão 'de outros , qwaai eat Mo grégê 
tl€ciu&, E^ verbo metafórico tirado àerdsMnbo. De6teièó*> 
ào egrégios são os illustres em sangue , os famosos nu 
miliòia 9 os distiactos nae scíencias , e os perfeitos eni 
qualquer ^rte liberal ; mas sobre tudo os que por 8anti<> 
dade se distinguem no rebanho da igreja , porque n^ss 
sa veriÍTca mais a metaíbra. J^i^io martyr, disse mui- 
tas veees' com* ioda a propriedade o grand» Vieira..' ' 

Bivaé^K Ailèa, ou rdcba, que tem os copos de ^i^ 
dro y ou qualquer outro corpo da meema matéria^ 



lU 

'.' I 4&bgiiitiM).a o&> ior por dforça 4i9 jsjelst^á, sSo se 
jiódecQfipliqRr, ae fiSo & epus^ , em .^ur possa li«v«r €fr- 
A9ii^0) porque £ nomaq^ie vem do verbo Elígeré^ a mr 
iim àiM-m COB9L toda a propriodade , ek^náa oaa pala-»- 
^rg$>.na&>f rases ) aos vestidos, oosadoroi^ &c. ; totnan-^ 
4Q^se poc esçoUia bo f aliar, <e no ven^t», &o« 

los ImagÍBAm, usandoiiuljâtiiictftmi^tédàeqlialquef des* 
laa palaivras. Elememiai é pam ^«alqèef dos quatro ekk- 
mentos, e no plural é elementaes. Pelo coaliarJic^ elemMr 
tagp fiô diz dos princípios ^ oii elen^enta» 4q qUAlqjl^r ar- 

Cr 

t6| OU «íienoía^ « no pluml é ehn^fMç^^t . . i .r: . 

JEk^io nao á pfecisameiute iudo o.g,wl se dU » oiftse 
eiscr^ve ^m louvor de alguém |i ooino. mijitos imanam ; 
mas uma brâve xsomposiçfta laud^teiiia, e-só na sua briBr 
vidade d^ffarf de pa«egtffie$)« • £Vq«a«i syvoaimõ de en- 
O99fii0 , ^ ^ to<^ A differçoça de^ que e/^ip é J^«V9 pfir 
negírico dito em pa-r liaular , e eousomio hfí&^e pajiegjrie^ 
âsto^em lugar. publico 9 <;omo tepplo, ou pre^» ^ rua, 
ámauiliii^axlos gregos, è latÍBOs. • 

. >, EhqucrUc oáo ^^^m rigor o mesmo que fmu$tíiê$ 
Quem persu^d^ uma oouaa a |uíl^ lôediaiips cpji),!t^>- 
mos promptos , claros , e agudo» é fac»tyAí>. âiueos .$&b$ 
o^nar o que quer persuadir com modos mafaví)[ÍM9|03 , e 
mAfniâoos, fáseadorse senhor da vontade idsM^íos.qiVlie 9 
ousem , Á dtxftf^eníe, 

J^wbdecQ Á propriafOiíeAfte £»gaiio da tibMl^ qumdo 
se nAo vá bem abcúbyecto, ou .os xilhos ^e ekicinaniL, iien» 
4â{ uiaa cousa por outra. 

i&fa&otocfc^ Ifermo^pnsfiip {nana todp o feiro de çorte^ 
quando tem^o |tf2.iw9^o}lo,. x^u. pouca r{|nowfiapad& emh^ 
taàa^ 9 Jaogfe ewifr»fair/a àia^ fefi^rim nos âousiéiacUr^Mt 
pag. lOé. 



Ewhrúç&r^ verbo próprio para eBCUdo, qitmAo «t meU 
^e no braço. Lembra^me apropriedsde com queD.:Frall'- 
cisooManueI usou de vários termos louvando a umgran* 
de cavalleiro. u Emhraçava o escudo^ e com ell«, ou em^ 
punhando a espada, e esgrimindo, ou brandindo. a lan* 
ça, e arremeçando^a y ou apontando a seta, e de^pedMr 
do-a^ nenhum outro cavalleiro o igualava. » 

Embrião ésódepois queacreatura tem passado douk 
mezes de concebida : antes delles nunca os medjoo» cha* 
mam embrião. 

Emérito, palavra, de que usa Brito na Mon. Lusit. 
tom. 1 pag. 184, significa rigorosamente o soldado apo- 
sentado. £^ tirado do latim mtles emerUm. 

Eminência: tratamento próprio dos cardeaes, dos três 
eleitores ecclesiasticos , e do Grão Mestre de Mftha. 

Empatado : homem espetado em um páo , desde a 
via posterior até o alto da cabeça. £^ tormehto , com que 
os turcos malam aos chrístâíos : usou-o Vieira. ' 

Empavezar termo próprio para galés, e navios, vai 
o mesmo que cobrir-lhes os bordos com panos , para os 
soldados não serem vistos do inimigo no acto da peleja. 
Vem este verbo depa/oe^^es, antigos escudos, queoobríam 
todo o corpo do soldado. 

JS^porio é propriamente praça mercantil de gvande 
concurso de homens negociantes em todas as mercadorias. 

Emprego, ainda não encontrámos esta palavra em Aah 
ctores de primeira classe, significando officio, cargo, e 
occupação. Barros na Decad. S pag. 134, e putro# Clás- 
sicos de igual auctoridade sempre usaram* deste nome pa- 
ta ugnificar a acção de empregar odinlveiro com^prando, 
ou a mesma compra, em quo se empfegou o diilbeifo. 
Na Escola de Vieira já se acbam alguns exemplos^ ^líftas 
raros. » . .A 



113 

^i^w4imÊfÍ9t/^M^^^^wAkiSã0j em que iMMa taSo se 
-0BV4M «Dvejfi^^e oflqiiel;^' 9kn ^ - ettimulundo a esto tí- 
ai9r^t»aipr ;i9$^i:q$i«ieiUo , que se vô.em oul#c», espe- 
-««eloiei|ti$!ie,^ da mesma proâsaSo. 
-nfíj tifiiiaiimiâtfcio . é propriamente termo militar , etígai- 
nfiiãDr>#'^ssaltp<»' que, se. dá. áé escaras, vestindo os solda- 
dos as camtz{|t>»iwt outros pannos de linho ^ sobve a»{dtw> 
/.ài^'P0to^MÍ8Ml>SiHiiem^doAçoiitrar»osnaescui'idade& Hoje 
mi» 99ktítí»t;í^mj8íi»SiQ é usado, comuD era na antiga miUeia. 
£ncampar termo próprio, que signi&ea rtÈtnndirnm 
0mttaelbol/í£?'palfK^rai;já ufada por. JoSó de Banos, na 

JEfuxm^o 4* ^ pena pecuniária, que paga o que fué- 
^ki»p<^^i>«.liei-delEei<. \ 

(iãéftUfclppedH^ií^loim^ffií^ que scieneia universal , 
J0Sl>ld^c^lOl|^[Qm.•qll^ ai9f«ompfiebeAdecili toda* «s 'sdíencias 
9cq[j:aâea4^imiMiias ouj(i»ít>; pori^ua vem da» pariras 

gregas Cyçfi^^f^ q^té lolrcula^^ e /?e(2i, que .stgaiAca gri- 
Ilbap:^ sX)Qnde.$^(y^<>Ílideaoii}pc|velrpkona80io.^ âm que 
é<s:ahÍ0f agju^le^. il#Jliano 9 queintíMlou a um^^livio^seuiOi- 
/íi^pa^qBi^fyfdQp^ca^ Por contadelle puz> aqnè estia pala- 
.iii)irA^«paft$^/qPii9'J9ao^8Ucceda aoutvo cair neste efH>.i« i 
Engraçado differe muito de gfockowo : este é termo 

iMQpiÍQ \ ,d|3 çb^carreí ro ; , e^ aqiMUe de homem, eor tezio : 

aqitjptVflK&h^ qu^ engenhosai^ente liga «g^tlàntena. com 
-mkitiÊAnM9Lji\gi[<ÊfíW>80 ó oque6entreflfi&So, oeinectíliomia, 
i>4ÍA4oãa A giitmosidade, qiie Ihe4embia. Ssla dístinoçáò 

dóidè CmndscQ B&U tiObo narsua Cõrte< na Aldàa pag. 194 . 
'iíK] ^nJBnonvM Qfíçiiércouiiaiexcessivamente feia, áaardes- 
^oplf^nÍsm9tAw^úi^ gv^od^ii- isto ó,. fóra da nertria^ ou 
.0lÍ8lllliãG9ÍdK>:)dBfmjseRtido,figttfadQ:équâ sciidi&> marmc 

Enredado i propriamente coqsg mettida âOK^ode, 



114 

da qual se nao pode livrar ; asftbn como embaraçado é 
o que está preso com barato, que nâk) páde desatar : cpr 
làoclo o que eâtá bem atado , que não se páde despren^ 
der, &c. Todos estes termofi são metafprícoí^, tomaxlospor 
confusão 9 e op()res$ão« 

Ensalrno.: oraçiSio supersticiosa piara curar enfermi- 
dades , ou para outros effeitos. Vem este aomè desa/mo, 
por que de ordinário se compõem esta oração de algUD» 
Tersos do Saltério. 

Etkir€t€íC€r. dSo é simples ttccr , como muitoa imagi- 
nam*, mas misturar na tecedura fios de difierente mate^ 
ria, V. g. de ouro, prata, seda, âcc £^palayra u«adis- 
8Ím:a por Vieira, e outros Clássicos. Dirá mal quem o 
fizer synonimo de tecer , como muitos tem feito. 

^tulhé:èr é para covas , fossos e qualquer oulia ca- 
vidade. Enivpir é para canos , vias , e cousaa semielhan-* 
teS| por onde corre cousa liquida. 

JEphermro termo de que usou Vieira po ioq[i<4 pag^ 
449 , e sigoi&ca coif sa , qu^e durjL um s6 dia. Cbmumt 
meate não se applica senão a flores. 

JEqncedk) propriamente não é quaJqucr opmtpQsição 
em prosa, ou verso, feita á morte de alguém, mas.aim 
oquelja Oração, ou Poema recitado, pcesente o corpo do 
defunto , antes de o darem á sepultura. 

Epmicio : canto em applauso de alguma victoria* 
Usou-o Vieira no tom. 6 pag.485. Um moderno tomau 
ígnorantemenXe este termo por applauto a umas mclborias» 

Ifnsodio ; cousa ^ que n&o é propriamente, do uxg^ 
mento da Historia , ou da Poesia , mas que nelie se in- 
troduz para ornato , tendo alias higar próprio. , 

JEscavacar y e escavar ^ que muitos confundem ^ .^m 
differonça. Escavacar é para madeira, que éa qu^ sáí^^ 
cavacos : escavar é para a terra abdndo-se nella covas^ 



Ui 

ou pèfâ oiltra qtl&Iq«ér matéria, efa qué se possa abrir 
cavidade. 

Useola coâVutíymente no singular écasa^ oúde ^eéti* 
d&am ttéâinos ^ lár, escrever, e contar, &c. No plural 
sSo cotlégioé', «miverâidaded , onde se estudam as scieir-^ 
éias. Divldetn-se esta^^ escolas em classes j qiie sâo para 
os estudos de humââídadeé; , e em aitl&s , onde se éh^i^ 
riam as faeiú^jda^de^s maiorei». Aòs Iog'are$ públicos ^ óVíéé 
iéenéitíêtío asâcienck» mãthetnÀtM3a&, taihfoemchãihamos 
tíulas. Na universidade deGoimrbra chatnamgcrá^á Á^ta* 
sais, onde s^e ensina utn e oúti^o direito, a medicina âte* 

Etcólhõ [vo^ poueo u>sad&(]: é roeba »o mar, e nSd 
foehèdo, penha ^ ou péníia^oo da terra. Deriva-^ do Ia* 
fim Écopul^s ,' qué é péiiedo entre as onda^r. 

Sttiàfid èutni6 p^opriò* ptí^A metaer, e é ia pane 
mais grosseira, e crassa, qiie se secaria delleâ, qitaâdo 
se refinam no tcygó. A teoria de al^j^lrk tem senis nomes 
partícnlâtreâ , <;otno a dò ferm , e estaâhd y qtfe seohamtil 
étíeuffítilkú ; a ddí miófii^i a doi lii^res* iwm ao» e^ilo 
jocoso, &c. 

Jl^^ij^ á O broquel redondo , è de cobre , de qi>e usa- 
vam 09 que t^atriãim lançâ^ Distinguia -ise de rodébta^ de 
àie^ga^ e'â<9jftú^^c A'rd(^ía ena esícudo retk>íido e gran- 
de, de cótiro ttvty e mui' fevte : ai adxifga ésdudo mai6'pé^ 
queno, e de figura ovtftt p&ot% escudo doiiipfido^it^. éóí- 
Mfa o' cilrpo dó' soldado. Quem qatser saber distincções 
fHndà^ mais mi^dai^^ veja oâ ilòssos escríptores, <}úe' trà^ 
tarMi' dtt'aiitig£(ityftfbiai>D«Hes tiramos e^tas dif fevén^nr. 

Ai^iw*)» dié< armasi O útado é s6 para o« ecelesíasfti*- 
cos ; em Vnonja só para as infantas antes de casarem ; e 
0^ dfãi^^diltrtti' figum^ , <^ pre^cre^ a^atmeria , esses per- 
^bêm aos principeé , titulai, «-mais ple»soas, que po^ 

8 « 



£$cutar querem muitos que nSo sega o mesmo que 
ouinr; assim como em latim audirc differe de iríaudirc* 
Dizem que escutar é ouvir o que se diz em segredo , ou 
o que se está fallando , não se suppondo presentç o que 
escuta. Ouvir é dnx attenção ao que se diz em qualquer 
pratica ou discurso. Outros criticos nao eslão por estas 
distincções, e por terem observado aos nossos bons Cias* 
sicos, dizem que entre elles e*cuiar ésvnonimo de oumr. 
Eimerar é amcro pertencem em rigor áquellas obras 
que ficam perfeitas, e com o ulli mo polimento, porbe^ 
peficio do tmicriL Emi sentido figurado se applicam a to- 
da a cousa, que se faz com perfeição, e artificioso primor. 
Ewpada é de folha comprida, de dous gumes: de 
quatro quinas é estoquei de folha estreita e comprida 
florete : de larga e curta catana : de estreita e curta es- 
padtm : de corte undoso cohibrtna. 

EtpectoBidade posloque commummente significafor* 
jnosura e gentileza, a sua rigorosa significação é de cou« 
sa que tem boa apparenda. Especiosidade de pintura, de 
pretexto &c. 

Espeàtacuh não é siniplesmente a vista de* qualquer 
objecto,' mas de uma cousa que commove o animo, cau* 
sando nelle effeitos de admiração ou para lastima e lou- 
vor, ou para alegria e prazer, v. g. espectáculo de uma 
tragedia, ou de festas publicas &c. 

Eapectador é propriamente o que assiste a um espe* 
ctaculo; assim como auditório e ouvinte o que assiste ao 
sermão, e ás funcções em que o ouvir -é o pbjecto prin- 
cipal , assim como o vér é o particular objecto do espe- 
ctáculo. 

Espinha e espinho. Por conta destas duas palairras 
hagrandess controvérsias entre os críticos. Uns dizem que 
espinha é para peixe , e para um certo tumor que nasce 



117 

fta cara , 6 que cípinho sSo aqu^IIes picos agudos que 
teem alguns arbustos. Outros pertendem que espinhas 
sejam aqueiles subtilíssimos picos que teem algumas her* 
vas, como v. g. a ortiga ; e que espinhos sejam os mes- 
mos picos mais grossos, quaes os do espinheiro e arvores 
de espinho. Quanto a nós* uns e outros teimam e erram, 
porque nos nossos melhores Clássicos se acha muitas ve- 
zes espvrAa e espmho significando os picos da çarça , 
da roseira âcc. Veja^se a Vieira entre outros muitos lo^ 
gared no tom. 9. pag. 133. Verdade é que nesta acce]ÍH 
ção espinho tem mais uso y e que ainda o nao achámos 
applicado a peixe. 

Espolio , como derivado de spoltum , posto que na 
sua rigorosa signiftcaçâlo signifique os bens que tinha na 
prisão o senteaceado á morte , hoje denotamos com esta 
palavra os bens que deixa qualquer defunto. Díffere de 
dcspqfo , porque este nome se dá aos bens que na guer- 
ra se tiram aò inimigo vivo ou morto. 

EsposoÈ em sentido rigoroso não são o mes mio que 
casados, mas sim apalavrados pára cazarem. A poesia 
é que começou a confundir estas significações, e depois 
a prosa a imitou. 

Eêtadnta : excellente nome de que usavam os nos- 
sos bons antigo?, não por synonimo de Politico^ mas pa- 
ra denotar o homem versado em matérias de Estado. Po- 
Rttco entre elles era o que praticava policia e urbanída- 
decortezaã. Bom seria que hoje os imitássemos nesta dif- 
ferença , porque é bem conforme á etymologia dos dous 
nomes , que já no tempo de Vieira corriam alterados. 

Estampido é estrondo de arma de fogo quando se 
dispara: ruioío, estrondo de cousa que cahe. Estampido 
querem alguns que também sirva para o estrondo que fa- 
zem as arvores, quando as quebra a violência dá tormenta. 



1Í3 

Estandarte em rigorosst signiâc^gSp n^ se deve chf(« 
inar a qualquer );>^Qd.6Ír^ milii^x^ m^s 4 Imperial oi^ I^ea]) 
qjue levavam os sobef^ap? oo exercito^ quando iao^ á 
guerra. Hoje porem w noss^ milícia ^tqtidarte & q q^Q 
Jeys^ o alferes d^i P^^^^^U^rja; bç^nchira o d^ i||fa)itari^. 

£statua em rigoro^3 termx>s faci:|U&4voç divide-^e 
ec> içor^ica, Wo^ca e çqlo^sai*, A icqnica é ^ e^alu^^ 
de alguma pessoa ao in^tur^i]:, e segundo a ^u^ QaturM 
estatura. A heróica é aqm^H^ f^ qu^ se r^jre^eata c^In 
guin heroe^ e dev^ ter dobfada altura d.a n^tvifalf A ço-^ 
}o5saI é aqi^eJIa qUe figura alguma das prífiveiíff^^ divi^n 
dades do gentilismo , e deve ter três aUi^r^ dg a^ta^ua 
i^^onipa. Qbseryo coi^ Pl|qip 9 fiistoriadpr., qi^e os ro- 
n^ai^os 4s w^ge^^ 4^ met^l cbamav^tp e%tc^i^i^2 ^ 4% 
de mármore s\im^^crQ. São fl^^Uo5 os aMQtQf^& ppd^ ^^ 
ac)i^ e$t£( differef^ça. 

E^ivada camjnho publico e largp : ÇiHOilh^ capiinho 
mais breve: rodeio, cí^çaialj^o ijn^is Iwgpt Í^S^ ^ roda.: 
Ifide^ira e çalçat^a cainifll^o iogr^ipp. ^ e^i qvie ^ sobe 
ijUV^UP* torçicqllo caminho obliquo 4^ efP&S9( & Q^pj^sq: 
carrwo. caminho çstreito, ppx o^dç f ó pó^^ pass^rujq^ c^Ffo. 

Estratagema é propriamente ardil d^i guf|ri;a: 4% 
çortez:^^ lançç: de ^ampi^^os, ^n<^q : ççm qi^lcmer ou- 
tra co,uj^ astúcia. 

Estrondo: 4 todo o.^awip pxt^r "^^if^^ ^^wí^o.y 
que off^jt^dç os. çiif,vidp^ : de.r^adiz-§e çifrq^tp,: 4p ^ifi* 

ta gentç rurtwr: do m^r ^WF^* doy«^.W**S^- 4ftW-f 
tilharia e cousas, qu^ stoqu^bir^-^e fizeraift um,s6 esl^q^tr 
do, eatqm^fiío.: d<^ çpuaas que sç.despeJ^^aia Vt^kí^.; 4e 
çavaUo^ tropel: de xfo% mur/mrip : de fontes sufi,si^r9 &c. 
J^sMMcia é tanto ms^ipr q^ç Iffvtçura^ quaJip^ ^ 
tóMo é mais que Iquco, Yej^rse a Yiiçira bo. tcMsn. 1. 
pag, 100, 



&id€9ècia íAo é simples certeza y mas maailestagão 
de alguma cousa clara aos olhos do corpo ou do espirito. 

£vo : duração não successira, como c^ séculos^ mas 
toda juntameãte eu^teate^ a qual teve principio, enão 
ha de ter fim. Nisto differe de ttcrmdade^ porque esta 
nâo teve principio^ nem ha de ter fim. 

Exemplar y posto que murtas \ezQs se confunda com 
€wevílpk>f nSÍ0 é rigorosaihente o mesmo. £stemplar é 
aquillo a cuja imitação se obra, ou se exprime, ou 8e 
produz alguma cousa : exemplo é a cousa proposta ou 
para se a^giilr ^ ou para se evitar. 

Mxhohfír. é propriamente para vapor , forno e chei- 
ros. Por metáfora é que se applíca a outras cousas.. 

Bxhawrvr é eih rigor para cousas liquidas, que se 
esgotam. JÈaxk sentido figurado é que 3e apropria a cou- 
sas solidas^ e se diz : a Exhau$to de dinheiro^ de^nte&c« 

ExpeeMçâo nâk) é o mesmo que esperança. E^ipeè* 
taçSo é de cousa certa , esperança de jncerlia : expectar 
çâo é de cousa próxima, esperança de cousa remotia: 
.expectação designa tempo, esperança nao : em fim , ex- 
pectaçjio é decote»: assim boa como má : esperança sém*- 
pre é de eousa boa. 

Extremado e e^lnsmosa equivocam .muitps , não ob^ 
.stante ser o^ari.^ aí itta dáffereâçá. Eccireina&o^í9l,<> mes- 
,aip que perfoitos. «EKUemadft.obrã,>.fQrmo9ttsay.yictudfe 
A^.^ EcKti:tími9k$ é o :inásmo qite excestóvo^ e empeâhado 
com grande desvelo. aExtreatoso amante, amigo, cui- 

J>}c#li9{s(Sgòndti faria noa CÒMin^ntarioa «a Canhões] 
é o qua^ 4Í9 gaiaotetíafli pofidiaâ : chooarráro- o qu? di« 
graçaíi plebeas« . i ^ . 

Fadiga é mais que trabalho , e v«d Q mesmo que 
lida , isto é , xntík trabalho qxie não só cança o eorpo , 



ISO 

Hias o espirito. Çoiivém-lhe a mesma dí/ferénça que fa- 
2Íam os latinos entre sollictiudo e labor. 

Faísca y rigorosamente fallando, não se deve equi* 
yocsLi com tctntilla» lista é uma pàrticula ígnea ^ nSo 
separada ou desatada do corpo luminoso , v. g. a scin* 
úllaçâo das estrellas. Fatsca é partícula ignea, separada 
inteiramente do corpo luminoso , v. g. o fogo que sahe 
da pederneira. ferida pelo fuzil , ou o que lança a braza 
quando espirra. 

FaUada é engano por palavras. Não sendo por eL* 
las já rigorosamente se nâo deve usar de FaUacia. Por 
isso se diz com propriedade ufallaciat da log^ca^ da rhe- 
torica &c. 

FaU^cer no tempo de Josk> de Barros até o de 
D. Francisco Manuel significava faltar; e assim diziam 
estes auctores^ faUeceo o tempo por faltou o tempo. Hoje 
significa acabar a vida , e [segundo alguns] em socego , 
não admittiodo qué se diga ufalleeeo na guerra , em pe- 
leja &c. 

Fama e rumor tem esta differença. Fama é uma 
opinião e consenso commum em crer alguma cousa , da 
qual é testemunha quasi um povo inteiro. JRumor é uma 
Boticia dispersa entre alguns, sem auctor certo ^ á qual 
a malignidade deu principio, e a credulidade augmento. 
Esta differença é mais seguida do que a* outra que di2, 
que fama é simplesmente a noticia espalhada entre toui- 
tos j e rumor entre poucos. 

Faminto não é o mesmo que esfaimado^ como mui- 
tos erradamente entendem. Faminto é o que simples- 
mente, tem fome: erftúmado é padecer fome por muito 
tempo, ou nunca se poder fartar. Yeja-se a Vieira no 
tom. 5. pag. 4ft3. 

Fanático não é simplesmente qualquei: louco , ma^ 



visionário, que sesuppÔe arrebatado de furor divino, co- 
mo é o que affecta revelações do ceu , deixando-se levar 
dos enganos do Demónio. 

Fatalidade nãoé simplesmente qualquer infortúnio, 
mas suecesso n&o previsto , acompanhado de grande des- 
graça , que se faz digna de especial sentimento. 

Fender nâo é o mesmo que cortar. Quando se cor- 
ta madeira pelo fio ao comprido é fender y e contra o fio 
ao largo é cortar. 

Festéfo e festim tem significações diversas , se bem 
que vulgarmente se equivocam. Festejo é bom acolhi- 
mento : festim entre os nossos antigos era banquete ; ho- 
je é festa de baile, musica &c. Por onde nâo fallaram 
com propriedade aquelles onde achamos «Houve um 
grande festejo 9> em logar de um gmnde festijn ^ palavrai 

de que usou Jacinto Freire na púg. 30. 

Fidaigo de Solar ^ nome que se dá em Portugal e 

Hespanha ao homerá de antiga nobreza : em Ingláterrii 
é lord : em Veneza nobrc^homem : nas demais partes de 
Ilalia caváíhAró : no Peru era vneà : em Polónia palor 
tino &c. 

FmM querem alguns que diffira de a%%%nadó^ di- 
zendo , que firma é mais próprio para os pâp«ís públicos 
e de importância, em que qm^oa se assigna ÍHzfi^me o 
çontbeudo nelles. Asmuido é%6 paraesmptos particabK 
res, que nada importam. NHo appnmimo0 esta diíferen*^ 
ça, porque o assinado de cada um em todo opapelsem^ 
pare ,é firma , qúé affirma o que se deixa escríplo. 

Fitar e fixar sSo verbos com qiie proprianiente se 
exprime a acçib de olhar còm vista immo-vel ; porem nes- 
te sentido fitar tem exemplos mais clássicos, como sa- 
bem os que tem liçío de Vieira , e outros semelhantes. 
Fimar i mais próprio para passos &c. Sobre estes dous 



1S« 

verbos v6Ja-«o Vieira no tom. 1. pag. 380 ^ e ao tom. 
9, pag. 15- 

Fhrecente e florente variam na applicaçao» Fhre^ 
ç&fíte 6 no sentido natural^ ynjsí ftorecenU ^ como disse 
Vieira. Florente é no sentido figurado ; exercito florente^ 
como disse Brito no tom. S. da Mon. Lusit. pag. ^18. 

Foha nâLo é qualquer dança , mas aquella em que 
se fazem movimentos extravagantes para cauzar rúso^ « 
que é acompanhada do ruido de vários instrumentos^ e 
composta de diversos daiiçantes^ gente do povo* 

Forneckdo eformdop posto que sejam omesmo^ tem 
differença na applicaçio. Diz-se y imitando a Vieira no 
seu Xamer dormindo^ pag. âOõ^ galeotas/cM^necidas; e 
dÍ2^sey seguindo a Brito nq tom. 1. da Mon. Lusit. ^ 
pag. 126 9 corpo bem fornido de membros. 

Fortal€%a^ f4>rça efortidâo: segundo muitos, tem 
differença. Querem que em rigor f&ptaki%a seja força do 
espirito ; foTfa robustez do corpo ; efortidâo forfa decott** 
sa inaftimada , que nâo se piódô rasgar ou roaxper. CoI^• 
eordamos com esta differeniga^ por ser fundada env bons 
exemplos. 

Fí^audmlemna : engano ocenlto* coot doio e subtileza, 
e nisto se distingue das outiias castas de engano. 

Frieza: cómmvmituaÊ^m nfto.aehanvos esta palavra 
seivinda< no sentido ^ natífirál Be ss^ nonimo a fàtoMade ^ 
Bftas quosisempre no metaÊnsfco^ vadosado e mesevo^qua 
fifOUsAdâO' & fiiAtííai 

Fu^two^foragide^ O|»rinieÍ0O appiica-se ooHimaís 
propriedade a cousa» que- passa depressay com:o se. fíigíra : 
rio, idadtt^ esperança ^/íigâtina. O' segundo ap^dica^so 
mais pffopriameaAe a pessoa ^isto^é, ao que anda vioitt»^ 
taúameote desterrado sem • tor piirte cevta. : { 

Fundear erfundUr nSo>é o-mesmo^ posto- i|ii».<ei|& 



muito» livro» se v^m equifocadoe «ates verbos ^ toman- 
do /tm(íir por ir ao fundo do mar, e fundear por derre- 
ter metae^. Fundir pois é fazer liquido algum metal y t 
fundear é mergulhar este no fundo da agua. Se te diz ^ 
fundíu-se a te^ra 9 é no sentido metafórico de se disaol» 
yer um corpo tâo solido , como se dissolvem os metaes. 

jPurtçsQ^ fr^mtiço iisiano lem em rigor grande difi- 
ferença. furiot^ éaquelle louco, que se arremessa eagu* 
1^ demAneira» que nlopóde socegar nem nocorpo> nem 
no espúítp^ Jtrm^ico é o que eatá em um contimuo de- 
lírio com febre > e por alia se differença do %na»%aeQy me-- 
lancolico e diUrantcy porque qualquer destes males vem 
muitai vç^es aem lebre. Inumo é oqué nio está em seu 
perfeito jui^q 9 e é um dos género» de loucura , que per- 
tence á d^Bieucia. 

Furtar e roubar : o primeiro é tomar alguma cousa 
^o particular conu^.sua ju»ta vontade: o segundo é to- 
ma-la ao publico. 

FvMigar diffefe deafs^Mlar,. no inatrumento, porque 
^.(Vn^^O^' coflu varas ^ «m sentido wofio vai o> mesmo que 
castiígai^* 

Gabador [segundo muitos^ differe á^tctuvadúr^ por** 
q^^ sf^ 4 de sii proprd^. suppôe jaeianeia 9 e se ó de ou- 
tiFem supp^ Ueenja. Q^ereni^ que ap gabar eolre de or-» 
4íb^qU^ enganai poi{ vic do italiano g>a&&are ^ que vai. o 
mí^m^' V^^. i|i»f4MM»f y eeiusa que- nSé^t admiUet o íouvoft^ 
P9f9»ía' ff «8Up5e siflgeteza. 

Gtídd^udfh querem «Miilíde que emi seniido^ rígoisoso 
SíQ^ P^u#T tfeifS, muitfl^ cí^beUet «omprido^ eliao^ enliosim- 
pJesmienM Or qme. tem. mullioi eaJbeUoj o^mo quer q«e fòr,. 
porque esta. pajavr» vefzv d» gadelha 9 que proprineaente 
sSp* xxm pouco» de oaJieUQe eompiidos^ jusitos entre si, e 
apartiados^doa outros. 



Gadoy 56 é grosso, diz^se armentOy palavra de que 
usaram os nossos poetas : se meudo, diziam os nossos an* 
tigos grei ou gregCy palavra injustamente antiquada. 

Galcro n£o se usa no portuguez, senão pelo chapéu 
com que os antigos pintaram a Mercúrio. 

Generoso não é propriamente synonimo de liberal , 
mas sim de iUustre em fidalguia e nobreza de animo. 
São muitos os exemplos dos nossos melhores auctores , 
que assim o provam. E porque o illustre e amigo deglo^ 
xiosa honra deve ser liberal, daqui procedeu chamar-se 
generoso ao que pratica liberalidades , ou também por- 
que se faz illustre no animo o que é liberal. 

Granito equivocam muitos com graniio^ quando 
granito é o mesmo que grúoAnho , e gram%o o m€smx> 
que saraiva ou pedra. Granito de uvas &c. Chuveiro de 
grani%os, [Vide Alarco.] 

Crratificar differe de agradecer em sentido rigoroso; 
porque gratificar é recompensar , pelo modo que se pô- 
de i, -a boa obra que se recebeu de alguém, agradecer é 
simplesmente render graças por mercê recebida. Assim 
o achamos em João de Barros na Decad. 1.^ pag. 86, e 
em Jacinto Freire pag. 45« 

Grato por agradeádo nio sei que o dissesse algum 
Clássico portuguez, nem nesta aêcep^lo traz Bluteftú tal 
palavra. O que achamos nos botis auctories é grato por 
cousa ou pessoa bem acceita, bem recebida, e agradá- 
vel a alguém. Principe grato, TÍágem grato, memoria 
grata ^ diz Jacinto Freire em diversos logares. 

Gravame é peso do espífito, assim como peso é pa- 
ra o corpo, e carga para aoimaes &Cé Este gravame ex^ 
plica-se por vexação, oppressSo, injustiça &c. 

Gra»e%a egramdadc no seu natural sentido tem bons 
exemplQs.;^por^zi são mais e melhores os qtte trazem ^a^ 



IS» 

ve%a [e não gravidade de doença ^ de peccados 6cc. y e 
gravidade [e não groi^essa]] da pedra, do ar, do aspecto, 
das palavras &c. 

Grémio y posto que frequentemente valha omesmo, 
que seio , a sua verdadeira signi&cação é regaço , que é 
parte inferior ao seio. 

Grilhão em preso 6 para pés : algema para mãos : 
correnie para pés , mSos e pescoço &c« 

Gualtára^ carapuça de pastor, que tem uma só 
aba. Usou-o Vieira no tom. 1. pag. 307. 

Hon/Gitidade em rigorosa significação nao é o mes^ 
mo que piMÍicicia. Honuiidade é a decência e virtude y 
com que procedem os boas em qualquer das suas acções. 
PvduÀcia é continência do appetile libidinoso. 

Hostilidade nSo é simples estrago, mas estrago do 
inimigo na guerra; por onde errou um moderno escrip^ 
tor que chamou hostilidades aos estragos que fez um ter* 
remoto. 

Jactância querem muitos que ntio. seja synonimo de 
mera vaidade y mas uma vangloria acompanhada de am- 
bição , soberba e desprezo alheio.: - 

Jactara propriamente não é qualquer perda, mas a 
que se sente por bens perdidos, arrojados ao mar por 
naufrágio ou outros motivos. £^ palavra qúe tem mais 
uso no estilo forense. 

Idades. Infanda é desde os 4 annos até os 7. Ptie- 
ricia desde os 7 até os 14. jádokscenda dos 14 até os SS. 
Ju/ventude dos §ft até os 41. Firihdade dos 41 até os 56. 
Velhice dos 56 até os 61. i)ecrepila idade é a extrema 
velhice. Este calculo é de Duarte Nunes de Leão na sua 
Orthographia , e parece-nos demasiadamente miúdo. 

Jerarquia , como significa priwApado sagrado , nao 
^ p^ opplicav senfto is clas90s ou coros dos anjos , e 



ádo pontífice fotnano com os seus card^âes, bispos &c. , 
que j^intos fermam a jerarquia da igreja. 

Jjgnama , palavra que achamos em diversos auetores 
portiiguéze»^ que niío sSo da ultima classe, uÍo é o mes- 
mo qvLepregu^a e inércia. Serignaoo é ser tardo emco«fx-> 
pletar um negocio ; preguiçoso é ser remisso etít o corte- 
çar :in€rt€ é serinllabil enl oconseguif. Porondeatg^na- 
tna nada acaba , a pregitiça nada obra , a Inércia nadai 
consegue. 

Ignominia diffei^ de infâmia, e de desbonra de me« 
nof pesa, porque se p6de dar, sem que resulte infâmia, 
pois que só é privação de bom nome , e mfamia a total 
prívaçCo delle^ BsCa provam de deHctos enof Mes , e pas-*' 
sa aos descendentes, o que nâo suecede com a ignotóíniâj 
pena que nSo pas^ da pessoa. 

Ignorcmfe nâte é propriamente o mesmo d^ftie néscio, 
QiDem ignora alguma cou^a, ou por negligencia própria, 
ou por erro alheio , é ignorante ; quem nada sabe por 
imperícia é nesdo, Efeta diCferença é de muitos grattima- 
ticos antigos , mas nSo agrada a alguns modertfo^. 

Imagem e retrato : querem m^iitos críticos escrupu*- 
losos que senão diga ifnagem d*elHrei, m&srttra^oi' nem 
retrato de um santo, mas imagem y pofque teimam qne 
entre nós esta palavra só se deve appli^ar á figtMra i^pre- 
sentativa de algum bemaventurado^ 

Immenso se dia pròptiatnente' da cousa qtie nío tem 
medida, ou tem vastíssima extensão, que nâb' sêf pódé 
medir. JWimertto» céus, maVes-, le^oá^ ftb. Por fi^raé 
que se applica a coilsa e3fcessiv«; immenmfg virtudes^ ri- 
quezas, esmolas &«. , poti^qàè em termo proprib deve-se 
dizer intmmercio^.' ' . c^. i 

línmokifãi}, mcthna ,' koíKa e*húlbt€W^iti& flSb s&o ri^- 
goroso9 ^vnonimos; imntoAção, s^undb 9.' liíídoro, é 



187 

simplesmente offerta de oous^ que se hilp de matar:. 
victima é sacrificio de animaes grandes, como touros õlcj^ 
e feito depois de alcançada alguma víctoría. Hóstia é sa- 
crificio em acçSo de graçus pela fugida dos inimigos, se^ 
guodo Ovídio : « Ho^tibus amotu , hóstia nomen habet. 
Donde se vè a propriedade com que se chama ho&tia im*^ 
maculáta ao Verbo Divino, quando se sacrificou na crus, 
afugentando do mundo aos inlersaes inimigos. JShlooaiu^ 
to é o sacrificio que o fogo consome» Sacrijicio é termo 
geral , que abrange qualquer das sobreditas differenças; 

Impiedade nfto é propriain;en1}e crueldade e /y ronnia, 
mas acção sacrilega do falta de resp^to ás cousas sia« 
gradas. 

.ImportvMO é o contrario da opporiuno ^ e s6 no sen- 
tido figurado é que se toma por homem pezado , e que 
falia ovt, obra cousas fóhi de tempo. 

Imprecação e imprecar querem muitos que sempre 
se deva tomar em má signtficaçfto , á maneira dos lati* 
nos, eii,tre os (fuaes significava prcfn eprc^uefa$\ Po* 
rem erram os que são deste parecer, porque entre nós es^ 
tas palavras também significam desqar bem a alguém , 
e. pedi-lo a Deus Qom instancia. Neste sentido usou Bri-r 
to de imprecação no tom. 1. da Mon. Lusit. pag. 17 K 
col. 3., e Vieira ao tom* 4 pag. 400 usou de imprecar. 

Improviso a cada pas^o- se equivoca com repentino , 
porque pôde uiça cousa vir repentina , e não set impro* 
râa, esperando^se antes de vir. A morte do justo pôde 
ser i»p^atina, mas Qunca é. improvisa, porque. sempre a 
estava prevendoe a vida virtuosa. 

Jhomcusso [i|to é que se não pódd abalar^ dissse só 
de cousas, e especialmente no sentido metafórico, Ver<^ 
dftde inoonctissa, ÍTu»)9u»i«ia fidelidade, disse D. Francis- 
OQ Manuel nas JSpanaloras'pag« 91. Se o. que não á^pó- 



de abalar é pèaspa, entao^ em logat de iocaiDcusap^ ,vw.- 
s^ de imTncnKl^ Jirmc^ mvcmAvel Sx,c, . .,,.,, 

Inconmtapfwcly palavra que se; apha no lí^^ro. Pra- 
tica entre Heríicl..eDeBiocrit. pag.^B^T^f^ é, ^,iioq^aA 
de tncombmiivel^ porque InponsurnpttveJ 4 ^'^^^^ ^^^ .^ 
oSo pôde consumir por qualquer modo que sejf^; >,e. jn- 
combuitivel é cousa que nao consome o fogp^^ ^çfitQaJ^- 
oombustivcl é de bons auctores* . . ^ 

Incontinência é vicio que em sentidp rigf>r<^. 4iz res- 
peito á virtude da Umperança^ majls qii^.4íd^..^«li^- 
áe, isto é, diz-se mais propriain.ente .itfcaníinjfç^clf^.^no co- 
mer e beber j que na guarda de eastp^ co^iii^ef^, -^^Ví^' 
cicia é que se pppõe á lascívia. ; , nuS^j s:-^ >. 

Indigência^ pobre%a^ penúria QÍ^K^^,.o^9:^çãq^|}jp^ 
ni|QOs. Indagencia é necessidade dealguma CQ^;^^o6re« 
sfta.é tenuidáde de posses para suslcnli*r..a,v^íd^:,^jpgí^i^ 
é faUa de .comestível para sustento: Jnopi^ éjo^^^ta 
jn^ío. só de b^ns> mas .de ajuda e socQiiro,, ^e^^}i4,i9al,,^ 
mendíguez no juizo^e alguns gr2\mmat^çps^ v^f ^o^yfBs 
indigência e inópia não tem a seu favor os DiiejybkQ^i^exem- 
plos em prosa* No verso, alguns poetas usaramdella», .se- 
guindo, a Camões no Cant. 5», est. 6. , e em,divçjç^a.lçK 
jjarçs das obras ly ricas. ^ ' 

Indiligcnte^ palavra usada por Francisco j^odrlg^ijes 
Lobo., na Corte na Aldeia, pag. 93., pos toque 'Bigníâ- 
gue o mesmo que nçghgente^ é bem que ,se ^^^vd|3|Ja 
para quando por decência não quizermos ^^Çj|ij(^Q^ftfir 
com a áspera palavra áe neglkgente^ assim cqi^o.^-pornâo 
se dizer ignorante^ voz que escandalisa 9, /^ d^^^^iji^piffo. 

Jndalger^cia ik^ se tornando por graça.^^que ofi^p^s* 
de a Igreja ao peccador arrepepdido, não é pi|ie9iMmie 
simples mercê e favor ^ como muitos o entei)):ji^m.^ , .1^^ 
«im /oci/iáoçíc em perdoar ou dissimulaic^ Qi^^p^j^^^^i^clp* 



129 

se demasiada liberdade a alguém. Indulgência do juiz , 
do pai &c. 9 isto éyfrouaidâo cm castigar oreo e o filho. 

Inedia tomam muitos porsynonimo ou dedteia ejc^ 
jum^ ou por total abstinência de comer e beber. Uns e 
outros não faliam com rigorosa propriedade, porque ine- 
dia é uma voluntária ou forçosa abstinência só de tudo 
o que é comer , porque vem de in e edo. 

^Ineccoravel só se diz propriamente daqitelle que nSo 
se abranda a rogos : donde se vè, que pôde uma pessoa 
ter cruel, e não ser inexoravely se faltar quem lhe rogue. 

Inestimável nSo é pessoa ou cousa que se deva esti- 
mar, mal úm que nSo tem preço, e que nSo pôde ser 
assaz estimada. Por onde errou um moderno, que disse 
c^idèaâ' inesíimavets f> por indignas de apprbvaçSo. 

Infiel e pérfido tem sua differença. O primeiro é o 
que nlío tem qualidades para se fiar delle , ou que nao 
professa ser fiel aos outros. O segundo é o que de facto 
quebranta a fidelidade devida. Veja-se a Francisco Ro- 
drigues Lobo ua sua Corte na jálSia. 

InMbiçâo e inMòir sim vale o mesmo que proMbi- 
jrão e pro&ibir, mas propriamente é só no estilo forense : 
em qualquer outro não lhe achamos bons exemplos. 

Insolente é em rigor o que faz acç5es , ou diz pala- 
vras insolitaSy isto é, que não se devem praticar nem di- 
icer. 'Ne^accepção rigorosa o traz Duarte Nunes de Leão 
na Origem da Liug. Port. pag. 115. Hoje vai o meèmo 
que desaforado f petulante e soberbo. 

Instructor e instruidor querem muitos que tenham 
diffèréhça. Dizem que Instructor é aquelle que ordena 
e 'diépfie alguma obra, lemt>ranâo-se de ter dito Barros 
' tNt Dfecad. C. pag. 91. a Magesiade e iristructura da obra.» 
Histrúiãoré^òque instrue e ensina a alguém. Nós hoje a 
WetíSáttitimo^iHsiríictQry e ao outro constructor,. 



130 



Inveit%gar propriamenle é buscar pelos vestígios : in^ 
dagar é busco r peio rasLo oib maltto. Investtí.ga qu^quer 
homem; indaga o t^íg^do^v, Ssquadrúnhar. ée^^Mxnar tom 
exacta medida y como se íoise á esquadiÂa> £$pocular é 
ver, e escrutinar de lugar alto.. : : .• .] 

Iracundo , e irada não é o mesmo* Iracunda é o ho- 
mem por natureza propenso á ira: irado é aqiíeUe, que 
de repente se escandeceu oflendido; de maoeíra que ira 
nâo é viciuhtíbitfualy $e por inveterada n&> degenera. em 
oo&o. O irado pode aáo ser iracuindo, e o iracundo pod^ 
algumas veees nao «er irado. ' 

Jrmoo absolu^tamente é um termo rd^ativo entre d<)Mf 
filhos do mcismo paí^ e damesioba mai. Se:éui»éix>>imiiiío 
por parte. do pai díz'*se ^n?t£> jCon»anguineQ<; se por- pdrr 
te da mâí irmoD uiúrinOé.O miais velho chamasse primo*- 
gcmto<^.o% dejnais isiçxèadtte$ y palavra nsodema^^uenos 
veio.de França, mas que está já nattiralisada* 

Istrião ^ palavra de que usou Vieira noiom* 4 page 
^53 não é simples. actor ^ o» râpresezitante , mas umbo* 
bo, que representa mascarado no theeitro^ tomando di- 
versas figuras : mimo é aqueUè, que com gestos^ e ac^o 
ções. axl€^naipaiihados de4)alai?ras repisesen^ .ao. i^i^vo: os cos? 
tuhi^s, 'C dito^ dos; homens > mas ^eok màsciacaf & nisto 
se differençã do i^riãOn Panlonúmo .é«o que sem o.^soo- 
corro das .vQjses, e só ajudado de vi vissimat. acções .repre- 
senta o cair(u;t(eàr de qualqtuç^ individuo^ . . 

Jucundo y e grato tem em^efttkk> rigoroso esta di£- 
ierença : jucundo é cousa suave aoespírito;greto.<é cou- 
sa; bem accei^ta.. Xudo oqua é }u€undo é^nlío ,i ma$ úejai 
tink^ ó qtie< é gmto jé jumindo^ Ao enfermo é^at^ a:mc^ 
dijciria, mas nôo ejaculada o reinedio« Pelo cotitravipTíap 
saborosas iguarias , e os finos lÍ0<»»es.9 ' sSo gratos >> e jur 
cundcts,. 



« i 



« » 



.. * • <' y 



131 

LcuRno mi o metiBO qoei desiro , e esperto ; mas rSq 
se npfdica rigofuosameote senfto a negros , que percebenk 
bem oqoo se lhes diey e encomenda; ou a estrangeiros^ 
que tomaram dièpresaa a língua ^ e temespertesa para se 
acomodarem aos eostumes da te^e. 

LmJrão y' se éfamoso, e antigo noofficio^ diz-»se ca- 
(jima ; seéiiixialaâor ^^ assossiTio^ se ó de estrada salkachr ^ 
se de furt<^s miados ro/onaíro; se détfaesouro, oudiohttii- 
ro publico r(mbachr ;* sedo mar cormrio^ ou pirata ; ^e 
em companhia de outros btmdoleir^^^ i(c* 

Ládf*(KÍra n&o éfa^to^ eòmo muitoB^entendeói^ mas 
sim; o k»g^r-^'0tide setecolbem oe^ladrôesi Veja^eaBár** 
TCts na Ekead.'^ pag; 116, e com elle a* todos osiouttids 
Gtassícos^ qu^ jámaie- u^ram de ^o«b*oe»na . por synoni^ 
mo 4é tadtoice ^ iSakna liK>je comummente se usa^ 
.< / líaga fiãtoi^é^o meimO que tiagéa^ JàOrk^o nuoda ^felv 
ta agua , porque nasce nelle , e á lagêa sim , secandcMsê 
n0iesfio.ii>e-m«tM!ira-qiie as agitas dos lagos ssbo^ordína- 
riaimeate as das-foBtesdos montes, que se estagnam nos 
vfiUes^i er. as 4asr lagoas» sâoptbosd ida» «oomuiá mente das 
chuvas, do inverno. . • / 

>^> iiLamenfeir ié mentir aigiuma eòusa com lagránaato, ge- 
midos^^ e^ritos.^ Ermm>os q«e o tem por. synonim^/de 
moro^c&iDrjor^ e sentir* . * > v * : . 

•.«« JLâmímaittâo secve sá pata metacs^ : também^ se iap^r 
plica para marmovès com o exemplo de Vieira ,' que no 
tettt.íiéfiidisaei 2i4[)o«i'Ja?R4nas da mesma pedra» ista:é| 

.'rv^t^ Latifi. nSk)' é.no dUo o m«skno, qvk9.:9Ímfleé)l€tárap^ 
aMea é^õtUái oasiaode vok mtfiai^íina^' de qne^dile usa^ 
q4i ando isegoie i a caç a , out vosndoKi ycnk eoniioèendo pelo 
iàtOj 4|»e-'Uie vai adiuste; ' » ou.. . 

'* Lawto^ palavra^ dequeusa o P.Telles »aeua'j&IA&>^ 

9 « 



las 

jna jília pag.^7, nãò vai omesmo, absolutameale fal- 
lando, que esplendido ^ e magnifico^ mas é termo ^ que 
serve sé para denotar grandeza 9 e magnificência na me^ 
sa, quando abunda de diversas, e custosas igm^ríasj e 
por isso se diz Zau^o banquete, &c. enao lauta festa^. &c. 

L€V€%q y e leviandade , não a confundiam os nossos 
bons Âuctores. Usavam de leveia no sentido literal , pe- 
lo contrario da gravidade , e era o mesmo que kvidio. 
Leveza no sentido metafórico era leviandade f e chama- 
vam levianas ás pessoas de leve juizo. 

Liberto nSo é rigorosamente synonimo de fit^re; e 
nao se deve dizer liberto de cuidados, de cargos, de fi- 
lhos , &c. nías sim 6fcre ; por que. Rba^to é em rigor o es- 
cravo forro, e acha-se na Ordenação do reino con este 
significado. Bem disse o Auctor do livro Ih.minÍQ^.$obre 
afortuna chamando na pag. éO£ aos homens ftbertos de 
Deus. 

Lyceo: erram aquelles, que naptesa usam esia pa- 
lavra, como synonimo de academia, em que.se eultiva 
a poesia. Liceo era a aula de filosofia, que Aristóteles 
tinha em Athènas. 

Lisongeary e adular ^ querem os bons críticos, que 
tenha entre nós a mesma differença , que tinha entue os 
romanos âssen^ari, adulari. Dieem pois, que iisongear 
é dar louvores nSk> merecidos com encarecido fiAgpm^Qito 
para captar a graça dealgtiem. jídular é o mesmo,: mas 
çom modos servis, acompanhados de gestos, que demons- 
trem afagos^ porque adulator na lingua latina Vem pro- 
priamente do c8o afagueiro quando faz feata a alguém. 
Por onde competindo á lisonja o epitheto dBvily akida 
este é mais próprio da aâulaç§k>. 

Logradouro nSo é propriamente o logar , que tem 
vista espaçosa, e diversa, segundo a signíficaçito<eonimum 



i;)3 

tendo-sé por synonimo de mirante ^ ou miradouro ^ mas 
sim tiin campo publico , onde qualquer podemaudar pasr 
tar o seu gado ; ou o chão , que alguém para sua maior 
commodtdade tem adiante das suas casas. Neste sentido 
équé se diz: casas com seu logradouro* 

Ixmganlfnidadcy palavra, de que usou Vieira no tom. 
3 pag. 133 , e depois delle outros muitos ; nSo é qualquer 
firmeza, e constância de animo, masaquella, que éum 
dos sete dons do Espirito Santo , com a qual igualmente 
se recebe o bem, e o mal. Differe nisto depatÀencta^ por 
que esta só tem relação com o mal , ao qual constante- 
mente se acomoda. 

Makfxyknóta coafundcfm muitos com ódio , mas pro- 
priamente s6 significa tná tx^ntade a alguém com alguma 
câusay porque sem eUa é aniipaihia, 

Malfáiotf em significação rigorosa é qualquer culpa- 
do em algum crime , e não o Auctor de graves delidos^ 
porque a esto. tal pertence propriamente o nome de/o- 
éinoro90\ porém é mui usado fazerem synonimos a estes 
dous nomesj 

Manceba de homem solteiro é concubina ^ de casado 
dAvam*lhc ostuossos antigos o nome de combor^a; deportas 
a dentro. Amigo, segundo Bluteau nas frazes porLuguezas. 

Mangra é o damnoto humor , e orvalho da nçvoa, 
que não deixa medrar os fructos da terra. Por metáfora 
é que se applica á gente desgraçada , e também á ocio- 
sa y a.q«mn não luz o trabalho. 

iMíof unia enradamen te tomam muitos por uma gran- 
de^ e sumptuosa fabrica , quando no semtido literal não 
.«ftgfiificá. outra cousa, senão engenho mecânico, compos- 
to de diversas peças, com que obra a arte extraordinários 
effeitos > e no sentido figurado significa eqspieza grande, 
.difõ^ultoiía^^&c, i ^ 



134 

Mavintyrra^ palavra arábica, é propriamente uma 
priéâo subterrânea 9 em que bs mouros de Barbaria reco^ 
}bem de noute os escravos : de sorte que lo&o é cadéa pa- 
ra castigo, mas casa para guarda. 

Matrona ; é termo , que não se deve applícar [fal* 
lãtido em sentido rigoroso^a mulher donzella, roas sóá 
que é casada, ou que pelo menos em algum tempo o foi. 

Melancolia differe de trtst€%ay em que esta é en- 
fermidade dó animo, eaquella da corpo, quando seexal-» 
la o humor melancólico : uma é paixão do espirito, ou- 
tra é natural doença. Porem a cada passo se acha nos 
Clássicos o uso destas palavras como synonimas. 

Melodia di2 Bluteau , que dfftere de harmonia em • 
iet um certo primor, suavidade , e brandura de voz no 
canto, a qual precisamente senão dá sempre naiuirmonia. 

Mendigo é o publico pedinte que nada tem para se 
^Htnentar. Pobre 6 ó que tem pouco para poder viver. 
Aos que nada tem de seiu , mas pedem em segredo, que^ 
rem muitos, que não se devam chamar mem%08 ,* por 
que nao pedem claramente de porta em porta. 

Mcrettí% nHô é mulher tão escandalosa como prosii- 
infa. Segundo os romanos ineretr%% era a que só de noir* 
teentregúva eomcautella o seu corpo; eprotti^ta a que 
çom escândalo o expunha de dia, e noute. A' mulher, 
que sóadmitte um, n£o sedeve [segundo o Direito] cha- 
mar m€rêtrí%y toas de /afta. 

Milagre , prodígio y e pi/rienio não sSò rigorosamen- 
te a mesma cousa* Milagre é obra admirável da mãó di- 
vina, superior a toda a faculdade creada, e contra o con- 
curso ordinário das cousas. Prodígio é o ef feito detòusa 
maravilhosa , qué já se havia predicto. Portànio é iJnal 
extraordinária , e por veises bbservadò , que predf z cotfáa 
muito notável. Momtro é cousa contra aokletúhmural. ' 



Mmf^,ãiikiíe damueroíiKÍ f adgundo alguns .critícos^ 
Quem jjustamente é caUígaxio pela justiça. £<1Í^P"^ elles] 
é xnisero^ mas não miserável: quem íujustameiíte pade- 
ce, é miserável. Demaueira que lodo o rhisÃravel é.mi- 
s^a>, mas nem ioào o miseco é miserável. 

Moderação em termo rigoroso é comedimenlq^ e tem- 
peraoça no obK^r. Mod^tia é cpmpos.tura da pessoa cm 
tpdq o çeu exterior. Porem faeilmeate se. acham boas 
e^íemplof yique fa^m syBOnimas a estas duas pala.vra»««,. 

Mçfa nâo ^ simples esçarneò, j»ãs esc/^rai^o acoia- 
paahado de alguus tcejeitos desprpsadoces ,. e palavras d^e 
ironia , mostrando-se dó affectado de quem seescaraecq. 
De maneira que escarnecer de alguçm.seo^ aeções inju- 
riosamente ridículas, e i^atirícas, diz PerPfto^ que pãp 
é mofar. 

Momento não é segundo aacpepçaocommiUíi. um bre- 
víssimo espaço de tempo, mas um indivisível de tempo 
assim como é entre ps mathematícos ó ponto a respeito 
da. linha. 

Montante é espada, que excede na grandeza a al- 
tura 4p bomem^ e áe joga Com duas maps* Desta. pala- 
ví^ W^Qrt Viqira., tradusindo o lexlo dfi S, Paulo. (uPe- 
nctrabilior omvigladàQ ím<Ap%ii, Tom* 10 pag. 363. 

M(>nteqr é.caça,r €aça monteza. Usou-o Vieira no 
iQiaçí. 9 pag- ^.OB,.Desjle verbo vem a montaria. 

Mortificação por desgosto^ dissabor, .c pena tem pou- 
cos, ^x^oi^lp^ bons emAuçtOfes históricos, poljtícos,. 6cc. 
Pojem J^çaada pOr..|ir.Qlunt^«o castigp dc^cgrpo, tem ii 
fie^u.íayoif ^,Auç|pridadt9:dos nossos i^elbOrQs clássicos. 

,J\^Qrt(}rfa,4 prcípriaj:peft|e yioba perdida» pu.mato 
pi^UfijPip^.qjil^.já^ foi plantado* Daqui vem awetaíora de, 
8e,.di?<e^r /(íe,.u«h.^.çovs^,. dç qwe já.se,iíao fa? çaso, e de 
um .Qjj^iç^^ que oao. vai avante., está em mortorio : é 



13S 

«rro diser-se em mortw>r%Oj por que esta palatra Vai o 
mesmo que estar triste , e callado ^ como se está em oca- 
sião de morte. 

Moicjor difiere de mofar, Motqar é diser palavras 
picantes, e mofar é especialmente fazer gestos para es- 
carnecer. 

Motim é o mesmo , que tumulto , mas nao o mesmo, 
que hvanlainentOp e sedição. Motim é altera9ào repcnth^ 
na do povo , ou soldados mal contentes de alguma cou- 
«a. Levantamento étebeUiSo premeditada: sedição é per- 
turbação entre nobres^ e pUbetUf misturados, e contrários 
a alguma cousa. 

Mouco não é o mesmo que êiurdo. Este é o que na- 
da ouve , aquelle o que ouve mal. Um tem privação to- 
ttal deste sentido ; outro defeito nelle. 

Jíascer ; na ordem da natureza diz-^se propriamente 
do bomem, e dosanimaes. Das flores o seu nascer éòrú^ 
iar; dasfolbas abrir ^ das arvores, e fontes rebentar \ dos- 
enxertos abrolhar ; das pérolas cofègelar ; do dia romper ; 
da luz apontar ; da aurora amanhecer ; do sol raiar , jfc. 
Com cates exemplos vá o leitor, observando outros mui- 
tos verbos, que equivalem a nascer, para osappUcar oom 
propriedade ás cousas^ a que pertencem ^ 

Noticia , nowi^^ e vumdade , posto que valham co- 
mummente por synonimos, tem differença. iVbltciaé cou- 
fta , que vem ao nosso conhecimento : nooa é qualquer 
succesfiO novo 9 que se participa , e divulga : novidade é 
qualidade de cousa moderna, contraria ao uso antigo. As 
noticias [dizia D. Francisco Manuel] que vos posso man- 
dar por novas da corte , é haver noddades em tudo. 

Obelisco não é o mesmo que pyramiãe , como mui- 
tos entendem, fazendo-os synonimos, Obísfisco éuma:s6 
pedra , c essa delgada em comparação da. pyramide, q^e 



ur 

é maU larga na base, de menor altura , e de difersas pe- 
dras. Os italianos aos obeliscos chamam agulhas em rã- 
sSo da sua delgadeza. 

Obkíçâoy oíferta aDeos de cousas inanimadas : Aoi>- 
cauiiOy de cousas vivas, que hade consumir o fogo. 

Obicuridade em sentido rigoroso são aquelles actos, 
acçSes , e palavras desbonestas , que se faziam na come- 
dia antiga : de sorte que fallará com toda a propriedade 
quem disser ãsobscuriãadeB do theatro, por qu,e da «cena 
é que veio mais este synonimo de deihone*t\dade. 

(Miosj segundo a diversa c6r, ou movimento, assim 
tem diversos nomes. Âos que não olham rectamente, cha- 
stam^ee visgoi : aos que áfto tem movimento gracioso, e 
scintiJlante, pasnuidos: aos de vista aguda linces: aos que 
tem ar modesto, axane^ros: aosquetem as meninas bran- 
cas, goiuos: e aos namoradores, fcnnhinhoB , segundo os 
&OSSOS antigos poetas. Veja-se a Francisco Rodrigues Lobo 
nasuftPrimnvera, part. 3 pag.83. Hoje damos este nome 
ao4 que na c6r sanguínea , e na figura redonda e peque* 
na , se parecem com os do pombo. 

Onça mio é, como muitos imaginam , a fêmea do 
^t^e, mas animall [posto que semelhante3 \ie'especie di- 
versa. Alguns querem , que o seumacfao seja ohopardo. 
Orar é pedir com verieraçSo: rogar é deprecar com 
rogos : tu^/ioar é pedir com humildade. 

Omaio de mulher Ao^ênfeites, a que em outro tem- 
po chamavam ata/Dioa: de homem era algum dia adêrc* 
go: de mesa aparamento : de casa alfayaz : de igreja ar^ 
inaçêo: de alVoít' ornamentos : de cavbIío ja€%e$ ^ ifc. 

Ouro purificado de todas as fezes diz^e ' de vtntc e 
{piMxfror «o que tms algum outro metal da mina , como 
latAo , ferro , ice. cbama-se acro: antes de ir ao fogo 6 
^10 , 1DU> tèrgém. '-- '- 



130 

< Pmfièéci da animo : quasi 4]ue cad^ um a tem. «eu ver- 
bo próprio. O medo comprime o coração; a inveja oro6: 
a angustia o desalenta: a soberba nos incha:, a ira nos 
aecende : o íuror nos precipita : h esperança aos ànqme^ 
ta^ ífc. . » 

Pahfrem^ de que usou ainda o Auotor da Ulissea 
j^ocaut, 7.e$t* 19^ n£o é syaooimo de qualquer cavall% 
•mas significa só cayallo manso, ricamente ajaezado par 
ra o uso de princesas , e damas. 

Parafraste é o qu^ traduz algum livro sentido por 
$tfiaíidQ,: métafraste o que traduz palaivra por palavra. 

Pathetio) entendem muitos que é epiibeto, que só 
$e. deve applicar aos :effeitos da dor , e compaixâlo, po- 
rém> em rigor nSo é as^im, porque paihetioo é tudo «quil- 
lo^.qu^ á proprÍQ<para excitar, nos ânimos qualquer /pai- 
xêioy e affeçto, ou seja de amor, ou de ódio, dealegcia)^ 
.ou de peoa., &c, . 

Patíbulo^ e cadafaliQ nSo se derem, equivocar oomo 
synonimos.: o primeiro perten£<; aó para criminosoe ple^ 
beus: o segundo para. nobres. Os enforc^Mlos vftoao pa- 
Jibulo, os degelados ao cadafalso. Temos umÁuetor mo- 
derno, que nao eeteve por este rigor de. linguagem. 

•«>v^ai(ro7K> segundo a nossa ordenação é o senhor :do 
;ft^u liberto, ou escravo forro: nos pleitos é adnogcdo* 

Pamlliâo: usam alguns modernos desta palavra, na 
- ôignifií^açao. de bandeira de nau de guerra, mas errada- 
>meute, porque exnportugu^z significa tenda de.campo, 
..ou certa* armação do leito , ou cobertura do sacrário*. Sipi 
qualquer destas accepçôes tem bons exe«)]^os;iiA deban* 
'deira^ ainda n^humacban»0s. ' i i . 

Pavor ^ iemof y medo ^ e st^s^ tudo tem &ua diffesm^ 
ça, 0e oonaultarmo». os antigo» grammatícos, Segunda çl- 
les pamr é medo pueril : iemor medo de mal proxiwo^., 



139 

e iminente ; medo perturbação do animo refledindo no 
futuro: e susto Tepentioa consternação do espirito. 

Pa% : áiz*ee propriamente , quando os príncipes , ou 
pessoas publicas põem termo ás suas discórdias : c(mcor^ 
dia é entre pessoas particulares , ou de cousas domesti- 
cas: composição é entre partes of fendidas. «Com a cari- 
dade [[ditia IMo^ de Paiva de -Andrade em um discur- 
so manuscríptO) \que vimosj pacificam-se os impérios, 
compocm-se os litigantes, concordam os desavindos^ con« 
gressam^se 03 ínimigoi, &c<» 

Pendor ercadanoente o tomam muitos por synonimo 
de peso, quando elle em rigor só signiftea •deofítikío^, e 
em sentido metafórico propensão. Neste sentido se acha- 
rá em graves Auotores , e na primeira dgaificação o asou 
Vieira tom. «S pag« tb dizendo : aNonbom' jiefiiJÒT^fârsem á 
baiança. » ' t 

Pernúttir : erradamente se usa a cada passo deste ti'r- 
bo por synonimo de dispor , e ordtmar^ quando a sua ge- 
nuína significação 'é nfto impedir, alg^ima oousa illicíla. 
Pcrmitic Deosopeccado: dispõem^ e ordena as prosperi- 
dades, &c. . 

P/sfre rigorosamente nâo é o mesmo que poi?o , pos- 
toque muitas vezes se cenluodam estes dous termos : ^ple- 
be é o mesmo qcievi^go, isto é, a multidão vil, epobre 
da gente dequalquer cidade^ ou povoaíção numerosa. jPo- 
vo comprehende as pessoas nobres e civís« 

* Pèutr0 em rigor não é instrumento musico, niàssím 
o ardo, oa qouea semeibante, com que se ferem as'cor^ 
das- de algunv ÍBstrumenlo; I>aqui veio a pueril m«tafo* 
ra de chamar Fernão Corrêa d« Lacerda ipléotro aobcula^ 
lo do^feino. 'V^^n^^e a* ttfa^torta pastoral na pag. 69. 

' f^ma^tí^i/o é sé-a «pic^iea. A trag^ia,- a eomecKa , 
a tíagicomedía'^ 6^, também são poemas; mas com e^ta 



140 

díffereoça 9 que a epopea é poema épico ^ e a tragedia y 
eomedia e tragicomedía poema dramaitco. 

Ponderar e pe$ar , sendo o meamo na significação , 
o uso é diverso. Ponderar só serve no sentido met«íbri« 
CO 9 isto é , tomar o peso a cousas , que de si o não tem, 
V. g. , ponderar razões, palavras, negócios Àc. Pesar é 
para o sentido literal, v. g. , pesar o ouro, o ar, osroe- 
taes &€. Também se usa no sentido figurado. 

Potestade j postoque se ache em alguns auclores, si- 
gnificando poder , não são estes da primeira nota# Nos 
Clássicos acha*se esta palavra significando espíritos ce- 
lestes, e algumas vezes grandes potentados da terra. 

Prantear nãoé simplesmente cAorar a desgraça pró- 
pria ou alheia, mas chora-la com gritos, gemidos eper* 
CUssQen» DO covpo , como v* g* bater nas faces , no pei- 
to &G. , como faz o povo por demonstração de grande 
sentimento. 

Pratear não é o mesmo que argentear ; o primeiro 
significa cobrir ou guarnecer alguma cousa com prata so- 
lida , e o segundo cobrir com pães de prata reduzida a 
folhas, que dqx>Í9 se burnem. 

Praia é so próprio do mar : margem dos rios. Esta diffe- 
ren^ a cada passo confundem os escriptores pouco correctos* 

Preambulo é discurso que precede a alguma narra- 
ção; porem no sermão diz-se Exórdio : na comedia L6a : 
nos livros prologo. 

Prenda por penhor amoroso tem muitos exemplos ; 
por boas par les^ dotes e qualidades, dizem que nenhum^ 
que seja Clássico, como se resolveu nas conferencias eru- 
ditas do conde da Ericeira ; porem eu acho em Vieira no 
tom. 3. pag. 94, a mulher dotada daquellaa preiuíav , 
que estimam e idolatram os que não são santos* >? No 
tom. 4. pag. 89. a Graças e prendas pessoaes >? ; e na pag. 



141 

146 'disse: << Todas asáenlíoras domunào%Soprendadas.97 
No tom. 6. pag. %B^: aComtantas prencías juntas x'&c. 
Donde se vê que resolveram inadvertidameate aquelles 
salnos académicos. Veidade é que não achámiõs esta pa- 
lavra em outro algum Clássico anterior a. Vieira. 

Prerogativa é propriamente a distincçSo em votar 
primeiro que os outrcâ em alguma cousa y porque traz a 
sua origem deum tribuno romano chamado Pr^ro^fóvo, 
que tinha o privilegio de dar o seu voto primeiro que os 
outros na eleição dos . magistrados. DoháQ prerij^aiwa só 
cahe bem onde ha preoedewAa- 

PresÚgiOf palavra de que usou Vieira no. tom. 6. 
é propriamente aquella artifitáosa appaiTencia e iUusao ^ 
Gom que alguns homens engaúam a outros em jogos e 
habilidades de mãos. Daqui vem chamareia-se pretòi* 
gios ás obras diabólicas que lazem os rfeiliceiros , mos- 
trando na apparencia que transíorinam uma substancia em 
outra. 

Prmúdai nao sSo só os primeiros fructos que dá a 
terra em cada anno, e se offerecem a Deus, mas os prin- 
cipaes e mais escolhidos. Differem prtmieias de decimas 
em que estas tem quantidade taxada ^ e aquellas não , 
exceptuando se eram de animaes , porque na lei antiga 
se dava de duzentos um. 

Primor não é qualquer perfeição, mas a mais apu- 
rada, onde se pôde chegar. Por isso diz com razão Duar- 
te Nunes na Origem da Lingua Portugueza, pag. 184^ 
que esta é uma daquellas especiaes palavras que temos , 
que não se podem explicar bem ent outras linguas. 

Prineipioi : na grammatica são rudimentos : na geo- 
metria' Ekmenias : na musica preludio , isto ó, afinação : 
do dia crefuumk>': da batalha esooramuf a : da missa in- 
ttíMo &c. Vide puteoítnbuio. 



Priof€sa : tituio. da prelada de qualquer con vento ^ 
qvte nauy é monac^al ou abbadía; porem entre as carme- 
litas descalças é príora. 

PrtvU^giOy segundo toda a sua força latina ^nâk) é 
o mesmo que grcs/a feita a um privado particular, enâo 
ao publico. Vem dolatim prim^tis, q»e vai o mesmo 
quB vaHdo^ singular e particular. Hoje porem a palavra 
primkgio significa qualquer graça que o superior conce^* 
de ao inferior. 

Prc^nquidade e propinquo , posto^ue seja o m»s«- 
mo que proasimidade e proccimo^ comtudo os nossos Glat^ 
sioos UG(av8m de proximidade e ptosámo no sie&tidÀ mo- 
ral, ou em termos facultativos ^ v. 'g. y caritativa jDrozri^ 
miékidé aom toãoB y occasião p^ourma , matéria proirênco 
âLc« £ gu^tdB.\am propmqmdadt e propinquo para cvt- 
-trás açcepçôés^ dizendo v; g.j^comôidísscyiaiiu nc^tom. 
S. :pag« 37.] Propvnquidade dasangue: tmnapropiéíqeiãa', 
como se acha em Brito no tom. @. daMon. Lusit. pag» 
8. &c. : matéria profèmpia a oufo,> como se lèMía-Corfee 
na Aldeia y pag» l^.âcc.' Porem esta observação vào'jé 
t£o. segura 9 qiie nSo se acbe' nos mesmos «m am ottto<D<s 
auclores usadas as sobreditas palavras eomosynonimafl»» 

Proiapia nâo é simplesmente o mesmo que genaçdo^ 
mas geração antiga e nobre ; por isso sedia cx>«i pvoprle* 
dade ú prosápia :dos reis, e uiU> gômção. Assí<m ô. vemos 
pfati<iado por Duarto Kibeítb. de Maoêdo no seu- Juiso 
Histórico pag. 3õ. , è por outros Classia»s de igual au*- 
ctoridade* 

Quilate, é s6 pura; {ntrOy e algvunaa.peditarias pDei:Í0«> 
sas-, como di&mawée e ndfim. As pérolas, lambem se pe- 
sem a quilate. . . \ 1 1. 

} Qtnmlennào> 6 espaço deqvii^zeiaanoB: trmmia de 
três; quatrennio de quatro :. guinç^uennio de cioco : s^ 



143 

ig€i%nio de seis c decânma de dez Ac* De todas estas* pala-» 
vras ha exemplo era portuguBz ^ posloque nem todas sSo 
clássicas» 

Haça é ■ propriamente geraçfto de animaes, assim co- 
ma 0£js^a;e de homens. Quando raça se applica agentO) 
é sempre em mau sentido. Raça de mouro, judeu &c. 

Rancor entendem muitos que é 'menos qn^ odlo^ 
mas enganam^e^ porque é propríameiíte ódio invetera- 
do eocculto no coração, até se offerecer occasíSo de^in-* 
ganga. Deriva-«e de ranço ^ no que bem denota ser ódio 
asiígo. • 

Mapina nfioésynonímo àejwtoj porque* é tirar com 
"fiolencia o alheio, e furto é tira-loxom' deetreaa, ousem 
violência sensível. Demais , rapina é roubo ^Miblico , t^ 
fíirio é particular* - ' . ■ 

.', Raridade e frorefiA^: poatoque teim rigor signifiquem: 
«'meimo^ e^ 'tanto sé diga rareza como raridade de ourd 
&c. , com tudo temos observado no» auctores clássicos , 
que commununente usam á^ raridade parai explicarem 
cousa quasi singular 9 e rare%a' para exprimirem cousa 
delgada, fKMicaesfiesfla ou traospaireot^i^. iíoricícufe do jui- 
10, do engenho .&c. RtarcmAe panno, rede iSic. O vul^^ 
go diz rajosca e ra/o. •) 

\'Rxf)€Íd\a querem muitos que seja mais próprio para 
aS' pâixõeiii-quèserebeUam contra arasao, e pAMíAo pa- 
flb O'lei^antame«bto dfe um ou muitos vassallos contra o 
seu legitimo senhor. 

RtcUxtnQção e reclamo passam por synonimos entre 
x>& ignpranAest.. Rc^larhaçâo é termo forense ^ que' "v^em áo 
verbo ^recJiimart; e reekuno é instruáieiilp dn oaçador pâh 
ra chamar algumas aves. 

• -Rfilvfuía n^ sioguler vb ise usa ntí 'semlido-sagrado , 
significando alguma parte do corpo de um santo^ oacoi«- 



U4 

sa que fora do seu uso, quando mortal e viador. Noplu^ 
ral significa o restante de qualquer cousa , desbaTatad^ 
do poder ou do tempo. Commummcnte vai o mesmo que 
tobejoi e reaiduos ; sendo que muitos pretendem que so- 
bejo seja para cousas comestíveis , resíduo para bens, « 
resto para dinheiro. Nos auctores nao acho fundamentos 
para estas differc^nças. 

Remimscenctay palavra que sencha em diversos auo- 
tores , não é o mesmo que memoria. Esta é dè espetíet 
sempre conservadas, e aquellá de espécies já qúasi apa- 
gadas. Por outro modo , memoria é uma continuada' re* 
miníscencia, e a reminiscência uma memoria inteirrupta) 
que se renova. Por isso um filosofo lhe chamou fit^nidrla 
rcstbsdtada, ^ 

jfiíeo propriamente nSoquer dizer cu^cfo,'tX)mo ima- 
ginam os ignorantes, mas sim homem demandado pôr 
quem é andor. Pôde ser reo, e ser inncooente: ií prova 
da culpa e que o faz culpado. > ' '- 

Repudio em sentido rigoroso não pódescf entre cbi^ 
tâos synonimo genuino do divorcio ou desqíáét ,* porque 
o prohíbe a lei que professamos. jR^pud^ {kopfimnente 
é solução do vinculo do matrimonio , de maneira qúe^ a 
mulher repudiada podia tornar a casar. 2>ivoréio oii'des* 
quite é solução em quanto ao leito. Os antigos juriscon- 
sultos faziam differença entre repudio e «divorcio , diaren- 
do que este se verificava em mulher casada , è aquelle 
em desposada. 

Requestar y assentam comsígo alguns cri ticos , que 
é verbo que só tem uso em sentido amatorio ^ más én- 
ganam-se, porque Barros na Decad. 4. pag* 514, e 
Lobo, na Corte na Aldeã, Dialog. 3. pag. 60, usa- 
ram delle no sentido de desejar possuir uma praça emer- 
cadorias« 



léb 

„«. jRc$plm4Qr. em.fgfíiWP .íitpraj..^ «qwU* Ui:ç. clara , 
Ví^^-Pfll^éfn dfi forpc&^.qm Uím luz víva e n^o reflexa : 

, . J{e% vai QtaesíPQ qu^ aDÍq^al qqac|ríjpiçdej ii)fi$ ftí^i- 
iDftl,.qil^,9tirve.4» inaaUipwlo ordir^firip ^qljxnnpmy e 
anda.exn-.rebanbp.. Ppr pndc ^^oànjaes que or4inar;{^(n«Qr 
te não servem de alím/çato^ copip jfivaUs ^ veado», ^c. 
nâo w prpprjgíiiK^aí^ r^%ç^ ^(bmUp we^íOí #4 fer^5- Poç 
Í9iQ «Ã^fAobafl» PS críUcw.ft Qpdinbo ^ ,gua Ywçip ^4 
índia chamar muHaa V^^i^ rç^q aeIe(aqte$iç,rliix)opf^|'Q|»- 

sito sigaifica comp er^Ue elLe^ v'ík%ay ladroicç ,<$ t^eji^ 

,,,,,,. -^i/apíi palavra deriyaflíji 49 ç^f<d(b4m9,. vai o,.n)fi4r 
mo quo\a^q^io ^ provcrbiQ ^. .hia é^i aeatiqfjça tjMo anda 
Miboc^, d^JodPí,. ílçím..ÇPfflo.j}r9%vW^ ^ 7\^.bpP-í^ dos 

• §^9» 9 aiÍfiMÍ6nandp §pi\t€ii6^ flita ppfralgVffíijdosj^nMgpô 

í'*iteWÍRffnÇí*f di£f^eag^4de Fsrú^ D9s,£lproípe»^aripí 

j,a í^pf^ôesg ipas quanto a nós, de^lf^qúlíi dg ^Ijjipjynr, 

.4a9^nli^< <>vir<»:i?op» igual Taz^o.qu^íj^m; xjme^^^jio se- 

,?riiítt9 iio$ A^edii^A *c^.Iíil4s ftsgvWPflfl ^^iv^rsí? pprecqr^ .di- 
zemos com os bons auctores , que são sinonimas ^pdd$ 
-eitfti fH^vf^A^.Jlcr^âç^ta.açlo $6 ^ji^^p ri/âo é t^rsfio ple- 

gá4?na«^íiew le» ãJ^npíV^ W 99fc,fi^ÍÍP qijç.íiflkp for 

. . . , . JRi^o, , se é fi qgidP 9 açre$cep ta-se-lhe sardcfriiçf^^.^ «e 
ó leve, jdiz-f^ isorri^ j sedescowí^iWÂacio, javci^^v^. ai- 



146 

guns chamar-lhe caquinadaf imitando aos latinos. Blu- 
teau traz riso jónico por afeminado, e wegarico por in- 
tempestivo; mas estas denominações só tem logar nalin*- 
gua latina : delia só tomámos o sardónico. 

Ríspido \exti. de hispidus^ e significa propriamente 
cousa coberta de pelo , que ao tacto não é macio , nem 
brando. Por isso metaforicamente se chama rispido ao 
què tem génio áspero, e os nossos bons Auctores a qual- 
quer cousa desagradável chamavam rispida, Fr. Luiz de 
Sousa navida deD.Fr. Bartholomeu dosMartyres, pag. 
S6I9 chama a uma má musica popular, e rispida. 

ítivalf palavra nova, e com razão introdusida, que 
Bignifica amante emuh de outro, que pretende, e lho dis- 
puta o logro da mesma a quem ama. Donde se vê, que 
emulo de qualquer outra cousa, senão pede propriamen- 
te chamar rival. Deveríamos também ter rivalidade mas 
ainda a não vemos introduzida. 

Rosto não é o mesmo que semblante. O primeiro ap- 
plica-se ao que trata com afabilidade. O secundo aoqve 
falia com auctoridade. Vieira tom. Q pag. 16S. O que 
hontem era amor, hoje é auctoridade ; o quehontem bra 
rosto , hoje é semblante. 

Roubar diz mais do que furtar ^ assim naquantida^- 
de , como no modo ; porque roubar é tirar por violência 
a alguém a sua fazenda , e furtar é tirar o alheio em se- 
gredo: roubar são furtos grandes, e furtos hdroices pe- 
quenas. 

Salteador chamam os ignorantes ao qu<3 salta mtii* 
to , devendo pronunciar saltador ; pois que salteador é só 
O ladrão de estradas. Este erro achamos diversas^ vezes 
em certo sermfio moderno contra os bailes, o qual corre 
impresso. 

Samarra ^é propriamente vestido de pelles ^ de que 



147 

usam os pastores, Veja-se a Vieira no tom. 7 pag. llô. 
Samarrão diziam os nossos escritores mais antigos. Hoje 
também se dá este nomeáquella aff rontosa insignia^ que 
levam os judeus relaxados á justiça secular. 

Sanitsstmo sem algum substantivo, c. por antonomá- 
sia, é entre nós o Santíssimo Sacramento do altar , enSo 
o costumamos apropriar ao summo pontífice, como fa- 
zem os italianos, mas sempre lhe ajuntamos algum subs- 
tantivo, como santissimo padre ^ papa j jfc. Faço esta ad- 
vertência , porque nao* vejo praticado o estilo portuguez 
em algumas traducções de bulias, e papeis da Cúria Ro- 
mana. 

Sapiência nSo é em rigor o mesmo que scienúa. Es- 
ta é conhecimento de cousas materiaes, e humanas ; aquel- 
la de cousas intellectuaes e divinas. Por isso propriamen- 
te disse Barros na Decad. 3* Sapiência^ dom do divino 
espirito, &c. 

Saudade não é em rigor um e:!ttremo sentimento) de 
algum bem perdido ^ mas ausente com desqos de o lo- 
grar. Por iâso nos livro» ascéticos se diz compropriedade 
$audctde8 doceo, por que ébem, que está distante, eque 
desejamos lograr. £m sentido mais amplo é que se cha- 
ma éaudade & pena , que provem da perda de um bem 
por. causa da morte. 

Segredo não é o mesmo que arcmo^ o qual signi- 
fica nâo. segredo ordinário, mas segredo de Deus, ou 
de príncipes, como se colhe de Vieira tom. 1.^ 696, ç 
4.<^ S30. . 

\ . iS€t?kia: cnieldada extraordinária, e s6 própria defe- 
cas. Por, isso disse Vieira no tom. S pag. 330. « Co- 
merem-SQ os animaes uns aos outros é voracidade , e %^ 
iricia, ^c. 

Sklermifo , seguQdo a doutrina de alguns , tem <Uf- 



'»./ 



10 * 



férfeíiçã dte iaoitu^no^ Queih esrtá cakdo por alguns mo* 
tívtíé, é úkncivso. Quem par naturesa, b gebio dizpou^ 
cas palaVràs, ou f&dil;íie%)te fiefalla^ é taciiurno. 

Sitio nS,o é omesiwo qiie6feqfi«»o, tsomo muitos ima- 
gfoàm, pòh itidiffe^úlefm^tíití múm de qualquer -destes 
terttio». Stó<]i\t>eúr é rftiar áo la^rgò, cu tomar tom gente 
dfe gVí^^m 4:ddãs ás vias^ q^iírevão ter a lamn' pra^. 

Sõhérúfiò ; ha Ruí^ia cefeiíw^ : na Transilvanía vmvoda : 
áe Valaquiá' h<Oèp0ãé^' : nà í Ut^uía gfráo unhor : na Per* 
slti ^òphii tta Tanari^ tón: etn At^l bey : oHiros mui*- 
t6s nòtríès de Hoberatios da Ásia se pôderte ver nafe dost-^ 
sas historias orieataes. 

S<^ènàtWaly e pr^term^êULrúi^ que fi'iè(rueiitetiiente 
e^hfatidem «^liitbS, t^m grande drffererí^a. Soivfemtíttrai 
é'^a(}Ui!to^ qiic é supeti^ot» tt toda a forçada «laiureza; e 
pr^Yfiàêtutal éoque excede á^^o^mtimiordem da nature- 
za no seu obrar. 

Sõbrènome^^úfíK} é \y como muitos entendem ^ o mesmo 
cittGhppdl\dôrQ'^^út^ que se poeto porcortí^aía Atiles 
de ál^^'nome^ «^«e épropriamerntè «ol^retK^tive, oomo 
betíi disse Vieira no ttômi 7 pag. 34 uthe acrescenta 'sdbre* 
tíomedè s^feor^j &c. ■ ? 

Sèòrévir ^ tigé>Vosô'inônle [como dií. Vieíra3 vfr sôJ- 
bre ter já vindo; mas também significa entre n6S'V^ ibo^ 
píSâdamtente,^ dte repenie» 

Sobt^ède propriamente >é mtkíeraçfto s6 nò %eh&r^ 
è cdhi «spècíáfiidade vinho. Ein sentido ftgurftdo é que«e 
toma por moderação em qualquer outra cousa. 

'Súbô&rfó^ auxilio* ^ íiiôiBílrfto, e presidio tèiíi «en^re si 
rigorosa 'dffféfétíça. Soòebrto éajtída em qualquer taeces^- 
sidade, *è apoi<t^! aifúsiiw é socõorro, qma Vem sem ser ©su- 
perado : iubúdio é reforço de milicias para ajtfdiaretn as 
dn-tras ém cliso de^apc^rtada ti«dôsirtdãâé: préúdào é soe- 



149 

corro para coiuerTâr o apanhado ^ defeodendo^o de qual- 
quer invasão. doe ioimigos^ que o perderam. 

Soledade no U60 do século passado era o. mesmo que 
so&dâo^ pkieseoteDftente tem dtfferença, porque solidão é 
meto retiro ^ e soledade retiro , «m que se senle a ausen*- 
eia deâlgum bem^ sem ter nellecompaoliia. De manei-» 
ra que toda ã. soledade é retiro da alma, ainda que ha*- 
j.a companhia ; m«$ nem todA a solidâto é soledade , ]X)r 
que se pode buscar por-dí versos motivos o retiro dascrea"- 
iuf/is. Aoqise o^s hoje triíamamos soledade , chamavam 
o& hossoâ antígoft saudades^ e assim dí^siam a Virgem das 
saudades por Nossa Senhora da Sciedadc, 
' Solite^w : vide Campone»*, 

Suèatnãf'^ «querem muitos » que si^aindueir alguém 
com palavfBB arU&ckyses^ «e laudatorias: pÁtor induzir 
oom doc^ativos. Um e eutro verbo tem seu Jusomais pro* 
prio RO estilo forense. 

Sulcar (proptíamente nflo pertence ao^mar^ mas á teiv 
ra^ abrinok^a com o arado: •em sentido^ ^guradtí é :qfue:se 
applica ás'0ttdàB^ porqme neilas^faéem asqulibas «iln coh 
morego^ e suleou 

SumffUkou):^ esta ptilavra cxmxckVivamíie a vemos »p-> 
plicada c4>m grande impropriedade, significando o mes-^ 
mo que grande^ éçc. Propriamente é aquelvla cousa ^ em 
qtie se iez >magni6€0 dispêndio. Muratopi na sua Per/ei/a 
pddsiéi Hòáiíiinvayifãimido das gralides ideais ipoettci», mui-. 
tas- vezes lhes âiamsL ^sumpituosas y mas foi eensuirqdo 'por 
Saslvitiiv, snostoálndo-Ihe a ^propriedade i^teepithetioi. 

Superfhio em rigor é cousa liquida, que tresbordá 
do luga^r-, em- que Q3tá>, v. g. o Hôcor , «que não cabe no 
va0o«, «se derrama 4 o tío^ que engfossando a corres tey 
esprida peios campos., fttc. N«éte sentídofdisse PiiiKbino 
seu^psEitegimo. <« iihmnna'can^pi»fBupcí]flux^4 



l&O 

I 

Suppltcio nâo se diz propriamente do castigOj parti-» 
cular, que dá o-paí ao filho, o senhor ao servo, &c. mas 
dá pena corporal, que a justiça dá publicamente aos cri- 
minosos : . a rasâo é por que supplicium em latum vai o 
mesmo que sacrifício para a expiação de alguma culpa^ 
e o ser castigado, pela justiça é em ceito modo ser sacri- 
ficado em satidfaçâo do crime commettido. 

Smswrro é brando murmúrio. Sussurra a fonte, e 
murmura a despenhada corrente, &lc*» disse Bacellar, poe* 
ta de puríssima linguagem. Também propriamente seto* 
ma por mbfíir como fez Camões na canção lô est. ôfat* 
lando do zunido das abelhas. 

Tanger^ c tocar^ fallando.de instrumentos mifsicos, 
dizem , que tem differença. Tunger é para instruinentos 
de cordas, que se pulsam, com as mãos, como vicia, har- 
pa, alaúde, &c. Tocar é para instrumentos de teclas, ou 
de assopro. Os que assim dizem allegam com tarios 
exemplos. clássicos, mas quanto anos nada provam, por 
que Fr. Luiz de Sousa, que no tom. 3 da.s^a Historia 
pagt^ 187 disse órgãos bem tocadoB^ em outros muitois lo* 
gares disse ^ang-icíos, f aliando de instrumentos , ja de uma 
casta, já de outra. O qnMs nós achamos nos .bons Aucto- 
res é tangedor , e tanger , m^íto mais usados do que to^ 
cador , e tocar. " -. .' 

Temerário não. é o mesólo que audask , mas aquelle^ 
que é excessivamente atrevido, c audaz, sem juizo. De 
sorte que temeridade é. vicio contrario á prudência, e 
audácia virtude do animo, quando se toma. ppr in^re- 
pide^. 

Temeroso ora significa, cousa^, q^e se faz temer j ora 
pessoa que tem medo , procedido não de fraqueza , .e pu* 
silanimidade , por que então é ser timtdo , mas de respei* 
to, e reverencia. Por isso propriamente o .filho. étemejQp* 



151 

so do pai 9 o servo do senhor , o Tassallo do rei , o homem 
de Deus, &c. 

Tcmporaneo^ tcmporâo^ e temporário tem significa- 
ção diversa : temporaneo , de que usou Sousa de M acedo 
no seuJDomin* so6r. a/oríuna pag. SQ6, é cousa, quepa— 
sa com o tempo: tcmporâo é íructo, que em breve tem* 
po chega á sua perfeila madureza : temporário , que se 
acha em Barros na Decad. 4 pag. 76 é cousa , que dura 
alé certo tempo limitado. 

Terremoio sediz só dos tremores, que se sentem na 
terra : marimoto dos que se sentem no mar. 

Titulo de nobresa illustre. £m Portugal e Hespa- 
nha é grande : em França par : em Inglaterra milord : 
em Veneza senador , (^procurador de S, Marcos : em oú- 
tifLs republicas de Itália gon/a&)nciro: na China mandor^ 
ritn , &c. 

Tom equivocam muitos com som, quando tom não 
é outra cousa mais que um som, em quanto diz respei- 
to a outro som. 

Tornear nao só é trabalhar ao torno , mas rodear e 
cercar alguma cousa. Tornear a ilha , disse Barros na 
Decad. S. pag. 68. Tornear a fortaleza se acha em Ja- 
cinto Freire Liv. fi. n.^ 14^. 

Toppe%a nfto é simples fealdade , mas fealdade coiíi 
soididez. Por isso é censurado o auctor da Insulana, por 
dizer torpe ninfa ^ como se dissera- /orpe satyro , ou tor- 
pe velha. 

Torrente e correnlc «differem ; o primeiro é levada 
de agua, que pára, e o segundo agua que sempre corre. 
Diz-se torrente das chuvas , e corrente dos rios. 

Trarue sim significa muitas vezes angustia , adver- 
sidade e trabalho, como traz Fr. Bernardo de Brito no 
tom, 9, dii^oni iiusit,, pag. 142; mas a sua rigorosa 



159 

egenuina aigníâcuçâoc aquelle ponlo exlremo e perígor 
so aque nos conduz algum caso commumraenle adverso. 

Tbura não c como alguns imaginam^ synopimo de vaca 
brava, mas sim nome que 36 serve para dcnolatvaca eiteríL 
' Trttuifal e trmnfanic equivocam frequentemente oa 
que não sabem y e dizem carro triunfante^ e arco iriun" 
fanlc &c. 9^ devendo dizer triunfal ^ por ser cousa concer^ 
ncnte a triunfo. Aquellas cousas porem que se acharam 
na acção do triunfo, podem-se por figura chamar triun^ 
fantcs^ ?. g.y armas y cavallos, bandeiras triunfantes 
&C. ; mas ao que serve á pompa ou memoria do triun-r 
fo, sempre q^ antigos chamaram triunfal. 

TriumviratOy magistrado romano, de Ires homens; 
duumvirato de doas: qtunquiviraio Ae ciiico; sextunivi" 
rato de seis : scptcmvirato de sete : decemmrato de dbl 
&c. Quasi todos estes nomes tem entre nós exemplos de 
bons auclores, os quaes a cada um dos ditos magistrados 
chamavam lambem^ v. g., triumvíroy-chicemmro^ qum'* 
qucmrOy sextumvirOy septemviro ^ decemviro ôcc* Alguns 
com promjnciagão inteiramente latina escreveram irtHm- 
vir , duufHvir éic. 

Trovar e trovejar traz filuíeau por synonimos dafa 
zcr trovas, mas isto foi em outros tempos : hoje trovar é 
que 6 só para trovas , e trovejar para trovões. 

Turba e turma: oprímieíno é multidão sem oniem : 
o segundo multidão ordenada : epor isso a. povo confuso 
se chama turba ^ porque perturba ^ e a soldados em or- 
dem turma j isto é , tropa 9 esquadrão, fileira &.c. 

J^aeaçâo confundem muitos com vacemcia^ sendo 
aliás termos com signi6caçâo mui diversa, l^aeaçâo é sus- 
pensão do negócios ou de estudos; e vacanda é o ficar 
alguma dignidade ou Estado sem possuidor* O primeiro 
é synonimo de/tsrios, o segundo de vacatura. 



158 

Peracidadej palatra que tem bons eteoíplos, nSb 
i o mesmo que verdade^ mas sim uma prudente mode- 
ração da verJade , observando-se para a dizer o tempo e 
logar opportuno; e segundo as occasiões assim omitte 
umas verdades com prudência, e diz outras com singe* 
leza. Esta cautella nZo é propriamente o olgecto da t)er- 
dado , cujo meio ou ponto é indivisivel. 

Pereeundla : com razâCo diz Bluteau que se deve ad- 
mittir esta palavra na lingua portugueza , porque vergo- 
nha nSo faz bem as suas vezes, pois sendo ambas dous 
affectos da alma , oppostos á indecencia e deshonra , a 
fíerecimdta é um receio da indecehcia e deshonra futura, 
e a vergonha uma dòr da indecencia e deshonra presente 
ou passada. 

Feridico e verdadeiro tem esta differença : homem 
verdadeiro é o que falia verdade niia, sem referva algu- 
ma nem attençSo ao tempo e género de pessoas. Homem 
veridico é o que, para dizer a verdade, repara nas cir- 
cumstancias da occasiSo, etem a prudência por justa me- 
dida do que ha de dizer , e do que deve calar. 

Fermto: posto que nSo achámos exemplo clássico 
a favor desta palavra , comtudo , como se encontra em 
diversos livros, especialmente no Numero Vocal j preciso 
se faz dizer que nSo vai o mesmo que fingido e manhoso^ 
como alguns entenderam , mas sim prudente com malí- 
cia e sagacidade enganosa ^ sempre usada para ornai. 
Supposta a necessidade , deveríamos adoptar este termo, 
ie versuAa seu abstracto. 

Viagem em puro portuguez nSo é o mesmo que^'or- 
-fuidaj esta é caminho que se faz por terra, e aquella 
por mar, e assim mal se explica quem diz viagem a 
Madrid. 

Vif^ : tem uso mais próprio applicando-se a guar- 



154 

d& que f ela de Booie e tifler de dia. Niv ihífiéii^ ^'ten/i- 
nella j e teih dífíerença de espia | Caíque esta é' dhfarça-í^ 
da 9 e aquella descoberta* 

Fiíumlo: teínos ofaserTadò na liçâo doa Clássicos, qye 
estes quasi senlpre ubairam d^te termo no sentido moral 
^ figurado: viriMbiú conjugal^ da amisade^ do sangue^ dd 
amor &c. 

Unido nflo é ò mesmb qiie fáia uma 96 vouta ou 
peuoa com outra, comú nuHos entendem. Para signífiii* 
ear isto, usou Vieira np tom. 9 pag, 1S9, de a'6nadò^ 
para expHmir a união sacramental , dizendb : m Com es^ 
ta uníSo tão unida é tão úma^ ficaremos todos ^ nfto só 
Unidos, mas ofúneuiúà com Chríéto^ unidps ^da união ^ 
e aunados pela unidade &c. 79 

Uso n&o sé deve applicar propriamente a eòUsa á 
qual não compita em rigbr o uso. £u me explico : aquil*» 
io que se emprega em tx>usa para a qu^l n$!iQ foi feita , 
^nao se usa, fallando em termcâ próprios, flassim^ ^*8*i 
um cavàllo de nobre raça^ se delle se usou p4ra oarga^ 
impropriamente se dirá que se usou delle para earregàt^ 
cporqiie não era esse ô seu natural uso, jque devérÀ ter e 
para que fôra creado. [Vid?» Bluteau viarb. Vsò."] 

VindicQfâo e vingança , sendo em rigor o mesmO ^ 
acho commuínmente nos bons auctòres mndioaçêo appli* 
cada á justiça , e iAngança aos hoinens em particular* 
O mesmo digo de vwdtoaitvo etnnga#ítx>: ser vingativo é 
vicio j ser publico fÀndtcèdvoo das leis ultrajadas é virtu* 
de, e por isso se diz : justiça vindicativa, e não mngatwcu 

Virgem , fallando rigorosamente , não é o mesmo 
que casto e dofi%eUa. Virgem é aqUella que nunca con- 
sentiu em desejo de cousa Tenerea licita ou illicita. Gss- 
ta é a. que nem obra nem deseja cousa illicita em mate- 
Tfa venérea. Don%clia é fi, que não tem conhecido varão 



155 

ou algum outro agente extrínseco^ destruidor da sua vir- 
ginal inteireza. 

Zagal é propriamente o pastor moço, creado do 
maioral do gado. O mesmo dizemos de %agala ; e destas 
palavras usou frequentemente Lobo nos seus tratados pas- 
toris y e com particularidade no Poitor Peregrino. 



Fim ]>ii Pbiheira. Parte. 



NOTAS 



E, 



ísta obra ^ a tantos respeitos interessante para o estúdio da 
Ihigoa materna^ comprehendendo as três partes diatinctas em que 
o Auctor trata copiosamente as respectivas matérias , sahe mu}- 
to volumosa , pelo que formará cada parte um tomo ; sem que 
isso prive ^ a quem o desejar , de as reunir, sob uma capa s6. -^ 
Se nos alargássemos em numero e extensão de annotações mui>- 
to maior seria o volume: nSo éesta porem arasao cabal que nos 
moveu a ser j quanto possivel , parcos de notas : mas sim o re- 
flectir-mos que illustrar o texto de qualquer escriptor y e ás ve- 
ies appntar alguns seus descuidos , nSo era o mesmo que fazer 
glossas ou commentarios ^ nemdelles carece o Auctor, porque de- 
dicando-se a escrever para principiantes é claro na exposição , 
methodieo na ordem dos assumptos , escolhendo até para maior 
facilidade a forma de díccionario nas listas das palavras ^ alem' 
disto põem quasi sempre diligencia em justificar as suas opiniões 
e doutrinas com auctoridades que a maioria dos cri ticos reconhe- 
cem e respeitam. Portanto o fim principal das nossas breves &n« 
notações é rectificar ou corrigir ideas e juisos que. poderiam 
adoptar-se no meio do século passado^ epocfaa em qúe floreoeu 
o Auctor , mas que os estudos posteriores descubrirám erróneas 
ou mal fundadas. 

A ReflbxIo 1 .^ — Sobre á mieioridáde dos CkutieoM, 

Ninguém melhor do que o nosso Auctor podia diíer-nos (jt 

que tinha tão opportuna occasiao como esta) o que devemos, en^^ 

11 



tender ^rAuclor cla$sico» Nâo sabemos o porque onaofes^ nem 
tao pouco o porque o não fizeram depois delle os Auctores do 
Diccionario da Academia , quando alli pozeram o seu Catalogo 
dos Auctores e Obras , que tomaram por auctorídades para a 
composição do mesmo IJiçcionario» XJmlrabalho desta natureza, 
executado por aquelles, a quem mais cabia emprehende-lo , ie* 
ria poupado muito aos estudiosos da literatura , que ouvem sim 
a cada passo fallar em Clássicos , citar os Clássicos , mas que sd á* 
força de muito estudar e revolver livros podem chegar a acertar 
no que isso seja. 

Ppr j^em duvidas temos q«.e para tap»r uma tao grande la- 
cuna na nos^sa Utefatiura ^ é. quQ a Acad. das Sciencias propôs 
no seu prog^rawma para O anno de i 840 o. seguinte qmesito.— ^ 
JJíeUvminar Qq»e. Hdéfv^ ^rkUnder por Auetor CUsslco^ coiiiis'ei- 
peiifi ao^Utdo datlin^fiMA :ff»Kendo.appikaç^ desta doutrina aos 
^sfirqttor^s pòrtmsuÊtes j e dando um catcdo^o dos qne mereoem 

"Ba de cvor que dViítre os nossos mais iUnstre» literaílos nao 
íaUafse quem satisfíiesse aoa desejos da Academia: mas como o 
publico, nao tem ainda conhecimento detaes trabalhos.^ por issa 
noft amimamos a soltar na presente occasiao algumas palkvras so> 
l)iíe a matéria , fiados em que os estceitojs limites de uma, nota 
{Kidfiiao em certo modo encobrir o acanhamento de nosaas. focças 
fsusk t$o árdua empireia. 

B começando pela or%em e etjmologia da palavra Classko^ 
diffamos que vem das classei ^ em que os cidadãos romanos «sftta-» 
Tam diatribiiidos: na proporção de seus cabedaes. — Aulo Grellio 
no Liv. 7. cap. 13 das suas Noites Aiticas noa iniorma que— > 
GUasiei dmebantur tton omnès gui in dassibua erani.y sed peimn 
ianiwnk classis hommes ^ gm eetUwn et viginti quingÊie. mHlia ceris 
amplius censi erant. Infra ciassem autem appellabantur ^ seeun* 
das classis , casterarumque omnium classiitm j qui minori summa 
aris quaim supra d&xi cewsebanturé 

Donde se vê que a primitiva significação da palavra Clássi- 
co foi para designar d^entre os cidadãos romanos os da 1.^ classe^ 
quo ara o mesmo qu^o dkar*, oshomena de maia coata na lapu- 



159 

tíká por teoft caíbedaes Àc.*^ Daqui por é&tensSo seappHcoa ò 
mearbo vocábulo para signifioar os escriptorés , qiie na rèpublléá 
das letras se avantajavam aos outfOs Assim no cabedal dá seieii- 
da 9 como no conhecimento e recto Uso da lingiiá ^ ettl que es- 
creviam ^ ejá neste uHimo sentido otoitla OMè^tno AuWGeUiô, 
qUarido no Liv. 19. dap. 8', t^átâhdo de certàS questões gránfi^ 
maticaes áiz -^ qucsriie ofi qUàdrlgdm ét arehas dixerii é tohàttè 
iUa dtentaxàt emiiqiiiorè , fõet otdiòrttm aliquis ^ vel pòetáttim ^ 
id eti olassicus tubidttuí qUé éliqu%% scriptor $ nàh ptblétárius» -^ 
E para cabíal ifltelligencia dèsté logar de Aulò GelHo f lembre^ 
mo-nos queelle já nòLiv. 16 cap. 10 tihba explicado quaeserarit 
ot aniduoa e as proletaHói ^ dizendo--^ Assiduus hí XII iabulU 
pro locuplete f etfáeUe tnutiUs fcíciéiitè ^ âictui àb úsâibu^, id é^st 
are ãcaikío^ eum td ad tetnpòta réipublicoé pcfstularent : aui d ifnu-^ 
neriê pro fàinUiafi dapkífaf^ndi assiduitate. — Pròlétarii appeU 
lati taht qui vero nutlo , áutperquám parvo are censeòántur . . • 
A munere qfftcio qtie proUs edendce áppellati ^Htnt , quódeuAh rt 
familiari parva tríirmspòtsetH rènípubiiear/i furàre^ sàbúUs famen 
gignenda: copia civitaíém frequentárerã &c. 

liá vêem Outros ^ que dtscordatn desta exj[ilidação ; é dieerii 
^Ué Cíaísicô vem sim út cláiiey íiias de ólasie ^ tòmadã ha àc^* 
cep^ão, a qué foi léVàda em razão das ciastes ^ em que os ines» 
f rés tias escholSs disf ribuènfi os discipulòs. Para isto teem a ábò- 
nação de GLuintfliàno , quando no Liv. í. cap. 2, He Oratória 
Institúfioné tr^átando da preferencia dsTs eschfola» publicas sobre s 
instruc$&6 de portas a défitro, diz — Nôn ifnctilerh teto sérvdiuni 
este a tfrceeeptotfímt nieh morem , qui eúm ptierdt in classes dis^ 
Iribuéf^ãtitj ordinéifi dicéndi seeunãiétn vires in^enii dábaht; etiUã 
iupeHofe foCò qidsqúe déclárticéaf ^ rã pracedéte pfofeciu vidéba^ 
íwr, Eàtiàhis' ihgéris palirictóorderitió, Ihtàère vero ciassem ^ulto 
piãcherrimunfC — E aSéirtí neste sentido âit^i Auctores Claiúeós^ 
é o rtiésrtio qúe dizer, áquelles que, pôr deverem servir de mo^ 
dello , sSo por isso com preferencia escolhidos^ psra a instrucçao 
da macidade na« escbolas. 

Mas seja destas <^ualqu^r que for a opinião , que se adopte, 

ácérca da étjrmotdght dá pakvira Clasiiôos , é certo que esta ex-» 

11 * 



160 

I 

pressão vem sempre a significar a mesma cousa ; isto é , os Aue- 
tores mais insignes na pureza da linguagem , nk propriedade da 
frase, e na elegância do estilo. 

E por tanto claro que uma nação naopode ásLt Auctora Clat-' 
stcos, em quanto a sua civilisaçao for rude, e pouco polida \ em 
quanto ávida social , e oconimercio dos homens forem limitados 
e empecidos ^ e nao tiver chegado a um alto grau de cultura a 
raião e o entendimento : porque só a par , e de mistura com es* 
ta cultura da rasão e do entendimento, pode florecer e prosperar 
a linguagem , e ir ganhando , quanto lhe for possível , os dotei, 
de que depende a sua perfeição. 

Estes dotes são (como. nos ensina um insigne philologo de 
nossos dias n^uma obra preciosa,, que apenas anda nas mãos de 
alguns curiosos , mas que deseja ria mos -fosse lida e meditada por 
todos os que se dedicam ao estudo das letras) («), estes dotes, di- 
zemos , consistem em ser — 1.° clara ^ 2.° copiosa*, 3.** breve; 
4.® corrente e fluida \ 5.^ viva e versátil. 

Para que na linguagem se dê a clareza cumpre 1.® qiie ás 
palavras se liguem sempre por todos noções fixas e bem deter- 
minadas^ 2.^ que se fixe o numero das significações década um 
daquelles vocábulos , que podem ter muitas ; 3.^ que nella haja 
a maior regularidade possivel na derivação e composição dos vo- 
cábulos , na syntaxe e coUocação dos mesmos , e por tanto nas 
inflexões dos vocábulos declináveis. — É copiosa a linguagem, que 
não carece do cabedal de vocábulos necessário para os fins sobre- 
ditos; e que quando lhe falte possa suppril-o 'antes do seu por- 
prio fundo que recorrendo ás línguas estranhas. — Será breve 
quando exprima o maior numero de ideias pelp mengr numero 
de vocábulos. — Corrente ou fluida quando for de pronuncia tão 
fácil que fatigue o menos possível o órgão oral de quem falia ; 
e os tons simplices de cada palavra possam ser distinctaroente 
percebidos por quem ouve , depois de distincta mente proferidos 



(•) Noticia Succinta dos Monumentos daLingm Latina , e do9> Suhti- 
dios necessários para o estudo da mesma; por José Vicenle Gomes de Mou- 
ra , professor ila língua grega uoR. Collegio das Aries da Universidade 

Coimbra— Na Real Imprensa da Universidade. — 18£3. — 1 vol. 4.® 



161 

pòr quem falld.-^ Fiva quatido retratai com a maior viveza at 
imagens dos objectos , e com a maior sensibilidade os sentimen* 
tos do espirito ^ versatU quando tiver cabedal apto para todos os 
ttstilos. 

Será pois Clássico aquelle Auciorj que oU concorrer para ele^ 
var a sua lingua ao maior gráu de perfeição em cada um destes 
dotes, ou souber servir-se rectamente delia já aperfeiçoada, pra- 
ticando sem mancha nos seus escriptos (como dissemos) apure*- 
sa da linguagem , a propriedade da frase , e a elegância do es«> 
tilo, -^ A pureza da linguagem, para n2o usar de palavras ou es- 
tranhas á lingua , ou reprovadas pelo uso razoável \ e evitar as^ 
sim os barbarismos , archaismos , e solecismos. — A propriedade 
da frase para que cada ideia seja exprimida pela palavra oufra- 
«e , que mais propriamente a representa , a fim de que o ouvin- 
te ou leitor possa cabalmente entender o pensamento do Aucior-m 
— A elegância do estilo para que as palavras , escolhidas com as 
condicçôes das duas regras antecedentes, sejam dispostas por tal 
ordem e proporção , que indiquem na mente do Auctor as ideias 
arranjadas segundo as soas mais convenientes e luminosas rela- 
ções. -*- E com pouca difFerença isto mesmo o que o nosso Auo- 
tor entende, quando nesta part. a pag. 7. , fallándo de João de 
Barros , diz que o leitor -— admirará nelle uma tal abundância 
de termos , cheios de propriedade e energia , e uma talqffluencia 
de expressões genuinas , nascendo iudo de um estilo claro e corree^ 
to, que jamais se animará a negar^lhe o justo titulo de primeir9 
mestre da linguagem portugtieza» -^— 

Porem para chegar a possuir estes dotes de Auctor Clássico 
nSo basta cultivar à rasSo em abstracto, é preciso juntar-lhe a 
observação do mundo positivo. — O alemão Sulser, que no sé- 
culo passado escreveu uma Theoriía geral dasJBellas Artes, áqual 
os Auctores do Dtccton. das Sciencias foram buscar o que disse- 
ram a respeito de Auctores Geusicos , exprime-se desta maneira 
-— O espirito d^observação, primeira qualidade d^tim Auctor Clás- 
sico não se adquire por meio de estudos abstractos, e não sefor^ 
ma no fundo d''um gabinete* JBS^ no mundo polido , no meio dos 
negócios , e pela communicagão dos Acmens , que são doiadot des* 



168 

ie iqlen(o , que qquefle e^iriiq se qperfei^ô^, já sqtiedade , m6r^ 
fiHenie q gu^ seqcçupa de grandes cbfecioSf em que iodas as/aculr 
^ades do cnten4iinfr{tQ ieem de entrar em qç^uQ ^ e se desenvolveni 
' com rapidez ; em, que é preciso h^um volver d^olkos abrctçar um 
grande numero de çomiderqções , e pensar solidamente sem ter 
iempo ^e reflectir com methodo ; esia sociedade é a verdadeira esr 
chola , ^ q^e o espirito adquire afçrga , a caragem varonil , e 
a segurangqi qy^e formam um Aueter Clasaico, 8á um geniafe* 
li» é qy^ pqd^ prçgredir sem este aUJpiHo ^ e só a esie é que a lei" 
lura dos hor^s Auctoxes pode valer por i%ido o mais, *-^ Não nm 
d«u i\OYÍd{(dç o alemão, que já um século antea delle tíaha e&- 
çripto e dadp á eçtçtmpa o grande portoguez Vieira, na approva^ 
ção da 3.^ parte da Historia de S* Domingos, que -^.^ arfe de . 
faHav com propriedade em tudo, a que edfraga tuna hiãtoria , não 
se estuda nas academias das sciencias , senão na universidade do 
mundO" 

Não cojn.cçycdam os nossoA oriticos em quaea sejam Bomeada^ 
mente os Auctores e Obras , que devam entrar na lista doa (Clás- 
sicos^ nem fcão pouco nos limites daepoclia^ em que aquelleç Anc^- 
tores e Obras se 'devem procurar. --—E^ verdade que os últimos 
ires quartéis da século de quinhentos , e o pvimetro do de seis- 
oentoa, foi a epocha em que a lingua portuguesa ostentou em 
grau eminente oa dotes da perfeita, linguagem. E^ verdade que 
ftntes daquella epocha era mais rude, e menos polida :> e quede- 
poia delia se deteriorou asaim na genuinidade dos vocábulos, co- 
mo na lisura e graças do estilo. Mus nem por iasQ sè aegoe que 
oa escriptores quinhentistas , sd porque o são j devam aer reputa- 
dos como oráculos privativos da Ungua portuguesa. -r— Pelo que 
noa toca , estamos persuadidos que , seja lá qual for a epocha , 
em que um Auctor tenha escripto; seja elle de hontem, ou se*» 
ja dos séculos paaaadoa^ será com jurtiça reputado poi €Xassico , 
isto é , por mesére pratico da Ungua , todo aqoelle , q,ue souber 
servir-se dos dotes próprios da perfeis9<> delia, com as condi^ôea 
apontadas da pusesa , da propriedade , e da elegância, -r- £ asaim 
terminaremos eataa observajjões da mesma sorte que FIíbío , o 
moço, começou uma carta a seu amigo. Caninio, recomm^ndan-v 



163 

do-lhe akitara de um Auctor moàetne-^Swn exiu^ quimirer 
antiquot ^ non tamen , ui quidam , iemporum nottrorum ingenia 
deipieio. Nsque emwh quuti laua^ H eff<xta Hoturaj ut nihiijam 
íêMdabile pariat. "^ (•) 

Nesta me«ina Reflexão comelte o Auctor duas injarti^s, bedi 
pode ser que iniroluntarias ,* a primeira por omiasSo ^ a pag. 7^ 
quando ao açcusar o estilo dos antigos chronistas j nao exctfpta|L 
FernSo Lopes , o pae da nossa historia , que em seu dii^r, apesar 
de muito distante da bellesa dos bons quinhentistas , tem certa 
energia e propriedade , e nm toque dMeganeia na sua síogelesa^ 
que o earacterisam entre os seus contem porttneos e succes8ores« 
QfUanJto ao seu mérito como historiador está hqje reconhecido ^ 
e já tinha dito baannos um dds nossos melhores críticos, F. Dias 
Gomes , que FernSo Lopes foi d^ que na moderna 'Europa me^ 
Ibor souberam escrever a historia.-^ A segunda semrasSo a pag. 8 
é também contra outro nosso historiador , Fr. António BrandSO| 
digno de alto aprego por muita e acertada investigaçfio e por seu 
bom jmto ^ e que afora estes dotes nSo vai mui longe de Britd 
em propriedade e pureza» Brito escrevia com elegância , á verda<- 
de 5 mas teve a fortuna de começar a Motutrehia LutUana , t 
ainda que o que escreveu delia seja o menos exacto e importan- 
te, tal fama cobrou que era mui vulgar ao fallar-se na Monarquia 
eita-lo Iminediata mente , qualquer que fosse o tomo e lhe nSo 
pe^teneesse : a Ckroniea de Ciskr era outra abonaç&o dobello es» 
tilo de Brito , e daqui naseen que com mais ou menos rasão o 
preferitamf sempre aos seus continuadores ««^ A injustiça commet>- 
tida eontraBmtidão é neste logar mâiftâagranté, poírque ahi mes» 
mo é citada nMa paMagem )àt Sever im de Faria que elogia Fr, 
Bernardo^ dando^O poi^ modelo de UnffUiiqem éjukot quanto á 
primeira de certo ningikem Ibè deáfolhará a corda ^ mM quanto 
«/iiko «o^Mc^tamhoje o ku^or dado pefo chantre d^£vora grana- 
do rebai:Ka. 

_l I - 'ti I I r - - ^' r j m t I • —i" '*' ' f*f'' r 1L " "**^ >^ ^-..-.-^A-.^ -^t *,^ ^^ 

(«) Dia que sendo dos que admifavaia os antigos i nem per isto desprc^ 
eava os bona engenhos do tempo delle , nem reputava a natureza tão cança- 
da eeKhaurida que jánSo podeMe produzir cousa capaz edigua de louvor. 



16* 

A Rmtívs.^Lo 2,^ — Sobre o.tíso de vcsce^ aniiqud^ah 

Q^uándo o Auctor escreveu ainda reinava o demasiado' er* 
eropulo dos que entendiam que certos vocábulos nao se admitr 
iiam em discursos graves , ou em versos sobre serio» assumptos. 
O seiseentiamo foi o.precursor da decadeneía da pura linguagem 
portugueza : os homens que então metrificavanf (e havia uma pra* 
ga delles ^ nenhum dos quaes passará á posteridade) limitaram- 
aê.aouso de um certo numero de palavras, que empregavam por 
oonta e medida y apoucaram as formosuras doidiomai^ cercearam- 
lhe as galas , diminuiram4he o cabedal , com que Fr. Luiz da 
Sousa , Barroff 9 Vieira j é outros que verdadeiramente podemos 
ehamar Clássicos , ostentaram riquezas , que hoje vão desenter- 
rando) e descobrindo novamente polidas, os poucos^que se esmeram 
em falia r portuguez livre tanto de arcbaísmos como de in nova- 
ções desnecessárias^ abundante em termos genuines e expressões 
facuiidas e próprias. Nessa, epocba de calamidade para a lingua 
• também para o progvesso intellectual , as metaphoras violentas 
suppriata ideasy e meia dúzia de palavras sonoras a copia da,dic- 
$aa. Condémnados estão ao desprezo os escriptores da lingua frei- 
ratica , e ninguém se lembrará de sacudir-lbes o p<5 e traça que 
tíB tóe, — O escriptor imaginoso , fecundo , conhecedor dos segre-» 
dos da sua linguagem , dispõem desta a seu bel prazer^ tem seus 
tòquès òriginaes \ agrada , convence e çommove , seguindo a ma- 
téria do seu discurlo \ e as pala viras , que em ou^ia boca pare- 
eeriahi impropriásv sabem da sua com a força ou com a graça 
conveniente ^ sempro bem parecem onde elle as poz , e nao ha 
quem se lembre de as reprovar por obsoletas ou por tríviaes. Es- 
ta é a creaçâo do génio ^ que adapta os materiaes ao ediácio 
que levanta \ e nós nao tivemos um engenho creador no áe^grar^ 
çado tempo do seiscentismo. Na edificação de um muro não sa- 
bem obreiros imperitos ou negligentes escolher as faces eas qui- 
nas das pairas, e ajusta-las sem deixar vãos ou escabrosidades; 
mas se o mestre chega aerguêlo por sua mao, ao lanço que el- 
le acabou pode deitar-se o nivel que a obra é perfeita. Assim 
acontece ao escriptor exii^io; de todos osmaterLxes lança mao,. 



I6d 

mas onde elle os cdloca é que ontrot nSo ot Sftberiam aasenlar. 
—«A distíncçlo entre palavras prosaicas e métricas nio é exacta. 

Pelo que respeita a votes antiquadas algumas ha que o uso 
âos ínodernus escriptores tem acreditado , e a propriedade delias 
Ibes deu cabimento. O bom julso do nosso Auctor lata com os 
preconceitos do seu tempo , que tinham desterrado muitos ter- 
mos expressivos, de cuja supressSo se lastima. Veja-se o que dis 
de — qu€Íxttme , esquivar , di$sidenie , feitura , greyj tobreeenhoj 
e outros vocábulos tao necessários para variar a frase , e que a 
moda então reputava antiquados : nSo duvidamos hoje empre* 
galos, e assim outros muitos ,' em que actualmente ninguém faz 
reparo ^ por exemplo : ^- derradeiro , delonga , doestar , atavio , 
embair , escudar y esmolar. No tempo do seiscentismo de que ain- 
da em vida do Auctor havia resaibo , proscrevera m-se palavras 
com a estulta distincçSo de termos prosaicos , ou métricos , e 
alem disso chamaram velhas ou plebeas a palavras, sem mais 
sentença do que atyrannia da moda, que porentSo imperou no 
discurso escrlpto ou pronunciado, como hoje (e sempre) dieta leis 
no vestuário e nos moveis. — Palavra verdadeiramente velha te- 
mos nÒB que é a que foi substituída por uma ou mais palavras 
de maior euphonia , graça , e força d^expressao , e por isso nao 
convém resuscita-la , principalmente sendo tão obsoleta que ho- 
je careça de traducçâo. Palavra plebea chamaremos aos termos 
chulos da gentalha , que ninguém atina donde vieram , ninguém 
sabe como se escrevem , e que , o peior de tudo, lembram cou- 
sas torpes e obscenas*, osignal caracteristico para as distinguir é 
notar se as pessoas honestas as proferem ou não. 

Addus o Auctor outras palavras nesta reflexSo , que nSoca- 
hiram em tanto desuso , como pode do seu dito suspeitar-se ^ por 
exemplo , companha , é como os pescadores das nossas costas ma- 
rítimas designam sempre o todo da gente de seus bateis : córrC" 
go por levada ou jorro de aguas para regas é usadissimo ^ na lin- 
guagem geognostiça p^e supprir oihalweg dos alemães^ abran- 
ge a sua significação cortes de terreno para escoantes , e se em* 
prega como termo de mineração. Emboras ^ fallecer por fultar, 
feros por am€aça$y galardoar , lide e louçania s|o ao presente 



1G6 

vocábulos mui acceitot , em que não lia quero faça repaTo ; met^ 

« 

cabar ninguém dirá, porem menoscabar j auím eotnomtnoipre* 
tar , está em voga. 

Parece-nos que o Aiictor se engana quando disque hoséénót 
Clássicos significava arraial'^ cremos que designa tropa iiOcom» 
bate, e arraial o alojamento do exercito na guerra. 

Também se equivoca em dar pòr antiquado Unto por can- 
çado y e mais ainda em dizer que se usa somente na acepção de 
couBik frouxa f mal apertada, porque então se nSo escreve como 
o Auctof aponta , mas sim laxo , seguindo a etymologia latina. 

Timoneiro^ auctorisada por Vieira, é palavra que alguns tO't 
mariam hoje por gallicismo, do francês timonier : venha* um vo- 
cábulo s6 que designe o marinheiro de governo , ou Aom<fn do 
leme ! Os nossos antigos escriptores estSo cheios de vocábulos oriun» 
dos provavelmente do provençal que soariam hoje como outros 
tantos gallicismos. D. João de Carstro escreveu no Roteiro do Mar* 
roxo (sem precisão, é verdade) dias serenos ejolizet, 

A RbflxxXo S^^ — Sobre palavras de aiÊçioridade equivoca ^ 
e á*4.* — Sobre as vozes alaiitiadas. 

Estas duas reflexões sSo de toda a obra aquellas em que nos 
vemos necessitados a ird^encontro á maioria das decisões doAuc- 
tor \ devem porem conserva r-se na integra do texto para utili-^ 
dade de quem algum dia intentar a historia da nossa linguagem; 
provam ellas de sobejo asideas falsas e restrictivas que ainda nio^ 
ha cero annos corriam a respeito do uso de vocábulos , que se- 
ria irrisório condemnar agora. — Por exemplo reprova a pala- 
vra — attesiar , que é termo necessário, para o que veja-se adif*» 
ferença entre este o ceri^iear iloA?.^ tom« doEUisaio do Qynorá" 
mos pag. 1 14 pek> Ex.''^ 6r« D . Francisco de S. Luis \ — põem 
em duvida sneneionado e menctonar , quando em outras parlei 
mostra sentimento , e com fbsSo ^ de nSo formarmos de muitos 
nomes os verbos correspondentes. Neste caso temoe metifiSo que 
é de Camões ^ e ao presente o uso do verbo que é geral. 8e é 
clássico «^etier$fia ««-porque nSoadmitte o adjectivo enerfkot^^ 



167 

Se adppU immumd^de por lha achar seguros exemplos ^ como 
mo quer imnitme j qu^ vem da mesma fonte latina f -^ 

Oquemaii nos admira nestes capítulos é a contradicçSo com 
qu^ porassiin diser se lançam ft^ra vocábulos que a seu favor tem 
auQtqridadea , que o Auctor produs y e -nSo de inferior nota ^ ao 
passo que se acceitam outros com iguaes condias, e ás vezes 
com menos necessidades v« g> nSo 4 rejeitado evento por summ* 
so , porque o disse Brito o Dt Francisco Muiuel , nem detidia 
por pr^gt^et , por ser de Vieira 9 nem proditer (traidor) que é 
4o mesmo orador , nem prQUrvoy porque é de Fr. Luís de Sou* 
sa 9 nera pr^no (ineHmadQ ou propemo) que vem em Barros &c. 
— e quer-«se expellir do uso os aeguintes —p-cmpollúíeffer , que 4 
de Franco Barreto ^ eitado pelo Auclor y e que nos parece tiío 
çlawioo Qomo emare/lecer, que é de Arraes, e que o Auctor Ibe 
podia contrapor^ se bem que entre os doia vetboa se dè a diffe- 
rença que vai da côr amarella á côr pallida pu «marelio*esbran« 
quicado* «. como observa o illusive Auctor do Ensaio sobre oaSy* 
nonimost-**- £sco2A« aao só tem a auctoridade da Mo/oca Qmq. 
tem a da "Bneida port. e as doa melhorea escripto«es modernos. 
Em Justificar pt^ettcfcu com a auctoridade de Vkira mostra irre^ 
sotuçSo j deveria porem tomar partido contra os excessivamente 
escrupulosos , coíbo fei a pn^ da palavra «n^e^o. Se netedade 
é vos castelhana , muitas temos dessa língua \ o que nos admira 
é que o Auctor nao visse o uso que delia fizeram Barros e Fr. 
Bernardo de Brito naa frases , que trasMoraca»*— • JLAano nao se 
emprega sò no estilo familiar. 

£m voies que imasediatameitte doriuam do latina ainda maior 
é o absurdo, e contradicçao : se nSo refista algumas que aciasa 
apontamos ^ nem tao pouco «lecfe 9 nvfario ^ compeelo , suMoneo, 
provia , imjktda ^ inUmerato , émnanir j roc^roear j ornear por 
o^cup^v &c. com que fundamento rebita termos t3o convenien- 
tes e «.ecessarios, como. exhuvM^o^ bm^tnpio^ kmgevo^ prema'* 
iuroíf iffnobil , impluaiM , probo , pnfugo , pudàbmndo , fragor , o> 
Outroa muitos^ quepo» ordem alphabetioa procurará o leitor ? . . » 
Vocque não os achou em escri^Sores tidoa e bavidoa por Classi* 
cos:^^e como enriqueceram estes alingua settaotoiai|Qdo dob- 



168 

tim um sem numero ^e termos f — Porque è6 apparecem eín poe- 
tas : — já dissemos quanto era fútil este joeirar de palavras ^ coi- 
mo sé não houvesse prosa grave , sublime , e também harmo- 
niosa. £ demais , quem haverá tSo lido e de tio segura memo^- 
ria que ouse affirmar—^ não vem n*um i6 Clássico esta palavra ! 
-^ Por exemplo : dii o Âuctor. u Ignóbil encontra-se em livros 
cuja auctoridade não faz peso. »> S<5 para o verso lhe coiicede pa-^ 
tente : e aqui a temos auctorisada em prosa noDicción. de Mo* 
raes.! Paupérrimo também s6em poesia o tolera^ e eis o super- 
lativo na prosa de Amador Arraes , e o adverbio pauperrim^a^ 
mente na Chronica de Cister por Fr. Bernardo de Brito ! ínvio 
nao e i6 de Godinho é também de Arraes. — u Fragor (diz o 
Auctor) por estampido do raio é termo de que b6 nos poetas se 
acharão bons exemplos e máos na prosa. » Mas Duarte Nunes 
de LeSo o disse de uma cataracta , e Fr. Bernardo de Brito õ 
disse do mar \ porque se nSo dirá do trovão ? — u Protervia é 
proiervo (vid. a pag. 66 deste volume) poderá ter exemplos se- 
guros, porem ainda os. não achámos. " £squeeeu-se o Auctor que 
na reflexão antecedente (vid. pag. 37) auctorisára /)ro<«rt;o com 
Fr.Luis de Sousa: alem disso as citações d^exemplos seguros des- 
tas palavras (como as acima) procurem-se no Diccionario de Mo- 
raes , obra fácil de consultar , e as que por A começarem no vo- 
lumoso 1.^ tomo do Dicc. a que a Academia deu princípio. 

A RsFixxlo 5.^-^ Sobrejgallicismos &c. 

• 

Manifesta-se em todo este capitulo a critica judiciosa e pru- 
dente do Auctor : concorda elle sensatamente na admissão de vo- 
zes tomadas de alheias lingoas,' quando a necessidade as recla- 
ma \ e tem sobeja rasao , porque o contrario seria pertender qu« 
uma língua viva íicaése estacionaria como o latim e o grego an- 
tigo^ e que os termos concisos e próprios, introduzidos pelo pro- 
gresso das Sciencias e das Artes , fossem substituídos por circum- 
locuções inexactas e muitas vezes ridículas* O Barão deBielfeld 
na sua Erudiiion universelle motejou dos termos latinps , para 
designar , por exemplo , uma peça de artilharia , uma cabcUei- 



• . 160 

t 

ra , alguns trastes de uso : maior motivo de riso darSo hoje os 
que pertenderem verter á quinhentista a linguagem scientifica, 
a industriai, e também em muita parte acommercial, dotem* 
po em que vivemos. — Adquire o homem gradualmente no de- 
curso de sua vida ideas , e noticias : e uma lingua que é viva , 
porque a vai fallando um povo , não hade adquirir vocábulos pa- 
ra exprimir e designar ideas novas, e novos objectos, que as pre- 
cedentes gerações nSo conheceram? .... Diariamente o progres- 
so intellectoal campeã sobre o pedantismo puritano. C9Luerer re- 
presentar uma idea por certa geringonça de palavras é suffocar 
essa idea , ou faze-Ia inintelligivel. — Nao se entenda por isto 
que admittimos os gallicismos , italianismos , e anglicismos des- 
necessários ^ e de propósito fafeemos enumeraçSo destas três fon- 
tes , supérfluas até certo ponto ; porque é hoje moda reparar s6 
em, gallicismos , alcunhando ás veses termos que o nSo sSo^ nSo 
se £izendo cargo a critica de outros igualmente reprehensiveis , 
Qomo fashionable y horse ^ &c. que com pouca diíTerença na ter- 
minação temos ouvido em conversações , è que se os tolerarem 
cedo passarão para a linguagem escripta. OnossoAuctor disbem 
que ha dois partidos , ambos excessivos , um que nada permitte, 
havendo precisão ^ e outro que tudo abraça, ainda sem necessi- 
de. €tuizeramos que elle fosse mais diffuso na matéria*, porem 
nSo nos pesa porque já temos bom auxiliador no Ghuario (•) 
^loEx.™^ Sr. Patriarcha eleito: oxalá que o zelo da lingua pá- 
tria suscite alguém que tenha cabedal e vontade para ampliar 
.este proficuo trabalho litterario^ e já que atormentados nos ve- 
mos com traducções dofrancei, tenham os que de futuro as inten- 
tarem piloto que os livre de naufragarem. 

Q;uanto a certas palavras que o nosso Padre Freire appre- 
senta como reprehendidas pelos^ cuZ(os do seu tempo, vemos que 
não ha para o reparo fundamento. Beliai^LeitraM , e Bellai^Ar" 
te$ devem diser todos ; e porque recusaremos o epitheto de belh 
ás cousas que o são por sua natureza f Era preciso que a ling-ua 

(•) Glofsario dãs palavra» e phrasci da lingua frmceza , que por des- 
cuido^ ignorância ou neee»sidade^ 9e tem introduzido nalocuçSo portuguC' 
xaSrc, — Primeiramente impresso na CoIlecçSo das Memorias da Academia; 
depois separadamente ii*um vol. em 4.^ 



170 

• 

fosse privada dessa adjectivo : como antes lhes chamavaú», Sodi* 
Ariet^ nSo se exprime bem aldeã; eom effeito hd còUsaS boás, t\xÊé 
nio sao formosas, titnem duvidará diser — Mlezas da eioqUeneia^ 
sendo belleza om vocábulo que se applica nfio s6 ao eompotftõ 
physico, mas tamben abstractamente nó sentido metapbysico f 
Digam embora que se emprega por analogia, ou no sentido me<« 
taphoffico &e. mas hado usar^se apesar dos perluxos. Pelo qtre 
respeita a bom gotto nao ha qúe reprovar , porque àiicernimen- 
fo, ejuizo nâo dão o equivalente significado. — Charlatão tetíí 
a auctoridade de Fr. Luís de Sousa na Historia da Religião Do* 
miuioana pârt. 2, Lir* 3. eap. 7. ; e nao faltarão mais a quem 
as procurar. •'^/^Jdr, nlo sabemos como postfa dar^se, a nãd 
ser jnrperegrinmr : ouso adoptou tiomesffio sentido v^er^em settt 
esquecimento total de peregrinação, — Manobra^ còttíó terlhd 
militar e naval , Já uSo ha quem o desaposse. -^ húeféisonie cfè' 
mof que não é digno de excomunhão : boá mania é ter-tftosf qS 
verbos, e tecusarem-se os partlclpios, facundo aquelles defecti* 
TOS á força, porque n^um livro sebento, ourdidò da tf aça, iêímú 
cscontrott esÈsxnadural detcend^nda do verbo ! -^ A^tó-útfi lúnU 
to e muito a opinião do- m»so Acfctòif , que nem s^qtiet se ani* 
mou a rcprefaendffr iUêeepHveVe rôipoMài^el ^ quandò rejeita ou- 
tras palavras , de que ulfo teittotf ivécessi^de : poitf assim nfesmo 
tuicepiivel tem bom substituto elii ií^az : V. g. porto cQpat de 

m 

recolher íaiúe» »taoio9» 

A KofLZxXo 7 .^'^Súbrcsifíionilrtoi e dtffereniças de pákfúrck êCc, 

A matéria com qoe termina esta prrmcita parte ^ele sum- 
ma importância pam quem- desMfJa eséiever cóm acerto ecfareza, 
o que não é possível conseguír-se sem escrupulosa propriédadcde 
die^Sq : o eonvcniènte emprego doa vocabn^los far perceptiVól a 
oração; com palavras de sentido mui kto oti ambíguas ficam as 
ideas ec^fusa^s. Par isso o nosso Auetor pòt diligencia em dar a 
este artigo do seu livro maior extensão, e ainda que imperfeito 
é mui louvável o seu trabalho , porque os críticos antenoj-es de 
tal nao curaram. — £m nossos diwalcansoaaliHMatiirff patdar 



171 

ttnt subsidio valioso ná obra que seu nmi digno Auctor inodes- 
lamente intitulou — Entaiot sobre al^n» Synonimos da Língua 
Boriugueta, Eéíe livro em dois tomos (gozando já o primeiro a 
bonra de terceira edigâo) é indispensável aos escriptores apriroo- 
irados* Na prefação expendem-se raaões tao sisudas e dignas de 
meditação , tão appropriadas á matéria do presente volante, quê 
nos pareceu de necessidade estampar aqui alguns extractos^ 

-*- Sendo incontestável que o progresso darasSo bu«* 

mana em qualquer ramo das sciencias depende essencialmente 
da exacta precisão da linguagem , e qae um diccionario bem 
leito do idioma de qualquer nação co mais certo demonstrador 
do grau de perfeição, a que tem chegado nessa nação os conhe- 
cimentos úteis ^ claro está- que nem a quella precisão se pode al- 
cançar sem serem bend determinadas asdifferenças, ás vetes qua- 
81 imperceptíveis , que ha entre os vocábulos reputados por sy- 
nonimos; nem este diccionario se poderá jamais discr bem fei4o 
sem que nelle se notem essas differença» • 

tt Temos na verdade muitos eillustrea Clássicos, que na ida-* 
de áurea da nossa litteratuva escreveram com pureza e elegân- 
cia , e até com su£6ciente perpicuidade enos transmittiram^em 
seus escriptos muitas riquezas, da linguagem pátria: mas. nãoti- 
vemos então , nem temos tido até o presente , abundancii^ de sá- 
bios que escrevessem na lingua portuguesa obras scientíâcas e 
didácticas , em que lhes fosse necessário determinar e fixar com 
toda a precisão philosophica o valor e difierenças dos vocábulos 
synonimos , e em que por esse modo nos deixassem os subsídios 
necessários para o bom desempenho do nosso assumpto. 

u Em todos os tem^pos parece que a criação ou restauração 
da litteratura e bellas-artes tem precedido á das scienoias seve- 
ras e exa«tas; eesta lei que se observa nabisloiia littevaria áa» 
■açoes sabias , abrangeu também ao nosso Portugal. 

M-Melhorou-se nos reifiados des. senhores D. Maimei c D. 
João 3.^ a nossa lingua; eultivou-ae com grande esmero a poe- 
sia nacional , a eloquência , a historia , eoutros. ramos da Htte- 
ratara ; mas as sciencias y que costumámos chamar maiores , fi- 
caram no mi&ero estado , em que então se aebavam geratoeivte 



173 

em toda a Europa^ e os progressos, que logo depois começaratti 
a faser ein algumas nações cultas , nao poderam superar os re- 
dobrados obstáculos, que em Portugal se pozeram á sua-iutro- 
ducçao. 

u Assim a língua ganbou muito na abundância de vocábu- 
los j na regularidade das formas , na barmonia dos sons , -e na fle- 
xibilidade a tod€is os estylos \ mas mui pouco ou nada adquiriu 
naexacçao e precisão philosopbica ^ porque nem a verdadeira ar- 
te de pensar era ainda cultivada, ou pelo menos conhecida *^ nem 
a sua intima e necessária ligação com a arte defaliar e escrever 
era demonstrada , como depois o foi pelos esforços e ímmortaes 
trabalhos de Locke e Condillac. 

M Os nossos Clássicos pois , nao conhecendo as incompará- 
veis vantagens da analyse no estudo das faculdades intellectuaes 
e de quaesquer outros humanos conhecimentos , nem julgando 
de absoluta necessidade para a belleza de seus' escriptos essa apu- 
rada precisão dos vocábulos , em que consiste o principal ifistru- 
mento da mesma analyse, empregaram as mais das vexes promis- 
euamente as palavras , que no uso vulgar se tinham por sj-nony- 
n'as , e quasi nos nSo deixaram soccorro algum para bem deter- 
minar-mos as suas differenças . . . . m 

Já na 4.^ edicçSo do Diecianario coordenado por Moraes se 
aproveitou boa parte do trabalho do illustre Âbclor do Ensaio, 
sem que com tudo possa dispensar-se de consultar este tratado o 
estudante curioso e applicado. 

Gtuanto ao nosso Padre Freire poucas observações faremost — 
Parece-nos porem que sendo a maioria de suas distineções aeer* 
tadas , peccou^ ou equivocou-se nas seguintes. 

Reprovando a opinião do Padre Bento Pereira , auctor da- 
ProBodia , cahe n^outra censura , porque írtt» para siq^te ofwnal 
e bf^to é a meãma coma. E' sabida adístipoção entie ohomew 
e os animaes irracionaes, — Pode ser que o Auctor tivesse efXk 
mente as palavras animália ou alimária e por um lapso de peo<- 
na as não escrevesse , pondo em vet delias o vocábulo , amaud. 

Batalhão eetquadrão designam hoje o inverso do que per- 
tende o Auctor, e acatam asaoM antigas significaçõos (trocadas 



178 

agora quanto is ri^pectivas furniiaa) «epultuda» nas pA|jnas 49 

Ve bem movm está cars^nte 9. definição , mas nSo taoto ^. 
de ben* movenU* peloi que ism estilo forense se àii^m fenu>V€7^ 
U% (^ne se movem por si) como gados &c. para distinç^So dçif 
primeiros , é ào» prédios rosticos oa urbanos , a que cbamimos 
bem de riit»* Mové^iU é um participio do seu verbo , sigoifiç^ 
a^^ntíi que põem, em movimerUQ» Admira-nos que o Auetor adf- 
mitisse este tetmo^ que tem por auetòtidade a E$chQla das Ver da* 
cfey, que n^^uiraa partes arremeti te censura \ e comtu^o estfi obra , 
tradac^So 4p italiano, é reputatla clássica atépe^os Auçtores do 
Diccionarío da nossa Academi^i. 

Brandi»' a lauça é men^^la 9 «opeta-la pa|-a acertar o golr 
pe , e nao para ar remeça-la : %6 o dardo e outras armas curtas 
eiram as^qtàe se despediam com a mâo atírandp-as contra os «4" 
versarios» 

Jfíèdií9g(4o e iagrãgão niQ sfio tão equivalentes vocábulos 9 
eotno.se \é no tiextot porqi|e toda a igreja é dedicada ou bensí-* 
da , isto é preparada com as ceremonias canónicas para a cele^ 
hrâçflo dòs officioa divinos-; mas nem pur isso toda a igreja é sa- 
$pr<sda. A sá^r^f^o e uma nova 9 .mais solem ne , e por a^m dir 
ser imm mer^a dedkafão^ eem ^ova e memoria delia secol-t 
locam- oertas criMes de pedra m^ paredes ecolumnaa dotefnplo. 

I}0^eieamenâo: dá o Aut^t.estta ptalavra ao^v» , maa J»a ae* 
cepçiío em que no scm tempo se usava* Como então, á termo 
paramai»te miliitar; mas ag#f« designa umairac^ao, de ordioa* 
rio pequeAa , de um corpo arregimentado , que se separai paira 
gaarnetfer algiMQ posto determo^do, porlít^po Jimitatdo^ e pá- 
ra «ar^i^o d^Autemão sabido. 

iOotktfad erwiU0i (ia# admittím^. e^e diMÂ$<^. ijo A»e* 
téfr» '^ Erudilo «Eai»a«se áqt^U bom^m 9 .%ue «e aN^nt^Ja #m 
outros Bo eonlitmiiiento dos factos y ,akanfad<»< por vb de tuiita 
grande leiMlva 9««h>9i<a*, ou malb#r <a6tot «i^^^^viei» dial ingua no- 
«mihecimenlHi d^algttittdaqoeHes is^ate^as dosi^ouheaimitoUi.s hu- 
manos, que se possa chamar SDÍe4i«ia»^*A (Mtmiid^m compi:e* 
faenáb ti«tipr!ftncffi*«#>vaPMsos^ qae*«it, o^nbeiíDnenti^ da tiisto- 



174 

TÍa 9 o dii8 linguas, e o dos livros. £^ verdade que os progressos 
neste ultimo ramo suppõem até um certo ponto o conhecimento 
das matérias , que nos livros se tratam , e o dos Âuctores del- 
les ; o que tudo faria o homem alem de erudito , também douio 
ou sábio: mas a erudição consiste principalmente no conheci- 
mento do que os homens instruídos teem julgado destas obras , 
da espécie de utilidade , que se pode tirar da sua leitura , das 
anedoctas , que respeitam aos Âuctores e aos livros , das differen- 
tes edições destes e sua escolha ÓLc. 

Neste sentido é que os Âuctores da Encyclopedia , bo arti- 
go Erudition se queixam de que no seu século tenha sido tão 
despr&sada a erudição , quando a cultura desta era mui conve- 
niente, mesmo para o adiantamento das sciencias^ que com tan- 
to ardor eram entSo estudadas. As queixas da Encyclopedia se- 
riam applicaveis ás circumst anciãs da França ; mas cá entre nós 
foi o século passado , século de erudição^ Bastará nomear entre 
outros muitos ao Padre JoSo Baptista de Castro , D. António 
Caetano de Sousa , Diogo Barbosa Machado, António Pereira 
de Figueiredo , D. Fr. Manoel do Cenáculo &c» 

£^ porém certo que levará sempre a palma a todos os ho- 
mens instruídos aquelle, que a uma extensa ebem dirigida ertc* 
dição souber juntar um profundo conhecimento das êeiettcias, 

Embtyão , em zoologia , chama-se ao gérmen do novo ani- 
mal logo que começam a ser visíveis as formas do corpo e dos 
membros : em botânica dá-se também ò mesmo nome ao rudi- 
mento da nova planta , quando começa a desenvolver-se da se- 
mente. 

Mncyelopedia rmo tefm aetymologia , qne lhe dá o Auctor : 
attendendo-se bem á composição grega desta palavra acbar-se-ha 
que significa 'tntinic^do emdrculoy servindo para denotar o cir- 
culo de todas as sciencías e artes : veja-se €luíntiliano de IntUt* 
Orat. lAb. 1. cop. 10. inprinc. Por isso nao incorreu em pleo- 
nasmo o auctor italiano, que pelo noisso é censurado. 

Epkemcroi não sSo s^ certas flores , mas também umas bor- 
boletas que apenas vivem um dia. 

JSkcutar diflbre de ouvir; este é receber meramente as 



176 

impresfiSea dos som \ aquelle appUcar o ouvido ^ ouvir com ai* 

tenção* 

EUrada : sSo acertadas as distiiKçdes que vem sob este titu- 
lo; poreiD nao e exacto quelúdeira e cocada seja *a mesma cousa 
pofttoque em Lisboa chamem exclusivamente calçadas ás ruas ia* 
gremes. Toda a rua ou estrada , coberta de pedra unida e bati- 
da > é calçftda* 

Faúca: nao vemos que osauctores atenham distinguido de 
tdntiUa^ que também se usa tradusida, como em hespanhol, cen^ 
telha '^ estas três voses significam a mesma cousa. 

FalUcer ; náo está antiquado na accepçâo de £aier falta aca- 
bando : V. g^falleceu o- dinl^ro para as compras. 

Furtar e rOíibar : adistinoçSo.qae fas o Auctor éde Duar- 
te Nunes de Leão que no Orig^ da JUn^*. i^<.. dii : a aeçôo do 
ladrão pnÒlico^ chamam rotdn},; a do ladt^ secreto , furto. Mas 
é oerto que «rou^ designa o furto feita com violência e força. • 

Gado: o Auctor.nãoespecifieott' os particulares termos com 
que se designam as diversas qfuaUdadea de animaes domésticos , 
quando se reúnem muitas, eabeças, ou no pasto, ou no curral, 
ou no mente \ «pertenças de um sò proprietário ou de muitos , 
mas encarregadas á vigia de um homem: disemos propriamente 
reha»ko de ovelhas , /aio de cabras 9 vara dcporoos; e. ninguém 
usa dos vocabiUos alatinados, armerUoegrey* Com tudo ha nis- 
to variaf$eS'^ porque manada ,' que do latim mannus sé devia 
escrever mafmadfly é termo especial para um bando de éguas 
de criado \ mas. os campinos das lesiras chamam tombem mana- 
da aos touros bravos que guardam , e é'iq[iuito frequente ouvir « 
diser manada de porcos. JKeòon^ parece .ao uso. vulgar um ter- 
mo gei^erloo , porque ate ditem , rebanho de perus , de galinhas 
*dLc. pelo .que. aphaiíSo que no trato familiar e quotidiano se não 
applioa só'áspveUi|(s..Jáse vê o quanto andam confundidos estes 
termas, porem oescripjtor correcto os empregará constantemente 
na aecepçao. mais própria e que uma ves tivec adoptado. 

Granito na nome^Molatura geognostica, significa uma rocha 
primitiva, composta degrãosinhos de feldspatho, quartio emica. 
Jerarchia^ também hoje se usa^ apesar da etymdogiay parr 



176 

<ic8ÍgnBr as dilff Fénte» gradiia^defi na ordem pòUtlea «ein), as- 
sim da nobreza hereditária como dos cargos da republica. 

Inconlineficia : nSo podemos coDformar-moseom^adístkicçao 
^e vem noite k»gar. A e^ntinencia é virtade oppo!sta'Boapetit« 
te libidinoso , segundo lemos em exemplos de Clássicos antigos^ 
e posteriormente no Mns, sobre l^ncn, ^ pag. 40 e 41. — uQ 
celibato christao demanda continência perpetua. A viuvez, qôe 
nao passa a segundas núpcias deve seteoniinenie.n Seg&e-se que 
ine&ntirunoia é propriamente o vicio contrario dtiqueUa virtude, 
postoque também o seja á temperança em geral. 

Inàigenjeia énecestidade de alguma causa: esta definição, no 
ponto que se trata , éum tanto vaga; porque indigência ditmats 
que pobreza . -^ Os outros vocábulos estão bem definidoft. •*-« Aqui 
aparece outra vez a mal fondada distincçSo entre palavras nie« 
tricas e prosaicas, reprovando-se o uso úeindifencia e inópia n^ 
discursos em prosa : note-se qoe ppv essa fbrma a^ 'o verso fica- 
va com a regalia de 'exprimir com>e]cftoç&o mais daasldeas, vis* 
to que o Auctor mostra naoaerem os'doi« vocábulos rigorosamen- 
te sjnonjmos de pobreta , como o n3o sZo de penterki. 

Irmão: neate paragrapbo naturalisa o Auctor a palavra ea- 
ãeie para indiear os filhos segundos^ porem nSo vemov qtle'fbs>> 
se^doptada, salvo pura stgniâcat os mancebos nobres com pra- 
ça de simples soldado , a que cbaroam agora «tfjsvfttnle^ , e que a 
lai habilita para offietaes-: a«im mesmo nSo e^prímiat distino 
çSo entre o primogénito 'e os outros filhos. 

/»(i»itlo i deve ^serever-se kigtrião para concordar eem aety- 
mol^iã latina. 

Ijagêa: nda é «xaelo dizer qaechamámi>s 4itgáa ao ájunt^av 
mento d^guffs qn« «éoca no v^rao : a lagoa de Óbidos ^ àigum^âs 
dos plnearos da 6err«i «d^lSstrelIa nunca ficam enxutas. < ' ' 

Melodia'^ ti ttiem» ou t^anto principal- de uma p<>ça de Ain- 
siea. '^«rmefnft é utft^ serie de diversos sons a-céordiía,' qUe sò 
tiram com a voa Otteom Os in^trtímenttys para sustentar e fbrta- 
leeef o carito priíieipal. A melodia «ú^t&ntada por uma harmonia 
débil nito fHZfeíTeitõ, salvo ^ê está foHissimamentectiraeterisaâa. 
A harmonra sem meloéiai é etsiApte Masf^a má. 



i77 

Fáiibule: nia estamóa pfeU difiereilça Bi)iit apootaclft p^lp 
Âttctor^ e recorrendo áetyroologta «no ufto deocafios bonflAuc^ 
tor^» coteodemos que/Miátòti/o á ologar praprio para ««çopdaa^ 
nados soffrevein o tupplicio, mormente o de pena ultúiHi ; cQd<A? 
falso não é propriamente o logar de»uppHcio, mas aÍid uin^-AF^ 
mação de madeira 9 ou um tablado levantado do chão 9 destina- 
do para nelle se praticar qualquer actepuUico, ás veses de£»»^ 
ta, e tegoaijo , como acocoação de ura rei &.c* Como porem mui- 
tas vekeS'.se executa a pena capitai nos reos em semelhantes oa<* 
dafalsos , óu palanques ; dahi veio tomar-se cmdafcdía na aocep*- 
ção de patíbulo. Mas pelo. qu« idlsemos se >\â qlte^ nem sempre o 
eaãafuho é paiiimloj nem opaiibulo eodaftilÈO, 

• JVoásar: nao podemos ipoodstra ctermo tecfanico de um 
olficio. Pratear é bobrtr eom folha de pcata \. vai o mesnii). a 
vos alatinada argentar ou àr pentear ^ 

Praia ^ margeuit: para ^se «ver que não é exaeta a applica* 
ção deslas palavraa no sentido dv- A. 9 eonsnltci-se StfttPtpymoÊ if 
too»* 1« pa$..193^ artigo^ reprodttiído na 4^< ediç* do Dioc* de 
Moraes , Yerb«- Margem. . • . 

. Preambulo: define-o bem o A^ :. mas qitanto hlâu aceres* 
eentaremoeque ó propriamente c&earso em louvor '^ ed^ahi veto. 
eiiamarem os nossas. antigos lâawa drama aquelle pri/meiro disi-. 
OUF8OOU iDtredtteçãoy em que de ordinário havia louvores : aio* 
da são bem conhecidas asJ^s cíosetrtos que vao^s romã ria s^ co< 
ino de N. S.^ do Cabo, da N«saret^ &o. 

/Vsnetpiotv* «ao éfiarçaq^u» os da geometria se chamem sem- 
pre eUmenios ; qualquer destes termos exprime as verdades fufii^ 
dametttaes áé «quaiqueF seien^ ou tirte. Tasabem- mSt» é exacto 
q<i^ cs-if>tisctiio- denote só o priacipio ;do dia v pavaeste e mais 
próprio cava ou alvor, e auiior» f . creptiicti/o tanto óiprioci pio 
e^fliiq ftm dõ dia, pois ha 9 miaikatiiio e o vespertino. 

^ > MòHo: f9ÍíM9Me^^^*-^lèotío «em uma sigui^açiu.maís aro- 
pia 4^>q«e a imlavrat earct, e pateoe exprimir «m ^ral a< parte 
dianteira 'da oahéça, qu^ é jtmtavnenl» n miis saliente, ou a qise 
maia «ppareqe , ou pf|«mro s^ aidverte , tanto lio homem como 
em «QtriMi oljeetos^ asslbi dmmoB o ravt^ 'do homen^ , • rosto 



178 

do ca^ , o rosto .da ilha &e. — • l^mblanie é a cara ou roaio do 
homem , «guando nelle appareee o estado da alma, a expremao 
dos affeetos e paixões : eiL* -— u K no semhrante do rastro repre* 
Sentava tristeza e vida descontente. «« Franca de Moraes, Pcdmei» 
rim y p. K cap.'lâ. 

Sobrenome : desta vec temos o atrevimento de ir contra a auc- 
toridade de Vieira. Outra é nosso entender a differença entre wobre" 
nome e appellido, E para que possamos bem determina-la convém 
réteordar que quatro são asespecÍÊs de nomes na gente portogue- 
za. 1.^ Nome do baptismo, ou nome propriamente dito; 2." so^ 
brenome; 3.^ appellido; 4.^ alctinha. 

O nome do baptismo (assim chamado por ser posto ao in- 
dividuo no acto de receber aquelle sacramento) ^ como jÉitíoniOf 
João , lufaria , dcc. corresponde ao prenome dos romanos,, Iaa- 
ctU5, jPuò/tus, Cams, &.o. . 

O sobrenome é um segundo nome, que ásvezea seaccrescen- 
ta ao primeiro , como João António , PVancMco Joaqímm , Ma- 
ria Rosa , &c. Nao tem correspondente latino. Alguns sabreno-* 
mes são tomados de santos , ou de outros objectos de devoção , 
assim como Antomo de S. Raimundo^ João de Chriàa^ Maria 
da Concéigão &c. Nas ordens religiosas era uso, e em algomaa 
obrigação, trocar os sobrenomes do século por estes de idcvoçã^»^. 
Ha porem muitos individuos, que nao usam de sobrenome, e 
assim vemos nomeados Atúomo Vieira^ D. Jjui» daCunhoj éLo, 
Pelo contrario ba outros, que usam de dous sobrenomes, posAo» 
que mais raraa vezes se encontrem. Somente os nossois- prhkcepes 
tomam no baptismo uma longa serie de sobrenomes ; mas isto é 
pura ceremonia , poeque paiaado áquelle acto , nunca mala Ibes 
servem para oousa ajunta ; « nas suas assignaturaa é etiqueta 
assentarem. somente o nome próprio* v : . 

O appelUdo áiun nome conunum a toda afamilias, e passa 
por herança de paia a fiUios ; como Pereira^ Mene^eêj Cadf^ &c. 
Corresponde ao nomei» y fi em certo modo também Aoeognomen 
doa romanos, ex» Conuglimy TuÁHus, Eraro aehar entre mSs al- 
guém sem appellido j e seapparec^, é sempre tido por pessoa de 
pouca conta. Pelo contrario oa nobfes de toda Heftpaoha fasem 



179 

galla de om grande numero de appeUidos , para recordarem at 
famílias illustres , de que descendem. 

Alcunha é um nome particular a um sd -individuo ^ deri- 
vado d^alguma circumitancia pesspal , frequentemente de algum 
vício oo defeito, e é applicado por alluaSo injuriosa. Sâo mui com- 
muns entre a plebe. Correspondem ao agnomen dos romanos. — 
As (deunhas transformam-se muitas vesea em appellidos , quando 
sSo adoptadas pelas pessoas , a quem foram applicadas , e pas- 
sam assim em herança a toda a família. Muitos appellidos , ho* 
je de distincta nobrésa j foram taivea na sua origem injuriosas 
aleynhas. 

Ha entre nds , e nos demais poros de Ilespanha , uma es- 
pécie particular de so^€tiomef , que sao os paironimicos , — jM* 
vares , Martins ^ JSanches , Cionçalves , Ào. — que significam fi- 
lho de Álvaro , filho de Martim ou Martinho , filho de Sancho ^ 
filho de Gonçallo , &c. Antigamente eram sempre exactamente 
applicados nesta significação. Assim o nosso 1'.^ Bei D. Afibnso 
cbamou*8e Henriqttes , por ser filho do conde D, Henrique, D. 
Nuno Alvares Pereira , chamou-se Alvares por ser filho de D. 
Mvaro Gfonçalves Pereira \ e este era Cton^alves por ser filho de 
J^*Gon§allo Pereira &c. Ha muito tempo porem que senão ob- 
serva este rigor , e os paironimicos teem passado a ser appellidos 
de família.-^ Os nossos latinistas quando vertem em latim estes 
sobrenomes pmironifnicos^ usando de uma elegante sintaxe, poem- 
not em genitivo : assim disem ,de João Pires , ou JPeres, -— «Tban- 
nes Pitri, — * isto é (filius Peiri) ,* de Pedro Annes^ ou Mannes-^-^ 
Peb*us Jbannis ,•— isto é (fUiv/s JocMnis) &c. K aqui se advirta 
na singular derivação deste polrommteo — ^nnes ouJSannes^ que 
nos vem reflectido em segunda mão do latim , e éuraa leve cor- 
rupção de Jbonntf (fUius), Em notável erro pois caem os nossos 
pvleographos y que ignorando a syntaxe destes genitivos paironi- 
tnicos latinos* o» nSo sabem verter em portuguea , e te n^um do- 
cumento encotitraín , por exemplo , Joannes Peiri disem João 
Pedro em vea de Jbuo Pires ou Peres ; aem reflectirem que na- 
quellas antigas era4 nflo havia estes modernos sobrenomes, mas 
todos eram paironimicos* <-— Até no nosso mais insigne archeolo- 



180 

go , e inettre de difiloiiMítíúa , Joio Pedfo Riitttre 9 que bem *a* 
bia tudo isto, achamos destes deteuido». Na soa 3.^ Dissettaçno 
Oh fonológica e Crítica do 1.^ tomo , «^ Jbannert Prln (^ jtfon- 
ieagracio -^ verte -— João JPedro de Êíonieagraeio^^mm ves de '^* 
João Pirei de Monieagraçe^^e xt^outro logar passa fÀm.madaQ" 
ça para português •*«« D. Aidara Peàru^^ 

Seria curioso seguir através das diflerentea phasea da eívili- 
seçSo portuguesa a soeoessiva mudança aaatm dos nomes próprios 
eomo do aocrescetita mento dos appellidos» Seria curioso ver leo* 
mo foram eaiodo em desuso os JLopo*^ e os Sêutroê^ as JS/woi 
e as Urraca» até chegar aos Auguiios e GuUhermes , as Ad^ai* 
deu e Ifermetíndms» Também o seria ver como á antiga siuçelesa, 
com que se nomeavam os maiores homeàis ^ -^ 1^. Egas Monit 
Coelho^ D, Fuai Roupimhoj Mum Jtíodrig%us$ de F€UêunceHot âusé 
i — sueeedeu a longa serie de appetiidos : — D. Franetseo de h^r 
tnos Faria Pereira Cotttinho &c. :*^ Mas. nem é para estelogar, 
nem cabe nos limites d^ima nota , tfio longa digresaao. 

Concluiremos observando que ha em portaguei uns premo* 
fnes especiaes , difierenies dos prenomes latinos \ e ia^ são es 
douft Dom e Frei, Sao tio insepaj-aveis dos -nomes das pessoal , 
a quem competem y que se alguma ves por ignorância ou descui- 
do se ommitem 9 muitas duvidas se movem sobre a identidade 
das pessoas; e em negócios ponderosos pociem dairlogar agraves 
consequências. -— O nosso Maaoél de Faria e Sousa na tua Asía 
Poriuguexa^ tom. 3. part. 4. cap« 6. nos deixou disto um me* 
moravel cxemj^o. £ foi o caso que pela morte do Bispo de Co» 
ehim, D. Fr. Luis de Brito ^ governador da índia ^ no-fim de 
n julho de 1 6i99 : u abriendo^se luego ia sucessioa segunda ^ se 
n fue a desoubrir la poea ateiicion de algunos ministros que Ue*, 
•9 gan a ignorar asta los nombres de las mayores personas de su 
n tiempo Gon quien tratan , y a quien eonsultan en los mayores 
9» eavgos. Esto es que alií sebailavan mombrados dos, D.Loren- 
99 ço deCuiia capitan de laciudad de Goa , para gobcrnar lo po» 
99 litico , y Nuíio Alvafes Fereyra lo militar. Nombre de que en 
9> la índia seballavan, obíen des personas, obien ninguna. Por* 
9» que para ser Don Nufío Alvares Fereyra , Cavallero bien co* 



181 

n nocido y ausente de Groa 9 faltava el Don : y para ser Nufio 
9* Al varei Botello, aparecia en yei deste apelUdo essotro. — Gran 
n lastima que en una Secretaria de Estado se cometiesse un des- 
9* cuido de qué pudieni resultar un gran desayre en la índia, si 
99 D. Nufio Alvares Pereyra no estu viera ausente , porque no 
9» aviendo de ceder en la pretension ai cargo alguno destos dos 
99 belicosos Cavalleros , por ventura se arriesgara la quietud pu^ 
9» blica , como ya co gran peligro entre Pedro Mascarefias , y Lo* 

9» pe Vas de Sampayo • Puso-se en duda qual de los doa 

99 era norabrado : uno perdia el dereclio por la falta dei Don j 
99 y otro por el trneque dei apellido. Hasiase mas impossible ai 
■9» error en la Secretaria faltar aquel , que trocarse este ^ a lo 
99 menos en Portugal adonde el Jhm es Titulo de algunas fami- 
99 lias que no sufre olvido : el trueque era sufrible , porque Nu- 
99 no Alvarez Botello avia usado dei Pereyra largo tiempo , en 
99 çracia de la memoria de su abuelo Nufio Alvares Pereira, cuya 
99 hija D. Isabel Pereyra era madre dei Botello , y hermana de 

99 Pedro Alvares Pereyra, dei Consejo de Estado &c Des- 

99 pães trocd Nufio Alvarez el Pereyra en Botello , quando sue- 
99 cedió en el roayorazgo de su padre Diego Botello , que avia si- 
99 do Governador y Capitan General de los Estados dei Brasil. 
99 Mas como las cosas que una vez toman assiento jamás le pier-* 
99 den dei todo , muchos le Uamavan de Pereyra , aunque el se 
99 uviesse dexado de Uamar assi , conque de algun modo es des- 
99 culpable el yerro de la secretaria , que no lo fuera en la falta 
99 dei Don , que como diximos es .TUido inseparable de la fami* 
99. lia de aquel Cavallero. 



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V • 



índice. 

Prefação da 'premente edição > y. 

Introducçâo ao cscrtpior principiante 1 

Reflexão 1 .* — Sobre a auctoriaade dos Auctores Clas^ 
sicos da Língua Portuguesa 6 

Reflexão ®.* — Sobre o uso de algumas ix>%es antiqua- 
das S« 

Reflexão 3.^ — Sobre algumas palavras ^ das quaes 
frequentemente se usa^ e os críticos não adinitlem^ 
por nâo acharem delias exemplos seguros. Mostra- 
se em algumas o erro destes criticos 3S 

Reflexão 4.* — Sobre alguns nomes latinos introduzi- 
dos na Lingua Pof*iugu,€%a por Escripíores de in- 
ferior classe , aos quaes nâo se deve seguir .... 44 

Reflexão ô.* — Sobi^e alguns Focábulos Franceses^ e 
Italianosy novamente introdu%idos na Lingua Por- 
tuguesa ..'... '. . . 60 

Reflexão 6.^ — Sobre a Syntaxe figurada y e Idiotis- 
tismes da Lingtia Portuguesa 65 

Reflexão 7.* — Fm que recommendando-se o f aliar 
com ioda a propriedade se offerece um Catalogo de 
termos próprios y cujo legitimo uso frequ^temente 
se perverte , 70 

Notas 157 









ERRATA. 










Errot. 


Emendas, 


Pag. 


H3 


lin. 


1 Agrura por impureza 


por aspereza 


í» 


25 


n 


12 £inbeategar 


Embetesgar 


n 


36 


n 


18 Classieo 


Clássico 


n 


60 


» 


9 Ineolume 


Incólume 


39 


68 


f> 


9 diverte 


diverte 


n 


1J?4 


n 


16 Alarco' 


Alarte 


n 


128 


n 


16 indagencia 


indigência 


y> 


132 


n 


18 presa 


prosa 


» 


143 


'«pen. Relíquia 


Relíquia 


n 


146 


n 


20 com auctoridade , 


com auctoridade. 
(O período que te 

segue é a citação 

de Fieira.) 


w 


148 


it 


8 cezar 


czar 


n 


162 


n 


18 ducemviro 


duumviro 


n 


170 


n 


14 peregrinação 


peregrinação oujor^ 
nada* 



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REFLEXÕES 



«OBRE 



LinGDA P0RTD6DEZA, 

ESCRIPTÀS 
POR 

FRANCISCO JOSÉ FREIRE, 

PUBLICADAS COM ALGUMAS AKNOTA^dsS 

PELA 

SOCIEDADE PROPAGADORA DOS CONHECIMENTOS UTEIS. 



PARTE SEGUNDA. 



Trata do que pertence á pronunciaçào. 



^^\f^É 



Wm 



Ttfpographia da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis. 
Rua Nora do Canno N.« 39 ~ D. 

1842. 



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REFLEXÕES 



ZaUS&UJL POH^trOITBSSA. 



REFLEXÃO 1.» 

Sobre a verdadeira pronuncmçâo de algum ruy- 
mes 5 que corre viciada pelo povo. 

Jl\ So ha cousa tâo frequente como ouvirem-se infinitas 
palavras com a pronunciaçSo que não lhes é devida; e 
o peior é que o erro não é só do vulgo^ mas também da* 
quellcs que, ou por sua educação, ou por seus estudos ^ 
deveriam não cahir nelle. A favor destes escrevemos es- 
ta Segunda Parte , na qual fardemos várias reflexões so^ 
bre os erros que correm na pronunciação de diversos no* 
mes e verbos na lingua pòrtugueza^ e daremos fim com 
um copioso vocabulário de palavras , que se pronunciam 
erradas, dando-se*lhes diversa terminação da que lhes 
compete, ou alterando as syllabas de que se compõem , 
umas vezes por diminuição, outras por excesso. 

Um dos erros mais communs que ha na pronuncia- 
ção é nos accentos das palavras, usando-se do agudo quan- 
do só tem logar o circumflexo^ e do çircamfiexo quaada 



s6 se deve usar do agudo« For exemplo ; a cada passo se 
ouve dizer pá^os em vez de pógos^ suppôstos em vez de 
svppóstos^ sequiosos por sequiosos^ hortos em vez de hor- 
tos ; rágos em logar de rigos &e. 

Pelo contrario dâo accento agudo onde só compete 
o circumflexo, e dizem /órros em logar de forros] sor- 
vos em vez de sorvos ; choros por choros ; trocos por tro- 
cos ; pótroê por potros &lc. Ignoram igualmente que te* 
mos muitos nomes que assim no singular como no plu* 
Tal conservam o accento agudo, como v. g. nosso ^ vos- 
so ^ lógo^ módoy copo &c. , e assim cada um falia ,' se- 
gundo a defeituosa pronunciaçao da terra em que nasceu. 

Nâo é domeú iim fazer iiqui um catalogo exacto de 
todas as palavras que erradamente se pronunciam nas 
proyjaoiatf > ^ luoda «m diversos bairros de Lisboa , por- 
que sâo bem sabidas ^ e até os mesmos que as dizem, se 
\ivem por tempos na corte, sabem que erram, mas pa- 
ra se não emendarem pode nelles mais o vicioso e ia- 
leií^adD costMine que pontrahíram co&^ A educiição. 

Porem ])os siom^s que teraiioam ^m âo é que osçr* 
10^ 9«o m^h )QC4aíiipuii» , quando ae vem obrigados a d^r- 
|b^9 plwal» Ppr e^i9plO| diz^Qft oo wigular, Cidadão ^ 
mllâo , cortino &c» , . e não sabem se no plural d^vem 
di^er ^c^Acidic$ , ádadâes y Ou :<ndadíâ9s ; villêes ^ tAlUk$ 0^ 
villâos ; çorUi^&eAy corhxàt^^ ou çortcxias. Como ^Somui-' 
jUic9 as palavras com eHas termioagões , em que os jgno- 
rwte9 9e confundem 9 preíciâo se faz dar-Uies uma cegra 
carta, para não errafem na pronuaclaçiio. . 

, QvaikIo se sâo souber como se bíSo de terminar no 
plural aqueUe» notmes que eqtre nós acabam no «ifigula? 
«til áOy o rci»iedio é reconrer á língua castelhana^ porque 
^ o nome quien^s terminamos em âoy elia acaba «m 
a» 9 havemos no plaral dúser a«»s« Dizem por templo 



os castelhanos pan ^ 9 capdan , alcman y guardian , iacrn- 
tarij catalan &c. ; devemos nós pronunciar pâes^ capitães^ 
alemães , guardiães , sacristães , catalães &.c. E esta regra 
entre nós nSo tem exceiçâo , toda a vez que a palavra 
que terminamos no singular ^m ao , os castelhanos a ter- 
minarem em an 9 e no plural em anes. 

Porem se os nomes que nós acabamos em âOy na 
lingua castelhana acabarem em anOy então devemos ter- 
minar no plural em aos. Dizem v. g. os castelhanos ai- 
deano ^ vUlano y ciudadano , hermano , pagano , árvjano , 
hortelano , anciano , cortesano &c. , devemos nós no plu- 
ral dizer aldeãos ^ villãos , cidadãos , irmãos , pagãos , ci-» 
rurgiãos^ hortelãos j anciãos^ cortezâos &c. Desta regra 
^e exceptuam escrivão , tabelliâo , porque não obstante 
terminarem noportuguez em ao, e no castelhano emano^ 
devemos por costume dizer co plural escrivães, tabelàães. 

Finalmente^ se na lingua hespanhola acabarem em 
cn aquelles nomes^ que na portugueza terminam em ão, 
devemos terminar no plural em óes. Dizem os castelha*^ 
nos sermon, coraçon, opittion, afflicçon Sui^r \ devemos 
nós dizer no plural sermões , corações , opiràôes , affàcçõcf 
j&c. I « esta mesma terminação devemos dar aos nomes 
que sâp meramente portugueses 9 e acabão em ao 9 e no 
castelhano nao terminam cm ano. 



8 

• REFLEXÃO S.^ 



Sobre alguns nomes que só tem singular mi plu^ 
ral 5 segundo os exemplos dos melhores 

Clássicos. 

JLjLquelles que tem lição dos Auctores , que entre nós 
são textos da Lingua, sabem que elles nunca, ou raris- 
simas vezes deram singular a alguns nomes, aos quaes 
o pretendem dar alguns ignorantes modernos. De alguns 
fez catalogo o primeiro mestre da Lingua, João de Bar- 
ros, na sua Grammatica Portugueza, como são andas y 
calças , alforjes , grelhas , farellos , sêmeas , papasj migaSy 
cominhos, hervílhasy tremóços, lentilhas, grãos, favas &c. 

Observamos também neste insigne auctor, que nun- 
ca deu singular a bofes , páreas , tena%es e ícssoitras. Em 
outros Clássicos achamos igualmente que raríssima vez 
dernm singular a fíeZiclas, caricias, dwicias, msos, %e^ 
los []por ciúme] melhoras &c. Mas se destas palavras se 
encontrar algum raro exemplo de singular, creio que ne- 
nhum se achará de primícias, sevicias [em estilo forense] 
exéquias &c. 

Assim como ha nomes aos quaes os Clássicos não de- 
ram singular, assim também ha outros a que não deram 
plural. E' doutrina commum ^ que não tem plural os 
quatro elementos, tomados na sua rigorosa significação, 
nem os nomes de todos os ventos, quando se falia déca- 
da um, e menos os das cousas que tem medida e pezo, 
V. g. , liqtádos^ metaes, especiarias &c. A palavra vergo- 
nha também em uma única significação tem plural. 

Temos igualmente observado nos mais antigos Cias- 



9 

sicos , que raríssimas vezes deram plural a taknto na si- 
gnificação de habilidade e engenho, enâo de certaquan- 
tia de dinheiro romano; comtudo dos modernos Vieira 
nos dá alguns exemplos no tom. 3. pag. 339, no 6. pag. 
160, e no 7. pag. 504, e são os que bastam para defen- 
der de barbarismo a quem o usar. So7*tc é que nâo tem 
plural , tomando-a por boa ou má fortuna ; e João de 
Barros até quer que gloria^ fama e memoria nao tenham 
plural em rigor de boa linguagem, porem creio que fal- 
ia va de gloria por bemaventurança eterna, e memoria 
por potencia da alma ; porque em outras significações- el- 
le mesmo nas suas obras muitas vezes dá plural a estei 
dous nomes. 



REFLEXÃO 3.* 

Sobre nomes que tem ge^iero commum iledous ou 

duvidoso^ ou que ^ tendo-o certo ^ nâo se 

lhes dá o verdadeiro. 

vJ ma das grandes difficuldades que tem os pouco ins- 
truídos na língua porlugueza é atinar com o género, que 
tem alguns nomes; por isso umas vezes lho dâo mascu- 
lino, outras feminino. Porem o mais é que até os que 
estudam em fallar bem « se acham muitas vezes neste 

# 

ponto perplexos, porque graves auctores dâo a um mes- 
mo nome já o género masculino, já o feminino. 

Commummente se faz masculino o nome persona- 
gem ^ eos que assim o fazem tem a seu favor, entre ou^ 
tros auctores de credito, a Francisco Rodrigues Lobo em 



10 

_ * 

diversos legares das suas obr^s. Porem o Padre Vieira ao 
1. tom. das suas Cartas, pag. ISS^ lho dá feminiao, di-* 
zendo : a Que meabsienha ãe escrever áquella personagem j 
a quem escrevi &c. n^ no bom. 2, dos Sermões, pag. @17, 
no d. pag. @^ e 48S^ : no 7. pag. %1í^ : no 10. pag. 48$ 
e 49é sempre lhe dá o género feminino. 

Uns , com a auctoridade do mesmo Padre Vieira , 
dizem o aniettsto e »afiro ; outros seguindo a pronuncia- 
çao reinante , dizem a ametista e a safira. Jinthtmema , 
que quasi todos fazem do género masculino, fez Manuel 
Thomaz feminino, dizendo noliv. 7. est. 147 da sua In-^ 
•uiana: a com gloria singuiar de alta enthimetna. O mes- 
mo auctor na sobredita Estancia fez também feminino a 
epifonema j mas Vieira lhe deu o género masculino no 
tom. 9. pag. 71, onde diz: tcjíqui entra em seu hgar o 
celebre epifonema f9 &c. 

Não ha também hoje cousa tào vulgar como fazer 
masculino o nome epigrafe , e Varella , auctor bastante- 
mente culto, o faz feminino, dizendo no seu Num. Vo- 
cal, pag. 393 : « Símbolos que dão corpo á eptgraphe. Es- 
te nome commwn sempre entre os melhores Clássicos se 
applicou a ambos osdous géneros, e diziam homem com- 
mum^ agua commum ; hoje porem será pronunciação atre- 
vida nao dizer agua commua. A palavra pirâmide , qoe 
lioje é feminina, fez masculina Lobo na Primav<3ra pag* 
169 9 e outros Auctores. A palavra sujeiéo é igualmente 
commum de dous, como se acha a cada passo na HíM;o^ 
Tia de Fr. Luiz de Souza. Também antígamentis , como 
<!onsta ide Duarte Nunes de LeSo, pag. B89 artx>reera 
do género masculino , feitor , pecoadar e inventor com*- 
mum de dous. Por isso João de Barros, na sua Gram- 
matica, pag« 3. disse: uNico^ata^ madre de Evandi^^ 
foi inventor de 17 letras do Abeccdmio, Porem na pag. 



11 

9-, Terso, ainda os termos sao maLs claros, dizendo : a To- 
do 4} nome que coaivean a homem e a mulher será com/mum 
a dou$ , como itwentor , tafuL Presentemente sem oon^ 
troversia devesse dizer inventora. 

O nome grude oommammente o fazemos masculino 4 
porem Bluleau quer <]ue seja feminino; e segando o mes* 
mo auctor se dere também dizer o sege e nâo a sege , o 
túriJm e nSo a iribu , a pilasira e nâo o ptíasire , a akor-» 
fa e nâo o oicorce y o escândalo e nao a escandula : uns 
anecdotos enâo umas anecdotas^ usca {]por aversSoJ enão 
atoo. O nome catástrofe presentemente fazem alguns fe- 
minino y porem sâo muitos os logares em que Vieiria o 
fez masculino. No mesmo auctor ax^amos sincope mas- 
culino , sendo termo da medicina , e feminino sendo &-» 
gura da Syntaxe. Vide tom. 3. pag. $50, e Brito na 
Qironica de Cister sempre diz a sctema e nâo o sdsma. 

Já que falíamos em figuras^ muitas tem a rketorí* 
ca, as quaes uns fazem do género masculino, outros do 
feminino, especialmente hipérbole^ apostrofe ^ smedoohe ^ 
perifra^Cy hipottposcy eaafase &c. Em Vieira aiãha<-se quasi 
Sempre o /úperbo/cy o apostrofe^ e o eirfase : 'ás outras fi^ 
guras dá o genevo feminino. 

Tainbem os nomes /aníasma , buraco ^ espia, guar- 
da ^ guia, vigia y língua, inf^tnte &c. fazem muitos com-< 
muns de dous , dizendo uns os espias , outros as espias ; 
os guardas e as guardas ; o guia e a gula ; o língua e a 
Rngua ; o vigia e a vigia ; o infante e a infante ; o /an- 
tasma e B,fjcmiaiÊma^ o buraco e a bwaca. Temos <:^er* 
vado em Vieira, especialmente nas suas Cartas, queqtm- 
si sempre faz a estes nomes do género masculino , dizen- 
do o £sjAa do exercito , o tiíngna da terra , o guia docer-^ 
tSo i&c. Guardas é que elle faz mais vezes do género fe^ 
minino que do maseniíao; vigia • cabeça commum de 



dous, chamando a AdSo umas vezes o cabeça^ outras It 
cabeça do género humano. Também se acha reguúro é 
regueira em livros que tratam da cultura dos campos;. 
espinho e espinha ; ramo e rama &c. St/rtes por bancos 
de areia fez do género masculino Chagas no tom. Q. das 
Obras £spirítuaes, pag. 407, e feminino Gabriel Perei* 
ra na Ulissea, cant. 1. est. S4. Também torrente fazem 
todos hoje do género feminino, mas Vieira nò tom. 9. 
pag. 16 o faz masculino, e não menos Galhegos no Tem- 
plo da Memoria L. ^. est. 96. 

Por fim os médicos tomaram a liberdade de darem 
a alguns nomes de enfermidades já o género masculino^ 
já o feminino; e assim dizem o sincope e. a sincope^ o 
pkuri% e a plèuri% ; o aneurisma e a aneurisma ; o apos^ 
tema e a apostema &c. Com a nova introducçâo de al- 
guns modos de fallac próprios da lingua franceza .e nfio 
da portugueza, tem muitos alterado os géneros de vários 
nomes, não lhes dando aquelle que elles sempre tive- 
ram, como v. g. dizendo a moral e não o moral &e.; 
porem os bons cultores da Língua nâo só nâo seguem ^ 
mas abominam estas e outras semelhantes introducçõeS| 
apoiadas pela moda , que em tudo predomina. 



REFLEXÃO 4.* 



Sobre a terminação de alguns superlativos. 



Ni 



ão é pouca a difficuldade que acham os cultos na 
formação de alguns superlativos, especialmente no de 
hmnilde^ frágil ^ fácil ^ e de outros nomes que acabam 
em ih Pretendem alguns críticos que possamos ^àzQi coio^i 



u 

o exemplo de Vieira no tom. 5. pag. 184 , eol. S. humi- 
Rsstmo á maneira dos italianos y ou segundo os hespa* 
nhoes, que dizem humildmimo. Outros querem que só 
se deva dizer humillimo , imitando- aos latinos , e para 
esta formação trazem o exemplo de Camões , que disse : 
« Tornou em baixa c humtUima mUerm » &c. A verdade 
é que Bluteau só traz humillimo e não humilisúmo , e 
allega unicamente o exemplo de Camões; porem se é se- 
gura a regra que elle nos dá no seu Vocabulário na pa- 
lavra superlativo , podeodo nós dizer facillimo e facilissi-' 
fno : a pela fresta dá abobada, pela qual entrou /oci/issi- 
«itameníe,9> Chron. de Cister pag. 780 ; /rogitíi^no efn%' 
giZissimo ; porque não poderemos também dizer hurràVv- 
tno ^)vmt^k%%vmol O que é certo é que não valem asau- 
ctoridades dos bons latinos , para poderosos dizer [como 
alguns dizem] Muito Reverendíssimo Excellentissimo &c. 

MaaAmo é superlativo de grande; oprimo de bom; 
^mmo de mau yfowperrijno de pobre ; ctUberrirao de ce- 
lebre; úSfeTrvmx) de áspero; integerrimo de íntejiro; mi- 
urrinm de misero; porem são muitos os exemplos clas- 
«cos que a grande dão o superlativo de grandiiúmo'^ a 
bom o de bonissimo ; e a máu o de malissimo. Também 
Bê diz pobrissimo j ccUbradisúmo y asperwimo ^ inteirisú- 
mo^ como provam bons exemplos. Advertimos por ulti- 
mo que ha muitos nomes y aos quaes os nossos melhores 
auctores nunca deram superlativo , como v. g. lealy en^ 
f ermo y ferido y e outros , em que facilmente advertirá 
quem ler por livfos de pura linguagem. 

Aqui convém advertir aos que cuidam pouco emfsl- 

lar com pureza que erram quando dizem : «N — é o 

mai9 bom ou o mms mau homem do mundoy » em vez de 

dizerem o melhor ou o peior homem dcc. 0o mesmo mo- 

^né eno diaeiHBe : ujEãte é o mais gnanáe edlfrào que iem 



14 

Portugal , » em logar do maior edi6cio &c. Estes ef ro» 
sao triviali^ímos, até naquelles que tem obrigação de 
fallar bem. 



REFLEXÃO ô.» 



1 

Sobre o uso de alguns culverbios e interjeições. 



Q 



nem bem observar aos que faliam portugtie? feem 
eorreeção achará que a cada passo confundem o uso dos 
advérbios aonde e donde. Dizem sem entrar em duvida 
Donde esHeesíe y ou aonde estiveste ? Onde 'oent ? &c. Pa-* 
ra ínstrucçâo ^destes igiíoratite» Já João de Barros nafsua 
Grammatica advertiu, qu<& aonde só significa aquelle lo* 
gar onde alguém esteve ou está, fez ou faz alguma cou- 
sa , e- assfm se diz a Aoííde esiiveste-j que ka to/iúo qm U 
não v^T Por figura da syntaxe tiraram os nossos;^ anti* 
gos poetas uma letra a este adverbio, e disseram à^rfdô 
em vez de aonde. Tomou a pro«a esta liberdade da p0€í-í 
^a , especialmente nos. adverbio» por onde e para onde ^ 
pois se nâo diz por aonde foste ox^para aonde ^atst Viei*í 
ra propriissimamente no tom. 3. pag» ^i. ^O d«seT(o é 
o donde , o deserdo o por onde , o deserto opara oríde so** 
be quem sobe ao ceu. >? 

Donde é só para pergun?tar o logar dòndêí algtr^ni. 
vem ou veio, e por eJle perguntámos-: ^nde v&fti ^ â&i^ 
de vieste f donde veio âcc^; de maneira que é errò-cfassis- 
^nK^taiito o dizer orváte vem? como donde eêtHcBief • • 

No adrerbio nu7%tía também ba um ^rálnde-abiHd^ 
poi» servindo elle só» pa^a' tempo pasdado ot|ifdtU¥d'/ v. 
g. Eu mMca faljkf ^m mmca ialfafei-^ nâo sitíípoii* 



lõ 

cos os que usam delle junto com o tempo presente^ di«» 
zendo: Eu nunca tal faço ^ em vez de dizerem: Eujch- 
mau faço tal. 

O adverbio acaso ou casualmente nSo é, como ima- 
ginam infinitos, synonimo de talve% ou por ventura ; por- 
que acaso no uso dos nossos melhores mestres s6 se ap- 
plica bem a cousas^ nâo prevenidas nem esperadas , mas 
vindas de improviso. Por isso nâo falia com rigorosa pro- 
priedade quem diz : Acharás esta rasâo acaso mais frivo^ 
la do que eu imagino. Só dirá bem dizendo: tahe% ou por 
ventura mcns frwola do que eu imagino» 

Tenho observado em bons Auctores , particularmen- 
te em Vieira , que raras vezes ajuntam a nome o adver-* 
bio assa% , mas sim a verbo , por onde *, em vez de dize^ 
rem assa% rico, sábio, valente, &g. dizem muUo xicoy 
sebio^ valente, &c» Seguem neste uso a propriedade da 
lingua latina, na qual nâo é mui frequente ajuntar satxs 
a nome, posto que se achem alguns exemplos clássicos. 

Segundo a observação, que temos feito em os nossos 
melhores Auctores, postaque^ e indaque levam o verbo ao 
conjunctivo; e assim apouco seguro dizer-se — posto que 
eu digo , ou indaque eu faço , ^c. Diremos de caminho^ 
que temos observado no insigne Vieira usar raras vezes 
de indaque , em comparação das infinitas , em que usa 
de postoque. 

O adverbio facilmente significando, á maneira dos la- 
tinos, o mesmo que sem controvérsia y acho-o mui valido 
de alguns modernos, dizendo^ v.g. [segundo lemos em 
certa Oração] Piteira facilmente principe dos nossos ora- 
dores , e Camões fadlmcnte Homero entre os épicos de Hcs- 
panha. Não sabemos com que bom exemplo se defende- 
rão os que assim dizem , porque nós ainda o não pode- 
mos, descobrir em prosa classícat Advertimos igualmente 



16 

que os críticos tem por erro de pleonasmo dizer-se : mas 
porem e mas comiudo. O certo c que nós ainda nao lhes 
achámos exemplos seguros. O mesmo dizemos de nunca 
jamais^ que a cada passo se encontra em diversos livro» 
de inferior nota. 

. Pelo que respeita ás interjeí^^Ses, querem alguns ciá- 
ticos modernos' que a de Oh. sirva para exprimir dor^ e 
sentimento , e a de O^ para admiração^ applauso , es- 
carnéo, detcstaçao e chamamento. Para assim dizer^n 
não sei em que seguros exemplos se fundam. O que acho 
nos Clássicos é servir a interjeição O sem h tanto para 
sentir, como para admirar, escarnecer, chamar &c. Ah 
é interjeição não s6 de sentimento, mas de pedir sbccor- 
ro, como V. g. Ah que d^EURct^ Ah que do povo &c. 
Ahif íião^é, como muitos imaginam, interjeição dolo- 
rosa , cònfundindo-a com Ai , mas admirativa , que ser- 
ve para quando nos admirámos de alguma cousa reperí- 
tina. Hui é interjeição de queixa, ou admiração e zom- 
baria, segundo Barros na sua Grammalica. Oy dá*se já 
por antiquado. Repare bem nestas significações o estíríp- 
tor principiante, porque émui frequente confundir umas 
com outras áquelles que não sabem fallar. Lêa pelos Clás- 
sicos, observe-os, è imite-os na applicação destas inter- 
jeições. 






r- 

REFLEXÃO 6* 

» 

Sobre a (iiversa terminação de alguns nomes 

diminutivos. 

« 

MjJ cousa mui vulgar errarem ^aformaçSo dos diminu- 
tivos aquellea , que nenhum estudo tem da lingua portu- 
guesa* Entendem y que em terminando o nome em inho^ 
e mhaj tem formado o diminutivo; porem enganam*se 
como mostrará o que vamos a dizer, fundados nas auc- 
t^ridades dos melhores mestres da lingua. 

Ha um grande numero de nomes , que acabando em 
Oy perdem aditalettra para formarem diminutivos, e en- 
tra .em lugar delia uminAo oninha. Segundo esta regra, 
de arco se formta arquinho y de beiço bdcpnhoy de bicho 
bichinho , de bocado bocadinho , de bico biquinho , de ve^ 
J3[iO velhinho m à^c. 

Esta é a genuína terminação , que sempre deram os 
bons Auctores aos diminutivos de nomes , que no singu- 
lar acabam em o. Algumas excepções j^mas poucas] tem 
esta. regra ; por que se acha nos Clássicos formado de 
abano o diminutivo abanico y e nSo aòaninAo; deboloòo* 
linltoU) y sabem que igualmente se diz bolinho ; de broca- 
do brocadilho , de fosso fossete , de rio riacho , de tolo to- 
kte y de velhaco velhaqucie , posto que também se diga 
com exemplos menos seguros tolinhoy e vtUuiqumho. 

Os nomes femininos^ que no singular terminam ém 

Oy fazem também pelo commum o diminutivo em inhày 

como caminhay se bem que Francisco Rodrigues Lobo na 

sua Corte na aldeã disse camilha ; mocinJui [posto que a 

maior parte dos cultos dissessem moça%inha\jornaãínhay 

Qtqmnha , rosaâMha , picadinha y barbinha , morádifnha^ 
Pabt, 9.* . « 



18 

feridinha^ chagumhçi ^ ç outros muitos nomes que nSo 
apontamos por não fazermos de cousas trivíaes prolixos 
catálogos. Bastam estes exemplos para mostrar queaquel- 
les nomes, que acabam em a, formam por via de regra 
odiminutivo eminha, exceptuando alguns, que por cos- 
tume terminam em %inha y como camarazinha , codea%%'' 
nha e outros > qu« iqtiç^rá o uso e lição de bons Auç- 
tores. 

Os noraeç porem , qwe acabam qu ezQl^tr^ çonso^n^ 
te, ou no ditboiago em $o^ formam ot}iminutivo çm »i- 
nhoy Qu%mMMmp&xiç^^^ l^^tra, alguma das que Uo^h^o^. 
antes de passarç» para diminutivo^, E a^sim dç hom^m 
dia-se honwm%inho ; de p^tor pmtoípzinho [e aâo jxjsíori- 
nho , como alguns di«^m] de flor fhmnha , de imoçem 
imagemzinhay de mnV^or vn^ulher^inha % e quan^P se dU 
mulherinhay então não significa menina já crescida, m^% 
mulher de pouco porte. 

Pelo que respeita aodithongo emap, de bordão foç-^ 
mamQ» hordâozinhoj de cão c^oainAa, decoração coração- 
%inho , de ladrão ladrâo%inho , de çoasolaiQão con^olaçâiQ^ 
tinha 9 de liçâio %ãos&inAa , iic: Exçeptu^se grãip, que 
iíLzgrQmt<^9 verão j que faz mranicQ^ e Qutrosi que qn-^ 

sinará o usq , e a, observação i^^^s obras . dp? boos. m^^r 

Por ultimo conqíuiremps ,. que os iK)inpsi queacahaoA 
çm e, formam. tambena^ odiminutivo çm %%nho o\i%inha% 
comp v, g. 4e monte mQnH%inho^ de^fgnte fon^inkotf 
de pobre poòrefcmAo, de par^e pay<«ftí«^, de ppuWpon- 
tc%inhay o\x ponticula no uso daarçhitectura jp[iilitar^ ^Or 
gundo achamos no M<?\hQ^q Lusit. pag. 173. X^W^Ue^ 
Qcabam comm um mente em únJiQ çs. s^ttbstautiyips»^. qu« 
terminam em al^ e assim dizemos çri^tahinhQ y, j^ovQl^\r 
nho 9 cqbçdahlnho , officiç^hinho ^ maxkOtfmhki^^ 4c» ^5r 



10 



«epluam-se alguns , que os boas Atictores mais termina- 
ram em ejo^ do que em %\tUkOy como v« g. : qwíntalyOj 
<innnãkjOy logarcjo ^ rôolcjOf e outros queomittímos, re^ 
mettendo ao leitor ignorante para o uso dos cultos, «* 
para a lição dos Claasioos, 



* I > V 



REÍ'LEXÃO. 7.* 
Sobre alguns pariicipios , ci^a pronuncíação 

9 

corre tncMda. 



E, 



ím nenhuma cousa talvez erram mais os que faliam, 
e escrevem sem correção, do que na pronunciarão de 
muitos participios. Os Auctores Clássicos sim os ensinam 
a acertar ; mas elles , como de toda a erva fazem feixe 
confundem os escriptores de auctoridade com os de infe- 
rior classe; para eiles tanto são uns como outros. Daqui 
vem usarem sem discernimento em um mesmo nome, já 
de Uttiá pkt>tiu»cf açãò , já áé outra ^sóm Ihefi importar 
qual dfiliás sej» a geamoa. Porem destas- palaVras dare- 
mos no fim desta S.* Parte um copioso catalogo; e por 
ora trataremos só de alguns participiosi cuja verdadeira pfo* 
nunciftçSo commummente se erra. 

A cada passo contra o uso dos nossos Auctores mais 
Clássicos encontramos em livros , e ouvimos em conver^ 
saç5es aòsoZvkJío por absolto; afflicto por affiigído ; appre- 
hensa por appiíehendido $ pretenso por pretendido ;. erccio 
por erigido^ compktado por completo; tnvohido por ia* 
volto; oppr€s«o por opprimido ; redemido emvez de re- 
mido; fCêoiviÊlo em lugar de lesoluto; submerso por sub* 



^0 

mergido , sorprcndido por sorpreso ; suicttado em vez de 
resuscitado; fX>llo por voltado; (uperso por aspergido ; %U 
ludido por illuAo; enecndido por acceso; xncxlingmdo y c 
extinguido por inextincto, e extincto. Dizem também roYTz- 
jUdo em lugar de roto ; morrido em vez de morto ; Qb$or-^ 
hido por absorto ; ab&tracto por abstraído ; elegido por elei- 
to ; cxhaurido por exhausto ; enchido por cheio , e outros 
muitos, que agora nos nao lembram. Quem quizer ver 
os exemplos que provam a legitimidade destas pronun- 
ciaçôes, busque-as no Vocabulário , que daremos no fim 
desta ^.^ Parte 9 ou no de Bluteau em seus próprios lu- 
gares. Advertimos y que posto que em Vieira se ache al- 
guma vez afflícto por affligidoy não basta um ou outro 
exemplo, sendo infinitos os em que diz affRgtdoy como 
genuína pronunciarão dos Clássicos anteriores. 



REFLEXÃO. 8.* 

Sobre a pronunciagâo breve , ou longa de 
algumas palavras , e nomes próprios. 



D. 



^esculpo aquelles, que faltos de bons princípios igno- 
ram quando hão de fazer breve , ou longa a syllaba pe- 
núltima de algumas palavras e nomes próprios ; porque 
não ha um único livro emportuguez, que os instrua. NSo 
são poucos os que tratam da orthografia , mas nenhum 
lia, que trate da pronunciação longa, ou breve de muitas 
palavras. Pòr kso nesta parte se ouvem commutlimente 
infinitos erros , com especialidade naquellas pessoas, que 
ignorftm á ]Ungua latina. Em serviço destus íateÉnds^ui 



ti 

mençâk) de algumas vozes , cuja prouuticiação corre erra- 
da, fazendo-se umas vezes breves , e outras longas cou- 
tra a sua derivação e origem. 

Comecemos pelas breves : a ÂkidamOj nome proprip 
de um antigo lutador , fiseram longo alguns dos nosso» 
poetas, sendo breve segundo os gregos e latinos. Os mes- 
mos d&o também erradamente a penúltima longa a Cft- 
mcnej Democrates^ HerodotOy Jolo^ PatroclOj PraxiUki^ 
TekmacOy Tímagcnesy Xenocrates^ EphesOy Numida^ Pro- 
íelyto^ Lachêúsj ^c. Quem quizer observar estes erros ^ 
tome o trabalho de lér a, Insulana de Manuel Thomaz, e 
a outros poetas da mesma classe. 

Com a mesma viciosa liberdade, com que estes fa- 
zem longa a penúltima syllaba dos sobreditos nomes , fa*« 
zem também breve a de outros , que constantemente a 
tem longa. Taes sSo jibdohminOy Archiay ArrrOy An-^ 
dronicOy Heraclito y JHcraclio^ fyhtgtma^ Copérnico^ 
Goft^ano , Qeobulo , Cardona , Nocera^ Thesêalomca^ &- 
leuàaj Samaria^ Nicomedia^ Periferia y Monomaquia^ 
Helena [posto que seja breve entre os gregos e latinos]] ^ 
eoncláoey rubrica ^ e outros muitos, aosquacs erradamen- 
te 86 dá a penúltima breve. 

Outros nomes ha , cuja syllaba penúltima é entre 
nós commum, isto é, que se pôde fazer breve ou longa y 
porque tem a seu favor exemplo nos nossos bons poetas.* 
Taes s3o academia om academia^ Agátocks ou Agatóckê^ 
Démocks ou Demócks; IPdipo ou JBdtpo^ Périfila ou 
Péricles i Sóphocks ou, Sophócks ; Ckópatra ou Cleópatra j 
polida ou polida [se beoi que os. mais cultos sempre a 
fazem hrexe] eucharístia ou euc/ioris^ui ; oceano ou oceor^ 
no ainda que são. raros os exemplos de a breve3 ; inqáa 
OU impíay se bem. que só no verso se ádmítte á p^nulti- 
^.,n[^ longa} imparei [numeras] ou impáiret*^ poranpL 4<> « 



longo fiiSo 980 ifiuito clussioos os exemplojf. Quem qui- 
zer instrucçâo mais copiosa de outros muitos nomeg, cu- 
ja pronunciação breve ou lofiga for para elle duvidosa ^ 
observe os nossos poetas de boa nota, porque só estes, 
por conta dos consoantes ou dosaccentos do verso, ..é que 
podem tirar toda a dúvida. Para as palavras que nelle» 
se nâo encontrarem , recorresse ás línguas donde as ditat 
voEes trouxerem a sua origem « 

Com o exemplo do Padre Pomey , que no seu .dic^ 
«ionario fes um catalogo de nomes próprios , que com- 
mummente se tomam no baptismo, não parecera inu-* 
til fazermos nós o mesmo, mas só daquelks nomes, cur* 
ja pronunciarão anda mui viciada entre o vulgo, e tal- 
rez que também entre aquelles que se presam de o 
aão ser. 

jí^gadaios nossos^ antigos diziam ^guôdai mas ho* 
}e prevalece a pronunciagSo tirada do latim ^gQtha. 

* iánianka: os antigos diriam também Antão i masfao^ 
je é pouco usado , e só se conserva em algumas família» 
iUustres. Em linguagem poética diz-se 7\onio. 

j4pol6n€er : outros sem exemplo moderno pionuncian 
Apollvnario , e um destes é o Padre Bluteau em muitos 
logares, * 

Apolloniazo vulgo diz polhniúf mas á syncope de 
que os cultos nâo usam. .Ospoetaa trocam ApoUonia em 
fklia. 

jágoiiinhç>: dizer hoje AuguMnho é erro, posto que 
96 ache em alguns antigos Sermonarioa. 

j^aUhasar q m&o BaHhesiÊr^ como hoje diz commum- 
menle o povo } e posto que se ache em alguns Classiooà 
esla pronuflciaçSo , tem-se já por viciosa. 

JBarbara e nSo Barbara y coma erradamente» diz o 
migo,.e a^ se aoba ém alguns livros antífos. 



93 

Bartholomeu é que se deve pronunciar ; dizer Ber- 
iolameu ou Bartolameu é erro. 

Bauttsta e não Bc^túta tem a seu favor exemplos 
da primeira auctorídade, especialmente de Vieira* 

Belchior é a pronunciarão corrente : Melchior é an* 
tíquada , sendo aliás a dos noseos escriptores anligps dé 
melhor nota* 

Brtgida e não Brvúda , como diziam os antigos ^ e 
hoje pronuncia ainda não sá o vulgo y mas os qUe presu- 
mem de fallar bem. 

. Brita: no século 16.^ também se pronunciava Bea- 
tri%. Hoje seria pronunciação antiquada* 

Catharina e não Cathcrina ^ seguindo aos latinos. 
Na linguagem poética é Corina. 

Cecília e não Cezitia y como costuma pronunoiar a 
plebe 9 a qual diz também Cnii/ia* 

Gunegundesy úoíoe entre née desconhecido^ num usa- 
do em Alemanha. Em alguns livros se aoha sem funda- 
ulento Cunt^unda,, 

Cb$tança e não Conséança ^ se foem que esta segunda 
pronuneiação tem a seu favor votos de pessoas cultas. 

Dini% é entre nós o mesmo que DyoniiiOé O povo 
diz commummentc Dmi%y e tera gente polida que o se- 
gue, fallando e escrevendo. Em Vieira no tom. §. pag* 
H, adia^-se 2%aniiio por Diniz, falliinido:do rei de Portu- 
gal que teve este nome. 

Dibarie e não Eduardo ^ poeto que aga esta a pro- 
nunciação em outras línguas. Se quem tiver este no- 
me for portuguez , devemos dizer Dua/rtc y se for estran*- 
geira, Eduardo f seguindo a regra que observou o Padre 
Vieira. 

Engr ateia : o povo diz Grama^ e por figura désyn ta- 
xe achamos a mesma pronunciarão em D. Francisco Ma*- 



«4 

nuel iias suas poesias ; mas sendo no estilo jocoso é per- 
míttida. 

Eufroúna com a penúltima longa, postoque no la- 
tim seja breve 9 porque prevaleceu entre nós a dita pró* 
nunciaçSO) assim como em Doroihea^ que também na 
língua latina tem o e breve. 

EulaVia é que se deve pronunciar, e nSo Eulata ou. 
Olaia ^ como dizem os que nâo sabem. 

Federico devemos dizer j e não Frederico , imitando 
a pronunciação das linguas estrangeiras. 

Genovefa e nâo Gerunseva ou Genutoay cotíio dizem 
ordinariamente os que nâo sabem fallar. 

Gertrudes é a pronunciarão genaina : o povo umas 
vezes diz Getrudes , outras Geltrudes, 

Guilherme é a nossa pronunciarão verdadeira de Guv- 
Ihehno ; porem se fallarmos de alguma pessoa estrangei* 
ra com este nome, diremos [imitando a VieíraJ Gui* 
Ihelmo e nÍo Guilherme. 

Guiomar j antigo nome portuguez, e hoje ainda usado 
na classe da nobreza : dizer Guimar é pronunciaçâo errada. 

Iria , particular nome portuguez , e nâò JEiria. Na 
linguagem dos poetas é Jrens. 

Jorge e nâo Jor%e , como diz o vulgo» Talvez pro- 
nunciavam melhor os nossos antigos , dizendo George. 

Leonor j e nâo Leanx>r ou Lionor. Vieira fallando 
de pessoa estrangeira com este nome diz sempre Leonora 
d Ekonora. Veja-se o 1. tom. das suas Cartas. 

Magdaléna e nâo Madanella^ como de ordinário 
pronuncia a plebe ignorante. 

Manco e nâo Maneio^ como se dizia em outras idades, 
assim como Meda enSo Meocia. Nome derivado deilfanf o. 

Naialia é a legitima pronunciarão : dizer iVaforia á 
maneira do povD é erro. 



Onofre e nio Inofrt^ como vulgarmente dizem aquel- 
les que presumem de cultos. 

Peregrino e não PértgrtnOj Pelegrino ou Pelingri- 
w>y como pronuncia a plebe. 

Petromlla e não Petronilha , como achamos em al^ 
guns livros de auctores que não aâo de ínfima classe. 

Policarpo e não Pohearpioj como dÍ2 o vulgo, ese 
acha em alguns escriptos impressos. 

Quitéria é a pronunciagao verdadeira ; e já Duarte 
Nunes de LeSo dá por erro dizeir-se Guiteria. 

BoBalía com o i longo querem os críticos modernos 
que se pronuncie ^ e nSo com a penúltima breve. 

Skbckstiâoi já se não pôde dizer , íjnítando aos anti- 
gos , Btutiâo j senão em estilo jocoso. 

Iheodora e não JTieadora^ que se acha cm uma obra 
de Fr. Simão de Santa Catbarina y para aproveitar o 
equivoco de te adora,, ^ 

Theotimio e Theodoèio : não ha pronunciarão errada 
tão frequente como dizer- se Theatonio e I%€€idosio, 

Itmotheo é como se deve pronunciar ; mas são raros 
os que não djzem Jimothio. 

Truillo é nome raro ^ mas poucas vezes se pronun- 
cia bem , porque uns dizem Troilh , outros Turilh. A 
pronunciarão dos cultos é Turilo, porque vem de S. Tu- 
rijo Martyri ou deS. Turibio Bispo de Astorga. Os que 
lhe acrescentam o r , seguem a antiga pronunciarão. 

Ftcente e não f^incente^ como pronunciaram muitos 
do século passado, imitando ainda aos auctores do deci- 
mo sexto. Bluteau é um destes, posto que, quando es- 
creveu o seu Vocabulário , já coinstcuitemente se pronun^ 



REFLEXÃO 9,» 

Sobre os erros que se commettem na cm^fugagâo 

de alguns verbos. 



N, 



So foi leve o damno que fizeram á Língua Fortune* 
2a os seus antigos Tocabulístas em nfto deixarem aos vin- 
douros conjugados os tempos e modos de alguns verbos , 
já regulares , já anómalos. Contentaram-se com apontar 
delles só o vnfinxio^ e nisto deixaram largo campo para 
. erros e disputas» 

A fim dé evitar estes erros o escriptor principiante ^ 
apontaremos nesta Reflexão a genuína pronunciação dos 
tempos e modos de muitos verbos regulares e irregulares, 
para que não succeda erra-los , ou nas composições litte- 
rarias , ou nas conversações polidas. 

O verbo acariciar conjuga-se : eu íicoricío, acartcíatf 
ãôaricia èíc. , e nêioacareceio , acarecéui , acarecêa ^ como 
dizem os que nSo sabem. 

jiçular e não A^êoèar^ potque se conjuga: eu açu- 
lo^ açulasj açula^.e não assoilo^ anólas^ assola &e« 

j^dmiitir é verbo regular 9 e não anómalo, como o 
fazem os ignorantes, dizenda: eu admittOf admetieêy ad^ 
mtHc , devendo dizer : admiito , admitieB , admitte &c. 

AdveriW é anómalo , porque nas pessoas de alguns 
tempos troca a syllaba oer em mr^ como: eu ad^tOj 
mivertesy ade&ríep advèrt^moai^ adoertiSy advertem &^. 

Agtncear. E' erro dizer ! agtncio , agencias , agencia 
&c. ; deverse conjugar og-e/iceto, agenedas^ agem^eia &c* 

AUumiar, Erram os muitos que dizem : alhvtnéky^ 

allumtasy allumêa &c. , devendo dizer com Vieira e to- 

dos os clássicos : allumio , allumias , allumia âcc. , e se 

' bem que neste Clássico muitas vezes se acha aUwmèa &c. 



«r 

devesse ter por erio^ ou doeopista ou do corrector daim- 
presslio^ como mostrA em alguns tomos a fá das erratas. 

Arrtar. Quer Madureira na sua Ortographia que 
se conjugue arrio , oirtai , atría &c. Mas o aso constao* 
te, como pronuncia arrear e nfto anelar ^ também con* 
juga 9 arreio , arreeis , orráa &c. 

Carjnr é verbo irregular « defectivo, porque começa 
a sua oonjugaçfto pelo plural do presente do indicativo : 
earjAmoi , ^arpiê , e falta-lhe a terceira pessoa , e substi* 
tue^se dizendo titâo carpindo* Quemquizer fazer regiilar 
a este verbo e aos outros defectivos , ajunte-lhe o verbo 
auxiliar estar. 

Compettr é verbo irregular , porque se conjuga t eu' 
compUo, tu compeUs, elle compete âcc. , e nSo compito y 
^ompiieê ^ eompite Àc. 

Comtruir quando significa o mesmo que verter de 
uma lingua para outra, é verbo irregular, e conjiiga-se : 
tovutruoy conêtróesp comiroe &c. Quando vai o mesmo 
que edificar é v^bo regular, e conjugasse : construo^ eonr 
strues , eonêtrue â:c. 

Convir y quando significa ser conveniente, élmpes-^ 
soai , e coajuga-se : convem-me a mim , conven^ie a tij 
0Ora}em*lhe aeUe &o., e assim vai seguindo os outros tem- 
pos. Quando vai o mesmo que fazer convenção , é pes- 
soal 9 e coiijuga-*se con/oenho^ convéns ^ eoiwem âtc. 

Copiar. Erram muitos que difeem copdio^ copeioiy 00- 
peia, devendo conjugar á maneira dos bons auctores «o* 
pio, a)pias^ oopta &c. 

JCkgirir e nfto tSigtrir [coano quer Madureira na sua 
Ortographia] é o que acho em alguns auctores, oonju^^ 
gando -díj^íro , chjgerei, âeg^rc &c. Segundo aprcmuncia- 
çik> do sobredito ortographq deveria díaer-se 4Rgero , ob- 
servando a cODJogaçlto regular. 



88 

Despedir : grande controvérsia ha sobre se se hode 
dizer eu me despido ou eu me despesso. Esta pronuncia- 
çâo é do uso reinante , mas a primeira é nSo menos que 
de Vieira em mais de um logar das suas obras. Na 6.^ 
pag. dojom. 1., escrevendo ao principe D. Theodosío^ 
lhe diz : a Eia , meu príncipe ^ despida-se vossa alteza 
dos livros» &c. No tom. S. pag. 343 , disse também: 
a Com esta ultima advertência vos despido , ou me dós- 
ptdo de vós 99 &c. Seguiu este Clássico a Duarte Nunes 
de Leão na sua Orthographia, o qual fazendo um cata 
logo de varias pronunciaçôes que se deviam emendar, diz 
na pag. 70 despido-me , e nao despesso-me. Os rigorist^s 
lestSÍQ ainda pelos exemplos de Vieira e de outros bons. 

Despir I verbo anómalo. Dispo , despes ^ despe &.c. 
Despe tuj dispa elle^ dispamos nósy despi vós^ dispam elles &c« 

Destruir para Vieira era verbo regular, assim como 
consumir , dizendo : destrues , destrue , destruem , consik^ 
mes , consume , consumem ; e não destroesj destroe ^ dcs^ 
troem f consomes^ consome ^ consomem &lc, Veja»se o tom* 
10 pag. 912. col. 3. Seguiu nesta pronuaciação aos Clás- 
sicos antigos. 

Doér^ verbo neutro, cuja conjugação é: dóe^mc a 
mim, dóe-ie a ti, dóe-lhe a elle\ ou a mim 9ne dócj a t% 
te dóe &c. ; e n2o Eu me dôo^ tu te does, ellc se dóe &,c. 
porque é entre os bons auctores verbo neutro nesta signi- 
ficação. Em outras é que deixa de o ser,. e póde-se con- 
jugar : eu me dôo &c. 

Dormir , verbo irregular , que se conjuga : eu dur-- 
mOy tu dormes , elk dorme &c. Segue a mesma conjuga- 
çSo de fugir , engolir , e outros. 

JEnxerir e não inxerir [como pertende Madurara] 
é verbo irregular , que se conjuga : enoAro , enoeeres , en- 
çsere &c. } e não enoAres y enaire ^ como diz o vulgo. 



«d 

Ferir : verbo anómalo; euflro^ tu feres ^ eUefere 
&c. ; a plebe cosluina-K> fazer regular y dizendo fires y e 
Jire &c. 

JFregir conjuga-se como ferir : eufrijOy tu freges ^ 
elle frege &c. ; o vulgo pronuncia /rigc« jfrlge &c. 

Historiar n§lo é verbo anómalo, como muitos ima- 
ginam, mas regular, e conjuga-se: historio ^ histariasj 
historia , e não historeio , historêas , historêa &c. Segue 
a mesma conjugação de gloriar ^ copiar j allumiar &c. 

Impedir. Nos nossos melhores auctores acho-o con- 
jugado: eu impidoy tu impidesy elle impide &c. Duarte 
Nunes na Origem da Lingua Portugueza» pag. IM, diz : 
a Âdherencia é a que entre nós impide fazer-se justiça n 
&c. Fundados neste exemplo eem outros de diversos Clás- 
sicos , especialmente de Vieira , é que ainda alguns não 
querem fazer irregular este verbo, dizendo: impidoy ir/i* 
pedesy impede &c. , como hoje diz a maior parte dos mo- 
dernos. 

Medirp verbo anómalo nas primeiras pessoas do sin- 
. guiar de todos os modos , porque nao se diz á maneira 
da plebe : eu medo ou mido , mas eu meçoy tu medes^ el- 
le mede &c. No imperativo mede tuy meça eUcy meçamos 
nós y medi vós , meçam elles &c. 

Negocear e nSo negociar , porque a sua conjugação 
verdadeira é : eu negocio , tu negocêas , eUe negocêa &c., 
c nEo eu negocio y tu negocias ,'c/fc negocia &c. 

Palliar. A seguir o uso hade-se conjugar: palkioy 
palUas y pallia &c. ; mas visto escrever-se palliar e nSo 
palleary devia em rigor pronunciar-se palliOy palliasy pai-- 
lia dcc. , como alguns escrupulosos da pureza da Lingua 
constantemente pronunciam. ^^ 

Penitenciar. Achamos em alguns livros de boa cias- 
^ conjugado : peiúíencioy pemtendasy penitencia &c. ; po- 



80 

rem ó uso fei prevalecer pemiaiccioy penUenccas^ pení- 
'iencia &c. 

Perder , verbo irregular : cu perco , tu perdei ^ tile 
perde &ic.^ a plebe dit ptrdoy perda elk^ petdam elles^ 
que perda eu y que perdas tu y que perda elk &c. 

Potir. Aeho em bons auctores defectivo a este ver- 
Jbo no singular do presente, porque oâo dizem : eu puJo^ 
iu ptdes f eUe pule &e. ^ mas eu estou polindo , tu está$ 
pohndoy elk e^tá polmdo &e. No imperfeito e perfeito já 
todos o coQJugam sem o socorro do verbo auxiliar ^ e di- 
zem : eu polia j eu poli &e. 

Premiar. £m rigor de grammatica dév^etia dizer-se 
premio^ prendias y premio ice. j visto pronunciar-se pré^ 
miar e nao premear ; porem o uso quer que se diga : ea 
premeio y tu premêos ^ elk preanêa &o. ^ « já Vieira algo* 
ma vez o disse, se bem que são mímtas maisaquellas 
em que disse j^emi^, pt^emías &c. 

Prover y verbo irregular, que se conjuga: eu prooe* 
JOy tu provês , elk provê &c. Imperativo : provê tuy pro- 
v€fa eik &c. 

JUpetir co&juga-*8e, do mesmo modo que conipiéo e 
advirto ; c assim diz-se : eu repito^ tu repetes^ elle repete &c* 

Requerer pov pretender fSíZ na terceira pessoa do in«- 
àiakiivòelkreqtierey seguiido a pratica constante dos Clás- 
sicos do século 16'.^ e ainda do 17.^ Tomado porem co- 
mo verbo composto do verbo querer , e na signílicaçSo 
de querer com repetição e empenho , di^em alguns mo- 
<lerno3 que se deve eutao promincíar elk requer, Nilo sa^ 
bemos em que bons exemplos se fundei» , mas o C6rt# 
é que o uso presente está a favor desiea criUcos.. 

Sentenciar. Seguindo o rigor da grammatica deve* 
riamos conjugar sentencÍQf sentonkçpas y sentencia Ac, e 
nfto seniencáo , sentencias^ smteneéa &c« ; .porque é pro- 



nunciaçSo mais segura ^nitsnçiar do que scniencear ; po« 
rem o uso, arbitro supremo uestas matérias^ fe^ preva* 
l^Qet a conjugação de senUencáo &c« . 

Sommar conjuga-se: sommo^ somma»^ $ontma &c. , 
e não 9t«mmo 9 summas, lumiMa,. como pretende BluteaU| 
irÍ3to escrever aumutar e v&Q sommar. 

Sortir : n^ste verbo hã uma especial irregularidade 
que é causa de alguns erros 9 pronuiiciandohse em. diver-« 
sas pessoas e linguagens umas vezes sor^ e outras sur. 
A regra dos ortographos para o acerto é, que quandode* 
pois do t se seguir i se diga sor ^ v, g» ^ iOrimOÈ ^ íotú» ^ 
sortia^ sortias &c. ; e quando depois do t se seguir a ou 
c , se pronuncie sur ; por exemplo, surta elk^ surtcj sur^ 
tem &c. 

Sumir como o verbo irregular /icgir, dormir ^ engo- 
lir y e díz-se : eu me sumo , tu te somes y dU se some &c. 

Titubiar e não titubear'^ porque a sua verdadeira 
conjugação é: titubío, titubíasy titubta^ e não tiivòeiOy 
titubêas , tttubêa &c. 

f^aler conjuga-se : eu valho^ tu vales^ elle valy e não 
vaky como sempre diz Madureira e infinitos outros, que 
•enhum caso la^em da auctqridade dos noasos Clássico», 
que concordemente aunca disseraoa vale senão como no- 
m»» y^a-ae a Vieira emii^finitos logaves^ e por isso não 
produ^sii-enaos algum ejcemplo^ 

Por ultimo adverlimoa que em alguns verbos ausii* 
liares sa cpmoietiem na sua conj.uga/gSo diversos erros* 
Di^em os ignoranlcs* somos em^ lugar de somos.. S^fás vos 
QO imperativo e» vei^de $ede vó$: hekdcy hçtadty hadCf 
han^hmy eon k>gar de ká<,.ha»yhfh^ e A&>; porque o de 
BJinQ9» pefteufie aa veAo hooper^ mas ao outroque Ibe 
v«i adieo^le^ v. gt>:Ae^ldô amar^ Iuê» de fugir &c. Taoi- 
b^oà na preleritQ dip^ veibo wr diient. ti» fosies ^ dewenda 



9Í 

áker MfôÊÍ€^ pot^ue teribiliaiiâo età è ê tópaifá b 'pLtL^ 
Fal't^/os^Si No cOQjuiiictivo etti logàt de prootíndàfètiif 
cúmo cósfordesy cUzem como vós fôreis. Sirva esta ádver- 
teiicia de regra geral para todo o verbo de ^tíalqiiíer na* 
iuieza que ^ejá, nâo se confutidindo lios pretertlo$ a éè^ 
gunda pessoa do singular com a do plural, nem noscon^ 
^ncti¥03, terminando o seu futuro na segunda pessoa do 
plural, emHafsts, ereis, ims, eoreit, devendo-^ -t^rnif** 
nar em arda y erdes^ irdes y e ardes ^ V. gé j a^&íile^ 4^ 
dío amarei» ; fizerdes e nSo jf&ereis ; ouv^des e jtiflO \mt9»i^ 
rèm^ fardes e tiMofiíráÈ &ÍC. ■'■■'^ -^ 

íin que^iratanào-^e de aJbunta^ figuras ãaãic^ 
f ão, se responde a algumas obfecgçes que j^^p<>: 
râo Ç/ df)yfripqk,4<^ R^xâo anteç^lmte.*, ,j. .,,^ 

OAlm algMESas Gotísas que deixamo» 'eBtabeleoidtts>ips 
ReflexSo passada, pertettcentes aô modo tiMás» «or recto 
de coBJugar algans verbos^ se opporSo aqoeUeè liii»>iui 
saa - pfonunciaçSo querem erirar , defeadendo*«e cocnMiqEi 
libcfdades de algumas {jj^av da dicção; HXo dê dioçr 
que por Tirliade da syncope se pôde conjugar :* cmio^véã 
htwáres o\x louvardes ; como^vós cMra«rcft -oii esoMmnk»^ 
como vós r^lectires o^ refheíttdm } e ooimo •^-náf ^ones gm 
fordes- éic, A isto respondo, que assim (é^ qiieha;qstâí.j^ 
gurai mas que a oSo vejo-i^iiíticada popaqudftH §fa^ii0 
os textos mais ^seguros; da jioue linguagem^ «tquenè^^am 
Vieira se achao» algUAs ex^mpioe, aiÍQ {Hi^uc»: arcrQl|Mli» 



ão numeroinfiiiito de vexes eia[que aSo usa destachamada 
libeidade^ de que os Clássicos auterioreá nunca se valerán*. 

Sim se valeram delia nos tempos de outros verbos^ 
e dÍ2Íam [especialmente Barros com todos os bons da sua 
idade] vós hás de estudar ou vó$ havcU de csiudar &c«: 
Os que se lhe seguiram ^ como o Padre Vieira e os da 
sua e»pla ^ já raças vezes disiam hás ^ e o coaimum era 
pronunciar hcmái. Até o reinado d^£l-Rei D. João 2«^ 
era &Sfígm mui frequente conjugar no futuro o verbo di* 
ur^ quando se lhe ajuntava algum proncMue^ pór modo 
diversíssimo do que agora se pratica já com o exemplo 
do insigne JoSo de Barros.. N2o pronunciavam aquelles 
antigos dir^me^ha 9 dir-te-ha , dvr-TiM-hâo ; mas <{i%er-m«- 
ha 9 di%er-te-ha , dtsLer-^me-hâo. Nesta parte é que nÍo só 
é louvável 9 mas predsa a sincope , . piira seguirmos aos 
bons mestres, cnSo no tirar o d nas segundas pessoas do 
plural do futuro do conjunctivo em qualquer verbo. 

Também antes de João de Barros se dizia : elU fa^ 
%ey ctlc d%%e^ clle lu%e^ quere &c.^ como se pôde ver em 
escripturàs antigas ^ e em alguns versos do Cancioneiro 
de Garcia de Rezende. Mas ha séculos que pela figura 
apoiíope se conjuga eUefa% y di% ^ h^y pr^ut ^ quer &€^. 

Outras figuras da dicção ha 9 que introduziram os 
nossos Claénoos^ e que nós ainda hoje oonservamos, por- 
que serve» de dar variedade , graça e elegância á Lia^ 
gun. Por virtude da *tíbtracgé> e cammutúgâo- dizemos, 
á maneira dos bons mestres, v. g. , etiou divertindo-me 
na mmha qmmèa ou em a min&a qtánta : csUm no paço 
am em p p^ga: wrvo nos twpag ou cm ai tropas &c. De 
qusdquer. dssies modos são frequentes os exemplos segu- 
res , se kàta^ que hoje [não sei o poique3 não vejo tão 
usada a preposiçlo>^ eus junta- aos artículos o^ o%fa^ os, 

uomo'os astioulps-w), fiosy n«^ «MS, • < < 

Part. S.» 3 



3é 

For licença da figura eomnvuiaçáo dizemos também^ 
imitando aos antigos Clássicos : 'pdo mar ou por moft ; 
pela terra ou por terra : porem diíer por o fruxi* ^ ou por 
aterra é erro crasso d^aquelles que hoje atá seebtranham 
na plebe. Por esta figura é que também se introduziram 
os verbos irregulares , dos quaes já fieemos menção. 

Pela âgura subtracção se conjugam os verbos em al- 
guns tcmpo3 eom particular graça eelegancia, subtrain- 
dô-lhes algumas letras^ e acrescentando^lhes outra&. £ 
assim diremos : tu louvalo e tu o hwoas : tu huvasielo e 
tu o louvaste: noa huvamoh e nóa o louvamos é £sta li- 
cença só tem logar quando as pessoas dos verbos acabam 
em s; então é que o subtrabimos^ e em logar delle usa^ 
mos de L Porem quando as pessoas ou palavras dò ver^ 
bo acabam em r ^ como louvar , querer &c. , subtsahe^e 
esta letra, e ekitram em seu logar dous lly formando uma 
conjugação mais elegante^ porque é imitar aos bons mes-* 
ires diser : hade louvallo^ hade querdlo^ é não hade o lovr- 
var y hade o querer &c. 

Por liberdade desta figura é que a palavra Èanto^ 
quando se ajunta aos nomes que começam por letra con^ 
soante, perde a letra f, e muda o n em til, ficando sSoy 
assim como São Pedro , Sâo João &c« £' excepção des- 
ta regra Santo Thoma% e Saaito Thomê^ segundo os esem^ 
pios de Vieira no sermão do dito apostolo, escrevendo 
sempre santo e não soo, eòs nomes de santas, ainda qu^ 
comecem por consoante. Igualmente por esta figura em 
nomes de dignidades e soberania , em ves de grande se 
diz grão; v. g. , grão mestre de Malta, grão prior do 
Grato, grão duque de Toscana, grão turco &g. 

Por occasião de tratarmos das diversas pronunciaçdes 
que tem a Lingu^ portugueza , por causa das figuras da 
dicção ^ não deixaremos de dizer alguma cousa sobre xi 



n 

apoitropho ou retroversCô ^ por conta da qual se comme- 
tem alguns erros ao pronunciar, quando mais se enten- 
de que 96 evitam. Na palavra antoniem te persuadem 
muito» que b« pro^unciaç&o errada , deV^ndo^se dizer 
arUehonttm ; mas se a ha ^ erraram os que entre qq» são 
textos da pronunciaçâo correcta > porque acho nelles arir- 
iontcm : dizer antes (Tontem é fallar com o exemplo tira- 
do do vulgo.. Tem igualmente boas auctoridades a seu 
favor quem pronutioiar e escrever por liberdade da após- 
ifophoy aiégora^ atíqúi^ atélip em vez de aií agora^ oU 
cqui^ até nh &c. Seguro é também pronunciar n^alguma 
oeoasiâo em logar de i^m alguma occanio : n*uma pariç 
em vez de em' v^ma parte: n^um $ttto em ves de 099» têm 
ntio : CPo senMo nuto em logar de e^m o sentido ninio» 
Verdade é que esta licença tem uso muito mais seguro 
no verso que na prosa, se bem que neila aflo^faitam bons 
exemplos , especialmente em nomes próprios d» homens 
como GURane» por GU Eannes ; Pedrahares por Pedro 
Alvares ; Martanna por Maria Arma &e.y ou em nomes 
de cidades qué começam pór vogal , e tem antes de si a 
preposição de^ como v. g. , d^Eocra^ d^ Óbidos ^ e nâo 
de Ecoray de OVtdos âcc. Em alguns appeUidos também 
achamos praticado o mesmo , como d'*Alnmda e não de 
Aknúda Àe. Nos relativos estoutro e aqwelkmtro é que 
«ião se achará o exemplo de este outro , nqtAdle outro ; 
como di» um moderna aeademíco , persuadindo-se que 
^iceria em não usar da apostn^ho. 



.1 



o * 



REFLEXÃO 11.* 

JEm que $e discorre sobre os pronufhdaçôes sor* 
didcts e obscenas , procedidas da Cacophotim 9 
das quaes muitos advertidamaite não querem 
ainda hofe Jazer caso. 



o, 



8 que em seus escriplos e conversações tem .por um 
teparo pueril a censura das cacophontasj ou dueOvdb me- 
Uipr cQcephatom^ nSa sei «m que razão se fundam ; nao 
pôde ser outra senSo a íaltia de doutrina* NSo despre- 
MvÍ9,m aqudles que cuidam em evitar certas obscenida- 
des e sordidezas y procedidas das ultimas letjnas de umas 
palavras e das primeiras de outras ^ se soubessem que os 
luitigos grammaticos) rhetoricos e oradores deitaram mui- 
to jecommendado o evitar estas viciosas pronunciações. 
CSomo os que deUas nSo fazem caso sSo homens que só 
^entram/ no numero da plebe litteraria, ser-no$-ha.preci- 
jo. para os convencer nSo fallarmos nós , mas sim aquel- 
ies cuja auctoridade ninguém ha que nSo respeU<9« 

Muitas dicções ha [diz Quintiliano no L.^ 8.3 que 
em tempos antigos nSo continham som e sentido escan- 
daloso , ou porque^ aquelles que as diziam tinham mais 
innocenda^ ou menos escrúpulo. Porem depois que o 
^isp moderno ascondemnou, pordeq>ertarem idea de cou- 
sa sórdida e obscena ^ é necessário conformar-se com el- 
le. Assentando nesta doutrinai já Cícero tinha dito & 
Bruto : = a Cum nobis non duAíur ^ 9ed nohiscum > qwi 
si %ta dieeretwj óbicemw concf/irrent RitcrcR:» 

Sérvio I commentando o verso 197 do L-^ 1-^ da 
lEneida, em que se lè cum natfi6uS| diz : uÇac^hatan 
tn icrmone : quodfii ^ si cum pQrt%Qviam n liHera 9equa* 



ST 

inr. » Seguindo esta doufrina censura neste Bpico ctmí 
norninc ^ dórica castra y achaica castra , cctca caliginc &c, 
por conta dá pronunciarão de cum no e de ca ca. Pelo 
contrario louva-o ooL.^8.^.c[uanâo fallandò deCaconSo 
usou deste notae próprio ^ mas disse hmc monstro ^ para 
evitar uma sórdida pronuncíaçSo : uBene mutavU mca- 
surrhy in quo tnerat turpis sigmficaiio. » Quem ler pelos 
antigos grammatíeos achará que elles censuram por esia 
principio emSallustio ductare exerâtus ^ em Ovidíp g&iu* 
ca canentia ; em TibuUo stcca canis &c. 

Passando dos críticos latinos aos italianos, reprehen- 
de a Crusca em Tasso o dizer fu tido , fu Ma y cogPct- 
miei, con noi, finncato ice. O cardeal Bembo nas suai 
' Prosas y Monsenhor de la Oasa no BenGaktteOy e Panv- 
garola illustrando a Demétrio Falerio, censuram em 
Ariosto, Danie e Boccacio semelhantes pronundaç0es , 
que despertam ideas deshonestas. Muito mais certamen- 
te poderíamos dizer nesta matéria , porque não nos fal- 
tam críticos de diversas nações que para ella nos soccor- 
rapa com muitos exemplos; porem cremos que bàstarSo 
estes para cuidarem os pouco escrupulosos em evitar as 
pronunciaçôes viciosas. 

Estas na Língua portugueza succedem , ou porque 
se pronuncia mal, ou porque as ultimas letras de uma 
palavra, juntas á primeira da que se segue, precisamen- 
te fazem uma pronundaçSo òu sórdida ou obscena. V. g. ; 
pronundia-se culpavelmente mal , quando se nSo expri- 
me bem a ultima letra do adverbio porque , seguindo-sc 
o'noRle próprio Ahrah&Oy Agar 6cc. De maneira que nao 
havendo apostrofe on synalefa, já a pronunciaçâo fica 
" soffrlvel. Pelo contrario os cacophonias indispensáveis 
sSo aquellas que resultam precisamente de duas vozes , 
'^Wloda que csta^ se proUUneíem bem, como v. g., asjun- 



18 



to aa.advetbío nãop ou á patlicula rto. Sirvam deexetn-» 
|do estes deus versos de certo poeta moderno : 

V Bas no dizer tantas graças , 
I» QUe eu as não posso contar, n 

As outras cacopbonias necessárias^ que resultam do 
ajuntamento de outras voces^ efezem pronunciações obs* 
cenas y pede a modéstia que as deixemos em silencio ^ e 
quem delias quizer exemplos^ busque a Orthográpfaia do 
Padre Madureira Feijó, elia-os napag. 147. Porem cre- 
mos que a nenhum leitor serão precisos , porque não ba 
quem não perceba a torpeza da consonância no ajunta- 
mento de certas syllabas» 



REFLEXÃO IS.* 

Pocahulario de palavras , que correm presente- 
mente com> pronuficiaçôes diversas. 

F 



romettemos no principio desta Seganda Farte dar a 
ler um vocabulário de \ozeB em cuja pronunciação ha 
muita variedade. Cumprimos a promessa y e nella pare* 
ce-nos que faremos não leve servido ao escriptor prinet* 
piante, porqua nesta coUecçSo adiará confirmada com 
exemplos de bons auclores a pronunciarão genuína de 
muitas vozes que correm pronunciadas com bastante di-*' 
Tersidade ainda entre os presados de cultos. 

Muitas vezes não seguimos seus exemplos ^ porque 
o uso 9 arbitro tyranno das línguas vivas ^ íei com que 



3» 

predomiiiAsieln outras pronunciaçSes: Onde pof^m o usa 
se não oppõe claramente á praxe dos sobreditos auctoresi 
8€guimo<-los com religiosa veneração, e desprezamos os 
modos viciosos com que hoje muitos pronunciam y sem 
respeito á auctoridade de tão veneráveis mestres. 

Temos observado que jápiais se aíf as taram delles 
aquelles que nesta idade cuidaram em fallar com pureza 
a sua Língua, seguiodo-os fielmente na Orthographia, e 
por conseguinte na pronunciarão. Taes foram oeloqúen^ 
te marques de Yalen^ D. Francisco de Portugal, eseu 
íklho ; o conde da Ericeira D . Francisco de Menezes i seu 
filho o marquez do Louriçal; D. Jerónimo Contador da 
Argole , clérigo regular theatino ; D. José Barboza , do 
mesmo instituto, eem fim outros muitos^ dos quaes al« 
guns ainda vivem, e nos ensinam a não sermos bárbaros 
na lingua materna. 

Lisonjeamo-nos de que este nosso trabalho nao só se- 
rá útil , mas agradável ao leitor , porque estando costu- 
mado a ler na Orthographia do Padre Madureira muíias 
sentenças sem provas , achará neste copioso vocabulário 
sempre bons exemplos que confirmem o que dizemos, as-* 
sim nas pronunciações que se devem seguir , como uai 
que se hão de desprezar com os exemplos de outros es-* 
crípiores de inferior ordem entre os criticos prudentes. 

Advertimos por ultimo, xjue os âuctores a queima se* 
guimos , os citamos segundo as suas primeiras jediçoes , 
que são as mais correctas , ^e não as .outras que se segui- 
ram. Já seva que falirmos sódaquelies, cujas obras mais 
de uma vez tem visto a luz publica, como são as de Ca- 
mões , Vieír^ , Jacinto Freire , Franciseo Rodrigues Lo- 
bo, Duarte Ribeiro, Gabriel Pereira &c. &c. 

Abendiçoar achamos em diversos logases de Vieira : 
tf ^en<%oarMi mil v^zes o dia em que nasceu, » tom. 9. 



pag. 1Ç5. Não o temos ainda por antiquado^ porém abettf' 
coar está mais em uso. 

. jíbcstruz^ c nao avcstruiz ou avetrutj como erradar- 
mente di2 o vulgo. Yeja-se a Ferreira na sua Caçi^tde 
Altenaría, pag. 107. cap. 6. 

Abctarda é melhor ptonunciaçSo do que bctarda. 
Yeja^se a Arte da Caça. 

Abobada ou abóboda , e nao boveda* Jae^nto Fr«ire 
no Liv. 8. da Vida de D. João de Castro n.^ 8S; a Era 
o eirado ou abobada da igreja x> &c. Vieira no içm* d« : 
uAs abobadas do firmamentos âcc. Neste auctoi acha- 
mos também aboboda. 

Abominoso por abonúnavel )Á se não diz^ po^ONq^e 
^ ^che em Camões no caat. 10» est. 47. 

Absolto e não absolvido. Absolto é pronunciação can^ 
xpi||n nos Clássicos ; absoluto nos forenses.. 

Ahsolu^âo e nao absolvição diz Vieira notam. 1. 
pag. 371 : a Pertence ^ absobição ao prelado, de toda .a 
dieccse?? &c. 

Abwndoso por abundante já se não pronuncia, a Rãr 
bitar os seus campos abundosos » achamos no. Poema da 
Destruição de Hespanha^ Liv. 3. est. Sõ, Seu auctoré 
de inferior nota. 

Abusão por abuso ^ posto que seja do Barros, est» 
antiquada. Como nome de uma figura darhetorica é que 
se pôde ainda dizer. 

Acamar um animal e não agaímar , achamos nos 
bons antigos ^ porque chamavam acamo e não açaimo ao 
dito freio ou cabrestinbo. 

Acanhoar por canhonear creio que é pronunc;ia$ão 
introduzida depois que tivemos gazeta^ porque aintesd^sl- 
la a não achamos. 

Acarcar por ganhar com caricis^s é pronvmci^sãp q^:^ 



41 

tèm maus exeín pios. Deve-se dizer acariciar y e reservar 
acarear para o estilo forense. 

jícçáx) Qermo forense^ e não aucçâo j postoque se 
fiehe a cada passo nas Ordenações dó Reino. Está inteí* 
ramcnte antiquada , e só no vulgo tem uso. 

jdccomodamento de filfaoi e não accomodaçâo , disse 
Vieira notem. %. pag. 447. a Nem satisfação decreados,. 
nem accomoãamentúde filhos, nem disposição da casa 99 6cc. 
> ' Aceaoado por 8a%onado já se não diz , postoque se 
descubram exemplos em os nossos bons antigos. 

jíc(jbm*dar ou acovardar. Seguimos esta segunda pro* 
nunciação , por ser de Vieira , Fr. Luiz de Souza , Ja- 
cinto Freire e outros , seguindo a Camões, que na Can<- 
ção 5.^ disse: a Andar meu bem buscando, ede o poder 
achar acovardar-mc. 

Acordo [termo forense^ melhor do que acórdão, Brá- 
cbylogia de Príncipes, pag. 170 : u Faça o príncipe mis-, 
teriosos seus acordos r> &c. Este livro em matéria de lin^ 
guagem não é desprezado dos cri ticos, como o são ás 
outras obras de Fr. Jacinto de Deus. 

Acostar: mais seguro do que encostar ^ com os exem- 
plos de Vieira, que são em grande numero. 

Acostumar tem melhores exemplos do que costumar. 
Corte na Aldeia pág. S19 : a Para homens mal acostt*^ 
modos n &c. Observem-se os outros Clássicos. 

Acquirir e não adquirir é de todos os bons textos : 
Fr. Luiz de Souza e Jacinto Freire, auctores da primei- 
ra classe , darão mil exemplos. 

^daga confundem muitos com adarga. Adaga é uma 
cousa curta, que em outros tempos se trazia ácintaj 
aâarga era: uma casta de càcudo. 

Adem [jBL\e] mais seguro do que ade : no plural adens. 
Vejam-se os auctorestjue escreveríim sobre a caça* 



4t 

Adcmnhos e adevinhculorei tem bons exemplosi mas 
a primeira pronunciaçSo ha de parecer a muitos antiquada. 

jídmirante pot admirador traz D.Francisco Manuel 
nas suas Cartas: <« Forque oofficío àeadmirante merou? 
baram ha dias os discretos 99 òlc, pag. 96. Será hoje ar-^ 
caismo usar desta pronunciaçâo. 

Adoerúmenta por aáAyertcnája já se nao diz j se bem 
o usou, alem de outros, D. Francisco Manuel nas Car* 
tas, pag. 17. 

j4f citar por enfeitar já se nio usa , tendo aliás em 
seu &vor os melhores Clássicos. 

jáffavel e nâo affabil , como erradamente pertendem 
alguns , governando^se por se pronunciar afabilidade^ O 
mesmo dizemos de indavel^ provável Àc. , nSo obstante 
dizer-se instabilidade , probabilidade &c. 

jíffRgido tem mais a seu favor 0$ Clássicos do que 
affkcto. S6 o igniMrará quem delles nSo tiver lição. 

jíjiado eafeado tem grande dijfferença. GutfiUo q^- 
do : semblante afeado. 

Afinar vozes , ouro , prata &c. tem melhores exem' 
pios do que refinar* 

jéfoi-mQseniar por aformosear níLo é hoje pronuncia- 

ção segura. 

jífràcar por afrouxar é de JoSo de Barros em di- 
versos logares dífâsuas Décadas. Hcge áiujno^ frúqumr. 

.Afro por africano nem em poesia o sofremos. « Do 
Afro e asiático hemisfáierio , » diz Landim no seu poe- 
ma a S. João de Deus ; mas é auctor sem credito, 

A^rodoce. AcfaanK>s %6agrtduice em algtins bons auc- 
t<M«s , um dos qaaes é Fr. António daí Chagfis , no qu« 
toca á propriedade da liogauí- No tom. 2. das Obras Esr 
piritoaes diz /dle na pag. Và : <» Ainda que estaa novas 
trazem seus agridâJLlcg&* r> 



4S 

jijuitamtfíUo tem melhores exemplos do que cquúc y 
o qual nem Bluteau chega a trazer. 

jílardo , mais do que alarde ^ era proQunciaçSo dos 
nossos Clássicos, a Nem eu serei tao atrevido, que faça 
alardo das obrigações» &c., D. Francisco Manuel, cart. 
pag. SO. O Padre Vieira usou do verbo oiirdcar no tom. 
6. pag, 896 : « O pródigo porque no gastar e alardear »&c. 

Alcaçar^ alcácer ^ alcq%ar ealcacere se acha em bons 
auctores. Seguimos aos que disseram alcaçar, 

AkoT^a [massa feita de assucar] e nâo alcorce , co- 
mo diz o vulgo. Galhegos no seu Templo da Memoria 
Liv. 4». pag. 169: «Eallí suave aalcorça peregrina » &c. 

Alfan por -emfim é de Vieira em diversos logares : 
aAlfim Deus se tem declarado por nós >>&c. Cartas, tom, 
1^ pag. 189. O Padre Bernardes nas suas obras segue 
em varias partes este grande Clássico. 

Algaravia enâo algarvia^ em quanto linguagem em- 
baraçada e confusa, «Nâo imaginemos que aqui. ha mais 
a^aramasy^ &c, Bernardes, Luz e Calor, pag. S49, 

Algazara e nâo alga%aira , como erradamente pro- 
nuncia o vulgo. Veja-se a Vieira , Jacinto Freire e ou- 
tros , que todos seguiram a Barros. 

Algebísta: outros dizem a^^òristo: alguns cri ticos 
usam desta segunda pronunciaçâo para denotar oprofes- 
sor de álgebra, sciencia mathematica; eda primeira pa- 
ra, o qoe concerta ossos deslocados. 

Alheaçâo [do entendimento] e nâo alienação acha- 
mos nos boas textos. Esta segunda parece que está mais 
em uso. 

Almíma , posto que se ache em Barros , Camões e 
outros antigos de igual auctoridade, não se deve hoje di- 
zer , mas ammarm. Alimária é mais erro crasso do que 
arch^&mo. 



u 

aljôfar e não aífofre^ como diz o viilgo. No plural 
aljôfares e nâo aljofres. 

Ahnargem enao á margem diziam os nossoâ Clássi- 
cos, na accepção de cavallo deitado ao campo. 'Barroá 
na Decad. 4. pag. S77: «Alimárias que seus donos dei- 
taram ao almargem. O Diccionario de Barboza, e a Amai*' 
thea Onomástica dizem o mesmo, porque ahnargem erh 
um campo pequeno livre e inculto, para o qual lança- 
vam os antigos a pastar as bestas inúteis. Porem á tnor- 
gem é o que presentemente se deve pronunciar pela for- 
ça do uso. 

j4lma%onas por ama%onaíL achamos infinitas vezes ho 
Padre Vieira, assim nos sermões como nas carias, f al- 
iando do grande rio da America. 

Almirante e não almArante^ como diz o povo igno- 
rante. 

Alrnoço e ahnorço ambos tem exemplos que nâo se 
devem desprezar ; porem o uso presente deu preferencia 
á primeira pronunciaçao. 

, Almotacé mais seguro do que almotacel, contra o 
parecer do Padre Madureira, ao qual fez mais peso a 
pronunciaçao do vulgo. 

AljAsU , semente que se dá por sustento a alguns 
pássaros: o vulgo diz alpista. 

Alpondras chamavam os bons auctores ás pedras que 
servem para se atravessarem os rios : hcge prevalece di- 

zer-se Poldras. 

Altenarta [espécie de caça] e nâo altanaria ; assim 
como correctamente se diz altenetro e nâo altaneiro. 

Altibaixos e nâo altos e baixos. Sempre assim ò dis- 
se o Padre Vieira. «Nâo lhe faltavam seus àttíbatxokkm 
que poder tropeçar» &c. , ^om. 9. pag. 111. 

Ahi(fuer e não aluguel : ao Padre Bento Pereira òm 



45 

«ervia umà pronuncíaçfio oraouira. jihgiier Xemo-lo por 
mais usado. 

Ahcncl [pedreiro^ e não alvinéo disse Fr. Luiz de 
Souza 9 seguindo a pronunciaçao dos antigos. 

jímorgp e amarqoso querem os críticos que tenha dif- 
íerença. Amargoso applica-se no sentido de gosto, e amar- 
go aoqueafflige a alma. «O cálix da ausência era muito 
mais amargo ipíjLXB, o seu coragâio.'» Vieira tom. 1. pag. í)48. 

^margor e não amargOií , como erradamente diz o 
YuJgo. 

jámbar enão ambre, de que erradamente usou Ma- 
nuel Thomaz na sua Insulana. 

Ambrtia [flor] e não awbrtda continuam em dizer 
alguns críticos modernos, aos quaes segue Bluteau. 

Ameaças e não ameaços^ inda tem bons exçmplos. 
Hoje parece que prevalece faze-lo do género masculino, 
contra o uso ipais commum do século, passado , especial- 
mente do Padre Vieira. 

Ametade^ melhor que metade^ Sempre assim o acha- 
mosi em Vieira. 

Ametisto e não ametista ^ achamos usado por Viei- 
ra, a O undécimo de jacintho , o duodécimo de ametis» 
to 7? tom. 4. pag. 191. 

Ammomaco [[sal] e não armeniaco ou armomaco , 
como diz o vulgo, e seguiu Madureira na sua Orthográ- 
phia^ não reflectindo em que esta palavra se deriva da 
grega Ammon , que quer dizer aráa. 

Amplitude e não ampRtvd. Assim o achamos em to- 
dos os bons. Do mesmo modo se devem pronunciar os 
nome^ que os castelhanos acabam em ud, Exceptuam-se 
os próprios como Ahiud^ JERud^ CatalayvdSic. Em Viei- 
ra são muitos os exeipplos de juventude^ mcisAtudey lort- 
gitude , .plenitue^ 9 latUude &c. 



4f. 

Antgúça e nSo negaça ainda disem muitos cultos ^ 
fundados nas auctorídades dos melhores Clássicos ^ um 
dos quaes é o insigne Barros^ que na Decad. 1.^ pag. 
65 disse: aQuasi como que o queriam ter por anegafa.y» 

Ancmone [flor^ e não anémona ou anemola^ como 
Tulgarmente se pronuncia. 

Antc^ preposição latina, eaníi^ particuIagr^R^con- 
fundem muitos em diversas palavras portugoezas , pro^ 
nunciando-as já de um modo, já de outro. Ant0^\dl o 
mesmo que antes ; e assim deve-se dizer antemanhâa j 
untecamarOy antecessor &c. : anii quer dizer o mesmo que 
conira; e assim deve-se pronunciar antichristo^ aniterUi-' 
cOy antipapa Slc» 

Anilado e não enteado se deve chamar ao filho que 
tem algum dos dous que entre si celebram matrimonio. 
Assim cachamos nos textos mais correctos; ecom rasao^ 
porque vai o mesmo que antenato , isto é ; nascido antes 
da celebração daquelle matrimonio. 

Antifroíis é de Fr* Luiz de Souza na sua Historia 
de S. Domingos, part. 1.^ pag. S. Antifraú é de Ga- 
mões na Canção 9. est. 1.^ Outros pronunciam antifra- 
«e, assim como dizem fra%e. £ste modo é hoje o mais 
usado. 

Aperrear e não aporrear , como traz erradamente 
Fr. Simão de Santa Catharina nas suas Orações Acade* 
micas, pag. 166. Este verbo parece a muitos que traz a 
sua analogia do nome castelhano pert*o. 

Apertura por aperto em pergunta disse Vieira no 
tom. 1. pag. 778 : a Mestre, é licito dar o tributo a Cé- 
sar ou não i Notai a apertura doa termos 99 &o. 

Apodar confundem muitos com podar^ quando opo^ 
dar é dizer apodos , e podar é fazer poda nas vinhas* 

Apostema mais seguro do que postema^ seguindo a 



47 

analogia da V02 grega aphiíkmiau Assim o achamos no9 
nossos livros de medicina ^ escriptos em boa linguagem. 
Brito no tom. 1. daMonarch Lnsit. pag. 49 disse po9te- 
may mas não foi seguido por Vieira. 

Apottrophe e apostropho nSo é o mesmo , como al- 
guns imaginam , confundindo estas duas pronunciações. 
Apoèirophc é uma figura da Rhetorica. apostropho é na 
Ort&ographia a diminuição de uma rogai, quando sese^ 
guc outra na ^cção seguinte, v. g. , d^Alnmda em lo^ 
gar de se pronunciar de Almada, 

Apptnduse parece melhor do <jue appentRx , porque 
assim o achamos om muitos^ e com frequência nos dous 
Brandões, continuadores da Monarch. Lusit. Do mesmo 
medo Be deve pronunciar tndkce ; poilice e dúplice. 

Appêtectvel ou úppcHvel e nfio úppctiHvel^ como dis- 
fie obispo deMnrtiria no tom. H. dos seUs Sermões, pag. 
£48 : a E como as cousas deste mundo sejam tão pouco 
app.eti^it?eis » &c. fim outros logares diz o mesmo. 

Aprdhemo por aprehendido apenas se sofití em lin- 
guagem poética : « Mas aprehenso nas mãos tudo ei^a vâo » 
achamos no poeiíia da Destruição de Hespanha Liv. 2. 
est. o». 

Aquaitl: sobre o plural deste nome ha diversas pro- 
nuBciaçSes : uns dizem aquatis , e outros aquaftles ; to- 
dos erram, porque s6 se hade dizer aquaíãsy assim como 
faow , votaim, úteis &c. 

Arabteo e não arábigo ou árabe , disse sempre Ja- 
lânto Freire, porem arábigo não é destituído de boní 
exemplos» Arabà tem melhor uso na poesia. 

Archiduque. Esta palavra [segundo os melhores cri^ 
tieos] deve-se dieer cota pronunciação de q e não de «, 
▼. g%, arquiduque e não arxUhtque. A mesma regra ser- 
▼e para a^chipelago , architeeto , nrchilriclmo , arckman- 



48 

drtta ) ardíivo &€• Ma^ entre <»atros ouso exceplu^n ar* 
ehàro^ porque se ha de pronunciar como se levara «r/ 

r Arcnxmo melhor do que areentOj especíalmenle em 
poesia. 

jírgutamenie j antes do que agudamente ^ posto que 
esta segunda pronunciarão seja também muito usada; 
Vieira no tom. 8.. pa^ir. M4 diz : «Replica arg^Oamenic 
o mesmo santos» &c. Camdes no caot. iO. eU. 'fretam* 
bem disse arguto e nSo agudo : « Mil prttticas aiegteft se 
tocavam , Risos àoces , subiís e aigukm ditoi n fto. 

/irmoiátor-mór diziam os nossos Glassíeos : ho}e o uso 
trocou para arm^o-mor^ um dos offtoios da Caia Reai. 

Arrmtar enSo urro^írâr acho nos bons textos.* Viei- 
ra no tom. 1. pag. 38 , Miando dos papeos da £teippi«* 
ra mal trazidos, diz : « Uns vem acarretados, oulii9« véai 
0rra$tado$ » &. Brito na M on. Lusít. diz o mesmo ^ w Ftá 
mandada arra$tar pela cidade » &jc. 

Arr^êêo [o que foge da companhia] e nik> «troeSo^ 
como diz o vulgo. Vem da palavra anlig^amcijo^ ^/tu^ 
TaUa o mesmo que longe. D. Francisco Manitelilfi Tu- 
ba de Calliope, Soaet. 30: u Arredo vá de nós orSfHfcro 
agouro >9 &c. 

Arrematar [por dar. fimi] é menos seguido do que 
rematar j que tem a seu favor muitos exemplos CliÉskos. 

Arrumar e arrimar facilmente equivocam os qnt 
n§k> cuidam na pronundaçao cprreota e gensMAa. . Arrv- 
mar é pòr uma cousa ater mao em outra, pam^ue aSo 
caia. « As eras nSo sobem sem as cfrrimaremiP 4ia G|hi>- 
gas nas Cartas , pag. 1!^* Armmar é pAr aa wnt^^reta 
boa ordem : D. Francisco Manuel na CMttorde Goia^ 
pag. 79 : «A mulher que mais sabe nSo pas»a^»de saber 
orruimar uma arca de roupa branca* 9> No aenlid^ 6yUfBa* 
do diz Vieira, tom. 10. pag. S63: «A Qtrmmçíí^ das 



49 

tJòitafl^ iksiii» àp ctalmeBte €0|iió dos íUm» &.«• JaôiiH 
to FfQÍMy Liv.'4i. n. 110: MArrumanàQ as lÍAha& eai 
taboaSidittsrentes com ião miúda geographia«> &c . 

Arfoieof o mato y e nSo rotear , diz Bluteau , se^ 
gtt^ido a Francisco Rodrigues Idobo, fk>stoquè> o não 
alkgue. , • . ^ . . . 

^^AwGíM porciigcieraso é usado (lelos mcdicòs, i|osqjiaetf 

segai ram «l^uaa evripkMres de ínfierior ofdeaiu. 

« 

• ' ^AgmoMoi^xAoi áimenioi çstá áatíqfUada asta pf(H 
nuBcingaDy nSokjscttdo; em esUlo fiandliár ou JK)co^>;' 

'i' 'jÍ9pecim»t[wa*a^^ se! ver] a h&o.eipãciao^ycomo 
nuálos sestts sehiido «tcad^rajetite esfise^èsam. .. > ... 

i 'jí^pángidoc <|uer Madureím^stm produjur np^isexem- 

pla^què^o scui, qiae se diga. o^arsúr» |ialavra que nem a» 

aiiiaina^ no VocabulaÚQiidQ Padre Bluieauj aipn^U 

êlokimi- . . -i ' /,: - •*/! 

Áspide e nao a«pkl di£ Brito na Monarcfa. tòaft«<U 

pag* í97:>'icíNèm cioaodilO) «em áspide se viu m^is na- 

ipsrila comofOLaread» &c«'fimi poesia poderá dio^r^e ospidi 

^ 'Jhsègunatz mellior Úo que segurar. Sjk>i.muitQ$:oi 

éaéiDpfes. de Jacinle Freire 9 Vieira e q^tros. Com* a 

mesBua éohereiícia proaunciavam aasejgwadores e naa ser 

guradoreê* Vieira nó tom. 10. pag. Q3b dis; « Osoiittos 

asseguradáreB s6.se obrigam a.tepòr e inteiri^r o cabedal 

pctidido» &e; ^ 

Assenta- e oSo amnUameni&^, postôque se .ache em 

sadoyyos -Glassieos y em qualquer das. accêpçôes em ^ue 

kqe disemoB osseis^o^ £u só usara de .astèntamenio por 

iyixwimo de moradia nos livros d^fil-nRei y que vencem 

09 'fidalga segundo a súaclasaew:; 

• Atsúprop e msepro tem melhores exemplos . do qi\p 

sêprar e sopro» 

Assumpção e ascemâo aio é o mesn^ios^eissão é 
Part. «.* 4, 



6* 

ftvbir por trirttsâè pro|>rÍB^ « ^mnmipfáo {k» álbeia. Vút 
iBso se d«Ve díaér jéêcemto de Ghriftlo ^ e J^lst&mpj^ãa de 
Maria. . 

' ^iheúe atfitistai ambos uiadoa por Vicim^ Duar- 
to ilíbeirp dli Jli^açedb^e out«oi% > 

Atulhar melhor do que entulhar, na opinião daquilo 
ks que prefercbi ib aUcto^idedò de J<âo de BarioáL á de 
qualquer auird Clássico : ci Baroos poqueaos atulhados da 
gente 35 &c.', J>ebad. 9, pag. 6.* M-as se prejfersm.^ como 
éjusto^tikQ. grande texto^ deviam prsferir entulhar^ por«* 
qwe mais v«2e« usa Barro» desta proQunci&gSo^ i|1ie da 
de atulhar^ Na Década l^^pag. 196 dUelle: u Mniuihar 
os paui de madeira ;entrQ um e outro > á maíitira detai- 
pacB.0 E pia DeCcM^t ^* pi|g. 16 dia também s i^FIcfando 
a cova enfyãhada mais doe corpoB deiles v j&;o« Ikimle ti^ 
ramos que de uma ou outra pronunciaçao se póde^segu^ 
lameoié uiar. 

Aureola e arèólay sendo ootilas-.diveisisãimas^ «q«n 
\oci^m í requer temeote o& igporamtes^ lendaifteio/méMao 
u«aa 6a outra prontintciaçio» Aureo^B, qv».o|itrci^ cha- 
mam támbem/atirea/a^ é o pvemio doa faémáveiitiiradM 
HO ceu. Areola vai o mesmo >qiie captéin» de flórea sni 
jaidim» Vieira tom. 6.pag. 91S: <« Arepáiti^ãodssoreo*^ 
Ax8 9ão ofi apcseatios , os moiradores ás flores » &ò. 

Avançar não se deve confundir com aventar ^ csomo 
IMTece que Blutéau quér confundir. Aoançar é atocom- 
mi^rv Vieira tom. U pag. 93: a EtkYesiio ^ áoemçfni m 
todjas ellas iatrepídam«nte^9 âcci ;/^veMy«r é áaaer áveiijsa^ 
a concerto com álguem sobre alguma cousa, ii% g»: nom** 
çou com o rendeiro em dee alqueâres dé trigo^ &£••..• 

. Avofdajgcmy posto que. teaha boas exemfttosy está 
antiquado. Vantagem é já de Vieira ede FuM^cieco R^ 
drigues Lobo. 



áivkm por WÊumM 4 ^ bpfi» wàA(»eê'^ porèln em 

jávelutado enSo avehdado seifiblUihL bb^toás Clfti»- 
«teor^ teguitido ao fmttde Barros^ tpà nci Diimda 1.% 
INifi. M ^ difcsi») t< A teeedbumdtt letim »&eJhjAajdb7Í atol ç 
patéib bdjé âérâMiòfe ^or i»ò dlse#'^vCÍMrfiEufot 

Avenidas «^ ttS^ <t?e9iii2Qi$ - dtee D, FMnttkdo ' MtMuél 
iiâs> «UM GuNéií ^ptíg. 164 1 ^ Tttte ttiiida isM d«^\BoIda- 

^550 e nSo au%Oy como Yiilgufrmeiíife se diz {po^ dar 
oocitlHlo onitKitívaji D.f riiiOMiiÒP ftCanwel áfti«uáí Car^ 
taà^ pà^. 699 ) ákx Ki HíibA àáo ière pàrsi e^entto ê^ 
Barroi^ D^ctid. 1\(^^%« 4r^t «Ttsndb^ a fm* qu^ faub 
tMft» )f)ii^tf &Sé tHKtidafr 9» <9iow .jsM&<» é «tmmnnmto 'te con« 
fidiffa^llèdilbtàdáv Ubás «fo mMlttinot^VQí Padm BIjtrièMi 

Baikít'^ flri|(>^éáM*r ^ ^cdinooeiMdiâixnafe^ :f«dniii]eãi 

^^^^'BoM9^^% hiUiéâOiiimkíti ^ i^Qtra cpuvarlielilos obviá^fiF 

boiaftos em que podia topar á Hàcecáp Jfoéif tSscji ;. > é Jtf- 
•fefo ^feif^f ÍK) LiVi li ii;^^7 y dÍB'] «Pira que ái naus 
que vÍDhaRi'*piâpr «m< fiteiro '«dEratèai r«Bf;«aTdD ^oiokcoi:!» 
* ' tiSnipO! <«fo!MAeí^ eittioi 'cBz Omtoao áty sini: Ágio- 
logio Lusitano, tom. l.« |iag; ^.: tt Acato o «gfao-cbiàf 

'«• Ami(29::;>«6áitikfOT>rtiÉl^.s0 póde^dmr^ Víeifl no 
kui% :4i' pti^;i 4V7 dk v » úanitégr, icmpre Mal ^' fcc^ A 
ií(ysêm»^|dwa^ad> ti«;> l^T, ^ MV tfiz : tf Oascdttdeirte oift 
HWft^tí^-teiiitobr^TriAiida^qwi o ientubra^ 'xãi terihfedfc 

»ig«iiíiE**>. .-'^ ^^' -'. ' ;-\ •:.'-••. .í 

Baptismo e baptizar ^eadÈê sQ»|>r€^.ejp Vieira | Uág 
Mtia fitl}ittMttaÍ0^d.i^ib'lho obieAfníós t3oberfaHçii\ por* 



V • « • 



4 « 



; :£aquetaã e hÍq vaquetái pnDfliunciArain os dassicoi 
para denotarem os paus com que Be toca o tambor. Vem 
do ilalisLtio bacchcttCi 

' . : :JBarbo$*ia .e bcrbería : . este segundo, môdó de prpnuá- 
triar é de JoSo de Barros ; o primeiro é de todos .os honp 
que se lhe seguiram . Barbaria por barbaridade é de Duar- 
te Ribeiro de Macedo em di?er#09 logares. 

JSarbarMzchainam' muitos aologar onde sefai abar** 
ba y devendo dizer barbearia y deduzindo-o y iiSo.clo no- 
me barba y mas do verbo barbear, 

JBarbarkó pot barbara usou Faria tia suA.Foóte de 
Aganippe JLív. 1.: « Do Goliath iar&arko e soberbo i» 
&c.' Não basta.estè ekemplo^ a oSo^Ber em poesia. .. 

Baronia ]em outro telnpo era- o mesmo. que li<^ t^* 
roniay mas presentemente baroma é o título ou digniditr 
de de barâo^ e varonia a descendência por varjp».^ 

Bateria melhor do que bataria y se bem que qoa 
•Glanioos [talves por erro da impressSo] algumas vezes 
-sé acha bataria. Entre outros lembra-no^ o. exemplo de 
'Vieira; no tom. 9. pag. 311. 

Benngoarda e nãò vanguarda quer Bluteâu que . se 
pronuncie; nias nSo o admitte 6 uso presente. 

JBendado e bendar é de alguns auctores ; porcán ven- 
dado e^ vendar é o que prevalece. 

Bilhafre e nsío milhafre diz Diogo Fernandes í awft- 
tor Clássico emi termos pertencentes á caça i' mià tem 
succedi(k> algumas vezes trazerem a vender em lagar de 
açores tartaranhas e bMhgtfreê.yf Art. , da. Caç6, pag. 3* 
Francisco Rodrigues Lobo segue o mesmo : u nSoha.ppo- 
posito que saia das unhas destes biOiafresv &c. Corte na 
Aldeia Dialog. 3. pag. 61. 

Biêpal e arcelnspal por episcc^l traz muitas veset 
Fr. Luiz de Souza na sua Historia; «i Faltava o peixe 



bH tn^a btipiiU 4&e. Part. 9^ pu\g\ fO. NSo é usacb^ 
devmdd^-eer. •- • 

BlaiUk) de armas , e nao bra%âo 9 aobaínôs na Ofde^ 
naiçSo ^ Bei«D Lif^ 4* tit. S^ Nto «era repatòtd pro- 
nunciar ou de um ou de outro* ihòdci'; pofeni 0^ tpie ái^ 
Kém blaíÂo tem com effèiío melhores exemplos, è basta 
o ãaiOrdenagi&o^IWroda primeira auctotidade, <iuando 
se não oppSe o uso constante* 

' Boaio e nao vaata^ coiiiò eri^adan^enle pronunciam 
muitos, que nao entram na clasde do povo. Vieira tom. 
3^'pag» 988:- aP^ra que todo o letradd éhrktão nSo te* 
ma* o bodio deaitás oplnides »9 &c. £! no. tom. 4. pag)398 
diK também : a Minas desvanecidas tom tanto- 6oa/o?9&c. 

Moda nupcial disiam os bons antigos ; tnastem pre-' 
valecido voda^ Bluteau ainda arpronttficm oom è, vikto 
presentemente dizer^te bodo ao'COflser ^ue se disttçibue 
em algumas festas publicas do reino.* 

Bombear épiDDttnciaQSío que hoje prevalece mM do 
que howbardear^ mas uma e outra sepódediaer. Bom-' 
bordear também > d oi^ado ; tabèmbaríhdr n3ò ^ poitoque 
seja de GamõeS'.' >-' -' . ' • * 

Boneco e nao bon&srúy oonio «^radanafetitet pronuncia' 

o povo»'' -•• ..«'..•• 

Bòfitc [sáo^ote do Ja|3&o[] :dnllio òo^o AeftamosI 
noi^brás^^ewtosi Um de«teè é o^'0riénte Oònqufstâdo^^ 
obra que nflo cede em pureia dellngiiagêtti-á^quetèmòi^ 

de'ynftior eft$iMitf34k>J' •" ■ •' • ••*'*'l 1 '• •'•'• ' 

Borbormka e ofloi barhorínko ác^wat seÉHf^re ^m^ 

Fmisèiâco HodriguettLobò^ aucitér quecec^veo 6dfl!i4nui- 

ta^'o(^rtscçSo. •'.'> ' -v • ■ '• 

Borjaçote [figo] e nao bajàçoÈe í maneira do \)àgo. 

InwIiM»;' Llv. lOi éttví 95': «çMus osr itren4imx)»>devtnraior 

deçnm>cà«»&9v^nfotef negros aHÍQ(iado3f;&e'. 



' ^Qrò<k!^ti&QitíxH< VfK Lukde .Stfusai RiiiUa Hift«« 
ria^ Part. ^.^ pag. 134: a O pão de milho a. %iiS: eba- 

. -^^^^^^p tevmQ dom0^4ira^ le «So ti^^o^éni.^ 

afba||^)^.<^f^^^^II^as.ki9. .: ; 

V i?af^tmx' £vo8i 4q alguma» fcriid] .mdhw do.qua.òrA^ 
^fífi: ^ JM(^ <lUQ^m CrHbftel: P^tòro; <e eiii «iilto4 póiet- 
tas se acha esta terminação em a^« > . ' ;< <.... - 

, .: 4?r<?«9^^to Cfoãi que Ura a kNC«Jieo]L aSi^ é pioaun- 

/ t<P?:^^£4p^ mar.&t.v) laalhQff-dOiq^cLÒrajiHira^v qu^ 

sn- «chj^ ,|iQ9 i;^4i,lf>gQ9 âe Fr. H^t^oc Pialo* Giuhâ^l P»» 

• 

r^j^'49. Q^síjnQ;^ iOçSk V%áí.^ JLuomâ na vida da S. SímíT 
Gi$^ ^yÍQr.;dÍ9eflpi^4»ma. £sto ^auctor é^^.gTàaâe pe- 
%9t4a i^tma d&»^«(^ Uatamó»)», i ; 

Brkgf^df» eaão i)H9HÍ6 ao<aio^ular« Assim o a«bamo9i 
nos boDs escriptores. ► » 

JB^al<^ ^l^^^i(|l^d(Uwi o«^^Q fãllaai com^caUlipa^ 
Cabala p com a segunda syllaba brsye « naakligà^ 

Cavialdulas [contas de rezar] e nSo camandolo9\é:S^ 
prOA^KÀiEi^ gfeai}ipa, p<l)r'«âre0i. iavtt^adas e>faitas pe- 
lp»,im.094;!^. Cai»ald»l0nAe9t N^m «vtsá aiittpr;da:cva<" 
ditc^ If i|iQ« açh«íÍQ quQ Ib^s ciMme CSa/natMíoAiA. ' 

Cambrai [pano] e não camòroio^ proauoeíasio qut 
qSío se aqba em auteVore» 4a boa noia» 

CmfiTQ^ [yigno wie^kf\ e oão cotictn J a Qiiú 'X>ws 
que o sol andasse dentro dos trópicos de Camrú- o.€iP|lrír 
címé4PP9 ft^, Vjwa iom. l.,pag».9$ã. 

Camòm%[a«ma ée iògo] e aâkic&npína au trâiátia9'pafr^ 
que Tem da palaY«i Iranceza cariíbitt» «ti4 carémmm* 



M 

Canuáfyfi9 i mnv n pemiltímA fyllaba loqga. B' f re- 
quentíssimo o errar ,.{ftxi9iiãK)-dhreVe.. 

Cariialgkk [doep^3 ^ ^^ !fO/r(ifwgw y como «rrada- 
mtRle pretende M^ureirtiy i>iU) sabendo s^r }>alavrb com^ 
posta do grego cárdia que quer dizcc 4(>ro^jpâ»^ o de aigi^ 
ma que dlgmâqa /for» * . . 

! CbriftfMifado txafUeMkíto: da imni e ou tf ti pronnn^ 
ctagão ba boss; «xe»plQ0 ; porHn a primehA parece' mais 
propiU da èoasaiingua ^ poia A\túmo% papcdõ ^ p^tí^uá^ 
dop purpurado p.prhwaiiQj^ Í»tO0du$gQd& &€. 
": Oatmita: iá pft antíqtíadi» sa pao dú wre%a. ' 

Q»rim«9 poricttrtnAaso só o temos aehaáo oté^i em 
alguns livros de inferior nota na linguagem^ ^líomq 
6 enJfer» oulm» <^ Cryiol Purlãeatho ^ qu» na pag. 
11 di£ : «foram mais <^irwos(Hi com os âlboa da voUitH 
ce» &c. 

Cwrpmr {teru^ úp cardado^}* Bfuteau trar icaiMnear 
DO» «Mssio Minido, npias nSa ptodus Q»eiiiploc« Gurpenf 
ó o usado» 

Qit?aJA«ram€n^e e nii^ aefiiHdhekitcmmenU i que tiras 
Gováo.nal[>ec^d».7..Liiv, 9. pag.SOã^. 

Cavalhero [homem fidalgo} e l^So asNinAcsro f $is»bi 
o adiaoMK* i»Qii».mtib^rQs: Clareeis, 

CisMflO^cQ.e c^AMn^çtcdflir/), e oâo iQ«&pUcd e^soiíMiftmro^ 
como vulgarmente se diz: << Alguns cavom&9f t^\qaà^itò 

iovcnio «e jrea>]te oJgiQ^oa agci^»>; 'Sam)»^ DiMsiiri 1.% 
pag. 19S: «Cíncoenda es«}i'faD9Uj^^A4i^<^siL Soiiva^ Háfc^ 
de S. Domiog^A^ teUn. 1. pag'^ 84*» 

Cdeusma [vozeria dos marinheiros}. Outroji eAcrerflá 
um CiBÍronifay; 0o^zeral» do gmom lemimno* áprimei- 
iá pronuRÕfkgfto /é a genuii^.. 

exemplos. • 



4£ 

Cerce [cortar} enSo cerei» Hcha em varíòs crtbogra- 
phos, seguidos pelo Pfidre Bluteaa. 

. Cerefólio [erra] cf líSia terfolho^ trazem ò$ nossos li- 
vros de medicina, ique os<crilico8 recefberâm por tèxta« 
nas YOBes {ácuUativas. 

Certamen disse Vieira no tom. 1. pag« 173: «Já 
tenho vencido o certamen y^ &c. MasnSo será errada pro- 
aunciaçâo timr-Ihe o n. Bliite$u [d2o sei eom qlie fun- 
damento} faz servir certamen para os ekercieioft do enge^ 
nbo, e certame* para os combates da vid^. 

CétH) e não ceòo^ quer Bluteau que se diga, fííUan- 
do«se da gordura dos anímaes ; porem teiq prevalecido o 
pronunçiar'-se ii^eòo. 

Charel enSo chalrely como vulgarmente «e dtz, «pro- 
nunciaram sempre os que trataram da arte da caválla-< 
ria e dos adereços dos cavallos. *. - 

QtlnaB [naçSo] e não chins, poi^ue esta pro&u^cia- 
çSoy stmdo de bons auètores, está hoje ariliquada nouBO 
de bons modernos : comtudo nao se pôde condemoav ab- 
solutamente a pronunciarão antiga. ' 

Chocarrear , chocarrelro e chocarrlce y e não chocar-^ 
reàr^ chacorrúro e chaoortnce. • ' ' 

Churma de forcados da galé e não chusma y coúio 
disse oa<uctor da Insulana no Liv. 8, est. 87. Vqa-se ao 
3Radre 'Bluteau. ' 

Gpreiiie £arvoré] e não aápreistL Já Duarte Nifties 
condemna esta viciosa pronunciarão^. 

Circuncidar , circúncidadú , -e não circuhctsar y 'cvrr- 
cuneitoAo: ; ' . . 

Cif teird' melhor do que carteiro. Os que pronaitciBia 
com c, deduzem esta palavra de cera^ eos qwe usam; do 
i deduzem^a de dirfe; e esta pt^taundação é a que mais 
prevalece. 



6T 
Cimuf e. úr%ido eoSociciqgpiry át^gida. .Viiei» tom. 8. 

. . CSharedo e óao.cií&àrit/a chamou Vieira, ep Iaoi^ 

dor jdé GÍihara : a Emtxe ot cííAot^édot e bisldSo» ^bi9:^9ia 

• • • 

ibeaUo» &c«/De áàhariàta não acb^nio^ joulra fi4(QQ^f4Q 
mais^queo UAO de.algims modemoa* 

. OoÊFma^ e dori&Mfe diffemn toa appli«A/$9o... 0i9«4e 
cfarefta da vúta^ dcdiècum, da ho^^A>^ç« ichritMfi 
da liis e.corpoa.luminoaoa &c«* >; ^ .; ' . ,,n 

Cbaif (ada por prova de laUidade quf «e iiHjHiítfa* Qmr^ 

G>&are2e ^ comrdA i de uisi ou. oulro mqdo . se pôde 
dÍ2er 9 porque se ao(^m.exèmplo9< classícoa ; .por^nai a âier 
gttmla^ de Yieiía em ihuílo» lógarês^ « Inoonsiantes, co^ 
tMiníeáe efemiaado£íi9 &u:. toin^ 10.. pag. 144» ^^oúorda- 
fàcnto é que já se hSo diz,. âio~ oJbstante ÇQ s^ii^; boas 
étcjuiplosv Die-3eo9ciariiík>w.. . , 

Códice e nao eodex^ como dizem p$ aferrado» a pro-r 
im natação latina. 

G^noçao e agnagS^ vigoross^nisiil^ fiallarido iem gf aa-^ 
da diffecença, e os que be^ lallam tíSo costumam ooú^ 
fundir estaapronuQciagõéa^.iCcignii^ lé pareiU^^co por li- 
nha ièmin&na^^ciKrooií^QlUra^Gpuvea. na sua Jmia accla" 
magâo^ pagi Jtb&A.rf^nasâQ éipai^n ei5co.pQr.M<^ha mas- 
culina, segundo o mesmo auctor, pag. £57: .4(Mra pa-- 

Cogula^ ci/gfila .a.ciK^j^rihaitK>s,e^.diy9r«>s auc- 
tores;ri^ MoUfLaúi. np tom •; 4,. pag. 4Q diz çogVila: o 
AgioIogiovLuaitfknQ tom*.!, pag. 101 iran c^g^la: aBe- 
p«Iifiiif»a.;Lufiit« {part. h . pag^ 6Q dU cucuAit Qualquer 
deileftAHCKttef, 0Qii|c^naaé<4a#$í(^9 tepo igual ailPforidadje,. 
N,^(yjBem0âc;%itf^p9.rque a:^am<)4fl©,8ftyerifl>^ .escrip- 
ror mais correctoqu^;^^.spbre4itW' YiW« ç.Pi»c^? 4^ p9|í, 69i, 



bê 

iSdioréar (x» cobrir ^alguaft cousa com s^pareoeias y 
diziam os antigos. Brito| Mon. Lusit. tom. fi.pag. Sâ; 
«r^Ofii tíiftia colóreada mostra de virtude f> &o. lUdem • 
pâg; 65: v«f Cble^rèor melhor a tem^taslos? &c,; Hojepre* 
vajeceu c úérar , é já^ a Padre Lucena na vida do Santo 
Xavier, pag. 336 diste! «cPor vestir e oótvr nmeptimtt 
fec;'Bm VjMra |bo<n. 6. pag. 839 achamos o mesmo^ di- 
fte^ô r á lim' «ori^o- e nta «orocío titulo » 4&c» : : > 

G>^6rina |^espada[] e nfio coJumhif\neLy^ oomaigocr» 
ràfttétneMJè ytli o pQvoi Pbr imitar nQ «oftiioso a figura 
de cobra traz a sua origem da palavra latina €ciuhe** 
' ' \G&rnpíÍ€>á'e nâo emmpMee, Parecia desneceatsrià esta 
adverteikcia., ? por W mui .sabida .a pronunM»^' gqmitwa ; 
ifiá»'nâô'qaisNnmt9 deix«rlá em sílenciof porque se 'acha 
cumpftctf' muitas ve^fs na coUecção de vavios papeie qisM 
ba ano0s saliiràm sobre aiaUa doutrina eutilo introduzi-» 
da de se perguntar na confissão eaciamental pelo compK^ 
ce do« peèoaido &c; • • 

Comprimento e cumprimento é pronunciaçSoqittéoom^ 
iMfliym(»ite> se^ confunda , tendo aliás grande dif^ença. 
Gbmp¥imé»íó4 mediàê^^ e^m^ttpriT^Mn^aaeKQCuçtodaòbri^ 
guçftoí. 'Eaésrtm sedev^ pronaneiat rua eompridaj dhcax^ 
sà^^^pridi^ éL^.j^e-voldicuvg^prido, preceito emmpndo èio* 

'ConeíavôítoiA a seglmila longa , posUto qu9 ^n^ BcInd 
s^ bí^e. • '•' ••■'•: • - - ••''•'' ' 

Cóndestabh ^m a ptonuneiàçSo oonslsoUe. d<>s(Aoe^ 
sès" anli^esV e-o Padre li^uAèau ainda n$o quis admittir 
a âé eoííMÍ€»tefDd, ma&o^ para* explicar' aquoBe ^e nos 
navios- e forlalèéas temi s(ua conla a prepurãç^ dai Af« 
lfl%ar$á. CoBlo nôsr pronuanefamos e»^«J e aão^ €$Mhj 
w^ikú ^rb^eètránbân que âiudasseffto^ para <MNiiktto* 
tély cuja pfenundflçSo^é-^je adomioant^r^ «^ a dé eoní^ 
éèvleMtí sabe a anti^tiidade, píe^teqtiid vmeraveL 



69 

Gwittia « «Ao «oniripé^<|u« aohfmwnçi qm lar 

dações tçm boiís oMH^plof». . > * . . <*•:«;) 

. . (JK^^iiHiiT^iMt^ io)iMâp.par.:adxwlHC^6^nieiida^«Kido do 

que comegupit€^ P^roQ*diU9S0idQmÍhlm«iEiii«:l(>gÍQaieni 

diverso» ^Minpk>S'd^ Vi^^: • > 

ÇtmiMartQ ikSc^> item « ^1»; la^for o» '1h>|m smolort» tf^ 

ditem qiUMâ.todot»;' : : ' r .. :- :.'•-: .1 .v ^ . -i •«'/ 
; GMiit<te»i« dUttf^am q$ dwiifips :: etnn»tísíni^ oã «t^ 

criptorea de inferior nota. • » ^: > 

. ÇoniagiQ e não «midpão ^ porqMt j6 io>; dS(> |»ârmit* 

. Cbiiltes .[¥< g;* dA.xtfateifo} e:iiSâ .giMhilHi «sa qàm 
sempre nos melhprei GlmnwHtinpía»^ » «^g¥iido.a)gi|n«' 
xao^femos, parece ^^ue devQ piaVatefieroiUBO^vêomadomi^ 
nante. Isíq iilM>cib9liliu(e^ n4«s«mi^s^ml!e(m(M:a0S'OiesM 
Ufí$ aaligps > ícpuiq £«« >Lukb^i€ií»UMV(4^i^elttpfÀ dis- 
se coníia. Vide part. 3. pag. 461 íWt.;li íuj '.; u."- ♦ í 

que ou despresaram ou ignoraram . a; pUXf^M da pt^onib^ 

CbptAta eicC{pUK2$r4.,df^>HQ^aHQ{outFa. prc^^ 
usAlQÈua oáaiiclQim.fllaM<M«:i!fQAip|i^^ú^ HHtí<» da 
Monaiq. JLuftk«dis&t9a9'Veae9rJ«^i9^i<qpíH^ en* 

Cortigfii&a idé Bauitíros <fopi$^a*. i{oje<P2»»«d9r fl«9ve tttfdti 
piura si|riiifeav oliico om<qM <» MffoeiMiie? (Oopim» «i. 
cartiasrique mandaié pãra^íbi^a. r.j 

Corrigir enSoeorre^cr óioqiiciIcfl|Oi.ii»9»bM9iesAo»i. 
. Gb^aaiw. e »ãk>.cai»sark) OMtm/.ci padnMAf^:<^ 
Madureira^ que oi^iiottbsquftleEft.a^iilui^QâdttdA d^ 



eosêartp. tf A pirataria dos co$$ario8 estraftigeih)» ^ 9» -yiéi-i^ 
r« tom.:3.>'pag. 1>S6^. aO cõisíono Bãfbti-toxá^^ft^.^ Ja- 
cinto Freire pag. 5, e em outras iriultafir partes. ■ ' 

Cbudel é }ií6/udetânay e nSò cofadôl é c&itídélêBtkíy^ pos- 
to <juè Vetíbtt dòtiosso uníi^ noime leaudUhci. 

Credibilidade e credulidade: tsAé- a {ghorftndà dê 
alguns^ qilo e^jurvocám «stas pirotiUikcia^i*s ^ «iiletí<)eDdo 
que uma significa o mesmo que a outra. CtèdiURdúdè 
6. a nktSo pòr qm ntnacoiísa facilmente se las cHvel. 
Vieira tom. 1. pag. 170: «A idolatria sediéoa ti ei^edi^ 
bi&dade'^ Síc. Pelo- contrario crtduRdade 6 ffteiUdade 
em crer. 

Cruídãr é lingiiagem mais correcta do que aeredor ; 
mas esta segunda pronunciarão também tem bons pairei 
Hos; e bastava Vieira', que no tom. 6. pag. líM ^isse: 
o que èe deve aos legítimos <icredoreê n 6tc. 

CrooodUo e nSo iíoèodrilo ; e ee em algiiim bottl auê-^ 
tor se acbap, é c^ertamente erro -da impremio. 

Qi^^Made não óradcHdaàe^ cooio erradamente acbtf-^ 
mos em alguns livros. ' 

OirakUtde é nSò curvadura se 4í ia <tà itiílexSo dè cou* 
sa curva ou revoltada. 

Cktstode [anjo] o não Custodio , disse 'B«ifrtO8&a-0e-' 
•mi. ã. pâg. 37: ccDúui espirttos cudiòdei» ãoc.- ' 
• ' » th^elópeê isQ^chpat ticbanroB ©m dous dasáoos* Vleí^ 
m^ disse do primeira tí^odo": tfíOsethii»pe»^<Hircycft){»ei 'ba- 
ttfaadios em suor», êct: tom. 6.,' p^ig. èl5i' Oam&es disser 
do seguindo : ^ Em quanto m offloin^as doB tjfchpa$ Viir 
cano está queimando. 99 &e.'Ode'i9.;est.ú4é A; oaotorida^ 
de de Vidra é a qu^c pf^iralece; , . ^ ^ 

iSamasctido^. lavor que imitai no» damasco, « e não 
^domoioãdoy diziam os nosso» 'aotigési 'Fr* Heitor > Ria*- 



61 

/ve^9.«^»iry pon qtotentrei os bons .modernos .aiiida se 
:Ksa e»4a ^proniUMiaçiK^' 

,] : JDi^iicular » naa arttcuibr ^ pronunciafaoH O^.bpfUs 
^«ctores^ O Abei?«daTÍo.Bje«l.na.pag«.(l« dizi. «çQ,uoo<Ip 
gy^ftteia.os h^imep^.fiiiil^flia^éia.pfiipeâfa que (fjoaHtciir 
Iam &c. 99 j^y^c^m^tpnii.;!. pag^ 6j8 aohninoii.Qiniesnia. 
cSr^P^l^i^v^CWs.) que :fftl}aYfUii^ e ^irliciifot;ai»». . a« vo- 
zes &c. » Ambas as prQnyD.qta$&4 jSo u^ada^ ; a prímeSr 
/a pQr aiiPlQríd4dèa> a. segunda .por uso/ lendo que já 
jMao^a. no s^u iía*iÀ?i*Q «(^«.í^jFor^wa p^g». 191., ea 
^ÍWbylpgi*: dflí Principe^j,, ;pag,. ;lj9^>^ H^rani d^ ortw- 
lar e dç ar^íictA^j^ão. Iv' . * m 

f iPe^t4«^(íl<íar : lenhosa poir.maU CQealocJPe á índole da 
lii^Mf^^ (Ip quQ. í2e{»t^an^ 9 do in^&iao modo quehoji» di^- 

Decurso (de tempo) tem a seu favor a grande aue* 
^Qiidude de Joa<^. dís Barcos j que jsia Decad. 3. pag. 34b. 
disse. ««AqueUesy qite. por ^Ç^fc^SO de ani^o^ jubilavam na 
guerjTl^ ^p. iPípfxem.disc3ti/r^ tf n^f mais. jaxeqiplos* .Bdrito 4ò 
to^i* 1 da M.onarqiiia, pag«.£9G. ii,o <iÍ9çpr$o desta ga^rr 
}^.&Ai lYieira, disse O mesmo., «.Que podesse mais com 
elfe o '({Iscitrso do teknpo, que.p (ífspiif^o: da- razão &o 
A. aVàbos, s^uíq Franoiífio .RodrigUj^s J-pljo , dizendo, na 
Corte na Aldeã , pag. SSé, a o dUcurso da idA<l!^ ^c. 

Dedaí^ , liístrumentp .de içQStMrfi ^^ dizem uns , dedu- 
widpro, dp pprtugueas ãçcía:. outras dk2^/, do latim 4^^* 
fistemodot éboje çiaisus^do^masum^ e outro tem ^x.jçn[^7 

Onfmsa e defesa confundem muitos, segundo ao VUI7 
gO^ Defensa é pajra a aççao de defender alguma cousa 
com armas 9 ou com. palavras. Japin^to Freire Liv. 4. n. 
õ. <^ Muros. de ladfUbo^ que mais sier viam ao adorno, que 



á defmàa kc. £k^»ã é ttt«il pi^pfto úo6 fmoà , 4m qm 
«e alkga jaittigav Bor ièao d»ftta palavra usu ftiMMa Or^ 
denagSo Lív. õ. tít. 1. §. S. dizea4o« écDéfèê^ m pude 
p6r'ir io4k^ ^ umfii» ^1^ rèo 460i ^ Gom tiido nêo duví- 
dantdft que cbnira esta bÀiisá doutrina a^pate^a ulg^ik 
^xatnpío ; porani ti6ê pèmêtimá^ tíella, fiados ewi boM 
ananascriptoi otifíaaes q«ie iemos obset^tid^. 
' ' DôfioftàY e dtífkftap tett tgua6« ^«itij^os âd aucto»- 
tMade ; « dt^torat tem d^ t&ate o «uki <:(m^atè« 

P^mkíf «fe ^ tiSo éÁêfotm%diíd€. Vieira toim 8«' t)af % 
MS« a Oirúumstaiicia , q«ida&o ló p«faòè alheia da tínft») 
-senió tíitíA^ééfohnfwdúdí^^ Devesse fteguir «ata {iróAua^ia- 
çSo, porque são muitos, e elassioos •âi eMtti|ilo8*'> 

li>egrac2or, ttais útadd^ i|a qtia def^HidMÊr^ ^ que 
iia3U. Ma^etido &<& DMatftlo sobm a Fohuiia ^agi Mi «^ãé 
{je^acítia da dignidade de «er o fee« Gfeádor por aaOftpft^ 

JklMar pot (kUUar «So Mn estealplott de ^oa-elaM^i 

JDi^âinten#ú^^til(ò dM^&6^d{BÍaiti.09n«>^ 
*Bi*if< Slodat. Lu«it. lotn. I. pag. Ad. «Mil fabulait^ a 
mil ikhrttmeftíús &e. n Pre^eaiemoMèi ptevaíeoa -cíi/i fk). 

íDfcmefifo pot dmtiàtedíi^/cfM á de Bai^rm tia I>i6adv 
l.^pag. !eo. Outros muito» o««({ttirám^ eâpeoittlMeate 
Pr/ ]9èf aardo ^e Êritò ti^ Chfòttlca dé Ckter em 4^dt^ 
S08 lugares. 

Defftditrúf (em tMlbôre» exemplos dó que deinons- 
imr. Vieira , tom. 1 . pa^. 40* , <fia : «t l>í;i<tt{lf oí^ít?** 
mmêé se éoaveace que não de aoha^ âtc. No «i«smo» lá^ 
mo pag. 680: a Aquelle iste é demostrattvojf &c. -Moi 
úo tomo 8. pág. 44t disM «iMHMílrttf depois dedt^rcZe- 
moâffof , quasí tendo pof meltior «ãiá s^guada promiMI^ 
daçfilo, pondo^ em primeiro tõgal-. 



<8 

90B avetbm <in«is piuòs. u Ficando' tSosegtito » pouco 
cii^««dbdò^ ique^niò fise mostrat^deifu^ír^Àc. Monaiq» 
Luít» totti. 1. fKig. 156. 

Denunciar por omumâar foi muho uiado em outtA 
idade) boj^ nSo aedts seàdío nò sentido de dedamr ai- 
gum ciiàae ájudtí^ A:c. / . • : -. r''. 

Departír forfottír éá^Br. húbC de Soom na vida 
de D. Fr* Bartholonea dos Mavty^res^ pag. 41, otidt 

, 1 . .Depenc&iriúr ^CGM os mftís nomes qae delUs naMem] 
e nao pendurar se acha em Barros , Vieira e outroi^' adt 
<}ua!eB aiada aegttem alguós láodernoe.' ' < 

Derrubara não ilerribar. Y ieB'a totti. 1 .; pág/ 797 1 
«Os&rími» viemm tentaiv eqanmiim tkitréiibàr a Gbcis^ 
to» &c. Pereira, Ulyss. cant. 6. est. W: if Vâo rfwru* 
iomiQ OB'dufOft segadores n dcc, . . •. /\ 

2)«súcomf0oc2ar 5 deseofw^tcdo ^ detácoramodúácf raaít 
legnm do que inaommudait , owMOmmok&yie «fMOOifnodado^ 
pdtqiie* àa nossa lingaa cíd» é negati^m^ e eqaíraleiítQ 
a^sêm. ' • 

Deuérey e eíesar querem múfítos'^ q^it^i se'titto deva 
confimdiré Desaire ^pfiica-^se a cousa ^ que nâx>teiii bom 
gcito^ xMii graça; è dfesurá ialoFtu&io ^ ou máo suK:eesso^ 
mas parece-nos arbitraria esica distincçãor 

JCÁaamràuBr pov tirar doninkní, temmeliid^s^èxem* 
pjbs que ^JesnsnAarw 

. 'Ihsapeg9y e dãsopôgcdo^ è não desp^o^ e éktp^do^ 
eoDM» Tidgamente disem o» que afto sabetii ^liar. > ^ 

Desapra%er , por desagradar a alguém disise «èlMpre 
Seifecim oas Notkias deiVMrtugal , pâgJ dSd^ 0^pra%er 
èmho^ó p«r pltoMuiciaçâb poiíec^ «eguraJ ! . : / 

Dssoarnar^ aiíelfaor á& que euarmr^ que ^ afiha em 
tscrip<iQ«ed 4i9 pom<A duetorMiváet 



C4 

Descender por descer tiSo se deve ximt^ se bem, que 
em poesia, o tra2 Fárki o : Sousa uá Fonte de Âgánippe 
part. 3. Eclog. 6. «Com o peshdó fnmp.leLdaurldem^ 
Outros o Béguirant mas- sem prudencm. "l 

- . :vDâtfOo/in€ncbi por incofU^nericia disse Dr FraiudiRéé 
Manuel na sua Carta de guia decàsadò% pág. idgover^ 
sahdo^se justahidiité púa regra, quiô acima deijtamoiklipon- 
táda , de que o negatiifo des é entre t6t o mesáio ^e o 
tn entre os latinos. Mas nao sê deve seguir neéta parte 
á. este Aucfot , e devemos dizer inconKnencia por* força 

Desdenhar y e nSo desdánkar^ que trsLzhòhô naCor^ 
náJAldéa. pdg. 97 »y e outros , po&to que de inferior auc- 
ioridade.E^te verbo vem do nome desdém^ e devesse pvo» 
nunciar i2es(2en^r. -> i. . 

Desgarro y enão desgarre ^ como vulgarmente sé diz. 
fieguimoè a Galhegos, poeta , que cuidou muito em se- 
guir a pronunciaçáo dos bons textos, a Com brio superior 
nobre desgarro &c. > Templo da Mem'. Liv. 1.^ est. 60; 

Desgradado e não desgraçado disse sempre Vieira ; 
mas o U90 presente antiquou de todo esta promincia^fio. 
. DeMtmagtnar e não desmagmar y como erradamente 
diz o vulgo. Brit. Mon. Lusit. tom. l*:pag. Sôd. ^Que 
se desimaginassem desta matéria &c. 
*. Deslocar e desnocar^ não é b mesmo'; a primeira 
pronunciarão é própria para explicar o apartamento^ que 
faz algum osso da sua junta ^ e sitio natural ; a si^gunda 
só é pxopria da deslocação da nuca 9 por isso alguns es* 
crevem de^rmcar. * ' 

Deimezurado por.deifnedido usou Fr. Luiz de Souza 
na Vida de D. Fr. Bartholomeu dos Martyres^ áizéaàò 
aa pag. !36. a de tão desmeãuarada grandeza &c. » Hoje 
prevalece o desmedido: sebemqueBluteau pretendei que 



d5 

Cftia pAártSL 'f^a mftfe própria <paYa faboiém cíeséomeilUlti 
em suas pftitfvrás , e acções. 

ma Vida de D ^ Fr. Bartholomeu dos Martyres, pag. 1€S0^ 
ondedú. «Chegam Bdesnaiuralloê &c. Grande é a anc- 
toridaáé deste líTto, porem maior é a do uso , que sóad* 
mitte desnaturalitar. 

pçsjpair^dó por e$pat%ido trazem muitas rezes CamSet 
0iQabfi^ Peceiriiy applícando^ ao cabeHo espalhado^ 
tfiéoilo. Uma e outfa pronuàcíaçSo está antiquada ^ es6 
etti poesia se scrffre. 

Despedaçado tem melhores exemplos do que ekpedor 
çêdo. 

DêÈperdfiáo e niodeipttdèfOy como erradamente pro- 
á«fKâaopovoignorante« Braehylog. dePrincip. pag. 90. 
« Premio anticipado ao mérito é deiperdiçio. 

J[}e»pr^ivel canfvináem muitos com desprezado/ Des^ 
pre»f0el é só para pessoa ^ e cousa. Assim o observamos 
itelitado pelos ben». 

jDsslertrfr ^. por deixar de servir ^ traz D. Rodrigo da 
GMha na Historia dos Arcebispos de Braga. Part. 9.** 
píig. J.87» tf Que perdoasse EIRei a todos os que odesáèr" 
vUrúffh. f> Não o temos por desuzado , se bem que muitos 
ô tèm^ apesar de diversos exemplos de Vieira 9 tom. 9.' 

^ag. «17. 

í)eÉ9fiadiir e nSiod^êpersuadir y como dizem ínfioíitò^y 
que niio se tem por ignorantes. 

DcÈironar pov dcètroní%ar já se nfio diz, porque se 
oppoz o uso cotnmum á auctoridade de graves Auctorès^ 

Detoatiar e nfto desvairar , por que é pronunciaçSo 

* • • • 

do vulgo. 

Devoção e não devoção disse sempre Vieira^ Brito ^ 

Fr. Luiz de Sousa, D.Francisco Manuel, e outros. Com. 
Part. S. ^ 



6« 

tado- Q uso t^m feito f^evate^r <feiHy4o ^. ^ j& alfM^MMi 

Portugal Restaurado, e em infinitos mod^coOB* 

J)heç^»$ e'n9Áidloce^^ di^cou) ipuitosVieira 90lom. 
X V^%* ?7i, ^ pertence a âbsolugilo jEio.pigelaâQitl» iodiii. a 
dh£cc&c. Os dous Brandões pronuhçiaraai dtíooe»^: esta é 
hoje a pronuaciaçãQ {n(ib. seguida ^ jna^- njb é tial>1ea a 
mais segura. 

JPijIJatT^ar rparece a muitos melhor do ^ne. infamar, 
por^er «^ prçrvu^ciíasao dos bons antigos ; dkffamU^f^iOy qu« 
se ía^i^pore^cfipto^ ou (ro^a^.^ di« a BQ98a'Oi?dejiaç8o no^ 
Liv. õ. tit. 84. §. 1. £m outros logare» dis lambem: li'* 

Discorde e nao disconcorde p como escreveram, .VA* 
]jo^ Aucture^ de Ínfima lingi^agem^ insere vendQ tW^bem 
4\it>onGordar pof discordar^ ^^a ftçly^çrtír^na op^.odigeWk 
latina. 

Discorrer ediscwsar^ aolbos t^a^ boQs exeo^plae^ mas 
^pppsto pronunciarmos discurso y tenho ^porníelhor^ocíU^ 
cursar , e sirva o discorrer para denotar aqu^U^ q^e aivdA 
de uma^ paraoutrasterraa. Parece que^ , 'fr si «âosvle parecer 
a 90SSO 3acellar, quando di$$e. a Com tanto di^prer. 
pQU€0(&cur<a,;» faUa^do da umhome^m> que tçodo ootc«^ 
rido muito mundo aprendera pouoQ. No \omm :4u da Mpa» 
l4|sU« pag. 91 achansLOB dis^ursa^^ títTeva^.os. capítã^í» ppip. 
ohngn^&o discursar nos meios 99 &c. D.Francisco Manuel 
segue o mesmo, dizendo* aQue.dôvese^iíúicw^^MlHcAp ag- 
gravos me entristeço &c. » . ^ . .• .» , , . , 

Disparç>tç mais seguro áoq^e^deêbaratCf.q^maiu 
significa estcago, do qu« cousas fór$i, de propósito < 

Dispensaçâo temmelhores «xempl<^ d(H}|i.ed&sppnsa. 

Os Clabsicos diziam, a Dispensaçâo do papa; di^pefif^ãú 

4a lei, dispefiiação dos votos St>c. Ainda sedeveei aeguir. 

. ' DmimiUaçâo /confund^úsi muitoi eom úrKmUíç&ii 9. e 



«té»09 mesmos ^e eODheoem ;bem '« differ^À^^- «J|[uivo- 
cam estas pronunciaçôe»; £iUi é vicii^ aquella i^irtude^ 

DMittuio poi AsíúmtááçâOj de qiw usoii o Auctoc 
flbs CbrÍBtaès d^álmá^ páf * 106, aem 'eú pimia ò iotfi^ià 
os críticos. '..'..* • . j ,»j 

- JDbfmftiinenfo pM-amvíèeè -^lomcfsnsõque (JU/roc- 
ffto ; porom parálosierilieos éktnduhèòuiõ s6 ten^ botli b»^ 
gárV &ll«iido-%«i de vida 4alia jí e de fibeidade-i^ieiOMt 
iRsiracçâo só significa divertimento y ou détaf^í^kçàè 
do pe&samêBto! naqwelto mateirias^ ^qiíe- ttos ,<teVeriam 
occiípfar. 

Dobrcx de animo;. etlUos pnmuaciam ãél^t^M^ ^geL 
guindo a opinião dos que querem ^ qoe dtttajnoi^ atabwr 
em idfiaaqladSes lioibes^ que emcastelhado tejMlàatn em 
est ; como v. g. éBérãàhexí^ atíkfen^ reahniatí^ «Aç^tesefesí j 4^ 
Rcade%j madure% 6iCé Etta regra nlo é c0rtai, ipor^uè 
{lostoqoe digamos ésímnA^^, àltive»a^ tysdóndezà^ dd^ 
gade%a , dcRcade^a , '^tfidcíarceia &c« não afizemos' peçfi^i^ 
tAt%a^ «itttwsMX , jrrc nActia , -em&rúi^efiA 9' «ojitf^sstf i9cc. dí« 
zendo os Oastelhatiòs ^pftgtij^rôdfss', t^kMfe»^ j>rcm«| embria^ 

2>N7tes£r7io poi c2uIt;iisimo disse^ Vieira , fei-màkdo^ 
assim do positivo doce^ e não do latino dufeic, t«ttir]'<K 
pag;*46(l. a A çutrjçSo doeiuAtm» de «eras peítps &c« 

Dòfyi* Nó' plucal> deste nome qáèr. Álvaro Felteiril 
ée Vem qM te^ ' dua^ <fi jtittGtas pi<cAacrtf0ÍaçAé« , : é te^* 
commènda <i<»e: ^esta$ ee nâo Q0Bifunda9»^ - Pert^ade ^tè 
AuDtoryiquecíâm 7 pronome de n<>&re2ay fe^ ao^ j^lural 
(2aH9-^ e q«e iia • dgniâcaqflo de dadiva* ;e bene&âo tèqA 
nv.piqrabií^efisv Ten:> a 6eu favot bs}eMlnplds'4è Viéirá 
natom.i^; pagw 4lff, nó 4>^ pàg. %3. ^^^ilMi. 9 ^â" fiQ f(m\ 
hi pág. éS*^ «im^t^òf loga)Wcofiâtan«éifl4^mè'^4@â]|^t 



5 « 



«8 

.Dromedário e nSo., como.vulgarniente se proiiuii« 
cia> (íormicíarioy ou dormedmro. ) . , . 

DupRce e nik> duplex dh o Agiologio Lusitafio^ por 
lugif 6 tevmÍBAgSo em x. . aOíficio dupBce^ íaMándo-da 
reza dos ecciesias ticos tom. 1. pag. ÕO. • > ; 

\. JS^bano é pronunciaçSo mais segura do que E^vano. 
Leonel Costa, bom obseryador da nossa ilingua, di^nasôii 
^rAdMçãO)daa Georgicas de Virgílio, a Produz a Indip 
90. 3>ú,no negrot» &c« 

. Edoga melhor áotpxe.eglogcLy segundo os nossos jbons 
poetas 9 e seus expositores, os quaes justamente deriva* 
jram.esta palavra da grega. ec/^ein,. e não • de tágon^ co-- 
no erradamente querem outros. 

JSditml confundem muitos com edicto ; sendo edUal o 
papel em que está lançada a ordem doprindpe, e tdicto 
a determinação do mesmo soberano» 

JEffngio por iubierffvgio , só o temos achado atéqui 
AO tom. õ» da Mon. Lusit. pag. 190. 

Mró , peixe, e não eiross , como erradamente se diz. 

EUc vcá e não dh vai , quer Bluteau que se diga , 
mas não procede coherente , porque tratando do adverbio 
€u 9 diz. u Mh agtri, álá aqui» &c. Assim é que se de- 
ve pronunciar. 

JEIocuçâo oratória e não locução^ segundo Bluteau, 
e Bento Pereira. O Agiologío Lusitano, livro de língua- 
gem pouco correcta, traz. á Elocução acominodada á ma- 
teriais &c. Qualquer das pronunciações não é viciosa. 

ElrRA. Ppuco ha se tem introdusido pronunciar*se 
o liei. Não nos podemos accomodar a esta pronunciarão» 
tão estranha á nossa Lingua, em quanto o princípe nos 
«eus papeis publioos se assinar El-Rci , e estiverem por 
0Ue aqueUes que melhor faliam. Entre os fautores desta 
novidade alguns ha que prpcedem çom distincção, cba* 



6> 

mn^do: íEh-RA ao pHqeipe' nwlurály «o R^ ao flobkratio 
do todas as .outras naçdes que tèm estèUkuIo; Tamb^mí 
uSq: estamos por esta distinoçao^ e deixamo-la paià w 
adoradores, da língua franoeza ^ e iaimigos da fiaciottal'.' 
Sempre diremos. nâo!sóJ!í-iia*de Portugal, mas Ml^Rdí 
de Hes|>aAlia9 Fsaoça &c., -em quanto o nsq oonacante 
dos sabkM. nSo estabeleoer o^coatrario*- NIJo duvidamos 
que ha oecasiSes em que se deve pronunciar o RÂj mas 
nSo é no oaao em que estamos. 

Emanar '» íJh. dimamatr. «cAs armas. de<P)ortug«l di* 
knanam .d&.bataliba de- Ourique, n Mon. Lu8Ít.>tom* 3. 
pag« 13S. Vieii» nòiom. .1.- pag. éOAâíssè também Una^ 
na;áO|. mas não o segue certo «aadoriif i to :^ que^sempra* 
escrevttk <2i«riaoar te cRmanof do. 

' . £mancifar ,: tváanàpadaj e nio tnanápar e tnanoi-' 
padoy como frequentemente .se plpoauncia.^ .^ 

J^mbebecído por embebido traz Faria na Fonte*de A ga-^ 
nippe, cánt. ó. sonet. 36 ; a Que de todo estão nella em-i 
bebôádoi n èua* Não se deve. usar. 

. EnJbigo e não lÊmhigo^ como escreveram alguns, por 
se* derivar ^ «anfti/seus, e dizerem os ipedicos—^ vela um<^^ 
òUtco/, artéria umbiRcal &c. O Padre Madureira^ cego 
fauLbc da es ihographia portuguesa ^ sempre encostado á 
laÍioa^>pfetende que itínMAco scrjo: melhor pmamioiaçlo» 
NJb obstante aisna sentegí^V òs.Glaàkos diss^ranr 4W«*' 
6^a-,ve:os. seguem; aqnell^ que ibéfáiffidiam. . . : ., 

jEmerr-soo veifât?i«rsão quareov alguns ciitíooB com-Maí-: 
dureira que não seja o mesmo. JSfiMrtâo.é cousa que se^ 
matí» na. agua , eidettaisei.tira'^. como vr. :gw a.criíniça , 
qtendo a^baptisam.- Rigèrosamcitte significa a adçao de; 
mergulhar .ou metler.na aiguai..tf Três v«aes.[dis afía^^ 
Peitoral d0. PoBlK^\pag. ia6]^è Ia«;a B.bgua benta naii 
paredes 9 em sigoi&sa^^daá t^es smers^ do.haptismoj» 



ff^miò^^ qe)}a. iQfóto njío ai^amoa ex«ímpio «m poi^it^ 
guezj f^Oíi^ .Bluteau na palavra inámersão a. ecHàfoadd. 
<;0m.4inprsãO9 G0Qlr&díaendo«8e>x*òz» o qiie dir ijuatida 
Iktfp^^ãp jcimníou. O cerlo é qiie.a differenga ^bredlia é 
«r^meMMtiqua dao^ os latinos & ei»i0tgio e C7?Mii€r^; a iii4 
paraeÉ beáa ^ue taisrbiam no povtoguez ob s%iiiaoB. * 

: . « jEii^a^corízr.iinellior doque mas^aror^ |>arqife assâtti 
o achamos nos escriptores .qti« lemos por se^fOs^ porem, 
ailpliiiida jp^QiiÚDoiaçSo nao a t«mo» fm nciom. 
j rJfyvntíidat pòrÍGÍm0Jiar;dis8(a nos mu» Diálogos pog» 
4% Ff*f;Héítor Pii^k>9 âuctor bénemmto dánoása liagw>, 
on^erouso; constante o nao«teni já por antiquado. ^ 

JErnmurchecer por mtirdfe^r adiámos, no poema tia- 
SeiJwttigaoiideiHe^aiifaa L\Yé ò.esl. dé:âS|lo ficais que 
emmv/rchecem breveinenle » &<5^ li^^prompic&ifito ^içioaa^ 
ou.[di»endo5 nicábor] yerba bárbaro. ^ : " í 

implicado y como diz o vnlgo , grande «mestra de eitõs. 

, v; JSmp^tQr e não iípcitor ;a^p iiiQB'{nick)C)esi Berros. 
Ob«er.t^se Barto», Frw Beraíarda cb Biito é Fr^ Luia 
dQ^,£ípi}3a« . 'i . ; ■ •. ' >■ . • > . . ■ 

... JStBpsiorar a nSa pá&ranr dúsa D. li^tfigo da GW 
nba na sua-Hisl. âe^Bca^*, pátg. SB8: «Do remida iéa! 
peig^nba p&i$,empiBÍoráiif. FQisegvJdo poar Ft. Jlnlòaii» dáifi 
Chagas nas Gharas -Espk^ituaea^ tom*>l«: pagw $7: a.Nliõ' 
BÓ ise íovtpciorav» ca maus, mas» dcc^ .Mão lapvoíiíàmos 
jieiomr at tendendo ao uso... ^ :•> i.- 

. KEmphasc: melhar>que ct?qBftâG£»ou€i|i2»ba0Í.«O$^òft*- 
•08' antigos acabavam ^em is todeis; as. figurai da>rbetoiíH- 
ca^ que em latii»' tenninam tias meimaBlelnras^; e assina 
dúíasí no singular : tmtíp&rciste^ pwphMn» , klípatopoáí^i 
mnãUêli , j^rolafepiis ên. Hfjg^ <fsiít}í^iàér deitar palfivra» ^ 



71 

á&v(Sít<jiB t^tittitift- lar ho dn^tilftr étít e^ e ftó pltí^al emes^ 
seguindo àoá que melhor pronubdàfcn.' ' ' ' ' ' 

' JEmjAgcm , menos seguro da que tm'p\gtm , porque 
^cnooãà TOE latina tmpettgo. 

Empíreo [ceu dos bemàvètiturdaot] e dfte Empirió 
•U TrÀptrio. 

Emplumado e nSo emprumadoj pbsto"qtie ò dígaô 
pwHètímoFr. Liiíz de' Souza na sua Hist. patt."!!: pag. 
^^ihuiiúbe^eisempttànaãasiff &c* Venceu o uso, que 
«onstaritetneàte dh Bmplwátodo. ^ ' ' *" 

"* EmposMt [| tomar posse]^ e nao apossar^ dh friíto* na 
Mon. Lusit. tõm. 1. pá^. 16Ô: « í^mpassàr-ic íáo seti pa- 

^ '*Empt^1o en$ó eiiipktiirò diiiírftt ôs nossos bons on- 
tígos: boje parece pronunciaçSò vleiosá,' pò)c(inè ptéva- 
létentihplasio: Di2er-^ erhplastrd é crfo. ■ * 

Empftndtr e nio ernprektndàr ^'^pothoixiút a ^erólú- 
çSo de fazer alguma cousa. • . ^ » •- 

' Ehvpumc^ etA/6 emparrú,r\ tíHpuotSo ehio empurrão, 
• * Encalho e hSo encolhe achamos úoi mais correcto» 
auctôpés áe medicina. '^ . .$ ^ 

Encarfãlgar a árlttbaria^ e nSô cábcdgat-j disse sem- 
pre Jacinto Freire. Vide o Liv. S. n. 100.' «Chégkraní 
« 4Arwavatgar' áigwtbAi peças» &c. 

' ' Bnceiider tóie letó os bbnséxeaiJSIòá quê íem akceruíèrl 

Enóéndkda [fôgo} ttfio o acho em d^s^ícO, como se 
acha ú€6ê90. Shceftéftdo> è ^ para denotar tôr vértúelha 
oucérdefogo; . J <i 

' ' Encruece e encruar tem eitemplos nx» Ifvi^de me^' 
dicína:- '^ = .« - ^. • V ; , .V - 

•' ^'Efêfaãòs&y irtáfrf do que tittfú}lrhiM^ àéfcamos no* 
bèt^s t^ekíoar da Litag^á. « Gt<íiif{)<^'aa vida *ta<> eHfad(M^ 
âie: disse Lobo na Gòr ien^ Afdekí ^g^.cIfB: 



M ' • 



-7« 

, Btífof,wir mdbor do que vnfaiwv:^ negiui^dp io. .obaeih 
Tamos em Vieira , qye talvez í<h o ioveoipr 4ett^. pala» 
▼ra ;qq tom^ 3. pag^,^^' e j;^. 

Efuycdo e não anofado , pronunçifegSo pieira ^ . 4e 
que usaram. nSo poucos auctores. '-- - a 

JSnsenhorear se acha muitas Tezes na Moq.XmsU* 
Senhorear é o usado. . \ 

JSntendôrtle eintendcnie costumam muitos cpn&Kidír. 
JSntendenie é o que percebe bem alguma <:ou8a*..tf:Qq9r 
soas cntendentei 19 diz Fr. Luiz deSouza.no tom. ]:«,p9g<» 
3^1. InêendenU é o que tem a seu cargo cuidax de^^gu- 
ma cousa; v. g. , Intendente da fazenda real &q, p .,:. 

JSntrepresa^ melhor do que in^erpresa... Vielía tom* 
l.pag. 632: «Resolve 'El^Sei mandd*br tomar Centro 
da ddade por uíx^entrepresàn &c» .Duarte Ribeiro djQ 
Macedo 9 auctor Clássico , no seu 3PaQegirico á Ca^a d< 
Nemurs^ pag. 48^ traz inta^em^ mas creio que foi er- 
ro da impressão. ,. . .. : ss 

JEntretenimento e nSo entretimento ^ de que «sou o 
auctor dos Cercos, de Malaca , pag. 53: ^ Nestes entre- 
iimentoi de gosto seu » &c. Entret€m^^ncf^t0*^é de JiBAiinU^. 
Freire, Vieira, e Duarte Ilil>eii<>> eqi diversos logares 
das suas Obras. 

£nmeiado e nSo envioi€UU>^ coodo di^ a povo igno* 
rante^ fallando de cousa que.nfio é cortada ao dímto. 

JBnaapalhar f enxovalhar v uma e ou,tra pronuncia- 
9S0 tem bons exemplos.) especialmente a. segunda. Os 
que dizem enxovalhar tem a seu favor a D;. Era^cis^ 
dç Portugiv^) que no UviD, Prisi. e.Spltur, &c, , pag. 90 
disse : u Flor que os olhos nunca enxovcJharam f> &c. 

^p%ték> com o êjpugo e nSo breve , postoque nola- 
tini o tenha. Assíifo .pronunciou Jacinto Freire naFabu-: 
la de Polifefi^) dizendo, na est. 1,^: «I^iasciTç est^ «pi* 



Tl 

Èpiei iBiç i$aieee« ,too. Á pcunvooía^ ctím a ptaaltiiK^ã bre- 

ye Amriap ¥€Êr«o/errado. • • • . ;•( ., •• .ti. ••»«.) 

- 4S9!emiíâ0^ meUlQr d€\ que Aflmiitô«^i;fiMÍm cOO«> .qftor 

e liio úo portugV€!E erma- ....; . .: >> i -ii •: ,o:lr..i 
,, , JEmadicúir em ve» de 4(2^sarr<%^ ]|A»>.4 porfsugwi^ 

seguro. . ,• 

! :JESrrijxir meIl»Qff\d0.^u^ «»r^far,.|x>rqim.veái da voz 
ímacesa AcrU«^,. Qs quç facem piocisder eile vetbo de 
Ofrigo 9 coíbo foi fira^el I^^r^a, disem orríjrar: ícA, 
Taria peU^ ofrifc^» Ocíogo Qtpi?«í n &q. Uly9ft^ ^ cisiat^ 

;...M j&ror por cmQ^^ em poesia epiea .se: 4ottfe) cç^ q 
exeaiplo^e CemSesiOp iSMitM 10; e&ti 18€., . 

grego &rkmy que significa attrahir^^.Ú^ p^jfe» que vai 
o^ mesmo quepen^Qi O; vulgo, e çomjeUç. muUos que o 
aio são 9 pconunciaot ^r^pfi^ , 

. rE^amueY e não ocarttijQary porque 6 :^aiaacíagSa 

• M JSSi#lfpf*lj|iir e «iSo ^crupukar^ como trás Bluleau, 
eé a uMcQ auQtor onde o .temos achado. No caso que 
têorufukar tenha exemplo seguro, ouso está contra elle., 

• « Eàcurtdade e não etcundSO' Obscuridade tem raros 
eitenplo) $eguiK»; . . »:' 

'j&fofivbKÍt}, 0fojneudo e ^aintodò. De lodos estes 
modos. o. achan^OjB eserípto., mas só temos por genuína a 
terceira pronunciação , por ser de Vieira, tom. 3. pag«. 
91: a Aquelle concurso de pretendentes es/binuufos n &c. 
Se Madureira Fe^ó vira este exemplo , não preferira es- 
famiado. 

Mparecer disseram senipre os melhores Clássicos , e 
afio €^fr€C€rj 00910 liPJQ vulgarinei^.|e.9i^ dis. 



74 

que diziam espertar e nSo ríesp^r^cir. 'Vidtá n^ilom. 1. 
pàg. tM t « Setido'tâtitos^ ò^ éspèrtúAyrei dest« deknga- 
«c>'»^Àc. 'Pcyrêm t£íápef(to€Íé^ é já út Ftái^ikoo Rodrigues 
Lobo, aiictor recommendavel tias pro^^rièdad^s 'ãa^ Li0« 
gw|tj£iíta protiUtadftQSo é hoje a mais s^gtiida,' uàs nao 
8Ío poucos 03 que ainda seguem a Vieira. »'«.».. 

' ^Bsfk/ndchlte ev^ ve2 át respkíndeeerae^Xt^^^ António 
Ferreira 'naè suas PoesjaÀ, p8fg. IbVv aNftò de «ia;rmo^ 
it^à\tm'eapknâcnie$,9>fitttí em linguagem fUbeti^á qne^ 
retfta algtMift critieo» BàúAMt ^ta pfonuiídtíção; ' ' 

EspoiorioB e nâo eíesposorios acho em Britd no -tom< 
r. ^aTMofi.- LuMt; p|rg>^lM, e eni dticroá^ logares ^ mas 
já se nSo deve^lier^ poi^uel ttlk>'4[}uef cí íXM>.'^E^p0Stíèr&$ 
qtie-^razém À)gu9»a#^^s M^sus a!|t%á!( (71iiV>nic&s^ ain- 
<Íft'é'tt»iis>>àM|qdaâo/ ^ • •'■ • '>»^v. .-. - <»» *• • -• . ^ 
'' sEspvwiMOwe nfik> ése^r^toib dièseratíi alguns 'dO$ no^ 
SOS auctores, que melhor fallki^m. Jãeiató Freire nft Fa* 
b^Ui de^^RidUeúio^GálaCeà; fic^Onde odàpt^MOfiO^már Si- 
ciliano 99 &c. Gabriel Pereira na Ulyssea, cant* li tesíti- 
89 :'' « Díe 'licor • ehrfos evpmnòèO tí léVe #^Étc* Qtiálquer 
de&ted poelors podia pôr ^ácwíwosay 'poitf^qUé* r èlffefer^ar 
estlElvas^ cW uma letra. N^ pfbiô achamo» taittbcai et^ 
putrfós&: ué ub* espirito- ou cofpo ^ffniTTtoso* dia Fernan- 
des na Alma 'Instruída, tom. ^. pag; 404». i* Electittlf to 
com mel bettt eÈpútvaácr.^ &(?:' Lu^ dâ Meditsitta,' pag. 
194, Mirro que oscriíicds leiti aete^íWfdò pá^á M vòíié» #a^ 
cvdtativas . De esemríoia é ' ^úe ' ainda "i^ ' Tàé^oitítáó^^ 
exemplo que faça aufetoHdádc. N«o 6b^aiíttí'isla> ^fe*^ 
ma ou esctcmoêo & oquehoj^ di«étnos, por^e *9ifln'0' 
quiz o uso, senhor despótico nestas matérias.' •^''^^-^~ 

Siq^ji^ríãa fe! irila ès§WífeffcícríeinÒs^ cWatáíiiiis li- 
vros de medicina, aos quatis', se^iÉítído^Çralhí^íftcò' RoAft* 



76 

l^esLobpdttáè nasais Corte HaAlufafa^ {Mg* 111: << Ten- 
do ihd a. «sçninaficio^. ]iik)U8ata cwtronoukiiai»' &c.:Cam. 
tudo prevaJeceQ l^ojè proaii&ciaT «i^iiincnda) oioofastinH 
te aer esquinan/Aa ptofiunctação tuais cfc^gfadft' á palavva 
grega iSynismchiy doode s&^deriva. ^^ 

Mtabi&ólidadc etkto eUcíAMãdi^dksmmmBlgsaiêij^^ 
vernattdCHse pela palatra esíabcheimehtiu porem. e$t<úÀlídtê^ 
de é o que se acha sempre em Vieira eonitOêBéméíktítíiBíí»' 
. JBttxMdo.mdbot do qtxé esêálo. dallMgí^ Templ. da 
Memor. Làv» 4..e8t» 98: u86a do aç(n»Mro«geaiimy^#J^' 
imlídúff &J0* Diser €«ira2a é. pionuifoiav como o^ tdlgo. 

EUamago e nSo estornado diziam os Clássicos y masr 
prevaleceu. dí«er-se.€itoMiogOy <e,já Brito- «ssim;i»eMf>eveu 
Hawji|iasMon. Luttt^ toai..l«^ pag« lâ9 ^ dizenda^ A^uem 
mU ndTtt .aãâ Irâ bodn ci^q9R«ig»« i&Cv ' 

\Eikm€o^&i^ útUnnqvA^ Esta segunda p^foaian^iai^fto*s6^ 
a aeluLBioi duas. vexes na Corta na Aldeia^ piig, íi& e 
14fri Vieira no tà>m« lQ.*pag;SâL.86ui(a deei^^tifue, pa-^ 
ra .expUear uái i^nrio bem cenrado^ sem^-eiU^^la ' p6m' 
agua, e. capaz de navegar: aComo.se<^TaMvda tianKW 
ia mi^b^m calafatadQ.ei«sMn9M«3»^>âac. -A primeira pro- 
Bunoia^io ^.a.domiaante. 

JBUtfor ev ^nãb. canfuodiB» com es^r. Servlra<-ixi«'do^' 
primeíno varbo na s^rficáçlo. de pòi esteia a. al^u«ia 
coi|»a paiDiAcar mais fiiàie; r» g.^ 6sl«^ uiMioaia^^p^r 
aponlo» ou espsrar i « bmi. que a (dito veièo se Vai ail* ' 
tk}iuudb« S^oieia a|iar ppr acabar deòhovér, « ii^ fa« ' 
aandoo ceatBecMO'^«amo.no tempo do- ^/ia. Is4o més-^ 
»o s«guaiii.<i|.boMi inteUigentas (fat Lingtta^ a quem isokà- ' 
soltamos. /.:■ . .•- ' 

E^tortor dizem os livros^ de aMditttaa , e sftd tieiòr-* 
ier^cmi^ vul||litm^iM!e se ptmuticia^ MlaUdè^ dilres- 
piraçãía de um moribuu^o* 



•3»: 

lE»iikàr\ e e^ilofêo. áielfaor úo que ideséUàr e dUfcttAu 
jáo;;>aa$jm O' âchamos: nos imos mnU correctofi de nxêdi* 
cioa^JeâJÈé o. Padre Vieira no. tom., 1. pa^t.SòB nos jíii- 
nistrài.um exeinplp: íkO chorâné a afilado dà dorvâcc; 
£m Vasconcellos , Notic. de Portug. pag. £31 at^hsodos 
a m^Haa. t^ronunciaçâo : u As horas que hão de^c$iílar'f$c 
no alambique» &o« £âUlar porco^rtumar i]íioqueBemidí<- 
%er os dgofistaâ^ 

., , . JEitc^U&Q e a2o estaUidão^ como dizem oft ignoran- 
tes. Ot^rvem-seos auctore»medícOB) que melhor faUanam.' 
. JEktorvar \^ naotcsiropor^ como ecradeimeQiediz à 

iEsiragQ.ei^idèitragú^Á maneira das plebe. .- i^ . 
. . :£Úripar. .e.^ éexúrpar . sâO; proounciaçôea^ que lós- ignoi^ 
rantes a cada passo coafnndem^ dizendo indifferentemeiH» 
tè uma vpor lOUtra. ,JS$íripar é tirar as itripa»iiártt« .Bar<^ 
rçs,; Qec^d. S.^.pág. 46: a iSs^iparadooteiuro uns^cStts.nr. 
&<;. jEâ^rp^r ^é arrancar até m\ rAizes» ^ VareMa,. Num. 
Vocal 9 pag. M7: «Se estes. nâo desagradam» por ^ir*- 
p<írcm os.vÍQi«i».&c. : . ^ . . i 

^miciíHçrito. m^or, do .que eseoimentoi Chagas ^ 
Obras Espiriluaes, tom. 3. pag; 46Ú.I ««Bovque.meoresv 
ceram os .csnakiiTien^os. ^t/Ouii^Qs. querem!, «qiie emMÚieimen* 
to.sli:ya. m^elhor parádeáotar cfesvat^úimento^.efpelo^ciki-, 
tcarfoesnainften^o parasígniitcar HdesouitQ; da manetifatiqiu^' 
€ipifc^do é omesmo que vvaidofiO) ecsiHiMÍQ o in;emo qu|s. 
desinaiado. .Nao faltarSo exemplos, que aoiB|iioveni.Qs^í 
disUncçâoú No Prologo da Moa. ;Lus\U;acàao»os:vaeNâer: 
soijkeurtãp ^tiaccidú/qnfi imagióe mo persegue a^i&^^ja 9^< 
&c. Chagas no tom. S. das Cartas, pag. 360.diz::a N«k 
brilb«^ç ^(^ieío Jiijilmeai^". &c. . : . « W^l 

. .^acçâo e.,ii9^ exiuitidâop como. muiijQ» diceM- e.etr. 
crevcm. 



\So6aspefado ç d^sesperoilFi' de ivdo acfa&fAi» ^xem* 
plbs^^mas senúo antíg^meoié mais «Mado pèobunciac^^te 
«M^nzcíb^ hcgeitem prevateoido dizeivse' cíesejperttcfo'. • 

EiepBã^êó'^ eãcpeduncka. O >pnmeiro!inodo>d^ifiro^ 
miiijdar.érdo uto presente: o segundo^ que não temos 
Áinda^por asliqúado^ é de Brito iib!totn.-lv.daM<Hiai«lif 
Lusii. vpag« S07: ^Tratou seôf òegodo» com genúh^m*- 
pedienctan&c, Seguíti-^o D.' Francisco Ma^uel^isas^Çpa» 
naphi pag. M^ drâendo; a Os príncipes se aoeombíodaia 
a menear suas ea:pedtencias: e negócios'» 6iCj '■ *■■ ^ 

.-''JEospefito'^ tsp&to 3iao se devem confundir , antes 
expressar muito a pronunciaçSío úo eoo e do c») porque 
€wpertO''^9l o^mesmo que^írperifnentadò: Mon/Lúsit» 
tom. 1. pag. Õ5 : u Alguns soldados^ experk» nòs passos 
dasf tmotttanhas «» &c; Corte na Aldeia , pag. Vò9: uEx^ 
perÈo nosda.-mercaDciai» &c. P€4o contrario eí^>erííd vari é 
mesmè que acordado do soõino, óú vivo e •engerdtòso: 
aT2o esperto e bem temperado^ dis Lobo na Oortena 
Aldeia 9 pag. ^8C« 

JSccptar eapiar tem notável differen^a^ e ââo sede^ 
ve confundir a pronunciaçfto do ex com a do es ; porque, 
cxpmr 6 reparar o desatino de um crime com acçdes sa-» 
tisfaótoiilis. Duarte Ribeiro de Macedo , aúotor de poli- 
díssima linguagem, na vida da imperatriz Theodora'^ áit 
na-pag.:79:.<«'Pa68ott sèísânnoseaiea^r' a idolatria do 
hnperiofl» &c.r Pelo contrurio il<iplar é observar clara eu 
occultamente oque «epas&a. ««JEIspiâr os desenhos doiní- 
X&ig^n &(^. dizem as nossas Ordenações miUtares. 

JSaBpuha e eajmlsado ambos tem exemplos seguros ^ 
porque se. acham em Vieira. De expubaão^ que é em 
qUe pôde haver mais duvida ^ nsou elle no tom. .é. 
paig* 491, dizendo: Eajmbados das missSes dç Mara-* 
nbSo &c. 



78 

: '• Fm^ : id«verft9iesf>riiiilr bemo cf> pai^ nSo se equiv«-> 
cac>cx>m/íito^ Toupa detesitr^ oualféias decasa. NjLoha 
paleVms que^ tMit<> òomoesli^ sq confundam aoadapoft^ 
«o ^a pnmunciaçio; porf^onSo éio<|iil«stftadveríoncia. 
' "Fadaar\Q'n lAb fcLdcài*o. W mui commum no «ulgo 
phinuitGiar erradamente em. atro a» palavras que«term&' 
namfetD an&y v. gi ^ tngairoy rúuára^ saMro^ reltcakrdj 
^tcápukúroy iajAdairo.y oáinpanovro ^ mhtncAitOy éoeraifo 
&c. Algumas desti^s palavras aseim as' prtttiuaciavam oi 
bons Auctores antigos : hoje é erro/ - ; 

uPiígYiQÍro mais seguro do que vs^iig^tieifO^ nSo òbstan* 
(e vir de a/ogo. Na Corte na Aldeia pagw 911' M^^e/ro* 
gtmro ;. pcivem >é erro da imprss^ y 'porque íãaf s* àdian* 

tevem/oguctro. » .»'*':'" t* . 

> i^cupponfc e/4Grctsto, oque^repcesentaiargas tbeá^ 
trdes. De/oroisto usouoTadre Lucena naiYida dofiatr-» 
ta iXflfvier, • pag . 5 14 . De fan^çmie Francisca * fiodrigaes 
Loboim^Gorte na Aldeia pag'.'fi7d. Uma, e OQtra pro^ 
nunciaçBo se admítte ; porem a primeira pareee usmách 
heresite com a de comediante ^ repretentanU &c. - 
« • JParroina e nao farrowba y como.dia aplébe^^decu*' 
ja cWse é e»la palavra. • 

Fúrtvm^áoctei] ev&o farte ^ tbmo dè:oTdifi«rio^^«é 
pHttuwcia. . • ^- .';-..' . " '.■ »'•'■' ■' 

Mmtei : devesse |ii!<oiiuBciar • be» e pitsi^to $ pata 
se nSo confundirem com fticea ^ como frequentemente sé 
equivoca* jFaaeos são as insígnias dos as<tígòè- itiaigistfaM 
dos romanos^ de queufida-BiáAoaaMon.^iilisit^ tdtií\ t; 
pag«Bà6i^ «r.Leimido mater- gncmlav emais/AsM», iif>qtie 
ar Je« permittiem:?? â&e« Faces u\y são aS"do ^osto tnimar 
nOy. ou a fachada de um edàds&Oy ou a pa^rte díaiiti>»ilti 
dê qoal^^r oo«8& reladvamiente á* que' Iheiestá ^ôppoitai 
e nâo fica á nossa vista &c. . .- ■•; 



99 

do com Joào de B^^s, ili^j8^;.IÍeíÇWÍ4 h (^ «M 44^ 

» • 

ostentação, o senhorio sem/oíto» &c. Jf^iiMia propnil^ 
/ ^a/kr, 6 qSp cífattaf?^ Ôízia oiimgxiQLiBarro9^ Dwadi 

pelo copfcraíío dtssemm fadiga e aSo /ti^igAi. . » • 

i^çèra por /euera tw ítoia aa.Foate d^jí Aganippe^ 
9m^ 1% PÍÉ&. 36* ^FuAm âi^«^ jdoade «m ftítíl ca- 
PÍfrTT D« QUfo. e»i;/(e6tyw &ublfe pwlka Aiii,ípgu TaJyes 
as^m proi^uQciairja poc fiÍQ«(^ ; In^-a uaar*darlib«ni#di» 
dfi*^ %Wá > devia Q>cFever /ovra y per jqu« di^eâl^ >«^ 
m, e nào febera. 

-FWfe^ e;/Mtcfi: d© ti*íp.iift..bom ax^plm^ ooittra o 
parecer <JoP, Madureira óa suaOrtfacgmia. Taailwm 
se pode dizer /eZicci?^eníc com a auQloridttiién de, Fr, Um 
dç 3ou9a:, e coiro» clásakos, cujos ; eleanplos^ nikQi tran&- 

controve^"^ , ^ 

p^ tom,.4i,.pag. S6j a Quando » fim.fvttlos JUMaqUeour 
^ «ilSIiilNií anta refDlhm ^m. aèus ií^pad^s bniçNSI^^ &c. 
M^n«gl,4^.Fii|sía íoí..naaís feUg borc»uteAianoy» qietiâ.mi 

QaHa do Guia d» Canados.^ pag. iJ& Nic cstáiem uáíp. • 



9d 

«itttotiioeSteiii)»lo»deOaln8ès^ CMt.3. est. 148; acPóem-' 
liiè' Ande 86 Hisa tôda ai/sHdSúrtfe» ft^ô* - 

Fe^úval é antiquado : diz-se fc%iwo. A tertnioaçSo 
íMí is^aiadà Be pode admiuir eniptí^ia> eomo admitiia 
a Acaiieinia doB^onymo». Veja-àe^eoUeogãodassuiili 
Qfbms ttletfieas. - 

JPWAii^ eãSo^Hkfjrõo^ <lízia Fr. Bêvuliido de BH- 

to, como facilmente verá quem lep-á stia Chixãlicade 

* 

Ciuer, e ossetís tomos da Monarquia LusUâna. O Ar- 
ceUbpo D. Aodn^o da Cunha lambem observou >i^ mes* 
ma pronunciarão 9 dizendo na Historia, dos Bispois4e,li^ 
b», pag;76<'«Fa«e-lo dajlBÀa^áo dejPvemonHiaiol^ ^çw 
Hoje é mais seguro dizer/Ziofão, posloque n3o Í€(IMM. por 
antiquada a outra- prOBunoiafSo. ': 

J^ftgrana a perteodem muitos-, que ^^ a pi^niMa^ 
ria^ génuiva , e nSo jlUh^^rfcifUi ou filhqgr^úna* A^ím 
o esoveveo Bluteau, Mjãdureiíra, d outvps âegqtodo/a 
Bè»|o* Pereira , que se encostou á pnm|i|i0Íaç8Qtja|H{i»r* 

lhana. i>''.)oo atsq 

" Aft»9mia posto que se ache em Brito i^a..s||ji(\jChro- 

nica de Cister, pag. 466, não se deve já usar,^ a ^fi,Xf^ 

' FUoMã :por delgadecsf, et nA^fimutOrJOOtmo 4i<<W ^^ 
ttfs presÉUfidordftciiltos. Nfíosabemosy ^a^ímpAucf^^ 
achárafii. • , , ., 

*FhmèngOíi e n2o fromengo , postoqua asiiim <MWI^ 
nfunctessein:por»nEmitot tampos os. nossos antígia^..'^ 

Ftofnidns éfiandes. Ba prisfieir» ^çoquffiailf^ %a 
muitt>s »èiii!plosy; eainda. a ãolumios -oip^^tfiFWrrA^ 
seus Discursos, pag.fi. Napole», JAi]Myi^,Fip9íÍlgf^^9»* 
Da 'segunda % que «rgue BlulMi»^ Ttety»tdwai<íW\exeBi* 
pítík en Dv* FrâaiJbooC'JUidQiQ]s(}iiA«|c«p^ 4e*gfllit9!|i|t^ 



81 

paáha ac» 'esledot 4e Rafidu: Bpuaph» p8g.^4Bft. Bi- 
tamos mais pela priiD«im i>Kmuaciaigêo. 

Flaioto por Flaêulinío^ que traz BluCeauí nS» tMi 
exempla que se siga» Em poesia pedeiv-s^ha suppoftar. 

Fkchaé hoje maie i seguro <lò que /redhoy sebe» 
que ainda eb presente tem seus defensores. i 

Flámà e nSo flmêma f parece pronuiiciwgio^do ral^ 
gõ; marquem consultar os dassfcos, terá, que^é a ge« 
nulna'9 assim* eomotambfl^m/lâmiSoy ^flámattoo. Aple<* 
be di2 frtema , e os presados de cultos jfS^inav 

"' Fiando tóm a^tegund» syllaba bret» «e appliea ao 
engelflio^, ao estilo»^'á idade '&c« J%ftdb- com a segunda 
lottgl^val tantb conto yfordítkío^ ou que' estáem flor:, ar<« 
^Êàié fibtída j Gàinpàhí flòrtdoi^^^^^ 

Fhíax> eflwBão [termoi medieos] temfdiffeffen^. IH* 
aeiíl-'Oé'dafticuIdade/IiM^9 ví^g. de «aogue; efluxão de 
éHfor^ é^ "pdSo àic. Fkifío y absoIutamenAe faltando ^ é 
áblMiáltÉiciá de humores ^perfluos, que a natmesadefr* 
âifriBJ;á':^e/ltiarão é transmissão de humor de*«taa parie 
paraooira. 

"^^'^^millg^frespiraçio] enSo folgo. E* detodeaotclas* 
áKòk^ .^'.«.' - . ... 

JFbrmoieor e n&oa/brmosear, quem» o»crilÍ€Os que 
se diga j è pertendem igualmente que se promincie for-^ 
miÚÊO éhtàfôrmot&j posto qtie assim se pmsmmafiie no 
século passado. Bluteau é de contrario parecer^ eéempré 
étàifletfHc9éàr'y''\áfotfno80y ségirfttdo osbons antigos. 

JPoHmAlôria e nlo/omMAirfo*^ disse Vieira no tom. 
y. t^g^iWv^^e ne^a. peg* «H., e ao 10. pag. 410. O 
tHhMêOíú' dfieitti Mquentemenfte pessoas ^ que não são po- 
to^^mas nflo sei ebm que fundamenta 

'-* F6iflU)n enloi/br^sM) como ignoranteme^e dls ò 
"rúlgo. Seguimos tt fMfonttnciaisãb do Ph«Bfa|teau^. porque 



m 

iiitida i}|o.4cAfQbr{oia9;)íoa«UM«k06 «Ãtft.fialavra, ^. quoult 
vez se deriva de/ori^V pontigiiificaff cheiro ^esi^giadajrei) 
que» mui (Qrfaeaouente ofifend^ oolâilb* . << * \ 

. / JWgOftioblck ^fragiofa : : do .primeiro ^mo^i Ú^fiocH 
wmutm X9tíu» ientmpío oo Agielogto Liifiièaii0 ibtai. 1. 
«Rodando pela fragt^idaáf da^rserraécn^ DQ.isiiguiid^ 
aeiiiiinos.0jp3níiipjk> QPPoHug» HekflMin Part» l...pág* S19. 
»Fuodadi>9 nÁ% tfragura^ d« sua» inQntaiiliaftn&c. iJ^sl* 
biaioiiiad^r teití im&ia iâAetotidade («otre oererilâiDOft «obre < a 
propriedad^tdlt Ifogijum. 

£t0Ífia a aSo/úJdb» é mait íiseqiiieiita aoftflà<i9Íoos. 
Jacinto £reiire«aa:{?ahula de PoUfimo^iQ»!. l.^J]H>'JUi^ 
libeo 'a%/n»4ía« eiDMd«ce> moal«.com /jroJisiQw ./ <lMia JUiar 
tece o panno?» &c. CaroSes aa.Od»>7^«^uíiido'a coriy 
gèia i^liAnai #i9o/a^ e foi»ag\iido pot iMfMioeL ds Ga- 
]togo». Po^m frMa. é quaii. de tpdos^ oi fOUlBOs textosi 
epipo KtUp t^tMém- Lu^it.y Juuo^na sft YJd^ ée ^aailo 
%tóm,Si»p .Pode*«0 s^guramem^e v^fidâuxia^. ou jowim 



1* • «•• j 



Franque%a por franquia ^ postoque se ache.fQttbftaa 
ÁMfíUH^^f iá wo é p«ftda« M M jto^ l^m a, /ronÇlUilpt por 
palavra moderna, sendo tâo antiga, que já delia HQâH 
I^epaao M^ftde^ Çioj^ijaiptag, .?7*, : . 

, . MhmU^j^,pSo/lmtçk4i^nx^m P9i>omp^ J^s^poi^tM^ 
ao« qua^# «egviu «eqiprei.Yi^a^ ^|N% tíbia ^qtta é ujo* 
i»u»t)^ia frwtw^i ^ tQm.í,6, pf^. :l8ft ., . . • ,. , 
Frpfia%m .«, «ap ifarmAv^ . Çf>0k9 ?ioio^ai»«tí» díw^ 

Fr.SJQQÂo 4e Santa C£^UiK^rÍM<« << R^^iiopdMliia^.iwdo dó 

do farnifi%inp,^ qae v^de^ 4c<i» Or^. A<:Adeio^fiag«/S37«. 

uFre0Ct«fa ^/r.esqyiçl4o ambQíí |gpU4adP9:«lti ttiii.auia?- 

mo sentido, i^r^ci^ra 4f» campo» .éidi9B.]]U>dn^-4tCu^ 

nha na.Hi/9t>'.d$>$ <BJ»pos.deBfagat Ra£l387. iV^^^kíâo 
do iio.|§ de BarrciAís xm Cofi0£^aft f»gi 97». . * 



£9 

'BitíUadó {]pnr ttU[«w>] iiJEo éUto pmp«io.fMiè;^f!Í^ 
«a, segundo Francisco Bodfig>ucft j(x>1^9 ^nedísi^ iK^se^ 
Pastor ^Peregrino a/rleGsa «D díflcArso f^- 

j^fOBO^e fhoo rôocdicaiiriíò tecido 4e fledft &c,l Dei^ 
tendem' tmiitesiji qoe lédeVB sftguir a segUodà pronsncúii- 
ç8d, poiqjié «vem >diplatii9i./Ii>o«My aq^iffim se ei^ieetamm 
os francezes dizendo /loc^ e os castelhanos pronuncíàèdff 
floco* N|k> éba^NKSMMS /^$t^ .<^í4p; i90ii]iutnf& xia con< 
^árifl. nSo achfiíRmoit ^om tín^mfio, ; 

Fr^nden^bte por frondoso s^ fim poesia nftadmiite ooipi 
o eãtemplod^ OamiStes^ nQ'Ce«it. 9. «^r 57* ií7èm;i3Qm 
^^ittidlisnk.eoEnajen^iAiréeidQsi^ /fibD« < .-! 

jRrulqf a frút&*: ^ht(, "«^Aa {MonUAfiiagSQ grande varitt- 
éstètiáe pamceres^ Fr.. Loiz^jâeftimfla u^3a li/t/fyiiary <fa|r 

laiid0>de poínafies^ ia-ijuíata^i Fnfiteêísot» RodlSgiin I^ili» 

• 

mLsiiel^ii3asca»4jl|^.aPefairâ^ que^poat^vA ii)uàAj%iMf 

<9i^ gtíppos«asefiteiliveii6Ídade, icoxiijqítoprcMiuocianmi m 

bons Auctores, querem os cultoa^ que m iMe:dapalayra 

/rcffe fibm' eKplipar ,aâ ptroduaçôe» aaniiaies; da ieriía que 

jimyefi^dp «eméadujra^ e.qilis aasím^rse diga^.o ;tampo 

deu fruto &c. Pelo contrario querem ^ <qiie se^hafise ff^ 

i& ^prbdueto £om«i&liv^l dasi^oi^. IfI68 .o queiifeemos 

é^ qMe.Qbsfirf».;Qs bons A^id^WBf^ 4f^^J^ éb qxliaet joonr 

teidireètapirQQwiiciâjção^ porque o acibredi/bo parcéarilcís 

ovilifins icm jsQS^^semplos i:lassfcQsÍQbsiatt]ia6.q9tfS|tj1idl)QÇ^^ 

8e hoisYe^iemofi Ae daf a. laots^a isenl;falga^ diríamos.^ que 

amdb.alIÉifesi^ Ipalasvas na realidade' jsynaoiÉiat^ teiAA- 

m^stí>ÉemfSBfrúio ás iiradiiogãfir dcioan^pnç i^.^. ^^^Vh 

}€jgvíiú€sÃJii\'à fruta , jfm tam;bieaft fivfo ão ^uepcad^tfam 

as^ATvooQ^ dapm da áolfaa, eda Aop.; ' . .> 

. ílnitar ejMAfieoi' ; vjMo da'mai^uuigfiÉi itínálr 

^Ettna 4tfeeep^80« Fratar-^setv^ no «ewl;ídò meUkfoi^GD | s» 

lendo a mesmo que remckr^ t» g« iseác» jfSruiótf o.begbdD 

6 « 



84 

a diligencia 'i> ;&c» Fruitjiear serre no sentido natural ; ▼. 
g. frutificou o eampo ^ a viaba &c: ^ 

Fuga%y e fugace, GamOes nty^áÀt; 9. est. %3 «fissè. 
ii Aqui a fugace lebre sé levanta &cT!NaPòema dá Ma-^ 
•laca Conquistada. Liv. IS. est. Sâ acbaníoè. -^Quasi da 
alma /ti4jra« desamparada I» &c. Está prottúuciaçSa é a se- 
guida. 

Fuligem e nioferrUgem , querem muitos , que sede- 
Ta cbamar áquelles parles voláteis , e terrestres dalenha^ 
que fazem negro o interior da cbaminé y e que ferrugem 
sirva só para explicar a corrupção do ferro , e de outros 
metaes , causada das partes bumidas ^ e acidas , que nel* 
les se contem. Vieira parece que patrocina a pronuncia- 
^So áé fuligem y dizendo no tom. õ. pa^?'&16« a Entre 
^stes grandes vasos /u/iginosos ^ e tisnados 5iy^*&t: A querer 
preferir /emitem 9 podia dizer /erY*t^ptnosos. Pbrem nSo 
obstante estas distincçSes o uso diz constantemente fcr* 
rugem y e aboliu /t^/igem. 

Fumar por fumegar tení exemplos^ que bastam pá- 
ra defender a quem usar desta pronunciaç2o , especial- 
mente se for em poesia. 

Fumarada por fumaça é de Vieira no' sentido figu- 
rado. «Na cabeça de Michol tantas fumaradcu , na d& 
David nenhum fumo>9 &c« tom. 9. pag* 7. Barros na 
]>ecad. 3. pag. 48 também usou dejffimoso por desvanecido. 

Fundura em logar de profundeza disseram três bons 
•Auctores. Brito^ Mon. Lusit* tom. 1. pag. 144. «Uma 
jotura na terra ^ a immensa/tmcíura da qual» &c. Cu^ 
nha, Hist. dos Bispos deLisb. pag. 67. a Pasma a vista, 
se olha bl fundura^ que se deixa cahir sobre as aguas »&c. 
Fr. Heytoi Pinto^ Dialog. pag. 44. « Mettidos n*um abis- 
mo, e fundura de pensamentos» &c. Apesar destas auc- 
toiidades nSo podemos usar hoje de tal pronuncíaçSo. 



• Fu/runculo [iumçrj o vul|90 dis firuncuh , e firurkhOà 

Gafas e gaga. Do príineífo modo disseSev^rim.iiat 

súaa Noticias de^^Poii^iigal^ ipftg. lld. « Por lesteitmbulhQ 

maada filnR^^t^^e.tbe demos fidalgos' sua» ^q;«is»&c« 

fio segiinglo ipp4o.4Í2 o tòm« &. da Moa. huAu pag. 69; 

«fi LeYai^^^;4|fi;RMi^^<^^^ 9 gqf^n &c» £sta< pfronu0çian 
çao é mais usada. 

.Qalanice Ijexeràícío do galaii J 4[ra no seeqlo passado 
sjrnQniipo de gakmtáa^ Usou-o Fr. António da^ Chacal 
nas Obras £spirituaes. Part. 1.. paç« 4^- Presentemen- 
te nSo lem uso , e.diz^-se gyifafitoio. 

Galante por galan achamos eiitre.O)atros livros noda 
Corte, na Aldeia > .Diãlog. 11. pag. S^^ « l^ufljço pinta- 
eilgo, quf|j&no galante da alfa;» jScc. mas tem pcevalecí«- 
do . diaer-se ^ofan. 
>..,. Galeria eaio.gabmãy cpmo erradamente dfs opp^o^ 

Galopear e nãoga/opar^ se acha nob que escreveram 
da Arte da CavaUaria ; potem como procede 9 pu do ita- 
liano gahppare , ou do írancez galoper , nâo se dev® ^^ 
Uanhar a pBoaunciaçik> de galopar. 

Gangrena ,e nãõ cangrena^ como muitos pronuçciam^ 
se Àdtt nos livros de medicina > escriptos põr AucWre^ iHP- 
telligentea.da liogua. .: . ... . . i .* •. . ...i 

GarabuOtas e nio garammhagy istoé, máltetra^ q]il9 
nib se /pode ler. Deriva-se da palavra italitoáigâr^t^Êo^ 
que quer dizeri coo/Ufão* Bore^i^contrá opaKcet de3Iu^. 
taau parece que será. hcyeie^traiilJiadaesCaprótiunciasSoy 
assim. como .em ven de.i(nííi6i»jMi^o^ diiejp^tigarabulhfn*^ 

io ^comq ái^se 0<Mk|iúu>.> na; sua .Viagem da Indie^ pag* 
19. a Trazem contas ao pescoço de certas frutas garc^n^ 

, Garava^Q e;g»'a9ato:querem. al^ns , que tenha dif* 
|ei»i^a.9,pponuaeiaiido.garajifato ao ganchQv| em que se 



16 

iMrioj Oi qfiie âiaiiá dhtòB^fieiiif aUegaip para i;j»¥mei- 
ía: prbntiiidagSòi €oM<FrafiíduiQpJi<^iili%aè8^lk^ émdi* 

P. FlWAdã«fr W Altna Iitfátraidà^ tdi»;i9> |>a|^j méf oái 
di4iií i ^ '^ U ifi «dèlh^^ que seeipt^a eia uoa gravaio qufci» 
mado. '» '••' ' " •^' .^ 

• ' Qf$fpli^mr h 9160' gm^garefÁt* j ó o que iovàokk nos 
biSM liV/Oé dèí-ntèdítitíély demánclKrà 'da grcjgo gdfforê»* 

dfeemos gargarejo , s6 òsmàto edéíitpulosoB poéeiiore^ 

*> - ' GmÍMi'/ e ^àinâ^'i A^ |>ríméini Ipfcoimíokçâo é Ah 
^b^ Witfi^^táêé^A mh Ai^te da Ck^*^ ftBè(ptt|d^vá^da 
Yieira no tom. @. pag. IIS, e em outros ^ft^resa-xEátajS 
« l^'%égilifiáoé-i' eteittt <ii opinião^ de.>al|iiB8i^ii^Vkiada 

er^aUfttirettié^mliMsiá: a plebes' < ^>. t.-:- 

Gaitar por engatmfitif^se^ é d«.Bfiíto<Ha -Histi:Bra«> 
•f IIHI V i^f ; 44di d Ottta^MÍor ^p«la fiuriaa^jMíbinMilk to &c. 
jBétè Aiiot^r (é mcd^ino; ma»^ nflio deáprandò doscfiiáco» 
na pronunciação correcta; com tudonib' cálá «idoptàdc^ 

Mte vêifW.- • • ' • ' • • •• i" .1 > -• .ohA V ,\ 

logrei da Mun'» Lddt;,i««<Hist» dé Bj DoitiiaBOB^ nai 
0%rafe de ^rancb^ ilodHf«li» Lobd, »noft SefmSas dq Yid> 

jlí t^ertetíd^fífai imirtfiCKi ^tf^'Kya:aQti9Éadà: poMuiH 

Gemini [[signo celeste^ pareceu aBluteau^e^aAvd^ 
lá^ nââUtíOhft>DdgVÀ}>feiá{m»ui»iQta^^^^ 
IfèT^ifiis^ fét què \:i»b TâMe{m>tt«S èWtf^NotiCifttftiAlfllr^kifíoasé 



bem que devia prevalecer ef^ta segunda «fNV^litiMiagSiy^ 

aeba^eé» boot AucMrvt^ Oevútier^ éútD^StMniiíéò Mk^ 
ftuel nas^p^tf&phottittij ^fH«cirt:^é>doOqmj>eiMik>BiM(ni^ 
pag. 4. \jqrúçaro é de João de Barros na Década 4i'^agl 
ftSâ^ \^^jàn^míí'à€ètkAm»1i}(iàt^^^ aKiit(»>le|ares* 
Sig;a^sQ^<pu*ei^far'|]tO0tM€Íikçl!o oilDade Qwrto«^ (.ijcMpi) 
•. }><?ei^â^aMt^«.9Kp)uft|^l^ â«f €f<liáfam»tfi»rFa<[0<MtaÀd^ 
vei%en£Hi"fo^ |iâiM«fi9 ^elscutada^ porifuei^sik^^k&iritMvõfik 
q«e dizem garafó/Aé^iMmit Loboy Oortemft4àldípafjmg4Í98« 
(cOs ga»t4i3ÍUMRfMu i, < que ^i^ éuriodidtfte vem ^ í^ sater • 9 
estilo $ « geiHâlètta» id^ córt^tti ktmbbft» ^ » Ice. í > ' ^" 
-I v> <€Mi^^i&iMd^ f togííMf puw e9t»r <»tám«4àJttéàte de 

C^ra [[linguagem dos vadios^ e não gma ^ '"USfgt^nil^ 
a.icmídií^ptôtiuttbfo^SoJ dor^vulgo. • A^fifm a dis^Blúteau, 
faMiiiclo^rõoeddr «ftcàit pfidavi^a ^e.^irw vcá ârabiefl^ft^^ *>^' 

> ^ ^ >'OoMAa «ba^íitm' muitm á.goJK/Ki9Íeia.qi!ieKiâlt&^]^rá^ 
soÀ-oêiiscddâdidff j^^niaa é ««ímypop qqe gófeífta é^<» âsMMtl» 
que ein' ItiUifi UopAdg^^;' - ^ •' ^ ^ 

' ' ' 6ol9Mo'«'Dll&f Jòiâo? «sâietrfoi' «mpoèsiá* j^Ia li^ 
berdadit da-dttcopr^]',- •= ^-•:'' • • '' ':^ ^'"•'' "' - 

• â^ JdlídfMrié» 9 iifio OiManiOy' [^undo^Dhitaiter]* tní» 
2»ecfn4' dáf'Céita-ii& Còmi||«Qtcíáft<<^èoigÍB«»^ ^Vifgl* 
lio^img;!^. tfA'^/47td9éii»9f0<]áiiâõ detamier muito »>^iii 
Gotear mélhatéjoqim^te^pi AêAm (puiá Fri>L4iíi 
áàdS^tíXVí-jemiâÊv^viàÉtp&tt»^ d« euá HWtoria* <^ Anágua 
etpaflyáde eaHè 'gotkámdo , e reptetietíta semear l&gtikaiíê 
o\i'derrÀo<araljdfre«^'3ParU>^'pi^ 66. ; i '^ * 

> GiE^ijSií/dmk^^^ôr} coií^tfettm ^'4^^ 09 cuilosv, «>«jti> 



IMiDciaçik) attsis ptofnia^ pocser.palavraqueycte ^ifran- 
ç^^a jfK« eíe ^. ,' . .) IP í 

Gratifiáo por gratificação ii$a se ptiODUOCíáy e aá4« 
fiodla. achar esta palavra tio livro y Ramalhete Ju^nil ^ 
Qlnti dé íaferibr nota^ asainti em poesia como emlingiia* 
gem :' .aQ.ue importa o gratifieio pura ao ropetir o bener 
ficio^fiag. 81. , t , 

. . Gro%a em logar degfo%a 6 ptoa<iaciag&pi dè todo ai»* 
tiquada^ potto^ue seacbe na Corte na Aldsía^ pag.SSé-: 
u As ¥098as ia2Ôes menos dâo logar a grosas*^ ^qaa a in- 
vejasi» Bliitéau nSo despresa esta promiti|ciaç&vfi;95iS€ 
Qppõe ár de gloèsa com dous t$ ^ di^eodò' %«e.nio é tík^ 
«eada» Nós acbamo-la em yieíra:oo.tam*^4» pa^* TSS^ 
onde diz : «A glos»a íaterlineal explkpu^o miyÍQ9(&iGii 

Gtirtfpa do cavallo aoho em uns aueU»^^ am ou^ 
tt(». garupa^ Estapconanciagiaé a que tam laaís segurai 
exemplos* 4.. :^ ' » 

íbrmomaco . por hamumioo trav Ant^nto: de Souoa 
de Macedo na Oedioatoria do seu. Uivo JOí^rinniQ foknt à 
Foritmaj pag. ^: «Nome sonoro ao>04svi4o^ Aartfk>ifti(KO 
ao espiritou &é. Esta pronuociaígSo tem mais uso em. poesia. 

Básica y hasta e haste: de tudo ha exemplQtf:porei|i 
a favor, de Aoaíea achamo-los m^àís <Jamiaos, fMAt9è Ma- 
dureira, que na sua Orthographia quer sóque sepconunrt 
cie Aos^ ou Aoí^tf. Os exemplos em que nos lUndamos 
sfipde Vieira noiom. S. pag» S76,.ede Manuel de Ga^ 
Ibegos noseuTempL dá Memor. Liv. S. est. IJ^Sl; «Quftr 
bnado ó ferro ^ a haUea, em {^rtes rota» &íÇ. ,^' 

Heresia e heregia acèo noâ melhores aMi^torest ~ii2o 
cd»9taate dizermos licregc. Vieira oa tom. 9; pag. 103 de* 
fende a primeira .proounçiação ^, dil^ndo : .^A híreAasé 
ipeecado contra a fé»? &c.. Quem tiyer ligSo .d^lei auctor 
acilmente achará outros e;^mi4os de Aerqgiia. 



da 9 arrepiada ^ ou áspera e íbcuI ta. ^Cfcmões no c^nU .4« 
ê8ij 71; «A bati» AifMAía, uitpnwf, ima» çaro|^cj<ia\» &c, 
JButta ^al o «WAiSbo q%e tçfiO 9 « P5o flexível. Leo^i»^ dí^ 
Costa, Gonunent. aVirgU. pag. 10: «Tal é ofrÍQ,,que 
o» veetidpa no .corpo s^lfazetn Ãir^^demodo que mais 
pafeoe «^«peA^mq^ebrar^que çpftari»:;^. . , 

MémUiafâQ bihumilbitsdo^ o .pricueiro^ modo^^pro- 
nuQciar é entre outros do Padre Lucena .«^^ida doJ>aa« 
k> Jíavier rC oeeg»iidp.é deVarellanoiseutiN^m* Xocal, 
fiag^.dlfi.. .Site fmsAOf é de iuMor aq^tprjil^de^entre^qs 
criticos da pura proillinçiagSo portuguç3$^« ,0, prígaeíiso é 
dermeUniifi.^dtifiíe.'^/.., > ;'-.'i ;*•• 

in BumUmio enSo Mitm&isftmp é que achQ.fm Cçimõ^i 
no caht.-élf cstv:M^ âT^rataem .Mb»i e,Ai4fitf/A«»o'aú- 
seria» &c. //umUdumnOiiclteéraia alguns ajitifo&.de ia^ 
áirior aota; Dê j^tnifti ri^Mo descobri U9i só exemplo ser 
guroem Vieira áo tom. 5. pag> 184; oaoimo A^&mifi»- 
Mino eiRodemissimo da virgem >» ^.. 

l&fmMnMfi^c por hwnflãcmentc ae pToouu^ava no sé- 
culos paasado. Bltiteau seguia o.mesâio uso.^: quafi repro^ 

Mpoómnflria, e ato .Âjpkonilria , ..como die o vulgp 
ignorante. 

Bkierico [termo medico] ^nio h^Uf^f segundo 
a eerodá pronundftgão.commum, . i . r' * : 

JkteruAa e não |<riç|a adiamosL^gjastaatemeate 1109 
nossos auctores médicos, que recebemos por textos na9 
palarfás da aua faculdade. Para assim pronunciarem 
lembracram^e dA: origem grega. - i 

'^lèhm elnS^i^ihfdkiOi como írequentW)^nte ^ ouv.e 
dizer aos que feUam semcorrecgSo» Yi^ira^ tom» 4. pag» 



çSès (}Uet<él» ttlgUb^ que s^ (iòtòaí dl«^ irfíififilfe) oi^orpa» ' 
ikvTtí t&ô trair BluHeau. ^'^ /• - ^ - ; ' • ^ í.b 

dinario : « Exereitâste' &lta «Uriitede yi d6><q^ietft 'O^^wwf 
sd Mrúqlíò Ifniblko^ ôic^ Lâ3»iihi|^ Vida <|e*8i> JbtLo de 

J" Jíni^ ^ 4iá<kipiôide Iniin^^ ^émn«iQ^f)0eèlditf«^^6did 

Imminencia e eminência facilmente canAindutÍDimiil^ 
tòs'^''tTÒéft%dò^ 'é e^efiíA^-^-óimà e; jSmilfiáiMK «& para 
^^lidjf^' iflt«#W^ -è <i»Mi7ii99eMskt })érigo i(iuote9t£a mt^ vi 

td? ^(oPt^U]gaKflèsi«l^radb aotmntòs xmiitò v^etes mânÁ 
n&kttpdrekmg6i^e^ÍÀkxaL^ ma^ seoâo^flowios^aiaipTti^t 
são^ são muito paraa^nrimr ein tal líYro éMràâcBeuidoèii 
'^-^ 'ImfMf0^pí>t^tmúMÍ>9& é permittí^o^eu-^utí^ Ca- 
m^^ âlé^< ' U^^s ' a Gòm^ gen€^ ^ii^Mnoto le déscdoteaile «i iuu 
Barreto, no seu Poema ao Evangelina , (k>tii c^ escefaiplo 
ãfi^CDàHiõ^è^ dj^ie':lairtb6h«^t> ^^^^d Htt^umlifiàptliíOv^moto 
esteve» &c. ' .v''j./: >jk,í 

'■'' íi' ilwpadfl^2te^^èaeBiDí' áoqUe*ttpa«afWfc3a>>p'oit|iià mui- 
tas vezes ousou Vieira ;ia€omo^U6r^B>que«oqeift^<»eo 
títttof Tápôitt i3bOh'f;tMíde^i^nplkagã& áòvmsoiyy^ci^ÍM^ 1. 

IrPif^f^er, púi tmpobricer tràktídicutemente Juaodixi| 
na pag. 108, fallando da «õdtô ptiu4igtftUilade-iie.fi> Joãiò 
de Detus s <â;'N«itiéil tiw éicefííioiobmprúi^ ^çoe^uan- 

do à òuwa é vkioytu virtude i^^^tv. »•.*'' i j ,>c,-j » 



•1 

: IrrafnàfiMii e úíSk> ifm/nméi i Bm po^éa «Aaitte^dé , se 
basla o çxemgio ^t Farte xm-Tontedé Agi|iii]^pé ^- tnáé 
we-BxàUL tfOúbem kmpuncnufài^.'^ < - -^ . ' 

Incessavd por incessante é prondnd&^jlo áijtlftl aítída 
BladeBoabrioiò» bom exenipldè^ vfimqúatitò ««0lk> kchã- 
BHw/odo Uvro^hfitil PuriftoatívoS pdg» fdBnlki ttoé »èrt«< 
: 2ficdèi]ioirltt»oi ^^héretti ^ o» \«iori«pttbsoi í qcM ilSk> ' M 
poMh disèir, 'lKifli^'Utá«ppói^^a«é/f poreiti «miifuiidsilndti^ 
to, porque o usou Lobo na Corte na Aldeia-, pftg.lT]^ 
e D Padre' Lli9«aa im Vidú do Santo Xttvfer^ >pag\ 83 , 
imitaiido apnbosia Fr^ Berakrdd de Brito^wv^tobi. 1. dá 
Monarch. Lusít. pag. 35 , ònda^dk : tt-OarregflifiãliMdisfid^ 
trabalhos^^fMxHnporiot^^h )»^ãtol ^ ' ' >'^ >• ' ' ' ^ '^ 

í j .fiMr^icik?^ 1^ i«0rtvel nflo tè]3(i«ften!y^lo¥8é^ur(Mi^A^â^^ 
Bio»:um<hotoai4H|4 ^!éoní>l^últ,'ptíg.íM^^Sx>iãMí 
de incrediv^s forças » &c. ' 1 •'• * "^ 

. ^ «Evdídcora fnr< í^MÍecòrotl» ^^ de >SBria\ità' fls^ci ^fodte de 
Ag«i^íf»^3 tom/é^ tsSIc%..'6i;c«^Offiáiiâ8si tJMbcoíf^ ft»bélM 
lás •fiJtt|faB# i6»S4 Oreioiqttâlios>tkadttáC0s: ifib<4fM!^^^ 
dores. ..'i*.;,-. ,-.1 > •• • •»*> 

/ > i6AÍesotof)ei^iVa<A&^'.^-l^^ Sscòla. das ^Vàfdades, 
pKi^ '149-^ onde- dos sou autstot»'.' «aS^ocessitoMe^ide umii 
cadeiairttftnsMMÍ» ' S(ão bàtta aslei exècniplo>? 5licÍBnfÍ9MMH 
pré Váslrai iHdkso&ieeJ^-Vejiik-ae otom^MÒi pag4''fiU« 

3htífOã' jkn^hor; dbcjjuei mdessu i De um' e ouMo modo 
té aoha^ no fim dc^ liitwdó. Padce Vieira^ «mftt •efta.via*^ 
TlédMfefeda àrt;tvib«lnbs»iiiácin £Mna(^)kal.òafcs^o!dai 
coitsèfs'nMdVefov ; ^Z -' .' vt ,'•.•.•'; •> . <• j.í «••> • ■;.. - 

' ImsbMstâò e im2ti«i«ienfq tamrsua diliereáça >n<» uso/ 
JMiM^SEo étéf^il da lògíoa e da rhetqrÍGa : mdukàme^rda 
6 a «U2i^4e iiidttcii^^ alj{ue«nn faBeratswaia-couiaBr' u^ 

' /nAMfo pot tnjdwístíó «6 tèaa - exetii})lò iMí(queIleft* avc^^ 



InepMêò .« Sneptòf 6 r^kyimapiidão e inapto. Viei- 
ra ^ tom. ^'...pag. 4&6 : aPormàís inapto x]ae sejai» .&e. 
Item, tom. 8. pag. 495: «Alma para ao£a^ão;maik'{>e«> 
ftad«í^ mfk\% ^inepta ^ &c. 

Jntíspawlo e ii^p&adoi de uma e outra rproftUDcíár 
igSo achamoa exemplos^ porem são deciírilvos m de Viei» 
ra, que sempre áifmf incêpcrado* << Ordenou. a Providen- 
cia divina ine^perodameri^ 9 &c. PaiaYra..de.D^siSffl,-« 
peob- paf .>7. 

In^emUmd e não kiserutavel, Vieim><tam* 3* pag. 
J:$d.: a O exa^e inârcru^âveí com que ali«e penetfam e 
se {^u.ram as c(^:i6cieDeiaa^. &c. , : .l : < 

Inexliauúo e nâo inea;Aailrif;«Jy oOmo.cfreqttentemèik- 
t^.le. ouve dizer* Vieira.,: lom^ l. yiq%m 39^ : ^ Tbesouro 
in6a:;^t£si0 9 &c. Le^a. 4/estenauctol: queifik iquízer mait 
exemplos. . . ' \ 

ifU&É/ú^ioeí e nio inèi2?íiru:to.4i€liaiik.Qs em Vieira^ 
no seu Xavier dormindo,. pag. 337: <6T.2i» .ifu»vtti^giit^2 
no soberaiio exemplara i&c. São muátOi os< exemplos de 
outros Clássicos. 

, : . JhfMlwdàdade é nãoitojfa&ãUkiad^ quer ^B^^ 
qua; se pronuncie; mas: o uao tem introduzido "Oiò isein 
raaâo, pois que se idi2 'wfallàtel^ ii^/Ave/metif^ &c» 

/ô^n^Oi^ohaxnamos commu m mentè> á» &llias dos reis ^ 
porem «lemos mfanici por mãisuportuguez^ por: tet sido 
pronuticiaçfto idos nossos melhores Clássicos j/e.nSoiefitar 
ainda aèolída .pelo uso. «« H,uma ÍMf.<mia «des^è. reino. Ur 
nha uma criada» &c. Corte na Aldeia pog* 87Ã. Qbnpr* 
vando nós direrscÀ manuscríptos originUea de>bail0t4ucto« 
lea,) achamos sempre o. mesmo.. Coiâ todo aikx..duvid^ 
mos que se encontrem outn^qUe digam o cQntr^iÍQ...Q 
que temos por inteiramente antiquado é fffmiià^ pomo 
dinai João de Barros , .4egjtidQ. ainda poOíBmt^vii^Feira. 



A0r^ por infefiMi irttp o poettia* da Dè^truiísSo <le 
Hespanha, Liv. 1. est. 98: «Assim como nOs viios rei* 
nos Oocytos, entre aschattimas in/lriâs trabalhosas'*? &g. 
Sm quanto se nSo achar outro exempplo'9 tiifm> em poe«> 
sia admittimosesta pronuaciaçSo , porque a auctorídade 
deste poeta é de leve peso. 

Jbrftro e êUj^ó por inferior e tupeariory ou por <Mo 
e bauro-ocbat-se na Corográphia de Barreiros, pag. SOO, 
fiiUando dos dons mares ijuedngem a Itália ; porem nto 
se admitte em proza. 

Infiáonado 6 mais seguro doqu» tnfedOyqne só em 
poesia seadmitte« Porem para explkar odefeito de' uma 
geraçSo é melhor dlcer sangue infecto^ do que v/ifiáionado* 

Influtnáa e nSo influição^ postoque se ache em Ca* 
m6es no Oant.'9. est. 86: «Por altainf/ififâQ dóimmo- 
bil fado &c; . i 

InfrequeruAa einfrequente são termos que ainda nSo 
achámos em «Igum Clássico português. 

Infiructuoso 6 pvonunciaçSo mais portugueza do qut 
infruetijfero; porem de uma e outra se acham exemplos, 
se bem que deinfrucHfero sâo mais frequentes em poesia. 

Tnhonxãto disseram alguns: ã^honato é o. seguro. 

Inhumanà e de»bum<mo : de qualquer 4os modos se 
pôde prominciar, assim como MiumamóUÂde e de^uraar 
niáade ; se bem que esta segunda pronúneiagiio é maiê 
conforme á ind<de da nossa Lingua, como Já em outro 
logar mostrámos. Com tudo Vieira no tom. 1. pag. &48 
disse : cc Viviam com esta inkumanídade » &c. Não é s4 
este o exemplo que nelle achamos. 

InvmhcBT^ie com alguém, e não tmmMar'-se ; se bem 
qne Bluteau pretende que se observe a segunda pronua* 
dação. 

Tnobedienáa tem tão bons exemplos como cí^o&eeíten- 



94 

•6.CADide9;nooii|i(i ^. eat* M» mas iBarroi aa. Deiad. S* 
pag. SS8, dizendo: ulnêtruQÍo n^éMlnvA^B J^ttSo^o 
4u^ JM^oraeí.porqMis <eaia ^tovra m? b«d^ ir aotsqtmndo. 

inn«f(^«fimcki .etai logiajr de jKordo^ ou wrdmuj dieem 
d^unt aiuçtoiíss} oBat o^mo «âp d» jafexm «Bofeaiiiii»: m 
devem seguir. ..j . : . ♦. r. 

/nkârifocío e nÍPi«nk;>^«id9 diaaei Leoadltdac (Sosta, 
jUuitraiKlo a Bucolica.de rVirgilio, {iag» IBS^o •Osveit' 
tiâos . ee . intemifam >9 f &fl. AÍAda tem js&etoplos . mais dii^r 
sicos. . . 

' ' JnUmpMô p(»: ittfenifKnziEijSd^ de clima oii <lfl.imia<i 
res ÔLc. não tem exemplos seguros em prosa :'>ii6siufe 0€ 

Intender e enfoiM^ar.é p«Q!m2dNUgíio!qliie.a.caáa.paB» 
•9 vemoft . confundida t iodo tllO:.oçAfinr(el>dtffer.6n^^ em se 
pironuncíar com in ouicom je»., 0o«o.i0atwipri os ^oa tem 
efitudo dA Língtti^ porsfcuguaBS.^ JBnttÊíépr efi^o^ber xm 
ter inteUigeacia; mas mtemief vai .o mesni^ qvut âteacex 
e augvientar, ou ikser mais iatansOà. VéeirA nortoln. 3. 
pag. S70: « Nao xoeefris que a ansenci^j €Din0.ix>6|tfMiia| 
IM h^ia de esfriar o amor 9 pooque aiites jo faad^ Ànásiiv 
der e acceoder mais»» fc<x. £ no tom. 8. pag.'^6 >âiz^iam> 
bem : avAsiim .como o raio do sol, se topa com umuvpir» 
po ippaoo, refleele >outiB ivez para o bqI , ^e se dobra «Mt*- 
Meneie mais 99 &c. .«..•,;. 

in£repidb^ e aào mírcjAaUsKt disse Vieira' «áo tom. 7. 
pag« I2O : a Tainto.a miiKéfidc&a 4Jo$ mortos ^ >cfimo a fi^ 
ria dos matadores 99 âcc. Porem «n^repi^es também não 
é destituída de ^caLemplús, potlíoque tjá mostráUMíB que 



8ft 

mes que os ca^ielhii*o«'iei«AlQ#iii em ^, . « .; ^r 

, ,.(; Í»/t«niiwfo .e tntoi«0a^. £|it|t s^gutt^a^iprpiiMliçiaçao , 
que hoje a muitos críticos parece viciosa , é da J^li^Uac^ 
Com^ÍAif4s^f *lÂy^ 4^ «it. S^; «Kibpvfieou fóra. na íyi- 
IrimMto a0«Ea4»Ao.T^iSk^<é'm4te^id9UrO'^: .^ .. 
^ . itmciwa : qq» viem pix>miMÍ«t bela oWy p^r^i ?.e nSo 
confundir com inoétíva ou inven^ioa^ qu^.fi^iu&ca ^I^- 
tpipwaiiiytfiitart; pa» que mi;«^^akv^ OrmesqK» q^e re- 
pielMiMlio eQmpa1aTrai;fÉ4)ei:aí&«ptfiaiitei,u]^çfAaprQpi}a«' 
çi«^< <iwai<^dia;JV(aQbi«ir6 9' Aftwa^C^ >: q^^ 

9j;0 ofcbárà esemplo alguj» ^m )>Qiiiigp<N» ; é.^;^'^^ não 
procurou no tom* 3. da Mon. Lusit. pag. 90, oi^de.^ 
acha: a.l>iios «MÍs 0opiio« de invfiQ^ktoL&f qvie 4Q\liisto- 

.Swcrptifml px<wmmm 9^^ algims;^;.$^liín4o, ft 
Vieira: inoerofiimí é Jbqie^ntss^uidPf \ 

. i» JmoUa for.ni^lmdo nobo <9in ^íwa 9 Cartas , toip» 
L pag* ;S^:. '«Por muitai parlf» «os cbfgp «^sti^ ^e$ma 
€têeixfi,]i9wUúiDa m^mojpHeipjp>>:&4: ^er^rse seguir, 
, r. ihtf<»dÍ0Íam.^k)s.ÍK)Os AlicJiOfes dp :se<H^0 16^^: bicy« 
prevalece irado. 

. . ZSrnlkttot^pprts^iiido ^ea/^ha em Fr. Heytpr finto, 
4izeMk> QoaéeUs.Diffkig^; ií< Paieci^ qUQ.era com i^nr 
lí^ eobejfi.99 to. JEstá isste plTQPiu9çip<^ 4Qli(^'raQ^te 
antiquada , sendo aliás de auctor grave. ^ 
i • ,Jmaré [[àniiiial di»* brasil] endo;^at;areo, cpmo ouço 
a^vmwos. A te]Mpinaglk> em^'<kmina m^il9^nl,<nQ)3ftel 
psTOprjp» QAs KngUA$ aBKericaaas. . « 

... ^JàkQ^ac^2 eífyadam^ifle pi^ibidftift muitos 9 .^^ 
vend«( díter gffeo^ pois :sedefiva âú verbo l»lím) gdi^* /«- 
ífa é 4M9a enfebarcaçáo da .kidíà. > • 

> Jlamlh e nao gcno^^, pcurqfte 'Vjem ídb i^a^M^ apesar 



9A 

de oiitra extrftvagatnto 'derívtt^fie' qué Utè èi A|ifá^< 
menlando a estt 49 do cant. 7. da Ludada. 

JafreM^ enfo' rajeiar'^ - coittO etfáda m wi l ia *^ pro* 
iluneia. ' "■ "- ' '•*••• j »•, ' '. 

Jmk e nioJeBm^ 6 o que se eacooFtm ^empmfwt' o 
Padre Vieira.^ VUio aponto logares ; po«qMF>tib íuAwím. 

Joelho enfto Joolho ovl giolho^ como ^ pronuMÍa»a 
eflii outro' tempo. .. • ^-i 

/Mfi^ir por^^lor afio se d» setiJk> laUaiido êm^fê^ 
relha de anhnaes^ como disse Brito no* tomw-'fl/iâtf Mbn; 
Lusii: pag*. fS: uJmgietfnàom oucpiaftro MnpfiUosi^&ê. 

/iin£ar tem a seu favor melliowsmDafli|dai.i da*i|iMi 
ajuntar. '■' • «' ^^ •«• - - ■* • v-'. .^\ 

JuriêêUçâo. ^ii^liRfio dii a {rfebe- igwoitttito*) : ^N»t 

;/us/tceiro e^flMlij^o querem algutts'CFÍtioo9^4Bgiifai«* 
do a Btatcau , qiie náilia difftreAçit>) cque^iOiristaRfe 
nSo deva éoQfuiidfi>'Uma proiítmciaçi^^oomoiilriurOltíF. 
ftc^fo é o' rigoroso na éxecuçflo 4m lei9: ^tmêkfmko rec- 
to na eicécu^Sò dajustí^. D; ftcklfl|gid(idft30^llfftt^rci([|. 
mou^júétfçoso a Bl-Rei D. ¥éirú^ 1'^^IblMgá^ d(Mg|« 
garthente chaitifláo o erú.lliM dos ttafKB^dtfcfiisboa, 
pag. 76. ' ' • ^.'y^^mu^ 

Labareda e não ktbaredáz Chagas v* Gaftéê'BipM« 
tuaes/tom. S. pag. 84 : i<Em quál4<ier<ádl6MMfe q«<r«« 
levante èm vossas eiitraiihasjy &c; S' de tédo»'- 0tf toèt 
esta proQunciaçSo. *- 

Xaò^tnfo e ^birinfa. O prfmdíro iiioéti de^iss^ver 
agradou mais a Chagas : Cart. Espi^it. pag. Mi \ ^'fíj^ 
sar dos laberintm em que me visa)» jce. ^«Aridoft á Éí b é tt 
com uns faftiriníoís deqtife mie nao «i safri» &c. iVídem. 
Quem pronuttdar fobirinto encostasse' nmfs ao iMãi.^' 

Lacra \cot\ e nflo iière , coma dísent os> ignora»» 
tes. Faria 9 Fonte de Aganip{Me> Liv. L cailt: 6.' A>- 



97 

net. 6ft:«Dasboott8 e dàs faces tacra pura aprendem ro« 

£€MrtifMM»fe por lacrtmoBO é pronunciaçik) que os crí- 
ticos nSo sofrem em prosa: em poesia ha exemplos* 

Lagea y bigc e lagem : qualquer destas pronuneiaçSes 
tem seus exemplos; porem os melhores sSo a favor da 

ultíttio* 

Lageamenio melhor do que lagedo. Jacinto Freire j 

lÀv. é. o.^ 106 : « Olageamenlto de pedras de cores "tam- 
bém húmidas» &c« 

« Lúgõa e nSo aiagõa. Dão-se hoje por antiquados os 
iepilot' <pe tnaem mhgôa. 

Lagrimosa é pronunciaçSo maissegura doque íocri- 
moêã 9 que só em põem é recebida seta reparo. 
t^< LamaUo melhor do que latHeníafãOj nome próprio 
foea 4» tdaies profecia» de Jeremias. Jacinto Fi^lfejFvpÀg. 
Hfíi «Os lamanioã e grites das mulheres» &c* 
. . • sLtímfoda e aiampada. Por mais que Bloteau fa^ 
!«' vateril ^primeira' pronunciaçSo , sSo muitos, e bons os 
- j|ne jBHHIíf^ fida snganda*;£ampecfa ealanipedaéqueéerro. 
, f.^ iàonfp fa^}^] e nSo lance ^ achamos nos mf^jvyes 
Clássicos. Vieira tom, 1. pag. 978: a Tenho notado um 
AnvW da fHÔvidéncia » &c. Jacinto Freire y.Liv.l. n.^ 
.)&;. «Referirei um lango da urbBnida4e» &c. ^Loho na 
. Ççr^ qpi AUtiii. pag, 185 : u E\ lanço in;uifa c^vix> que 
os que se contentaram onn saber poucq latim faliam 
^ apw ÍB»hili o a da i » ^ke. Oc lance usa diversas veies ò con« 
^4}e/da £Mi|eímnoJPort«gal Restaurado > e presentemen- 
te o^hraçoM. 9 uso esta. pronundação. 

JfOpdan [estilo^ e nSo lapkdario , como erradamen- 
te tci^ps achado em alguns livros, modernos,. 

Lfpu jc^vfi [pedra]} é agenuina pronunciaçao, que 

9 p<|vo.jilmais açetfa« disendo una la%erOm outros la%uru 
Fart. «> 7 



98 

. Largup^ é para miiitOQ ctmeamoque largara ; quaor 
do rigorosamente nos bons textos largueza vai q mesmo 
quç liberalidade ^ e largura é a segunda dimensão dos 
corpos pertenqepte á superãcie. 

JLaticUivo (^vestidura s^natoria^ enilQ hciophvQj como 
vulgarmente se proQuncía. 

Laudes [hora canónica do Officio Divino] e nao Lau* 
da9 apho em ^ons Auctores e nos manuscriptos do bispo 
Jerónimo Osório, cjue po .porluguez jqSq foi menos cpr- 
reclo que no latim. 

Lç^spereifhnc e nâo lau$plenc^ 4, maneira do povo. 
Âcha-se em alguns íausperennis. sem mudança alguma do 
latim i mas é, antiquado.. 

Lavadouro e lavandaria ambos tem aseu favoc bom 
Clássicos. BritQ notonf). 1. daMpn, Lusit.pag, 1^9 dis- 
se: «Mais geitp tem de lavadouroB de rQiipa^^ &ç. Fn 
Luiz de Sipusa na, sua Historia , part. S. pag^ 56..dis3e : 
^O lago .faz lqvandar\a para os hábitos e roupa f &c. 

Lenitivo [composição da medicina para .abrandar a a%< 
pereza da pelle] e não linimento^ quer Madureira que sedi^ 
ga^ trazendo-o para differença delenitivoi poreo) o que se 
9çha nos livros médicos élinimenio. Yeja^se o livro G^rrec- 
ççio de abu60Sy pag. @10: uOleçsy Ri%ime/ntQi^ epithemas» &c. 

Leníar por fazernse lento tem exemplos mais segu- 
ros do que hntejar ^ que é termo mais próprio para tri- 
go quando o revolvem e. humedecçiii. 

Lciradura e não litteraiura achamos em Vieira no 
tom. 8. pag. õ@9; porem litt^ratwa é o que prevalece. 

Levif carregando o i^ e não. Z>^i se deve pronun-» 
ciar um dos tribus de Israel. 

Lemdâo mais do qiie lecrtdadc acho nos bons Áueto* 
res para explicarem cousa leve, opposta á grave no sen- 
tido physico. Chagas y Obr. lilsp. tom. !• pa;. 1S6: uA 



90 

IcvidttO é uma qualidade^ que nos lera acima 99 &c. Achah 
jnos hiAdade na Alma Ins-truída, tom. S, pag. él6; po» 
rexn nâo é auctor .tao seguro nas propriedades da lingua. 

IdBÚra e nao Vmra ou Ivúria^ como boje dizem ^ 
achamos em Joaò de Barros na Decad. 4. pag. 174, on-*- 
de diz« «A terra, que assim é cercada, e cortada db 
rios, chamam os persas gkera,e os árabes te%traj Toca^ 
bulo, .que entre outros muitas nos ficou delles dotèmpo^ 
em que senhoreavam Heípanha» &c. 

Ltcmça ^allumga^ A promunciaçao do primeiro modo 
se acha nas Décadas de Barros , e nà Monarquia Lus&- 
na em diversos logaréà. A do segundo é a que prevalece, 
e já a usou Vieira ^ Duarte Ribeiro dê Macedo , e ou* 
tros de igual auctoridáde. 

lÀbrê: Fr./Betnardo. de Brito disse seiripre líbrca. 
Y^a-^e da Mon. Lusit.o tom. 1. pag. 393 ae a mesma 
litréa ye^stiam todos. òsiremeiros 99 &o. Outros o seguiram. 

Lxdimo por l^tÚTfío é inteirámíente antiquado , é já 
d era no tempo de Duarte Nunes de LeSô^ comoelie 
ínesâicí affirm'a. Pòr isso. nâo se deve sAguir o exemplo 
do tòm..6. dá JHon. Lusit. , que diz. <« Ao maior seu fi^ 
lho íidirnov &c. 

Luta e listra ^&o proilunciaçôes , que oa ignorantes 
equivocam muito, cbamiaQdo ítsira aopapelj èm que por 
sua ordem estão os cornes de pçssdai , ou de couias ; e 
e ÍMia ás riscas,- que tem os pánaos !,..«. sedas/ Nesta.se* 
gunda parte ainda é mais frequente o erro, .do que na 
primeira , enganando a muitos ò obaniar-^sè 6siáo'y e nâo 
RsfyrSò a Utna fita .larga 9 ^eocuelbanté ma figura ás tis^rds 
da seda. ' ..* : 

Liv^l knSió'.nlv£Í f^receu melhor aBHfC!(éaii, por trá« 
eer a sua drigem dá palavra latiba libcUa^ è-áfrântouob- 

giius exemplos dk Ssrrto no Metbodo Lusitana.! MSoobst- 

7 * 



loe 

tahte este Auctor ter sua auctoridade, temos anivel por 
prpnuDciaçSo maisportugueza derivada do f rancei niveau. 
Assim o achamos em Vieira em diversos logares , e por 
não apontar todos, recorremos só ao do tom. 7. pag.497 
onde diz. a O ponto, a que senweUa o tiro 9 &c. Seguiu-o 
Brito na Guerra Brasílica pag. 349. uNivellando pela 
Ireição a atrocidade do supplício 9> &c. 

Lobishomem enão luòishomcm ouíujAshomemy como 
traz um moderno nas suas Cartas impressas em Hollan* 
da« Sá de Miranda, Dialog. est. S6 diz. «Que ahi cem 
mil lobtskomens V &c. . 

Locoienente e não lugartenerUe ^ como hoje se diz, 
achamos em Vieira. <« Adão em quanto senhor do mim* 
^ do , com o governo de todos os animaes , era locotehenie 
do mesmo Peos^ &c. tom. 7. pag. 3ô3. item. a Era em 
Judea locoienente de César» &c. tom. 8. pag. 307. íur- 
gartenente já o achamos em Marinho nas suas Antigui- 
dades de Lisboa, part. 1. pag. 370, e no tom. 3. daMon. 
Lusit. pag. 81. Porém os exemplos de Vieira são mais 
respeitáveis , pois seguiu com leve alteração a Ordena- 
rão do Reino, que no Liv. 5. tit. 87. §. S diz. aZcgo- 
tenente, v 

Loja dizem uns, outros loge^ e outros logea^ porem 
Bluteau só tem por segura a primeira pronunciação. 

Loucura e não louqulcc , cuja palavra ainda não po- 
demos descobrir em bom Auctor ; nem no mesmo Bluteau 
a achamos. 

Xv^arinAo, lugarejo ^ e lugarete. O primeiro modo 
de pronunciar é de Barros naDecad. 3. pag. 184. âCiuei* 
mando as terradas , e o higarmho yy &c. O segundo mo- 
do é de Godinho na sua Viagem pag. 177. a Lugarejo de 
poucos visinhos» &c. O terceiro é de Marinho no Apo- 
logético Discurso 140* i< Estando Julío César em um hr 



lOÍ 

garete de Fratiça » Scc. Qualquer destas pronunciaçSes 6 
portugueza; mas a terceira tem a seu favor menos exem« 
pios, e de menor auctorídade. 

Lumiar [entrada da potta^ e nSo Rminar^ de que 
usou Serrão no Metbodo Lusitano, pag. 149. léumiar é 
de Barros na Decad. 3. pag. SI. Onde este Auctor nSò 
é claramente antiquado, nenhum outro lhe prefere. 

Lúmioso por luminoso açhamosv em Camões , cant, 
10. est. 4. uEm quanto isso passar cá na lumtosa Costa 
de Ásia, e America sombria» &c. NSoapprovamos hoje 
esta pronunciarão, posto que Faria no Com mento lhe 
chame Rnda vo% portugtí€%a. 

Luscofuseo e não lusquefusque ^ como dizem muitos^ 
achamos em D. Francisco Manuel, Cartas, pag. 450. «En- 
tre o luscofuseo j que não é máo para o auditórios? &c. 

Lustre e não lustro yua significação de luz, que re- 
flecte de matérias mui polidas, e lizás. Lustro é despa*^ 
ço de cinco annos segundo a antiga conta romana. 

Machiavel é pronunciarão mais portugueza do quê 
machanel , ou machavcUo , posto que esta ultima se che- 
gue mais á genuina italiana. 

Maciço e Hão mocífo. . Chagas , Cart. tom. C. pag. 
fl,"diz. «OoTomaeifo, seguindo a Barros, que na Decad; 
1. pag. 161 traz. «Conio o baluarte não era macero» &c. 
Barreiros na sua Corograf. pag. 107 segue o niesmo. 

Madurecer melhor do ijuê amadurecer. 3/adurâr 6 
só usado dos niedicos, e cirurgiões. 

Mameluco enSo mamalucOy como alguns escreveram. 
Barros, Decad; 3. pag. 199diz.ftCincoentaniâ97?efecos»&c. 

Manchêa e n&o mâõcheay como ignorantemente pro- 
nunciám muitos presados de fallar bem. 

ilfan^ar confundem muitos cx)m mancar. Pronuncia 

maf quem diz. a Ví&o posso manear as armas, o cavai- 

'^ -A •,' . . . . j 'i^fl '. ,,.^ 



1^9> 6lc. deve dizer mdne^. TaJ^bem diz xiifiH|uem.pr(H 
t^uncía. aNâo me posso manejaTii9 deve diz^ manear^ 
assim como, ganho pelo meu mancvo^ e nno tnancJQ. 

Marjadoura melhor do qn^ múngedoura. Âsiím o 
achamos em Áuctores çeguro», e em manuseijptós cof«* 
rectos, 

MarecçâQ e mar^^g^^ •- qualquer destas pronunèia* 
{Ses tem exemplos da primeira elas$e^ YieiraNWm.S* pag. 
76. a TSo politica écomo isto a arte do pescador na mo- 
r^gâan iiç* «Cuidando mais na penitencia de seus peca^ 
^os, que aa mareagem das velas?» &,c.. Barros > Decad. 
1. pag. 6õ. 

Maremoto {"tremor no mar3 mais seguro doquè ma- 
rimaio; Lucena Vida de Santo Xavier, pag.;S4l. «Pov 
ufQ quanto de hora durou o 7nar6mola«^ &e. 

Marmbagtm e niha^inharía : de qualcjuer dos modos 
te pode usar* A primeira pronunciação é de D. Fraocis- 
co Manuel nas suas JGpaqaforas , pag. 961, «Gonfundio- 
se de sorte a mãrvnhogem ^ 6íc. A segunda é juto menos 
que de Jacinto Freire , Liv< @. &.^ 181* «Temos a ven-* 
tágem dos vasos ^ e marinharia f» &€• 

Mariscai e não marechal^ diziam commuBoimente os 
xiossoa clássicos; boje é pronunciaçao aotiquadft, e ouso 
receitou mcfrecAo^ ou marichaiy talvez com o )-e8peíta.vel 
exemplo 4fle Duarte Ribeiro de Macedo, que aâsim o t«ús 
Bo seu Panegírico Genealógico &e. segurado a alguns 
antigos, que já usaram áemarichcd* Vejam-seos anti** 
gos genealógicos, faUando da familia dos Coutinhos. 

Mafôma eniío tnaaromhãy comoerr^danleDte' pxonua^ 
ciam muitos, coneoidattdo com a vulgo. • 

Magto e não montra, ackamos nasediçSes maôs caor- 
reotas. dos nossos melhores; Auctores, assim cooMiwtas/ea- 
çíq , e não v%et%irêaçSKy^*j cmniaiitar y e nao emma^trear. 



Hoje perleiukfn alguas^ que ée diga matito^ ma« para 
himn cQbereateB porque aâo pronunciam tambom ma^ 
iraréof 

Matadouro : nos bòna textos achasse mai€ulcif& ^ pa- 
ftt signíBcar o lògar, onde se matavam as rezèSi Qual^ 
quer destes modos iiao será estranháveis mas o primdiro 
tem a seu favor o uso. 

Mcdcmaly j^ostoqoe maift antigo ào que maierno^ alu- 
da tem algum uso: a mesmo dizemos de paternal^ are^ 
pdto de paterno ^ efraiemal em vez defralêrnd &c. NSo 
apontamos exemplos^ porque sao triviaes^ 

Mato e mala são pronunciações j que segaiido ai-» 
gms y andam seni vazão confundidias ^ como se fòi^em o 
mesmo. Com effeito quem observar os nosàoa escriptores 
mais puros ^ e esaclos na linguagem^ achará pela^maicfT 
parte 9 qn» chamavam meâò ^uelle logàr intuito y em 
que nasce multidão de filaaitas agrestes^ espessas, ^ hfi^ 
xas. Midjct pelo contrario erâ. piara elle» o bosque de ar- 
vores silvestres^ onde se criam feias 9 e caçst.giossai Mf^ 
em fim esta regra [segundo outros^ aao é tão qerta^ que 
nao padeça uma ou outra excepção y talvez» por eírro de 
copistas ^ ou de çorlrectores das impressõe» , . confundindo 
nas edições dtí. alguns livros, as duas sobreditas palavras. 
QuesúL observar mánuscriptós originaes de Auolores clás- 
sicos^ há de eabar pela distincçao y que apo^tamo^. 

Medianeiro y medSatory e mfckatoriOé De qualquer 
destas. pronunciaçôes ha exemplos em Vieirai ^o tome 
5. pag.349 chamaa NossaSenhòra meeíianeira entre Deusj 
e ò% peecadore». No tom. 9. pag. lOâcbamaaChrislo me- 
diatorio. No tom* €. pag. 73 chama ao ponúàce itnddkh 
tor publicoentreDeu»^ CíOs homens. Oeoiio parece qUte 
escolheo^Miiiancim}, onmtdiatorf que alguns pronunciani 
mediador ^^ 



104 

Melancolia e não mefencofta, ou mermcoriaj seguo^ 
do a pioQunciaçãò muito antíga; poUjá o era 9 quando 
Camões disse merencório por melancólico. 

Melena ^gadelha comprida de cabello] e naá melemay 
como vulgarmente se pronuncia, a Cobria os olhos oom 
tL melena de ouros» &c. Galhegos, Templ» da Memoc* 
cant. 13. 

Melhoria^ mais seguro doqueme^^as; postoque 
desta segunda pronunciaigão 'se descobrem alguns .exem- 
plos em Vieira ^ que ^os críticos escrupulosos, tem por er^ 
ro da ímpressilo, ou do amanuense. E* covto ^e, o^ q9$* 
tume deste Auctor era pronunciar melhoria* 

Menagem e nSjohoínenagemj disse D. Frandsoo Ma- 
nuel na sua Carta de Guia de Casados pag* 16&j e o Par 
dre Lucena na Vida de Santo Xavier, .pag. 474. £rae«r 
tão o usada: depois delles homenc^etn tevo mais.&eguir 
dores 9 e é a pronunciaçSo que dpmina* 

Mendadssmo superlativo de mentiroso 9 dj&se Mars« 
nho no seu Apologet. Discurs. pag. 3, mas não basta es^ 
te exemplo. 

MenduAãoík ou mendíguidadcj melhor do. que titen- 
ékgue%^ pronunciaçSío, a que ainda úão podemos descobrir 
bom exemplo ; mas o uso parece que a admittiu* 

Memura e uSx>medida^ disse João de Barros na Decadi 
3. pag. 4S f aliando de geogràphia. Mensiurar é do mesmo' 
Auctor 9 e deveinos segui-lo , assim porque nos d4 mui- 
tos exemplos destas prònunciações , como porque efttas 
nãky estão ao presente antiquadas* 

Men$ura por medida vimos estranhar a um •«litico 
moderno condei¥inando-.a por palavra puramente latina* 
Assim é, mas usou-a nao meno&que João. de BarsK^ na 
Decad. 3. pag. 4^. Dondç se vê que é portugwsissimA^ 
se bem que boje sem fundamento pouco usada» 



JÈhntiBtãtitò por mentecapto 6 erràdusiiba pronuDciaçSo 
èa Tulgo, pois uma é o. contrario da outra. Meniecaúto^ 
segundo a sua derivação , deve significar homem acauic 
kàhy prudente ejudicioso. JUbn/ecoploé que é homem pri- 
vado de juízo. Porem de mehtecauto na sigBlficaçSo so- 
•bredita ainda nSo acfaánK>s exeinplo. 

Mercadefar e não mercatàcear achamos na Carta de 
Guia de Casados, pag. 173. a Mércadejatxí a mulher , e 
ganhava sempre^»» &c. Porem a segunda pronUâciagSo 6 
a que eatá mais em uso, e já a achamos ,em Brito na 
Guerra Brasílica , pag.- 39õ , livro escripto com alguma 
propriedade de linguagem.. 

MeMincia» emercadortoÊ^ tèm ambas bons exemplos, 
se bem que são mais os- que trazem mercancias, O queé 
liberal pót natureza muitas vezeá faz mercáruAa da libe- 
ralldide 9 &c. Corte na Aldeia , pag. S79. a Dar com es- 
perança é mercancia ;9'Su:. BVachilog. de Princip. pag. 
144% Porem cri ticos ha, que tem mercancia por cousa di- 
versa de mercadoria. Do primeiro modo chamam áfasen- 
da que cada lim compra , e do segundo á fasendá que 
vem no navio , ou está na loja para se comprar : e assim 
Aezem^ « Das vossas mercadorias esta é a minha mercati" 

m 

eia 9 isto é, do que tendes para vender s6 isto compro. 
Mereimoráa é que se não pronuncia , postoque se lêa no. 
Vergel de Plantas, pag. t()3. 

Mercan^ dizem alguns em logar de mercador ^ eal- 
legam diversos exemplos de Vieira. Nòtom. 3. pag. 168. 
ctZacheo, que era um mercante rico^ &c. e no tom. 8. 
pag. 9BQ.' uo ThercantCj que tomou osaásentosi? &c. Po« 
reth nestes dous logares mercarUe nSo vai o mesmo que 
Túútcaidory mas sim n^oáante^ á maneira dos italianos, 
que chamam mercahte ao homem de negocio. Quanto a 
nós nesta accep^ão éque o tomou Vieira, e estamos eer- 



106 

tos que chamaria a Zacheo mercador e n&o mercafáe^ se 
unicamente o contemplasse por homem de loja aberta 
com trafico mercantil. 

Menta e fnere^AnjiefUo ambos «sadissímos. A muitos 
parece moderna a pronunciarão de merttó , quando é tão 
antiga , que Fr. Bernardo de Brito nas suas obras o es* 
creveu muito mais vezes do que merectmenéOé Foi segui- 
do por D. Francisco Manuel ^ Jacinto Freire ^ e outrosi 

MiUóiano e nflo mtlmar^ se diz decoUsa pertencen-^ 
te k milícia. E assim de pouco importa o exemplo do 
livro Chmmtntariú-da Guerra do AUnUejo^ que na pag* 
S03 traz miliciar como nome. 

Miniatura [modo dé pintar^ e nâo migniaiura ^ có- 
rneo escrevea Yarella na seu Numero Vocal, pag.' 360^ 

* 

sendo aliás Auctor de bastante propriedade;: mi locução* 
Já que queria apor tuguezar a palavra franceza minhard^ 
devia para bem escrever mvnJiatura* 

Minimo: é erro àizeú o mais ntinimo^ como disse 
certa ^crtptov , que ainda vive , e presume de fallar com 
propriedade a sua língua^ dizendo: a mai» númma par- 
tícula &c« 

Mkraouioso por mUa^ro^Oy se acha entre outros das^ 
sicos em Fr. Luiz de Sousa na Vida de D. Fr. BarthcH 
lomeiii dos Martyres^ pag. f4^ e em outros m^uito^kh 
. gares. 

'M^rto> por murta só se admitàe em poesia, u Ruas de 
verdes mirtos enredados v âtc. UljsseSy cant.> lé esè^ 764 

M^uro e nrnerofôel tem a seu favor exemplos da pfi^ 
meira auctoridade} porem^ sSo mais os dos boA&tpoetaa 
a £ávòr de mksero, 

M^vude e uâo fmticfa diziant. os clássicos^ quanda to»' 
mavam eète termo, como adverbio. Ainda ossegudo buh 
dernamaite o Padre, Con tado r de Argote, no seulivro jir^ 



t07 

* 

ie da Lkngwi Por/t^fU€«a &c« 4iaâado sempre miudt com 
o exemplo de Barros^ e outroa semelbantes. 

MoM e mooely por aqúelle que dá movimento a al- 
guma cousa. Uma 9 e outra pronuDciaçSo tem bons Aiie- 
tores, dizendo uns: Deus primeiro móbil i outros pri^ 
Bieiro motxL Porem sfk> melhores os exemplos dos que 
dizem móbil y e estes segue Blúteau^ pareeendo-lbe mais 
eolierente esta pronunciação ^ visto dizer-se tnobUidadc e 
immobUidade. Movei é hoje mais usado para exjf^icar as 
alfayas de uma casa do que para «xprimir* cousa > que 
se move. Por. isso os nossos antigos usavam, mais de.im-i 
mobU y do que vmmoecl y como concordará qçuem bem o» 
tiver observado. 

Modorra y madomay e m€»dorra. O primeiro modo 
de pionundar éde D. Francisco Manuel. nas Epaaaforas^ 
pag. õl3« O segundo é de Chaga» nas Cartas tom. 3. 
pag. 447. a No meio destas ondas durmo ^ não'sei ae.é 
modomade Jonas i? &c. Do terctifo ainda nêk> adiamos 
exemplo. De qualquer dos dous primeiros se pode usar^ 
se bem que muitos seguem boje mais a pronmcjaçao de 
Chagas. £^ certo que elle tem muito menos ardbaismos 
do que D» Frandsoo Manuel. 

Moeda com assento circumflexo noe^prooundavasa 
sempre os nossos bons clássicos. Ainda bo^e algun» vene* 
radores dá antiguidade instam na mesma poonunciaçâo^. 
e idefendem^se com a de macdekro^y que- coositantemente 
domina com o e drcumAexo. Porem é certo , que boje 
preralece o s agudo ^ e oeontcario fcem^se por viciosa pnK 
nuncia^o do Minho. Tanto pode o uso l 

Mogd e não mogor y s^vndo a errada psoouncia-; 
çSo do povo, a qual uSo sei como Madureira approva^ 
chamaadDrlhe mais usada. Este Auctor para a sua- Ortbo 
4(rafia consultou bem pouco os nossos 



108 

Moldar e nSo moldéarf como se acha em algum: 
M O of&cial que molda ouro 99 &c. Vieira, tom. 7 pag. 46. 

Molesto de uma enfermidade , em logar de molesta^ 
ioy é prónunciaçao da qual ainda niío achámos bom 
exemplo. 

Molk%a e mollidão : de tudo ha exemplos ; porem 
moUidâo parece que se vai antiquando, nao obstante se« 
rem melhores os seus patronos* MoUura nSo tém bon» 
exemplos. 

MoUicta entre os Auctores que sSo textos não era o 
mesmo que moUicie. Com esta pronunciuçao denotavam 
o peccado torpe, e com aquella o muito mimo e dema- 
siado melindre. Por isso Barros na Decad. 1.^ pag. 57 
disse: uConi a abastança emoUicías9> &c. Hoje não po- 
derá usar-se desta auctoridade , porque não quer o uso. 

Movna ou mumta , cadáver secco. A primeira pro- 
nunciaçâo tem melhores exemplos. 

Manicordíò melhor do que manicordiOy porque é 
Bfiais chegado á origem grega de monos eoordu Seguimos 
a Barreto na sua Orthográphia , pag. ^70. 

Monir fadlmente se confunde com munir entre os 
que não sabem pronunciar. Monir na pratica forense vai 
o mesmo que admoestar^ e vem do verbo monco. Pelo 
contrario munir é o mesmo que/a»'/i^r, e vem dcmu- 
nio; por isso dizemos municionado ^ munição &c. 

Mtínopolio em>onopolo. Severim nas Noticias de Por* 
tugal, pag. 300, disse Monopolo^ seguindo aos antigos. 
Achamos a mesma pronunciarão em alguns manuscríp- 
tos de bom século. Duartç Nunes de Leão na sua Or^ 
thograpbia. já traz monopólio , e é o que hoje prevalece. 
MonopodiOy como diz varias vezes o Padre Lucena ni^ 
vida do Santo Xavier, é erro, creio, que dos amanuen- 
ses ou dos impressores. 



109 

Mórangão e morango achamos no Padre Blúteau ^ 
fcem exemplos de uma oii outra prohúnciação. Morango 
parece que é hoje a usada. 

Mordtcaçâo e mordificaçâo se acha nos livros de me- 
dicina , mas não mordtjkar em tce de mordtear. 

Mosaico [pintura^ e não motsaico , como já adverte 
o Padre Bluteau. 

Moiarabe e não mosarabico achamos na Mon, Lu* 
•it. tom. 3. pag. !S43, e na Historia dos Bispos de Lis-^ 
boa, part. í. pag, 80. 

Moscada [noz] enão noscada^ como de ordinário dir 
zem até os que não são povo. 

. Mosqueteiro e mosquiteiro, O primeiro é soldado ar- 
mado com mosquete. Mosquiteiro é armação de leito pa- 
ra evitar o incommodo dos mosquitos. 

Mostra [de panno, seda &c;] acho sempre nos bont 
auctores , e não amostra. 

Moto e nãó mote , como hoje se diz , chamou sem- 
pre João de Barros e outros antíj^os áquellas breves sen- 
tenças que punham nas Empresas os cavalleiròs. Em D. 
Francisco Manuel já achamos mote na mesma accepção 
de sentença na divisa. 

Movedor por motor traz Barros na Decad. 1.* pag. 
140 : u Principal vwoeãor desta guerra r> (&c. Não tivé- 
ramos duvida a usar ainda hoje desta pronuhciação. 

Mugigartga, A pronunciação genuina é bugiganga y 
trazendo talvez a sua origem dos gestos ridiculos dos bu- 
gios. 

Murena [peixe] e não mureia , como hoje se diz , 
quer o Padre Bluteau que se pronuncie. Como não al- 
lega exemplo, não basta que em latim se diga murena. 

Mussulmâo e mussulmanó [nome turco] se acha nos 
nossos Attctores, víageíros dó orientie. 



110 

Namréo por na%arenò se acha no poema da Dé&trui* 
çSo de Hespanha Liv. S. est. 7: a£ que professa a lei 
do noharéory &c. Nâo se deve usar» 

Negridâo e negrura são pronunciações que estSo em 
uso; porem negrídâo tem mais ancianidade na Linguá. 

Negrume enao negregumej como erradamente se diz. 
Vieira, tom. 4, pag. 310: ccQue negrume 6 aquelle?9f 

Nephritiea [dor^ enâo neufrUica^ como vulgarmen- 
te se diz. 

Nonnada [cousa de nada^ dLíiam os bons antigos. 
Hoje pronunciamos nónada com accento agudo no o. 

Nude%a e nSo nudez disse Fr. António das Chagai 
nas Cartas Espíiituaes, tom. S. pag. 43: aPondo-se com 
rmdeM de espirito, despida de tudo o que é creatura e 
nao é Deus 79 &c. Fr. Luiz de Sousa na Vida de D. Fr. 
Bartholomeu dos Marlyres, pag. S58, usou de nitezaz 
. «Lastimado de sua miséria e nue%a}> &c. Hcje parece 
, que ni^des ou e2es7mde«é a pronunciarão dominante; mas 
eu TkS.o me opporia a quem também dissesse nuãe%a, 

Nutriítco por nutritivo di^em alguns, especialmente 
médicos, que também usam de nutHmentaL Vid. a Re- 
copil. de Cirurg. pag. 150, e Curvo nas suas Observa- 
ções: pa^. 868. NSq os devemos seguir. Os modernos di- 
zem, V. g. , suceo nuirtcio ou nutritivo* 

Obsequias pot exeqkiias achamos em Fr. Bernardo de 
Brito naMon. Lusit. tom. 1. pag. 30: tf O grande acom- 
panhamento com que celebram as (Aiequias v &c. O uso 
já não soffre esta pronunciaçSo. 

Oceano j com o á longo e nSo breve, como affecta- 
damente pronunciam algunt. Em poesia podeírá a penul'» 
tima fazer-se breve. 

Oda e nao ode diz Bluteau quasi sempre qúe falia 
nesta espécie de poesia. Não sabemos em que bon% exem** 



111 

pios 9ei fundou para tal pronuaçiaí^ão, a qual, sç a hoii- 
vç, çra pej-tameAte ]á muito antiquada no seu tempo. Se 
3e 6oy na auctoridade deFilippe Nunes, que na sua. Ar- 
te PoeMca escríBiYeu. od(H muito menor peso ibe devia fa- 
^r o exemplo de tantos ppe,tas, aos quaes imitando Se^ 
verim nos e^uis Discursos pag< 104 sempre disse ode. 

Okroso por cheiroso apenas se sofre em poesia* 

Olivck por l\vcl é. prpnunçiaçâo YÍciosa , que só na 
plebe se ouve. 

Qhnç ^, utmo, Este segundo modo de pronunciar era 
dos antigos Clássicos; o primeiro é.o q^e prevalece nos 
que ,mc^r escrevf^. SerrSo, Meth. Lusít. pag. 134: 
ât 3ariK>t^^ de carYa]i)io ^ olmo »> &c* . 

Omistiquio por. hçmMiquiçi trfu D. , Francisco Manuel 
na^Obfas n^et^icas, tqm. S. pag. Iõ8; c<I>rumeros, omis- 
/iguiof e sizur^T» &.C. Nlo^perc^m^^ gbom fundamen^ 
tQ para esta pronunciaç$p. > 

. Ondado y cousa que imita ondas , e nSo ondeado di^ 
3Í9fa aqueUes quç^^ melhor íallaram. Cabello tmdado e 
louro se acha em. C^mSes^ na oaoig. 14.. est. 3. 

Çpina$íel por opinatiw, achamos atéquí só em^Auc- 
t<^es d^ «pouca nota na propriedade* da língua. Cryscd. 
Puríficat. pag. 4ã%. u Inda qne não fora mais que pro* 
vavel , ou opmqvel sua filiação «» &c. 

Oppre$so e nHo opprimido .achamos divessas veaes no 
tom» !• da Mpu« Lusit. ^ Como desagravava oeoppres- 
josf^ ^c. pag.. SI. Hoje esta pronunciaçâo mais se ha de 
sofrer em poesia,, do que em prosa. 

Orladura por qrla já se nao diz ; e jbó se poderá usar 
como termo da^ armería, dizendo á maneira dos antigos 
a <>r/a(2ura do escudo &c. 

Chtarta []por caza.de pasto]} e nâlo o$íemriay diasem^ 
pre.Gaspai: J^arreii^ n^ sua Corograf. e é mais confor- 



me á prominciaçfto italiana de osteria. Offtms-fníiRosse^» 
gúiram a este Auctor, qué nSo é da mais inferior nota. 

Ou%ki por Qu%adia se acha em algum antigo poeta. 
D. Francisco Manuel na Çatifonha de Eutérpe )>àg. 94 
diz. «Sabeis quem me dá a ^u«ki contra ^esUf fera mal- 
Tadaf Não é certo a valentia)» &c. Ni9k> se deve usav^de 
tal pronunciaçSo. ' 

Oveito melhor do que o<xiriof, pronunda^So que en- 
trou a valer com a moderna introducção da pbyèitta e&pe« 
rimental ; porque antes parece»nos qué 96 èm algum li- 
VTo medico se achará ovário. * 'i..-.' r 

Poetar ^ pactuar j e pactear i Vòd$» ttíiás pUitttÊntiíl^ 
ç5es achamos em escriptores de boa nota ; porem paffkar 
é a de q\ie usou Vieira em diversos logare». ^ 

' Padttr énSòpa/aeíar erapronunciãiç8oqflla«fi4l'éqttM- 
te do século decimo sexto. Hoje está inteiramente âbtí* 
quada , e devemos dizer paladar ^ derivado de pálatum^ 
como já' fez Brito na Mon. Lusit. tom. 9. pagl 699<<tí- 
zendo.' '«Conjecturai sonhadas ao som do paiaêar ff^tíe. 
Nos livros de medicina achamos |>a&i/o. ^ > < , • 

Padrtnhar %e acha escripto em nSo poucos Aiuclores 
do seéulo passado ; mas apadrkfnhar é hoje pronuntiaçio 
mais segura. * • •• ■ ''^ 

Pairar e parar 9 tem grande diffe^ença^ quèr mtlflos 
eonhecem, ç nem por isso a praticam, senSo s2o nascidos 
na Corte. Postoque pairar signifique em rigor o mestno 
que parar y com tudo nSo se deve dizer náo pdrodé^ ttías 
ptnrada , quando nSo faz viagem ; nem relógio patrádo 
mas parado y quando não tem corda; 

Piúavrorio e nSo palanfroriOy como diz o vul^o. As- 
sim o escreveu por vezes D. Franokeo Manuel f^nei^ml- 
miente no seu Hoi^tàl doê Leffat. 

PaUor por palMei se adia ^m tt}gutti^pàktk',^e esse 



113 

^ inferior ^aolay como éã queescteveu oPôéma daDea- 
truigAoideiHespaoba dj^^^ado no Lív. bi « Paíior. f unes* 

• f JP^ráguada^ melhor do que apcmtguado.. . Oa. nossos 
eift»si«os mais antigo» di^tim paniguwh 9 e os seguiu, o 
Auotor 4o 'Repertório dAsmoiseas Ordenações 9. aSoobslan*- 
te achar-se nellas panigado 9 e aparágado. . . 

.tPôrac&rfo.sepdo na sua odgem omfiamo qu^eporocfi- 
to^inome aUrã>uido ,ao Espirito. Santo, não se deve di-' 
ser se flfio. jf^arojc jí^s9 como prova. em uma, Dissertação o 
abbade Thiers, theologio parisiense... JPará^Uo entre aós 
é;'aqii«2ile , que está suggisrjndo ao orador as. palavras , 
que- lhe-^$qMeçem« r 

Paraluia »> nao parlcúa. Assim o acbamos, nos nos- 
«oi'.A«ialai^&JE«edieQs,. enco&lando-se, á. origem do latim 

t Panmeaaiar. e bSo aparamentar y postoque esta, se* 
guQda proRUocia^So fossa sempve a de João *de Barros^ 
•cdma sifilipem os. que tem- liçãodas ^ua^ abras ;« prevaleceu 
pronuneiar-se j7aram€níar* 

.'.^ nffandcW' por j>iir<^(o .achamos em esc^iptores , que 
'tiao-^^deq)r€^dos. Pimentel na sua Arte de ^Navegar 
>pag. 330 diz. a Pássaros grandes com os cotos das azas 
par^Q^o»^ &c.. .Barbosa no seu Vocabulário usa da mes* 
ma pfoaunciação. N4s disséramos 9 que de uma e.doou* 
tra^fie detvía -usar^ mas com esta dístiacçao: que se cha- 
.ma9s^|)ârcíofia,ác6r que rigorosamente fosse parda, e/xz'r- 
dmta á que se assemelhasse ao pardo; assim comodize* 
mos amarelento &c. 

iF^tírenimr. .pçr aparentar traz o Crysol Puri&eat • pag« 
]l6Sl,,fNâQi.se de/ve^guÍF. 

Farpados por palpebrc^s ainda lhes naa achámos bons 

..A3[emp}o^.,JEm. poesia é so^ritteL . /^ 

Part. 2.» S 



114 

4 

ParríMUi. NJLO só éaquelle que matou a seui paú^ 
mas aos seus parentes mui chegados, ou ao prelado ec-* 
clesiaslico, que também é pai espiritual. Com tudo acha'»* 
tnos em portuguez fratricida por matador do irmão; rei* 
úda por matador do rei , edeuÀda pelod judeus , que ma* 
tamm aCfaristo» Exemplos destas palavras se acharão em 
muitos, especialmente em os nossos juristas 5 osqu«es pa«- 
ra irem colierentes diiem também /ro^tesdío, rúòidto e 
délcidu). Não impugnamos estas deducções ; mas só di2e* 
tnos, que bastava dixer homiáda para significar o matan- 
do? de qualquer homem , e parriáda o dos pais, írmio, 
rei, e Deus, porque %ú verifica nelles a rasao , ou depa* 
rentes estreitos, como v. g. os irmãos, ou de pai, como 
por exemplo oret^ eDeus, segundo acima dissemos. Mor- 
incida ainda o temos por promunciAção mait estranha ^ 
porque é mais escusado , visto denotar parrlcutào morte 
de pai». 

' FbrtíidQok e prawdadc facilmente se confunde na pro*- 
nundiação, tomiBnào praíndade por cousa pouca , epar'- 
vídade por cousa má : o contrario é que é acerlOé 

Pascer por pastar se acha em Vieira no tom. 1« pag. 
t68. a Os sabores de quanto nada no mar, ^páèct na ter* 
ra^&t\ Lucena, Vida de Santo Xavier, pag. fi69« uPa»- 
eerêamapar o lobo, e o cordeiro» &o. Em Oam^, e 
-Barros também se encontram exemplos. 

Paxquim [sátira^ e não pctquvn , como diz o vulgo* 
-Vem de pasqfAno , famosa estatua em Roma ^ va qucd é 
costume pregar sátiras. 

Pastorear y mais seguido do que pas^oror , <de que 
usou diversas vezes Vasconcellos na sua Arte Militar , 
pag. 18, 80 &.C. Seguiu a Barros^ que na Década. 1. pag. 
19 disse. «Seu cei*to cohier é' leite do gado^ que pasto- 
ram;? &c. Está antiquado^ segundo os^mai»;esc«i»puloeM« 



116 

Púia0¥itr 4« e»6Qlda^ -ou palatio t niio fMtamalj ed^- 
mo emdMkiiale! prommcíam muitos. 

P€íéenmi por paterno é pronuncíação que. ainda Qtr 
tá em I1J90} o qu^Q a&o siiccede a tnaiemalf que ee vai 
eptíqeamio. 

Pecureko a jAop^g^jrArOf dii Baito Pereifa no Thcr- 
«ouro da Língua Porttiguetai 

P^des^náflramstU segui?o do que p^mai^ que %6 en*- 
Ue oIp poetas eslá ainda hqfe bem recebido^ . 

PcgofQiO por pfgadÁgo traz o Psdie Lu^toa oa Vida 
decanto ^avkf > pag. 419» «fiquaoa jm^*9ío mcd éa^ 
te» &c. Hoje commummente vi%ar99 áepcgadiç^ffítM^e^ 
plicar doei»^ que faicílipen.te oe commuuica : ^ de peg-a- 
j'aso para denotar cou^a .húmida^ e i^omm « que^^m ii^ 
cilldader 6^'iwga a outra»* 

Pêndulo potp^ndcnU nSo.é.pwnufuáASi^ asgum^ 
po^toque Blttteau allegue oom oiivro deCaiioni»açak>.da 
Rainha ^uIa babol 5 que dU am pag» 340. <f Não cabiu 
o concurso nas janellas , e na» pijaqaa. «etaYam p^nduiiu 
dos ielbado» as peasoa^^ir &e* iPe»oíí4&í cnlieiíi^ outros é 
palavra /EaíQUltativa da (pbifioa« . 

Penitenciário ; temos por mais portuguez p0nitewsi^ 
ro.y mas de qualquer dos mOdo« se pode prostuaciar. 

PmUm do cabeilo : 9emprB amm ptonusici&ram «# 
bo^fâotígQs; lipjadô^^ao pimteí^ JSsíCq otcfittieo» aíadk pe- 
la pronunciaçao antiga. 

Pmfia mw segMidpaogpfeseiite do <)ue pcavYxmen- 
íoy nâk) ob^taiHe dar Bluteau a ealeildier qMe «eute o 
oQoimriov 

' Perda e não perca , como erradameAle d{« a pkbe. 

. . P^WfWi ppr parerme,^ Q^ mo promlncta^ não obs- 

Mtntfi o e^iptilQ de Cai»6es AaQde 1.^ «(Obquaato Aie- 

IkaniD^iiiif qMdtfPmiiMm um êi^t»m> ptrcnnal» tcc. Fu 

8 ^ 



116 

Luiz deSouia na Yida deD.» Fr. BartbolomM dos Mar- 
tyres pag.S31 diz também, a Fazem perónncUmenêc' os tè* 
^íritos Bíige^os t> &c. 

Pcnferka [termo geométrico^ <»m a penultima lon- 
ga ^ e não breve, como erradamente fez Nuno Barreio 
^no 86u:Boéma ao Evangelista , cant. 6* est. 18. a A po- 
riferia, de que é centro a terras &c. 
-:. > Peripécia [termo poético] com a penúltima longa 
pronuncia Bluteau. Nósoomo nSopòdéikios ainda desço* 
l>rir esta palavra em bom poeta portugu^ [porque só os 
-rersoB tiram bem taes duvidas] estamos pelaauctoridade 
do douto vocabulista. 

Perhnga [voz familiar]. Os antigos diziam perlon* 
-gas* Assim o achamos diversas vesíès etii Si' de M iran^ 
da. Na Eclog. 3. diz. a Tu cangaste de faltar, nSo qtie- 
jro gastar perhngatyf &€. E nos Diálogos traz igualmen- 
te. «Mas em quanto te reispondo, e eétamos nestas per* 
hngat» &c. "Dizer piírlenda y como alguns dizem, émais 
erro, do que voz antiquiada. 

Perpetana úe peixe , e nSo barbatana disse Barros na 
Deead. 3. pag. 103 , mas é pronuBciaçãô inteiramente 
mitíquáda. 

Perp^unar , e perpeÈm%ado em vez de perpetuar « e 
perpetuado y s6 o achamos em Auclores taes como Ma- 
nuel Tavares no seu Ramalhete Juvenil, Lyra 1.^ pag. 
Õ9. , e 8S. r 

* ' Personal em logar de pessoal disseram muitós dos nos- 
sos clássicos. Ainda o uso o nSo desamparou. ^ - 

Persuadwel mais do que persuasivel acho nos'te3CtOB 
de auctoridade. 

Pestidwmireye peiodumt. A primeim pronuncíaçao 
achamos em Chagas dizendo ^ na* Cart. Espir. torii;'^. 
pag. l&l. ^Gom gravidade^ eiweta puaãunBíbr»^ &Cé O 



117 

segundo modo ide pronunciai iembs na Vida de D. Fr. 
Bartholomeií. dos Martyres, pag. Ifi6. «Nenhum géne- 
ro de peiaehifne sentia» &c. Muito^hofe nem uma nem 
outra pronundiaçSo admittem^ tendo a palavra por antk 
quada;. 

Pesiancar e nao peslawfffar , se acha em Vieira no 
tom. 3. pag. 185. a Se olham de fito em fito para o sol 
%em pcsiAnear» Sic^ 

Pestífero : meiàor é pronunciar peniileneial ^ oupetH* 
bmtCf porque a termínaçSo em ifero, e emigerOy de 
que usam os latinos é pouco própria da índole da nossa 
língua I se bem que fdgumas palavras tem por necessída* 
de. admittida ccaui tal pronundaçao. Mais próprio 4ella é 
dizer «mdavcl , que salmítfcro ; íructueso , que fàuchfero j 
mortal 9 qutí tafOr^i/^ro ^. cheiroso ^ ouiCragranle, que odo^ 
riferoi guerveiíro,.queÍ€/%ero&c» Efttas terminações úft^ 
tinadaa só tem. bom logar na lingaagem^ poética. 

Petitório: tem melhores exemplos dò que pe^ktorio^ 
que hoje cottimummonte dizem todos. 

Phatiosm e empbffteuúm tem bonfr exemplos ^ mas 
D. Francisco Manuel , «eguindo o uso dos nossos meibof- 
resjuristas^ preferiu jo&aiiosim, dizendo galantissimamen» 
te nas suas.Caita^, pag. 7ôO. «L4 sbu emp^ltosim lan- 
çado para esse Brasil?? &c. : : 

Philomela e fhihmcna) achainiâs ao^ poetas.. OamiSes 
diz sempre pAi/òmefa ^ e Sá de Menezes dulEis vezes- pAifti- 
mcna nsi s^ua Malaca conquistada. I^íir. 1. è$t. 81. eLiv. 
8. est. 11. Mas nao, sedeive s^uir, porque ri&o ha para 
que mudar a terminação latina ^ qufe Camões, e outros 
abraçaram. 

... JRimtimmQ ,t níici phidmmma^únm Brito na Mon. 
IiUsiUJom«,il, pag^ fi4&v GoL^S^'; mas n2o.:se deve nes- 
ta palavra seguir ;a4P®tei«lasaico^. poniue se o{^em. o ueo. 



IIB 

Pilatirà , teimo de ardiStectura ^ e n2o pila9tre dis« 
ftram aqoelles què itelbor {aliaram' de»t a arte. 

Pifa/a [paluivra. medica] comrasfio disBluteau, que 
iiZo ha palavra na nossa língua ^ que ee pronuncie com 
mais variedade y por que uns dizem ptlora outros pirola^ 
outros jHAíora, e outros jkMa. Nos nossos livros de me- 
âieina^ escriptoscom mais correcta propriedade, comosio 
[segundo Bluteau] as Observações de Curvo ^ a Correcção 
doB jábmsos &c. e outros^ achamos pUulày eesla pronun- 
eiaçâo temos por melhor , oomo mais conforme á latina 
pUula» 

Pmtact^o epmiaasí^. O primeiro modo de pronun^ 
ciar é de Vieira , dizendo no tom. 6. pag.MS. a Porque 
ine hei de contentar de dar a Deu» a alvorada, comoutn 
canário ou finiactlga, se o posso fazer como umserafhn?» 
JPlnteuálgo é de Manuel de Galhegos, Auctor respeita^ 
vel, dizendo no set; Templo da Memoria. Liv. 4. Sext. 
lê. a Q pmtaxtlgo que é do ar seréa» ÒCc. Seguimos a 
Vieira e reprovamos a pronunciaçfto daquelles , qde <di-» 
Man [oomo Madureira na sua Ortboj^rapbia] pini(%s%^Oy 
terminando as«trin , porquê oseasti^lhanos dizem sirj^ero. 

Pipilar ejAjáhr [yoz das aves quando pequeninas]. 
aSio sabemos o fundamento, parque algUns criiicos , se<- 
gundo Bluteau , pertendem que nas aves o piptiar sega 
Toz com queixa , e p^piiár voa cora ábx)rofo* O que te- 
nros observado é , que ellas em quanto pequeninas niib 
passam de dizer ji>i pi 9 e já mais lhes ouvimos o perlen» 
dido tf e l^ motivo porque muitos- tem para si, quenito 
p^tar nem pipifttr , mas pípktr é a onomatopea mais 
genuína. Oomo aArte da Caça naspag. 7., ^W diz pi* 
pUar , afio dirá mal qu^m seguir este bom exemplo, que 
tem mais peso que o da Insulana de Manuel Thomaz, 
onde achámos pipUer^ Liv. 6. est. 64. 



IH 

Ptaniàe t planura sSo protiiinciaçSef de que usou 
JoSo de Barros : « Em o cqme delia faz uma plan\e%e em. 
redondo 19 &c. Decad. 3. pag. S6. a Uma terra sobre ou tra, 
que Docimo faz uma plarmra » &c. Dooad. I.^ pag. 104. 

Plewt%% e nâío |)Zeori% , como achamos p» Castriolo 
Lusitano, pag. 401 : seu auctor é de tilo pouco credito 
em linguagem j como em estilo. 

Phvral ou phirar^ como achamos no exceliente li- 
Tfo, negras da Lingua Porévguemy em que jamais se 
usa da terminação em aL Para assim dizer j achou seu 
auctor bons exemplos em João de Barros e outros. Como 
as palavras latinas que acabam em ofii terminam emporr 
tttguez em o/, e niSb dizemos pluraridadey mas plurali- 
dade y nao é tão s^uida a termiaaçi&o em ar. 

Poenie [parte Occidental do mundo}* Barros na De* 
cad. 1.^ pag. 9é dÍ9ôe ponenie y e em outros muitos Jogar 
res da sua Historia se acha a mesma pronunciaçâo^ Foi 
seguida por outros Clássicos ^ fnas antiquou^se sem fun^ 
damento. 

Potíeia dizem uns com a penúltima breve v. outros 
^Ihcía^ Á maneira dos italianos, carregando no segundo 
i. Os bons modernos seguem a primeira proauqciação. 

Pohfp0 [[termo medico] com a segunda brene ^ por- 
que assim atem no grdgo e latim. Vulgarmente faz^* 
se longa ^' seguiado^se sem fundameato a proaunciação 
ímoceza. 

Portacollo [termo forense] e nao pariacolh , con&o 
erradamente pronuncia o vulgo. 

Prantada por plantada é pronundaçSô que já ^hojíí 
se oSo admitte, sendo aliás de Vieira do tom. S. pag. d; 

Prazenteiro [por alegre] e não prtiçnteirQ y como to» 
dos àit^m. Prc9ewteWo é qttcm laz preseates* 

Predto e nSo pre^íto^ como alguus dízem> aohamoi 



no 

em. diversos logares das Obras de Vieira. << Muitas Tezes 
sáe despachado o pretendente^ porque é precito v &.c. tom. 
1. pag. 349. i 

. Pregoeiro eapregoador ambosiem exeniplos em Y^í- 
ra. De apregoador [que é em que pôde haver duvida] 
usou elle no tom. 10. pag. 86^ onde diz : ti Aprtgoadot 
de suas grandezas &c. . 

Prematica e não pragmática diz Jacinto Freire no 
Liv. 1. n.^ 69: «Com a severidade que di^pozer a prer 
maticaff &c. Nao faliam mais exemplos. 

Prenhe mais seguro do que prenhada. Pr^^Ae%,enSo 
prenhtdão f poeto que seja de boas auctores antigos. 

Prenome e pronome: apenas vejo praticadas estas 
duas diversíssimas pronunciaçôes , antes a cada passo as 
• observamos confundidas. Prenome Á aqiidle titulo que 
precede ao nome, v. g. , dom^ que precede ao nome de 
jxiuitos fidalgos. Barros na Pecad. 4. pag. 238. diz : En- 
tre os de Maluco, ha um prenome de.honra^ qqe éeachil^ 
como entre nós doniy e dizem cachil Daroes, caçkil Vai- 
duai» &,c. Pronome [termo grammatical]] é uma dicção 
que se põe em logar do nome próprio eappellativo para 
evitar repetição » &c. 

Preposição e propoúçâo tem entre si uma flifferença 
que está pedindo não equivocar na pronunciação o pre 
eóm opro. Preposição é terúio. grammatícal de vozes que 
se prepõem a outras: e proposição é termo lógico^ ou cou- 
sa que se propõe. . 

Preposito é o prelado de qualquer casa religiosa. 
Propósito é deliberação de Jazer alguma cousa ^ e fissim 
não se confundam. [como a cada. passo sucf^ede} estas pro- 
nunciações , porque é erro substancial. 

Presépio tem exemplos mais seguros do .que presepe. 
Observe-se a Fr. Luiz de Sousa em infinitos logares da 



•ua Historia / e a Vieira , Olassico. ení qaè jamais acha* 
mos presepe, 

. Prestadk} è nâk> prestatway como erradameóle pro- 
nunciam muitos que nio querem ser cohtadoí no nume- 
ro do vulgo. 

Preienàor por preiend&tUc dizia Brito. Entre outros 
logares veja*se no tom. d. da Mon. Lusit. a pag. S30: 
tt Dizendo BOpretenisor que nâkoera justo;» &c> Ainda ho* 
je o seguem os que melhor faliam. 

Previdencta e pramdericia equívocaih muitos j como 
se fosse uma mesma cousa. Premdencta é aacçBo de pre- 
ver as cousas ; e prcmdenáa é o conhecimento que Devs 
tem ah ôDtertuo dos meios com os quaes a creatura se ha 
de dirigir ao seu fim oom vontade do mesmo Deus de dar 
a seu tempo estos meios para conseguir o seu fim &c- £m 
um logar de Vieira no tom i 8. pag. 107 veiíibs observa- 
das estas duas diversas pronunciaçSes , ditendo: o^Aqui 
se vè a prtnÀdénáxi e ^Lpremdencia do nosso divino defen- 
sor.^ Com esta differençá não se confundirá também- pro- 
ver com prever y nem premâo com promtâo. 

Previsto epreoenido pela maior parte nSo significam 
o mesmo, postx>que alguns Auctores o confundam. Pre^ 
visto é o prudente que se prepara para o que pôde súcce* 
der. Chagas, ^Cart. tom. !^. pag. 196: ««Que vos custa 
nSo serdes já muito destra e milito^ preaistan ôlc, Com- 
mummente ainda que prevenido signifique também pre- 
ver y toma-se por preparado para fazer determinadamen- 
te uma cousa. Vieira loto. 1. pag. 466: «Fez asuacoá*^ 
-fissão como a trazia prevemda y> &c. 

Prhmoxka e priwia%ia . nâo é o jnesmo. Pritmicia ^ 
prioridade ou vantagem em sèr primeiro. li^ta defini- 
ção é de Vieira no tom. 1. pag. 438, Primaria é a di- 
gnidade de primaz, ou exceUencia em alguma cousa. 



E' definição também do me&mo Claisko no tom. 1. 
pag. 169. 

Primogeniior em logar de prt^enitor se acha em 
Vieira do tom. 1. pag. 348 ^ onde diz: a David , Sala» 
xnâo e outros reis seus prtmogemtares v &c. Porem progê" 
mlor tem mais exemplos de igual auctoridade. 

Produ%idor e não productor é de Duarte Ribeiro de 
Macedo ^ escríptor de correetissima linguagem y no seu 
Paiiegyrico á Casa de Nemurs^ pag. 93 : a Virtudes fa^* 
cilmenie produ^Adaras de acções reaei n &.c. 

Profctar por prqfeitKor é de JoSo de Barros em di« 
versos logares das suas Décadas ^ e f oi seguido por bons 
Auctorea asftim no Terão como na prosa« Nao tiveramoi 
duvida a usar também desta proaunciaçao. 

Profundar e nao frcfumdear ^ que se adia na Vida 
do Irmão Basto da Companhia de Jesus pag. 383. 

Prc&aAdadt e não frolumidadt ^ assim como prolÀXQ 
e não pmjiuro , salvo se for na accepçio de impcrttnenUf 
porque em tal caso o uso fez passar o i para te. 

Propor e prepór é para muitos o mesmo ^ quando 
propor é representar com razões , e prcpòr o mesmo que 
preferir. Fallará cora acerto quem disser : propíwik para o 
offido a Paulo e a João ^ mas pfrcpv,% a Paulo* 

Prosecução achamos sempre em Fr. Luiz de So^sa^ 
querendo exprimir a acção de proseguir em alguma caw* 
sa« ProsegutmenitOy que se acha em vários livroS| 6 erro» 

I\*omimewto e proiÀsão [[f allando-se em cousas comes^ 
tiveís] amba» as pronunciações tem exemplos. Hcjje aes«- 
te sentido já alguns duvidam dizer promâo^ mas^ se- 
gundo outros 9 sem fundamento* 

Prurido ou pruido 6 o que achamos nos Clássicos^ 
e não prurUoy como dizem alguns modernos com pco- 
nunciação inteiramente latina* 



9 



PiUceriãCar e puheroêo diflem uas ; (Hitros poherUar 
e poherosQ, 0% que proDunciam do primeiro modo, co- 
mo é o ftuctor da Polyanthea Medica ^ buscam a pro- 
nundaçao latina depuMs: os que dúem do segundo mo- 
do seguem a derivação do castelhano poho. Um destes 
foi Sá de Meneses na Malaca Conquifitada^ Liv. 9. est. 
1S7 : aCmçadoy jíoboeroiOj horrendo e feioi» &c. 

Pvjthdnde por pure^Oj que sele nas antiguidades de 
Lisboa, pag. 91, nâo se dc^e usar. Puridade entre os 
melhores Clássicos era o intimo segredo de pessoa real. 
Donde víafaa cbamar-se escrivão da puridade ao primeiro 
ministro de quem os reis âavam os seus íntimos s^redos. 

íUuídrupõado ou quadruplic€Uhf e nao quatropeadoy 
como dizem muitos y enganando-se com algum funda* 
mento 9 visto ser palavra que significa cousa multiplica- 
da quatro vezes. 

Omiulrtipede e nâb quadrwpe y postoque se ache em 
Barros 9 Deoad. 1.^ pag. 154, porque a desappcovou o 
uso das idades que se seguiram. 

Quarteto [espécie de poesia^ e nao qmarteUy ainda 
que se adie muitas veies em Filíppe Nunes na sua Ar- 
te Poética y porque o nSo temos por auctor seguro* 

QMebranáadoT das leis, pazes &c. melhor do quegi^- 
hrad^ry como se tlízia em outro tempo. • 

ChbúxumAi postoque usassem desta palavra Franci»* 
CO Rodrigues Lobo e Jacinto Freire em diverate logàres 
daa suas Obras , o uso moderno a deu por antiquada y e 
prevalece dizer*ee quá^. 

QuereUar e qtKrell».[i«ma forense^}', e nio crdbr a 
^tlay como vulgarmente diaem;os ignorantes* 

Querenar e querena e n2o crenar e cntna y à manei** 
ia do vulgo. Barcos*^ Decad* 1.^ pag« 18 1 «deu qiterena 



19 i 

á cársúvella»^ &'Ci YMta, Piíílavr. deDetfsBtópeftli7pag» 
^ . f»Saíii do Tejo a armada 4jiSberúnada de oixto» Stc. " 

Qiviçá e x>ão «^ui^asou gruipsis, como diziam os an* 
tigos. Nâo sei o fundamento com que osmodernos atiti*^' 
^piiarám esta palavra^ usando delia tantas vezes o poli- 
díssimo Jacinto Freire^ Clas&ico moderao, de cujas pa-* 
lavras entendia eu que ningi^m- poderia duvidar, e que 
só na pronunciarão de alguma e que entraria d uVida, 
por ter prevalecido outro uso. 

Qmgtia [antipathía ou espécie de odio^ e nâo qm- 
gifto , como di2 o vulgo , do qual é propriamente «stà 
palavra. t 

JRabaJde diziam commummente c» antígps : fao}e pre* 
valece a pronamsiação de. arraiou. 

Rabeca, rtíbecâo, rcòequuta é pronundaçãio mal» se» 
gura do que rebeca , rebecâo e rebequtsta, por ser a que 
com outros seguiu Sluteau. Porení ao segundo modo de 
pronunciar nik> faltam lambem patronos ^ dando a^éâte 
instrumenlo musico a derivação de rd>ct^ que aa liogua 
oâltica vai o mesmo cpxe^rebeca. 

JiaciocintQ [segundo o P. JBento Pereira] é mais se- 
guro do que racU)ánaçâo. 

- Rcdo e nâo raro cfaamam muitos a um paono de fio 
delgado e de tecedura tifansparente. Creio que se pegara 
ao exemplo de Piauio^ que- na mesmp isentido disse — 
tuntca raia. -^Em Portugúez os bons exemplos que com 
frequência achámos- são de raro j v. g.^ bacba: i^araj ma- 
térias raras &c. Até ao bicho vulgarmente chamado ro* 
to chamam os Auetores Ciassicos raro^ iMas todavia com 
a aucloridade.deEr»' Luiz de Stiusa náoicen&uramosr aos 
quedieem rah. • « 

ItQmalhde en&0 ramilhetc^ como dieem a)^ns cvà-* 



136 

Xo§. Para 4«sentaiiiioà nesta pronunciaçao 9 comuliámoçi 
.aBluteau, porque nao achámos exemplo clássico; quan- 
do nâo dHvidaioos que se descubram, muitos^ 

Hcmger melhor do que rangir, Ulyss. cant. 3. esl-. 
69,; ujta/ngcr os dUros ossos que estalavam 9> £ce. Rmgir 
é erro crasso» 

JRavmKulo [flor]] e nSo rainuncuh ou reinuncuh. 
Yarel. Num. .Vocal pag. !B97 : a Como o pemancub d^ 
Sardenha v &c> 

Jtapa%ia e nSo rapaisAada^ como vulgarmente se ^ro- 
nunda, seaeisanos tersos jocosos de D.>l/raneisoa M41- 
nu^l, e nos Romances de António. da Fonseca Sisafes. 
De rapasbtada' ainda nâoachei olgom exiemplp, 

. Mc^pi/nar e. não raptrJiar, que traz Bluéeau, sem 
allegar outto exemplo senão odo livio S«ecet9(>$ Milita^ 
rea,'pag« 71, ciija auctoridade aSo é de peso. 

JZâressa em k)gttr deroríciaoíe trns aCíorle na Aldeia 
no Dialog.- 7, pag. lôQ : u A rareza, do ouro lhe dá* maior 
Talião Àc« Nao está hoje cm muito uso. 

Rangâo dizem os modernos, mas os bons antigos di- 
ziam concordemente rasgadura , e nao falta aindi^ quem 
Oi siga. 

Rskaoar e roíoodo, que 6e<acha em bastantes Aucto* 
i:es ,' segundo os frequentes. esceniplos da Ordenação do 
.Reino, está hoje antiquado^ e deMe*«se diaer ourtCÊoar e 
arrtsoado. 

jRattcar^ raitgar e ra^irear* De qualquer dos mo- 
dos se. poderá dizer , povque cada uma destas pronuncia- 
çôes tem exemplos da priaúeira auotondade.- Bastear é 
de Yieim. m% tom. 3. pag. 441 : a Quando querem roê- 
Uar de algum modo a realeza do banquete da gloria 9 
&e. Bmt€ja/t é de Brito na Mon. Lu^t. : uBavUjou. uns 
longes desta batalhai &c. Ra%trear é de Jadnto Freire, 



136 

pag. 165 : « Sem que o« nossos poáetsem nntreat no itt^ 
tento 99 &c. 

Rasto e roítr^. Barreiros na sua Corographia , pag« 
197 disse rasto : a mesma proaunciaçfto acho em Barros^ 
Decad. 3. pag. f58: «Determinou ir pelo rasto delles ^ 
e assim o íezn &c. O mesmo seguiu Brito no tom. 1. da 
MoD. Lusit* pag. 3M : « Descubrir^por todas a<s vias al- 
gum rasto de conjuração» &c. Pelo contrario D.Pran* 
cisco Manuel nas suas Cartas , pag. 71 disse : u Taes e 
tantas obrassem rastro algum de merecimento «» &c. Ser« 
r2o no seu Methodo Lusitano, queescrefeu [segundo 
muitos] com linguagem correcta , seguiu a mesma pro- 
nunciaçâo, a qual parece que também fevoréce Jacinto 
freire , visto dÍ2ef rastrear^ como acim» mostrámos. 

JRa% [pánno de armação], tiio seria taives repre- 
hensivel quem ainda, imitando aalguns^dosnosips Cias* 
sicos 9 pronunciasse járra% por ter sido fabricada na 
Cidade de Arras a primeira tapeçaria queappareorà ne»- 
te reino. Mas êm fim o uso sincopou esCa palavra, ede- 
ve-se fugir á «ffectaçSo de fazer valer proaunciaçfles an- 
tiquadas. 

Ita%oavel, rMOtuwel e racionáveis tudo achamos com 
exemplos , porem temos por mais seguros os que- patro- 
cinam rasoofOõl, Com tudo nao duvidamos que tamb^ft 
os ackem bons os que pronundarem pdíOs OQtros dotts 
modos. 

Bebeldèa e reòcUião, segundo alguns cfitieos, nilo 
SC devem pronunciar iadífferentemente. Querem quo fv^ 
bekHa se appiique oom maia propriedade ás paixfies que 
se refaeliam oontm a raslo.; e que rebettdo sirva pára o 
levantamento -de um ou muitos vassallos oontim osen«>)e- 
gttimo senhor* Bu nia sei que hiya exemplos para pro^ 
ya deita dtfferenga^ o que sei é que ella se acha ' 9í ca- 



197 

cia pasto alterada peloa boiía escriptores no sentido figu- 
rado. 

lUbmíar: outros proauncíám arráacntar, £s ta se- 
gunda proQunciação , nao sendo a que tem os melhores 
exemplos ^ é a que hcje domina entre muitos. 

Reçâo e nSo raçêo acho em. alguns Clássicos. Viei- 
ra no tom. 3. pag. ^33d : a Lançam«Ihe ao tubar&o um 
anEol de cadeia com a r^^ de quatro soldados» ^. Lo- 
bo^ Gorte na Aldeia | pag. 147 : a Levanta va-se de nou- 
te a furtar a tvfoo ai seus próprios cavaUoe^» &c. 

MGceadQ em logar deroâcoso hlio ae diz. Achamo-lo 
na Vida deS. João de Deus^ pag» 85: «Njio especa tí- 
mido ou receado 19 &c« 

Rccoclo em lo^r de fcco%%Ao traz Barros na Decad. 
3.^ pag. lé£:. a No cume das montanhas viam jaoer a 
neve , e alguma declinava a c6r celeste j de mui antiga 
e reoociaw &c. Porem ouso antiquou esta pronuncíaçâío. 

Recolmçáo em vez de rtoolhimento. é de Fr. Luie de 
Sousa em diversos logares da sua Historia de S. Dbmin- 
gos : a Rccoláção das potencias , dos sentidos , da alma y) 
&c. íieaolhxmcnio está maia em uso. 

ItecreaçSa é muito mais seguro do que recreio, entre 
aquelles que estudam em ter boa pronunciaçao j seguin- 
do os textos da Liiigua. 

Meeruta e nâo reciuta quer o Padre Bluteau que se 
diga) porque este termo militar, que nSo tem entre, nós 
muita antiguidade 9 foi tirado do francês recrue, O tra- 
ser o Portugal Restaurado Reciuta e rechkfxxr die o mes- 
mo Padre que sSo erros da ímpressfto. A mesma senten- 
ça dá a favor de D. Francisco Manuel, attribuindo a 
erro alheio odiser este nas Epanaphoras, pag. 181 : aSo* 
hre rednÂnif o antigo mandou levantar um novo terço i9&c. 

RecMMide em ves de rectidão é pronunciagao que iiâlo 



itremos por portugu^xa, em quanto a íA> .adiannos em 
aactor de mais aucioridade do que, a que tem o Padce 
Fernandea^ que'U9ou deliam no tom. S. daAljo^ Instruí- 
da , pag. 69. 

JRecurvar o corpo 9 por enoirtw^ traz diversas veses 
oAgioIogio Lusitano; ma& »io é pKonuQciaçjío seguida^ 
po&ioque sechegue á^origem latina msSifdoq^^emnfrvar* 

■Eúiem,%r em logar de rcmW não tejcn £a meu verj 
^e9cemfdo.classico> Em Vieiía 4Ík> muitos os.logares em 
que achei remir. ímitou-o Jacinto Freire na pag. 80: 
;« As prugais do Estreito ^ as quaes setyipre t^miriom em 
ambos lOs successos. 19 &c. Item^ Liv. 1«: a Y i^rao^ pffe* 
recer as vidas que lhes havia remida com ar npva ii^ui- 
géncia do tributo 99 &c. Até na Ordenação do Keio^ â^m- 
prô 96 ^eha remir. Vejar^e entre outros o Liv. 4.^,tit. 13. 
§• 7.\ u Pôde- o. devedor fxmir o penhor." ^c. . , . . • 
. , Hpi]M09 ^rendÀmaiUo tiidm suadUferençs^ porf/aejy|o 
oWlantedgnificarem ambos rcnd/Xf roíito^ tejm uso eprp- 
prífdade em bens quesãoda igrqa; erendiíiuinto i^oique 
fi|[p.jaaeram^tedi> principe ou4e seus va^saUos. yejiiripe 
a 3ritQ no tom* S. 4a Mon. Lusit^ pag. Et? fK^f^f^!. ., 

. Medomomho^ roãommnhoj redcmcmho e rt^mçinAo. 
Cte qualqu/çr destes modos se a£bai escrito. MedomoMko 
tem Bluteau por melhor que rodomámhoy mas tfSodá 
rasâd que convença. Redemoinho tem. a seu íavqr Jpao 
de.3acros na Decad. 3,^ pag* 1^: «Por toda.ft coroa 
<laquelle .monte havia uns red€moinhoBi> &q. .E pprque 
se não ha de seguir esta pronunciaçUo ^ ten^Jio um .exem* 
pio tão clássico, e que o uao ainda nfto,antiqifOi)?, Rc^ 
«ioinAa é> do vulgo. 

Rodopíq e uSo . çorropiç ^ xomo p^nyi^^a, o vpj^ 
joos.^jfs parUçuJar^s sppiç^ delfiD^ri v. g.,,an^ff pj^qm 



t < 



i j* 



.M 



IS» 

fièfU^ e rit^Ho sSo prommeiíiçSM erntdfts : rufie» 6 
n gémiina com as aaiBtoridades de Lobo na Corte na Al* 
deía, Diaiog. ò.y e de D. Fraiickeo Maauel em diiwt' 
80S legares das soat Obras. Vem da palavra italÚMia ru-> 
fiMb & n&Q do rafmroy como alguns sonharam ; e talvez 
què peloâ segtiir di»e8se ró/SoED o Padre Bento Pereira na 
«na Prosódia. No^ plUfrirl devesse àizet r^i^iim e «ko nv^ 
fiÓà^ posloqM^^e^aehe* nò Dialc^. 15 da Cofte na At 
déiá j pottque fej^arro "da impressão^ pondo-se Cfjem Io* 
gar de a: 

Refl^aíér étn y/^% der^iecAt ae aeba em Paria na 
Fonfe de Aganippe, centur. 5. sonet. SO: «Empreg»* 
vatá tf ^dtamnirã laminosa , que nelle rcfkxcàoa pressnro- 
s&'i9 &<5; Não se deve segtiir. ' - 

\Refrega ii Rcfegtí j que mnitoi confundem^ segon-^ 
do outros iiilo á o mè«mo. Refrega é briga e ^conllíeto. 
KaMatbcft' Conquistada , Liv. @. est. Itd: «E a se» 
liiâô nas bellicatf rtfrtga»^ o valor do seu braço eiernisá-* 
rtib èíc: Refega é pancada de vento brfeve e rija. Iúívl* 
látt. Liv. 'C; est. 91 1 aAk refegai do'£tÍiesfas aprèsâadat 
nasitiíjiAftc^ateír ondas átVevída^ )9 âtc. Porem na opiniio 
de Algúbscriifcos , não obstante a variedade da pronun- 
ciaçSo , Vefrègtí tal o mesmo que refega , e essa panea^ 
da de ^0rito breve e rija é no sentido figurado o mesmo 
qtfe hti^a e tónfílhiô. . 

^Registro e nâo rtgisto é o que se acha nds Aúttores 

de boa nota; Vieira, tom. l.pag. 308: «No livroesi- 

' tSo rèj^kiraãas as mercês n 6tc. Da mesma prt>nuticiaç2o 

iisa Lobo nífCortê títi Aldeia pag. 30%: «^Ninguém traz 

As' paixões tn9Lh registradas que o pretend<ériten &c.; é 

' tiá prigMOli^ Olalòg. ô. diz/ a Deixar passar esta met« 

líaâotiá líém tigWti^f^ dtc. Doihesmdmodo se deve pro^ 

nundar a chave da bica « fonte , tanque &c. Vfoira ^ no 
Pabt. «.« 9 



130 . 

< 

toni^^ lã pag« 86ã : «Slio.oe nosios blbos dtias lòntes, ca- 
da uma com dout canaès e com doui reg%$èfx>é éíc Te^ 
mos pQr^eriodaimpresaSoachar^se reiiitQ notdm^. .4..pag. 
308 1 Ofide.dis: «O rtíiúo do.açude» &c. . 

JRelampagwtar : outrbs dizem relamp^ar ^ e outios 
rclampeari poretíi nós só da primeira pronàncÍAçao acha~ 
»os em Bluteau exemplo , {k)stoque nSò cLmígo , qual 
é ò do liviOy Escola das Verdades ^ verdade 7.^ §• 7.; 
êc Etílasnpagueô a es tes: olhos côm mais daraa liiaes a ver^ 
dade99 &c. 
, ', Relevo e nao. relevedo^ como errad^nenAe.proaunciá 

o YHifO 

... Rcliní^r e rdincio^é^B cafallos djz por v^ea Ma» 
nuel Thomaz na sua Insulana : « Relincham os cavaUot 
aiiíi|k06o^9^.&€» Liv« 7« est. 39.. a.Que deegoas ser refin- 
emos pareciam^ 9&o# Liv. 3. est. 48. : Porem deveias pro-» 
•unoiar rinchar e rincho , como se açka «m Bcilo na 
Cbrottíea de Cister, pag. IM: «Temendo que se sentis^ 
te. o tropel dos cavaUos^ ou os rinchos que alg^uns po** 
diam dar V &Jc..Rcg9. na Arte da Cavallaffia, em que^^os 
críticos oreoooliecem por texto nas pal«9m& {aanltaiivaay 
úia. aempre cavallo rínchio , e não rtlinMQ , como' pro*» 
n«m:í^m os imitedores de Manuel Thomax. 

< Rfilogeiro e nSo rr:hfOem> parece pronunciaçSo mais 
conforme ao génio da nossa Língua » Seigue-o Bluteau ^ 
e aUi€^a um exemplo tíffado d<:^«^, Estatutos da Universí- 
dadet.dfí Coimbra^ pag. 18^ Pcesentemen^ rck^odro é o 
mais u«ado< . . , ... 

^ , • : RejHc4vr e remáro achamos em diverso» Clássicos s 
a pritoeiraproa^nciaçao tem a sea lavor a Bar^o»^ ,e a 
I>, Frwcisçp.M&ouèl aas Epaoaphorais, pag. 468 < u^Dl- 
lígentes rGmckd&rc^^ &e.; a segunda a Vieira, oo (om« &• 
a# l96^oiídQ dH^,;: íáh p9 remoinoê tdiQ.robiistt)8 n &c# i 



t • 



Ul 

JStmememenie melbcMr do que ifemtfnemte ^ alodà tem 
ser em termos forenses. 

-• Jtèmkiar em t&z de rôdçm^ar é f>ron«iiipÍBçãio anti*- 
quada, posto que fosse de Barros^ eomo- le lô «kn suas 

J$emoeákjtra : ■ outros t^mniadur^K. Esta seguttdtii pio« 
nànoiaçao parente a alguns mais própria^ por vir da' vo» 
laâaa futniiúiioj A outros parece aieljio^r a ptianeíra^ vis-n 
tadiaei^e rtmeer e bCo n^tmÂar^ que séachatnos em.Gft*» 
brjei Pereira, Ulyss, caót. 1^. est. 58: «£ quawio run 

jRen^tncjía^d^ de ofâcío, beneficio &o, diêiaiii osoiosm 
sofliantígos, ^e é o que -se lé aa Ordenação do : Reino enr 
mmtoiiogares* Poretn §á- Vieira no Sèmâoiios Ancos 
da Rainha &c. disse renuncia na p&g^ M. Esta prcteuui* 
Gtâçáoié' a que-boje preValeòe y mas ainda «etn UMã ex- 
diísXo da prtmeira> ^ 

' : £lóp)6t^drio • e a8o reportorio ,: ' oomo iguor anteoMiite 
pronuncia ó poToL • Vai d m^spio que Cèàhãr y e pkir jssá: 
seideve dizer -rcpe^f^Edrio das Oídenaçães d» S^eiooy repara 
^rio dos) tempos 4Sce.' « 

• 'iJBepMâ ^fiift6'i««p98lia é a pronundaçâo que ffiguín 
ram^ios nvd^iones dlassicoô^ não obstante dÍ2er-*'se rtKpottrr 

jRé^éféirki enSo ri^esoita id|a Barros ^aDiécad. lv#> 
pag;'80; «Seréqutik» mais ^^eiaiw pelos ^seosiioíáens'? 
&c.;' porem «sta piènuncíaçao^atáde todo antiquada* --. 

fíeéábicy '4 mais seguro do que reecáòo. Ev^ Bdto> imr 

tom. l^^daMon.-Lusvt* pag^. 6^7 adiainos: «Hàvee èmT 

animo dedicado ao culto divino resabio de cousas lerrie*'' 

nas»i&«:^oA Arte da Caça, litvo de faoè^náiai^flâ. cor« 

recta, diz também na pag. 13: << Sempre ifanrâon âqneirf 

le reioiioi de natureza bca^i» &c. .<iall^ boiXírktado 

9 * 



139 

da Gitieta segue igualmente em dí versai partes a mesma 
pronunciaçSo. 

Resfolegar e nSo resfolgar ^ assim como se deve di^ 
zer Fôlego e nao folgo^ 

Resoluto e não resolvido. Entre os muitos exetnplosi 
que poderíamos apontar , bastará cm palavra de pouca 
controvérsia s6 o de Fr. Bernardo de Brito no tom. l. 
da Mon. Luslt. pag. CC9: a Resoluto em Ihé responder 
com as armas 99 &c. Maior erro é dizer reio/fo^ comoacha- 
mos em Faria no tom. 3. da Fonte de Âganippe, pag.' 
304: a Pois tanta vida já resofta em fumo 99 &c. Domes* 
mo modo diz revolto em logar de revobAdoi mas nesta 
parte nSo tem tanto contra si o uso dos modernos escru- 
pulosos, porque a revolta b, terra até o centro 9» disse 9â 
de Miranda na Satyra 4»^ 

Retractar e retratar : deve-íe pòr grande cuidado 
em exprimir estas duas pronunciaçSes, porque a sua si- 
gnificação é entre si mui diversa. Retractar édesdider-se 
do que se tem dito ouescripto. Vieira, tom. 3. pag. 13t: 
« Recolher porem e retractar aquelles erros n &c. Pelo 
contrario retratar é fazer em pintura a semelhança de 
qualquer pessoa ou objecto bem ao natural. Esta adver* 
lencia parecerá a muitos inútil, mas nós freqtien temen- 
te estamos ouvindo dizer: retratar erros; eu me retrato 
dp qúe disse &c. em logar retractar e de retracto. ' ' 

Revedor tem mais e melhores exemplos do que revi* 
sor. De maneira que é mais seguro dizer revedor do San- 
to Officio, do que revisor j assim como a Ordenação do 
Reino chama sempre 7'evédor ao que revê as contas em* 
juízo. 

Revelia [termo íorense3 o não reverta , como diz o 
povo ignorante. 

Ranndicação enão reivindicação^ comoescreVèm ai* 



gnns^ jMrífttas pouco correctos ; e assim mesmo reivindicar 
en&Q reivindicar. D. Francisco Manuel nas suas £pana-> 
phoras ^ pag. 576 : « Podiam remndieair^c movendo-nos 
guerra » &c* • x 

Meviíidicta é a proouiiciaçSo dos cultos qué respeí-^ 
tam aos nossos Clássicos. Hebendita é a daquelles pouoó 
escrupulosos que. seguem erradamente ao povo. 

Rcvolug^ e nao revohimento ^ porque já está anti* 
quado. £' mui frequente confundir-se com revuUâOy aln« 
da entre aquellee que sabem que rçiooh^âo vai o mesmo 
que perturbação , mudança y ou circulação ^ v. g. , reoch 
hkçâo dos céus, dos tempos, dos humores &c. ; eque re- 
vuhâo [termo de medicina^ é uma attracção e aparta- 
n^&^to do humor 9 levando*a para outra parte. Esta pa- 
lavra vem de revelia , e a otitra de revolvo, 

JReysete enão reysinho disse Brito para explicar um. 
rei pequeno.' Mon. Lusit. tom. 1. pag. 1Ô5: ccO ret/se- 
te Tago » &c. , e na pag. 189 : a O favor de certo rejfse" 
te de Celtiberiajo &c. 

JRíbeira e ribâro não á o mesmo em significação ri- 
gorosa > eppr isso -a não confundem os que tem pronun* 
ciaçfto correcta. Ribetra em termos próprios é terra bai- 
xa e fresca, por, estar junto a rio ou corrente. Galhegos, 
Tc^inplo da Memoria Liv. 3. sext. 137: <« Filha de ou- 
tro Fernando ^ que coroado pisou do Rheíio as húmidas 
riòeiras » ^c. .Algumas vezes se toma por um rio cauda- 
losow D. Francisco Manuel nas Epanaphcnras ]>ag. 39S ?. 
a Procediam de»te valle do Funchal ao mar três cauda- 
losas ribeiras 7í &,c. Ribeiro é a agua de um manancial^ 
que corre pek) caminho que se tem aberto. Chagas, Obras 
Espintuaes, tom; 1. pag. ^0: a O riòeirin^, que; na 
fonte não teve brios de regato, em começando a ser ri^ 
kiiro^ ensaia as aguai para rio >9 &c. 



/iíM9K>«eroi« [adumal]}) rkmocerenêe e rhinácctos. De 
qualquer desl^ dkoâoã .o achamos prObuDciàdo por gra-*. 
>e9i Auctoret. O primeiFO, luais bhegadò á or%em gre^ 
ga , é de Damião de Góes , e seguido pelos académi- 
co» das Gmferenckis^ £rudiiii9 ^ que se faziam na litraría 
do conde da Ericeira 4 O segUlido é do Padre Lucena na 
Vida de i>. Francisco XaVíer pag; ^08, fundaiidú«»e na 
pronunciarão castelhana 5 e no uso ^ que muda o incre- 
méi^ito. O terceiro é dc:Joãc> de Barros náDecad.. ^^ jxig.. 
filó. Eikta.pronuaótaçâo está aoliquada^ por nimiamen- 
te Ifttina : a segunda ainda pode tbr uso* A prinaisira é ib 
seguida pelos que; melhor fuUam, ^ 

flisa em l^gav de rUad({ trás Lobo ha Oorte na Air 
deia^ piíg. 91 : ^ Le^^antarap tâo graiide rhsa ^uédesauc^ 
torisaram de tod«» o s^^hlimcAto do nojo» òlúí Não.naiÁ 
ja cm-u4o* ■■ v^ • 

Jiisca [por, linha qtie selan^a} ten» iáelbores exetn* 
plot do que riseo y qiíi} tenl' maia 1^0 para jdeitiotair peri* 
go, ou desenho de pintor. . . ' 

. Roei» e reci^^ aegundo Duarte Núiies de LéSo na 
sua Origem da Língua Portugue^ii^ eap« 16^ ten^ grau* 
de» differen^a. Rocio é propriaimenle o orvalho^ e fitfíio 
pra^a Ou espe<;ie,dev pfadQ^ Comci O naoprova^ nad' ose« 
guiremos. Verdade lé qii^ na Hístoda de S. Doitkjugf^l 
u&a Fr. Luiz de Sòusv^ de ftció na signi^cagâo depráQ^^ 
ou prado ), ditado; m Rectos do eonoelho , . qtie por alk 
ti^TÍa>> &c. Ainda c^ofxk e»fces exomplos devemób xsUajoiír. 
rodÍQ á praça de Lisbpia^ píofrqUe o usp ooflistanié doft ftftr 
^ios é auetoridade.mais clássica* 

Rodar e rodmr Uma differença. que poucos lhe» dao 
aa proBuniia^a^. Rodur 1^ movec*$e. jcirewlar^ale. oOipQ 
lOda^ ou também cabir de altoparlt batxò./Vieifia^ tom» 
9. pag. 119. a Rodoiu do monte a pedras &c« JMjmt é 



atidái* ao redor de alguma cotisa. Fr. Liúx de Sousa na 
Vida de D. Fr. Bartholomeu dds Martyres^ pag. M9« 
« Qtie âitidanças traz o rodear do» annoe?" &c« 

Rogações melhor do que rogativas , faIlândo-»SG das 
publteaè ladainhas de maiow Assim o achamos em escrip- 
tores de auctóridade , postoque não da primeira ordem* . 

Rompido em^kigar de roto só o di£ hcye a plebe igno* 
rante* 

Rõia de exercito ^ e nilò derrota £00010 diz o povo] 
achamos tios mélhoté» classikos, e aâo são poucos os exemr 
pk», que se achaiâo em Vieira* Brito na Moa. Lusit^ 
tom. 1. pftg« S91 àité 4áTal paSror poz esta rota àos âni- 
mos» &c. Segue^i sempre Vascòncellos na sua Arte Mi* 
Klar, (X>mo v. g< ««E não menos se vê na rota de Cas- 
sío^&c. pag. S4;' Derrota só serve para explicar eàr 
minho ^ e jornada ^ que se fiuz por terra ou viagem por 
mar. ......:•• 

' Jtatundtílade em logar de rcdónd^ut é de Vieira na 
sua Historia do Futuro ^ pag. 3G@. u Desísí raiundidddê 
do céo inferiam » ã;c. 

BiiH e nâo :/Rti&im achank» eifci Vieira tom.. .4r. pag« 
Ifrl. a O ^uitfto de ru&í,. o sexto de Sardo n &c. Poretib 
no^ plural diz niòini e nSo «*it&2s^ , donde párecQ ^ueiiJkf 
desapprc^a a protmndaçSo de rubim.. ■■ ■ 

' ' Mubt^éí com o i • longo^ iaojtabdo a pronuaciaçao la-^ 
tioeiyesíceipto 'íifuAd Maswi Fabrica nos^ot»^. *Per^ nasah 
tytà 5.^ 

Rtide e não rudo , que se acha em alguns Anotores^ 
especialmente poetas por causa da consoante. . . 

Moinar e não arrvmar disse Faria na Fonte de Agi^ 
nlppe , centur» 6.9!oâ«t«' $3. «í A fabrica^* qtteja ae.Tèrtti* 
7i^uik»9y k^\ Pod&-sô soítfrsr visias asUberdades^ <J[u«ainaiA 
os po^*tas. : ^. - . • . . 



13« 

Rtuno en&o runòop de que.barbarámwteusou^ Bar- 
reto na sua Pratica eatre Democr. e HerfiçL . - 

Saco [termo míUtar] e não ^aquc;, ç/miQ dia^ a vul- 
go ignoranteé 

Sacristia esacritiâo: pftrece qne assim sedo via cens* 
tantemente prófijundaj; ^ por víf do Jatim Bocer. ; porctoi 
em AuctOT da melhor nota , qual é JacinAo Ffttírei acha- 
mos sancm/ia esancrtstâo: Liv.4. n.^l06« « Outra >pprr 
ta para o serviço da sancrutiafy &c* JBiUâo o^ temias por 
erro da impressão, porque em maoiMKírrJptQfOJiJgífiaes^ ><) 
correctos da medma: idade achamos o. mesmo. Q I^adle 
Bento Pereira segue igualmente a mesma pr^aumâaçao^^ 
a qual nós hoje naõ podemos' desprezar. . .. - - ".., ^ 

Salobra [agiia^ e nao sa/o&re«. Esta segunda pronun** ' 
ciaçSo parece, que é hoje a dominante > mas jkS^. compre 
seguiremos aquelles que disseram pOÇ^.iSf^çbt^c^ fbdOih^ 
rente 4â2o6ra , porque entre nós não éeste dos nomes com 
género commum dedous^ como v. g* fnndkc fi'h^i%/br6 ^ 

Salvateco e Bclvatico. Os que pronunciam xIo.pHmdb 
ro medo seguem a.Cam&s^ que no cautt 10, e&t. 93 
disse. <^D&Mlváiica gente.negra^ enuas»;&e*. Vasoóncel-; 
los 4m Arte Militar, .pag. lédiz também, a Rústica >.e - 
sahatica vida » &c. Os que pronuaiâam do «egundo mo- 
âo> eacostam->se ao castelhano seiva,'! paJaitra que>]^lguii& 
dos nossos poetas admittiram f e até nú proseia achamo» 
em Barreiros na sua Corografia, pag. 235. uíia^^MckKn 
bereinias» &g. . ,- , ' 

Sanfonha [instrumento m\&sico 'dos ru«iicos[] p nm 
M^ifona, achamos nos bons A actores. JL^bo na ^ua Pri- 
mavera part. 3. pag. 2S3 diz. í^Tocando. ama mítica isan^ 
fonha. 9 Vem. da palavra :^ianja mnipognat a ()ual ndop- 
tou D. Franpisco Manuef nas suas poesias^ PçrQm pelQ 



contrario achwioa san/bniM e d2o wnfotMha ém divet-^ 
60S. poetas, especialmente em Camfies ná^Eclogv 6. e^U 
4«iaOun ds minba humilde son/bmna» &c« < ' 

Sangu^stiga ou sanguoTiig^a. De qualquer dos modos 
o achamos escrí|»to em livros correctos de medeciDa e ci- 
rurgia. Parece a alguns críticos , qtie proniinciam niBlhor 
os que dktitm. tGmjguum/ga ^ por Secompor esta-palavra de. 
tawgim ^ e m^o^ porem o uso aiiidft mo decidiu .< 

Sanhoso dissc^ram alguns Auctores; po^ernsonAiufo 6 
prommdaçSo «dos mfelhores. 

Safí^aneo e não salabanco^ quer BJuteau qu& s^ dui^ 
me'áquellaiagitagSo violenta, qUe se'Seate âa» oarruar» 
gens, que dão saltos; mas nâo produz exemplo^ paramps-- 
trar ser errada a pfonunciaçâo reinante. 

'- Sarnenio e não sârnoto ^ que hcje quasi só^ Be.pionun* 
oiai^noê adirgio»da lingua sobre sama; ^ / ' : 

Sede Apostólica querem .alguns que nSo 'se deva dt* 
ser^ mas iSSs Apostólica. NSoduvidamos quee#la p^onu«h 
ciação seja mais segura ; porem Vieira no tom; SL pag) 
14^ disse. «Olfer^endo áS.^ Sede a- mesma obediência 
de filhos» &'c. Em outros logares seaoba- amesmo. 

Sedewtò em logar de $eqvà08o^' é não menos- que de 
Camões e Vieira. O primeiro no cant. S. est. 116/aFea 
beber oo«xemlo sedento 9> 6ic^ O segundo nofeom.&. pag. 
461;'WSe>ids filhos Hdtftúoz e famintos^ &:c. I>epres9a se 
anCKfuou esta palavra.^ Na meima accepçSó achamos xe- 
deâdbem Leonel da Costa^ '£clòg. de Virgil. pag. tô- 
kA cabeça de um javali sedeado »9 &c. Esta pronuncia*- 
çSo é que é muito bem antiquada. 

'Sedêço é o que acbamcis nos bons 'livros; sMijfo é o 
que achamos no vulgo. 

í< Segiáio e Dak> sequtío ^ diz Blu teau ^ ikllegando com 
o:t0m«-6« do Mpn. Lusit. , pag, 363, é com o Auctor dn 



Buerra do Álemiqo^ pagi 46. Nilo obstante sígQ:a se» 
gttnda pronuácíaçâo , da qual já usaVaVarella/ C8çrip« 
tor de linguagem mais corredia ^ diiendo n<> seu 'Mum« 
Yòcal, pag. éS6. « Pàreceodo-lhes obrígaçio o segui- 

Segufidade por iegurenga ^ não tem melhor exemplo 
Qtie o de D. Francisco: Manuel nas Cartas , pag^. dOO« 
aE se logram codl níaiòr seguridade ^9 &c. Segurança é 
de todos os clássicos^ 

Semana e nào somana , postoque asska se acbe- enji 
Ca'm6«s;i"- "-;•..•..• 

Sêmhlta por a$9emkka traz o livro Escola das Verh 
dades) pftg. '441.. Ha muito que é pronúnciaçâo ^^ictosa. 
Nem em poesia sem admittírá. : -* < 

- Semelhar )>or asicmelhar achamos em Lbbo. na. Cor- 
te na Aldeia, Dialog. 16. pag. 16. Nâo á seguido 'nein 
aínditr -na Mnguagem poética. 

. Semeèhacd > por. sehteOiante -disse Joio de BaxroSi. na 
Deead. 3. pÀg.:'7(X Está antiquado. . ' > 

' Sknhoriob poxisenjvoriotetn bdns exeiAplos ,. màs pre^ 
valeceu o mo de «dizer senftor^» : • ' 

iSêqmBtro [termo. fofeBse3 é n&o ieenesUy^ tomo se 
aeUano^ li vtos antigos. .:. ..v .' . i 

' Se&truQBO [pésfsoa que tetíi sec^tro] mdJyK doque.^esr 
froAo, nao obstante «er pronunciaçSo quHsi commumi * 

SsM^ilha por< sevandÁja XtSLt Dé Francisco Ma>â»fil 
na sisa Cdrta de <7uik de Casados, pag. 36. « Estás 
t&útmdAlhm píeqUenaS, estes ^rgúèifos t? &c« Nao âstá ièm 
uso. . ' ' •• •' •, • 

SttSo esafSiSó!tefliii<éxcmplos', ^orem Fr. Bernardo de 
Brito seguido depois por muitos, dfzià£e%âo,.Mcia. Lusik» 
tom>. li pag. â87w.<(Nãò dd«avá chegar a seicãdidií^^ ama- 
durecer »/&c. Visto tâXí próoundasrDDos jSr. comer oâ antb 



tas 

fos $€$onadoj^tnai «sMtdnacto) tóeiboraerá parairmoa c<H 
bôieoles.qué digamos sastoQ. e tdiúsexao. 

S^UíiO^ e nao.mvcío at&amos iem Brito ao tom. 1« 
pi^. ltl« aDamno^ que cust&iii à vida sâoosmaia «ds&tH 
(Í9^ Gonselbeitoá 9 que dá o tempo.?» &c. Porém áiudo Á 
ptroliunciaçib de todos aquelles^ iq^e derivam eftta.pala-v 
yits{ dè ma^ m nfio do-cattelbauD sesc^. donde oderíyaraiá 
os antigos , dizendo sc%udo. 

&btl£na fconsa das síbiilasj meUtoi.dpque êibUàca^ 
de.qiM u«Mi D* Francisco de Portugal nos leus Divin^ 
tButtkàjà. ¥erfl, pâg. 146. «Emula dos siòiihccê bÍísdp 

,. . :iSi/Aariij,e.nSoi tru^e,lhaf\a ^ como igaprantenjente di- 
zem, os pedreiroSf u Derrul)ftndQ,a,.prin[^çif^áf. prdem de si- 
Iharia^ deitando as pedras abaixo »&c. Brit. Mon.Lusit. 
tom. ^. p^g.. 26. Os cultos ain4^ hpje es^ãopoiesta pro- 
Dunciacâo. 

. . ^f^pk%q fqr &implÍGÍdqdcéde Barros na Dgcad. 3« 
pAg. â^5^ «Siwpfesjci da primeiççi idi^dfí;?; &ç, Xobp.i^a 
Corte na Aldeia^ pag., lô» tanabçABJasou dom^nao, apt 
puírps ajudavam m swa sifnpksifl » ficc. Ainda nao temos 

Jíor aatiqufida esta pronua^i^gâo.. ; 

.., ^^Simp^e*:, por plural de úmplesy ainda ongp ppdé- 
ipos dç^cçforir epa algum, Auqtoç. clássico ,.^jenaojeça ter- 
pios m.^icps^ e farmac^utíc/Ds , significando hqrvas me- 
diciíiaes.^ O queachfwno^é « hoipens ^tpp^çf , ^frposww* 
P^^.r qualidades ele;pentwçswjwp/icsíp&^ ,. ^ ^., 
" . :. Simukafiente [Ê^gura^ da. rhe!U^j:ÍG4] ou s^mulc^náfi^ 
e^no^simuJcadcn» , oomo escreveram^ alguus çom.pFO^un- 
ciaçajO puramepte laUoa.. »SimuZ<içfii|iç9^ o Auctor 

do Systema Rbet^Y.P0g?i«4..Nâo tiverí^Tfnoa divide 
*.^egVr>q.Bâodiier.wf4i^«s^ia^»|<, , ;! 



140 

todos os bons teKlos da lingiia. Em Vieira o achamoi 
muitas vete» nas 4uas Cartas : em Brito oa Moa. Lusit. 
tóm. 1. pag. 110. a Duas cidades mui sinalcuias néqueh 
le tempo » &c. £ih Jaointo Freire pag* 94. a Donde a 
caria- t^êinaUiva baixos» &ow £ na Brachilogín dePrin* 
eepes^ fag.SSl. «Imprudência será lançar mio de sino- 
kuio9y havendo outros sem defeito, i» Eslamos ainda por 
este modo de pronunciar. 

Sinc€Íro por sa^udro já se nSo pronuncia; nem o 
que n2o estiver por esta sentença queira defender^se icom 
aauctoridade deD.FrancÍ8co.Mánue]^ que aas suas obras 
métricas usou de nnoáro e sinceiraí; porque dos logares 
em que este Auctor se valéo de tal pronunciaçSo , bem 
se vé que foi muito a propósito para oaséumpto o uso de 
vozes antiquadas. 

Singradura èn&o sat^rcidura chamavam antlgameti« 
te ao que anda um navio no espaço de um dia natural; 
Os livros facultativos que nesta matéria fazem grande tex« 
ÍOy deste modo é que o traizem. Manuel SerrSò Pimen- 
tel na sua Arte de Navegar pag. 81 diz. a £' necessário 
traçar todas as singrcuturas antecedentes i> &c. Seguiu o 
exemplo do famoso Pedro Nunes, que no seu Tratado em 
em defensa da Carta de Marear disse ta»mbem. « Assin- 
graduras de um dia natuml com vento prospero nSo pas- 
sam de mil estádios»» &c. Verdade é, qiie em João dé 
Barros, Decad. 1. pag. 6« se acha sangradwraj mas tem- 
se por erro ou da impressão ou do copista. Foi imitado 
por alguns 9 especialmente pelo conde da Ericeira no Por- 
tugal Restaurado, tont. 1* pag. 184, onde diz. tf Apou- 
cas sangraduras experimentaram o tempo contrariou» &ç« 
Porem segundo os críticos mais escrmi|iloso$ , aiuda hoje 
devemos dizer úng^adura , assim como q9 casti^lbw^ 4i- 
ma smgk^ra^ porserpidaTra quetem claff9llceza^fi9lk* 



Ul 

^hr^ que vàl o mésmò qúenctwgar, Soífigradura dU Blor 
tefiu <iue parece cousa de sangria , appropviação que na- 
da se accommoda ao navegar. 

iSblo{]pòr seio^ eetreitoou golpho^ usou Vieira no tom. 
Hm pag. 140. aPa^soua Arábia, entrou no sino persico^f &c* 

&rena pot serêa nSo se admiUe senão em poesia^ por 
isso íusIaiBea^teaccusaBt deaffeietado aceita esoripior vi- 
yo^ em cujas obras bfetoríeas se acha sirenas* 

^^f* por êitupr é hoje antiquado, nsio obstante ter 
usado deste verbo João de Barros na Decad. 1. pag. 164, 
OndedÍK. aTolomeo áUourem quinze gráo$. 

SiÈo por siiuado tem Vieira a seu favor^que no tom. 
1. das Cartas, pag. 94, disser ^ Outra capitania si^aeixtre 
o Maranhão e' Pará » &c. 

Sixely áheely e sinj&e/ acho em bons Auctores; porem 
alguns críticos querem que si»ei.esimte/ tenham melhores 
exemplos; concordamos.com elles; 

Sobaco e não tovaco , como erradamente diz o vulgo* 
Querem alguns que esta palavra se derive das duas latí^ 
nas mbarcu; porque sobaco é a concavidade, que debai* 
xo do nát;imento do hombro, entre o braço è o corpo se 
forma a mpdo de arco. . 

Soborno melhor, do que soòomojrão^ que se adia em 
alguns Auctores. « Contra o soborno^ e intercessãode gente 
fKKierosa^ disse Brito no tom. l.daMon.Lusít. pag. 166.» 
• ' Sobrexcdíèntc e sobrecelknic. A primeira pr onuncia*- 
ção é de Vieira tom. «. pag. 409. a Esta união da ver- 
dade comia misericórdia é tão sobrcxçellmte» &c. A se- 
gunda é de JoAo de BaiPros na Decad. 1. pag. 88. aOte 
navioá e a gente icbrueUenác » &c. Pode*se usar. ' 

' Sóeedimànto por suecesio seacha nias- poesias de Ant<>- 
nio Feffdm , pâg. IJBO. <^Nao louvamos já boas tocedi- 
mmtosif Sío,^\êe Ançloré mais para imitac nas belle^as 



14« 

dft sua poesia ^ do que na oorrecçZò da sua Imgiiageiíi { 
pois iBçiido posterior a Camões , nalo estudou em oimitar 
nesta parte. 

Soktrar e não soktrear á maneira do vulgo ignoran- 
te. Chagas j Obras espirituaes, pag. ^d^. uMuiia^ vi$zeft 
toli^traria y.ro.^no a^ b^ c, do amor diTino, que o aves- 
so da nossa vontade é o direito da vontade de Deus 99 <&c^ 

Somma e eommar ftermo arithmetiieo[] e pão '-smnntá 
e iummár, oomo^rnadamente pfOnuBciam «apitos. Viei* 
ra tom. 1. 'pag* 166^ a Sommor^s a vida , diminue-^os ft 
morte 9? &c. Lobo^ CortQ.na Aldeia pag:^14< ^'Bem sei 
que me somTiuzes,^ para mé ãrmínuir» Àc. ''S^fnm(artar ^ 
como âe lâ em alguns ^ já se não diz.. 

Sotterrar por enterrar não é pronunciação . tão anti- 
ga que não usasse delia Jadlntofretre ^0 Liv. j2; n»^ 160, 
díjeendo. £i Ficou- nas ruiitas do It^tluarte um basilisco ipí» 
terrado de maior grandeza 97 às. Deveria est^ irerbo ter 
uso y porque «exprime o metter alguma cousa debaixo da 
terra 9 muito melhor do que o enterrar^ .es^ieciaimeafte 
dizendo néa snubterraneo. 

Suasório e persuasorWy querem alguns; que sepio* 
nuncie com auctoridade de D. Francisco Manuel y que 
nas suas Cartas^ pag. 61 ^ escreveu.* a Bua graça e Virtu- 
de suasória 99 j&c.í 

' ;S)t4&í;(;ssnias;[ho#asI]inãoé.otnesnio que suecessu^ot, j^^ 
primeira pronunciagâb valo. mesmo que beras roubadas 
noutra occupaçfto. A segundadgnifica o mesmo que <soi^ 
iH»tiac2o. :Da palavra anÃbeesntd usou Lavánàa na Dedica^ 
toria dõ Nobiliário do. infante D. Pedro, e seguio-a Si 
de Miranda, que usou xio mesmo termo nasatyra l.^n.^. 
d3 ^ poitoqiie efradaménie escoeveu. smcem^Oê* > 

StAmirso, for suòrriergido não se adflpiite^^m »pr<>sa« 
O^ poetas talvès aind^ tem; esta licença e^mo exempto 



14B 
^e Camões no cant. 7. e^t* 8. aComúgo^ Itatiâ falloi 

Submissão e submisso^ melhor do que summmõo e 
sviTimiifiO, que trazem alguns livros. 

. iSu&orno ou^o&ortio enao $vbomQçâo^ como diz opo^ 
vo 9 e fie acha em não poucos escriptores dainfíoia classíe, 

^bstoamal por alimento )- que tem substancia, nSo 
seAcha lao usado .pélOsclassicos^ como substancioso, Sxi^ir 
tarmal é cousa concernente' á natureza da substancia, e 
essência de alguma cousa. 

: : Subiilidade de engenho dizem minitoS) mas subiik^ 
%a é pronuncíaçao mais corrente. ' • ' . 

, Subversão esubm&sâo épara muitos o mesmo, assim 
.como Bubverter e submergir ; ignorando ' que j^bverãâo t6 
se dá na terra; e submersão no mar.< : , • ? 

Séucco poT$i*go QusumOf além dos exemplos deAuér 
tpres medíoos da melhor nota, tem a auctorídade de Viei- 
ra, que no tom. 6* pag;. 344 dísse« «G^ Iodas, as oiu trás 
ll€)tvas, flore? e $uccosf> &c. Com a mesma sogurançil se 
pode usar de auceosoem logar de mjigosoj que spí^ha no 
Jivrp Qjirreo^de sábusos &c. 

Sudçri^o moié pcbnunciação iâò segura^, como ««^ 
doriftrOy segundo observámos nos livros de medicina^ es* 
fHríptQspor professores de pura linguagem iia suafacul- 
^dade. > . . " 

iSup€f*no por .superior só épronuneia^ãd de poetas. 
Ulys. cant. 1. est. 15. úCoxiselho quer fazer no ceo sw»* 

pc^^m^ &c»-.. '- 

" S^tç «m logar de $ubih foi pronunciaçâlo de Brito 
nA >sMa 'Moft.. Luâit. tom. 1^ pa^^ ^94. a E dera de mpir 
io sobre o exercito contrario» &c. Seguio-o Chagaa nas 
QiHas %EipmtUaêB tom. 9» pag.HOy <« T^endó grariSe res- 



pa de Manuel Thomaz também se acha ^upitamente. LiV^ 
S. e$t. 1S7 , mas se não tivéramos os exemplos referidos 
não bastara o deste poeta. 

Suppresw querem muitos que seja melhor pronuncia* 
çfto do que suppritnido. Nós de uma e outra achamos cxem* 
pios , que posto não sejam clássicos, não são para despre* 
zar. Outros crilicos ha, que fazem differença [mas não 
o provam]] entre suppresso eiupprimido^ dizendo, que es- 
te Tal entre nós o mesmo que sopeado ye a^elle o mes- 
mo que etcondido^ v.g. nome stippresso, emáo génio $up* 
primido: Não estamos por esta differença em quanto anão 
acharmos em bons textos^ 

SurcctTj contra a opinião do Padre Madureira, tem 
melhores exem^plos do que sulcar , não obstante esta se- 
gunda pronunciarão trazer sua origem do latim iulcare. 
Jacinto Freire na pag. 7 diz« et O maior galeão dos que 
até aquelles tempos swearam nossos mares n &c. Chagas 
nas Obras Espiriluaes tom. 3. pag. S88. «Estas tempes» 
tades turca quem neste penedo busca o por to *> &c. Viei- 
ra dá copiosos exemplo» desta pronunciarão. 

Surprew ou sorprew e não stirprenckdo y dizem os 
modernos que mais cuidam em fallar com pronunciação 
correcta. 

Sutdtado em logar de resuscttado se acha em UBI 
Poema á Santa Magdalena, canl.7. est. 38. «Nascido^ 
vivo, morto esuscUocío,» Neste sentido só em poesia épi- 
ca se poderá soffrer tal pronunciarão. 

Tal qual e não tal equ^l achamos nos nossos escrfp» 
tores mais puros em linguagem. S2o muitos os exem* 
pios em Fr. Luiz úq Sousa ^ que provam esta pronuncia- 
ç8o. 

Tbngecfor de instrumentos músicos e nSoioeadornA^^ 
mo6 commuoimeiíte dos nKttioreft dimcot. Só Fr. Ijêím 



146 

de Sousa alguma vez disse, u Tocador doorgaos)? &€. po- 
rem o maior numero de exemplos sâoafavor detangedor, 

Ihrlma e tarimba pronunciam muitos índifferente- 
mente, querendo significar uma mesma cousa, quando 
segundo osçriticos, tartina éhoje aquelle estrado alto em 
que se põem os cadáveres de pessoas conspícuas antes de 
se enterrarem , e no acto de se lhes fazerem exéquias ; 
iartmba' só se chama ao estrado mais alto da cabeceira 
que dós pés em que se deitam os soldados nos seus quar- 
téis. Porem não duvido que até nesta accepçSo se deva 
dizer tarlma , póríque esta é a geral pronunciação , que 
achei atéqiii nos melhores Auctorés. 

Tataro e nSx) tártaro ^ se deve chamar áquèllé cfue 
por impedimento da lingua pronuncia feaVas palavras e 
troc;a algumas letras em / cbmOv.g.' Cat^árina^eihtath' 
rina : o Pacíre Madureira quer qiíe tàmbem háffa túHato 
pkra significar ao que quasi mudb tiatdk^èin proífuílciàr 
as palavras. Nâo sei em queexeniplo se fuhdoiij' poVqíie 
eií ò què tènHò achado é %6 tartamudo 'éú^&ò thrtarol pa- 
^Javra qíie em tal sentido nem em Bliiteáíi^sé áátiá. **^ 

Terçado {[ármaj e nioiraçaão', porque éfa espada cõhi 
menos ^dá 3.^ parte da de marca. 

' i Terçar v. g. a capáenSÒ ir of ar , quer BI ateátí que 
se diga, mas nãoapcmla exemplo, nem nós ainda òàchá- 
mos. 

Ter mentiria e nâo tormenVi^^^ conio diz àpl'ebe, se 

deve pronunciar a resina, que ^ahe dbtétébíntò. Leonel 
da Costa: Eclog. de Vii-gií. pja^. !29^. íí A arVoré queda 

'* ' ♦ Torneia p>r terrmfa;'Mmtí Chaga» riafs Obi^ás lí^pfri- 

tiíà^frtòbi-Jl^.^págí^Sré? dizendo. aCaiícfiai cbin ^que affa- 

gam, terne%a8 com que animam 9» &c. Leonel da Costa, 

^Ètíld^: éé Vftrgil. pag. M diítáttbèm. ff FkztíÊác^ amar 



146 

com terne%a> » Porem hoje a pronunciaçSo mais seguida 
é ternurd, 

Terrapkno e terraplenar [termo de fortific^çâio] tem 
maia e rnelhores exemplos do que terraplano e terrapla* 
nar. Nós seguimos contra o parecer de alguns, que esta 
palavra se compõem de terra e pletíus^ e não de terra e 
planus. 

Terremoto c não terramoto ou terramote , como di» 
zem os idiotas , e se acha impresso em alguns papeis mo- 
dernos sobre o terremoto de 17ôô. 

Therxaga e não triaga acho nos nossos bons Aucto- 
res de medicina , seguindo ao grande João de Barros, que 
na Decad. 2. pag. 142 disse. «A cura quízeram fazer a 
al^ups com iheriagayy &c. 

jRtieaa e nâo íifecs&a, que trazem alguns livrps, uns 
dos quaes sâo os dos Sermõçs do. Bispo de Martiria, on- 
de achaipos no tpip, 3, pag. 162. «Nao sepode^chamar 
amor senão t%be%a yy &c. 

Tinghdura por tintwa , já se não pronuncia , posto- 
que se ache nos textos fintigos. 

Titubear éhoje mais seguido do que o antigo tttubar 
porem não se diz com tanta propriedade titubeante como 
iitubante. O uso com o seu despotismo éque tem appro- 
vado esta incoherencia. 

Traje mais usado do que trajo ^ se bem que esta ter- 
minação em o tem a seu favor os textos mais graves, po- 
rem o. uso antiquou-a. 

Trarue [ocasião perigosa] e não. ímnfefi, como pro- 
nunciam os castelhanos. Camões na canç. 10. «Kmfim 
não houve íra?ise de foítuna» &c. 

; lyasfioufado e tramoutar^ se bem que na Corte na 
Aldeia , paíg, 2M se lô. a Galante como. eslava tretnoubr 
ta(ÍQ}> SXfÇ, 



147 

Drava e n2o trave chamaTam bons antigoè á viga 
atravessada, cujas extremidades descançam em duas pa-> 
redes ou pilares* 

Trefo quer Bluteau que se chame ao homem mali« 
ciosamente esperto oubulhentò, e nio trefego^ como vul- 
garmente Be diz. 

Tróção e treidor e nSo traição e traidor disse sem^ 
pre Vieira , e os bons do seu tempo* Presentemente está 
pouco em uso. 

Trcmdar e nSo trúmaUar ou trambákar^ como igno* 
rantemente pronuncia o povo. Também nao é seguido 
usar de tremolar por treinclear. O próprio é tremulam as 
bandeiras , e tremelea a embarcação. Muito se hallucinou 
um grande académico do nosso tempo , quando disse em 
uma oração — a minha iremolante língua ; querendo di-^ 
zer tremula* Já em. outro papel tinha éscripto. -^ As Ire* 
molas quinas portuguezas; querendo dizer as nossas tfe^ 
moktntes bandeiras. 

Trença enSotrai/ijça disse Brito naMon«Ludít. tom» 
1. pag. Sô8. «Em cujos calções è vestidos se nao vísaetíi 
trenças de ouro. 99 £stá antiquada esta pronundação que 
também foi de. Sá de Miranda 9 e do insigne Barros. 

Trcsvariar ,e trcBvofiiado e nSo tresvaUare treivalm^ 
dOy como ignorantemente diz o vulgo , porque vem<]e 
trcwarío^, a que também o povo chama com erro fres* 
podia. : • .' 

IVoar por trovejar disse D. Francisco Manue} na 
Çamfonha de Euterpe, pag* 9õ. m Troa o ceo^ arde o 
horizonte?? &c. NSo é usado. í 

Trombeta e não trompeta , porque não obstante ter 

sido pronunciação dos bons antigos, hoje nãe tem uso 

nem ainda ^m pojçsia* 

Troncar maÍ9 seguro do que truncar^ postoque se derí* 

10 ♦ 



148 

vedo latim ddruncare» Jacinto Freire, pag. 14: «Por 
TkSotroncar a historia 99 &c. Manuel de Galhegos no Tem- 
pl. da Memor. Liv. S. est. Iõ7: a Troncou tantas cabe- 
ças^ tantos braços 9 &c. E no mesmo Liv. est. Slõ: «Que 
acabe esse discurso assim tronc€UÍo>9 &c. 

Ugonoto enão i^gfono^e disse olnsigne Auctor da Vi- 
da, de D. Ff. Bartholomeu dos Martyres, p^g. 105: 
«Ficou empé^ apesar dostig-ono^os'» &c. Devesse seguir. 
Unicórnio e nao unicorne ou licorne , cotno muitos 
escreveram ^ e já Duarte Nunes de Leão faz na sua Or- 
thographia esta emenda. . 

Uiso e nâo urso achamos constantemente nos nossos 
Auctores Clássicos : hoje ainda os querem seguir alguns 
escrupulosos modernos , justos adoradores da antiguida- 
de ; porem o uso está declarado contra o seu partido , e 
já Galhegos no Templ. da Memo. Liv. 4. est. 8. disse: 
tí O uno não temia o ferro agudo « âcc. 

Usurário e usureiro : ambas as pronunciações tem 
bons exemplos de Vieira e outros Clássicos. Os antigos 
diziam também onzeneiro , derivado de on%enaj que vai 
o mesmo que umra. 

Fagahundo e não vagamundof como erradamente es- 
creverani alguns, sendo um delles Godinho na sua Via- 
gem da índia, dizendo na pag. 40: «Com gente vaga-- 
munda yf &c. De vago na mesma áccepção' usou Barros, 
Decad. 1.^ pag. 17S: «Gente txiga^ sem natureza nem. 
assentos &c. 

Vaguear com o pensamento, enão vogar ^ como pelo 
commum impropriamente se pronuncia. Vieira, tom. 6. 
pag. 3@3: «Interrompe com o vaguear de outros pensa- 
mentos» &c. 

Varrer cnao barrer^ como diz erradamente aplebe^ 
Var%ea temi melhores exemplos do que vargem, Bri- 



149 

to na suaMoD. Lusít. tora. S. pág. 110 diz var%áz^ e 
seguiu a Barros^ que uaOecad. S.^pag. 180 usa da mes- 
ma pnoaxmciaçao : utO fim da qual plaoicíe é quasi co* 
mó var%eq7» &c. Os que pronunciam varria erram mui- 
to mais do que os que dizem vargem. , 

f^asto e basto confundem muitos, principaltnente os 
nascidos, em algumas das nossas províncias, f^asio é cou- 
sa grande na extensão ^ e delle vem vcuiidâo». Pelo con- 
trario basto é um agregado de cousas espessas e juntas ; 
e assim se deve dizer bosque vasto por extenso , e basto 
por cerrado. 

f^enlurlna [pedra] e nSo viturina ^ como ignorante- 
mente pronunciam até os prezados de cultos. 

Verdejar é mais seguido do que verdoar , como di- 
riam os antigos, a Se vires ioerdear o prado i» diz Diogo 
Bernardes nas suas Éclogas. 

Vcrendo por vencraod só o diz um Âuctor tal como 
o do poema. Destruição de Hespanha, Liv. 1. est. \^%: 
Logo qúe f aliar poude o rei vcrcndon âcc. 

Ferisimely verosimel e verostmil. Qualquer destas 
prottuncíações tem bons exemplos. A primeira é de Lo* 
bo na Corte na Aldeia , pag. 17 : a O auctor que com- 
põe livros seja vcrisknel^» &c. A segunda é de Vieira em 
diversos logares das suas Cartas. A terceira é do uso j 
porque hoje todos commummente dizemt^erosir/ii/.Oque 
se não pôde dizer é verisvmtlitvde ou verasimiRdadô , co- 
mo alguns pronunciam em logar de verosimilhança. 

Véspera e veipora. A primeira pronúnciação é a cor- 
rente. A segunda era de muitos Clássicos do século pas- 
sado. Observem-se as Cartas de Vieira. 

Viador e mandante confundem muitos para signifi- 
car o que caminha. Os eriticos pretendem que mandan- 
te se applique precisameinte só áquelle que caipínha, co- 



160 

mo bem provam antigos e modernos epitaphios ; e que 
wador sirva só para denotar aquelle homem, que viven- 
do em corpo mortal se encaminha para a eternidade. Por 
isso Vieira no tom. 3. pag. 885 disse: aNam^ma alma 
de Christo só em quanto viador 7> &c. Bluteau approva 
esta differença. 

Ftcô-Rei e Ftso-Rci tem exemplos da primeira clas- 
se ; porem os muitos que se acham nas Cartas de Vieira, 
juntos com os de Jacinto Freire, que sempre diz flso* 
liei, fazem com que muitos prefiram esta pronunciaçSo. 
A de Ft-Rd , que acho em alguns livros , é que não sei 
tenha exemplo de boa auctorídade. ^ 

Ftgatro é pronuneiação que n8o está em bom uso: 
devia sofrer-se, visto ter muitos textos a seu favor, edi- 
zer-^se vigairaria. 'H&o damos por antiquado o exemplo 
de Brito na Mon. Lusit. tom. fi. pag. 114^ onde diz: 
«Ordenou um túgairo do império» &c. porque sSò ain- 
da hoje mui poucos: os que usam da mesma pionunciá- 
çao ; e em tal casa ainda os Clássicos ii3o perderam a 
sua auctoridade. Esta mesma regra dá com prudência o 
moderno Diccionario daLingua Castelhana, seguindo 
ao celebre da Crusca. 

Figia por imonolenGia é mais seguido dos bons auo- 
tores médicos , do que ingifia. Luz da Medic. Trat. 
3.. capit. 3.: «Quando a dgia proceder de copia de 
humores n &c. Outros muitos exemplos se poderiam 
apontar. 

Villôa ou vtUâa se pódé chamar ^á mulher do cam-» 
po , porque uma e outra pixmunòiaçSo tem bons exem- 
plos. A segunda é que está mais em uso:entre os cultos. 

Fingativo e vindicatívo^ que muitos disseram , tal- 
vez porque Joâb de Barros na Decad. 1.^ pag. 3 .disse: 
«Sem. Qs poderem fAndicar por Jei dé arqnas^ &c. Hoje 



151 

mruRccUivo 96 se applica bem á justiça ^ quando se dis : 
« Justiça vindicativa , dftM6u/iea' &c« 

^luconcíe, msccmdeça^ vlscondado^ e nSo como vul- 
garmeute se pronuncia , biscondè 9 òiscoitde^a e hUcónda^ 
do j cuja pronuQCiaçSo só se deve dizer quando algúetn 
tiver este título, por ser duas vezes conde. 

Vutoria [termo forense]] e nlío vestona quer BIu* 
teau que se diga , e o segue Madureira na sua Ortho- 
graphia ; mas contra o uso universal que diz vaioria não 
ha que teimar , ainda que seja com rasSo , como nesla 
palavra ; porque significando uma aoçftò que se faz com 
a vista , se devia chamar propriamente vistoria. 

Volai/iivm e riãlo holaniim ou borhmtttn , como diz a 
plebe ignorante. Alguns não despresam a pronutíciaçib 
de bolanlim , deduzindo-a do castelhano ; pois que desta 
nação é provável que fossem ós primeiros que viram 09 
portugúezes fazer habilidades- na mardma. • 

Folcâa e tyukâú. Do primeiro modo pronunciou Va« 
relia no Num. Vocal, pag. ÔM, dizendo: « Foleãosbra-- 
zador » &c. Do segundo disse o Conde da Ericeira no 
Pòrtug. Restaurado» tom. 1. pag. 4bb: a Com terremo- 
tos e vulcões de fogo» &c. Estamos pela prifheira pro* 
nunciação, postoque, a buscar a etymologia, seja mai» 
própria a segunda. 

f^oltar querem muitos que tenha differença de vol-\ 
içar , dizendo que voltar é propriamente faier volta , ou 
ir e vir de novo para algum logar &c. ; e voltear é fazer 
dar voltas a alguma cousa á roda, v. g., volteain os cor* 
pos celestes, voUêa a bandeira, voUêa na marôma &c. 

f^olto em logar de voltado achamos em D. Rodrigo 
da Cunha na sua Historia dos Bispos de Braga , pag. 
96 : tí Com a bocca torcida e volta a uma orelha » &c. 
Em Yasconcellos no Sitio de Lisboa, pag. 130 achamos 



O mesmo: aSitiod altos o volto$ áa partes do céu tatás ^ 
temperadas» &c. Mas nSo obstaate não serem para des-. 
prezar estes exemplos, o uso não quer que valliani. 

Volwniariwo por homem voluntário 9 que em. tudo 
quer fazer a sua vontade , achamos eúi JoSo de Barros 
na Decad. 4.^ pag. 490* Quanto a nós não deve estar 
antiquada esta pronunciagão, porque vohmtario não a 
substitue bem. 

Xabregcs e também JEnxobregm achamos notom. 1. 
das Cartas do Padre Vieira. A primeira pronu&dação é 
hoje. a mais seguida • 

Xergão e não emrergâo pretende o Padre Bento Pe*. 
reira que se pronuncie. Fr. Luiz de Sousa na sua Histo- 
ria de S. Domingos, e Fr. Bernardo de Brito na Chro- 
nica de Cister, estamos certos que seguiram o mesmo. 
Esta era a pronunciarão dos antigos 9 como se pôde ver 
no Diccionario de Cardozo, e em Amaro de Roboredo 
na declaração da palavra ^OTnm^ti»!. Nós ainda seguimos 
a estes Auctores, porque não vemos que se opponha o 
uso universal. 

Zafira fez D. Francisoo Manuel do género masculi- 
no. Obr. Metr. Tuba de Calliope, sonel. 96: (tZafiro 
singular, que foi vendido» &c. . 

Zangão [homem atravessador] mais seguro do que 
%angano. Chagas no tom. @. das Cartas diz: Zangãos da 
sãa gloria" &c. pag. 414. 

Zanolho e não %arolho [como vulgarmente se á\z\ 
se deve chamar áquelle que atravessa os olhos. 

Z\%anka enão ú%an%a. Barros, Decad. 4. pag. 384: 
«Metter entre elles ^isíania» &c. E' seguido por Vieira 
e por todos os bonsr 

Zorraguc: e n&o awrrague achamos rm Brito na Mon. 
Lusit, tom. 1. pag. 98: (iZínragues com que os casti- 



gar yy &c. Pretendem os que melhor faliam que ainda 
não esteja antiquada esta pronunciação. 

Zunido melhor do que %on%do ou sonido. Fr. Heitor 
Finto, Âuctor recommendavel, onde ouso o não fez an- 
tiquado . diz nos seus Dialog. pag. 79 : a Os ventos que 
muniam nas concavidades das rochas 9? &c. Na pag. 90 se 
acha amesma pronunciação, que provêm da figura ono- 
mathopea. Ao zunido das abelhas chama Leonel da Cos- 
ta %umbidoy nas Georgic. de Virg. pag. ICl : a As abe- 
lhas com um certo %umbido que lhes serve de trombeta » 
&c. Não foi seguido. 



FtAf DA Secunda Pabts. 



NOTAS. 



Á RbvlkxIq 2.^— Sobre o$ nottifi que 96 tem wngtdar 

i)U plural. 



N, 



ada temoi qae àiwtt sobre a l.*^ reflexão 9 porque o A. no 
paragrapho 4.^ enoncia a ratSo de nSo engroanir o voláme com 
extensas listas das palavras viciadas na prononciaç2o. Ecom ef<- 
feito seria iilimitado e indefinido o catalogo , que se fizesse y ao 
passo que delle não resultaria proveito ^ a gente que pronuncia e 
escreve earapintetro^ peléngrino, brabas por barboãy e outros que 
taefrbarbarisnios, étâotncorrigivei eincapas dedoutrina, como o 
areal tisnado que nSo recebe cultura : e os indoutos ^ que tem 
deseja.de emendar similbantes defeitos j facilmente se corrigem 
com o auxilio dos diccionarios 9 estudada liçSo , e frequência de 
pessoas mais iostruidas. Como porém a pronuneiaçSo incorrecta 
desfeia e obscurece o dôeurso , e de ordinário é causa de adul« 
tera$5es na ora^So escripta:^ e ba erros que, ou pelo não pare- 
cerem ou por inveterado^, se perpetuam entre os menos adverti- 
dos ; diligenciou o nosso P.* Freire mostra-los e desfaie-los , aò 
que destinou o presente tratado. Mat porque Jilgumas de sUas 
observações sSo menos bem fundadas y e por isso podem gerar 
erroff em sentido contrario , ou suscitar demasiados escrúpulos , 
sejremos um pouco mais minuciosos no exame, desta'^2.^ Parte 
do que o fomos na primeira. 

NSo merecem oJabeu d^noranics mocbmot (vide a pag.8) 



156 

os que admittem o singular de certas palavras , a que o A. s6 
consente plural Jurando pelo testemunho de Barros \ fiou-se in- 
teiramente nesta auctoridade, porque se recorresse aos Clássicos 
acharia em Fr. Luiz de Sousa patsim o singular alforge e assim 
mesmo em outros escriptores. Farello também tem abonaçao 
Clássica , e alem disso o uso commum j por exemplo , quando 
de um homem de muitas palavras , e muita basofia de teres , 
amisades e protec^es, se dis : — tudo aquillo é faréllo. A voz cor- 
respondente n^outras linguas tem singular : /urfur em latim, san 
em francez , bran em inglez , salvado em hespanhol. — Sêmea 
está no mesmo caso^ e no singular se acha nos Diccionarios. -— 
Papcu é verdade que nos livros e no fallar quotidiano tem mais 
geralmente plural : mas lambem é certo que o auctor esqueceu- 
se da papa dada ás creangas* — N3o podemos soffrer que se ne- 
gue o singular aos nomes de vegetaes e de seus fructos , embora 
lho não dessem, os antigos: todavia sabemos que o estilo demais- 
dar áfava em quanio a ervilha enehe e muito antigo ; e que nas 
corporações onde se votava por favas , muitas ooeasiões se ofe- 
receriam de n\eiiciooar uma fava branca ou preta. Grão de Heo 
àh toda a gente , até para o differençar dos grãos cereaes. 

Jii'' falso que senão osé o singular ãetófesy porque os exem- 
plos sao frequentes nos Classkos. — Tenazes e tezoura» nao de- 
vem ser privados do singular: um instrumento ou utensílio, por 
ser composto de duas ou muitas peças, nao 'sehade exprimir ex- 
dusivamente. com a vos do plural. 

Pode o leitor confrontar a doutrina desta reflexão com o 
$ 1." do Cap* 4.^ éo.lSpiUnne de Chamm. Port. por Moraes, 
e seguir este ultimo. Mas porque o nosso A*, seguiu Barros sem 
mais reflexão, não queremos deixar de transcrever o n.^ 7 do 
$ qpe acima citamos , por vir multo ao nosso caso. •— 1< N^s di- 
zemos os azeites , méis , óleos , assucares , manteigas , especia- 
rias , pimentas , vinhos ', leites ^ dar incensos; famas; os trens 
dos exércitos; as memorias; osquaes alguns grammaticos dizem 
que só se uiam no singular. Pelo contrario usamos no singular 
uma fava, um grão de bico, umtrerooço, uqtia lentilha, a papa* 
o fareUo, o alforge &c« ; os quacsiBarros ensina que s6 se usam 



167 

no plural : m todas as forças deSansSo levoti uma Utoura : u dis 
elle contra a sua regra, n — 

A RxvLExXo 3«^*«- Sobre o género do» nomei. 

« 

GUiando os géneros dos nomes nSo foram assignalados pela 
natureza das cousas j determinoa-os o uso arbitrário das Lín- 
guas , e tâo arbitrário (quando applicado aos objectos inanima- 
dos e sem sexo , e ás entidades moraes e metaphysicas) que de 
uma língua para outra varia o género de uma mesma cousa : é 
obvio o exemplo na palavra mar , que temos masculina , bem 
como os italianos y v. gr, no seu adagio, Ioda il maré e tiénii 
alia terra : gaba o mar , mxktjica em terra ; já não é assim no 
idioma francês em que la mer é feminino^ os bespanboes fasem 
esta vos ora masculina ora feminina , é frequente dizerem ettã 
la 'mar mui alta: o mar e$tá muitú «mpo/odo. -— Ha portanto 
muitas irregularidades na concordância dos nomes , porque os 
ac^ectivos, que tem variações indicativas de género, modificara- 
se forçosamente pelo substantivo : neste assumpto é geralmente 
juiz o uso, alem de servirem de norma as regras que se encon- 
tram nas grammaticas. — A primeira palavra que o nosso A. 
cita — pertonagenh^ é dos dous géneros, posto que a praxe. or^<* 
naría %6 Ibe dé um , tendo por si a regra , que passa por geral, 
de que os termos acabados em gem sSo femininos : igual género 
teín pelo uso corrente epigrapke , pyramide , catastrophe , e. do 
mesmo modo as figuras de retborica apontadas neste artigo. 

Não atinámos com a rasao que moveu o A. a ir dVncon- 
tro aos Clássicos, que escreveram agua commum^ porque nada 
mais natural que fazer esle adjectivo commum dedouâ negando- 
se-lbe a variação de género feminino^ ao passo que diíer 4agita 
commtid, casa commua, sSo desagradáveis e pouco delicadas ex- 
pressões \ e nao cremos que seja rasSo bastante para as acredi- 
tar a analogia de algum e nenhumj mesmo porque ninguém ho- 
je diz algua^ nenhua* — Aos nomes acabados ém or dao os mo* 
dernos a variação feminina respectiva , no que o A. concorda, 
mas esqueceu-se de mencionar que sempre fazemos oommitm dca 



150 

dois géneros os comparativos ^ tupertor^ inferior ^ ulterior ^ eite^ 
rior 9 anterior , posterior» 

€tuanto ás pertençdes de Biuteau, citadas a pag. 1 1 9 a pra- 
tica constante dos doutos s6 adoptou piloitra 9 egeandaloj e este 
ainda mais por ser eseandula um plebeismo. — €tuer o mesmo 
erudito tbeatino que se diga aneedoto j sem duvida fundado no 
adjectivo latino anecdotu» 9 a , um (cousa ^ue nao está divulga* 
da: que tal é o sentido restricto de anecdota) 9 mas esta vos de 
origem grega passou do francês para a nossa lingua , e todos 
pronunciam anecdota* — ' Smma usa-se no masculino quando de- 
signa separttção da unidade da igr^a por diversidade de opiniõetj 
posto que haja exemplos antigos do contrario : sd o fazemos do 
género feminino no estylo familiar, querendo exprinoiir a appre* 
hensSo errónea de algumas pessoas 9 que éo primeiro -grau da 
doudice. 

Os Bomés apontbdos no ultimo paragrapbo da pi^. 1 1 fo- 
ram empregados pelos Clássicos ora n'^am< óra n^outro género ; 
porem a mais seguida pratica decidiu-ee- pelo geueromasculino, 
em rasSo da índole, dos significados dessas voies, esem lhe faltar 
nos escriptores de nota abonagoes seguras : exceptuaremos toda* 
via iifanie 9 de que temos o feminino infanta , (designando pes* 
sea real) igualmente com auclorisaçSo clássica. 

Assim como o A.. lembra ser arvore antigamente do géne- 
ro masculino 9 podia Umbem traier â memoria/tm que era do 
feminino, exemplo -r-« a morte de outro velho de igual idade 
pareoia4be espias ou sinal de sua fim. » Palmeir. d'*lngl. p.2.* 

oep^i't36i -' * 

Syrtxt se chamavam os bancos d^aréa movediços que torna- 
vam wnii-perígoâo um-golpho 9 do mar^da I>ybia , iSo inferna- 
do por naufrágios que o seu nome gencralisou-se a outros sitti- 
Ihantes baixos. — SeyUa é um rochedo no estreito de Messína , 
f ròtttctro' á Yoragem chamada Charybdes , doÍ9 grandes perigos 
para os navegantes n^aquelle passo ^ do que nasceu aphrase pro- 
verbial' u^ fugir de Scylla, cahir em Charybdcs. Empregaram os 
nosso» escriptores muitas veses estes nomes 9 mas sempre no fe- 
miiiino como DO latim donde o^ tir^iram : nao vai portanto o 



169 

exemplo do P.« Chagas (citado a pag. 12) que contn todoa os 
exenopiofl latinos edas outras línguas, deu aSjrtes o género mas- 
culino: do mesmo modo nfio seguiremos o P.* Godinho, que na 
Relação de sua viagem, cap. 28 mprmctp. escreveu: — «• •• pas- 
sageiros, que escapando a poder de dinheiro do Scjlla de Ale- 
po iam dar no Charybdys de Alexandreta , onde o vice-báchá 
tinha logo aviso de quanto passara era Atepo , e sabendo que lá 
se tinha dado dinheiro não os deixava cá embarcar sem lhe da- 
jrem outro tanto«.-^t 

Não podemos negar que torrêttle tomando-se como substan- 
tivo é masculino ; mas para dizer a 'torrente , coino é vulgar , 
ha a desculpa dos participios^obstantivados, que allega Moraes, 
vide a palavra no seu Dicc. « em hespanhol e no italiano é subs- 
tantivo masculino , e nesta ultima lingua ha o diminutivo for- 
rentello* ' 

Não assentimos á censura com que termina esta reflexão. 
A moral éa doutrina dos costumes: theologia, ouscienciá , mo- 
ral. Podem-se addosir sobre este ponto exemplos prd é contra ; mas 
deve prevalecer o raciocínio. Entendemos que moral é um ad- 
jectivo substantivado. Disemos a morcri ,* subehtende-se sòiencia, 
ou acção dLc. ditemos o moral j subentetide-se procedimento, ha- 
bitp &c« -^ Se não concordarem com este nosso pensar , não se- 
remos tão pertinases como os propugnadores das formulas aris- 
totélicas. 

A Bbvi^xxXo 6/^-^ Sobre o uso de alguns advérbios Sfe, 

A respeito dos advérbios nunca e jamais ^ cumpre esclare* 
cet os principiantes mais do que o A» fez, e mostrar o como se 
enganou notavelmente Reprovando o uso dos dois reunidos. 

Nunca traduz o latim nunquam , em nenhum tempo. Ja- 
mots éq-latim unquam^ em tempo algum, vez alguma. — Nun- 
ca leva comsigo mesmo a negação : exemplo , este homem nun^ 
ca me tratou mal : Jamais pede regularmente a negação expres- 
sa, para fazer a preposição negativa : exemplo, não farei jamais 
Q que me pedis*-— JVtinca usa-se mais ordinariamente nas pro- 



160 

:porii^9 que exprimem um juiio positivo : jumòi» tem particu* 
.larmente logar nas que exprimem intet rogação , duvida , incer- 
^esa &c. — Algumas vesea ajuotam-Se ambos os vocábulos na 
Qiesma pbrase para dar mais energia á expressão : exemplo , 
nunca jámaU vos deixarei* £stes advérbios usam-se ás vexes um 
pelo outro , como se as suas significações fossem idênticas» Vid« 
ICruaio tobre os Syn, part. 1.^ pag. 189. 

A auctoridade dos Clássicos , que o nosso A. tanto venera, 
levanta a censura de pleonasmo que elle impoi ao ajuntamento 
desses dois advérbios na mesma frase , porquanto vé-se que as- 
sim os empregaram para dar mab vigor á expressSo: outro 
tanto praticam os bespanhoes : lô-se no Dicc, bespanbol , fran- 
cês e latino de Gattel. u Nunta jama$ y o mesmo que nunea po- 
rem com roais força. " — Vpjam-se os exemplos que deste e ou- 
tros usos dos mesmos advérbios traz o illustre A. do Glot$» 
de palatn-M e/r. da lÀng. franc. pag* 80 e 81 : acrescentare- 
mos com tudo os seguintes. — u Nunca jámatÈ n^aquelles claus- 
tros se experimentou nem sentiu ar contaminado &c. » Fr. Luic 
de Sousa, Hist. de 8. Dom. part. 1.^ liv. 1.^ cap. J26 pag. 69. — 
mO^ fsandidiasima formosura da Santa Fé! Vem centra no meu 
coração, e n^elie estabelece teu assento immovel, para que nun- 
ca jamatf tedesempare &c. — P.^ Man. Bernardes, ParaUo dos 
Contemplativos^ pag. 68. 

Cabe neste logar addusir os exemplos seguros^ que o A. nSo 
acbou , das outras formulas adverbiaes , meu porem e mas com^- 
iwlof stygmatisadas também nesta reflexão , ea pag. 16, com a 
marca de erro de pleoncumoy apesar de usadissi mas ebemauctori- 
sadas. — Se o A., taolido nas obras de Vieira que as cita a cada 
passo, não viu nunca jamais na carta 33, vol. 3.°, doeste mestre 
da lingua, muito menos acbou as seguintes passagens de Camões. 

Mas porem quando as gentes mauritanas , &c. 

Lus. cant; 3.^ est< 99. 

Mas porem de pequenos, animaes , Ac* 

Lus. cant. 6.^ est. 18, 



161 

V Jtfos €omtudo nlo n^go <)iie Samj^io 
Será no esforço il lustre • Bioaládo , 

liiu. cánt* 10.^ est. 99, 

ilfctf «omiudo com seu pensamento, qiiancb lhe vem ávon* 
táde acearreta mil pensamentos vSos, que todo parar com ella 
é um lume de palhaa , &c. —^ Carta 2.^ escripta da índia a um 
amigo. 

EneontránM portanto os exemplo» em livro» qne n2o sâq 
de inferior núta» 

O adverbia acaso com interrogado é correspondente a por 
vbiitira contra o sentir do A. Notai nas obras do venerável P.* 
Cfaaga»^' 1 •*- lOy esta phrase. ^- u Acaso éo traser plumas f . .isso 
deu a natnresa a uma ave.» B em Bríto, €%ronica âeCiài, )iv. 
I.^ cap. 34^ uMat »e mcaso a communidade fôr tal que em lo^ 
gàr da modéstia se veja nella dissoluçSo &c«m — Consultai tam«« 
bem Moraes verb. porventura* 

' Na mesma pag. 16 que vamo» analisando inculcasse uma 
opinião a respeito de as$ú$ que não se acha convenientemente 
justificada. Confronte-se o que ahi se lé com as seguintes cita- 
ções. — M A náu de Affonso de Aiboquerque esteve sete relógio» 
de mar em traves com cuiás trabalho , sem querer dar pelo le- 
me, m (hminetti, ã*Alhuq^ 1.^ cap. 8.^ -^u O que elli» muito de 
ordinário fazia e com asiás liberalidade : n Fr. Luiz de Sousa. 
Vid. do Arceb. liv. 1.^ cap. 2.^ Entre outro», temos estes adá- 
gios : *^ Assas caro compra , quem roga . •—• ' y#n<!M esícaço é quem 
da» pekvras temdò. — Coneloe-se quese aju«ta<is<á« aos nome» 
e na acoepçao de muito ^ embora nfio se tome entio por ádver-' 
bio, maia como adjectivo' significando 6as<çinée. 

> Reparámos em que o A. incluiu nos advérbios a» frases oo<i« 

junctivas potfo çue j ainda que^ que entram na talasse daseonjuhti^ 

^e!i adversaUvas ^ isto é, que modificam as sentenças por tippò*' 

sigão: o» antigos- grammatioos lhes chamavam eondSdónaeW^ < ' 

' ' ' A^i d^elrei, A respeito desta expresiSTo vogam- 0pifii€ea'dí^^ 

vevaas : diiem alguns que é «ma phrase ellyptica ;| q^âe -« ptitmé' 

pOf inteiro d«vo »èr*-*«^iMfom a^ o^da pariè d^ífei^ "è que: 
Part. «.* 11 



16Í 

por consequência áque d^élrêi é erro do Ttilgar. CoiA eíTeito es- 
crever áque éTelrei será defeito, mas não sabemos sè errará quem 
disser e escrever ah que abeirei , que pode ser phrase ellyptica 
da mesma maneira, começando pela interjeiçSo ah^ e abbrevian- 
do 9 fot exemplo , ah </u€ venham aqui os homitnâ d^elrei ! Nao 
ao» deoídiíDoa, eomo o dícoionaxisU Mofael^ a taxar de er*» 
ronea a eatpréssao o& qué d^elrèi^ ao conlrério (aleas do usò 
constante \ que per si s<5 nao seria sufficiente) ha seguros exem'» 
phM não fl^ delia y oomo de idênticas formulas de pedir fauxi- 
lio 9 V. gr. á que do povo ! á que de Deus! VejaaA>se o§ exém^ 
pios noDiccionario publiijado pela Academia das Sciettoiasi^ en- 
tre oulrot ot de Ceita no pl«tr«I) e tambetti neste numero e imi^ 
CO de aqui d'^eireUf de D» Francisco ManueL— ^ Abi mesmo fte 
dcdata seresta uma formula adverbial com que seiavota e im- 
ptora o favor d''elrei : ->— e n^outcos casoa tuna iatè#jaisflo de quétn 
se admira s exemplo, u A^ que d^elrei 1 v^t vÀiea âl)tteUei meei* 
nas.» — Jbr^. Ferreira j—- Ulysipo* j v , . '• 

Nos Sermos |^«Huérae« do.P%* Cbagai , » ^ 6^^^ -encon€ra-se 
• seguinte período- — ^«iSe os mesmos peceádos sao gritos^ sSo 
brados , sSo á que de IkUt tilitianbos y que rasgam a região daa 
nuvens. » 

▲ R«vi.BXXo a^^-^ Sobre a iermuuâ^ dóe neesft 

dmiinutívou 

Os.diminuUvos e os augmentativos sao variações d^s nomel^ 
que modificam para mais ou para mends os áigoifi&ados sem al^ 
tarar na substancia as ídeaa que representam : sao poderosos au- 
xiliares do discurso , principalmente em Unguas tio harmonio- 
sas y como a noiia $ a hespanhola ^ a italiana i sobretuda lendo 
emprogadoa com parcimonia e a prc^sltoi .<r- Ha easos em q«e 
o» diminutivos dSo muita gMÇa á expressão ifas pbrases ftuento 
e na1;i|raes\ outros, em %iia Hl^ um estila ^ ou a^fcotuosotou patbe- 
tiooi em qi«|}%uer modo- de diset delicado e taAv6^ ii8«i po- 
demm ensmitir«-se sem desfatqjae do mimo e agmdo. da elaeur^ 

f^i e il \Htík dos motimetitot oralotMi* Poiemaé^pari^ uMm?* 

í 1 • ••• 



I6:i 

pios: o rttttflté d» èdkb^Hdá oitãVá d«(7ftttl6«», it.^ do dán- 
to 4.<* 

E at ínMêê ^ qtae o sém teftiytl «MUtifcnt , 

Aoi pitos os filliiiilios âpèttafâtii. 

Ootro logtf do tSo insigne poeta ; Aas Rtmas | Soneto só, 
que príneipia t ■' ' 

4 t 

&t4 o lascito e docè passafinlio 9 
Com o biqtdnrho as pennas otdenaftdò , 
O veirsd t^m medida , aíegtè o b^àiido 
Expedindo no f itstíco rAiuiiifao , ã.6. 

No estilo familiaf e cómico £ de ttolto apreso o uso ele^ 
gatito dos dfíriitttitivo», o entram feliimeoté Dasil'oaiàs e mote* 
jos. Grareia de ReseHde, o ckrotiiíta de D. J060 2.^, mofando 
(■a 3íbéeUaneá) das extravagâncias de trajos do seu tempo («) 
aeeumttlott todo^ esiea diminutivos t -^ 

Agotô vemos «apinhas , 
Mdto euttos pellotinhoS| 
Oolpínltos e (apatinbos , 
Fundas , pequenas mulínbas 9 
GibÔesfuhos , barr^tinhos , 
EiStreitas cabe^adiítbas , 
PeqtHMás nòmimtídnbas , 
Sstrdtlt^haS goárttíseéi/ 
£ muitas mais invenções 
Pois qti^ -tudo ^0 couslidías'. 

' ' Pata Sei'mòs litatséi^pndtosqtre d nosso texto, ctíntinoâremos 
aptbVeitaikdc^ algumas COO sas do que nesta matéria expendeu, em 
siíàíGtktklYnatica pf^ilosopflíea, o sábio pbilologo Jieronlma Soares 



t 
(*) Note^e de passtj^m ha que tempos isto Tai^ e o oemo;ein toi^, 
06 loeufol M afévantaram brados de censura contra asmodàs no Tektuario &'c. 



11 * 



164 

Barbosa. — Os augmentatiyos sao os que com mudança aa ter- 
minação augodeutam a significação de seus primitivos, ou quanto 4 
quantidade ou quanto á qualidade : de ordinatio acabam em ãoj 
como íantarrãoy beberrão^ ou em as como velhaecuif viHanaXf ou 
em ago^ como btchaço, mestrago ; isto os masculinos ^ que os femini- 
nos tem pelo commum a terminação emona, exenaplO| mocHonOf 
ou em aça , exemplo , ricaça, — Os diminutivos são os que mu- 
dando a terminação de seus primitivos lhes diminuem mais ou 
menos a significação : acabam em irUiQ , ou inha , como de pei' 
xe , peixinho ; de casa casinha ; em sànho quando os primitivos 
rematam em dithongo , para se evitar o hiato pelo concurso de 
três vogaes ^ v. gr. , de leão , leãosiTiho ^ áepái , páisinho ; igual 
terminação tem os nomes que acabam em consoante , posto que 
algumas excepções se notam em que ha dois diminutivos da. mes- 
ma palavra por diversa terminação : exemplo j de caia também 
ha casinhota, f de peixe tambcm ha. peixesinho» Ha* os findos em 
êie^ como pobrêUj de que temos igualmente pobrennho : em ^ta^ 
ote 9 e ota , exemplo , ilheta , ilhote , Uhota f que todos significam 
o mesmo, podendo alemdelles ajuntar-se ilhéu na mesma accep- 
ção : de arca se tem feito arquinha , arquêta , arquilha , e ar- 
quête masculino. Vemos que os ha em ilha ^ como de cama^ ca- 
milha j de que é mais vulgar cammAa ; raros são os emâtç, exem- 
plo perdigoto. 

Em summa , em tal assumpto s6 a muita lição , e atilado 
ouvido para attender á euphonia do período , podem ser guias 
prudentes. £^ reprehensivel o abuso .popular de fazer a cada pa»- 
80 diminutivos em ito e ico , mais próprios do idioma hespanhol 
que do nosso. 

Não tem rasão o nosso A. em dizer (pag. 17) u"^ abanico 
e não aòamnAo » «^ porquanto se o primeiro é mais frequente ^ 
o segundo tiimbem se usa e o traz João Baptista l«ayanha ^ na 
Viagem deFilippe. 22.^, foi. 69. — Não a tem,» onde, napag.im* 
mediata, escreve u T-áe pastor pastornnho en&o pastorinha pomo 
alguns dizem" — bons escriptores, entre elles Vieira e Fr. Luiz 
de Sousa, usam ora diurna, ora de outra modificação. De flor 
t«j|tbéni l^VLflorfhhçty e d^ nionte^ moniinho é montíctãQ* th 



i65 

f roo á mais natural e cominam di2er-8e grãosinho ; e de verão 
também muitas vezes se fas veraosinho. — De rió alem de t-ta- 
€ho achámos a miúdo riosinho, 

A nossa língua é mui rica neste género de derivação , que 
fai com que a significação de tim primitivo tome um augmento 
enorme, e delle vá descendo gradualmente até o contrario extre- 
mo de pequettes, como se vê nos derivados de velhaco ,* velhacão^ 
vethácaz , velhaquête , velkaqtànho ; e de toherbo ; toherhão ^ co- 
hurbaço^ toberbêie ^ soberbkiho, 

A ReflbxIo 7.*— Soòrc os participios viciados 

na pronunciarão, 

A doutrina do A. neste capitulo nSo nos parece inteiramen- 
te admissível \ estriba-se elle no uso dos Clássicos , edá a' enten- 
der que na distincçSo de par tícipios regulares ou participios con- 
trahidos s<5 havemos de acceitar as formas com que os antigos 
escriptores os modificaram.* — Faréce-nos que o párticipio con- 
trahido sincopando syllábas abbrevia a palavra 9 e pode ser com 
vantagem empregado na dicçSo poética , tSo sujeita ao numero 
e harmonia 9 tStf obrigada a empregar asvoses mais curtas e ra- 
pidâsr na pronunciado , pois que nisto vai muito para o seu éf* 
feito ; porqlie de prOsa alivanhada em forma dê versos estamos 
n^s de sobejo fartos. Disse Bocage, poeta de natural inspiração ; 

M Europa , curva , oppressa , « quasi escrava. 9* 

Pelo dictado do nosso A. opprimida era a palavra segundo 
•s Clássicos y porem oppresso vem naturalmente do latim comor 
outros muitos adjeltH;ivos que temos, por exemplo ignoto^ promp* 
to , mixto , &c. Todos n<5s sabemos , como da Índole da conju* 
gaçSo, da raiz do verbo, se formam os participios: de reprimir^ 
teremos reprimido^ de swpprtmtV, suppritnido'. "Oppt^esso^ repres" 
SD, &.C. nao são termos tSocommuns; mas quem' negará que. 
muito contribuem (abstrahindo agora' dos versos) para áconcisSo 
e vehemencia dé iim discurso oratório', maiorn^ente quando a- ^ 
par dá l^uçSo florida fornecessário concentrar as idéas ém br«- 



166 

v«4 phjrAsa» t (Otu^r^r dciterrar esUs formulas 0$, linguagem i e 
príyar*Do» da variedade} e áa Teces da força, com que nos pode- 
mos exprimir. — Accresce que o A« nlo peleja deterroínadamen*' 
te contra todos os paxtioipioa contrahidos , só cooilra aquelies de 
qife «aopâde acba? enemplos ^ outros cita que nem monflo me- 
leoem f como vMo por voltado» 

£Qtendendo-ie que o$o acbámos motivo par» reproTar a 
syncope ou coutracçio nesses adjeotivos oriundos dos verbos | 
sabendo-se que approvâmos, seguodo as ciroumstanoiaSf qualquer 
das duas modificações que tem em a nossa linguagem , appellâ- 
mos par» o testemunho geral : e que nos digam se alicio é re- 
prebensivel só porque Vieira o usou poucas vezes , servindo-se 
tnais de afjligido : os italianos tem qfflUto ; e os nossos visinbos 
bespanboes as duas modificações como a nossa língua, e del- 
IsA sem escrúpulo ae servem. Vamos agora ler o que escreveu o 
litteratQ mw sabedor dos arcanos da linguagem a pag* 3 do 
tom* ^«^ do Ensaio $obr€ ot Synon^ymou «<«--0 coração qjfjflúrio 
não fas esforço algum para se distrabir da aoA d^ « «otes esta 
se irrita mais f quando # querem combater» Par« consolar o ho* 
mem na afAiççSp convém dar tempo <ao desafogo oeiíperar o mo* 
mento favorável , que éde ordinário quawlo a pessoa qfftifíia oo« 
Bseça a Xallar ««ois. ^ma espécie 4e ternura. e eiSMo do oo«aç9o 
icerca do objectp, que motivou o ^ii penoso ostadp««r-* D»* 
mais , o partícipio la^no é afflkim t « nole-^e que mpútoa qoe 
o A. reprehende não sao roais que traducçoes latinas, como, 
submerso , erecto , extenso , incurso , expulso , molesto &c« : nova 
rasão esta para sem reluctanci» se jidoptajrem* Exkmshj abs- 
tracto I ekiio {eleetus) tem a nyesma fonte ^ o o A- admitte-os^ 
e eis-aqui a flagrante contradicçao de quem só olba par» aueto* 
ridades ? não aMende i rasSo das cousas ; tanto maior contra^ 
dicçio qoe a palavra çppres$o nesta obra se acka justiftcada a 
pag« 111 com Fr* Bernardo de BritOf que 4iao o auctoridado de 
pequena monta* 

Notamos maif qfie o ter empr^f ndo^ o auctor do poema a 
S.'* {Miaria Magdalena a palavra suãciiado em logaj 4e retiifet-' 
i9^y pao era objecjto do reparo, por n%o ser e^i^empto dai* 



167 

úeo, ii«m haver lUioqitibtlidBde deetro em paUirrU de t2o di- 
verso significado , bastando a apposigão da pMpoiisSo ra |iara 
as distinguir. — Gtuereriamos nÓB que esta pr^osiçio^ qae tXo 
«iiifpipsmente compõem os verbea para deaotar iterarão de acto 
fosse mais geralmente applioada , v. gt. ^ qae aMÍoi eomo tettMf 
repetir , e rettfoeeder e recompor 9 nsassemos ds t^ceome^flir , pot 
haver casos em que este verbo seria mais explicito doqne reno* 
fiar. £^ cousa celebre que nroa das equíiralencias de rMiovor no 
Diecionario de Movaea é reeam^ar , onde eita a Chtonica da 
I>. Joio I*^ , e no corpo dp Diocionarip na ordem alpbábetiei^ 
nio tfai este verbo , tendo in<daido oniras p%laVMt sem apon»* 
tar auctorisaçto. 

Áa RnFftfxdys ••^ a 10»^ '•v* Sobre et errm e&nwneUidè$ fli« coiip 

jufúiçãO'4eyjil^fuiu ner6et, dlc« 

• 

O veibo^ k palavra pw csesUeoeia, a qua exprini* osf actos 
aos |uiee», Sfmdo a qua «aia variaffdea e^pennienta para indica^ 
e distífgQir a« pessoas 9 •• tempos ^ aa modifioafSes rdativasaoê 
sujeitos , é por isso ^qnella eqi que bmís e por diflCsreiita ánanet^t 
ra erram os iodoutos ; concorrendo para ifiso nSo pouao aa eonjn» 
gaçoes irregulares 9 numerosas nas linguas vivas ^ mas qne o uêq 
Immemofi^l sanoeionou, e cimvertea em exeepçSès permanentes 
das regras. A importância do verbo naoraçfe ouaentenga é ião* 
tivo para os cvitioos sa darem ao trabalho de apurar as navnaa 
da recta conjitga^io e as anomalias adoptadas* 

Temos poreortentea ae advertências in0Íoidas nesles doisaa- 
pitnlos, com ponoas excep^aes. — Q^uanto aosverboi, comtruiTf 
ãeitruir , úeepedi/r ^ evemas qne seguir DsOKasvieot , cottiò aponta 
o A. , ^ levantar uma qtieslio já pel« «se deeldida : nlo •« Akã 
agef a , cons^rsie ^ ^Mrue , nem eónm*fiM por oeiMome , postoqna 
é innegavei. aer e«sa eonjugaçio mellior derivada das primeliaa 
pessoas do presente doindieati^^ evitando aAoMalias no verbo! 
menos tmío htverá para diter com op antigos eu decido , que 
eu detpidãi n<^s6 porque o verbo de que este se compõem fét eu 
peço 9 que eu peçei y mas por causa de conlundir-ie côm o parti- 



168 

eipio detpidoima, sua ternrinlsçlíò femlnisti £se o verbo medir 
é anómalo , poiqae o não terSo os com postos de pedir j cuja va^ 
ríaçâo aqoeUe segue í 

Pelo qae se lê enanciado de am modo absoluto a pag. 28 , 
poderá presumir^se t^edéer étao sdmente neutro, quando n»uÍ4> 
tas veies étão activo como neste rifão: -» quem naodá o qae dée 
nSo alcança o que deseja. 

Sumir: vendo*se que o A. adopta as variações irregulares 
deste verbo se conhecerá a justiça com que acima falíamos à res- 
peito do uso aetual de outras variações de áedruir e consirtitr , 
e de liomumir ^ que d^eavolta com aquelles o A. introosette^ 
vindo de|M>is quasi a contradizer-se no paragrapho do verbo su^ 
mtV, acceitando-lhe expressamente a divergência da regular con- 
jugação. Se os antigos dísiam eomumet , consume , é p#rqoe na 
rais deste verbo composto disiam igualmente sumes , tume. — 
Nos derivados do latim sumoj ú, é que dizemos acsum«, retumem 

llrítiòtar. «^ Devia o A. mencionar que nos Clássicos é fre- 
quente o uso de Uktbar , versão immediata do infinito áú Verbo 
latino 9 Uiubo , assim como empregaram o participio do presen* 
\9 Uiubanie : mas se lhe escapou aqui, lá reparou esta ommissSo 
no vocabulário, com que finda este tratado^ vide a. palavra a 
pag. 146. 

FíaUr, — Claro está que os exemplos sSopara se pronunciar 
vai i mas não é exacto que vale se confunda com o substantivo 
aeuhemonymo valle que se escreve com dois//. Não fazemos cat 
80 9 por desusada , da vos do imperativo , que usavam os latinos 
como formula de despedida , e que de raro se tomava por subs- 
tantivo, v. g. como em Virgílio, vale mternum ^ adeos eterno: 
a mais ordinária significação de vale corresponde ao nosso trivial 
«ampr imanto paue bem ; Unha saúde ^ e dahi nasceu que ainda 
não ha muitos annos era appendiculo obrigado em todos os pro* 
IpgO» , que não findavam sem essa costumada saudação ao Lei« 
tor , que era também por forçi^ oo pÍ0 , ou benévolo. 

São mui justos lOs reparos, sobre as abusivas pronunciaçdes j 
que se reprehendem no fim da reflexão 9.^ ^ a doutrina j que aa 
corrige deve ser quotidianamente exposta nasaulas; pois que ve« 



169 

mo» mi4tot preMdott de Bctn. fáUantes ç que toJafvia ]pela forçR 
imtútivd dohábitoy dahem eilierros <SotOTpcB.'AfBlta de ^âtr 
l^oçSoy qiie.ou.oaDÍiinde at leg^undas pessoa t do pltaral dos pf«^ 
teritos p»f feitos do indicativo coái as segundas pessoas donngi»^ 
lar. doa mesmos , ou estropia aquelles, étao conimvm qiie à no- 
támos em obras impressas V é velrgonhosa manòha na puraia da 
dicção.) e que o escriptor deve seinpre desveladamente evita?:: 
po]rç.)E«mplO) tUammtét^ vot 'aminieis ^ é vicioso modo de oonju«« 
gaçSo que muito cumpre desterrar. Igual censura merece o erro 
DO futuro do conjunctivo, também nas segundas pessoas do pln* 
ral , quando pronunciam amares , que é a vós do singular » ou 
omareti, que é solecismo, devendo diser-se amarden^ contra al- 
ie insiste o A* na immediata reflexSo^ a pag. 33 ,' moltrando 
quando é louvável o uso da syncope. 

Ampliando eacclarando o texto do nosso A. (Reflexão 10.^) 
poremos por ordem as figuras da dicçSo. São estas as mudançaa 
que se fasem nos vocábulos sem lhes alterar a significação : umal 
se empregam no uso geral , outras em escriptos de certa nat»- 
lesa' e em determinadas occasiões, e todas, procederam de se 
querer evitar o concurso de qonsoantes que prodoí soim áspero ^ 
eas cacopbonias, «Slc. : contribaem portanto para ^ise» tilais bar*- 
mooiosa e fluente a linguagem. — Temlogar similhantes altora* 
$oef por três f^rmaai e cada uma destas no principio ou no fio^ 
ou no mçio dos vocábulos : a saber — • i 

1«^ Por acerescentamento de syllaba ou letra : e são trea 
at figuras d(^ta espeQie.^-rProtbese, oh apposição, quando o 
aocresoentamento ^ n0'> princípio daa. palavras ^ por exemplo-, 
a|untattdo-se ás seguintes a vogal a ; avéar^ achegar ^ akmbrar^ 
at9ocegar , aei*fdor , omosírcir f e outra» , que fio principio usar 
ram os nossos antigbs , e ainda agora usam alguns poetas por.- 
causa da medida do verso : e mais as usa a g^te rústica j que 
é a que mais conserva a antiga pronunciasão , ateimando v. gr« 
a diser relâmpado como antigamente se. escrevia. •^- Pa ragoge^ 
ou posposi{ãO| accrescentando-se alguma syllaba no fim da .pa- 
lavra : exemplo 9 felke-^^ Jbonne , Isabella j- periinace ^ proãme , 
raíuKc : e o caso é que pelo que, toca aof verbos , (aomo ca dois 



170 

nitiiiKM nettioft tenpo9 e PMMMi) ontr'orft auim ta eoi^dgiiTftiii 
por fi^ra on sen eiia. -h- Epentfaese oa interliosição (asada pou- 
caf vaiet) inCeroalaodo-Bc uma sjllaba no meio dovoeabvlo, eo- 
mo quando os poetas em vei de MmtU diiem Mavorie. 

2,^ Por anbtracgloy d^que retultatii outras três figuras. — 
Apberese ou abstrac^So , tirando»se ás palavras algomas syllabas 
Qo principio: exemplo, bóbêdai^ liançaj por oò^aiof , úlliança^ 
e mais vulgarmente aníe em logar de cuManie; indm por ainda f 
ié por aié ; traz por aira» , &c« -^ Apocope , ou mutila^^Iò ^ cor- 
tada alga ma syllaba no fim dos nomes , como quando difeemoá 
fuart€ lá em ves de guardaste dtc. •— > A esta espécie de altera-^ 
ç8o pertence também a synalefa ou elisSo : exemplos vulgarissi- 
mos : do^ da^ de$te , lho por de o^ dé a, de eHe , íhe o ; outros 
querem que se refira á metatbase (de que trataiwmos) poihám a 
nosso ver coro meooirasSo* — > âyncope , ouconeisSo, sup(>rimin- 
do syllaba no meio <da palavra ; exemplo ^ fMitpVodb , perdia ^ 
imigo , ouidoío , detparecer , fnér dce. , e também na pronuncia 
eoi¥e&te dir-ie-hei ^ far*U4i9Í» 

5.^ Portransposi^ô e transformação dasliyttras ousyllabas; 
figura 9 qoe chamámos metatbese \ isto é oellocando-as em or#^ 
dem difibrente* da «m que se aebam novooabulo primitivo, ^m- 
tíea-se na preposfçSo tm quando ee troou o ns sm tt e elide-se o 
e, v.gr. no^ n«tfo, eneorporando-a com o artigo , ottcom d de<* 
monstrativo : — nos infinitos dos verbos por eáus^ daeupbonia 
sofMtitue-se o r por i^ exemplo, diipó*loj etmri-io, em ves de 
ditpm^o^ ouvir-e; i com o artigo fórmâ a ultima syllaba, 
motivo porque nio gos^mos de «semiref *dlipol-o , ainda qoe 
alguns (mesttes respeitáveis) assim ^ «nsiatimy ettribando-s^ 
em que o l «stá substituindo o **.* «^ nestas modifiea§9es dos 
veH>os fBHcer ^ dlker , ■"^^fa-iô , di-la em ves da^a-o , e diís^a ^ -^-^ 
ei>m idênticas, ba a metátbese que converte o s em ff nòs pre» 
ferimes (humilde opltitflô) em logar de escrévev a f^fuet/afal^ 
êeberhoi pôr correntemente a riqu^ta o faz so&íi^èoj^ perdSo, se 
a outfoa frenutiei a nos pareee fsHa de gago ou de preto ', nossos 
otívidés, itesta eonvers£e do« em I, nffopoderam aindaachat a 
gabikda éuphonifl ! -—A mesma figura' se emprega a cada passo 



171 

transformando « prepoiIçSo jier ^ v. gr* pth cm ves ãe per o; 
mas nSo se pratica o meamo (oomo antigamente) oom a pr«po- 
f ij;ao por i exemplo , pólo em vez de por o» A metatlwse tam- 
bém muda amam-Oy Umem-o em omotivrnoy iemetn^mo. 

Finalmente) para evitar hiatos nascidos do concurso e col- 
lisSo das «yllabas finaes e iniciaes de duas palavras consecotiYas, 
frequentemente fasemos a crai« ou mistura do artigo feminino 
a com o demonstrativo ízquelUj contrahitido-so n^um.sda osdok 
y.gr. ágmlle em lugar de a ogitifí/e.—- Sobre o assumpto que te- 
mos tratado lea-^se com attenção a Qrammatica pbilosopbica de 
]Parbosa | estampada em 1832 pela Academia das Bciencias de 
Lisboa* 

As brevea noções , que ficam expostas , pareoer&o a alguns 
leitores mais próprias de uns elementos grammatieaes que dé 
uma nota : considerem porem que nem todos estão habilitados 
com estudos que as dispensam ou com os Hvnoaqoe aa podem 
ministrar ; vejam que por ellas se hade afferir e rectificar todo 
o confuso contexto desta RefiexSo 10.^ — D^ellas secollige o ne- 
nbum fundamento das primeiras quajtorie linhas dapag. 35 qua- 
9Í no fim da mesma R«flexão« — Q^oem ha de ir com o A. quan- 
do affirma que udiser antes d^hontem é^faBa^ ^^om o exemplo 
tirado do vulgo fnf^ AnU% é adverbio o nSo preposiçSo. yinion» 
iemj que o A* approvay éque devemoe ter por plebeumo, por-i 
que |á notámos (com Soares Barbosa) que a gente rnstica é a 
mais aberrada aos ntodos de proounciaf antiquados. -^ Gtue desne- 
(iassidade empregar o apostropbo, para dlier cV leaUúfo rMe^ 
quando o naturalisaimo proferir com o mnlido? . . , N^itto em vei 
da miÍ9Ío 4 pela figuxa metatheaei que já explicamos. — Fer- 
tender que é mais seguro n'*alguma accasião do que em alguma 
Qçcamío , n^cigum niia do que em algum tUio é (alem de cousa 
desarraioada) contradicsao com o qne fica escripto neste mesmo 
capitula 9 pag« 3^ mfin^-^u , ..<, boje 9 mo aei o porque , nSo 
veja iflo nsada> a preposição em junta aoa artiotilos^ o , ot , a\, 
OM , como Qs artícoilos no j, mí^ na 9 na$» ■-» Verdade 4 que A . 
nâp.alftrma positivamente que é maU seguno o uto do qsM elle 
eb^ma naquaUe% oaioi.afpstropbo, e /adis matatheie : «na como 



17« 

a maneira porque 'se expridie p6de suscitar irarias interpreta- 
ções, não quisemos metter no escuro este reparo.' Apostropho ou 
viiacento é o signal da synalepfaa •, tao escusado pára indicar nk 
prosa esta figura, como para á metáthese. 

rJMo qu« respeita á excepção , em ós nomes de Santos que 
principiam por eoasoante^ dcsnomes Santo Tfaoraaz, Santo Tho* 
mé , confessámos que a temos visto estabelecida , ignorámos po- 
rem o fundamento , salvo se ò formos buscar ao oéò c^go d'al- 
guns.; nâo se podendo allegar arásSodVupbohia, Jjorquantobem 
desagradável ao ouvido - é o dissonante concurso das sjUabas i6 
^é.*— Sempre os escriptor«^s das nossas cousas da Ásia chamaram 
São T%omé á moeda de ouro que fora mandada cunhar por Garcia 
de Sá. — Os Jesuítas abforeviavand bàome do apostolo do Orien- 
ta dizendo o Santo Xavier. . . 

A RbtlexXo l;?***^ P^ocabulario de palavras , qite correm 

6om pronunciaçõet diversas, 

Postoque em matéria de pronunciaçao ha opini5es, que ape* 
lar de contrarias se podení de parte a parte defender já com as 
armas da etymologia e da analogia , já com o auxilio das auc- 
toridades clássicas , termos ha era que será capricho nSo seguir 
o uso bem fundado. Ao uso confessa o nosso A. que se sujeita , 
cbàmando-lhe: o arbitro tyranno das línguas vivas; conitudo ás 
veaes se desviou deste bom propósito , assim como n'alguns lo- 
gares adoptou pareceres destituidos, a nosso vèr, de justificado 
fundamento : — Sobre esta Reflexão 12.* fieemos também alguns 
reparos, que poremos segundo a ordem de vocabulário que o A. 
empregou. 

t Abestrut — Aheiarda: nomes de duas aVes.^ — N2o vemos 
rasAO para se reprovar avesh^uz , que tem exemplos clássicos , e 
visos de ser derivado de avis strutkio : nos livros hespanhoes le- 
mos .avestruz* — Uns escrevem abetarda , outros batárda ; destes 
uUi mo» é o capitSo José Monteiro de Carvalho no Biecion. Púriug* 
de plamilasf arbtutos , antmOM, &c. apag.79: ediç. áéttôô, — 
Observamos que o nosso A. estriba-se muito na járie da Cá^a ^ 



173 

tlia$^al«i obra 8i^p.r« nos parece» jinapeita , tm. pontoa- de lin» 
guagem » ppr >er nal.e.inoorrecUnienteíníipfesMy crivada dVr- 
roS) até de regência da oração: não quedemos diser que nãoalmii* 
4a em moitos termos de falcoaria. 

Abominoto por abominável já se não di^^ &c.— »No» aeoa*' 
«elbarerops qae se diga oppprtunameMt;e ^ assim como abomman-^ 

do: três variações, imitando o latim, as quaes contribuem pa<J 

r&'.arrÍjqtteEa da lingoa. 

Akífilu^ào : nao obstante vir immediatamente de abmltáio j 
tem querido o Ufo que abtoltn^ão se derive deoòsQ/ver, ao passo 
que de re$olver se tira resolução» — Não ba para que se reprove 
o partícipio oòso/vtcip, passivo de que. aòsoífo é cootracçSo: a6m« 
hUo é que. deveremos evitar por causa dabomonymia com p ad*- 
jectivo qae significa. independente, livre, &c. 

AbundQto : oomo rejeita4o , citando sd o exemplo d^anctor 
dMnferior nota , o do Poema; da DestruiçSa d^Hf spanba f -^ E^. 
de muitos e bons, inclusive Barros: tem caria de natural da 
nossa terra, e como tal cumpre recebe- lo. Da-se porem outra 
rasSo : a do valor deste vocábulo comparado com o- sen synoni- 
mo, abundante. Para idênticas variações sirva de regra a seguin- 
te observação. — u A terminação em ante do partícipio do pre- 
sente, denota a acção actual ou o estado, da cousa no momento de 
qne se falia) o que acpt^tece et se ias de. presente ^ o faeto ou as 
•nas circQm8tancias,&c.*— A terminação em oso denota a qna* 
lidade ou propriedade natural, a força, a inclinação, a paixSo , 
o habito*, emfim is vezes a plenitude, .perfeição, excesso, «Slc. 
de alguma qualidade ou acscidentcn — A colheita v. gr% é abun* 
dante , o terreno é abunifoto ; se alguma vez dizemos colheita 
abundosa, é para significarmos oejbeesso, a plenitude da abon^ 
dancia* Os pastos 9S0 abundantes quando queremos exprimir a 
actual producçSo de um pais relativamente aos rebatikoa qqe 
alimenta ) esao tidnmdosos^ quando queremos exprimir a fecundi- 
dade da terra , que os produz em granyde abundaneia , ou a!ple> 
nitode da.actual p^oduççio. »» -^Vide, com mais exemplos, oMn* 
tqio sobre Syt^mimos. • 

Abtuão , nem corresponde exclusivamente a o&uso , nem ^ 



174 

^ntiqnàáã» ^jÉlmtado pm ifkgúinad^y illudidífj fártée gàlliefeitao* 
Ot nofl6ot diocioDaríoB nSo traiem este adjectivo ; mas vul^af- 
mettle se dii bomem abuêodo ú que cré em abutõet , ou em ri* 
diculas opiniões populares^ e Madureira na ftua Orthographia 
dia algumas Teaet: uêsU voeatndo anda abUtcÊdon isto é, erra- 
dcMueftte escriplo <m pronuuciadd. Ghm» de CrállMtmot pag. 3 
da ediçé m 4«^ 

Acordo: é de todos os antigos; porem oosô , ao qual o A* 
dá muitas veies vénia (e tanto que por ceder ao uso tolera um 
erro : vide almargem) tem itvtrodosido na pratica diária ^ até 
forense j a palavra acórdão , banindo a outra ; com^ aconteceu 
com acostar que se antiquou ; acotiumar , que sd se dôl peta ú* 
gura protbese (vide nota á Reflexfio 0.^) ; e ae^fmrir^ melbor de- 
rivado do latim 9 porém substituído por adquirido é -^Nhi éexác** 
to quo 06 antigos stf dissessem oooilar e aeoihimar ; o participio 
de encostar, eticoifodo, a* 9 seaclia mufitasveses em Lucena e ou- 
tros \ « quaato aoaegundo Verbo eitarremos Camdee. Ode 2.^ verso» 
13 6 14. 

O soffrínenio triste costumou 
A pena 9 que pade(o. 

Er apraa-nos este exemplo em verso ^ porque o poeta b8o ie 
viu obrigado pela medida a desfaser a protbese ; se escrevesse aeoth 
tíumau 9 o verso ficava igualmente certo , fasendo a eHáSo do e 
de< triste paru a primeira syllaba do verbo. 

Afeitar por cnfettor. O vocábulo affei^w ditfere de tnfeiíeÉ 
em que estea s2o ornatos e atavios que aformoseam \ e aquellea sSo 
ornatos sobrepostos , affeciadê* 9 e que desfeiam r portanto o /n-l* 
matro qus por capricho do tué te antíquau deve wer retlHtrido á 
sma.poÊMB. Iiea*4e com atlen^0 9 na t.^ parte do Entaioêobrf 
Sytié o artigo 194 a pag» 198 e 199. 

i^tjftc^o* — Veja-se o que escvevemos a pag-. 196 ; ea iMt«> 
rasi doutrina so applka a s^r^Acnio 9 vide pag. 4T. 

- . ^'utà^tenlo.-^ Já Moraes trás 0/111^9 que em nosso en* 
tender deve usar-se 9 porque sempre é pakvra que nos poupt 
&a»sylUb«s. 



170^ 

^âhnoi^cé oa afoiofaMi é termo â^origem anl»^ como o 
oargo que ngnifica : em Hespanlia dii«-8e ahnòtmeet^, Almotaeel- 
Mdr era cargo da oaaa real e do reino, a quem pertencia pro- 
ver de mantimentos a c^te oa casa d^elrei onde quer qae ésti- 
veMe : ^ide J^ B» de Castro cap. 11 da 2.^ part. do M* de fártug, 
r- jálmoiacel nao é erro do vulgo \ aasim achámos nos meltiOTea 
eseriptores e 4 a. pronunciarão qne parece aéoptada pelo Diceio-' 
nacio da nossa Academia das Seiencias. 

Alienaria: preferiremos sempre , apoiados em boas auetò» 
ridades, contra o sentir doA. , aUannia; deste modo se escre^ 
ye também no idioma castelhano* 

Alvenél t givener foi como escreveu Fr. Loit de SbUM : « 
com effejto tem maia anajlogia com alvenaria do que alvanel e 
alvinéo. Pode ser que a troca do r em l procedesse de lapso de* 
penna do A* ou do seu copista. 

jihnatf^tt^ om amar^: nio é erro volgar oomo o A. affi^- 
ma^ é dol melhorei eacriptores da Lingii4^ eomo pode ver^Se 
nos diccíonariosk Amatyàr, athargo (adjectivo solMtantivado) 
amargura , amargueãa , e amargoz , todos exprimem igualmen- 
te o sabor de cousa omúr^ofO. 

Ameaçai e ameaços. Tanto escreviam os Clássicos de um 
como de outro modo. 

AnHado : é palavra que nlo vem nos diccionarios : não po- 
demos admit^ir o lotinismo do A«, porqaoenieodo em latim éprt- 
vi/gnus* Os hespanhoea disem etiictta<2o« I>slks tomamos a pala« 
yra anJUado^ ainda qua nSo « traaem oonossoa vooabolavios^ pa- 
ca sigBS&oar uma c4f amavalla ^omo a da pelle d^anta curtida. 
• : Aff0^i%ãra :. Vieira também oaou de apirb> f que é facje o 
a4^tedo com infinidade de.exemidoe puro». 

wtfreisoso; dia que. é vuHhor. da qae meètnto ^ tdbfvtudff tft» 
poema* — <- Nao .sajbe|9o§ porqnof ^ .. • fiasi P^b^í*» areento oâ^reoe 
mais uma rima. 

' Afffiot9 : nioitermo s^ por madieos empregado^ e porescrip- 
toces 4e inCs^por nota^ port|Me de lieclo a auotoir p8p tinha nesMi^ 
oonta oa Clássicas* pvrps^ Arriou qae 6 asou noSinl. ••^ ^i u^^ 
e Lucena no Liy. 1.^ cap. Aa? 



170 

Aspergido: tem Maduiaira rtsSo para a^míttir oiperio, 
qlae é immediata venao do latim osperstM e €omo tal patticipio 
dp pretérito do verbo atpergir. A^ cerca de pariicipios siinilhan- 
tes v^ja-se o que escrevemos a pag* 1<{5* 

jâuegurar : c^içprar : podiamos a respeito destes verbos re« 
ferirrDOS ao que dissemos da figura prothese apag. 169, ou me- 
ramente ao gosto que. tinham os antigos de juntar a apposi^io 
a a muitos vocábulos que começam por consoante: — não deve- 
mos » porém ommittir que segurar édos melhores Clássicos , en- 
tre elles Barros y e também o usou o mesmissimo Vieira , cuja 
auctoridade o A. cita em contrario: toprar abonasse Igualmen- 
te com auctores seguros. O A. logo na pag. immediata infine 
nos dá um exemplo na suppressSo da primeira syllaba a dá pa- 
lavra avai^genk. 

Bombear, Temos que fazer neste paragrapho um grande re- 
paro : dá o A.- a entender .que nio se ha de usar o ve^bo esbom- 
bardear, postoque seja de Camões : còm eífeito este príncipe dos 
nossos pQetajB assim o- .iras na est. 90.^ do Canto 1.^ 

Não se contenta a gente portuguesa , 
Mas , seguindo a victoria , estrue e mata ^ 
A povoação sem muro e sem defeza 
Esbombardéa , accende. e desbarata* 

« , • ' . • , • . * . I ♦ . 

CoiãQ poderia diser^se que o* Camdes quiz faziétmais ebeio 
o ve^o, accrescentahdo aquella' ayllaba , vejam^se no Di<íe* de- 
Moraes os exemplos.de três preolarissimos prosadores, Batros, 
Góes, eFr. Luiz de 6oiisa.— ^E^ co<UBa singtflar ^tfe multas Vé> 
KS oonvém e allegam^se as auctovidades dos que- satf tidos por 
mestres da linguagem>; n^outra occasiSo nSo fazem peso na ba«> 
lança de alguns crttioos ; nSo nwt parece Jdstá esta i^êlçSo y 
quando o exemplo não lòa 4nanifeatameiite contra rasía, ou se 
não possa reputar erro typographico. ' ' 

Sofjaçote : se o vulgo chama a esta cai^ta de íl^s vermelhos 
ierfaçoieã teqi por ii a aodorisaçSo do Padre Lucettti , e do sli*' 
bio antiquário André de Resende, qualquer dellèi demét váliA 
que o versificador Manuel Thomatt ^ ' ^ 



Cancro : AO' Mntfclo em que o trás o anctot» , dKo acceftatnot 
a wtííen^ã, -^ Caneer éuA figrio do Zodíaco , e por tanto um 
termo afetronomico que se reputará technico, devendo con»ervar- 
seaièi^o latina. 6tuem quiser tradosir 'ehao(ie»lhe o signo doca* 
rangaejo. -^ £ai Claesieos, talvea que no citado Vieira, se acba-* 
rffo exemplos de Cbneer. Vid. Fr. Bernardo de Brito^ Motitírq% 
létuitana. 

Carabhia: nSo pode segnir-se aetymologia^ porque a pala- 
vra clavina está por assim diser-mos decretada , por ser a de que 
usa o Regulamento de Cavallaria. 

Oavalhéro : 4 acastelbanar de mais - a palavra cavaleiro ^ 
de que os escriptores antigos usaram : postoque , fasendo liquido 
um dos il , queiram algusna com esta modificação denotar o ho- 
mem foem creado ede biiarro porte,- para díflferença dòcavatlet* 
ro que servia no exercito. 

Cerce: como dis o A. (applicando o verbo) cortar cerce ^ é 
frase genuina \ mas neste caso é cerce um adverbio \ se disser* 
mos cortar as perna* eerceas y teremos um adjectivo que é de 
todos os Clássicos. 

Churma: o uso tem feito prevalecer chusma ^ que tem por 
si a auctoridade de Lucena ^ ainda quando se quisesse despresar 
a onomatopea , que é mais significante na palavra ckunna , pa-^ 
ra designar gente confusamente amontoada. Se a tomarmos pa- 
ra entehder a tripulaçlo dos navios, imais nos auctorisam os bis» 
toffiadores da índia com o verbo cAuimar, que seacba bemexem« 
plificedo no Díceionario de Moraes. 

Constiiuenie : verdade é que temo^ pacieníè de paiiens , pt- 
nHente depcmUens^ mas também pronunciamos ptfdãt<e,otci;tnfe^ 
que se derivam de petens^ e Ofudienw,'-^ Constituinte 4 termo fo- 
rense^ ha logo a faculdade jurídica que o auctorisa^. 

Cossario : os antigos também disseram muitas vezes j e pov 
ventura com» melhor derivação , cmdar a corso : logo Qn^sario é 
vos mais pura : cossaria ou cossairo só dis hoje a plebe» 

CSirvidade : não vemos rasâo para usar esta em ves de -ctcr* 

vaiura ; empreguem-se ambas segundo convier ; e baste para de« 

iesa da segunda a palavra quadndura* NSo mê lembra encon- 
Part. Í3.a U 



179 

ti«r em livros mederoQ» de natbemi»tka ^urvidade; « hn de se 
itQlaiT qmei^esta inatsi i« «(a es Uvioi iii«derBj9«i9«textQ9|{eiiuio4)à. 

Í>«c«4r<o ; dkeur$o ; eoiv ^«l^net desta* pmbvrM es^primam 
09 Clani^Qft o c0p9^o ou »i»ciBe«alQ de te«Apo : a maxinra pai le. 
d^ modernos. 8^ emfregaia oesla aetepçSo apriaièlr», reMtya«« 
do 4iíífiunçf piara Mrâ da rocfocmoi .- dútuie|;3o em aoMa eaten* 
der bem adoptada. 

Jkmo^rmr :■ hoje dkenoft dHnwwtrár ^ cesio eHige, o rigor 
da etjrmologva. latína* 

Depefidurar : engana-se .a A*. Qeale § , pofque pmtbirar 
achar w^ eiiqrip^o. [«ek>9 Clastice», aAsUa em vet so eateia exik pro* 
ia 9 seip eaí^epfâ.o de Vieira a^algiinfti logaree. 

JDíêrrt^b^r: «Sq ainda maisir nitmeroftofi o» bona exemplos dft 
ihr9ii6«r, ; basle um de GaimSes : Lua. ca&t. 6.^ est, 39 : «^ 

Começam novas forças a ir tomando , 
Torres ^ montes e casas derribando. 

OnassD ÍL«9 i^ande apaixonado de Vielpa, olheu sd para aa 
paginas deste grande escriptor, sem consultar outoas igualmeole 
iMastnsa % henemecítes da lingaa. 

JOH»p^€tr : admira que se diga que nSa sabe faUar quenft 
prenuntta d^tpé^ ! Eatão não soube faHar Vieira \ veya* sa este A . 
citado ea», IVioraes na palavjra. de^ga* — igualmente aio Clássi- 
cas, daspf^ofiwr^, dmptroffker &c« Eq«ia&dQ maiarasio não houve»* 
te-i tinhamas' a libacdade de faaer a. syncope , como debumaa 
notado a pag. 170, Combinerse o que esore^femos ahi cont e que 
âissenK^s da Prolbese napaç. l%9y e na l^HS^ verbo taugní^ar, — 
]gual- é a sefBvatSa a respeito do vocábulo o/unior , « pag.. 9ú* 

Jh^edm^ado : nSo é exacto que seja ler mo asais puré- que 
etpedoQado: aboimm> este muitas cttaçôes de bons pmNudaret, qi»t 
ea Dkc. tracem*. 

Hesvomor ; Temos por fim. apmitar oadescuidos^ escusaaraar 
accumular citações : ireja*se esta palaivra<y e- tamcbem deivasrar' 
ses Dioc* da^liugna, e conhecec.aerha que o. ultimo veifao nSo 
é phantasia de vulgo* 

BimiMida^ãQ: AquifiurfifiGaYettoaojQifo doA> c«o asan» 



17» 

tença do Entaio sobre 8fn. a pag. 192 tcun. 1^«^ — u A cZusímu- 
Ittçõo nSo é odiosa cooio ãnimtktçêo% AiMnu2a|^ ^ acmpre um 
vicio \ a dunmtUação é muitas veces útil e podlí ser dictada pela 
prudência. Ninguém pode ser obrigado a manifestar a todos e 
em todas afoocasides osMa^ sentimentea; maa todos tem obriga- 
çfto do não Usar de lisJUas apparèoeiaa, oom o presoppotto de tm^ 
ganar os outros e de os indusir em erro. n 

Mftápoêêars dip9$tar*$e é UHohta Ckssioet vid. os diifferen- 
faietitre este euãurpttr^ mvmUrj &c. a{>ag« lô^ dai?.^ part. do 
iUn$* ãobre^ Symon* 

£ficav6Í9«r í nao praValece o< diset dt»>Ak ctítátm ol Aucto* 
rei qae disseram emwdgér : maito aborrecemos 'pa1avi'at estira^ 
das por maior numero deâjrllabas^ fi^a^svdeas empregar quaiw 
to âík poisivel V usam^se potem pariameiíAe soa ««pbdnin^ a me^ 
dida metrioa, ou outra qualquer rasao imperiosa as requerer. Tal 
é nossa norma , que os prudentes stigoirSo* 

Súí^ado : -^ que audaèia. chamar expressSo plebea anafado^ 
de quâ estio «heios os Hvf os Clássicos \ Ndis temos que o mais aber** 
tádo (oma Vei que nio possuimos sjstema phihnophieo de lin** 
guagem ^ e qile talvei se não possa obté# oomplet^ será citor aé 
auctoridad^a ^ 4 mmmtlàa, dos compiladores dos vocabulários ^ e 
daikar a escolha ao gosto Itttiftrariò do eseriptor d -** nunca prcK. 
íerir santeoças que as prcnfaa'.desJl9eDtem&*^ Já temos repetido 
qué onde a força da ioducfão o analogia nSoobrtgarf o melhor 4e- 
rá consultar o uso \ qjuaado não ^ âqne livre o pHideiile arbítrio* 

Mpitiío-í a.fraéa âuaAiwidade t6 encostou o Ai», nSe pòx ser 
de Jaoinio Freire^ lAas' porque a citação éde vfersè^ onde á«me*» 
dida violeirtou; taAvea o poeta* Meibor /undailientâ teria achada 
em Joio doBaflôSy que úé9Qm GrámlAatieo frequentemernte ^ii 
epitíic^^ mak»- ainda. dáalm ha..àm pfhdumiliar o ãso' constante áxsm 
doutos qoa (aomdnoi modernamente) ditetn áuma efMeíoyqiim 
aa ling4ia gitga.sigàifica o meshto que na latiifam^fécéivo, isto 
é o appodo ott ajuntado ao sobátándiftoi para modiitosr^bo a ú^ 

gfiificaçSo^. ■■ ' ..-'•'i.J:-^. 

JSmth-idadê: tégoú tento ao Aof tL^taBÚridtuk qaè Aao pâdv 
lér em Camões na Canção 3.^ estrophe 3.^ : 



S9« 

,A negra etcuridão éo êestimento' - 
Ao doce peasanieotok • 
• ■ . • 

:Fela itteaiba oegueira vejeitoti obicuridade-^ termo d« bont 
caertptorea-, e que dii- ainda mais qn^eteuridade; abonado aliás 
pela filiação latina. 

. Motao^o: reprfyin^e€ãmeéèdão,Ij9mo»mo'6lút».de€ialiicism, 
o seguinte, -r- m Sxactidu» do francês exaoíUtèáe : d^antes diiia* 
mos exacçõo , que é mais Clássico ^ e mais conforme cem a ana» 
logia.' Comtttdo' ej/aolt(/âío parece nSo* desmerecer a' prefere n- 
eia , i^e hoje lem alcançado no uso vu%ar , se quicemios evitar 
.encontro das diffef«nSes idéas que offerece o- vocábulo* tf:rocçâío 
eom o qual «g^pi iniimoa a cobrança o«i arrecadarão dè tributos ^ 
e talves o rigor das : cobranças fiscaes , assim coma aos '«ncarrc^ 
gados destas chamámos exaetoret^n 

Gftnebrá : pouco pode a rasao do A. contra o universal dso em 
contrario* -o^ KSo podamos deixar de notar aqui um erro- torpe, 
em' qée frequentemente cáe o vnlgo dos nossos tradoctores do 
francês , que sSb como Deus sabe»; Se-pela texto francez> encon- 
tram a palavra Qenève , vertem*na por Qe no wí 9 em ves de di* 
serem €hnebra: e quando acham Genes ^ que éa verdadeira 6nr« 
not«a, como não sabem o que façam, parece^-lhes sair- airosa men-« 
te deste «mbaraçõ j nao tradusindo , mas repetindo na sua ciia<» 
mada língua portuguesa amesn^ palavra Genes, 

' £^ verdade que o erudito JoaquiÉi José dá Costa eSá no 
KU Diecumario Erancess e Portuguetai — Lisboa 17114, èaíu n^u^ 
nia équívoeaçio ^ talves ainda mais reprebeoÂvel , vertendo a 
Gânet por Gensbra^ e a Genhve por Cltrwva, Mas que nao> pas- 
sou de equivocação, on lapso depettna^ee bolhe do outro* seu -Dior 
cionaria Porltiguez ^ Francez^ e léCdino.j Lwboa lt94', aond« 
verte, exactamente Genebra por Genèxfey e Gienova por Gênie9\ 4 
1'.^ .das quaes corresponde nò latiin Gene^á^ e á ft.^ ékmta» 

Genuflessorio : a verdadeira ortbographia desta palavra;, e 

eib' que todos concordas»^, poc ser derivada do latim , é gi^ufit- 

xorio, ■ . ' 



18l 

itfHmo.^teja^se o que oAv deixeu esèrlplo naReflexSo 
-*.* a pag. 13. 

llhito minguem comhom fmldátnefito pode reprovar o par*- 
tioipio passivo dedmido da índole da conJugaçSo de seu respec^^ 
tivo Verbo : neste caso está tlludido , que 'procede do Yéibo inu- 
cUr : illuio também é muito aproveitável. Vid. o que dissemos 
nestas notas a pág. 165 e 166. - ' 

Imún: os<culf09 hoje pronunciam tmdn, accentuando a ulti- 
ma fjHaba êó quando designam certos ministros do- Alcorão. 

Imigo: este ^ íica respondidof a pag.- 170. 

JbnptmÀlo.:' aeabÀmes dever que nao consente ilhidido , que 
• bem derivado; e agora quer impunidú, quando não usamos tm- 
ptmtr ,* eao passo que rejeita impune y vocabiilo latino , mui ex** 
pressivo, necessário, e por isso frequente.- Se tivesse rásâo, deve- 
xiamoa diíer immunido e nao -ítninuRe. 

Jnexhtntsto; inexhaúriveL Como o A. não recebe a este ulti- 
mo, citaremos O seguinte logar do éiíípssartò pelo Sr.- D.Francisco 
de S. I«uIb. — u Os nossos Clássicos disserani sempre inexhautto ; 
mas inexhattrivel conforma' coéd a analogia, é adoptado pelo uso 
geral, e já vem nos Eãtat, nov, da Univ, de Cóimb, t* S.^ c. 1.^ 
n; I, aonde dis;-— ainda quê assciencias mathcutaticas sSo tan- 
tas j e cada uma delias deúh grande vastidão e mexhawHvel fe- 
caViitidtade &c. 4» — E pouco antes na mesma pag. faliando de mes- 
gúiítveij dis a mesma respeitável auctoridade que — ué innova$So, 

imitada por ventura do francês in^Jpuita&fe Comtudo se 

parecer necessário, nSo é contra a analogia. .N6s preferiremot 
tetnpre inexhauriveL m 

J^m: cremos que o Sagrado' Nome do Bedemptor se ba de 
eSG»ever como se lè naBiblia, epor isso diremos Jems. O sábio 
P.* António Pereira de Figueiredo deu á los um opúsculo inti- 
tulado -^-^reve demonstração de eom^o em portuguez se deve «- 
cTêver- e pronuneiar o nome de Jents quando immedraiamenie se- 
Me sègUe^o nome de Chrisio — 1784 «i 4." ' 

JuÈêieetró yjusiifàêo : vejãnk-se estes doÍ9 vocábulos em Mo- 
raes, e ao mesmo tempo o Ensaio sobre Syn. no artigo 240, on- 
dtf vem HS dta^aíes de Vieira e Atráè^ que aclaram a matéria. 



XoeoiefKf^ ; nddoio A, o «^tempU» àaíu^rUtêimUii^ tirou 
da Monarq. LusU» e poderia citar outros^ mas por dçmaiiado «larip 
íl Vieira prefere . a primeira ezpres&ao. Os he^panhoea também 
escrevem IttgarienmU ^ e nÓB temos .o mesmo habito | com 4 di& 
feren^ de substituir o u por o em rasSo da etjmolqgiA kitiiia i 
locum fefi^ns. 

Lumiar : muitos Clássicos chamaram limiar á entrada ou 
soleira das portas ^ e por certo com bom fundama&tp no Jatim 
limeny tnti, de que se fes o verbo expressivo €2ifm»ar» Outros 
cora menos rasao escreveram lumear, Qrueatitigamanie âe. escre- 
via também lumiar uSo padece duvida ^ até porqiK» assim é de 
ha muito uomeado um logar na estrada septeatriobal doIiabOa^ 
a. pouca di&taucia dos arrabaldes^ como signiôcaado m pal|iVr*'a 
eutrada da cidade por este lado« 

Mancheia: diz-se por maior facilidade de expressão; porque 
cobeceotemeute deve diaer-se moo c/^ta ; é o mesmo (^»fnmhado. 

Manear: o mais segura, quanto a uds, é pronuoeiar nu» 
near em qualquer daaduas accepsoes apoAtadas,* porque uos dSo 
parece , á vista dos auctores , bem estabe)ecida> a difietença que 
Deste paragsapbo so aponta. 

Men&ura: e termo puramente latiao; pode ser¥ic n^algu* 
mas occasioes â disposisão do eseriptor hajbil f ma» ni& iiugua-i 
gem corrente ternos medida j adoptada pelo uso gera^, é tepeiir 
djssima. nos Clássicos ; > astim copio o verbo medir que nasce do 
infinito meUre» Foi um accesso de entUiisiasmo antiquário no A. 
a forga com que perteqde. a esmo e. através rehabiUtaij.o verbo 
mensurar j e o substantivo análogo. 

Miude: é necessário notarmos neste logar queos-.aoligos di- 
^fpi a miude por modo adverbial , e que também empregavam, 
a cada passo o adjectivo miúdo y bem como os advérbios mfud^* 
mentcj miudit$imam^nU (que é de Vieira) o superlativo miuditíi'^ 
stmo, e o diminutivo mtu<im&o* •*— uMoya^ natnadi^So doComr* 
pendio da Historia Portuguesa; usa do vetbo miude^r em log^t 
de detalbar oureferir |lWo}|uuc29«»^9• Franaiicode S« htí»*€Hott. 
verbo Detídhar. 

Ahdârra :, oexemplq dp Ff ^Chagas, de proaonda^Se vielofA 



iil« épftra se antepor' aos meUieTes eseripAore» antigo» ^ que sem- 
peo disseram i»údArra : moderiui, como aqoeile escreireu, é erro 
da fktke. 

Movei: Begfsuido a exacta derivação demoMM, ea analogia 
de mMKdadej devia dizer-se mt^U: onXo segair^e estepreeeita 
pfooede daptatioa consta ate, queadoptwi a primei ra pTonuncia- 
ji«u Ápplfceramoá o epipbonema éo A* na mesma pag. 107 f 
lâah. 2ft : iankí> pode o «se / 

Montearam t pettende o A. segaifido Bamta aohar uma dae 
raízes dèste> noMe no grego asotios, (um); suspeitámos que se en- 
gana redondamente, porque o instrumento assúil cliamado (hojer 
eM dfaHtse) não tem orna corda s^', senSo muttasv AJent de que 
o mesmo em fraswer é manichorcSon ^ em hespanfael fnanieoréua 
e- meiftflRvrdio*. Eatulatím acba-se numoehwrdutm 9 immedmtaraeií- 
te tirado do grego , mas significando um instrumento com uma 
só corda esAeadidã, e escala ^ para sé conhecerem oa inlerVallo» 
d«s aonsv por consequência bS» é a espécie de:espÍBbéta a que 
(^samavetnoa maniearêÁxt^ 

BÊovbrat omesfror éigoaimentéClaastco'^ é aia- de Vieira que 
o A. muito cita e acata. 

OHvél : leam os eni^iaaos- oa- artígoe tíval e oHvél^ no Dfccio- 
nario' de Morae», e coalieeeBdo a derivaçSo deste ul tisno termo 
e os muitos e bons- exemplo» em-setr íbror, paamariiodo ooiíio-O' 
A. O' arremedou para o entulbo dto erros vu^res. 

Ondadè : e pesque nSo ha de ser encfeocfo , se o^verb» é oti»' 
dear e nSo- omiar f -— Se Gamõest na cançio M.^ dissecieabello^ 
mtdmievrhÈ uma sjncope^ já.H) c&nt* 10»^ esA. tâJd do» Lnaia*' 
das pos o eontraaio» 

" Vê Tidore e Ternate ,. c*o fervente 
Cume, que lança as flammas ondcadai. 

Se tivesse dito- ondEsMÍat fiaàYa--lhe errada o versos 

Oppressei: a citação daauottridMÍe de Brito, neste paragpa»^ 

pbo , robora o- qsie cOascmoa a- pa§« 16âv 

JPúrd99»: achamos jaita a observação do A.> Noi)s»-se que>or 

Dicct de Moraes não traspardefi^O; sendo, aliás pakvranecessaria*» 



184 

Fretnaiica : nSa cMicordamos éom o A« ^ qoem sabe se eí*>' 
raria Jacintho Freire ou o seu impressor f -^ A lei sumploaria ^ 
applicada a coarctar as demasias do laxo , chama-se em todas as 
liiiguas que conhecemos pragmática; sd os itaiianos lhe tiram o 
^ , segundo usam em outeas pialayras. 

Presepe : éàe boa derivação \ e qaer deste modo , quer pre^ 
sfipio.y tudo significa manjadoura e estabulo de animaes, como 
pode ver-se nosauctores latinos eem alguns dos nossos: hoje nao 
se dis senão para denotar o logar descommodo e humilde, aga- 
salho de animaes , em que para começar seus sofrimentos quis: 
náscèr o Deus Menino. 

Paternal e paterno : a diferença entre estes dois vocábulos 
acha- se devidamente estabelecida , segundo os princípios ideolo-, 
gicos , que devein ser os reguladores das lingua» , no JSnsaio so- 
br^ Synoné , artigo 36. 

Prettntor e pretendente : assentámos que é melhor seguir b 
uso moderno, que adoptou /^erf^nden^è , por ser mais etymolo» 
gica , e naturalmente tirada do verbo respeetivof assim como 
de pertencer tiramos pertenc^ttèj áe produzir y'pr<HÍucenieAxs> E' 
um participio de presente ; ninguém o pode oonteátar. • 

Primada e primazia : não podemos assentir á distincção do 
A* : nem o exemplo de ^Vieira , que segundo o mau oòstumfe do 
seu século fazia jogo de palavras , vem para o caso. 

Produxidor «* não é por certo melhor palavra do qae produc^ 
ior; paifa nds 4>asta ter esta menos uma syllaba.»-^ Observemos 
de passagem que tem havido quem repare em se dker /i^rockiclo : 
olhem os reparadores para o Ensaio sobre Synon, (qoe nospou* 
pa citar outras auctoridades) cacharão a pag. 230 do 1.^ vol. -^ 
Os productos das artes não são mais que combinações differentes 
dos materiaes , que cada uma delias emprega &c. 

Proseciíção : e termo genuino \ t&mhem proseguiçao tem auc- 
toridade a seu favor , mas que ninguém segtte« Diser porem que' 
prosegtiimento é erro, não pode tolerar-se, quando nos Dieciona- 
rios vulgares achamos exemplos em contrario : é nem mais nem 
menos o mesmo que desapprovar a palavra seguimento^ absurdo 
em quê ninguém cahirár 



185 

Meçuo : ração é como deve escrever-se \ o termo obsoleto , 
tirado da língua callaica , era raçom. 

Medito: tanto vai como rendimento ou renda; a distincção 
aqui apontada nao tem fundamento. 

RepoUa: verdade éque antigamente assim escreviam: mas 
o destempero étao manifesto, escrevendo-se retponder^ que nin- 
guém depois de emendado o quererá resuscitar : — fique reposta 
para a variação feminina do participio do verbo repor ; e não se 
cogite de renovar arcbaismos sem tom nem som. 

Sedento: ha neste § um engano mui notável. — Sedento diz- 
le do que tem sêde^ sedeúdo é o animal que tem sedas como o 
porco &c. : — portanto nesta ultima accepção disse Leonel da 
Costa , na versão de Virgílio : — cabeça de um javali $edeúdo , 
e não podia pôr o adjectivo na significação de sequioso» 

Sinalar , e não amnalar. Tantas vezes se nos offereceu oc- 
casião de fallar na appoiíção do a a certas palavras , que seria 
importunidade repetir o que dissemos: pelo que limitar- nos-he- 
roofl a dizer que atsinalar tem por si (ao contrario do que affir- 
roa o A.) a abonação dos melhores Clássicos: cremos que para 
prova bastará o seguinte exemplo do escriptor mais aprimorado 
na língua 9 Fr. Luiz de Sousa. — m Assim assinalou (Deus) o nas- 
cimento de S. Carlos Arcebispo de Milão ÓLc.n^T^uIà de D. 
Fr. Barthol. dot Mart. liv. %P cap. 1.** 

Surcar: évoz antiquada: devemos dizer sulcar ^ eo A. nos 
dispensou de apontar a e(ymo1ogia. 

Termentina : assim ordinariamente se pronuncia , segundo 
escreviam antigamente ; mas não ha duvida que deve diser-se 
terebtnthina 9 por ser a resina que dimana do terebintho, 

Tr<mcar: parece que em rasão da etymologia , que o A. 
cita, devia ser ^-uncar: mas tem prevalecido a primeira pronun- 
ciarão , talvez porque dizemos tronco e nao trunco. 

Záfira : nem deste modo , npm com o género masculino e 
começando também com s, cooio fez D. Francisco Manuel no lo- 
gar citado 9 se deve escrever esta palavra: significa ella uma pe- 
dra preciosa, os antigos escreviam çafíra; porem a sua recta 
orthographia c saphira ou safira. 



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índice. 



Pag. 

Reflexão 1 .* — Sobre a verdadàra pronunâcçâo de 
alguns nomes youe corre vuÁada pelo povo • • • • ^ 

Reflexão 2.* -^ Sobre alguns nomes aue só tem sin- 
gular ou plàraíy segundo os exemplos dos melhores 
Oassícos • .r • ? 

Reflexão â .* — Sobre nomes que tem género commum 
de dois' ou ãumdosOy ou qu>e tendo^ certo ná<? xe 
lhes dá 6 uerciodeiro. .........•••••• ^ 

Reflexão 4.» — Sobre a terminação de alguns super- 
lativos • • • 1^ 

Reflexão ô.* — iSò6re o uso dealgims advérbios e in- 
terjeiçôes *4 

Reflexão 6.* — Sobre a diversa terminação de alguns 
nomes diminutivos • 1* 

Reflexão 7.* — Sobre alguns partuApios, cuja pro- 
nundaçâo corre vuAada • • 19 

Reflexão 8.* — Sobre a pronunciação breve y ou lon- 
ga j de algumas palavras , e nomes próprios. ... SO 

Reflexão 9.*^ — S(ire os erros que se commeitem na 
conjugação de alguns verbos 26 

Reflexão 10.* — Ém que^ tratando-se de alguma» fi- 
gurai da dicção , se responde- a algumas objecções 
que se porão á doutrina da Reflexão antecedente . 3S 

Reflexão 11.* — Em que se discorre sobre aspronun- 
dações sórdidas e obscenas, procedidas da Cacopho- 
nia, das quaes muitos advertidamente não querem 
hqjefa%er caso 36 

Reflexão 12.* — Vocabulário de palavras ^ que cor- 
rem presentemente com prominciações diverstis, • . 38 

Notas 16S 



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ÍI^IRATA.,. ,,,,,; .-■ f ,.,., 't 



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ii» .W. .>». antepep., estertor, , .. ^^9t♦r'•^o^ ^ t, 

V»» .U3. .«. . U theologio tliedjbgò . ., 



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REFLEXÕES 



SOBRE 



LIRCn POBTUGnEZÂ. 

£SCRIPTAS 
POR 

FRANCISCO JOSÉ FREIRE, 

PUBLICADAS COM ALGUMAS AVNOTAÇOBS 

PELA 
SOaEDADE PROPAGADORA DOS CONHEaMENTOS ÚTEIS. 



PARTE TERCEIRA. 



Camprehenãe Ulustraçõfs e additamentos ás Partes 1/ e 2/ 




LISBOA. 

Typograpkim da Sociedade Propagadora dos Conhecimento* Úteis, 
Rua Nova do Carmo N.o 39 — D. 



1842. 



%■ J-* Ik 



REFLEXÕES 



laSa^flA POSlVTTOTnSSA, 



REFLEXÃO í.* 

JBm que se dá a ler um copioso Catálogo de anr 
figas palavras portuguezas , para insfrticçdo 
do principiante no estudo da nossa historia e 
mtmratura dos primeiros séculos dã Ungua. 

J3ein longe estaTamos de acrescentar 3.^ Parte a es* 
te livro, pois que já o tínhamos pròmpto para as licen- 
ças dos iribunaes ; porem dando-o a rever a um sincero 
amigo, que tem uma profunda erúdiçSo da nossa lin«, 
guagem , rejiàrou-nos em algumas faillas que por omnits- 
sík> tiiihainòs tom riíet tido , e rogou-nos que, por serviço 
do mesmo escriptor principiante, para quem 8& escrevia^' 
mos^ quiséssemos acrescentar á Obra uma 3.^ Parte, que 
servisse de iltustraçSo eadditamehto ásdúaiá^pVecèdèhteir/ 
Às faltas' em qtie ellè reparou dilo-hSb asReflexSes 
seguintes: nesta' s6 diremos qiié óseu primeiro reparo 
foi afio termos feito mençSo' de um grande liunièro de 
vozes antiquadas dos nossos primeiros séculos, tendo alias 



feito memoria de al|;vinias (^ye. ^gp^^uaram desde João 
de Barros até o Padre 'Vieira : que^este catalogo, que 
elle pertendia , era necessário aos principiantes, pois que 
até o presente nenhum 'ÂMJUMè nosso tinha tomado tal 
empreza, exceptuando Bluteau , se bem que até o seu 
Vocabulário corre bem faltei^ de bemelhantes vocábulos. 

Nós conhecendo o bom fundamento com que^ discor- 
ria na syií j;íSçte P Qf^9<^ ^mtÍ(o% rf^\Í*í^tJ^ihtíÍ^.SL acres- 
centar a Obra, e satisfazer aos seus reparos, illustrando 
com mais exemplos e doutrinas vários pontos, que nas 
Reflexões das duas Partes ou se tinham omittído, ou le- 
vemente tocado. Vamos a satisfazer ao primeiro reparo, 
mendigando pelo&^A^uqjt^ ^sy qi ^E^^ooifDfL dos primeiros sé- 
culos da nossa Língua, os quaes hoje ignora a maior par- 
te da çente qu^i^^p os encontra nos çossos. livros antigqiL 
e ríísto faremos à 'muitos nâo leve serviço, especialipen- 
te áòs que acreáceàtátem o Diccionarlo de Blulcàú/ ' * 
^ ' Jfbarca^ ealç^dò^'rtijfc}fco dòsnòssds aiítígós m^nta- 

est. 3. diz o poeta: «Igualaes as tiaras co^as aharcas^jf^ 



\. -'■ ■ ..í. 






jAUhar^ queaeadtâemescriptMfaaaiitigfte» sigftifica- 
¥a o níesmo quesigr^flcoii depois a^amr^ ehòj^ ertfépiarm 
Abolar : o mesmo que hoje amKÀgat. Adolani^ ^m "va* 
TÍo» livros antigos.^ e ainda Camões imoq de^lé yi^rix> no 
cant. 3. est. õl. Nâo o duvidou seguir Gábdel Vexòv^ 
na sua Ulyss* caot* 6. est^ éé. 

Ahrego : assim chamavam ao venta ddmeio^ia^.qiia 
V€m de Africa e corre para o poente; Aindmi iisc^u'. deste 
terlno oAtidtor da Malaca 'Conquistada^ Ltv.fl. esl. 78*. 
Abuâomar : tdeonder o áfqgar. Aalq^raphia de Jor- 
ge Ferreira , pag. S9 : « Tendes logo outiQ. para «|&I«'<»^ 
ma^ lodos esses 9 &c. 

AçaoiUt cousa qàd servia de. acarretai agua« U8a^ 
desta palavra Barros na Decad. I84 pa$. 48 ^ diaei^lo ; 
a Bois iâf o^ci^ sy i&e. 

AcáíirSo : o mesmo. que ^unfio.óu .d pcv'. A^çha^se na 
Granloatica Fortoguesa de Fernão de Oliveira^ cap, 36» 
vtf centrar : tw^tgar. Carta de Egas Moslai ; ^ M«i 
jaogo e niei amar aovbos acBÊrre n ^« 

Aetrkari o mesmo que &qje /Mmrtir <70i9 respeito^ 
Acatamento ainda presentemente se usa. 

.AcaioKei : ir oído fino e kisiroio de que ukavam os 
antigos. Delle Vcníi a- palavra. oea^^ofodo, í%ue se arM 
aa- Vida de D.- Fr«. Barllnolmium dos Marlyresj^ pag. 
S6£yool. 3»ydisetido: seda aeafaso/odkiw . 1 , 

Acdro: o mesmo que hoje agtíi iJJ^fíSáraJixiiO' 1^ 
Monw LiisiU tòin^ I4 pa^il?» a>L <&. > .: ' 

AúmiMia: i^SBáo itiesneo que hoje aparai d^ car/- 
pÍDieioi^^ gprâ valos ^ palhas , e ou trfia semdhdotes m^ 
terias xrotnbUetiveis^ Aclia-w nos Díaiog;. de ¥x, H^yliCMr 
FiAio, part..S. pf^gw SÃO. 

./ácendradê : o mesmo que apurada e afinado no f^ 
go: acha-se em antigos poetas: hoje diz-se amioiado- 



8 

j4cej^ihar: o meftttiò que a/tear ou bornir ' alguma 
niàteri!^. DizUimtÀmhem acejnlhador e acejnlhadmf a no 
ú^úitctiào de raspadura. 

Achadègo : o mesmo que acha/do : acba-se Das* Ordc* 
nações do &eino. 

j4chadôgo: o mesmo que ahiçaras ou premio por ai-*, 
guina cousa aefaàdia. ^ ■ 

jiichanar significava o mesmo qae/oaer/oci/ enAo^ 
nár, Usoii-a Brito na Monarchia Lusít . tom. 1. pag. 13é. 
jídrnar acba-^ em militas escrtpluras antigas , esi* 
gnificava acfoòar. 

Acmtcmcnic ou cmtcmcnic^ que se acha em mui^». 
£tntlgosy di2 Duarte Nunes de LeSo que» sigAÍÂcàva õ 
mesmo que áelentemenU. 

jlçodado : o mesmo que muito apxssado j ou tam* 
bem perzeguhdo. Ainda João de Bacios usou desta pala- 
Tra na Decad. 3.^ pag. ^14, e com o aeu exemplo nâo 
teve duvida D. Fraiicisco Manuel de jusar também dei* 
la na Carta de Guia de Casados, pag. 4. Desta voz.de* 
duziam igualmente os antigosi açodamento por prosa ou 
perseguição. 

jíçodar-u : o mesmo que afibelar eapressar^te. Usa- 
Tara também de opociotTtento e de açodadamiaúo. 

AcompúAcoão : o mesmo que amigo intimo. Acfaa-«e 
em Fernão Lopes ^ c ainda em Fr. Bernardo do Brito 
no tom. 1. pag. Iõ9. 

Aconiiado em ampla significação valia antigamente 
omeámo que svhdUo ou vassallo d^£URei. Depois '-signi- 
ficou também ^/Ecíaijg-Oy que por mercê regia possuía <£as-. 
teilos ou villas. No reinado de D. Affonso õ.^ chamata- 
se vassallo acofittado a todo aquelle qne recebia d'£I- 
Rei uma certa contia de dinfaeico para o servir eni tem- 
po de guerra. 



9 

jiçorádo : stt/mmamerUc - desejoso. . Usou-d Fàíia na 
Font. de Aganipl lâv. 1. cant* 5-.» sooet. 68. Oftiaatigoí 
diriam açodado tambeia neste sentido. 

Acofoçoado e aacyr.oçoary que se encontrarias nossas an- 
tigas chroaicas, significava o mesmo que.aniir»adb e animar, 

jécossar-sci q mesmo que andar um tanto como o 
seu companheiro. Esta signifiicaçâò é de Barbosa no seu 
Dieciònario. 

Jlcostamenío. Achamos em escripturas antigas ac<w- 
iamcnto de fidalgo , e Talia o mesmo que $oldo , salúrió 
ou moradia. 

Açoita : o mesmo que arado. .Usou-o Sá de Miran- 
da nas ^uás Éclogas, e ainda o traz Candoso no seuDíc- 
cionario; * : : v 

Açouibr: o mesmo , qué infamar e tachar de infâ- 
mia, segundo Cardoso' no seu Diccíonario Vulgar. Dit 
ziam também açoutamenío e açoutador. 

Ad€àl i cabo dos nossos exércitos antigos ^ qúc enca- 
minbav^ a soldadesca por caminhos encobertos e nSo tri-«: 
Ihados. Governava aos almocadens e almogavarés , gen^ 
le destinada' para induzir com segurança o ex^ertíto por 
tdrras iiiimigas. 

jidareadoí o mesmo que nvurculoi e adarve o mes- 
mo que foricdeza ou castello. Nestxs sentido os usou um 
nosso antâquissimo poeta, dizendo: <<£ Gibraltar .ma-> 
guefque adai^vadò99 ^c. 

Adeniado [termo de armaria] é tudo aquillo quele^ 
va ao redor algumas pontas; e assim. dizem : banda de 
pf ata^ aãeniada &;c. 

Adestro : cousa que os grandes senhores levavam pop 
estado em sua comitiva^ e assim diziam m antigos^ ca- 
tàUoB qdeitro^ enSo acÍ€sfra, como hoje dizemos; an* 
das adestro^ andor adestro &c. 



10 

Adiantado : antiga dignidade em Portugal e Gastei- 
Ia*, êMsim militar oomo cifil. Na milícia valÍÀ o meimo 
que boje General j e noa tribunaes o mesmo que regedor 
da» jugíifas^ tisi ^.^'P&rt. cla.Mon. Lusíté pag* 83 sediz 
qtie oi an ligos tomava n& lambem a palavra euihaníado por 
iriwi^ador. 

Adoba: «specie de grilhão ou prisão de ferro. feito* á 
maneira de um ladrilho, Âcha-se esta palavra na ChiOt 
nica d^SURei D. João 1,^ pag. 78 ^ e ainda a usou Fr. 
Lqíz de ^ottsanasua Historia^ diiendoocíòb enXocuZoòaé 

Adrede : o mesmo que de propósito. Achasse a cada 
passo nosAoctoreS' antigos; 

Adregar yalÍA o mesmo que acotsttetíer. Achamo-lft 
em varias escripturas do reinado d^£l-Rei D. Diniz* 

. Adua: certa gente plebea^ que. era em. tiemfios an- 
tigos olsvigada ao reparo' de mufoe.e caâCeUo9 d^ viUaá 
cidades do reino. . >. 

. Aduf^ : om6smo<piet?ei^c(2rta oo^m^al. U^U^ Fer- 
não Lopea )aa Ghnonica d^fiL^Reí D. JoSo IJ^ paãU ã« 
eap. 193. ^ : 

Aduãxfr : o meanio que tra%er. AchfH^ iioa an»lig09 
versos que transcreveu Miguel Leitão na^sua MiseeUa^ 
aea^ te De Cepla aêttxerorb ao iolar de E$paahaw>^ 

Afem'^,Qme$mo quefrahiífto. .Vejanse a Duarte :N«4 
nesr mi Origem da Liiigua PorUigoeza»^ onde pro:va.qtto 
deste termo é que se formou o verbo afitMr^^p^^o^r^ 

tíj£fiiqiafàn£ido<\i> . ' 

'' Afanar valia o ^isesmo que. /ra&alto* com demasia^ 
da anciã, força e cuidados. Era verbo deduzido Ao <i^<Mjl 
qw^ figniâcava túmio trabalho e lida. 
... ^A^ítmaníQ : o^ me^mo que ra:9ÍD.f0rçaia' ottaputúé 
Lopes, ChrÒB. d'EtRei I>. JoSa l.^.part. «. ôap, liák 
Havia também o verbo afícar^ qa&aesbe]la;n^«titig* VI* 



ii 

dfi âa.Q9od9rta«el.X>. Nuno Alvará Peieira» pag. 73. 

Aforada [cousa] o mçaniP ^w^^wAtíf Ail¥}a- m 

• í AforfQ^: Q nésMko qua ó Vigmrçk^ AobftHie «m Da* 
mião de Góes, Chron. cap. 64 : m Paitiu BI-Reí d<» Us^ 

Afforrado {lato^o^ qUt ^m o mesmo qtt^ c^ireitAiQ^ 
pelo. que le «olhff lift Vida dQ ÇoQ^^nlavel^ pag« 66. 

^reimoGÍò : o mesrno que Q^kmicQ y^ e mofkum^t^' 
«09 tsQttO 49ií^v4tgiii6car^ « aanim. diaíam ; J5«iá& mui 

^or«nfiir .: aQiòfaBftO> qitfit arr«íí(mclar algema iDOusa. 
A^ilegF^ tta.fiág^L ã«;^íi^^gor<tite(2a eioenida«.f'XaBibntfi 
sigoí ficava diminuir^ e diziam: aFamilia.o^orcn^pdíà'-» 

Jigfi^lS^; ^i»MqiP;q\%&i?f»fttoní^M« Acbà^seoom es- 
ta signiôcação ein.^*d8 MiiaodAy e tamlMOi Iba .4Í 'Jê« 

> : < ^14^ :t f) lP««i)Q« ^m 1)^48^. .Dlneisaa vexéi se acsh» 
na antiga Vida do Condestavel^.pagv. it^^.&> Alíí\* \ » 

. 4í(puiiit«^^ facamWM^a .oa poiUa .4 ananeha ilei fou- 
ca^ Aiada.^ aiha «ta 6í»rrm oa Dveod* 9^ pag^. 31- 

^2: o mesmo que outra cousa, HoJMuúnda a» usi^vt 
o% escmae^ w^ éíifiPmfíoMí». ^ lesteam^dasa. £m Sá de 
Miranda é mui freqiiaiil^.^uaD.da»ta:p(Uàvi;«u ]' . 

• Akígm t o . naHUQ. que- dísvpor ^ «jassim. dlkiam : 
clfc^ar Qsi beoi.» a$ liftfdÉBdi^a.&tU;, cbnKr dia jCaíiloso nai 
seu Diccionarío. 

,'.' \ JUUiínkkX cu'iialct}perfe(>neento astt jaaf és . ds> caiFalIo. 
Ainda se acha na Historia dos Bispos doPurllo^ p^g-» fi9w 

. '. A l/ k iéè:: oimaftÉiai|náiKSMAaide:soldadiM^ Hcift&ain- 
^0(dâteaBlí)s.iioi «mli<^ilgueB4tí^ scl vindo. dt^s^ttoaònat 
a ostentação. ..*'•!' j. : •• - 



Alorvti davam este nome a todo o Iiomém mbntá-* 
nhez, e neste sentido é que se ha de entender o uso qaô 
fez Gil Vicente deste termo. 

j^lçar-se: algumas vezes valia ome»mo qaerebMát^ 
se, como diz Zurara na Tomada de Ceuta, segundo Lei*- 
tao na sua Míscellanea. 

^i/bg-em: cirurgião. Foi vocábulo que tiramos dó 
antigo castelhano , e deixado pelos árabes. 

jilfageme: aquelle qlie guarnecia as espadas. Acha- 
se em muitas escriptilras antigas» 

jálfaqxkêque : significando o mesmo que pcúMfio ou 
correio. Lé-se naChronica d*El-Rei D. Duarte pag. ^. 

Alfakado : o inesmo que. ornado com ricos nioveis* 
Acbá*>se cm Damião deGoesnaChron. d'£l*Rei D.Ma!* 
nuel, pag. 48. 

Alfontnm : moeda de prata, que mandou lavrar El- 
Rei D. Affonso 4.^ Valia nove soldos. 

Algara : certa partida de soldados de tsavallo , que 
saliíaa fazer correrias. E' termo que se acha em ás nos- 
sas antigas Ordenançaft. 

AUiur: antigo adverbio, que valia o mesmo que em 
outra parte. Vejá^ie o tom. 5. da Mon. Lusit. Liv. 16. 
cap. 35. pag. 69. 

Alhurhuqturque : ó mesmo que onde quer que. Ve^ 
jase a Mon. Lusit. tom. 6. pag. 69. 

ARfaie: cousa pertencente a cama, segundo se co* 
lhe do Testaniento da Rainha Santa , que anda na Alr^ 
cobaça Illustrada. ^ \ 

AUwar: omesmoquesocq^ar. Usou*o Sá de Miranda 
no sonet. â4. 

Ailcmanisca : cousa de AUemanha. Foi nMiilo usa- 
do por Damião de Goes^ e o traz taanbem Cardoso no 
seu Diccionario. 



13 

jiUó: o DQíesmo que lâ. Veja-se o tom. 5. dá Mon. 
Lusit. pag. 19f e 300, col. S. ^ 

AlfinccAat, no poeta AffonsoGiraldes seai^a que era 
um certo sigilai que traziam em Portugal os mouros nos^ 
vestidos, quando nSo usavam do seu traje, e isto |)0r lei 
d'Bl-Rd D. Affonso 4.® 

AlnAlha: vestia, que se trazia debaixo do juliãp e 
sobre a camíza. E- palavra frequente nas escripturas an-^ 
tenores ao reinado d^El-Rd D. Manuel. 

• jâlmocooar : antigo cemitério dos mouros em Lisboa 
no bairro, da Mouraria, A€2ha-5e nasiiossas antigas. Chro^ 
nicas, especialmente na d^£l-Rei D. Pedro 1.^ 

jílmofrexe^ de que ainda usou Barros na Decad. 4. 
pag. 331 , era uma espécie de mala ou saeo^ em que se 
levava a cama. 

. Ahru^aoerc , segundo Zurara no livro ,- Tomada de 
Ceuta, cap. 15, também significava Za<2rão salteador dos- 
que fugiam da guerra. 

Alquebrar é termo de marinhagem , e significava o 
enttar a render-se e a dobrar-se as cintas, da. costado da 
nau, ou por peso demasiado, ou por força de tormenta. 
Ainda João de Barros usou desta palavra na Decad. $. 
pag. 86. 

Alquieé: panno de filete branco, com que se cobrem 
os mouros. Os antigos também escreviam alqmccr^ e des- 
ta pronunciarão usou Fr. Luiz de Sousa na sua Histo* 
ria, Liv. 4. pag. fill. 

Abroiàr : o mesmo que escarnecer, Lè^se em muitos 
livros antigos, e ainda se acha na Vida do IrmSo Bas- 
to, pag. 99. 

AUavúà : cousa á maneira de vaso , em què Anti- 
ganiente se lançava qualquer líquido. Usou*o o Aucfcor 
da Arte da Caça, pag. 68, 



14 

•'•• jíltí^nã: véAidum dér alguss sftoerdotei <lá india. 
Mendes Pinto, pag. â07. .' . ; • • . . . .: 

jámáâkgo em ò me^mo qtife ftKmili& dd lavradores , 
p&troeitiada por algum Adalgo^ e por iss<y IttH; d9 mul*^ 
t09 tributo». Provinha esto privilc^io^^ pàtrocsiaía dâ^ia^ 
rem os ditos lavradores creado étn aoa eata â^ttiili AUi<^ 
legfiimo áò tal fidalgo.- Este m^monome dávailf tam- 
bém os atitigo» áqaéUas berdadei du cadaei que «sdaiiratt 
debaixo da proteâçSo dis algUm leltlidY de/tem» tÍBÍntiai^ 
pf^lo kife<»mo fiMMiW)' da oneaçfo de algam ftUio seVU El* 
Rei D. IXítlte tirou por e^ciál Dddreto elCas honrasiér 
amadigos. Tdfftf^éxo.tDm. 5i dâ Moo.LubíIí pQ|^ Iddi 

AvnA^cf^o mmàío que €$méaça^ Aéás^*ws ãaa.^esias 
dtf Gti' Vieeiney «no CattciondlfOi cte llsiettde «ih.dií^et-f 
SOS logares. 

.t4yfmíharv^MliiL o ines»0 q\XB damaiàear, Atilegra- 
phia^ pag^ 4dc: <»Aada tíbi àé le^àé^yqúé íí&» a^pcmM 
amalhar. » .*'..♦ 

Jtmamentur :r o xoésmoqué dardâ mamata X^ava- 
9è eite^ verba mó o reinado d^fii^Rei D-. Jcríto t.^ fim 
t^rma pofíalan 

AwiféLktebuia [áà^àtí]^ Oni<ftmo«|teoèi'cAda'da'nltli^. 
ros. Hoje ainda usamos do sèu contrario desmanidádâíj ~ 
' Atrewcwi^s»:} a mesmo qm eôynpadMçr^ít^ 4^^'^® 
nrVida^d'Br-Rei?I>. Joga'ft.<><mp. iMv •' 

Amor a:maHnK>'q«e aiiíi>iAetia4se-0ni^ núilov piipfei* 
antigos do Reinado d'£l-Rei D. Didfo.. - • a 

j^kmmetaãà: o fitemoo qttd frowfo oa «ièiea^^cZo. 
Aolegraphiá ^ pag. 1.^ verso: n^iibiido cie reba^^a «êd 
de galantes amoi^netados y^ &c. - '...!. 

■' ./imxntBOx bomeni^dtfBpMBttdbrda^ vida^^eitipd^ a 
oeutor e tf\ ideote 'peiégôv IUsaMuni deHtf teMi^ o» «Mrtpio 
res das cousas da índia. ^ " ' 



lõ 

Anafar [a& agna»] : o in^fcmo q|u^ reitffol»c4((% cam 
fòrfa. Barròa nâ Decad. S. .pâg< 187. disse : a Quando os 
nortes tezos lhe anaçam as aguas de «baixo para dma* 99 

jándido : o mesmo que fraco, ^ Achamos este termo 
tirado do antígo castelhano em uma instrução íeita pá- 
ra o infante D* Luiz:« 

An^jo: o mesmo qxie farrapo oU p^dago telho de 
algtiin panno. £^ usado por Fernão Mendes Pin^Lòi e o<^ 
tros da mesma idade, que também diziam aniír^/oso por 
egfmrapaehé 

Andwrriaes : logarôs trilhados por obde anda mliita 
gente. Acha-se em Sá de Miranda na Eclog. S. ii, 9^... 
-i Annojoi animal deumanno« EVtern^o moi frequen- 
te em os nossos antigos escriptores. 

Anid eúm ante ^ que traa Cardoso no sett I>iddona- 
rio, queria dizer o mesmo que mm ligciramuenU. . 

Antemsa valia o mestíio que odmsrlkía. Achamo-lo 
^muma carta, escripta pelo bispo D.Garcia de Menezes. 

Amiduva: serviço que antigamente se fazia , ilraba* 
Ihando nas cavas e -muraUm? doa cafrlollos. Mon. Lusít. 
um. ^; liv« 16. eap. 19» S 

Aosadas : o mesmo que abundantemente* Acha-se eul 
uma carta do duque de Bcagança, D. Fernando, para 
El-Rei D. João S.^ Usdu-^a tambentk Jerónimo Cardoso» 

Apostemar-se: o mesznd que opoagíar^e. Anda no 
Diccionario de Barbosa. 

•Apostoligo valia, o ausmo que Ihjpoy como bem proe 
va a Mon. Lusit. no tom. ô. pag. 148. • . 

Apfemair : o ixiesmo que oppttanir e iti/âUâr, tegun- 
do Barbos eCcírdpsòi emdeus DíccíonaKÍoa^ Dbáami Udíd- 
bém os anlígoe â^rcmodér por óppíÁssúr^ 1 • 

Aqueecer : o mesmo que sibcceder. Lopes n» (%ron« 
d^El^Rei D. Joflo l.'' pftrt. L^^eap. i8éw 



Arandda: (kfônsa de que usavam os antigos 9olda< 
dos na mâo direita. Era ámandra de funil, e prega-' 
vão^a Qo grosso da lança ou massa. 

Aráisrki: aos termos e expressões >q:ue não se enten- 
diam chamavam os antigos faliar poc aratna. Âulegra- 
phia , pag. 79 : a Ninguém me falle.aramâ. 

jirhim: tecido rústico deque usavam os antigos ple- 
beus. Âcha-jse na Historia dos arcebispos de Braga, part. 
S. pag. 334. 

yírdego: o mesmo que /ogoso. Âcha-se mtíitaç. veies 
na Ghronica d^£l-Rçi D; João 4..^, eno Caneiónéiro de 
Rezende. 

jírgely segundo Barbosa^no seu Diocionafío^ disia- 
se de pessoa com pouca ventura. 

Argulhogo: o mesnto que iadttô/msa, Cvtambèm dv- 
Rgentcy segundo os nossos açligos- vocabuUstas. 

jénniono^ conforme o Áuçtor da Vida do. Condes- 
tavel, pag. lOt, responde a cotíeír^ coberta e fechada, 
de que se serviam os antigos. . 

jirmalo&tci engenho de qtie usavam os antigos parlb 
despedir as bestas. Vejarse a Brito na Moa» LusiU tom: 
1. liv. 7. cap. Ô8. 

Arminhado [termo: de armêria] é o canípo d^.escu-* 
do, composto de pelle de arminho. . > . :/ 

jirvi£% em rigorosa significação antiga era toda a ar- 
madura de ferro, que cobria ao. soldado. desde a lOSibeça 
até ospés. Veja*se.a Faria^.aomiiieniando o cant. 6. da 
Lusiada, est. Õ8. 

Arr(úal\ palavra iestiva , com queantigameâte os 
soldados acdamavam aos reis de. Portugal, e valia omesr 
mo quelioje Real! Real! Monarchta Lusitana, tom^ 7. 
pag; Slé. 

Arraiar \ o mesmo, que onsar. iVoha^se erii^ algUâs 



17 

poetas doCancioneiFO de Rezende» oaquaes dixiarti tam- 
bém arraiado por ornado. 

Arrdw» : o mesmo que rckmo ^ isto é ^ que ?ive na 
laia de álgam reino. Era termo mui usado no tempo 
d'£l-ilei D. Diniz. 

Arredor o mesmo que loffigCy e delia vem orredio^ 
que ainda h«)e se usa. 

Arrifentarx o mesmo que embruaxar alguma, crián^ 
^. Usou«o S6 de Miranda nas Éclogas , pag. 43. 

Arreme^ : chamavam á lança de arremego. £^ ter- 
mo mui frequente em nossas Chronicas. « Quatro arreme- 
gÕ€t lhe pregou na porta n diz Zurara na Tomada de Ceuta. 

Arremangar: omesmo quectn^r párbmxo. Dídam 
também arremangado por ángido. 

Arrepcso : o mesmo que conioeriido ; e daqui vem 
dizermos nós ainda boje arrependido. 

Arreve^ar: o mesmo que comilor. Ainda se acha em 
Barros na Decad. 1.^ pag. 49. 

Arriei: ornato depuro com que antigamente as mu- 
lheres baixas ornavam os dedos e também as orelhas. 
Forroava-se de vários anneis de fio de ouro ^ que davam 
muitas voltas 9 e tomavam metade do dedo. 

Arruela [termo de armería]. Na figura redonda é e 
meBmo que besaniei na matéria nSo^ porque beionte 6 
sempre de metal i e arruela nfto é predso que seja desta 
matéria. Também dhiam roei e roeis. 

Arteiro : homem enganador e dolo$o. Acha-se nas 
poesias do Cancioneiro de Rezende. 

A$eu90 : o mesmo que segredo. Só o achamos ení Za-> ' 
eu to Lusitano. 

Annkay adverbio: o mesmo que ligáramcnie e coth 

preiM : é mui frequente assim na prosa como no vérso 

do século 16.^ 

Part. 3.« 2 



jli»u» : pdn9ot Qú amar. Sgas Mmía na Cfttta.4 

sua Dama: <i Aamade-me^ sequeredee»? &ç.. Também, di*- 
liam' asmamunto por eonÁdtre^Ôo. 

jiuáo : bom geito para alguma oousa* Diúam taob- 
bem (useoso e asseosamente por geitoso e gÃtommúAiey íar- 
to é^ babil e apto para algum ininbtepio. . v. 

Jlisomada: o mesmo que logaif fTUMtoiífto.-.Usoii^ii 
Sá de Miraiida naSatyra 5. i». 1®. 

^ssèmo : a mesmo que opparetMa. Aftsim o àcha- 
mcte besta stgnifícaçSo na Malaca Ccmqaislaúa 9 Liv. 7. 

. jiktgúfitca* y que trax Cardoso no seu Diodonario | 
dárlbe. eUe em If^tim n dgirificafikx de vbtmmla e. fatigo. 

Atempar [antigo -termo fonewse}: omasmo que cMr 
ctder éempo para as appellagões se nielterem no Jilizo su« 
perior. Yid. Orden. Liv« 3# lit. 6d. cap.ô» . . . 

jétítermãt {pàlevia forensf] : O' mesmo %v^faaker teís- 
mo. Duarte Nunes já dá eite.yerbo por pouco. wado^ . . 

AíMwar. QFa o in«««io que. lUHpivAflfKitry segnaâo Fa- 
mília lafcrodiiogSoáíS Odea de GuDúeíi 9 pag. SC. - 

^^kn87*:.o..masmQ<que aoiéar^ Afih«vle am um an- 
tiquíssimos iiav«06 allegadsw pw Migad i^ítio na sua 
Mis€tdlai)«a ; a Uma aíkaarmi piasimadafaf^ha?' &c. 

At^amaa* : o mesmoiquie ofinM . W teimo mii fmqmtt- 
te no CandoaeiíKi d^ Reamidft«: 

Amr : o mesmo que úsimtúcer. W mui VuJ^p nca 
eseriptos, do seeulp 15».^ é 16.^ 

Aviventar, que ho^ dignifica pnràHí^ar or/vidcl , ai^ 
^4i6^ava aiiiigiamentQ «ipeHar e^dav viveaa a alguém. 

Bacinete : antiga armadura de ferro ^ .defonâva da 
eabeça ^ e semeUiante a um obapeu« AQba<'Aa na Chro- 
nka d'EHlei D- Jo5q 1.^ 

Bailheiro : o mesmo que ligeiro , cotno .se acha em 



Pemio Lopdi na Clcio»iMd'fil^8éi B. JdS<) 1.^, parU 
â. cap. Ub. 

Baiasttê :■ ò mèstâo que trtaé rc^i^ , otí f aiirbétti die^ 
^Igualdades, Aulegraphfâ^ {>6g/. llt^ Vét^: tíWsikthó^ 
graodfs iioisov^ eu is bot» 5 <â é!Ié' á» fhái ^ écc. 
r Boknaf f«giiii4o BWt«fáu ^ efra lím ornato iK) fio^- 
idinli^. fft«lèlhàifl6í M qUe bdjé «lMiitt&al<yfe M^^aMou oú 
volta. Cahia para traz sobre oshombros. AsantigÃs mii^ 
)hci«e8 «satani tamlit&fii (klltí dôtA guardlhfántes. OÀama- 
TftOfe também &o2diu^ a Ufisrcál^efé eom folhos lar^ds é 
fhiQJBÍdos ^ que êe ataliraÀDb por hktííõ éo jodilio. 

Banco de pinchar [termo de éfhbéiflíà^ ^oSò9 sáh^ 
xpÊe 6 divida dbs |itfiM:itéy de Pdrtf»^âlV rtlàs ttiUtCo» igno- 
ram A rasSò dètfta dUíoa. Antf^fâente '96 ài fef!^ é À 
pcincipe se «sseQla^flBB em eaã^twiíDf átftès ]p^aMKbo39 c 
osiofiúirtes em iMuscoS) caJo.as9eaÍío^m'âíAetiK:t{vo éê 
proDddeticia ao9 tnálr séishore^ eaobreaa dó f^HO^ por is- 
sã o poseratn pm diviot eoiís«nu ama^. Ncis lafii^ce^ é 
príncipes o banco era de ouf^ 9 e "ê^s infMtM e prinéézft 
de pcata. Ptiéehm ^ em aaiâgs: liagtfagéiâj valtft d" mes- 
mo, que ezrputeir eom» mefencia ; epara deiiocarôm qu4 o^ 
infantes precediam por' direito» nés assentos a q«ídl^eiP 
TBSsft:Ub9 eaexpttkknam de toda a pnfeédéiKtay disèeram. 
o« antigos bamo de pmhar* Yfja(-eg á Prand^eo «Soares 
Toscano na Dedicatória ao*lfviQy PâraMIo db Pliacipes^ 

Bamda [tcra»» àe alrmecia}^ ^^^ P^i^ ^^ féptè^ 
senta o talim de cavalblíVa y que Se lànç^ do aito^ do an^ 
guiei dieeito. do^ escédo á! porte eaqfncrda qué Hie fiOa op- 
posta Éò'fmidordDr<9oiifi<^. VepHee a Btateaii^ terb^ 'JA^ 
ctido bandado. 

Bpm^MM , de qm uaa o Awebor da^Avtegnqdlk, si* 
goifteaff »(o neémo q«e hcje parcial. Foi temao^ilirilda áK3 

antigo castelhano, que diria ^OfUíiro; '- ' 

2 « 



SC 

Barafustar f verbo de que fiinda Usou diversas reuà 
JoSo de Barros , quer Duarte Nunes que significasse o 
mesmo que reluctar» O Padre Bento Pereira diz que vai 
o mesmo que no latim prcBripere. 

Barhoit : parece que era aparte do capacete queco* 
bria as barbas. Esta é a intelligenda que dá Bluteau a 
esta palavra, que se acha na Cbronica d-£I«-Ilei D. Joio 
l.^pag- 849. 

Barbuda: moeda antiga d^£I-Kei D. Fernando, 
da qual trata Severim nas Noticias de Portugal , pag« 
179 , e o Padre Sousa aa sua Historia Genealógica da 
Casa Real Portugueza. 

Bargante : o mesmo qUe vadio j vagabundo e ocioso» 
Acha-se muitas vezea nas Comedias de Gil Vicente. 

Baroil : assim pionunciavam os antigos varomlj e ain* 
da Barros naDecad. 3. pag. 8õ usou desta pronunciaçik), 

Barrachd : antigo of ficial da milícia , que tinha a 
seu cargo buscar pelos caminhos os soldados desertores , 
e traze*los presos ao preboste general. 

Barrado [[termo de armeria] : assim chamam ao es- 
cudo atravessado de barrcu , isto é , de peças contrarias 
ás chamadas bandas. Vide Banda. 

Barregâoi o mesmo que amancAado^ e barregSa o 
mesmo que concuiAna\ porem em tempos mais antigotf 
significava honiem esforçado^ e mulher que estava na 
flor dos annos , como diz Duarte Nunes no Tratado da 
Origem da Ling. Portug. pag. '49. 

Barruntar : o mesmo que imaginar ou stispeU^ir , e 
nSo hoMofiar y como querem alguns pouioo instruídos na 
nossa antiga linguagem. 

Bjarruntai o mesino que eipias. Diz Barganza nas 
suas Antiguidades de Hespanba, que também os antigos 
portuguezes usavam deste termo. 



Balida : uma como torre de madeira, igual ou mais 
alta que o casteflo, da qual se atiravam as bestas na an- 
tiga milícia. Usou-a Lopes na Cbronica d*£l*Kei D. 
Joio 1.® part. 1. cap. 64. 

JBesafUe Qtermo de armeria] : peça de ouro ou pra« 
ta y redonda e chata , como moeda que nfto é cunhada. 

Beiar: o mesmo que hoje mathar. Sendo esta pa- 
lavra mui antiga 9 ainda se acha na Corte na Aldeia ^ 

pag. «41. 

• Betar : o mesmo que imitar j ou fazer uma cousa 
conforme a outra. Aulegraphia , pag. 17 : u NSo é pos- 
sível hetarmoi cores tSo differentes. 

Budofgio se acha .em Sá de Miranda , e , segundo 
Bluteau , parece que valia o mesmo que hliMioô. 

Bocete: peça pertencente ás antigas armas brancas. 
Era palavra inda usada no tempo de Joio de Barros, que 
diversas vezes a traz nas suas Décadas. 

Braguàro: compostura das mulheres humildes, a 
que hoje chamamos fnanteu. 

Britar: o mesmo que qudnt^r. a Britou a verdade» 
disse nesta significaçio Lopes na Chronica d^El-Reí D. 
Jo2o 1.^ part. f • cap. lõl. 

Brkna : o mesmo que hoje Biblia. Veja-se o Prolo^ 
go do tom. 1. da Mon. Lusit», onde diz: aUma Srima 
de mSo , ganhada a El-Rei de Castella f> êcc. 

Bro$kíri o mesmo que bordar com agutha. Diziam 
também hrodador ebroêládura porbordador e bordadura. 

Buraio : panno de seda fina , de que antigamente 
usavam as mulheres para mantos &c. 

Bu%: o mesmo que caUa-tcjà. Usou-o Sá de Mi- 
randa e Gil Vicente» 

Cà: o mesmo que porque. E* usadissimo em nossas 
Chfonicas até o reinado d'El-Rei D. JoSo ««® 



09, 

Q^apo ecQfi^i^iinkQ : o 9M9I|i^ ^whufáíro^ D«Ué for- 
xKMiy»» o Vftrbp. cogitpar , pot ca^sadr 4» lebre» >' ou upAr 

Cacha : o mesmo que engano e 6iigitneiita« YeJArfte 

a Mop» Lwtót, topft. i. pBg. ma. 

Qi^A^: enganar. Aul^grapliiii^ pag»6yQr]R0; i<Nlia 
quer eUft ipAw paru cooitor a ^w salvo» &c. 

Queima : Q mesmo qn» velho j^easercUado. no A^U of'* 
ficio: commummente applicava-se a ladrão, oi^ tsktxà-^ 
b^il) Ha çâL!9Diptoi âe se appUimv a outrai pessM»* 

Qiim^Qx Bf^guado o Auator das Anliguidadet delito 
boa, pag. 100, chamavam os antigos ao erocodilo* 

Çm»?iq i' Q m^vno que parco. £HaiaK Uttbem cai* 
nhe%a por par^noma.. 

C^fãm : 4^Túga ou cocariam pmgom : aoka>sa esta 
p^Iuvra na Qbroitka d'£lr<Rei D, João 1^^ pag, 3é8» 
Também a usou JQíqiifos na Decad 1 . pa|;* 37. ooL é. 

Cyncji/: Mtiga jh^^a doOmm, dez das quaes va- 
liam lõO réis portuguezes. B^ palavm que ae aoha fve^ 
quent^maa^e aa Kíiloría da lodia. 

' Capapclh ; çspeale d« yfi^tido , de qtiA te ««uva ao 
priocipio do reioo , como diz. Oliveíca fto Gramjsaiica 
Ppr^Ug^^zci, cap. 39, 

OipeUmOi: em Wfta QcvMid^ra.de cavalleija^ Aeha- 
se na Mon. ]^sU, Doon. 9. pag.: 197* : 

G^%r,Qt^i eabeilo peqiéeoo da que Uiaivam antiga* 
np^ei^te II» do^z^iai^ ^ ftiei»iaga« NÍo fca «ittUo queftaaaN 
tiquou esta p^^lavra» peb akràa «e aeba. naa Obiias de 
Francisco Rodrigues l^bo*. 

: QgoçK^l; am^sxQio que otaadp qii omiigO) de alguma 
cousa. 

Qi^rP€g<^ ITaoBie] .^ o me^ma qii? «iigra> atgiméoGardo* 
so no seu Diçeiw, Aobamo-la usada por Damião de Qoca. 



ti 

CktmMa : gralha. Carta <1q Eg«;8 Mohis , qve itans- 
oreve Leitão oas^a Míbcellattea: «cGaruIhúi mefâgaom 
cego 19 &c. • 

Çàêiitai : om^mo que ctkaàde de um ea^ièlld» Athà« 
se em Fa^iÀ' noitom.id. da Buropa Portugu^ea^ pag» 
378, da]3do41ie etca sigDÍãcação« 

Catteval : o mtembiqve hoje alceáck-mór^ e afto cas-^ 
tclâoy coaio alg«in^»ratMideiii^ V^a^se a MitcelidODa de 

Oítá :- ^ mesmo quâ òicsco^ Usou^a JoXo de Bat roa, 
« moda hoje em algumas proiiaci&s do reino se nab an: 
tiqiiòu. .... : . ' 

Catar ^ akm da sigoiÊcaç jk> áe ré$peUairy ^níúcaysL 
tamJbem attendãr e ver com reflexão, eomo oos-^dbDuar'^ 
te Nunes de Leão. 

. Gúmál : . ant^a dr^ga' de lâa , á maueíra de cámel- 
Jâb, porem émôs fino e lustroso. 

Cetra: omiesmò qnjemanpeh» de algum homem* Lei* 
tão, Miscéllanea , pag« 4dl>: a O pougoi^tcâuo emprió 
de tal sanha?' &c. > 

CanÁdoír-^^e : ,o memno que aca^eiar^se, Do mesmo 
modo dísiam os antigos caòidoso por mauUhuio, 

Cdado :> espe<2ie de elmd ou capacete, segtondo Se- 
vciám nas. fitotkías de* Pottagal j pag. I79« 

' Cèntafolho valia o mesmo que ntkríKfr ^ sbgondo ae 
oeifar da. Attle|g¥apbia na |)ag. 9 ^ eedo dis ; .» £«» it* vol- 
vo melhot o óemUtf^Bio do muado^i &e< 

Cbopim: não cba aasmulhcros.dalçadD delicado, cos 
mó m oitos etitendeih , mas calçado de.qaatro ou dnco 
solas de sobreiro , a- film de. páreòcvnb maifr alUi. - Veja-? 
sc^a Doàrte Nimes na Orígemlda I4ngtm BioftagUeza. 

Cfas^^. coBsqr ti^rmo da armerla, áaifiàarte^siiiMlkff t 
cabeça do escudo. Yeja-se a l<^ei:Nil{drohia>iH;>rbigiDe7a4 . 



94 

Gnqumha: antiga moeda do valor de cinco réiS) co- 
mo diz Severim nas Noiicias de Portugal 9 pag« 18é. 

Claveiro : dignidade na ordem militar de Cfaristo : 
era o cavalleiro que tinha as círavei do: convento ^ quan« 
do oscavalleiros viviam em communidade. Depob »gni-. 
ficava o que tinha a chave do cofre do» votos. 

Còcedra achasse no testamento da. rainha santa , t 
parece que significava peça pertencente, a cama. 

Codo : o mesmo qnegeada^ segundo Agostinho Barbosa 
no seu Dicdon . Também a achamos no Auto dos Pastores. 

Coito : o mesmo que pe$ar e afflioçSo. Adiasse em 
Lopes na Chronicad^£l-Rei D. João 1.^ part. S, cap. Ul. 

Compegar : o mesmo que comer pSo com alguma ou-* 
ira cousa , segundo dix Oliveira na Grammatíca Pbrtu* 
gueza 9 cap. 36. 

G>mpoec2or: o mesmo que otictor de idgum livro. Ain- 
da usa desta palavra João de Barros naDecad. 3.pag. 11. 

CondoBUha : o mesmo que depanto^ segundo Duarte 
Nunes na Origem da Ling. Portug. pag. llfi. 

CotUia : o mesmo que porção y que davam os nossos 
veis aos cavalleiros que serviam no paço ou na campa- 
nha. Veja*se a Chronica d'£URei D. Pedro, cap* 10. 

CofUracotiado [termo de armeria^ diz-se quando no 
escudo a cotíca, que ó mais estreita que abanda, se lan- 
ça da parte esquerda para a direita. 

Coi/Urafasxdor : aquelle que sabe arremedar a alguepi 
ou a alguma cousa. Foi termo usado por Sá de Miran<- 
da e por Gil Vicente em suas comedias* 

Córrego : r^wAro de agua. Ainda seaidia esta pala<« 
rra em Barros na Decad. 1. pag. 16&. 

CáBSokU : era peito de armas de cobre ou de latio» 
Tamisem lhe chamavam cai«ra^20t7e. Vcja^se a Arte Mi« 
litar^ onde trata desta arma. 



tè 

Cásttàro: o m«Biiio qiie Iodara de morde. £Vpal&< 
vra mui frequente nos nossos Auctores mais antigos. 

Cbia de armas: era uma como capinha, que nas ba- 
talhas ou torneios vestiam oscavalleiros sobre acouraçay 
e chegava até meio oorpo« £ra esla vestidura aberta pe- 
las ilhargas , com mangas curtas , e ás vezes cem mao- 
gas entresachadas de diversas cores, cozidas umas ás ou- 
tras , sobre as quaes punham os cavalleiíos os escudos 
das suas armas, bcmlados de praia ou ouro, ou esmalta- 
dos em melai. Também os antigos chamavam coia a um 
certo jubik> de que usavam as mulheres^, unido á saia, 
com cauda e mangas compridas. 

Coiica [termo de armeria^ é uma peça semelhante 
á banda , mas mais estreita , e lança-se , como a banda, 
do canto do escudo em travez, cujo escudo se chama co- 
tieado. 

Cózáio : o mesmo que cotído^ e assim di«iam os an- 
tigos: co%€tío com a terra, em logar de co%kb com a 
terra. 

Crt«t€sa : o mesmo que severidade e rigor , segundo 
diz a Historia de S. Domingos, part. f . pag. 8õ. Cha- 
mavam os antigos lambem criminal ao homem severo e 
agastado, 

Griioda: ferida feita com uma espécie cte adaga cha- 
mada cris entre os Malaios. Acha-se esta voz em Barros 
na Decad fi. pag* 91. 

CúiUheira : mulher, velha e nobre , que cuidava do 
aceio , gala e perfumes dos vestidos dos nossos antigos 
reis. Os infantes lambem a tiveram em algum tempo. 

Cuscu9Leiro : antigo chapéu com copa alta e aguda« 

Cuspido : o mesmo que esculpido. Veja-se a Duarte 
Nunes na Or%em da Liog. Bortug. 

DarandeUai antigo traje de mulher , do qual tra^ 



ta p. Franckoo Manuel na Çamfonha de Etttm'pe y 
pag. 96. • ' 

Dar-BC dcrosta: o mesmo* que ser um contra si mes- 

tíko. Aulegraphia^ pag. -IS. verso; Porque tem a mesma 

ittcrinaçSo eala manqueira , tom. que me c2ou de roHOk n 

> Davandtio : sobrediio* Mon. Lusit* tom. d, pag. C48* 

Sá de Miranda e Gil Vicente. 

Degrado: o mesmo que com 6oa vontade: Sendo es« 
ta palavra muito antiga^ e bSo se usando já notempó^ 
de Vieií^y ainda se acha neste Auctor no tom. 1. pag. 1S7; 
r Degredos: o mesmo que deei»eloB, Mon« Lusit« tom. 
5. pag. 148, em que transcreve uma Lei d^£l-Rei D# 
Aifonso S.^ y que cUs : a Degredos apoitot^os » &c. 

Denodado : o mesmo que reeoiuto , &íremdo « twre e 
ni9petpíOio. Acha«4e na Chronica d'£l^Rei D. JoSo 1.^, 
pag. 193 : a Votos denodados , isto é , atremdos ^ quae« 
os que áftsiam os cavalleiros daqueUa idade. 

. Deparúçêox o mesmo que praUca fanàHar y sejfUiH 
do Zurara na Tomada de Ceuta , cap. 57. Formavmn 
lambem desta palavra o verbo depariwt por coneersór. 

Dependengai o mesmo que peai/tfncki. M^i; Lusit* 
tom. bé pagi 73, ao mostrar que â&6ade -signiftcava aa^ 
tigamente confessor. 

Dspoeri omesmoque jurar em depoimento^ Traz es- 
te verbo Caidoso no mu. Vocabulário Vuigar j 

Depraçay adverbio, que valia o mesmo qxieemjm^ 
iJfeo. Acba-se em Lopes na Chroniòa d^J^Bei D# João 
1.^ part. &. cap. 160. • 

Detrccar valia o mesmo qne datnár e dettubari 
Usou deste 'Verbo muitas vezes Fernfto Lopes e DamiSo 
de Gees. O Padre Vieira , grande adevador da antigui* 
dade, nao teve duvida a usar taàibMI dettô no tom. C» 
pag.Sft», e no 7.^ pag* 



t7 

cava (jfggravQ f .9^nk^c$âo e ccm^ mal/etía» Como ^à^eo 
tivo se acha nas antigas Chronicas com a ^igoíficaçfto 4ql 
v^l ti^imdmhado. Julgador tksaguiaodo ae acha em ai- 
gU9» papeis ippuuôcijptQs do Sr. D. Álvaro, escf iplíOfl de 
Caslella a El-Rci D. João 2.^ 

JMíffm^^QíiiO : O meaioo que dc^oonfiado de cooís^guir 
algum \>%m% Acba^se em. algima eâciíptos dP iftmoso biir. 
po -J wusiuaa OiorÍQ. 

JOesgfl/^ar ; o meftctío c]iie-i9i^uperar, Diaiam tamb««i 
díS8giimi(h^ por cpuaa que uãk> merecia louvor, 

Dcspcado valia o mesmo que maltratado doi pé9. 
Ainda o .mWiBaci^taa Deoad. é. pag. 1{K>. 

. i>csjp0?^:to meApK^qiie,aip€$ar dealgucni. Posto 9Qr. 
palavra anliquiâsima, acha-se ainda em Vieira. no tom*. 

Dtsp^Uiarx r^jafcffM^r^. segundo LeiiSo na Mis* 
cellanea^ f^g* 4õj& ao .^&iso de JBgas Monia : a Grenbai 

. .i^t>aim: Qmeaiitio.quô â^oordka., Uaou-o Lopes na 
Chroníca d'El-Hei D. João 1.^ part. %. cap. Ifr3w 

i^f^^: campo de orvs^em paia apascentar o ga- 
do> Também ao& campo& cerrados e defendidos da arro- 
xai «bamavam.oa antigos fiíenaos.. .^ • 
• :. Z)«f?i<ía: palavra de que usavam e asam aluda, os 
nossos reis, para denotarem o parentesco que tem com 
algum vassallo* 

Dia Cd^cSodo í b mesmo que dia.prc&crtplo. Era modo, 
de fallar mui frequente até o reinado .d^£l«*Rei D. Jo&oB.* . 

JQU&ttròsr até-oveiudodlEl^ficiJO. Jàaa^i:^ do- 
2e âkiktAroB vaUáln emPorlugal ukivsoldQdaifutlics<^ae 
vinte faziam a libra mais antiga. yeja-se^a.Olsqni«B 
d'£i^jR«i P. Fèmimdo Bò cap.- ãfr^ , .: ' 



# 



XtoatrO) tpxe «e acha em escllpturas antigas , di< Car* 
doio no seu Diedoàario, qtie dignificava em latim o mes- 
mo que fmUíu. 

Dolo^: o mesmo que dSores, segundo Leit&o na Mis* 
cellanea, pag* 459, no verso de Egas Monix: a Que 
gravisem os mais dohs. 

Ihnel : o mesmo que hoje e$paldar ou parte poste* 
rior de uma cadeira em que se encostam as costas. 

M na infância da Lingua valia o mesmo que eu y 
como prova o verso de Egas Monic: «e Mas se A for pa« 
ra o Mondego, n Alguns erradamente entendem que et 
significava eUc. 

JEmbaim€^io : o mesmo que men^a ou engano. Ha- 
via também o verbo enAoir^ como já mostrámos em ou- 
y tro logar. 

Embetagar : o mesmo que metter^u em togar emba^ 
raçaà^ ou sem sabida. Ainda se acha em Barros, Decad. 
%. pag.'81, Fr. Heytor Pinto pag. 15, e outros. 

Embude : o mesmo que funil. Acha-se no Cancio- 
neiro de Reiende , e na Aulegraphia de Jorge Ferreira 
de Vasconcelios. 

Enterrei o mesmo que emponllo$. Aulegraphia, pag. 
14 : « Estive em erre de levar-lhe as toucas nas unhas. » 

Emmenía : significa o mesmo que lembramça. Adia- 
se. na Comedia Ufysnpo de Jorge Ferreira de Vascon-- 
callos. 

Emmenieê [adverbio]: o mesmo que em quanto. 
Achasse em escripturas dos reinados d^El-Rei D. Diniz, 
D. Joio 1.^ e outros. 

Empado : o mesmo que imtentado e arrimado. Nes- 
te sentido o usou ainda O. Francisco Manuel nas Car- 
tas , pag. 269* 

Empantu/ar'$e , isto é , calçar pantufoi , para pare^ 



«9 

cer mais alto. Por metáfora se dizia do soberbo e vaido- 
so , que queria parecer o que n&o era. 

Empegar^ic : o mesmo que engolfar"^ e navegar em 
mar alto. Nesta significaçiío ousou Barros naDeoad. 1. 
pag. 87. 

Empe%ar : acha-se em Fernão Mendes Pinto ^ pag. 
110, e segundo parece, sigtii&cava urUar ou cobrir com 
algum ingrediente para preservar da corrupçSo carnes íic. 

Empofiaj palavra que se acha cm a nossa Historia 
Oriental, e entiio muito usada na Costa de Melinde, 
significava trapaça y demanda é quáxa sem fundamento, 
para roubar os bens alheios. 

Emprtr: o mesmo que iBucher^ segundo Faria naln- 
troducçfto ás Odes de Camões, pag. 81, interpretando 
um verso de um nosso antiquíssimo poema. ^ 

EmsenAra : jimtamente. Leitão na Miscellanea, pag. 
456 : « Emsembra co os netos de Agar íomezinhos &c. * 

Encarentar : o mesmo que craccr , segundo Barbo- 
sa e Cardoso nos seus Diccionarios. Também achamos 
este verbo em Gil Vicente. Diziam os antigos : encaren- 
iou o preço, v. g. do trigo, em logar de subiu ou cres- 
ceu o preço. Hoje dizemos encareceu. 

Encartado : o mesmo que hamdo em a nos^a antiga 
lioguagem. Outras vezes também significava aquelle a 
quem ia dirigida uma carta , e neste sentido aindai^ 
acha na Vida de D. Fr. Bartholomeu dos MartyJÉJp 
pag. 143. 

Endei o mesmo quedofii, por isso eogui. Foi termo 
muito u^do até o reinado d'El-Rei D. Dini2, como se 
p6de ver no tom. ô. da Mon. Lusit. 

Enfanar^MX o mesmo que agastar-te, Usou-o Gil 
Vicente em suas Comedias. 

Engafecer : o mesmo que encker^^e de lepra. Adia- 



se dftta p&Iavra em Sá de Miranda na Edog/1. est. 66^ 
e em Barros na Decad. S. pag. S13« * 

Engreòer^ que se acha no Cancioneiro de-Çe^nde, 
vália o meuno que cmgm€niar'-u em fortiÉMa. E' termo 
metafórico, tirado do antigo amanho das vinhas^ segutt-^ 
do Alarte na pag. 65. 

' . Ensejar : o mesmo que observar ou espifMar, DisiMl 
iambem ensejo na significação de opportuftòdctde^ 
' '•■ ' EfUaRscadOy que trai^ Barros na I>ecad. %* pag. 21% 
parece que significada caminho ou logar ehdio de pene^ 
doi, pcdo qual se nfto podia passar. 

Entôjo : o mesmo que ax>ersâo a coufâ oome^itel; 
Hoje disemõs* on^o ou en^o^. Também significatâ odio 
a alguma pessoa'^ e nesto sentido o usou Barros^ na Dé-^ 
cad. 3. pag. 140. 

J&Wrec^ant&aéla [tormo de BrazSo} di^ a NoWIÍárchia 
Porittguexa : u Leão rompente entreeatnhaão d^ ^ixà è 
vermelho 9r; isto é o ^ue cáe do leão nd our6>de verme- 
Mkv e o que cáe no vermelho di> ooit&. Em terrt^mals 
itrteliigiveit vai o me»mí0 que cou^a eniresacbada* eWèt^ 
tkia uma nà outra. • 

Entrxda , espécie de papas que antigamente (5dEliM 
X ^ntc -da eampo^ segundo Barbosa no seu Didete^río. 

Enw%x o <3í?e9s0 de alguma cotísa« Acfaa-sefre^fuc^fiy 
temente no Cancionerro de Resende, e em- 8á de" MA^ 
vanda. ^ 

Enxarama: antigo toucado de seda, como coÉ^a tSaí 
Ordenaçâk) velha ou Extmvagante 4.^ part. 11^ n> 7. 

iBmceco : omesmo que ciimno. IJfeouH) S4 deMirasí^ 
da na Eclog. 1. est. 76^ 

EfiaeeqnctãiCf ^ryAo dearmertn] : o mwnnoquè cou- 
sa feita em xadrez. Também sèdtoiá emp^vtÃiaáo^è j<P 
fuèêddo* 



\ »i 



Enaseqwkis em tempos mvito antigos BÍgiii6eaYÍa exe- 
quku: no tempo de Damião dd Góes pronaaeiaTa-âe 06^ 
Mqíáa^. 

Enyodo [arvore^ : o mesino que medronheiro. Assitá 
ioterpreta Manuel de Faria o verso do Cancíoneira dé 
Rezende: <« Jossu d^um értM)do jazes ^ &«. 

Esbarrondaãeiroz logar íngreme donde é fácil ocaírl 
Lè««e em Fernão Mendes Pialo. 

Esbulho : despojo tomado ao immígo. Lo^^es, Ohfo^ 
mcad^E^íleiD. J080 1.*^ part. 8. cap. 147. 

Escandir : o nÍe$mo que medkr. Cardoso no seu Dic-^ 
«âonario ainda diz esocmdíír versos , por medir Versos. 

JSBcorias: o mesmo que nHinjàr^. Usou-ò Gil Vi* 
cente em^ suas Comedia». 

Esclavagem : anligo adorno do pescoço dasr mulhe^ 
resy á maneira de cadeia^ còvi^ várias voltas de pérolas, 
pti pedras preciosas. * 

Ikcorchar : umas vezes significava e^oíar , outras 
mugir ; e assim diziam escorchar as teta» ac^ g^^^o? ^ me^ 
4a£orioamento eseorchar dinheiro , como di^^e Barros na 
Decads 4. pag» 49*. ^ ;. . 

Sseo%er: o mesmo que Wiõgúor. Achamos ainda em 
D. Francisco Maiiuèl y esóc%er o coração. Vid. Vida de 
Thalia, pag. S07. • - 

Escudara em nossas mais aiitigas Chroriicas é titulo 
de nobreza antiga de pessíOai^ que nfiò tinham jurisdic- 
çôes nem terras , de que seiKmieàssem senhores. Veja-se 
a Mariz no Dialogo 3. cap. d. Também se chamaVSd 
femdeiroe a^elles que» serviam os rífcos homens , levan- 
do-lhc^ na guerra ôescudoi Havia igualmeMe escudeiros 
cavalteiros, que eram aquelles que por alguma dhtinc- 
ta aogào militar armavam cavalleiros òs reis ou pr&icí- 
pes, ou os ricos homens por commissao real. 



Eíeudo ân Itzò^[a é o que pert^iec ^ áa úifántâs 
de Portugal antes de cAzarem. £^ om fif wa de quatro 
ângulos , um para cima , e outro para baixo , e partido 
em palia. d<^ angulo a angulo* No lado esquerdo desta di- 
visão se põem as armas reaei| e o direito fica em branco 
por lizonja, mostrando que a infanta está aparelhada pa- 
ra receber as armas do marido. JSscisda owuh sá^iertonce 
a ecclesiasticos 9 e nâo devem usar nelle da f^uia ^ que 
conyem ao3 escudos dos secularesi 

Esgttardar: o mesmo que considerar. Lopes^ Chioh. 
del-Rei D. JoSo !."> Part. S. cap. tôl. 

Mmar fazer estimação da quantidade ^ governando- 
nos pela vista. Este verbo vem ,de esmo^ e um e outro 
era antigamente mui usado. Hoje ainda o substantivo 
nSo está antiquado. 

Espoêsar : o mesmo que ga»tar tempo emdàvcrtimm* 
tos. Acha-se na Chronica del-Rei D. Joãio 1.^ Part. ft^ 
cap* 147. Barbosa no seu Diccionario da-lhe a significa* 
çSq s6 de passear. 

E$quaque$ Qermo de armeria] sjlo as earas^ ou qua*- 
drados do xadrez ^ alteinados em duas cores» * 

Mquwar em tempos muito antigos valia o mesmo 
que reprehender. Ainda se acha em Lopes ^ Chroaic. d^I« 
Rei D. João 1.^ Part. «. cáp. 193. 

Estriai : o mesmo que&rti4;as. Usou-o Sá de Miran- 
da na Eclog. de Gonsalo^ pag. 43. 

Ijjfchâo : o mesmo que boje dc^pemeiro. Guardava 
antigamente tudo o que pertencia á ucharia real* 

Fadado o mesmo que fatal. Fadada ruína deTroia, 
ainda disse Brito na Mon. Luslt. tom. 1. pag. 64. 

Faraute traz Cardoso em seu Diccionario por Imgua^ 
ou por interprete. E^ o único livro , em que temos aclia^ 
do tal palavra. 



st 

FmtXÊtÁtcs erain no a niigo toucado das m uHief es dous 
•anwlos de> pouco, cabello cahkios sobre a testa* 

Ferropèa: omdsmoquegri/Aõo. Alem de outros Auc^ 

tares aoba-se emFernSo Mendes Pinto, pag. 141. eol. 3. 

' jPUhary que sé «echa em escripturas muko antigas^ 

significanra tornar^ como prova Duarte Nunes na .Orig* 

<jhl^Líng. Fort. pag. 113« 

F%u%a o mesmo que/e^ é confiança em alguém. £' 
palavra que se acha em esetiptos do principio do reino. 

Fhn^tado ([termo da armeria] o mesmo que ornatío 
4iifl99^€^ Ltíbo floreíeado y cruz fhreteadá &c. 
;.i. i^fOiíp.caTa^ ou €OiMi. Leitão 9 Míscellan. 4ò6f al^ 
legando uns antigos Tersos. 
r FefO^i cova funda e redonda. Acba-se em Barros, em 
Fjr. BeiíiardO. de Brito e outtoa. 

FoRa: omesmoquefi^Mm. Leitfio^^MiicelIàki. pag.. 
467* uihi9ÍÊm$ta com farta soberba e fiAa n, &c. 
. r . ( > : JEkrccá : ix fateimo que' cofàeirmò. Achaste m Doaç&i 
del-Rei D. Fernando a Alcobaça. .' ' ' . 

f^^^^\y:1fsiv^vado\ o raèi(no.que/orpac2o. Aulegrafia^' pag. 
ML .«Aúeitaftt4eboafliente toda a dèMmlpá/(V^gfi4aada n if^i 
.1^ .rfcrtasôttAo: okàesmoqueboMarcío. JLéitiioiy MisèelL 
pag. 466. «Emsembra eos netos de Agar/orn€%Í7tAQi''.&.G. 

. l^fâa : veo fino y tecido a listras^ ecom^cai^lhds ^ de 
q^e^aat^^mràte.^se^/usauay.ítoinaado^se dos mouros, e 
asiáticos a moda, como diz Damião de Góes na sua Chroni- 
cà.'HaTÍa também há antiga linguagein o adjectivo/oteacio. 
. Jbuoetro : * cousa de côr , que lira a ruivo. Cavallo 
féuicwo se acha em diversas Chronicas antigas. 

Fraguémo : o mesmo que tncançavcl , impaciente ^ e 

ikqiiieto. Nestas significações o trae Barros ha Decad. £. 

pag«' M8, e Decad. 3. pag. 959. eFernio Mendes Pin* 

to oa p^;. 196. 

Paet. «.* 8 



36: 

Gyrio [termo da arjpaerin] é iiw pediiço de pai|iio> 
cortado em triangulo. Easçím escudo coDdgyr^es éaquel- 
le, que está dividido em seis, oito, qu dez partes trian- 
gulares, com as pontas unidas no centro do escudo. ' 

Ha% , que se acha \arias vezes nas poesias de Fran- 
cisco de Sá de Miranda , diz Bluteau , que epi sentido 
literal significava ala do exercito , e metafórico oimh , e 
animaes que andam em ordem, 

Hekhe significava renegado^ Âulegrafia , pag. 107. 
tt Hirmehey fazer helche ^ &c. 

Jj/omem segundo oAuctor dotom.5< duMon. lAisit. 
pag. 183. significava procurador^ e agende de algum fi- 
dalgo. 

Homologar [antigo termo forense] o mesçio que ror^ 
tificar e confirmar alguma cousa com auctoridade publica. 

Hu\ adverbio, que significava onde. E' frequente 
em Fernão Lopes na Chron. del-Reí D. JoSo 1«^ Part. 
í. cap. 156. 

Jmprir : en:cher : a O rouco da cavaimprio de tal sa- 
nha» &c. Leit&o, MíscellaB. pag. 456. 

Infanção o mesmo que ho]e fidalgo. Duai: te Nunes 
na Origem da Lingúa Portugueza quer contra a opinião 
de outros, que infançâes eram moços fidalgos., que.ain*- 
da n£o tinham passado a cavalleiros, aos quaes os cas:* 
telhanos chamavam don%á8. 

Infância: nome com que distinguiam as ricas donas^ 
e senhoras principaes do reino ^ do mesmo modo que aos 
antigos e grandes fidalgos chamavam tn/on;^. 

Infwnadoí omesmoque.mettido emTaidadiss. Aisha* 
se em Fr. Heylor Pinto , Dialog. pag. <16« : 

Inhaià mesmo que minha. Adàa^e fraquentemter 
te em escripturas desde o. principio do reino «té o tempo 
del-Reí D. Diniz. 



,£uibiãade': b méHiio que ignoranáay e estttUicla. 
Acba-ie em uma antiga escripiura de que fas menç2o a 
Alcobaça lUuslrada , pag. 179. 

Jaeai o.me8mo qucbo^â.- Aeka-ee naa^ComecItas de 
Gil Vicente, pag. 18. Bento Feteira: no aeu ThesotÊro 
4ambem lhe dá a mèsmá sigaiõcaçSo. Usou deste vocá- 
bulo 8á de Miranda etíi suas Éclogas. 

Ja%eda: o mesmo que desembarcadouro y e tambism 
ytínAgo. Acfaá-se nestas significações [ao que parece] em 
João de Barros , e outros. 

JaySoi o niesmo que gigante na nossa mais antiga 
linguagem^ como diz Leitão na Miscellan. pag. ^^. 

Jocnmt era nome que antigamente se dava em Por- 
tugal a todo o que despresando oknundo, vivia peniten- 
te em logar solitário. Veja-se á Ghroníca dos Lóios no 
Liv. ®. cap^ 6. 

Jdgra/: ò mesmo que chocarrádro y e também gra- 
cioso ; adulador. 86 acliamos este termo em Jerónimo 
Cardoso. . ^ 

-' Jouver: o itíesmó quejfãxer. Acha-se ainda em Bar-- 
TOS na Decad. 8. pag. C36. 

Jimvfer : o. mesmo que esto*-;- Veja-se a FemSò Lopes 
na Chrt>n. del-Kei D. JoSo 1.^ Part. fi. cap. lõ^3. 

Juso: o mesmo • que de&oia;o. Veja-se a Faria iialn^ 
tròducç&o ás Odes de 'CàinSes pag, -89. 

JtMSu-; o mesmo que còatâco: Foi adverbio mm usa- 
'éú àté o reinado del-Rei D: Fernando. 

Juztoi antiga moeda que mandou lavrar El-Rèi D. 
•Mk> Sk^ Era de ouro^ e pezava €00 réis. 

JuMmtt significava ás vezes á vazaiite da maré , as- 
sim como á enchente chaúiavam mon^an/e. V^a-se a Da- 
mião de Góes naChronica, pag. 70, èn Barros na Decad. 
«• paig. 186» 



principio do reíiio, . . 1 . . . »,{, =! .«:.?-..• 

í^linfeeí ; ftpligç^^^JUnfl 4^1%» ;gi59ftl»í«l, ^ qHíirf, sem- 

PW tó#*raçkw E':pêtev,saiq«Q.^Ípdft fe.ii^í^ Aft .BsíW 1 > 
iiímJjpx^hí : o$. fiPfíg^^i fjtm ^?K>^ t^; .a^^d»; pQa94)gm» 

de barba. Sendo. J^ip^. M<ig%i 4^: quiç.. ^^^: Gái Ylt^titte^ 

tempo de Fr. Bernardo de Bri|vi|, çto^i^óçi^fei^JfolU 
l-UHtí tornai. pftgh.B^^ fl^<iW4ft:S^ií^%e»|^ft^ vul- 
gar^ pspçííipliftçim p, WW> tff^r^r. í. . ; , 

íí^Q 3.^^ e 8iguiíi(ÇôY^ d^, çjlgmy^ J'm(mmtfh9m9M»o 

fazenda era para gasto annual de sua ca^,^,^ q^ f^xl^ 
tt^go^iarcqpi.plja. Tamb«<n .ft^giwftçiajií^ *afcftM*í\?e ai- 

consta da Ordenação Liv. S. tit. 11, 

Sá de Miranda no sonet. 3.,.í^ eir^ P'¥tr95.teglW9s% -r 

<€. As^wp.se d^Ye enteftí^r o d{^ Jq|ç <í«,JP4çíp^ R9ilít^«^ 

Ligio^ home.ip Záp?^ tecrftft.qu4fe.s«4|ç6p.<^.i^ 
■V^. a»»Ág^«, ,^fl WH^lft yt\mlto;í qW^^rt*Xli :i»«i»v^tado 
a seu senhor do a^i^jí;^ wlroi- <|w tó;lb/Í.ÍW^ .pleito* 

Lindai sig^fiQaiv* ^.^smV^ .«W.*qí> 1k^K^mM 
t^nbiB^ o y«rbQ Vm^x. . , 

ZinAí^isto : o mesmo que genecdogico, ^:, 



99 

Logo: o mesmo que íqg-ar. Yeja-se a Moa. ImúU 
tom, õ^ipag» 199^ 

Lusoo s^iií6éava itns , «eguudo Leitão «ia Mia Mis^ 
itèllaneá , pagv 460«, iranscrateââo â Carta de Egas Mo- 
nUíi efo» (jic; « Asma^teme, se^iieiiedeY, como Imico» Scc* 
^ ' ' ãíàcagiéi «mlígortecklO) e o^liaTta deseda ^ « de Isa. 
Acha-se ÍDUtiacrvetese»! Diogo do Confio. 

Meuhoi^m's%ttkò ijpâ^grtíhâo. Ainda uêou desta pa- 
làvraio Audor ido Agiològío Lu^ltttiio tom.lB. psug, 31&. 

Madraço : na antiga linguagem valia omedmoique 
dMom^^ mifuaàorodor , ou [jcomo Beâiz[}çice63riiei^uinas. 
Aulegrafía, pàgv 67.:' • ;; ' 

. JUagiÊiti^p^p^mB^mo <pÊtíemnáfiafue^ LeílSo^ Miscel-- 
lanea 456. «< E<3iblalt{» mtú^tuei^/iftf.ai^ â&cv 

! 'Maii^léa^ídc9díí^'omé$m(i4iiafíhpjB^^ Acha- 

sse ainda '^m D. FíáiyçÍBco^ Mámiel «ta Carta de Qkm 

/: í Mèhsuz é^\e$mo atitiquisBloip'^ qti^ «igiii6oav& nm^ 
cfikb^ e tém^èxelnfdosT^oBrpòetU nuiíriíntigosi LeiíiSo^ 
M 1940148»; ' pagci 469w «í pdr ^r a mr^l^Hz cnieiità: sabu- 

do» &€• • ri:'-''. .' •'' . * -M r^y -^ílv : :,a<. 

.^noií4^/btiis9'.)monfibci^^ íeguddlar Ama- 

ro de.Rèfboipdp ná pijilfei^ ^Muri^o,' i T nr ' 

Manda : i j%á(2a> em tesJNnpeutOr^iclra tetnb ikladissí- 
mo nos primeiros séculos da língua. Ycj«í^ie « Mmv Lu6itr. 

'il!toHi/&a : < ^6ép6eíé dè iiraoéli^te ^ antígor cvnata dafe 

mulheres. •'• • : • ' • 

' > iAfcmèMAa, ^ fMmlhibíôt ú méf^no q^e cousa i»^i/, e 

^iterilkiirfey.etjri^sklií^-âi^ãiiafn hiUlh^r tnd^inJba^ ^' a^cfwi^ 

n^% da mulher, O meétíio fKpj^liéavaâ^ ^atnbeHi á leri^ 



40 

a qualquer cousa de comer ou própria de homens cm /dé 



ãmmács» 



' > 



\ 



Manta% : uma sorte de panno, que "Vínba^l&CamT 
baya. Acha-se ein Bairros na Deoad. 3. pag. 61. \ 

Mantehr ,\^Uixm<y de.armeria] é umu figura feraoiEida 
de dtias linhas, á maneira de asoa!, nâo' rectas» mfts çUrt- 
rvas, com ás duas pontas viradas parados dov4 lados in-< 
íeriores do espudo, foí-mando. dous meio^iestoudos, :' / 

Marcado: o mesmo qiâe í^iao/ ou propprçiotiadQ. Era 
Voz muito u$ada no século 16,^ porJfr^.Beraanlo de,Bc& 

lo.e outros. .: ; » ^ » ^' 

< 

Marteiro: o meunoque ma^fyyâo. ^ Acbatsi» fUiveráaa 
vexes em Sá de Miranda e em Gil.VJcep^^ç « M:.! »íij /\ 

Martimcngai pspecie dçjcanipuçapeqfieiía ^^AAluas, 
Usou-o Sá de NLitanâ^ sxj^ auaa.£cldge)ft^l ;, . . N v r . 1 

Ma/fulkQ : iqqúietaigak)! das onâai ÂotÉBÉ^i i causada 
pelos ventos.: y^A-áe a ^Bárrosi^aDètradi 3»! pag* .9âCv^ 

Matahte'^ tampa de areia ordinária e pequeàa^.df 
4|u0 se servia a gxsptepobre* Esta «ígoifiáEiçSo^é^áe Fr. 
hmzdb Sousa- na sua Historia ^^part^ 1^ liv«>6; eap^ 6«> 
-i'iMaimar: in^^âe^ar. AulégcapUiá) pag.. õO:;i^QiúflÉL 
me mette em matinar ninguém f 99 &c. .^.. 

,.. .Mòia: o mesnio que doma e.dbns&ettfi.y como prova 
Leitão na sua Miscellan^a^. I^talòg.' 17;. pag« 481. 
.( Mcadade: o 'mesmo que metade, .AchBL-se em 6scrip« 
íjurasí mui antigas^ . ,; .. .^ : - 

Mealha: metade da moeda chamaidá c2i^&eirò ,. cor^^ 
iatía com. a. tesoura. Valia oieio dinheiro,* oUmeéáde do 
mais in&mo dinheiro. . . - 1 

\l MccQ.: o mesmo .quet int90ná(ia9»eiro ) segiuldo. se co- 
lhe da A«legr«phift, pag. 44: u Nun^a íuí dçssei tlttO»% 
Hue fezem sQiudiades wire valjados. , 



41 

. : ' Afyki i me^a. '■ Leiffto ,. . MÍM2eltoii^4 ^ . pag,< 457 : 
4c Sj(a. J>es4;^ M^foma^ m^des maldades. &fi. Âck%^ X^mr 
bem em muitos papeis do principio do reino. •• ., . 

,; *: JMmesfreis: Hatigos Uaiigedòtçs defruUto^í cja^^vame- 
J|i»9 trombetas^ -e Qulrjp^ ín>^lLrumçnto» d^íiís^ppro. 

Mesurado : o mesmo que gtCÊoc e 97iQcfaifto\ UspiH> 
Jltãrad^ ]otf.Chraiiica. d^JBl-Hei P« Josk> 3.^ Tombem di- 

■;(iiam os aKti^s ^iuMurar-i^.ft nz<s^5U^ç2^ni^^^* : 

iHd : rokío de cavalhs , como se colhe da. Com^di^ 
-Aiulegdapbia, púg: éverao: « Anire mó de çavaUQs^&c. 
' • M0gi: atttigó vestido de q\i€ usavatn assim, bomens 
como mulheres. 

- . - itíbimenío : o mesmo que scpukhro '^j<mgQ,, Alguns 
escreviam mwmenio. 

te NuiiéS:ique com dous J/^^^ue significava! <^i0tn9Cdr. 

Mordomear : o- mesmo . que. i manejei: ou ^otsennarí. 
A<iha-8éQa ¥ida de D, Fr. BartholomeU dos Maityres, 

Mor/anho: homem que falia ipdbs nariees, aOq^ 
ii!&5 .fao^é cbamámo^^ fanhoso. 

:'. .: Munpíi vestidura de mulfaei!, ■ que trazia iitto, mas 
não'èra: viúva. 

i ; Nédot ò mesmo que mBç\do\ foi. termo tiradoi db 
antigo caaiãhaho^ e aciia*>se emí ^Igufis adagíDsr portuí- 

NinmAgalha^ qlie se .acha: »m eserj|]ilurá6 aatti|!iis^ 
iímp> valiaco\me3tt0 <|ite 'iKiKla^ 

-1 / UVDt^dí j[oaYdUi»m3 :. .o .mk»mò jq^iie hkAOnluk. .¥eJMe 
a Barros na Decad. 1. pag. LI. 

OgonhoiíLH mefúio iquê Miciie «ofmoy conforme Duar- 
te Nunes delue^ na Origem da Ling* Po>rtug..pag.&7. 
Cardoso diz oganno ^ e acrescenta anno superiore« 



4% 

' •'•' CMu^i i o «esmo que éhrMâoê» LeitSo , Miscella* 
jkehy pag. 457^ «Hoetês fiedenfôs do sangue <ie ontú^ 

dos 79 &c. .. • 

Oparlandúr: vestido de homein largo e comprido. 
Acha*se «m Barro», D^ad. Í< pag. 94, e em FernSo 
Mendes Vlúio, pag. 91. 

Orada: logar em que se ora a Deus. 'L«ítfSo,'Afl^ 
cellanea , pag. 457 . a O templo e orada de Djeim profn* 
tiaram?» &c. 

Orneara o mesmo 'qúe %unvyy^. Aeto-9e noCifulofo»- 
Heirò de Rezende, e confirma Beato Pereira esta iignifi- 
cação no seu Thesouro da Língua Portuguesa. 

'■ Orkvr: o mesmo que cutiwar a terra.' Ueou^o Bar- 
ros na Decad. 1. pag. 88. 

Ourado e^Oínrar: o mesmo qvie €ièganadã è enganar, 
ÂHiÂà ^ acham , seado aliás termos muito anttgfds ,' no 
Poema Virginidos, cant. 4. est. Ifi4. : 

' i&urivcísm-ía chamaTam a^todoo» logar ond» trábá» 
Ihavam ourives de ouro ou prata. E* palavra deFeo^Aç 
Moades Pinto, pag. 1«8. 

Oussia: o mesmo que copelib^ e eusM pnifidpaJ, ia* 
pdia^fjiíi, Veja-8e:0{tx>m. 5. da Mòn« Lusit. pag« 329. 

Ouliva, segundo Duarte Nunes de LeãooaOfig* 
âk Lmg.. 'Portug. 'cap. 19, signíâcava. em* rigor nio o fal- 
lar scin fundamciitQ, mas o faMar desênioadilmaite* 

Ouvença : o mesmo que avença , conforme o AvlcU^ 
doiofn;:ãt. daiMoQ.. Lusít^^^sag. 330* . :p.. ■• /. 

Oxamala : era interjeiçSo de scntimíeDto é oomfud^ 
xSo, Acha-se no Oiçioioneiso de:Rezeâde.e eki:iGil Vi- 
cente. . ' ■ 1 '',.'■..'<' í. <•>: :i^. i: 

iiDáoeov o me^mo que hatw mato. Usou -deit^ermo 
LeltAo pos^sèus Dtal«)gos=í pag; "Q^j e fhie^ ^pf0JÍíéslè 

sentido. *: . . i j . > .. \\b •■ 



43 

i-$K)mrprm<k : a#4tigo gtSkçifhili^ <;A3«.Ktal^ que tinha 
asuperiniend^Mk^MÍi^torftc^s (JQ pi^ #cft#Aft wass. Ve^ 
jft-«ç a Mw^.IaU»;I-U>50^. 6í pí>«» WI* \ 

Porros : o mesmo que solar de âdôlgo, de grande e 
4Pt|ga:«^ç0^Vi«6ffiA jMPv« A^$ N<]»t«0 í^^Noifetèiàtío do 

Paákira : a verga d^ pou*, AQhar^Q m^ eAcriptii» 
f^ M.^|^>.«$).lâi)áê U901% 4eU4i,^Qft9pftri 4e:Bftrrdlos na 

Usou-o Sá de Miranda e Gil Vicente. 
. : fikWnnk : 9 çd.v^Uo <m<zíNAa e ri<^??i«ní<i je^isifi^wwío em 
Wf ftfldwíftw ai f^iánije^w §:<ía»í^^a.^Rl^p Nj^tftiwn^ 
tido o traz entre ouUos o Auctor da CbeQ[nÍQ9(,d'J£lTK&í 

, P^^kmymi £inulbeO ç^^gu^aQ Mifwl. fcoiiífc w»; 8>iía 

Miscellanea, pag. 560^ valia o mesmo .qt|f^ <^i(i (Jq pra^ 

ou faxa, lançada do alto até o fundo do (^M^M^ . 4^u ooa-^ 
Uft*»ai>..<a9i.â<íi=variÍ4ftíeqa^,iiW^.s^^^ „ , , 

* ^ D^frite c J^.%IMís,.fl4.^9ir«!íH^ 49 *#*g- .PftrA««^.; pag. 

«teílrgíj-i^ Jlufe hôviíb:flW.>Usbfta çi^m.bo^wdar.pfrrf^fT 

nos, o qual se conservava antes do grandp, lern^i^óld 

phia, valia o mesmo que vestidura grave \ a me^ok^j^í^ 
giâ6tB9lki/ljl;$bd^Bf«g«ii^ vMafiiá9a:l:M««<^PpH^ana. 

Pa^tti/«(7te;ri«©^^Arittfarit3 tô«r at 'fQJIhftgc^^i^i^i^i 



ÀéíL 

iriagèns qu4 flahem dá elmo, e ílb sempre dás láWmas 
•core» e metae» do^^soudo^-e úêio deou^râ^é 

Paragana : valia o me9mo que feudo úe-ftàulgo'^ cur 
jo9 vassallós tíâbatra obrigação de servir na paz e na guer* 
ra. Neste sentido- achamos esta palavm em Barros -aá 
Decad. 4. pag. õ@6 &c. . • : c > 

Parddhas : uma espécie de. vulgar jarametito , de 
que usavam^ os antigos para affrrmar cilguma^cousa. Di- 
ztiim também bofe ê boftlhú$é 

Parem i o me$itio que ^rièu^o em f^conbecim^alo e 
obediência. Veja-se a Barros na Decad, 1. pag. 14&. Aior 
da ousou o Padre Vieira, grande adorador da I&igua- 
gem antiga. ''"' ■ 

Porrada: cousa estendida' á maneira dé parreiral.. 
Nesta significação éque parece a u^u Báfrós na De- 
cad. 1. pag. 166. 

Passador: adereço feminil, composto de- pedf as pre- 
ciosas. Era também uni- género de seta ou dardo, que 
passava o escud(y. 

Passamento: o mesmo q\xe aí^tigc^ de morte. Ainda 
ousou Fr.- Luiz 'de Sousa diversas vezes na sua Historia 
de S; Domingos. 

Passante [termo (learmeria3- Diz^se do animal pos- 
to'eih pé bo. escudo,^ de mániôina que pareça que anda. 
\P4íce% : escude largò que cobria fòdo ooorpo do sol- 
dado ,* por onãe podia ter damno. Detle nasce jxM»<siar.e 
pa/oe%ad0j que se acka fia Chronica 'd'£l^Rel'-D. Jotd 
IPpag.ltSé. • • •■ ' ^- ' '^•■ 

Peça de armas : o mesmo que armação de todas 
as pe^ttf , com qtíe de airmava o cavaUo de p<nito em 
branco.' -.i •• : : , ^ • ., ''•;'■. 

• t^do [iotti^m'] : « o mesmo q«e micío, segundo Duar- 
te 'It^unea na Origem da Ling. Portug. , pag. 89. 



4& 

. P^pc^0nho : aquelle que peâe m\(HQ : boje dis^moB 
pedinchão, Acha-se no Cancioneiro de I{i?j&end<;«.. . 

fí^ta : o^mesmo: que iributih, como consta de.FernSo 
Lopes naOhronka d^El^Aei D. JoSo 1>?, part. S.cap..l03. > 

^P^ar : entre QUirat sigrúflcações iamben> valia q 
mie^mo. que oocMpar. Aulegraiphia9.pag.lll ; uNS^ lhe 
pejara o tempo, que quem 4ous senhores serven.&c. ' 

Pcllotc : antiga vestidura rústica de panno gi^sso 
oom. ikiangas e abas grandes^i Segundo o poenui c(a Mar; 
laca .Conquistada 9 li v.l. est. 65 ^ havia também pãh-i 
ieâ de panno Ano. . > v 

Pequice i o mesmo que parfxnúc. Aulegraphia v pag. 
8: tt Que grande p^çttice é seraffeiçoadol^&c. Tamisem. 
sigmf^OiyB. desiKfitw^a. 

Pereuâir : o mesmo que/«rír. Lppes> Chroníca ã*Eir 
Bei D. João 1.*^^ part. 9. Cap. lôl. v 

PfBrigalhp^: as pelles que por magrei^a. ou velhice 
pendem debaixo da barba ou pela garganta. Nesta signi- 
ficação se. acha nas Prisões e Solturas &c. ,.que coçipoz 
D. Francisco de Portugal , pag. SO. 

Piíor : um certo género • de traje , do qual 46 'se sa- 
be que diziam, os atitigos ealças de piar. .....> 

Píncaro: a parte superior de alguma cousa; e. as- 
sim diaiam *q8 antigos pinooro da^arvore, do mpute &c. 

Pinchar: lançar /íira com violenipia^e estrpodç., mspu*P 
Barros na Decad. 3. pag. 163 , e outros do seu .tempo, 
como DamiSo de Góes &c. : 

Pimalío: é termo de que. usa o Auetor da Aule-^ 

» 

graphia na pag. 1. Entendo que será erro da impresfiSp^ 
eque 4«Nia; diíer pemúUoj poique esta voa significava 

antigamente aUo .de pema»v 

Pog^: a^^tiga moeda i a que também cb^mi^vam 
nicalha. Vid. Mealha. 



46 

^ PòlhtArá r atiti^â g^a de ttulh^r^ qu& Ddbr{» immew 
diatamente ò giiarditifaftte» • > 

P&ntás: jd^ò doft feiínigdi ètffuUeiro»^ >6Dfi«tadd uns 
contra ò^ <>iitr(M coal armas de ponta , ràmo láfiça d(t»' 
Veja-s6aChw^í<ia d^fiUH^iD. JoSol. patuS. pag.llf. 

Pospõem: gib&o com "bkoft ãé barba d« baldia. JPdtt** 
CO ha que sTé antiquou e«f« lermô^ 

Po/']N^'t«^ t mò^a d6 prata e Mfèíy» qUe ttiáèdou 
latrár fil^Réi D. MauueL O úe prata valia 4Q0 réts | « 
havia também fààio portUgUez dotálor dé Mp véfsf é 
çuarío da valia de 100 réis. Portuguez àf^tííxiõ ttflha dO 

valQt 4}^0Q0 téU. yéja^<tô a HUtoria dâ% Bf^pi]^ dê Lis- 
ben^ éa* Notteíaé dfe íóriugaL - -» 

Postrimáro : o mesmo que der^adéèr&i IS.^ iwai ff(^ 
qú^Dte etu ^icripK^^aié O réiua^ â*fiI4lei l)< JôS6 S.^ 

Potentêa [cruz], tetoi^ da iàriAotfe) 4 á qile ftò èê^' 
ctté> lénl a It^tea da alto a batico' mab iMf^á que a 
outra què EtTaVè^a do parte :a partem 

Púyai*: Qiú«8iâó'q(ia'^em6â»\;6r. L«liaò^ Mítôé!^ 
lanea , pag. 456 : a P(Aarôm a «aa grado ^ dte. 

PraêThãdò e pr^mdr : o cieimo <}a€í ' <MÍMif<{nMílf ^ ad^ 
mirar. São termoâ que seaubam aoáda pasS6 «íâ litif^á^ 
gMi dòs pv^iaciplM do vèíno» : 

tM prova Faria na iutr^iduoçao ái Otk» da Gafijfoes ^ 
piag» W. .....:■» 

Prasmo: o mesmo que ti^íf^Hrkí ^t fiota^^ 'D^e^fSN' 
máVám ò i^ilstòpi^sntair. Veja^sa' a'€broftidí^ d^&Rei 
D. #otíto 1.*^ paífi. ^r oap* 19&. ^ ' ^ S ' 

«' Pr^8t&: éHpItlky teforaiada da noBift aítftf^ wáH^ 

cia, quç corria o campo acoiwpaubadd ^ ^ «bpIfSê? idhl-' 

^ittft^Hfta 'e8eu»barra«tlteh, « v«v 6^ a^liítfva séMlkí^ fu- 
gitivos ou mal procedidos. ' . • 



47 

Preoafâo ; o mesmo que eaikáta^ teguado s^eii ten- 
de de um logM da MonéXu&it^ tom^ 4. pâg'v 117/ 
- •: Preôàlg&r: o menno que odgrukir eganhm. Aeha«-< 
se ua Vida do Condastavel ]>. 1)1 ono Alvardd Pereifa^ 

pag« 11. ' 

Pfi«Ue^r : fâaer ooncetto* ootati Alguein. Também; 4{« 

Prei/e% : pessoa ou cousa bofi^íMêa^ Aákih^e em Sá 
de Miranda, e-a&ida trás este temuy Betilo t^erelfa no 
ara Tbesouro da Lingaa Porutguetia. 

Prcs : o meémo que hjgo. Leilão, Mifcellanea, pag^ 
457 : (t Metteram o cutello a prés de rendudosiií^i&c^ . 

PrtBiamentOj que se acha a cada pasfta em escríptu*^ 
ias antiga»', valia o mestno que utt&daék^ 

PiXÈÍc^i o.n^esnioqiie Um^o* Leitão, Miaeellanea, 
pag. 4id6 : «Presto malino de Oepia^ 99^ 

Preto: moeda que mandou lavrar El-Rei D<J>iiaf* 
te. O seu Talor era Ínfimo, porque der pretos faziam um 
xeal . bcanco» Yqa-se a Benedictina Lusitana , part. 1» 
pág* dô6. ... 

Prt)l% ò mesmo qiie frúotdo. £' termo muifrequen-» 
te em Escripturas antigas, e se acha na Ordenaqío do 
Reino, 1ÍT. 3. tit. 1B« §. 10., onde dix: «Feitxy emproa 
eommAm ^ » . aSo tesn Jerias. 9? 

Prouguer: úppraoar e eomtnitr* Veja-^8e> a 'Mo4»4 
Lttsíu tom» 5^ pag» 44 verso. \ 

Pfuir: ú mesmo que /a^er comiôhâo. Em 8Mtid<> 
metafórico ainda o usou D. Francisca Maintiel, grff9d€[ 
amador da antiguidade* Veja^se nas Epaniv^» a pAg«^ 183. 

Pt^er : o aiesnia que póf. 'Conjugavam o» antigo» 
este verbo, dizendo : Eu puge, tu pogeSj elle poge, a*6é 
pugimos, vés pttgi^, élles pugem âtc.>&c. Obdertem-se 
as escripturas até Sl^J^i D; Diaie^ . /^ 



48 

. Pt^anja : fwça^ pòâeir ^nahri B' palavfa qué esta* 
>'a em. U80 alé.o |>ríBCÍpio do seoulo ' passado, dízendosé 
igttaliiien.ie;.pt«;an/(i pOr.poííerc^ 
b^nx p usamm na aficepçab de* ahmdaatíí^. 

Pnlmclla [termo da armeria] , que a Nobiliarchia 
BórliUgaeza na pag.: 29S appticft é crm^ que traMn os 
Leites em suas armas, dizendo. «Unta trueid^ praia futr 
í?ií?//a , e vazí A dp caiíipo. 

Puf%úiadci õ. mesmo que5c^edò..Poris$pGhaináTaat 
escrivão da 'puridaddr^^i primeiro. miníslDO de «siadò, idb 
quem. os Q0áflos;áotigõ8 Rfeia 6âvam os inHoios sAgtedos 
da politica. . ' . ' 

- Qmjcmda r 0'm68mo quíe porç^M^r^oif J&V.fttui. ósado 
no Cancioneiro déRezetide, e nas Comedia^ die Çcti Vieente** 

Quereriçoso': dcx^gom. Aulegraphía^.pag. lll»*'«V6s 
senhoras da vossa voritade, enós guere^i^otHJis.deCvIda. fa- 
zer99''&c.. 

Biíca: homem sandeu^ e sem mio/fe.^ diz DUàrM 
Nunes. de Leão na Origem da Língua Pdrtugi |«^. 03.: 

Itafe%y de que usam alguns livros antigos dé^faiUM 
lias, significava homem dcbaiofa €&fora: foi tirado .âo an« 
tigo <mfstelhaiio. • .. ....... 

Raparté {[termo da armeria^ dii-se do Leão repré-^ 
sentado no escudo com garras é unhas, sabidas y como. ra* 
pando Q chão. Outros disseram rompente. 

Raso : escudo [termo .da armeria] di^se daquelle f 
qué nSo tem ornatos exteriores, comomjanteler^ timbre, 
pai|uife, folhagens .&c. . '^ * .( 

. Raxaão [vestido]] o mesmo qué devafiia^ieúreif' por«t 
qaéraxa era panno cóm. listras de diversas cores.' Inda 
hoje conserva este nome. . '. 

Rebeçar : o mesmo que vo^Uar. Achá-se no UvfO 
Correcção de abuzos ^ êm dÍFersos logares. 



49 

Itebem : ò nletbô qué affouie. Aiàdá hoje tem este 
tíOBte 6 iaslrumentáy com que oComitre da Galé açou*- 
ta aoâ forçados. 

J^iqúe^ segundo Duarte Nunes de Leio, era a pos- 
tura gue antigamente as mulheres punham na cará para 
iáxerém as faces verm^hasi^ 

Rebo: o mesmo que hoje cãBòáího de pedras ou te*!- 
Ihas quebradas. < . 

. Recacho: o mesmo que Desabrimento, Aulegtafia, 
pag. ,100. «E passado este recadtí)^ recolho- minhas ma- 
goas» &cJ 

Rèçaga : valia o mesmo que ãeltxi^, Ò Áudor dos 
Cercos de Malaeá a usou em vez deretàgtíQfi*day e Damião 
de Góes também a di no mesmo sentido pag. 68. 

Recolheito : o mesmo que modesto. Diziam tambeni 
muUMsr recolhóta por mulher recolhida^ éáe bom proce- 
dimento. 

Mecramar : o mesmo que fazer alguma cousa kmprér 
gai y ás quaes chadiavam recramo. 

Recru»cÍ4uio £termò da armeria] dia-sie da cruz, quaur 
do na extremidade dos braços ha outra pequena cruz, qM 
atravessa , ou que vem a formar quatro p^uénas cJruzes^ 
como se vê nas armas dos Lúcenas^. 

Rtcudar: valia o mesmo que rôcusary como se lé 
na Mon. Lusit. tom. ô. Liv. 1^* cáp. 66. . • . > 

Memidir: om^smo q\^e tomar anchar alguma cousa, 
Acha-se entre outros livros no da Vida do Condes ta velj 
fmg. 10. coL 3;. . \ 

' Referia: ô mesmo que porjfSa^ repugnqnma ^ ê con^ 
tenda. Acha-se ainda cm Barros na Decad:'€. jpag. 8á. 
Diziam os atilígos também refertàro pov iàvÚJSOy c por- 
fioso. Usavam iguâlmdnte dè refertçir e r&fesfitkrárhcrU^ 

for porjkir eporfiaiamenie^ 

Part. 3.* -4 



Bcf estalo ; o .9ie§IB0 ^ue -{esta de bftile > e Iblià, co- 
xqò mostra £| Historia do» Bispos de Lisboa ^ Pai t. 8. 
pag. 130. 

Relê : «ntre^uUQS significada l;aiiiava-$e também por 
gtraçio e sangue. 

Rengo: panno fino de algodão > que vinha dmíndia, 
e servia para xestidura» de mulheres* 

Repas : o mesmo que barba mal povoada^ Aitlegira* 
fia pag« SQ. <<Por estas r^a$^ que me apontam i» &c. 

Repiq/r: o. mesmo que d^ofiar. Vem de.repCo, qae 
significava desafio ^ palavras que ainda se acham na Or^ 
d^paç&o do ReÍQO Livw b. tit, 43* 

Respinga : o mesQiio que oonce, Acherse ao Caneio* 
neiro de Resep4e y q deveria toroaJr a usar^íe para servir 
^o estilo grave. 

Re^touçar : q mesmo que eapojar^ac y eoikio faaeiÀ ak 
guns animaes. E^ palavra de que usou o antiquíssimo 
lioeta Egas Mç^ja Coelho. 

Revel: o mesmo que co^tutnaa^é E^ termo, tosada lio<* 
jfí Aa pratiea forense. Os antigos também dÍ2Íam rci^eZam 
em* logar de desobediente. 

Rev€%o [m^LT^ o mesrmo que atícrodo^ Achate Ana 
Barros na Decad. 3. .pag* 136.^ 

Riiga pareee que esa o mesmo que apre$Bàdan. Acha- 
se na Vida do Cbndestavel em divertofi logaras.. 

RoQí% : animal que rouba ^ eoome rezes. Utolh-o Sá 
d^ Miranda na Écloga 1.^ n.^ 8^^ fallajido do loboié 

Roçagante: vestido mui comprido^ que atoastova. |»i 
lo chão , e por isso i^uitaa vexe& os antígoa t:hasDavam 
ròçagxmte somente á cauda dos vertidos* 

s Rçdelh : o mesmo que remendo em bota ^ ou, çapfrr 
to« Acha-se nas Obras de Gil Vicente. 

Rofodo ; o mesmo que auado oq éarradof* Acba«»se 



na9| Coslediit9 4e Gil ViceBle« Aos lorresmos ^bamtvam 

rojonij segundo Bento Pereira. 

Jioidãoi.^nXrúr de roldão em alguma peHe flgnifi- 
cava o mesmo que entrsiTconfusam€nte^ 4s todos juntos^ 
jsonqua á ronda chamavam oa antigos gente derotíta ; is- 
to é eni moDtio^ sém ocdtln e toda jaftta em um oorpoà 

Ronca : o mesmo que valeniâoL Aulegrafla pag« fiS% 
«DÍ£ que àoh rúncan &e. 

Rottçar: o mesmo qúe for f ar ^ e assiib diziam ma^ 

> jRouçai B. acção de forçar uma mulher. Leitão n^ 
Miacellao* pag. 4M« uO ron^o da cavaímprío de lai 
sanha» &c. 

Saufom : ^aíorçadoi da muUMr^ LeitSo na Misc^Uan. 
pag. 4õ7. a Ao roujrom do rei , que em Toledo detn &e« 
- ' Sabor : o mesma qs» desejo, Aoharse nos versos do 
infante D. Po^oy e no Ca»cíoaetro de Beseftde. 

'- Sófárp i o xpefsroo que homem agrute , rústico ou 
ODBlmorigvrado. Nestaaignlficaç&o o traz ainda Fr. Luiji 
de Sousa, na suaChronica, e na Vida de D. Fr. Bartho* 
lom«u dos Marlyres 9 pag. ]/£L , eol. S. , tcilú de Bar- 
ros n» Detrád, 1. pag. lôS. pareç« que dá a este- itírino a 
signiâcaçâo de couaa /it>re &c. 

. Saga: <y mesmo que mtagui»da no exereito, segun- 
do a Cbrottica del-Rei D. João 1.^ part. 9. cap. 3f . erí* 
sinando-nos também que á va»gi}aiHl$i se ehamava dién^ 
l«lro # ád alas oMlafidrds. < . 

' . SugBigcma : ardU y e oêtuetaé Lopes ,, Olimn. deI«RdL 
fií. Jofto 1.^ part. %. cap« 19t. 

&^eira; o mesmo qnesabeduria. Acha-se emescrfpM 
tmaa antigas do^ principíos do refaio , ^ue andam copia- 
das »ós tomos da Mon. Lusít. 

Sagião : em tempos antiquíssimos significara o mesr 

4 m 



dS 

mo que alcaide j juizoà outro tmnistro de juuiça, pny» 
fessor de letras. 

Sainho: traje antigo de mulher , talvez diminutivo 
de outro chamado sayo^ 

■ Samicas : o mesmo que por ventura, Yeja-se o mais 
que dÍ2 sobre esta palavra Duarte Nunes na Orig. da 
JLíng. Portug. pag. I4l, 

Sandeu : o mesmo que mentecapto e tolo. Chamavam 
também á falta de juizq »andíce, 

Saquetaria : logaf onde antigamente se guardava o 
pao cozido , que davam os reis de Portugal aos seus cria* 
dos. Ao que tomava conta delle chamavam saquiteiro. 

Sarambeque : antigo toucado de cabello á banda, par- 
tido para um lado da testa. Acha-se no Cancioneiro de 
Jlesende. 

Sarangne : piloto , é guarda da proa , segundo o Pa- 
dre Bento Pereira no seu Thesouro da Língua Portugueza» 
, Satrim : antigo panno muito fino que vinha de Ben- 
g$la,. Acba-se frequentemente nos nossos escriptores da 
Historia Oriental. 

Sartagemi o mesmo que frigideira, Miguel Leitão 
na, sua Míscellatiea , pag. 638 , traz estampada a figura. 
Depois entrou-se a chamac-lhe certãa» 

Sayâo : o meatmo que algo^ , segundo LeitSo na sua 
MÍ3çeUan. pag. 457, onde transcreve uns antigos versos 
em que vem esta palavra. 

Sayo : antigo vestido de mulher , semelhante a cole* 
t^ çom mangas perdidas. Os hanou^ns tambcaín uzavam de 
iayo^ que era como um cazacâo, ou gij>Sp com grandes 
abi^s. 

Segfc : o mçsmo que êecuh^ ou espaço de cem an- 
nos. Acha-se em Fr. Heitor Pinto no tom. g. dos Díalog. 



63 

Seleiro : o mesmo que ligeiro* Áíilegraphia pag. 48. 
« Anda já seleiro nestes recontros 99 &c. 

Sendas: de que ainda usa Barros naDecad.4.9 pag. 
66S j vai o mesmo que dar de uma cousa uma a cada' 
pessoa. 

Sengo: o mesmo que homem dissimulado ^ e quecal- 
labdp vai obrando* Já Duarte Numes dá esta palavra 
por antiquada; porem D.Francisco Manuel ainda usou 
delia nas Obras Métricas part. S. pag; 949. 

Sénior : diziam os antigos em vez de senhor de al- 
guma terra. Veja^se aBrandãonotom. 3. daMon.Lusit. 
pag. 236, onde faz algM mas úteis reflexões sobre está pa- 
lavra , e a de e2òm. 

Sevòsos: assim chamavam antigamente os casCelha- 
nos aos portuguezes, por serem quasí todos descenden- 
tes dosstievos^ e devendo dizer «ueiHisos porcorrupçSo di- 
ziam sevosos. Yejá-sè: a Brito na Mon. Lusit. tom. 81 
pag*. 156. 

Sina: bandeira real. Achli-se com esta signi6caçâb 
no lívco dos Regimèbtos del-Rei D.-Di^iz no) titulo de 

Singel : o mesmo qué uma junta de bois. Acha-se na 
Orden. do' Reino, Liv. 3. tit. 33. §. 17. 

Sobrejui%: o mesmo que corregedor , mas* com. mais 
ampla jurísdicçSo. Veja-se. a Mon.'« Lusit.. tom. õ. pag. 
Õ4. Depois valia o mésmò qiie-^i%na!casa do: eivei. . 

Soidade: o mesmo que saudade. Ainda foi usada por 
Cam&es na £l6g. 2; est. 3,, e por Barreiros naGen&urá 
a Fábio Pictor pag. 18. / • 

Soláo^ que traziSá de Minmd^ na Eclog. 1.? n.^ 
67 , significava gos^o , aRvio , e consolação^ 

. &/ari^o: fidalgo' de M&zr.Dfbziam .também osT-anti- 
gos casa s^risga'^ liabA^era solariega ãcc; 



ih 

diz Brito na Mon. Lu«ít. | toip, 1. pug-z^^U . . 

Soldo: moeda d« cobr^^ «Je cmtro, e ú^ ptaitd, se- 
gundo D. Hodrigo da Cuaba oa Historia dç&Bippo^d^ 
Lisboa. No reinado deEl-Rei D. Duarte vinte so/c^va-- 
liam ujsna libra ; conforma a opinião de H^verim de Fa- 
na um soldo valia um real, quatíoseitiss^^aí^dl^co qvin'^ 
Xo% de seítil. . .1 

SoRa^ de que usa 6á d^ Mirtoda^ firatíierlo iecMo^ 
cDm que qs anligos s^ vfisiiam. 

SoqumoíQ ; antigo toucada, das ttuU&ecês*. £ra uma 
toalba na cabeça 9 cujasi pontas passavam por haixo doa 
queixos. ' \ . . .. / 

Sortija : adorno dos dedos á maneira de:and. Acha- 
s^. Qm diversos ifsiamfot^ antigos y e aoCancioneico da 
Bezende. Nos jogos 4a cavalleípos:t!orrer sortya^ ou <0f^ 
tUha f «ra o mesmo que cortar' árgoliDba. 

Sosqmnar : o mesmo que inclinar ; e ser pccípicia a 
alguaeia , segundo Bento Pereira* ^ 

Sropiiargo: ^ra em tampos antiqimsbnos um genen 
ro de calçado , como diz Ruy Fernandes [[segundo . BIu-» 
toau] no Tratado» em quo trata da ddade dô i^aãftego. 

Stafil: o mesmo que cnorrague , rniá^oomposlo de 
eorreaa^ ou segundo outros de vanu. 

Succidonha: o mas Aio que âuacestdy ou 'incidcitáff. 
Achasse nas jpoesias de ^jil-yiGcntek ' 

Ska^úéh : Hermo de esgrima ^ de que usavam es an- 
tigos, mas naonabemoB 9 que significava ao corto. Acha- 
se na Farça do Fidalgo Ajprjsndi%, 

Su8o: adterUo^ queÍBÍ^ai6ca'vaojDiefmo quaéieifna^ 
e era o contrario da^uisu.: 

. SuajOi7 b imesmò qUe cousa aloffígaãàj: desapertiida e 
solta 9 V. g. corda iwo^ 4»nM jtvat D^miSc da Góes aa 



Chronjca^ pag. 63. De^ nome aascit iambnn ò ver- 
bo tyaar, 

Tobardilha : diminutivo de. t^t>^^d»^ MKitigE Véiliduú 
^ tde bomem, nms q^p sabemos jap ciarto em «{na consis- 
tia« iUh^-^se aa Chroniçi^ d^£^-llei;D, Jqíío l«^piag« 106^ 
Sj9gua<jU> l^Hti^ qa«Ma MUcellc^^^^. paiceeQ gu^ eraunà 

espçciíe de cap^ cur^i^, conforme o jtfitígi^. ftd^^^ * ^ ^^ 
òarcío e botas cobrem as co9t«s/ ' •. ^ , 

Taboiç^esn : Q' n^ef mo <iue: «^u^ jnâblica de jogo. E^ 
palavra da Ordenação do B,eifkO| liv« õ* Cii At. §. 4. 

Taby^rno : mm .pequcifp tstrfii^ i sobre que. se puahA 
a» cama. .Ai^da o m^í^ F.jr..LiiÍ8 4e Sousa na Vida de 
P«.Fr. Barthojpmeu ^q% Mar^yres^ pag. KMu 

TalímUi p máfffJOQ q\i/^pwi(idc^ D. Craotibco If a^» 
ouel xia,s§u^ Qar^^y pag^ IQO» 4íi;^^e ejita palavra era 
da moda em seq.teipyp.. S^ría. rçoo^adUt^ iporque é iqBrtil 
quçr/éf^uiijQ af?^rÍ9r.,f^os^oMll0 d^e ^úuctor^ como cônsc- 
ia de diversaf .<^i?pt«trfts «Atj^^ Y^^rdiidè 4 que dàsiam 
iffJkanU xqais do. que i^ismlf^ 

, Ta^:^9;0^«4|n9^|Mifim?Air^ ^^rttir^afTOttir^ Aia-'. 
4«L .^isptt Yieira dçs^i .yef bp A9 lOOiV .^. ^ag* 46L* 

al^upi^a» eàQi:iptrU^«^^%ntfgaa(.^ <. ... . < > 

TalUcai o mesmo que gre^a e fenda nos pcáediM^ 
QlÇ4CjiyfVi,,»}l^t^f^ 4§ f e«(9lten maHfCQi. Atada parece 
qu<$ (em ^efte terA^ algM» mç^ «ai» )/jrovíiQÍaíi. 

: To^ieíf ^ ; . ,a ^i^ri&ba da» ocílira ^ Segundo o Padro 
Bento Pereira, o qual não sabemos onde achara osta.poH 
lavra. Pe^M^iu^a • de tarfybç^ q^^ dils^ esa.aifaiMíA ou lei- 
to dos nçivof., ... . . 

^ 2bm?^i,^ de.q|J(9 ysçji^ D. Fjranci^co d^ Pviitiigtil em 
siiaâ^pqeM^stiK «Igniâcaw ^%tt^le jmajU«.de bcapco a ter-* 
melho, que faz forfBi^io.fc^ lOste- '. 



Tawmêi : o inesrao que ousado , ddenninaãò è twh 
Mo. Aulegraphia, pag. 80: «Quereis rapariga careira, 
fazendeira ^ tavancs 9> &c. 

Tavolfidoí antigo jogo de cavalleiros ^' que consistia 
ein'derril;>ár' com tiros de arremeço um castello de ma- 
deira, em que se uttiam as taboas por tal ordem , que 
nem por si podiam cair, nem deixar de vir ao chão, sen- 
do movidas com grande força. 

IhnenU: titulo honorifico, o qHial sé dava ax>s ri- 
cos-*homen9, e valia o mesmo que senhor e governador , k 
cujo cargo eatara commettida a defensa de alguma tena. 

T€pe%: o mesmo que coniwma^^ segundo Duailè 
Nunes de LeSo na Origem da Ling. Portug. pag.' 11^^ 
dando este termo já por antiquado lio seti tempo. 

Teúitdafà : o mesmo que óbsihínmdo, Acba-se etn Bri- 
to na Mon. I^uslt;'tom. 1. pag. 163. col. 3. 
-• . Toridi cabeção sem mangas na camisa das' mulhe- 
leB. Usou-o Bá de Miranda em suas 'Écloga»; 

Tornadkçoi injuriosa palavra que. se dÍ2{a"ao judeu 
oui mouro que , tendo^se convertido , tornava á sua pri- 

* 

meira religião. Também chamavam' téritãdkçò aò que 
largava á sua ièi por se fáaer, christfto ; ^ é òs qtte diziam 
esta injuria eram severamente cast^dôs com pena pe- 
cuniária. 

TomeuMi moeda de prata que mandou lavrarEI- 
Rei D. Pedro I.^ Yalia sete soldo» de dez seitís e iqua*** 
tro quintos deseitil. Havia também mdos tc/rrmits^ cha- 
mados peiUes. ^ : « . >. 

Tortãú [termo da armeria^ : sáo umas iBguras re- 
dondas como moedas , e semelhantes ás arraéias. 

Tosqutncjat\ o mesmo >que dormir Uoemcnthy já 
abrindo, já fechando os olhos» No uso de alguns ainda 
esta palavra nao está de todo antiquada. •' : 



67 

TrabuGa: maquina de guerra, que teve uso antes da 
airfeílheria. ConsUi<va de uma grande trave , que , desan- 

« 

dando com força , arrojava pedras em longa distancia; 
Achá-se e»te termo em algumas Chronícas antigas. 

TVaVnposo hcjé tem significado totalmente diversow 
£m tempos antigos significava enganador^ e especial- 
mente trapaceiro em demandas , como se colhe de Bar- 
ros na Decad. b. pag. 40®., 

Trd>elhar.: o mesmo que brinearcmbultr com algu- 
ma ooiisa j pa correr de uma parte para outra. Acha-se 
em uns versos mui antigos que transcreve Brito naÇhro- 
nica de Cister pag. 347. Deste verbo nascia freòe/Aa, que 
significava 'òrifsca^ como se^colhe deescriptos antigos, se- 
gundo vDoarte Nunes de Leiío na Origem da Lingud 
Portúg. pag* 114. 

Tredo e tredor : -o mesmo que traidor. Ainda o usou 
Barros na Decad. 2. pag. ftt6 , c Sá dé Mimnda na 
Eclòg. 1. n, 43. 

, Tredortee* o mesmo que<tr€iíf ãd. £ra-mal fi^quenté 
este vocábulo com uma tal pronunciarão late b teitípá' 
em>que.Jer(niimo iSurdosò escrevexi d seu^ Vocabulário , 
século ;em que se diafa traéior e nSo traidor. Em tethp(k 
maisiantigos propuoetava-se-ifredo. ; " 

Trefo: o mesmo que maliciosamente dtsshnnl<ích y 
ou homem saga%y cobforme <» antigo adagio : a Teu ami- 
go é otréfoy fie te; encerre teu segredo. 

Trato : o m«smo que w^ãto ; v . g. : «Sois tr^to a des- 
confiar, r Ainda hoje se usa em algumas terras do reino. 

H^emmeií moeda antiga; do valor da terça parle de 
um: soldo. Usou desta palavra Brito naMon. Lusit. fom. 
£. pag. 109»- í- í ■ • í ' 

Treaandcr: omesmo qúe'^trafufigurat eiransfórmaf^. 
Acha-se em Sá dê Mítanda na* Satyr. 4. est. 47v 



Trçspa$$o : o mcAmoque HlasSbí4^ AohiM» coIS esle 
sjgoi/icado Q4 Vida doÇoade^iav^l, ena Çhrooi4» d*£l» 

Trigimga; oqi^wdo quaprl^isa» ;B?.p«Uyi» miii.ÍDQí^ 
q^ant^ em^çi^ílMas atiti^s» Dizk^e tft«lbettirig>òio por 
(qjfr^sado >. e UrigiHésmunU por apr^sodaiii^ii^e^ . . i 

; 3>Í7U)0^&;.a4»iiii cbaolaYftm aoa brincos que sè.dlLo 
aos rapazes, especialmente sifittife.do geheb» dâiqueilct^ 
q;viejíaz«m algtío» e«tfoAdOy e em oerto modo Irtucam , 
quaeB aquellea a que os .latinos chamavam prpprti^mc»^ 

. Tr999fairo : o me^mo que ii outra t?it2p. .Leitloy Mí»i 
cellçQ^ pag^ 460^ .UaUBcrAVeado eiie vesso eh. Carte ifo 
Çgai JModíz; «(Que aie bóy pata <» JrM^oiro áetfrtMOW^ 

Trocha: caminho em que se torce ^ é se &z.migpam 
desvio, AaliA-^«i .^la al^iMnai dia antij^vGiiroiNcas , e 
eot GlU yí^nl4> ' i '■••^'' 

Trochado : era certo lavor de seda y <áe x|uei aajkiga^ 

* 

mente , sa uA^iTa D^s i^eslidos , segnodoí a fiiiravagante , 

: l/fih^ ; >Q mesiao que tsrca» . DaUa irein tioAáei^:<|«a 
«(gIMÍicaya: ic2eflpltMiro^,que g^aarda^ira e» acca oi oiáiit^ 

mentos; ettcharia^ que iralía o«ia»iai9!>qoetca9a''i^8^^*^ 
49r camas 'C0meatífei&. .. ' u •• *>• * 

^fti^ofuiar o meMUQ qwe.ms^^iknufo. Ta«èe«i:'f)OD 
metáfora significava ii»con9tWíih <t ^/ifoto;; aeèlte scniídcr. 
Q^usou.Sa djBi Miranda^; díícMoc «Gosaseus ôihas va- 

roMqyJÍHba: antfga «aia,iúom «uilas ptégás.M^ ter- 
mo usadJíífiàtno per Fr^Xtis «deiSoiíea/baieifa Gfaoaicai; 

Fa$saUo: titulo summamen te honorifico, .qte. «e da^ 
va «6 a filho 9 (m neloi^ «ou bbueto de .ãdalg^.de ttutiga 
linhagem. Também ^a diaanaMm MsKlí^d^^fici' gà 



I 

que da lil^er^lícM^ r«94 ttt^iam recebida tAfr^^ pai|#}rr 
losy e outras jurísdicções. D'£l-Rei D. Affoo^o^.^. M. 
El-Rei p. Manuel cbaiBay»*«o va$$aU^, a todo Aí^elle 
qiie comia moradia da í^aenda ^re^l-)* para bav<9f de «f^fr 
Yir na guerra , ou no que lhe fo^se eucoMnendado» ' Ya^ 
]a*se o tpm^ õ,.da Moa. Lusít. pag^ 3^1 atá 33« 

y^egadaz o mesmo qnie9C%* Prova-O i^^atia^ e(oa|m«Q<7 
ta^do ojsaolo^ 4w deCatnões^ ooni Mqna^cadrta de J)v Lq^n 
rei^so, arcfb|ftj:y> de^ Braga 9 qua wa deHe tamo coa».!^ 
diia aigai&caç jio. - ; 

l^âr^icío e vtir^ [termoi de ariAeda] da qUt t^la. 
a Nobiliarcbia Porlugueza, pag. «6 b S39. 

V f^elar-it: ameiaK^.quc guardar-ee^ ou itfmer» Aulo 
grapbia, pag. 9: a^Vci^sc cada^um dedeav«iiUii«» 4)11%»* 
to-fiie for po66ÍyeI«» Ão. 

^Mii: .segando D. Aoddgo.da QuDba na^iii^iiONa» 
dos AffcebUpos d< Bi:agã, laia^ talarpielar im antigo la« 
trairo em quenie aeha esta palavra y parece Aif(^6ca¥jli» <> 
mesmo que o«s<ri^«ins» 

f^mUe-MO masmo qme tniit?dL Aulegfafdsia » pag*>f^.;r 
« Bm que Ya)-eí$^hstffia piniitra que latta^ e vf^ fai^ fteiir 
U e palpaircd^^ vaidades &c., ^ 

f%o ^komem] o mesmo «pie tfraada a Jbf)^ e muir^ 
lo á suft vontade. Ach»^ na amltga den^g^ò ifea Baia^. 
llML.do^^Salado^ feita em tsoyx» por Afitakiso (SiraUas* l 

FiUio-toícaliduf^:^ Amm m diamava aqualle que^ 
9S0 sendo ícaralleiro de liiijba(9em,>fia £a»A cavaUeiro na> 
guerra^ por uSo: servir pião; e assim tinba selis^ toesquaoib 
privilegioB^ 

Fwatã^: e^ecie da ttia. Usoii-a Barros «a. Decad. 
S; pag. lâO^eo Auctor da Chiawbi d'£l*Rai O. JoeM» 
1.® pag. 38Ô. 

Zarguncho : arma de arremeço , como dardo, á qual 



60 

também chamavam %agaia. E* termo mui frequente em 
JoSo de Barros. 

Por conclusão deste catalogo advertimos ao princi- 
piante , que os nossos antigos pronunciavam ma, ta^saoy 
em logar de núnha , tua , sua : que diziam mét , tez , sciy 
em vez de meu , teu , seu : que em muitas dicções usa- 
vam de r onde nós usamos de/j v. g, diziain eacrdmar^ 
apracaty aprànar^ prantar &c. , e nSo coíno hoje, ex- 
clamar , aplacar , aplanar , plantar &c. 'Também os par- 
ticipios que nós terminamos em ido, acabavam ellès em 
itrfo, dizendo sabudo , rendudo ^ uniido &c. , e nêío «a6i- 
doy rendido y unido &c. » • 

Naquelks tempos, onde os verbos terminam em ôo 
acabavam elies em om , dizendo som , tiròm , forom^ fa^ 
%%om , criarom, &c. , em vez de são , ttrãú y farão , fatiâóy 
crearão &c. Nos tempos em que -os verbos acabam hoje 
em aes, terminavam elles em adesy e diziam, v. g., /o- 
çade%y hajadesy sejadcs-^ mettadesy possuiades Sic.y em lo- 
gar defaçaes , ha;aes , sejaes , mettaeSy possuaeèícc. Nos 
tempos que términani em ets, acabavam elle^ em cdesy 
pronunciando ewtnedesy formedes , devedes > ôlc, , em vez 
de envkisy firmeis y dcfoús &c. Nos tempos >que áoabam 
hflje em ú ou'ai, terminavam elles em edtoiw adcy edi- 
zíam »(ú>ed^ y finxde y amade y reeusadêy fitmadeôíc.y era 
logar de sa&ei, /cMd, amaiy recusai y firmai ice. No ver- 
bo ser oú eft/<»r tinham tambein òs nossos antigos pronun- 
citíçOe» teui diversas ^as nossas, poiqúedizia^m, v. g., 
este por est^y íia por estava &c. Lêarse a Sá de Miran- 
da, que destas e outras pronunciações , que por brevida- 
de omittímos, se fairá copioso catalogo. Observc-se tam- 
bém' o tom; &« dá Mon. Lusit. , onde copia esèriptura^. 
do reinado d'El-Rei D. Diniz. ' 



-; 



61 

REPLBSíiO «.?• 

« 

* • . ' • ' ■ 

• r 

Sobre afoita que temos de muitos verbos^ dèque 

usavam os nossos antigos , e hoje injusta^ 

mente se dão por antiquados. 

\jr-Auclsor do livro ^ Atítídõtò da Língua Portugueia^ 
espirito presumido, e critico de poucos cabedae», dedéjou 
muito que a nossa linguagem de cada nome formasse 
um veriEK)» para nâò mostrar pobreza em militas occa^ 
siôes y em que a nSo podemos chamar rica« Queria elle 
que j imitando nós aos ingleses ,' formássemos v.. g. de 
idóneo idonescer j de enorme enormescer ; áemrtiíde mh^ 
descer ; de firvdeníe , ptudeinÀeicer ; de ftthdo , feíuítr ; de 
plaekdoy pkundir^ de astuáay astpáar^ de severo, seve^ 
reari de htmianoy humaoectr^ de menino^ memnar.&c. 
Prouvera a Deus què houvera esteç ^verbos, porque €re»- 
ceria a riqueza da nossa linguagem ; mas o que eu mais 
quimera era que injustiasiniamente se nSo dessem; por 
antiquadas muitas palatVras de século para século, sem 
msis rasâo que a de um cego capricho ^ inspirado pejio 
espirito da novidade, que spaima aquelles que^ peloesfr- 
tudo das línguas estrangeiras , déspresam a própria. 

Deixando por ora infinitos^nopaes que já nSo vpgám', 
apontarei sómeníte ;alguns verbos que me forem lembran- 
do, dos quaes usaram os npssos bons antigos , dedfizin*- 
do*os dos seus' si^bstahtivos , fazendo com elies nmis cOr 
pipsa do que hoje á nossa linguagem. .Sim>, mai^cppio- 
,sa; e quem. ti ver isU^ por paradoxo, lâa com reflexão, aos 
nossos Clássicos ,> e.G<M)fessará que nao fui desmjsdido^iio 
epitheto j se entrar* a. fazer catalogo dos infinitos dermos, 
que elle» tinham e nós çao temos. 



Elles de abobada iormái^ii • ditíbodar ; de alarde ^ 
alardear ; 4^ aldrava y aldravar ; de alfaias , alfaiar [por 
adorp^ir uma caza] dealjqfrcsp alfofrar^ dea/magra^ a/- 
marrar ; de. amamentar ^ por crear ao pÂío; de amaref- 
/o, amarettecer^ de amigo ^ ami^ar-se, [em sentido ho- 
nesto]; de Orpcr, arpar porfanger; de arrpòa, arrobar ^ 
[isto é tomar opezo] ; dea/a/aâa, atalaiar; deòaJroveii- 
;ío ^ ia/rai>m^âar ; de barba , òoròor [isto é apontar a bar- 
ba] ; de boâitsrdo^ Jba$tardear ; de boRnay [termo maxUi* 
mA3Í] abolinari de bonança^ abonançar; de brweoj cm* 
bruÊcar^iei de carotndib^ ««tfiiraintfttir ; de ccíra^ encei*- 
riar ; de ehpcarréro^ tíhoèarrear ; de eonfeiçêo^ cotrfèiçoar ; 
de ciim« , «imMAinar [porpãr mna emita no liogar mah 
«Ito} de dor ttlá ; deidtir [isto é desatar] ; de daateniõty 
dcsoátfalor V de dtía&no^ daaáòiar [perenlitrecer-si!]; è% 
dagabador^ éldigaòor; de cmbekeoj embelecar; de erè»a* 
me j vouromear;. deescudo^ ÃSCÊktar ;. de«sigftt«nío , eágnier- 
•J0iir; de esçiMoo^ aqitdtiar; de eihuOj enihqigeAer^té ; de 
«SEÉnsfffO > Gptremar; de faceáa ^ f aceitar ; de /mica, /sl^ 
oor ; d^faftiui ^ afamar ; àie fidalgo ^ enfdalgar ; de/roádti^ 
detfroMar; dego/oio, golos&ear;. degrenk», engrcnAor 
{por atar o» caheltòft] ; de Aos to ^ ios^ear ; de iiiftsrMO , 
Í0t/€rínar ; daj^go 9 joguetúr^ ãi^jubtía^júbiiar [por ale^ 

grar-5Q muito] ; dcjmtas^jmtar [por conrer justes}? ^^ 
falèm^ àilinàr ; de hnguagem^ linguofar [por compor em 
língua vulgar]; de lusiidio^.akêúar; de marido ^ mmf^ 
dar:; átmuátnaiay mafinor; demeda^ ermncdarfporiii^ 
ceranftmeda}; demedsôaia, mcdkinar ; demeigo^ amàh 
gar^ àemexÀnha.^ 9ii«M9siar; de miolloy de9mkM'ar [pctr 
dicítar.oâ niiolk» iora] ; demoile^ amoUeniar.i de ne^Ito^ 
.CHseificir; rdettinAo, cídsnifiAar; de OfSKerwr, otiteenari de 
prií|^, orl^ar [por íustigar-se com ortigas ^ ou por áfit 
a terra muito desta er^a]; depoAna, palmear [iflo.é 



$9 

bater nas palmas por appIiiiSQr] j úepirfxncey paroo^^or; 
de paschoa ^ empaschoar ; de paf^anha ^ patranhear ; de 
pea. d^Bpear [isto é Urar.^ pris^s.dos féi2i d^yP%^> 
ef?i|>4rar [por cahir nelle] \ de pgo , pejar-^e [por enver- 
gonhar-se] ; de perjúrio , perjurar ; de préa , ou pr^xa^ 
prear [iito é fiuear pre«a] \ Ú9. prenhe ^ di^miifr€$ihetr [por 
pa;i:ir3i dequvnhêo^ aqmnbQ(9fiÍ deraboy sroWr [ppr mo* 
xer. a^çauda^f dç^rly^ioQ^ r^e^Mw; d^sabiuía^ foba*- 
4^ary [i#tQ é «uaidar o sabba^o.] ; á^sormoa^ mr^iíooiri 
de $oríe f $Qrtt^r [por buscar fortuna ^ ou titar poi sorte 
alguma cousa] ; da tanUfmwdo f tartamudear ; de Umai 
utonari da tratos 9 ^rakar; d^ tromba 9 ^no^b^, [isto 
^.fa^er a algueqi cariança}; de velhaco^. v^thoqUegr^ 4e 
v%cip , vicç^* [port ^r ¥Íqio«a] ; &c. 
, . Nâp nos Qccorrem pof ora mais ver^m perdidos; do 
utQdeUes em outras idtidei iiftaapoQt;ain0» e3{empl<»9 poc 
090 laeemos um piioeeisQ iafisiio ; fatcilmeote ot achará 
pjeitpr, que fordado áli^Sc» doa nossos aniigoa^ eqi«M^ 
d»- n34> queira tomar esi;a tri^ltio^ aquette quQ for ig«9r 
raote da Doasa. antiga li»guag«iA oorra os tocabulaiíos 
pprti»gjue«)es de JmvP^ixao C^arcfeso^ Agostinho Airbosa^ 
«rBento Fereifa» porquke nellesacbacá ajuftta raafto com 
^Uej^tatimos usta perda^ a af&naamos acj«aa que a nos* 
s% Uagua já foi mais copiosa do qu^ é h<)je« Pa^eoe que 
esta perda é boje irremtdiav<^ 5 porque âãk> está presea" 
taiaeabte em uso, e \ig9r a regra de Horaoio» fciUutta 
vmmii9»tur9 qwB jaim(í>fcid€rc0 Suct^ pak) contrario o « cor 
dfintq^í^y qum mune Munt i» hon^rtt voaeA^la» isso [inda 
ma}] que está ta»to emu^^ anl&quandoii^ termos ees^ 
pressões eaweUenie»» próprios: da nossa tínguagem, sem 
Wk^ xasSoi que-, a «ontude dos sefctsiiios do Iraooesismo^ 



C4 ~ 

REFLEXÃO 3.* 

• ■ . . • p 

Em que sè ttata das redundanciM iiofaXkít. * 

i.^. areflexSo 6> da primeira parte reparou oéfitico íKMfà 
so àitii=go, em que sendo tSo frequehtes a» redundanciad 
no estilo dos principiantes , enSo menos oimprbprid úsé 
dos epitetos, nos contentássemos s6 com fazer um único 
paragiiafo «obre tão importabtè matéria. £ assim aconse- 
Ihou^^nos , que déssemos aós principiantes mais èitemfrfoá 
deste vicio da redundância , e que os extrahissèmos de 
algum Auetor de boa nota ém a nossa linguagem , para 
que vissem os ignorantes ^ o quanto é fácil, cafair^ e pee- 
ear nesta matéria. N^s^ qtie havia pouco tinhamos lido 
com muita reflexSo a Ufysea de Gabriel Pereira deCacH 
tro, e notado diversas redundâncias embeú estilo^ Íá(BÍÍ-( 
mente 'nos resolvemos a -condescender com o reparo do' 
aml^ j illustraado nesta reíBeiSo o §. , ém que elle fe- 
paroik nal.^ Parte. Cremos que ficará satisfeito ^-porquê 
o AutAÒr cujo estilo observamos, não é dos intelxIt^M 
catalogo dosriOssOs Clássicos. Nâk>duvídamors quealgúns 
dos nossos reparos se possam defender eóm exemplos de 
peie tas latinos do bom seculô; mas também ti3o4«vida-' 
mos ^ de' que só os pouco instruidos na língua portUglie-* 
sa serão os que alleguem com táeb exemptos» O» éowloé 
esses bem sabem que aas-linguas vulgares constanteiiitíi-^ 
té SC dão por darás redundaBcias aquellas que é#lre os 
poetas latinos se defeodem com os nomes de âgúras; ^ 

No cant. 1. est. 80 diz o poeta uPaUas^ú^^nad-a ífoJ 
kroêaentrawi.nOvàlôròsayUindoáiiúmrrpksiá^ todó^beMi 
critico terá por uma redundância. 

No mesmo cant. est. 26. a O Indo do oriente, n Es- 



PrvBnte é supérfluo , ))orqàe nSo faa âutro Indo qué nao 
seja orientaL 

Na mesmo caiU* esl,\ 99 : a Fendo-ic a chra engano 
manifeUoMi bastatadisèr engano maif^tito, O èpitbeto 
daro é de sobejo; '. • . ,., 

Est. 70 do mesmo canto: ccPor um jardim enfim* 
vmn púièiusndoè n 'AMaaliel de .Faria e Souéa pai?etGu o 
passeatubíJCoasa^ife^sQbejov . . * . . i . ^^ 

I &ti;M/do mesmo qanto: aSoamo^^xnMttiírnci^Q^é 
CS suaves frauAi&i 9 ^Acpii hoL danfe redaisdaácia ^ porijue 
fsmjAàs lamíaem' «ao ÍQsLTomentoa'miisiòofí. - > • 

No\caiit« âv est. BB: a Aorlde a lú% vanliànée patt* 
€mísóbré as .iremuias ondas queiremka. Se as. ondas es- 
tavam tremulas^ eíú inútil o irenúa. 

No caat. 3.- est» 47 : - u Do JUha esposa ^^de Nepiw^ 
no nora. f» Ou o esposa ou o nora é supérfluo^ poique 
ser esposa do âlbo de:Ni?ptaittO é ser ilom de* Neptuno ; 
e ò serisua nora é ser esposa- de seu -filho* Faria eSoub* 
sa queria que dissesse.: « Edo cerúleo Jo»e tíbwiire MOKa\n 
> ',Bst«'71c mEstaalmciiua a/sára txiÁÍtgat sabe^ o grão 
flbaBHÉí «i iallándo com: o mesmo liasiígado.o il«a é re-^ 
dundancí^. .,•.-•.,. ,. 

Ntt ei^. do do mesmo eanto 3^ : àPbr anéTe:os tar" 
gor ^oÁftes )qws' eorémáos y antre) as-cenuleas ondas sosnçrgh^ 
das. 99 Qualquer conhecerá .esta :clará reâúndancia-) por« 
qtte .'a segundo verso di£ o mesmo qvte o p<?ímeíro«'^ 
•-! i"No'canW éitest* ^.itxJ^enda qme iarda^ um^áfcuio 
«-jligtira ém. roda pmto».&,c; Depois- deàa^rcircsUoy.è&á 
devia <aclresoentaarjl)^ÍMna em roda. ti . ..■.,;'■ r > >> 

< > Na e&t. lááà : JJ^ndo ou rosièi por m<tscanas agidas; v^ 
JBaiStavà jHierMcucards : -o/ngitâeis é de muás^- porqup toi^ 
da à mascará é fingimeoto» ' /.! «.: 

Part. 3.a ô 



Naeat. 96: éeJEm.corfio giganUOf a/íb €vmmbrudú.n 
Quem diz gigantéo diz altOé 

No cskúí. 5 : ã Thefu tu chama ^ e eltoi que ás ovr- 
víoiii^ iodas a obideoc^la ooncerriatn. Por causa do con- 
soante é que disse superfluamente ac elkis qiU a oié~ 

No caiit« 7. est. 4. dÍ2: «Da rei (2a /ctft cr belia €mi»' 
haíxadora , e logo a roxa aurora'» ^ cptno se uma; e otw 
Ira nâo fôra o mesmo* A um poeta como Cátoto nSo 
obrigaria a rima a esccavér esfa paériUdade. 

Na est. lo dò mesmo canto: ^Terror mortal dasjan 
wílís foontcus^ Sobeja este epitheto^ dt2eâdo*sejooa/ís. 

No cant« S^ est. 91 : a jíqueUe da encarvada lua a- 
corda sacode porque o fira. f> Se se despedisam setas do 
arco 9 escusado era dizer por qut o fira. O que faxem di- 
ser consoantes i 

Na est. \bò do mesmo canto : a Oar ria lu% doêar^ 
mas SC mflammavay onde o soly qwmdo asfare^ scmikUa* 
va. y9 £^ redundanda dizer quando as fere. 

No eant. 10* est. là: ceDas lagrimas da. aurora o 
congelado orvalho 39 &c. Bastava dizer << lagrimas congei 
ladas da aurorai sem acrescentar orvalho. 

Na c»t. SI do mósmo canto : a AàauÉã Ae pergun^ 
ia ^ por que vinha do alto oHfnpo á ierta onde caminha.99 
Esta ande canúnhq é de mais. 

Podáramos escrever outros reparos ; aias ofte» bas^ 
tam para conhecer o escriptor principiante o grande cui- 
dado que é preciso ao compor^ para nao se cair no ti- 
cio da redundância, pois que não falta em uma Epopea^ 
que tantas veses seria revista ^ assim por seu auctor, co- 
mo por outros, muitos engenhos do seu tempo. .Tetsot 
mais outros reparos em pontos de grammatica; e de im* 



67 



ptÀptfedâd^ de expresiAet e epilhèU» j mas guardamos 
loé pàm a Reitmio leguinte^ como logar mai» próprio^ 



fii iimx 



REFLEXÃO 4,.* 

» > 

Em que se recommenda a propriedade nos tpir. 

thetas e expressões^ 

X; et^úòs o critico amigo novo reparo^ estranfatado que> 
nóé depois dD^faaefntoi ba Reflexão 6.* da 1.* Parte um 
Iá)'go' catalogo da rigorosa sígnificaçio dettiuilod tèrknos^ 
a qual ignoram os eicrtptores prineiplaâtôâ , nSo os iils^* 
thiii&^môs iguàlmeatô a^iiki na propriedade do^ ^ilhc- 
ix^ é éoípi^esíóté^ em que moito iseerra, como 6a gradua-^ 
qÁò das palavras^ conforme o diverso eslíto em que de 
eàtfete. Pbtlo que lhe acbatsemoti rat&o , e cofthe<!esse^ 
mod a fiósta oitimfesao^ estivemoi muilo tempo resolutos 
a ttSo executar está ídea ^ nSo só porque pedia largo es'- 
tudo, mas porque eram fracos os kios&os hocnbros para 
lauto pesOf. Porem étík Am coti^ideráudo na graáde ne^ 
cessidade qué hávia de executar este projecto para áoecor^ 
tú dod qué começam a escrever em português, resolve- 
m^-ttos a emprehender a idea, ^ bem que nSo com to- 
da bquélla extetisflo^ que desejara o amigo. Discorrerei 
mos pois sobre a impropriedade com que vulgermeate sfr 
usadè épitiíetos e expressões, epara isto nos torilaremos 
a iérvt/ do que hotimos sobre este ponto no mesmo pòè* 
ttia da Viytsea. Depois em outra IReilexSo daremos um 
catalcígode muitc^ vocábulos que à critica frenética des- 
ta idade nSo quer já admftlir em composição magnifica 

5 m 



6d 

e sublime , e que só Ibes dá logUr em discursos familiar 
les, comícios 9 jocosos e outros semelhantes. Começando 
pela impropriedade de epithetos e termos^ continuemos a 
reparar na celebrada Epopea de Gabriel Pereira , para 
que deste grande poeta aprendam os ignorantes a conhe- 
cer a facilidade com que nesta matéria se erra. 

No cant. 1. est. @9 dá a Marte o epitheto de atro- 
so, que nunca ninguém deu a uma tal divindade, e mui- 
to menos ém óccasiao em que revolvia mil pensamentos'. 
Em ApoUo poderia soffrer-se este epitheto. 

Na est. 30 chama a Júpiter só poderoso , devendo 
ehamar4faè em principio da falia omnipo^^n/e.,; como fr- 
zeram. todos. os bons.epicosl Também o epitheto de serA- 
jnterno ao mesmo deus éfraquissimo^ porque écooiímumy 
como o de poderoso y a qufilquer dos deuseii^.: 

Na est. 79 domesmocantó: ícUfna Matua deporfih 
ImentA » • *naÍ8 ab?uxo também chama a esta pedra crifícrf-. 
fino. . N em este epitheto, nem o de lusíente con vem ao porfi- 
do, porque é, um mármore maciço sem algum resplendor. 

Na est. 90 : a ^It junto se ocm, donde assistiam ctnjk 
polidos rninistros que serviam 9? &c. Dos que servem não 
s^ diz com propriedade que assiHem , como bem . ponde- 
lou Manuel de Faria e Sousa, notandp este logar. Ui^a 
cousa é assistir a uma mesa , e outra servi-la. 

Na est. 94 do mesmo canto: « Csrce a taça formosa 
e coroada,» Tâo poético é o epitheto de coroada ^ como 
baixo e vicioso o dQ formosa ^ porque só em estilo hu- 
milde se diria formo^ taça por grande taça. 

No mesmo cant. est. 93 chama a Ulysses capitão 
valente. Ainda não achamos poeta que lhe desse tal. epi- 
theto,- o que lhe é [digamos assim] caracleristico é o de 
astutoy fingido j eloquente ^c, ^ assim como a.Acbilles o 
^e valente^ iracundçt^ mcxoraoel &c. 



' Nocant. 6. est. 1: dá á luac o építheto de akgrcy 
làXo 'sabemos a ra&âo; chama-*Ihe também vagarosa^ sen- 
do uin* planeta mui veloz. Eínque bom épico acharia 
estes ^epilbetos ? N6á ainda os nao descobrimos, nem Ma- 
nuel de Faria 9 notando esta estancia. - ' 
' Na est. 4. áhc^tcSoltandó a rédea ás naus 99 &c. Pa- 
rece imprópria , óa ao menos atrevida esta frase ; mas al^ 
gumexemplo tem que a patrocina. i : [ 

Na est. lô dá o epilheto de barbara a uma>cádeía, 
que sei^via de enfeife- e adorno feminil, díssendo: uDc 
barbara cad^a refulgente cahindo ao seio as voltas se en«< 
redavamn &c. Nâo sabemos a rasâo que teve para usar 
déAal epHheto. j ' 

'♦ i Na est. 17 do mesmo canto 2. : uDando^Eòlo noca-' 
minha força ao cançado lenho ^ vkla ao iknho^yi^to éiái^ 
velas; NSo seria maldizente q^eín •chamasse a e^ta vida 
uimi ntrevidíssifbaiim^opriedade. ' ' - ^ >' 

Na esl\ õl diz que os^déuses do mar vinham; em ca^ 
vallos^mariiivnos. Este epilheto foi bem escusado, lendo 
o poeta já dito que eram o» deuée^ humidoS' os que ví^ 
niiám nos tiaies cavallos. 

Naést. 59 diz que sobre o mor recebera- concha a 
agua congelada em puras gotas*. No fundo do mar [diz 
a isto Manuel de Faria] e não sobre clle é que se faz a 
gerado das pérolas. Dizier delias o ^eta na mesma es- 
tanciaV que o ceiíb as namora la&o é menók absurdo. 
'*'.' Na ^esl&. 63 chama á pedreneira pedra^ congekda, 
Nâo entendo a propriedade deste. epitheto. Manoel de 
F^cia daèameiate lhe chama may. ... . :; 

« ' V Na est\ <M chama > ásperas ás fadigas í dó mar , em 
oocásíSo fsÈk que o epitheio próprio era <foces, pótque se 
ooettparai» os oompanheicos de Ulyssesjem enxugar- ofatò 
ao fogo, edeâcafi9Avani'tâ)0s e.salvos dapqssada tormen^' 



No caot. 3« e«t^. 8« itnpropnitm^te [d|f M^vnnel de 
^Paria] €h«^m« ^s belpi^as navad«» qr^^íçâpsa 7U^^,%eftàQ 
«Uaa realmente a mesada iiey«,;ç n$p çoQfi^ÍJi|4o,p f&rtj' 
iido ««aao hq 6^i>er usar dália para i»(riar licor<Qa e {fu^ 
tas &c. ,.',,, 

Na «%t, 6â di a Mioa ^lai^ o epitjietp .de/«sra y is- 
Jx> é, gFaod?9 ^ mí^smo moda qi^e o vulgo no.seu.ial* 
lar humilde diz fera .m^Dtifa , fero d^si^oposito &c. 

Na est. 75 dá ao renao o epiihelx) i\e gnivc* Não 
4avidaxKK>4 que se possa defeader com algum .ai^eiaplo ; 
mas osepitbetps usados pelos bom^poe^a». ermita os éíàugi^ 
iky <Àl'^$, iwis e veiar. 

Na est. 97 diz queUlysses estava aentre4^HÍ0ii€uir 
dadoM om9Qf mire engamon» hem tãomai^pçrdickK Per* 
guniára eu ao poela: ^xjuetti ibi jamais bem perdido? 

No cant« 4. esL 9. 4dz ; f< Tnfncos htrsuU^ ptJo ar 
SC erguiam. A um critica severo oao pádie £(g,radar oUr^ 
«tttof applkado a troncos. Atais fMr^^ipfio ^ra>q^ dissesse 
rtíbmtos y ÍAÚtoodo a jGrDagoia em semelhante seatído. 

Nn esi» nt di9 impropriisi^i^iB.eiite' 4ue Q.Safca 
em tear de ouro tece a vida d^£)l^Rei FiUppe ã«^. NSo 
lei quis os antigos dessem teat ás Par<^as; rpca, fuáo e 
tesoura siiti . O seu ôf f\cio era fiar , e nSo .laç^r os fios 
da vida. 

Nocanto d. est. doAfguoieiíto.di^ aem obaervarde- 
coro y qve a AU Nymphm TMa 9fH fwfor pedifuio^ ^ A 
prlaieiro deusa do mar oao podia pedir fa»or ás suas 
iiympbas; devia mandadas. Fofis^ Camões em* caso se^ 
melhante disse : « Em quanío manda m nffmphoi» &c 

' Na est. lâh cbama aa<me& de agasto idadcjuvenil do 
anno. Eque será eaiao a prímavcrd> da qual disse falem 
do outros muitos poetas]} o famoso Guarini no seii Pas^ 
tor Fido : a O* primavera y fpíomntú dcU^únnOíf &c. 



71 

Mft est. H dá fU f)«OAl of^piJ^QtQ de kfHmktdín ; di- 

rfb «$ p{(pi^$,.Qon:io fez Camões» . ' : , 

4ç\ o,mgrQpÍ79ho 01 9iMr^4 socegwiQs?^ &^. Quem tom* 
porto £cQmo, i&«gundo i> pp^»» toiMVft Ulyasas] nSo art 
r4b4^es(CaQdo Qsmaca^ eoc^s^^. N$q éi»eiior ímproprie*- 
dade dizer que a nau ia varrendo p^ mares* Se dÍ3&erà 
cortando. 0u »%rewido^ dírja cqqio osbon^ Antigos poetas, 
qq^ si$ uiavam dA meilLÍpra de I90rr«r , i^ppUcc^do^d aOl 
ve^toiou ao» r^a»o9, porque o iiPiUin na a«çsU> de i^r 
ftoprar ou de cortar as ondas , a qual oSo im^ltk as q^uír 
IbQ»» anlfBé «óioiitam ao arar, e dabi é que vem Qmrcar, 

Nure&i. 44f9 piotA^do oisnur soisi^ndo^ diz que A>g^ 
do de Protheo se escon/k fui& çcui^nm mm$ guorc^iêim» n 
AqiAt ba iHwa.grfOKk ÍQ»proprÍQditde^ porque «6 (Com o 
xff^m bravo é que ^ .^ftp/Opdem.oi momU<n maríobot. 

Na est. 49 do mesmo canto d. ha UCõA esLpre^a&o 
h^m eitrwba e^ Àmpropu», e v^m a «er, dicer ^ue Ulys- 
se9 i»edía 09 mares com %c^a« pkmUx$. Suppoubo que 
por torra é que navegava. Deste absurdo foi ca»wa a. rir 
i»A« Veja o curioso esta celebre estaoeia^ 

Na est. 68, fa^eiido ao seu beroe todo aAiedroatA-» 
do por uma visão horrorosa» couclue dí^eodo: t^P^^ímla 
a tmi á^fa^c^y If^cmtQfia a m^a ^p c^, e a JupÀUrfal- 
lmç^99 Se a voz e^ava» pegfidft á^ fa^cef^, eonm poude 
V\yff9^ eatjtAir a f^Uar, iCpra^^iida «ma areag^i, ei» q^? 
gil«ti* Iresr «^ivQifi» , ^m» de mi^ bifinquiabQ» 7 

]Ka esii, 8j{ , falla^do dos conoipanheiro^ do heroe » 
dM: «.^s«m(ai!i^^ eoH&QA<e« nataercfurai o?Hk opracb» 
^ /a% v^^ ajvi^ad^.^ F^ra homens e ^ld«dos verp 
mui Í9)pr9ixia ftt almofadei f a qual »ó diria bf^m em da- 
iaa$ ou nymjpiMts.* 



7f 

Ho canto 6. est. õ&.dfz ínfitoprifiinéiite , q«ié o 10/ 
cahe sobre O» múntesy deveúdo dizer sóbej 'segtindo ò re* 
paro de Manuel de Faria e Sousa a está estandía. Nel* 
la diz também que o sei Èobe aos ábrax>ados' honsônies ^ 
séãdò eistes á nossa vista a parte baixa do ceú. J4a'k)pi« 
niâo do sobredito critico transtornou o poeta os dòus ver* 
bos, ponáo descer onde havia de pôr stiòir-j e «tt&tr onde 
havia uísar de cíésicer. ^ •«.;.. ^ . j 

Na esl. 89 : « Flwcomeçúr' -o 9òí eáie êudlOy ejá^^evt* 
iâo inclma^m a lu% phebean&ic. Esta phebeoj tetaào an- 
tes dito $oly é ú maiof absurdo em que podía-eaír' ^ni 
po^ta principiante. ..!);). 

No cant. 7. est. 91 diz que* o már crescerá' com o 
sangue de uma ferida. Que excéliènit^ (Uypei^bòie para 
agradar a Aristóteles e a Longíno! • . • - 

' > No catíto 8. est» Ô4 suppÇe bcméár&s nO' teibpíoide 
Ulysses. Ou foi deectfido, ou ignorou 6 poeta ás insí- 
gnias da milícia grega.- • ' '-^ •• * • ^ ^ •• '• 

Na est. 88 dá ao aríete [ins^trumêníto bellfeo3 oejií- 
th^o de morta/, dex^endodár-lhé oúéfútai, Siipj>ôè«àm- 
bem uDíia porta mal se^ra',^e logo nú éstéticia •segúibté 
a fsiz firme, e possattte. Ainda que â' este ^repòro $e' possa 
dar um seniido' favorável ao poeta , no ^sentido natural 
sèníipre ha uma forte contradicção. . . i :r ^l., 

Nu eàt.' 115 chama eom grave absurdo a um' cada-' 
ver "itbbf^ ■ teputivra da alnta. Ao cfotpo" [è muito méttos 
ttioirto]' não se pódé díar ^ém grande èirò um tal cpitheíol 

Na est. 180, pfntiando a tttú <^pitfto'^ âii : «^(m^ 
iMdó' CO- a pluma avwí o puro <ir , que a vai mèiúando 
fiVtMéhtniente. Depois de usar do verbo apètifar ^ oonti>á^ 
di^^se êm diaer que íoar brandamente a nieneavai 'potv 
que sé eílA aç&uiava y como se movia com''brandui*a?''^'' 

Na est. 137 diz; « Tra% de ouro o tífàO é^gmd(y'4a 



Vi 

«itcetrd. 9i W epi^tíáraj' porque m TÍaelra é què 'se er^ue 
no etm6', e' não o elfttò na vheira. ' 

' ' * No eflnt.'^. eatw C' ha uma grande contradicçêio di<- 
^endo O' poeta, que o sol vhAs, no teí carro lídoí^ c a 
pá^90 knto. Nik> sei con^o^se po&sauniir a veloicidade 40 
carro' com o vagarOáò^moffménto doâ cavallos do sol.' < 
' Na est. 71 diz^^^que OorgOris »óhara o grave loro'^ 
e' deixada Qcàrtt) em qlie vinha; Nâo dei como possa con* 
-fft' & hro o epíieto tíc grava O que Ihfe deram os'aDti- 
-gòspoeta« foi oúe fleailc^ tmdàniy tenàãSy iohttulmy íêrie*- 
iiirhynoãoiUfn&LC. » » 'i. • 

Na est. lOS diz* cc Fazendo de -hOminê tnt^Os «^omti- 
ro. 99 Por conta tia pueril* anthíte^e ^ssesuperíluamente 
homena tiwosy bastando drser honíem: ^ « ' . • '' "í 

No' cant. 10. est. 14 dh que á vista* <de uns ca1>ella§ 
louroí9'a Ouro de •etíÔad<Jy^e*-de' corrido sêm eorjkaama^ 
reÁo:-Nâk> reparamoi» em muis de uma- puerilidade , qoe 
se inclue neste conceito ;: m^s* s6 em'di2er'que o ouro-^ 
ca âmarelhy como^seeile teria outras cor anão- estiar ^«n-o 
fiado. •• ■•• • ^ '■■ ' . ': .-' 

Na est. dO ãhi a£^s alfâd^e nu, quê tanto' sangue 
bebe. Summamen te impróprio, por nSo dizer atrevidi»* 
fifmo, está aqui o verbo beber ^ dirá: até o poeta que for 
do mais depravado gosto. • . j -í 

Na' est. 84 diz que as ' espadas òom os fcrti^imot» 
golpes estavam fátai' nos fios êerras de emboéadas, . Este 
embotadas' é aqui itnpfôprío,'iendo'ditoatltes,' que éét»* 
vám serras i porque espada! einboiada éaqbe unitamen** 
teperdéo ofiò, e oéstár feita '«erra é muita mais, pot^uè 
vai ó mestno que ga^tadit, e' quebrada nó lerro. ' 

Creia o leitor queoutr^ muitos reparos feé poderiam 
faser a esta epópèa, semelhantes aos antecedentes; tíios 
bastarão estes para cénhecer b e^eWptoV ptfncipiante 



» 

09 termos, os epilhetOA| e^a» fxprf9wO«$9 fl^ ()m^. n^ar j 

))ara mo fwtbJR cm.ímprQfHíied^c»» «^ImufAoiih Foi Ga- 
briel P^(4^irA (k Casdrp jMm /eaçciplc^' degi^ode mefectoi- 
ilkeolo^ e com ti^do. cJaiMljcQu IfiQ^» voff^reip obra, q^^ 
foi o eoipoiúio 4^ sua peAn^.^ e.qua 8eiri> asçrupuloMi* 
|]ftente revista poreUe ^ e poi seus^umícos^ JVIas quemui- 
4& |]<liaB«ai ne^te icaso .01 criiioos imiHfteviQrQ»} c^hj^fifrçm 
4ac&:erffos am.efcHptor aosso âa seguiu^ ^a4$e, «e tamr 
bém á» veaes doii»imiii o^.da primeira (Hctett^t <v»túii4p 
em muitas impropriedades do mesmo genepQ ddiiafi^y^quç 
se ceniuram ira Ulyfsea t 

Por vaniura [prosegueou ella»] falUtiao em Qamões 
muitos exemplos qt^Q provem adlavDrdad^f Co«itaiO'^e ot 
que Ibe dcaeobrio iguacio Gurcaz^ Fer reim em ^u^ Com- 
Aientarios, e dSo ae dt^pr^^se tamb^ia a ManueVda Far 
ria eSòttia ^ pottoquo seu apaixppadisiiaio d«faa$or. Por 
ventura Vieira^ 0>aculp dapfoprje^^e^ elegância e pu* 
resa da sua. lisgua, naochltiaou jmpropfâacn.eAte no too»* 
3. pag. 165 Comedia á Historia de Joséf Tal naob^via 
úttÚM€T' sft feflaciissé na rigorosa significaçlo.dacoiMedia; 
mas Beg^io ws cOAaíeoâ de Hesp^nha» que da taes hi^s*- 
lorias founavam impcopríami^^ comedias» O m^moao- 
me dá o dito clássico á resurreíçâio.da <^briàtQ> ditando 
no.Uun. 4^ pag4 396. « Táp iragkoQs cçino isto /oram os 
íUM p/tm«íras inatos o^i^r^ncioJt ^io/amosa comedi(ir^ 
Aqui ainda é maia noií^val, cdigaa deoi^a^ura a impco^ 
puiedadctda palavra comedlia* Igualmenjt^ ao memo tom^ 
^ f>i^^ 396 chamou tragkomedki aosacnficio deJ[ró^c, a 
isto pela isaaif» di9 aeabar com hm alegre* . Se es^ eloq^eo- 
tHm^.ihomemif q«ie tanto cuidava emlaUar..c9m i^mais 
ewfupul9^^propne<|iule 9, tivera presaate na memoria o 
que di0 rsolpre tregtpmAedía o $eo Padfe Oalrjo çomr 



7* 

SBuratantlo a.Sènecãa Trafpico , certo ^ettou^ que nSa usá'* 
ria de tal vocábulo , mas sim do de tragedia. Porem es^ 
ias Jnapropfiedaiies Julga levei acríiidi prudente oompa- 
Mdas oom as de chamar á Saniissima T^ndade THufmnrt 
watoDmnúi egegUiUiámcm i^ium. serafim^ Vqa^se otom. 
19. pag« 6.. 

Um grande. eseríptor.deâle seculò^que fee honra -á 
língua portugueza , não obstante a especial liçaò que \í* 
fAm. de Vieira 9 escreireu também Jipolapa €Kn difensay 
iiSo rcfmrando nopleonasmoí) e oJmrll^ quelaicra o<J&a^ 
mantcy não advertindo na impropriedade. Porem..aos Âucr 
tores desta classe defenderes floracio-^noçuafuioguc bonàê 
duiimitai Homarua'^ e. sirva tambeni esta defensa ao insi- 
gne Jacú»to Freire 9 pol oabir na redundaDcía de dizer 
mofir a oiluro da ekvof&o do pcdo' &c. 



REFLEXÃO 5.^ 

Sobre muitos vocábulos ^ qíie presentemente seiíão 
admittem em, estilo magnijico , e sublim^e , mas 
só np familiar y cómico ^ ou jocoso <fc, 

.^ atisfazendo ao que promettemos na neflesSo antece* 
dents j emcumpiimènto do conselfaa do critica noaao ami- 
•go^ iáremee usni catalogo de divetsoa termos ^ que hoje 
aao admittem os evlticoa «n ditoursoi.grave^ e oratório; 
nâio obstante terem motloft delies a sen favor oamiAores 
textos da Uasgua* Dofide se vè o quanto pode o liso nas 
linguais vivasy conu? beapeodenou Horaciíllna sua poet 
tka. kCadintffmíi quss nane 9imt èn hmore ^ vaeabubif 



7^ 

êí-iDoki utusj quem pena arbiirium at>^ .eijui j el*iidrma 

jébalar^ Jior fugir ^ ouretirar^se pataòutr^ t^ra, s6 
%e diz em estilo jòeosò ,! nâo obstante' ter sidousado no 
serio pelos, nossos, bons antigos. Em* frase n^iUtar^ é que 
se pode dizer abalou o exercito , isto é , levantou o eafn«- 
po, como disse. Brito na Mon. Lusit. »« Mandou abalar 
os batalhões» &C-. . > 

, ,Jábalroar com alguém ^ ou.com algu^na cousa 9 aio 
querem os críticçs, que tenha 'hoje uso^ senão comoter* 
mo maritimo. « Quando vio despedir de si os^teis, qui£ 
a6a/roar. » Barros Decad. 2. pag. Iâ6. 

jábocanhar por. ddrakirj de. que. usou D.. Francisco 
Manuel, hoje sólq-uerem qiie tenha uso em -estílÀ tal.^ 
como o da Carta dá. Guta de Ca$ado$ do mesmo Auctor 
não obstante usa-lodiversas vezes Vieira em seus sermões. 

jécabado por fraco y ou debilitado de forças por cau- 
&a de doença , só tem bom uso em discurso familiar , nao 
obstante usa-ló mil vezes Fr» X^s. de. Sousa. 

jlchegas por conveniências , postoque seja de Barros 
na Deca/d. S. pag. 33.' serve só hoje em estilo familiar. 
O mesmo. fizemos na significação, de auonliOy ,90cçorrOy 
ajuda &LC, 

yícinie\^ òii còthc advérbio, oif como nome, póUco 
uso pode ter hoje em estilo oratório , postoque se achf 
mais de umaf^vez em Vieiíia. .« > >. ;^ ' .>.-.!:. 

. A^oaor.pOTjpirtagíbhri^ tein maÍB'iisp> ap)3lic|indoH0 
a; feras y que a^ homens, postoque sú a/cbe.:emáig«nS(aii»- 
%igo^ ^acossada da' fortuna^ das tribulaçõec^ , dos inimigos 
fec. PiGirem' acoisador por persegmior nSo se^diaj- >'* 
zi. jáciuado '^01 úffdMo a alguma cousa x^ se diaieoi 
nenhum estilo,» poR}uenâo:selhe acha*exeai))la.' £m sen^ 
tido Ibrenso éque temvso, mas asigi^iâcilçSo^édivcfta; 



77 

Adega ^ que ie lè ém alguns SermonarioK ^ traduzin- 
do-se o cetixitmaina dos cantores^ nâo seaduiitte emdis^ 
curso oratório. Os cultos usam de alguma circumlòcuçSo. 
. jldfectlvar por cQstwnuir*zc nSo se deve usar, seaSo 
{[quando muiio^ no estilo familiar. Como termo gram* 
matiçal y significando concordar nao pode haver duvida 
no seu uso. 

jifa%tr^$e por coitumar^sc é termo popular , é os crí- 
ticos nSo^uerem hojeusa^o em composição grave se bem 
que tenha muitos exemplos em Fr. Luiz de Sousa. 

Afigurado: pessoa bem afigurada. E* muito próprio 
doíaUar familiar. Em discurso de maior eloquência que- 
rem que se diga á pessoa de boa figura: n Parece-nos de^ 
masiado escrúpulo, postoque só lhe achamps exemplo na 
Corte na Aldeã Díalog. 11. , pag. S19. Em Vieira nao 
o podemos descobrir. 

Afogo po^ opprcsêão não tem o uso, que tem o seu 
ccHitrario desafogo. £m obras familiares admítte-^ com 
os exemplos de Chagas cm muitos logaresi 

Agarrar por pegar bern^ ou pot furtar nao é- termo 
i^ratorío , s6 sim quando se applica a ave de rapina , «por- 
que então é piopriissimo a«sim como empolgar. 

Agoacenta [[terra] melhor será dizer de húmida na* 
iweska^ por ^So u^ar de um termo que é boje popular, 
se bem o n2o era no século passado.. 

Agoado ; .gosto agoado não é frase de orador; Ape- 
nas hc^je se soffife no livro Dorrámo 9òbre a Foriwfta. de 
António de Sousa de Macedo, que usou desta n&etafora 
na pag. 69, e 177. . i 

AgonwT nãò tem tanta nobreza , como tem CLgonia^ 
termo que nfio despreza o estilo grave. No familiar tem 
bom uso aiigonkir, agomar-^e^ e agoniado. 

Aguantar por vencer caminho , í>u poder com algu- 



78 

flia dificuldade é metáfora faumildt. 66 ó propvlú como 
teráio natifico^ Brrato oo que prontinctam ugneniar. 

jijuda pòr soecot^x^^ e auxilio ^ é termoí de que nSo 
querem uior oiolraâore» nimiaiDetite eierupulúísod) reser- 
Tfitido-ô ftó pêra discurso familiar, ape^af de iniiaitos 
«x^mploâ doi nf^elhores Olatsicos* Temos a ettes critieoi 
por excessivos. 

Jkigamenio^ postdqiae se ache emoradorot dò secu* 
Id paleado 9 09 do pre&eote dhem ihundhij^4o ^ ou «Aeto ^ 
ou a/fcioiáo. 

Alar por odhanUjf-it em íbrtuna á um excellcnte 
verbo metafórico ) usado por Vieira ào tom* 7. ^ag«'taj^^ 
ma^ boje tem muiá \x%o no estilo familiar^ 

Albergar \ no estilo grave tem uso ho9ptsdctr% jftbi^* 
gãrlá por hoipedatía 6 que esli inteiramente antiquada» 

Alcoucc casa de alcouce. Assim chamavam lefcn es^ 
òriipulô osno^ios antigos oradores ás casas, quedflo com- 
modos pata eómmerdo» lascivoí. Hoje etn discurso glrA* 
ve foge-se de pronunciar este termo por set popular. 

Aic<H)ittlro : com muito decoro, e elegância lhe cha- 
mou o Padre Blutcau, torpe tnedianãro , ó núnUtro in^ 
famc da luxtèrta alheia* O orador poderá des<âobrir otH 
tta semelhante circUmlocuçSiô. 

Ahgráoz rumor alegre, e repentino^ nSo tétn Io>- 
gar hoje em di$curso oratório bomo o tem no familiar. 

Aiôijão : tèm^se por palavm popular , 6 nflo iterem 
o» eriticod impertinentes que «e use delia em estilo ma^ 
gnifico) bastando que se diga achaque d« membros ale^ 
jados, ou outra semelhante frase. 

Alforria : eerve para o estilo fen&iliar oom <> exem- 
plo de Cbagae nas Cartas tom. C. pag. fé: tnaTvawA^ 
são para o forense , e liberdoidí para o oratório. 

Alporcoi é termo, que já nSo admiite o etftilo gra- 



T1> 

>« ^ nSo ottataole ter uuido delle o Padre Vioini «otcntu 
7. n. 168 ; porque no seu tempo nao causavam mUita» 
palavras a naiiaea^ que hoje causam em paladaies aimia- 
meole delicado». 

udtto: poMmr por aUe^ é termo pmverbíal , que s6 
tem bom uso em discurso familiar ^ ou em historia^ com 
o exemplo de Brito na Mon. Lusit. tom. 1* pag» 10« col. 8; 

jimarrado^ e amurrar pòrprAio, ^prmder^ ^vo- 
cábulos, que tem algania baixeat: só applicatidò-^e « 
embarcação tem toda a propriedade* 

Atnigo: n&o é hoje decoroso ;s)srvimoHii<>» deste ter- 
mo para explicar amisade <Mxx mulker y dicendo t. g« 
Pedro é amigo de Maria ^ i$lo é , tem com ella «iocera 
amÍ94de* 

jínioj por hom^toi de breviísima estatura «6 itm 
bom logar em estilo jocoso-^ ou itamiliar; t é Justamea^ 
lo oemurado Manuel Tbomaii de usar deste termo em 
um poema. Veja^se a sua Insulana Liv. 10. est. 9(X 

AfUigualha^ por antigutdadeê ^ postoque seja toco- 
bulo usado muitas \ezes por Fr. Luiz de SoiMay e Fr« 
Sernaido de Brito, usa-de hcje «6 em dísourso familiar, 
e jocosa. 

jípaiavrada a catar. £* mais usado em estilo gravir 
dizer-se contratada , ou concertada , como diziam Oâ nOèK 
SOS Classiooe. Com tudo fallando de mulher inferior não 
duvidaremos diíer apalavrada ^ e apaiaiírãt^ià. 

jípanhar em algumfis accepções tem baixeza. Não 
é elegante dizer opanAar flores, mas sim coMér; apanhar 
alguma cousa a alguém , mas sim ttrdcr ; apaâbar no ar- 
gumeato, mas sim t3ont)enoét &c. 

jépiadar por mover a piedade ^ sendo de Caosôes na 
Eelog. 5» est. 38 , e apiadar-^st por compadecer^sè , sen- 
do de todos os Clássicos, hoje nSo tem uso senão em es- 



90 

tilo familmr : apiadúr um idoefate^ islo é.y Ho alimpa** 

. ^jípodrcocr e podre. oio.aSo tersas próprios da db« 
gancia oratória. Deve-se dizer corrompersc e corrupio, 

jérorábcl já ae não difs no estilo em que. o disse Vieí- 
isfty tom* 3. pa^. .108:.<c.Fe2:um grande aram^ de to* 
das !as> suas vír^uidies.».&c. , . . . 

Arear j por perder o tiao ou pasmar, sendo de Viei- 
ua no tom. '.4» pag« 342. y nSo.quiz o uso que se ^seguisse 
a este Clássico , usaodo-se .da estilo de que .elle usou. . 

Arrenegar y du por apostaiar dá ReligíSo y ou por 
t/BT grande raiva^y ovi por. deUsUtír^ aó no estilo ínfimo^ 
[ou-qúando muito. miedio} p4<lç ter tíso. :,.. . . 

Arrotar em sentido metafórico; v. g. arrolàf MaSr 
ginia, scieneia, animo &e. uSo>se.<i^ire diser senCa ao es- 
tilo eomico , taUrico ou. joooso. . . .. . 

ArrufadQ e arrufot-ie , • posto que os ua^u^se Barros 
na Decad. l. pag- 94 iQ0l« 4< > Já uSo tem logar em «•- 
críptura grave.. Servem para o CQfnúsO| e par» os discur- 
^sfsuiâUafes. .i * . v 

Afttardiú^ eofiianhary 'pQv.enfureiádo e.enfuroset^ 
nao seadmittem hoje em estilo oratório, tomando-se eixi. 
sigQificaçSo metafórica. AppUcados.fistes lermos a' fera ^ 
poderjio ter logar pvoprío* . ).,.,* 

A$9ar e u$$ado sâo term09 qiia n&o mantòm a gOK 
vidade daitnguagiS^m .ocatoría; e hoje. um culip :prèga^ 
dor nao dirá v. g. : S. Lourenço. associa, mà% aol^s ior^ 
rodo no.fogo. 

Assoalhar^ por mam/^siare íaser patente a iodos^ 9&. 
tem bom uso no estilo em que 0'U«c>u D. Ffanqsfl» Ma^ 
vuel na Carta de Guia , pag. 86 verso. 

Atanatuir , por tirar pedaços de carne oom teoakea 
enceiídidas, não é verbo que admitta um orador deste 



81 

século^ e sé os aiiiios e o conceito do publico lhe nSode^ 
rem itèença , como deram á Vieira ^ para usar deste e 
outros muitos vocábulos, que hoje se estranham ouvidos 
no palpito. 

• játaraniúdo e atúrarUar^i^ , por jjèrltítbado e pcrtur-- 
har^iCy serve s6 parh o estilo infimo, endile tem energia; 
" Atasmihado j sendo termo de que usou Vieira no 
tom. 4. pag. 153, hoje não se sofre no estilo em que d* 
le filava, porque assim o quer o uso, tiranno das lín- 
guas vivas. Diz^se - com menos energia despedaçado , la^^ 
teradó &.c, . 

Atokuto y assink em sentido natural como meiafonh- 
CO, querem muitos que se fuja deUe em 'discurso de elo* 
q^Ktoeia 'sufolivie , n&o obstante acharem este termo em 
a nossa' maior epopea, csmt. 6; est» 39. Pnrecenaos âe^ 
masiado o escrúpulo, e nfio ^tivéramos duvida a diter^ 
T. g. , peccador íOoktdo' úm vicios â^c. , mas^inão* diria-- 
mos, meítido em um lamarfto, como ouvimos a um nio<^ 
dem^ óradbr d« glande- #Mna. 

jívtlhetdmio e oi^elfcaitar-te , por envelhedio e a^i^e* 
Iheoef , serve -pttra o cómico e para qual^er dneutso fa« 
miliar , quaes os da Corte na Aldeia , que traz estes ter^ 
lÀQs no EMolog. 11. pag. Md. 

jih ãfíenfíi , em vei; de peA>' ionb^ark^^ pertence* ho^ 
j«*ao eitiloinftilio, itSô obstante acálareiti-se bons exenan 
plds' deste adverbio 'em estilo médio, e ainda magnifico 
no século 16^° • 

- • A%afama por prensa o^ ruido pop^ilar para alguma 
éousa-, ho}e'iíótem uso nó familiar ou cómico, se bem 
q«i« bS' antigos 'O usavam no fallàr grave. 

A%edar^êe e medo no sentido metaforico , por agcã* 

ítír-4d e^dig-osluilo, s6 tem bom- uso no estilo que convém 

ás cartas , ás comedias , aos diálogos &g« 

Part. 3.^ O 



JBdrriga é termo quê não. sofre 4 filegancia sublime^ 
e 96 admitte venire ^ fallaíndo-se de homem , e ntero ou 
ventre , sendo de mulher. Homem de grande bofO , disse 
Vieira em logar de grande barriga. 

Bebedice e bêbado nenhum culto duvida que náo se 
deve dizer , senSo no estilo Ínfimo : deve-se usar com os 
exemplos de Vieira ou de embriague» e ebriedade^ ou de 
ébrio e embriagado. 

Beiços em frase sublime não. querem os^ críticos que 
se diga , mas sim lábios ^ ainda qne sc^ja voz alotinada , 
ou que por jBgura [podendo ser sem impropriedade] sei 
use de lingua oú de boca em logar de bagos ; v, g. ,- os 
meus kdnoê louvarão ao Senhor : melhor será dj^er; [por 
fugir ao alatinar] a minha boca e a miaha lingua lou- 
varão ao Senhor : porem onde for precisamentei necessá- 
rio usar de beiços , como na traducçSo de alguns passos 
dos Cantares, então devesse, dizer kdHos, por não aba« 
ter o estilo. 

Beijo não é termo decoroso em grave , não obstantò 
achar-se nos nossos melhores oradores do princípio ^do sé- 
culo passado. Devesse dipser osculo^ O veffbo b^ar, esse 
admitt&4e em todo.o.estUo. .. 

Besta chamavam con^ntemepte os nossOB Classi<« 
cos a todo o animai bra^o e terrível ^ . ou por sua .cruel- 
dade ou por sua graAdeza. Hoje injustamente aefoge de 
usar desAa palavra çm; estilo grave^ e dizem 09 cultos fc" 
ray reservando besta para animal de carga, m . . 

Bicho pelamaiçr p(trte faz. baixeza n(^|imar\^ubli- 
me- Dig|i-se insçoto ov gusano 9 que é termo 4^ João de 
Barros , e o epitheto que se ihe appUpar com. proprieda* 
de declavará o mais qi^e este termo por si naoexprime, 
como fez Yieiip,^ di;ieodo: «oba^oarosos imectos^ que jé 
em vida se alímeoiam <b nossa: carne '^ &c* 



8» 

Èúcktxiliú*, á ienoo baixo em discurso grave, Dave-sè 
dizer faces grossas y carno&as ou inchadas , segundo o pe- 
díro. sentido. : 

BofOif tomado metaforicamente por animo capaz do 
dissimular e .de ^sofrer ludo.» qaer>em uiuijtos que tenha 
ttuds logar do e^iilo j»edio que no sublime. 

Borra de algum licor : sendo preoiao usar. deste vo- 
cábulo em discurso que nap fpr familiar e cómico, diga»- 
se/Ssxes, v. g., de vinho , de azeite, do sangue por met 
laaooIiaiLC. Eaí^ ^rmo j&aão tem &grayidade quecon^- 
servava quando a Padre Lucena 9 escríplor muito cuUq> 
usou delle na! Vida de. S. FraoicIs«o Xavier , pag^ 481 , 
okamaindo borra ao barbilbo da seda. 

. Borrar um papel, por apagar ou rU<sar o que neJtlo 
eatavft eseripto, di2ia*se sem escrúpulo em tempos knenos 
r^fiarativofl : hoje pertend«ai muitos qw niQ se. deva dí-; 
cec no fallar sublime* 

BqsM^ é.termq que |.em baixeza ; sendo preciso usar 
delle. em liogUiagem Cegante, djga^^e antes pústula^ pa* 
lavra iacíiUsLtiya.doa cirurgiães, posto que.ls^tina. 

Bouba» ou níal galltco aSo se admitte. por, baixeza 
quasi em nenhum, estilo. O Padre Blute^aucUsseçlegan*- 
temente em seuâ.aermO^a: ^Aquelle. torpe e vicioso mal 
que 4.0 aqoute d^ luxviúa^? &e, Pe.sem^^lbanlj^.c^rcum-t 
lúpugao diacorofta d^s^mw^^ usar io^tamlq a nece^idade» 

Burro. n. burra* Evdíçrá teç.víso no fey#r ]^^iliíir q 
90miéO5 assim cornp a«W>;f»o satírico. J5m?4ilo grave di- 
f^s^jmnêtUo ejw*a^nííi,.qoij\p aepíiprQ djise. Vieira p 

(hgafumc : ^ ^ cpi|p«; ass^H^^da qve sp no «s^tilo jqcç. 

f»ípadí*)áfeM<^!twmp t.§r m^q. Os.crilkgs divideíp-se .Oi% 

escolha, ^j^-novo .^ome^: ¥us di^^m á ia tina perilampQy 

outros Á poriugUietfa bicho. hvRenU ou nout(Snltif!, &c. Veja*- 

90 a BiUkt^au oas pf9sas,v.r^f^xiiràp uma das sessões das 

6 « 



84 

eonferéiicias eruditas, feitas emoasa 4o ooiide'. dà Eri- 
ceira. ' ' •■ 

Calcanhcn-, Pará muitos esta palavra tem aqueUa 
baixeza que nfto sofre a polida el^anoia, e estranham 
aos oradores que com ella traduacem o cttfeáneum,.que ae 
encontra muitas vezes na Sagrada fisériptura, podendo 
dixt pé ou planta. 

Campar^ por levar vantagem ^ ou pyesiimir de exce- 
der em alguma cousa ,^ foi antigamente usado no faUar 
grave com a pronunciarão de canifiear; pcvémhoje só no 
familiar tem u^o, dizendo campar por^sabio, valente &c. 

Canalha, que se acha- na epopea, Malaca Conquis- 
tada 9 Liv. 10« est. 90, já nflo se admiUesenfto no eo- 
roico', no familiar ou no satírico. 

Carranca por aspecto carregado é hoje objecto de cri- 
tica, ainda no estilo médio, em que o usou odsilto Auc*- 
tor do livro, Escola das Verdades, disendo napag. 156: 
a Nenhuma cousa é mais alheia do principe quo aquella 
carranca que o fa2 monstHioso e não grande" éic. No 
estilo familiar pode-se usar metaforicamente, sendo cena 
aquella propriedade com que o usou Chagas no tom. 8. 
das suas Cartas, pag. 59, 71 , S13 e 44ò. ' "1 

Chapado por consummãdo em alguma scienoia ou«ar* 
te só se admítte no estilo familiar, cómico èJocoso,'com 
o exemplo de D. Frandsòo Manuel nas suas Cartas^- pagi 
§^3, e na Carta dè Guia de Casados, pag. 89/ 

Cioso é termo que nSo agrada a alguns escrupuloso»^ 
quando se applica a Deus, dizendo-se «Deus cmso d^ 
«ua honra 99 , e querem que se diga %e/(?so ou que %éla a 
sua hont-a &:c. A verdade é que a auotoridáde de todov 
os Clássicos está contra os escrúpulos desta critica; *ma« 
emfim a practica dos ^ue vivem deu baixeea a estevio^ 
cabulo no estilo oratório. Do mesmo modo pret^dem 



^ue se digtf aâtés %et08 que dume; ma» em argumento 
que iiSo seja sublime , nào pôde haver duvida no uso, 
assim de á/ume y como de cioso. 

Coçar estranha-se em alguns oradores , quando ao 
tratar do santo Job dizem que coçava [era logar dé ras^ 
p€tt)€Í] com um pedaço de telha as suas leprosas chagas. 

Cócegas : é termo humilde para estilo grave. Quan« 
do seja preciso usar delle, querem os críticos que se di- 
ga antes alatinadamente titílaçâo que provoca o riiOy ou 
outra semelhante circumlocuçSo, que não abata o estilo. 

Côdea no sentido moral, por stfperjicte ou òasca de 
alguma couta, contraria -aò âmago e interior delia, é ter- 
mo que se acha em o nosso insigne Barros na Decad. 3. 
pag. 90. col. £., mas nZo se admitte já no estilo em que 
elle escreveu a sua Historia. Porem muitas occásiões ha 
tím que côdea no sentido natural nSo fioà bem substituí- 
da com mperfide ou casca ^ porque, v. g. , hâo se ha de 
dizer casca , mas côdea de pao. 

'' Coitado y nXo obstante ter á seu favor uma epopèa 
tal eomo a de CamSes no cant. ô. est. 70, hoje nâo se 
sofre seuSo em discurso familiar, apesar da gravidade 
que lhe quer dar Manoel de Faria, commentando a di- 
ta estancia. * 

- Comichão n&o se admitte senão na linguagem popu- 
la¥^ cómica ou satírica. -Estra^hòu^ a critica quando ò 
leli 'em um sermão impresso de S'. João Nepòmucéno, 
onde diz seu auctor : a coçar a òorbní^a é úgnal de co^ 
miehâo. » • - 

■'* í Comilio serve só para o estilo jocoso; grande cômc- 
dor póde-se dizer nò médio, porem no ^ublikhe'6 preci- 
so usar de alguma nobre circumlocução, qual f^i a de 
Vieira , quando diss^ : a Hornem déooràd&i* de mesas, yy 

Cèúce em nenhuma accepção se deve já usar em dts- 



8€ 

curso serio ; e asaím nSo âe p6iie já dúer, como diziam 
os bons antígoft, couee da porta e.da procissSo^ inaa cou* 
ceira, e /m da procissão. Áccrescenta a critica qite f sen- 
do preciso u$ar deste vocábulo em estilo grave ^.> èe use 
de alguma circumloeuçao decorosHy ^* g*9 morreu Pe- 
dro dos goJpes de um cav^Uo calcitrOsQ; e não, morreu 
dos couces de uin cavallo es/toucetídor^ 

Cur$ar: comnimio eserupulo nâoadinlUein hoje ai* 
guns critico» o uso deste vetbo em diacuirsQ orat^orio. Nao 
podemos concordar com elle^ 9. editemos, .sempre [nio 
obstante a sonhada baixeza] cursar as aulaâ e a& balas; 
cursam os ventos; cursou no mar alguns anoos,&G. O 
mesmo dizemosr de curso, a que.igualmeále se oppõeoi 
os ditos ciiiticos com os mesmos fundamentos de indecea- 
cia e baixeza. 

JDares c tomares : posto <}ue ie ache .este modo de lai* 
lar em Fr. Bernardo de Brito no tom. 1. da.Mun. Lu- 
sít. pag. 401. col. 4. já se nâlo admitte senão no fami* 
liar ou cómico: no estilo medio^ e muito mais no sublí- 
me y. querem que se diga. ddiales rectproeoê^ contendcks at* 
íemàdas &c. 

Debalde querem muitçs modernos que sega mais pro* 
prio da linguagem sublime dízer-se em vâx) ^ inufihnei^tfi 
&c., e que se referve .para o estilo médio e familiar o 
uso do debalde. Todos os bons Clássicos eaté os melho- 
res modernos estio contra este parecer. Para nós é tam<- 
bem excessiva esta critica. 

Debruços : é termo pouco nobre em discurso orato* 
no.: eu antes dissera com o rçsio èm terra &c. ; porem 
em estilo que não fo«se magnifico teria por demasiado 
este escrúpulo. 

. Deflorai* utna virgemi sendo em si expressão nSo a6 
decente ) mas elegante, hoje por muito vulgar nao seso- 



ar 

íte bem am linguagem sublime ^ e os escrupuloso» desr 
cobrem frase que diga o mesmo^ mas exprimido comco* 
res mais honestas. Com tudo n&o «ensurariamça ao ora- 
dor qve usasse deste verbo, e muito menos «o histo- 
riador* 

De$adorary por impaeientar^se òu crífureeer^ie ^. nao 
se quer hoje admittir senSo no estilo familiar: nóà acres- 
centamos que em nenhum cHscurso se deve usar , porque 
«flo achamos tal verbo em algum dos Clássicos* 

Descamado: homem que nSp teme a Deus, como se 
não tivera alma, é termo bastantemiente ex[fressivo, mas 
por andar muito na boca da plebe-, raras vezes Ihie que- 
rem, dar uso os escrupulosos da linguagem dà alta elo^ 
quencia , e substituiem a sUa falta com outros vocábulos 
que nunca chegam a ter igual energia. 

DeMopoderadamefniô sim ^é adverbio que tem a seu 
favor Vieira no tom. S. pag. J8l ; p(M*em>ouso'já onâo 
admitte em estilo oratório, e quer que se diga antes mo- 
Icnti&úmainentc ou cúm véhcrntntvsúmo itnpcio* } 

JJesaventurado ^ por desgretçaão úu perverso y por ser 
termo mui popular raras, vezes se admitte em discurso 
que não seja familiar ou cómico. 

Desavcsado e avesadop por desco^tumadQ e cosiuma-^ 
do^y se tem hqje logar, é só no fallar Ínfimo, ou quanr 
do muito no cómico. 

Desfeita , por desculpa , é, alem de outros Clássicos^ 
de Fr. Lui^ de Sousa na Vida de D, Fr. B^rtholomeu 
dos Martyres^ pag. IS. col.S. Hoje só se usa em discur- 
so JQooso; porem. cQjànsigQifica^ãodivetáa, vàli^ndo.o mes- 
mo que Iç^^aç^o ou descorteda^ 

^ ^ DesfKHSLTisodO' tem mais nobreza : deièmcdkdoy se bem 
que em Vieira. sSo tantos os iex/emplos de um como de 
outro vocábulo nanoF^ma acoeflHgão. EmFr. Luík de Sou- 



88 

sa^ seguindo a João cie Bartos, achamos muijtas:tíezeâ 
dameswradoi porem é termo que o. uso j4 antiquouj -. 

jDeiquerer por nêk> querer bem : .parece t)ue o.vsotem 
tirado ao orador a liberdade que,lhe dera Vieira no/tom. 
1. pag. Õ3Õ. A mim o que me parece é que elle em ne- 
nhum estilo é hoje termo doixàioante. . 

'. Deveras por verdadeíramenie y ouseníunenU é termo 
vqlgar, que só uâo recusa o estilo familiar y e cómico ^ 
apezar dos muitos exemplos clássicos, que' se. acharão 
deste adverbio em.discurso sublime. Com tudo não somos 
4aquelles muitos 9. que hoje o reprovam» -n. 

Diabo por demonia n&ç tem bom uso áo caracter gra- 
've; no familiar , e cómico admitterse semrepaio: òmes<r 
mo dizemos «m discursos ascéticos com õdinfimtos exem- 
plos de Vieira, e. outros. Porém cIia6â£co em lodo o es-» 
filo tem uso corrente, o que nãosuccede acíia^ruro que 
«ó tem logar no familiar, cómico e jocoso. . . 

Doudo flerve só para o estilo de Cartas, Diálogos ^ 
Comedias &c. para o sublime , e oratório serve Umco^for' 
tuo &,ç. Nelle igualmente se diz loucura e nao doudice^ 
lOíÂtainenic e não doudamenie , faxer loucuras .e não dou^ 
dejar &c. . • 

Embuçado e efnbaçar , povfasar atónito , ou perder 
a falia, são termos que por via de regra não pertenoem 
ao caracter sublime, nem ainda ao- mediano, mas só ao 
ínfimo. 

Umbigo não é voz omtoria. Quer a critíoa qué %en-^ 
do preciso usar delle por indii^Densavel ei|cums];ánèi&, se 
caia antes no defeito de alatinar, dizendo umbilico coííi 
o exemplo de alguns poetas, e médicos; porque é menos 
defeituosa esta> liberdade*, que a de usar de um termo ^ 
que mancha a elegância do estilo oratório^* - ^ 

Empurrão é termo pl;ebeu. Vieira e todos os daèua 



jfioolá disseeaoaí éfnpiGDÀá^ , : e Òaldáç, ^ ipostoque ^ «ftte áegun- 
á» vocabnioi d2o fosse 'synoniino rlegíUitia. > ^w .(. , 

}rM»carrego y.g. aasíim proi^iikcítíy amí deraossos l^ni 
antigos; mas facgíe^é teYiâOipopulariyietâevfi^seidiacTtie^ 
catgOy fallando^se em ãáseuiíso grave^ - 

]Sndem(>fánhadQ)ie^e^'é6 para o cómico, i^miliar, 
DU JO0Q6O. Diga«-fee en^gionetto ou (Aiéiso á imitaçik) cie 
Vieira. }•••'''*:?{' - r . ■••. ', 

- . \Enfáãonho íétsí baixesa por ser terino milito popu- 
lar: Enfadoêo se acha em alguns Clássicos ; e deste vor 
«abulo, como mais. nobre, usou: o polido Aiictor da. Cor- 
te, na .Aldeã ., [ pag« 178', jnSio/obstante t ser : (^a* toda esr 
cdpta.eBíif estila familiar. • » > ■ 

'^nfifrcúdo : nao te^i nobreza este tenoo ,. e dé^^cse 
usar de alguma frase; v. g. morrer suipmtoem umpat 
iibtUo^ ov^ dcum lago 6oci . . • »» \ 

. :: En^Múdo : criàBça.éngisitiúla é iscais próprio do fal- 
tar rfaoiiUaú: qjte di> elegante: ,.dizr8e:ej7xisto.l .Ebgeitado 
em outros sentidos iiao tem baixf^za, «Vt .gj viagem, en- 
^tó«t<la,éemçoreàl lAcneaagtht^âo Mq. porque ouscxu Ja- 
cÍQtQ Freií-eno liív. S. n&^^/e Fr. -Bernardo, de Brito 
naiMôn. Lusit. tom. 1. pag..^. col. @. > . 

Engulho» ^6 se admitie na linguagem medica. Use- 
se ^ alguma frase 4éeorosa ^ V.g. ÀnuMtj esforffps.éa. na- 
tiiresa para' pnovocac vomito &c« ^ r. . ; . 

.. .£ti^ufir em sentid^meiaifoúricQ, ;sigiii^Wlk^ 
mnmlar , e. occuttar ,. posloque:seac&e em Vieira, no tom. 
4'. pag. S3Ô, hoje :sd áí próprio. do eàtilo familiar, clizenr 
líkHse welle engultr> od^^ enfados, afriontas, J^çrimas &c. 

Entrudo é>cerlo. -que não* se deve u^arv em çompo- 
áição,-qae n2ò pertença, ao estilo JOC03O. Vieira, por evi- 
tar baixeza, <íifese>aefl;ipre camaii?^^, já com.oexeKiplo de 
ou tros.seu«> anteriores. 



90 

Enâoadada sendo predsó di2er-*%e em discurso .elegan* 
te, por evitar a baixesa, queproveai^ deste t^mo popa-» 
lar^ será melhor dièer goi^ ^ eitisatía , como disse o 
jPadre Yieira em um dos sermões; de Ciiiza. 

Enxergar^ postoque sejavérbo muito maifteXpressi-* 
TO do que loer^ lAo se admitte hofe em estilo graVe , e 
apenas tém- logar nò familiar, nSo obstante os exemplos 
dos melhores Clássicos que usavam delle em todo o dÍ9« 
curso. Em seu logar valemo*iios de dtic€rmr\ ou de dí^ 

JSkaptifir : era. na idade de João de Barros termo tSo 
nobre j que usou -delle este polidíssimo historiador sa 
Decad. 1. pag. Sõ. col. é signiíicaQdo comelle aíggir 
occulta^ e apressadamente; Hoje é termo chulo, que só 
tem logar no jocoso. 

Escarmento por desengano tém já raro uso por cau- 
sa da niinia delicadeza de alguns críticos q\ie es^a^ham 
di^er o Padre Bernardes u tira da desgraça ,alfaéia esêor* 
mento próprio.» Pão partido pag» @fi7. 

• Mccetnco &£<;> tem logár. tão amplo no estilo elegáa**' 
té òómo tem escameceir. Alguns com demasiado escrupu-» 
lo fogem de usar delle, edi2em irruão. Nâo duvidámos 
em^ue Bieja termo mais seguro para evitar crttíçaé. 

Eéeâ^tâ : quando se faça preciso usar deste Vocábu-^ 
lo, querem os cultos modernos quiB> o orajdor se ^ha 
de alguma drc^mlociiçflo decorosa^' vj g. ptirgagâp dabo^ 
ók, quando salitra não poder ser synonfmo; pois que ti* 
gdrbsameiité o tiâo^é, mas sim ^e èuspo^ 

Escfcfúlas e não alparcas qcrerem os modernos que 
S€»k}^iga não obstant«l podevem-se -defender com o. Padre 
Vieira no tom. 7.>n, 168 os querdisBefsem alpprçaa. A 
razSô já a deixamoi ponderada na partv 1.? desta obra.: 

Esmagar tem pouca nobreza para se' «ssar emt estilo 



91 

elegante, e por ísbo dLo i^parados ai|iieQeft.oradofôs que 
HT .yalenft deste rékha ao liraduzir alguns logares dos psek 
tnòs» Querem oicritkos que nesta netesudade ae use dt 
alguma aobre oircumloeuçâio^ ; Nao sou lAorepáràtivo^ 
que concorde com os escrúpulos dósta critica» 

JBspetar espécie dè castigo. què dâo os turcos^ e Tar- 
efes povos òrientaes. £^ mats nobre dizer empallar^ por 
ser de páo agudo o espeto com que debaixo até; á cabeça 
4!spetam ao miseravd^ a quem igualm^ente se. chamara 
ãmpaUado* 

Estalagem não se diz y senão em estilo familiar ^ e 
-sendo escripta jaeite cavacter a Corte na Aldeia^ ainda as- 
sim disse seu Auctor. « Ckisà fyuUica de ageualho ao» j>a^ 
«%eiros.9 Vieira no. tom. 8« pàg. 175 por evitar fasti- 
diosas frases , e baixeza mx f aliar , disse dwerwnot hoje 
está introduzida apaia^vm os^eorio) más nao atenbs por 
termo, ora tório antes sd concedida no estilo y em que à 
usott Gaspar fiarreirosi 

Eitrebofiia é vocábulo da plebie : diga*-^^ coeatfaricd^ 
ou estalla , se for necessário em discurso sublime ; pois 
que nó familiar o disse sém nec^essidade D. Francisco 
Manuel, Cari. pág.JiSS. 

Faca^ e-facada: éái discurso súUlitàe é mais nobre 
dáxet.pimhal e pwiàaiaday ainda que a ferida fosse ver- 
dadeiramente de faca. Porem Qcasiões haverá em que 
será prcâcísò por fbrça de circurnstancins nilk>4isàr dos so^ 
Jireditos synonjmoe , pois tào se^ pode dizer v. g. com o 
ptmkaldsL méza [mas ^m com a /<t»ca]} matou áocouvi^ 
dado &c. 

Fadário serve só para o e»tilo ,- em que o usou Lobo 
n&Corte naÂldeía, vDiaiog<&.pag.41@. Bm Vieira tiSò 
«e encontra este termo y mas a^ha-se^/Viífar no tom. 7. 
pag. 45. . : 



Feder quasi' ei^^ nenhum estilo se deve usar'^ se âe 
^jwepluar o jocoso. Uae-sé de alguma frase decente^' y>. g; 
cheirar mal^ ou cheiro^ que otf^ide; o olfato, ou ekhalar 
um òheijjocorcupCo &c*' Igualmente em vez òsò fedor e 
fedorento díga^-se /(ííftdò. 

• FcUicevroi é mais elegante dizer mago^ magico^ cn- 
cantador &c. Do t mesmo modo emlogar úe feitieeria di^ 
ga^-âe niag4c0y encanto y onfascmqgâo ^ segundo o pedir a 
propriedade. Porem no cómico e familiar tem bom^u&e 
f^ticeirOy efeiticeriap assim como/eiíi^o em todos o» 
estilos. 

Femeá pòr nrnlher dizia^^se sem reparo em qualquer 
estilo nas idades doano^s Cladsicos;'hoje não seadmít- 
-testnâol como correlativo de macho nosanimaes, ou co* 
mo. teimo geneak^ioo^ e forense •> .. 

FriOdesco^ nâk>. obstante ter âerv&io este termo aJPr. 
l.uíz,de.SouâlLina gravidade. dó seu estilo , hoje não bas- 
ta o seu exemplo porque o não quer ouso, e jáBluteau 
deixou escrípto que deste vocábulo se usa em aeôepção 
dCvClesprieso. 

i^nqlcZajdO) monte, é mais decoroso dizer/aícía, imi- 
tando a Vieira e Camões na Ode 7.% e Galhegos no Tem-> 
plo^datMemoria Liv. S, est. 133. 

; 'ji furto querem . que em. algumas accèpçães teniia 
baixota no estilo nobre^ v,g. jornada. a /ur^o, 4casameii^ 
to a furto '.&iií* T Será mais. elegante , jomad^ furtiva^ y ca.-- 
samento /urtívo .&c., mas antes se diga aj/w^a doque* <ís 
escondida^ porque é teimo notavelmente humilde evcen^ 
surado no Auctor da 6.^ part. da Mon. Lusit. /. 
< \ jGago, gaguejar e*gagucica é só para ^o estilo infi- 
n^^:. em qualquer outro devesse dizer ba/i^ieníe ou lain- 
tnmíbdo, balbuciar y e.bijdbticicnciay se bem que. a estes 
deus últimos termos não achamos exemplos clássicos ; pOf 



tf 3 

mm ein tal caso menor deleito será usar delles sem ^ pa* 
'tiODO seguro do que f aliar com baixexa emdiseurso grave;' 

Gallteado^ sendo preciso por forçosa circiimstaEibiá 
usar deste termo , descufora-se alguma frase decorosa co- 
mo V. g. tnfiàcnado do humor ou coniof^ wsncrto &c. ^ 
Oaarrotey morrer á^garroiez émais elegantie dizer efe 
Jmraço^ ou laço^ como sé acha em. muitos logjates dos 
Sermdes do Padre Vieira dizendo : afogado- túmharaçoi^^ 
e laogou-lhe o fa^ ao pescoço écc. ' ^ i 

> Gdodkce^ postoque o usasse Vieira no tom. ^.'pagJ 
337, nâo basta hoje o seu exemplo ao estilo, em queol^ 
leo diwe. £^ termo q«e só (em logar uojòooso: no gra- 
ve diz-se<gob<onaria e na famiiía? gtKiosina. 

Gofoso também pertence ao çstilo baixo.; noelegan- 
teAtse*se d^ algttma nobre cinoumlocuçSo, 'cpmo fez o 
A^ijctor^da ATte da Oálakrtaria^ Pseudo; «'Homeor per- 
dido porboBS boc0dès<&c. Tenrtado oom-manjares (exquir 
àtos'-&c. . • 

• ' Chta tcím mais nobresta do que pinga : e. assim 'dè- 
ve-se dizer g-o^a de agua, ou sangue ou:vinho; goixta 
g0hi èíc, e nio-jfifij^cí a pingvk^ desagua, de sangue j edc 
vinho &c. Domiesmo modo émats elegante dizer go^e/or 
do qUe ping'ar. . • . « • 

. Ch^téif tem baixeza em ^iscuno sublime , e é melhoi^ 
dizer chamar^ ou levantar com vehemencia a voz Ac: 
Dizqmosiisto por Via derj^gía porque circumstancia^ ha- 
verá >maqiié este vevtK) terá particular energia» Tainbem 
se.^dete dizer grilose oSõ gritada que é terma antiqua- 
do ^ ougritarta que- é palavra popular, usada muitas ve» 
tós por^Fr. Rafael de Jesus. 
. •> Cktcdelha era tecmo que nas idades dosinossds. Cfaisv 
stoo^fentrava em'disoursos graves e sublimei» ,* eaindíi' Ja-^ 
únu» (Freire deo eslienome aoscabelios dabavba qlieem- 



96 

$al òU' lam&s^o,,- • más 'de alguma cir^iimlooução decente , 
r^igijf h^Oia hdosà Sue. O^exemplkys do3 Ixms antigos « 
íi^vor destes lyocabukm nâotirtfm' nesta parte 08 justos e»* 
crupulos aos cultos modemoâ. 

. Xam^é Terbo que nSo c^serva- hoje em discuiM 
elegante a nobreza que ^conservara impando Fr. Luis.de 
Sousa usou muitas :V^es delle, diÁendo: ulanJAa-Ihõ 
as chagas^^ écc/Hoje coâfòt*ttiando«se com o paladar de* 
lícado doi critícosr, diria chupãoa-Hc 9» chagas , ou lim** 
pâvá4he èom a lingui^ ascfaagjfts, ou ataria de.outroB 
modos' ainda- mais tíobren. Appli^ando-se este verbo aai^ 
gum animal, então <Mz a m^sma;ciitÍGa qu&iiio'p6de 
haver duvida :no s<íu' uso y com^ os muitos exenéplos de 
Vieira^ Nós lemos estes reparos- por eiccessivosyteiíãodet'^ 
xaremos de seguir nesta parle aos Clássicos, especial-* 
mente usi^ndo deste verbo eih ^ sentido metalorièo , por- 
que então até a linguagem poetioá o mão recusa. Pelo 
contrário fai^ifruo^en» , sendo aK&s do insigne Barros na 
Decád. 1; pag; 18, não o admitltremos senSoiíofiimí^ 
liar «"^omâca. ^ • : . ~ * , . . / í 

Largas: ' átLvlàfgaèy istoé, muita litiíefdade a alguém^ 
só tem .bom uso »!>enilo familiar, como lho deu Chagas 
nas suasr Carias, dicendo: << As iargoi na pobreza 9»&4í. 

. Latmiux': ^usou Brilò jU6fca«iilBnte dèst^jt^rmò &tino 
no &om. H. darMob'. Lu^it?. pá^.llS, por Aigíi' ^ WM- 
lo grave aobáikovocabulò, a queno piortugu* coríes^ 
ponde, o quaLem nenhum discurso d€íve- ter usò*'''^^'^ »• 
LaiBÚra ípor pobn^^a y s^ bem que tem a seu ^ifút ò 
exemplo de Brito na Mon. Lusit. tom. l.pag.9t9^'Xi'UtM)í 
presente já. o não adtoitte^ nem D<>>esttlo imédio^^Lisseror 
por mônéRgar^y àe que usou Fr« Luiz deAousana^V^ifl 
de D. Fr. Bartholomeu dos iVIarlyres, pag. 169. 'i»A. ÍC 
ta miyent • nfto > tem hoje k>gar em '>dÍ9Cu«so gm ve, • * • 



ar 

Letgo , por falto de instrucç&o , é termo de que ho- 
je os nimiamente escrupulosos duvidam usar noestilo em 
que o usou Vieira, tom. 1. pag. 403. Não lemos tanto 
escrúpulo. 

Lerdo: é certo que tem a seu favor a auctoridade 
nSo menos que de Vieira no tom.- 3. pag. 3f6. col. 1. , 
e de Fr. Luiz de Sousa na Vida de D. Pr. Barthòlomeu 
dos Martyres, pag. 130. col. 3; porém os que hoje s6 
querem usar deste termo no discurso familiar tem a seu 
favor maior Clássico , qual é o uso. Presentemente di*- 
zemos tnhcêbil^ simples e rttttíeo &c. 

Madre do rio : assim chamavam os nossos Clássicos 
ao espaço de qualquer rio de margem a morgem : annos 
ha que nlk> vemos usado este termo por escriptores cul^ 
tos; contentam-se com dizer em prosa canal , e em ver^ 
30 alveo. 

Maki [pluml dé mal] quei^ os críticos que em 
algum sentido abata a elegância do fallar oratório, e fa-» 
ça a oração indecente , porque maks por antonomásia é 
a enfermidaide gallica, £ assim não approvam que hoje 
se dfga, V. g. , vou^me curando de meus males; cufa-te 
de teus maké ; vivo consumido de maks &c. , tomando 
este termo na significação de tHÍbalho^^ desgraças &c. ^ 
l>amos esta critica por demasiadamente escrupulosa, não 
obstaale ser de um dos escriptores mais cultos deste secu<^ 
lo , que -iHuaífou com muitas obras de puríssima lingua- 
gem a nossa Academia Real da Historia. 

Mama é termo queda muita baixeza a qualquer es* 

ttio, exceptuando o jocoso. O mesmo dizemos de teta. 

Por onde de nada valem os exemplos dos Clássicos an-» 

ttgos ,'que diiiam criança de mama , dar de> mamar &c« 

Hoje dizemos criança de pàiOj dar o peito ao >filfao '&c. , 

quando discorremos em estilo grave. TUa é próprio pa-* 
Part. 3.* 7 



r9> finiiBAQi , e olia duvidas^ wai de4l9 t^twQ os Jioetas 

^miçâ^ia cbaniAva^i 09 noft909 anligov Clas9Íço9 9^ 
muitos mancebos juntos 9 sendo solteiros. Um Q^traifda 
^ç» ooçorff^ dç Barros naPe^çad* l« pa^- 89« Ç^^^ 4. Ho- 
je a sigaifioaçâp d^ste t^nap é toValmeQt;^ contraria, p«r-- 

4afHÍi)í ^ antiga ipq^«ttci9b« 

JbfiZttAoj; : o& antigos loqoavaiB e^ia palavra «va bom 
9 Ç0^ Dftáu ^otido , e com<)^ nSo «r a temao baino , cckniq 
hpje ^ y davani^lhf ui@ e^i ioda q qs^Io : pve^etitw^^Ate 
serve só para o familiar e jípCQso > e amipre id^gnificMBuâa 
vtcío Qii dafei|Q<, axf!?ptQ um a]|;wma especial aeGi»pçâo , 
çemo V. g. £< Tu mmAa9 ^na para ooci9«guÍF o negocio 9r 
fiçç. Aqui vai Q mfsnoi^ que a^porl^sso^, juioo a j9futibrtcia% 

M€mjadQut»y nS^ ob^iaule ter a seu |a¥Q( oi exen<^ 
pios de alguns oradores , hoje tem*se por termo hUiOfUlda 
para q pulpiílO' , sm;víjp4q^ aia diftaum^ ai^ Na^iiMiito de 
Qeus Menino^ : daiíf-ai <|b5Qç ffaej^ 

ífyt^nf^ é. bpja p^^avfa populai? qui» já «a 1^ ad<t 
mitlfe em linguagem elegante» ooi^Q aa iidieiuia iiaídA« 
4^ de fr, hniz de Sousa r V^ mmiM ve^es itsQu âall» 
9^1^ alegantissiliiia HUtQfia» Pfirem oi verba itMinifr e»-. 
sp a>pda D$k> perdeu P &ai| uso am, q<«.ah|tter estitoh 

Moiron&a.: de taroia; grav^ que era alguia dia, uaa^ 
do por Fr. Beniafd(> da BriííQ ^ M<m^ Imhí^. toou 1«^ 
pag. 168. Gol. 9> na ^gnjâc^$p dQ <if<tmfl , pAs^Qn bon 
je para vQcabula popular ejo^iP, «qua «o^mihiiQ» jaH»^ 
tiift estilo. 4eve ter U90b 

Mis%ar palavriyhi E^te modo de faUax» élMiJe^adri 
miltkio sá em opmpQiÂ^ fanúliar 9 sem qn^ teale let 
usado detta aPadre Yíiní»^ di^eiido.; « Paliftvmiiqiieim*- 
Qusciavam ou • mai%aiiai7| asc^ tno^m Xanitr dQrn^mt% 
c2e» pag. J^&. ooU 1. . 



Múl9<mi £|Mr oipmipada\* Judlameiíte é acoàsado o 
AtiClor do cbamailo poemit da Iruídana^ usando dean 
te termo no Liv. 4. est* 86^ o no d. est. Itô^ quan^ 
do t)o «eu teiDpo já delle so não utavft , |0or ser pala* 
«i^a itidigâtt de pro^a (pravn^ quanto mais da linguagem 
poética. 

Múâo p^rA&ièaiM 1A0 tem bom' uso em eom posição 
•iegatite, v niuilo meoo» em poii»ia^ de edjo defeito é 
MKy-MsnittdltTlu^tòas na Insulaua Lif . G; eât. 1^. 

Membfe s que«nn alguns i&riticoâ^ q<id maiaesquadri^ 
nbam nmliciodas eqcitvoeaçfi«â de palavras , que seja es- 
te tefoio mewoédeeeote noslagular qu« iiopturaly quati-" 
do se usa delle sem especificar que mevnbia seja. 

Mõksf^mí é terma. mak oobr^ que tdúodo ^ d qual 
s6 tem bom logar fio género epistolar, eomieo &c. Jffen^ 
.46|g!»^ á der Jaoioto Freire fia pckg. Iè6. 

Msr«í#i5s ou ^n3te^<ii#é> «ikj^ os* termos' decentes cai»e, 
qiiiSy á matíeira de Vieira em mtiitos logáresy devè oé»- 
ci^for g^rave deolaràr o òfftcky da mulher que ^é vettúl 
o seu corpo a BS^tâtos» Ao Imirro onde '^íire tal gente de^ 
temm dMQMt líêpanaK 

Afí/moí^ ou èarmhm teín msíU nobreza em discurso 
grave daq^ue #t€<igtAÍice9 , que «fó p6de ler algum uso no^ 
familiar , espeeíalâiei!^te applicando-se a tsAí afagando <y 
i^u^ fiiynliò. 

MtUí^f^í^àà £b6ràs ou^ atfnos} poàta q\te tenha tt seu 
ftfMOf a -âfiielciffdíide' de Vteira «m dtversós' legares , coria 
tii«te hoj^e é teraio que pertence nrais ao género famíSar 
fií^oondcoi 

Mtoloi tem ainda menòs^ i!K>bre2a do qtte miôh» Os 
no^^òs' imf^os- Ciíassico» usavam doeste termo em todo o 
eMSfo , poi<q^ emiEo nSa erla: popula'f , oomo é hoje. Di- 

gfâh^e <k/ift^úy 96 d pedii' o seWtldò, e sé riSo use-se de ai- 

7 * 



100 

guma circumlocuçao decente, quando inste a oeoéssída^ 
de de usar deste vocábulo. Já no insigne João de Bar- 
ros achamos cérebro neste sentido. 

Moça por d(m%eUa tem tâlõ bom logar no discurso» 
familiar e cómico, como mau no grave e sublime. O 
mesmo dizemos de mogo por mancebo. 

Monturo: estranham os críticos que Chagas no tom. 
S. das suas Cartas, pag. 60, usasse deste termo^ tendo-o 
por indecente até no estilo epistolar. . Bluteau disse sem 
baixeza montão dcimmundiciea. Vieira uaou áeMuladar. 

Mouco , mouquice e emmouquecer , por surdo , stir- 
de%j e ensurdecer^ só tem bom logar em estilo que* naofôr 
sublime e oratório. 

Murro em vez depunhada nSo o diz quem falia em 
discurso grave. No cómico e jocoso pôde ter logar. 

Namorar é termo que não tem aquella nobreza que 
pede a locução grave : galantear é vocábulo mais corte- 
zâo. Porem usando-se delie em sentido metafórico , en- 
tão admitte-se até no estilo oratório ; v. g, , namorar't€ 
de um prado , namorado de uma terra &c. 

Natura : diz com rasão o Padre Bluteau que não se 
usa honestamente desta palavra seúão em termos músi- 
cos ; nem o ter usado delia Camões basta para que ao 
menos os poetas se valham de tal exemplo. 

Naveta por navio pequeno , posto que seja de João 
de Barros na Decad. fi. pag. 41 , e o seguissem alguns 
cultos do século passado , como foi o Venerável Padre 
Bartholomeu do Quental em suas Mediações, hoje não 
se admitte senão na significação de vaso pertencente á 
igreja , cm que está o incenso. 

Nojento e nojo são vozes mais próprias do discurso 
humilde que do grave, asqueroso e asco serão termos mais 
decentes. Nojo por damno ou embaraço , ainda que seja 



101 

de todos os Clássicos antigos , nSo está já em uso no es* 
tilo elegante. 

Noiva e noivo quer Manuel de Faria nos seus Com- 
mentarios aCamqes que sejam vocábulos pouco próprios 
do fallar sublime , e que se deva dizer a nova eiposa , ó 
novo esposo. Na linguagem familiar e cómica não pôde 
ter duvida o seu uso. 

Olhado e quebranto sâo vozes populares que perten- 
cem ao estilo Ínfimo: na linguagem elegante pede a pro- 
sa termos emprestados á poesia , e usa de fascinação ou 
phillro , por evitar baixeza no discureo. 

Olho. Em varias cousas reflecte neste vocábulo a 
critica demasiadamente escrupulosa. Quer que em as- 
sumpto grave raras vezes se use no singular, a fim de 
se evitar alguma baixeza: v. g. ; nao admitte que se di- 
ga olho papudo, olho sumido, olho encovado, mas olhos. 
Não quer lambem que se diga olho cego , mas urn dos 
ollios cego; fechar o olho ^ por morrer ^ ir com o olho 
atraz, por ir acautelado &c. Em fim não sofre que se 
use da olho simplesmente, sem determinar qual delles é, 
em ordem a que não haja alguma equivocarão de senti- 
do n^enos decente. Esta é uma das Criticas a que chama- 
mos pueril e extravagante , que sempre despregaram os 
sólidos escríptores. Com tudo convêm a qualquer auctor 
moderno proceder com muita advertência nesta matéria 
para evitar as censuras de taes críticos , mais agudos em 
malícia que em juízo. 

Opto : poucos annos ha era esta palavra unicamente 
termo da medicina : hoje oà ociosos o introdusirâm por 
synonimo de tograçâo ; e assim quando for preciso usar 
delle em assumpto grave, proceda-se com tal advertên- 
cia, que não se caia no uso jocoso que hoje lhe dão os 
ociosos; v. g., não se diga: o medico optott> ao doente, 



ou deu-lbc opto ; mas 9ip3 reçáfour-lhc ópio ^ ou mQn^oy^^ 
lhe tomar opto &c. 

Orates. Casa dos Qwtes. Querem Qs cultos woder- 
sos quç se reserve para o cómico, familiar ^ e jocoso 9 e 
sao para 9 caracter grave , e oratório; dSq obstante o 
exemplo de Vieira no tom. 10. pag. Spç. cqI. 1.; por- 
que este orador por conta dá summa auctoriçlade do seu 
magibterip ç dos seus annps usava de vozes e modos de 
fallar , de qu^ certamente nao usaria em sua mocidade. 

Orelha apegar da apologia de Manuel de Faria por 
esta palavra ao commentar a est. 6. da Canc. 9. de Ca- 
mões , nao querem hoje os polidos , que se use deste ter- 
mo em alguns modos de fallar , de que estão cheias a$ 
obraa dos possos Clássicos, Por exemplo , nao admittem 
que Ivoje á imita<;;ao delles se diga, a Orelhas divinas ou 
reaes; applicou ás orelhas; deu-me benignas or^ZAas^^&c. 
mas perteçdem justamente que em taes accepções ^. di- 
.ga sempre ouvidos. 

Ouiiva falkir ^e ouitva &c* Já Duarte Nunes de 
Xeao no cap. 19 do seu livro Origem da làngua Poriíi^ 
gue%a chama plebea a esta fraze. Hojeajui^ija asoffremo^ 
ao estilo famiUar, e com;íco; porem noelegante di^ve^ae 
usair de alguma eircumlocuçao , que nap tenha baixeza, 
V. g. fallar ssçm reflexão ^c. 

Palrador -por loqudx , ou fallador , e pairar por fal- 
Jar com muita loquacidade , é certo que nao s^ termos, 
que pertençam á linguagem elegante,^ como aotígajmeo*- 
te pertenciam., usando até Camões do ve^bp po^crr, ede 
falrmo oAuotor do poema Insulana, podendo dizer gar- 
rtkh em boa linguagem poeUc^. 

Pancada^ é termo , para o çst^o kumllde ; no gra^ 
ve d^ver^^ usar 4$ alguma fra^a nol^re ;, v. g, golpes de 
páo^ àe bdstâo &c. 



ias 

jPtíraài em nenhum estilo se deve usar: imitai^mos 
por decência a liiigua<gem m^diea ^ dizendo secundinm. 
Tambeiíi já boje não tem uaò na sigúifioaçâo de trlbulóy 
dspecíàlmeote em dbcurBÒ lai ^ úoioo o em Que o usou 
Vieira no tom. 3. pag. 92, 

.Pcarida:^ mulher parida, diga<»se mulher depário^ por- 
que é modo defallnr menos popular , assim como p^ada 
é mm decente y. do que dizer prenhe , ou prenhada , eo* 
mo diziam os anligoi. Com tudo nenhufki destes termos 
«ppraiTamos no caracter sublime j pois que apenas admit- 
te o \erbo parir, querendo que. se diga dar áju%^ $e é 
que houvermos de estar pela seliteaça de alguns críticos 
modernos. 

Parola eparoltAro são termos queniio merecem cen- 
sui^a^ usando^e delles no estilo , em que os uâou ò po^ 
lido Auctor da Corte na Aldeã , pag» 17ã e 186. 

Partes^ boas par tes^ em vez de boas qua&dades ou prett*^ 
das pesooaes^y ou dotes da natureza^ é modo de fallar, 
que jí começa a desagradar ads escrupulosos em deoia* 
zia , que íazém e4iudo em envenenar palavras* 

jPorvnsre; apenas ba estilo em que boje se vofta es-* 
té Tocabulo ^ exceptuando o jocoso* Diga-<se fattiidade , 
ou inepóms y ou estulticia , termos qite não são destitui^ 
dos de exemplos seguros* 

Peff^rtka^ e pepmhatto Cotam Tocabulos de que usou 
Yieíra» Hoje quem tíSo* tiver tanta auctoritJade ^ cotSiò 
«Ife^ deve dizer [^fallando em estilo oratorioj tí&nenô^ e 
venenoser^ se quizer agradar aoe delicados ouvidos da crí- 
tica íoexorav^L 

Pedr^a por ^mlm só se admitte em discurso grave^ 
para format algum nobre eqnívoco^ qual foi o que dis* 
se Vieira com felicidade no tom. 1. pag. 669. 

Pefoia por modestsmiente.jciivérgoidiadc^ nfto tém lo- 



104 

gar tão nobre em composição grave , como tinha em ou- 
tro tempo, e tem ainda hoje pgOy de que é composto. 
Também na significação de embaraçado tem só uso no 
falia r popular, nâo obstante achar-sé em Barros na Decad. 
S. pag. 190. 

Piolho ; pode ser preciso em assumpto grave ou ain- 
da em qualquer outro estilo usar deste termo, ecomo a 
sua vileza não lhe dá logar a entrar em composição de 
qualquer caracter, que ella seja, merecerá muito louvor 
aquellc escriptor , que souber dar nobreza a este vocábu- 
lo por meio de alguma frase decorosa ; v. g. asqueroso 
insecto y molesto companheiro dos pedintes^ <m outras se* 
melhantes que não deixarão de lembrar a um engenho 
fecundo. E^ com rasão censurado um moderno escriptor 
de uma vida de certa religiosa do Convento de Santa Au- 
na desta cidade , dizendo delia , que por grande mortifi- 
cação comia piolhos &c. 

Podre e podridão não tem defensores entre os cultos 
modernos como o tem entre os antigos. Não sabemos que 
haja outra rasão mais que o tiranno despotismo do uso^ 
que quer se diga corrupto e corrupção ou putrefacçâo &c. 

Poeira tem bom logar no estilo familiar , e ainda 
no médio; porem no sublime sempre se deve dizer po com 
o epilhelo que a necessidade pedir. 

Porco e porca não entram no discurso polido. O Pa- 
dre Vieira vendo-se precisado a falia r deste animal, usou 
de varias frases sempre decorosas ao estilo , em que falla- 
va. Por conta da mesma decência, que pede a linguagem 
elegante não quer a critica , que se diga porco fnonte% , 
masjavafi, nem porco na significação desufo^ mas sim im- 
mundo , nem porquároy mas guardador do gado Í7iimim- 
do &c. 

Porta tra%cira chamavam sem reparo os nosâos an- 



105 

iigos á porta íalsa , que fica por detraz da casa , e ainda 
Bluteau não teve difficuldade de usar deste termo ; po- 
lem já Vieira por evitar baixeaa no fallar disse porta 
iravctía. 

Posilga é termo plebeu ^ indigno de se ler, como te* 
mos lido em escriptos graves, segundo nos ensina Fr, Luii 
de Sousa na Vida de D. Fr. Bartholomeu dosMarlyres 
pag. fiSi, onde adverte chaupanm (por nÍo dizer po»tlga$.) 

Potro (antigo instrumento de ^Tlormenlar aos mar* 
tyres e também aos facinorosos.) Achamos com pouca no- 
breza usado este termo em obras de elegância. Os anti* 
gos clássicos diziam cavalUtc e Vieira por fugir á inde* 
t»ncia 9 disse ecuko , como já mostramos em outro Ipgar. 

Pragas é mais nobre dizer imprecações ; mas occasiões 
haverá em que o admitia o fallar sublime. Praguento é 
que é inteiramente vocábulo particular , nSo obstante 
achar-se em Brito no tom. 1. daMon. Lusit. pag. 196; 
ool. S. 

Preguiça pertendem alguns cultos , que esta palavra 
convenha só ao estilo familiar, ou quando muito ao mé- 
dio, e que no sublime se diga por frase. uNegligeiMAa ruo 
que ha obrigação de fa%er , ou outra semelhante circum- 
locução. Tenho espécies de que Vieira disse accidia. 

Privada por valida tem a seu fa\'or todos os Classi* 
cos , assim como prívança por valimento , mas hoje como 
lhe deram signiftcaçao indecente, não seadmitte, senão 
no jocoso , como fez António Serrãk) de Castro em um 
Romance ao Carnaval. 

Pimhada é vocábulo da plebe , de que nâk> querem 
usar os culloa modernos em discurso elegante. Usam de 
alguma frase decente , v. g. goipe de punho ^ ou de maio 
cerrada y ou outra semelhante. 

Puslu/(i, Deve*se usar com os exemplos de alguns 



10(1 

Claisícos deste termo kitino , para evitar a baicezâ , tqpié 
ha iu> de botída^ 

Qutbra oo^ontido literal não tem tanta Dobrese^ «ot- 
mo rotura : no metafórico significando perda ou damno 
em todo oeitiio teai bom uso« Quebrada por desavindo 
pertence mais aO'dÍ9eur80 familiar, ^ae aoelagaale. Na 
«ignificação de quebrantado de trabalho tem a lea lavor 
tião laenos que a Jacinto Freire na pag* 158; No signí^ 
ficodo áefalíulo aâo lhe faltam bons exemplos. Quebra- 
dura por achaque querem oscfiticos^ qoe oeecriplor gra- 
ve peça aos médicos emprestado algum termo decente ; 
V* g» kerma inie&tínaL 

Quebranto: sendo preciso usar disita palavra amlt«i<- 
gtiagem ^gaáte diga^e/ascissapâo; na familiar pode-se 
ài2er olhado ou /ju^òranlo. 

íluitar por impedir não agrada hcje aos críticos ni*^ 
milODeute eserupulosos; pois que para UsareuL desle ver* 
bo em composição grave não lhes basta o exemplo de Viei* 
ra no tom. 1. pag. 43* 

McAo de aaimaL Nas idades demais iazíocencia pa<^ 
ra a nossa língua usata-«e deste termo eemoota deiodb*^ 
eeote : hojesd no jocoio se dçve xisaV) e no serio ha de 
se diser eauda , mas de modo que não haja affectafio. 
Fnga^se de vários modos de fallar , que tem « nossa lin- 
guagem 9 ttoequaes eotra a palavra rabo^ porque sempre 
íaeem baixeaa cm lodo o estilo, quenâo for jocoso; v.^. 
deitar*lhe o tubo do aiho &c. 

Raiva com o seu verbo , e coÉipostos sSo termos^ de 
qu« logem hoje em estilo elegante osescriptores escrupu- 
losos ^ não ohslaale os exemplos de Vieira. Qverem que 
sediga; v.g. itairnpttuòia^ furor ^ fúria àíc» eseoihciido*' 
se destes vocábulos o que approvar a prepviedade. 

Malhar e raUiOB servem para o familiar f a oòmíco : 



ior 

paca otvgra^e e elegaAU uâem de «Iguitt* frote , que nZo 
teoppòoba ágravidade^ e el^rgaocia f v. g./aaa^ o£at amca'* 
fof &c. ou ;Mito^o«.t?&i« «a&cfòotncTtle ptv/ericías.&c. 

'Rebotalho: todo» «abem que é voz plebea, eque so* 
Ittente terá lagar no cómico. £m Ubourto serio deve^eè 
diíer rtfkgo. 

RecAtinetUo por conomento ó mui próprio no estilo 
familiar ; mas no grave tem este vocábulo alguma faat* 
xesia 9 e será maia tiobce dizer vodas ^ nuf/AM ou desposo^ 
rios. Sirva rcceòimtfn^o para o acto de receber visitas, ou 
para a recepção de príncipes om alguma cidade* 

Recuar querem os modernos que sega verbo próprio 
s6 para bestai ^ e rtifoceier para hoiAens. Tornar para 
irtíiKt é modo de fallar^ que hc^ contem, mais ao discur- 
so humilde, que ao elevado. 

Medór [adverbio] tem bom uso no estilo familiar , 
6 médio; no sublime será mais nobre dieer ; v. g. com o 
exemplo de Jacintho Freire napag. 40. ««Tinha em Ior- 
no umas letras antigas» &c« do que diaer, tinha em rt- 
dor &c. Quem também dissesse árodcj teria em sua de- 
fsnsii ao& melhores Gkssicoi. 

Rtgaiear favot^s e honras por difficiMorlas ou con^ 
cede-las com dífãculdades parece a muitos verbo pouco 
elegante , e s6 próprio da linguagem famiUàr. Se valem 
em tudo os exemplos clássicos , ueiriíuQiia rasao teu e)* 
lèfl escrupulosos. 

MemclOêo não basta o grande exemplo de um Viei-» 
ra no tom. 7. n.. 168. para se usar hoje deslc termo em 
estilo s^melliaâte; ao quepediàim os seus Sermões* Reser- 
vetse pari o cómico, e satírico. 

R€qwkredo poromonle, usòu-aFr« Bernardo de Bri- 
to no tom. 1. dki Mon. Lustt. pag.GS. coL 3. porem ne^ 
nhttOL culto lÀIOrjadof deita, idade sè quererá valer do 



108 

exemplo. No estilo familiar e cómico pode ter bom vtsOj 
como o tem requebrar , e requebros , termos usados por 
D. Francisco Manuel em sua Carta de Guia, pag. 88 ver- 
so e pag. 116. Em poesia lírica ainda estas palavras tem 
logar mais próprio; porem tal será a occasiâo, que até 
não as regeíte um discurso grave , e oratório. RequdnvM 
como termo musico, v. g. requebro* da voz, em toda a 
composição será palavra elegante. 

Retrete , de que usavam no século passado escripto- 
res polidos em discursos graves , significando apoiento sc-r 
creto , já no tempo de Francisco Rodrigues Lobo era ter- 
mo indecente , por se lhe ter apropriado uma vil signifi* 
cação. Veja-se a Corte na Aldeã Dialog. 8. pag. 37. on* 
de diz. M Servidor já se passou das Cartas para os rég- 
ies» &c. 

Rece% [ao>evez] menos baixeza tem do que é» aves- 
sa$\ porem o seguro será usar em assumpto grave de ul* 
guma círcumlocução mais nobre; v. g. succedeo isto ao 
iUHiirario do que se esperava &c. e não ao reveu, , ou ás 
avessas. 

Risadas é termo, que hoje os polidos não qxierem 
admittír senão no cómico, no familiar, e no satyrico. 
No grave dizem — Riso soUoj descompassado y estrondo- 
so &c. Caqumada serve s6 para o jocoso , do mesmo mo- 
do que ruo á boca cheia. 

Ronca por grande valente tem a seu favor o exemplo 
de Vieira , que no tom. 10. pag. 1Í9 não ^6 usou deste 
vocábulo, mas lambem do de vakntâo. Hcje porem ne- 
nhum orador tomará tal liberdade, eda4a-ha só aos es« 
criptores cómicos saty ricos ou graciosos. Muito mrenos 
usará de roncar e barbatear , em vez dejactar-se com ar- 
-roganda^ porque o acha no mesmo Clássico , tom. £. 
pag. 333. Tanto é o escrúpulo dos críticos modernos no 



109 

u6od«stes telrmo$ em assumpto grave^ quenelle nemque- 
lan dizet roncos do mar i mas amõramidos,. ou outra voz 
metafórica de igual nobreza. EMemadada impertinência. 

Muco nao é epitheio, que se applique a homem, cu?- 
jos dabellos se tornaram em cans , ou que começam a 
embradquecer. Âdmilt&se porem no estilo familiar, e 
muito mais no satyrico , e jocoso» 

Ruma por grande quantidade de cousas amontoadas 
ou umas sobre outras, pertence hoje só ao vocabulário das 
palavras familiares , nio obstante ter dito o Padre Viei- 
ra no Sermão da Visitação, pregado na Bahia. aÂquel** 
las rumas de façanhas 79 &c. 

S<dtatrt% é termo mais decente ao orador do que (2an- 
çfitiára. ou, bailadeiras ou [como hoje dizem]] dançaHna^ 
assim como saráo é vocábulo mais nobre do que baile pu- 
btíieo. Quem quizer exemplos busque os nossos bons ora* 
dores antigos, onde^fallarem da fiUia de Herodías. 

Sevandija por insecto asqueroso pode-se usar em dis« 
curso familiar, e jocoso, mas muito mais no satyrico. 
No grave nao tem hoje os defensores , que tinha em ou- 
tras idades, assim no sentido natural, como no metafórico. 

Simo pelo cume de alguma altura tem logar em to- 
do Q discurso, que niío pertencer á linguagem sublime. 
Muito» querem , que se pronuncie cima, porem achamos 
simo nos discursos vários de Severim pag. 100. 

Smoem logar de jui%a raríssima vez poderá^ter lo- 
gar decente no caracter sublime. Em qualquer outro es- 
tila n&o se pode reparar com rasio no uso deste vocábu- 
lo. O mesmo dizemos de vários modoS' de f aliar , em que 
entra esle termo; v. g. perder a si%o, de què usou bai^ 
xameate na^suaEpopea Francisco de Sá de Menezes Liv. 
3. est.. 98: de tisso em logar de seriamente ^ e outros se- 
melhantes modos . 



lio 

Sebejidâo por sob^^ ou «uperfluA obiMNkMietA deal- 
gama cousa ^ ee bem que o usou Brito no tom» 1. dn 
Moir. Lttsil;. pag. l^Èé^ eoL ^»y e Lobo na Corte na^ Al- 
deia, Dialog. 7\ peg. 14b j hoje 8& nfi admht« em lia- 
guajpem popular. Sobçja por dif/iiiiiiado> eexcetuito' aiada 
parece que pôde aoirer-^se kofe em estilo grare^ poi« que 
alé foi usado pelos nosso» melhores épicos ^ ^lisMido : «ck 
hga dor y eáler wibtja âcc. 

SudomÀa e wíiémíi» tkio flfio* teuom que eiitwift hCK 
je cm diBcnrao oratório. Os mais cuUos àhem^ por aalo« 
aomaÂa.o;p£cccBJo 9t^<i7UÍ0y co pceoadar mefand&^ o» Ae^ 
7A}em pe/o vicio descendente da ntfandà Pfstíapobêj ex^mo 
deeúrcMamenIe disse em soas Prosas o 'Padre Bkuleau. 

Sôfrego eãofitiguidâa tef» bom uio mAestito enrqoe 
os usou Francisco Aodrígues Lobo »a Corte na Aldd»^ 
Dialog. 8. pagk 171 y e Dialog. l€v pag* â4d. Em àh- 
curso mAílfr ebvado não pede ter legar f ique não' abato ^ 
oraçãow 

SvfUPi su^iiiadc ò smfo tào tenm» em qise' iiélo> Mpêh- 
ravaoii os ff^esos' antigos ^nio digo eii já emdiseaiw po^ 
pular f mas tam»bem em grare. Hoje pede a elegaaete 
que ae.dífa nmmhar ^ immundiãe ^ eimmvmh cm iordv- 
do em qu^im estílo que não for jocoso ou satírHSo. 

Tími0$^ por. iâa gromdt^ oAo obstante ser de HMos* 
os Clássicos,, duvidami os escnipolosos éa asar éeUe 1M> 
geaero> s^hhKine,, por. se ter feito mui' popular eateltérmo, 
passaada dp» poelas para a^ plebe. Pámc^iMs d e mmji ado» 
esite. escrúpulo, o o mesmo pasnce também, a nMitee mo^ 
devaos^ usaod» dbste veoabolo seái receêd de aAiates lU^rch' 
çAo elegaoW^ 

2Iaf^isr msiriimeotoa maakos itc. JBbbimi jừlystf« 
GsUieos a< tereaa por iodeoenle. o ua» deste «erbo eid 
guagem elegante , nâio obstante ter a seui Ikvor lod^ 



Hl 

Qf^MG^ it9à» João (k Bacros até o Padje VieÍF% oJLo 
sentindo deformidade alfunm- «0» difewD» itmgtr ojmr 
m^ntó 9 « k^ngi^ a wokk &c. Em muílM eauMft é nimia* 
mefiie eacrupulosa a critioa de «Igun» mo^emo»» 

Ttso por oéqKTa^ se^i»o , oa* coi^tante ^n» cqqcUçS^ 
ou.pvoposUor^ téiD.Iu3Je.irfi»& baiseza iod<«aiite^ <}ia9 aií9 
linha em ídadea menos malimosas > as quwn stm repa^ 
ro diziam em discurso gtavAzr Juk de gffaadfi U9âQ M 
admiMs&iar ajiitliça^rzKeligíoao :4e espirite ieso para 
BÍio afrouisaff em pentleoeiaíszn&ew &e« JKtiea^ cts^eoiplQ» 
sSa de BecFQs « de f r. JLitia de Soi»a^ H^e pocem d<» 
nada «aleto , pctique asuni! o qtiiz o u^^ q«e pata envi-» 
lecer palavvat sarte á nadicia alheiai O adverlno t€9€k* 
79H0UC'é o qmt boje ooaserva meno» baixeaa^ e ^e pÀle 
usar em oamfMisição lafluliar* 

Tbioty éolkc^ e iolaoimU sio toraaoe cfite 9e> fdmiu 
tem ao comifiD^ famtiíaf e jocoso-: ao iprave e ae^io dch 
vorse diaet ttescâo ou /oáuo y. fctvàdade ou neeedade^^ ^far 
i«MKnenácL:OQ 9USMii??ienáe« 

ToHo: a6 ntíMiairica aio terá bauesa* SeodO' preci* 
80 usar-*se deste termo em assumpto que peça graviUadet 
uie*^ de s^gucaa ciroumlocii^ , ou.digar-se: hom^m de 
QJBkm ixbgúveuadM j <m de cihar obb^ua^ ou; 4^ %à»ta cm. 
iMúm$ i qaiBO àSaiBm o& antigos*. . Paia o estiio joaoso é 
que se podem, descubriv frase» muito eogaiifaosaa. 

2Vqg-mbr bíío é abseiutamente toeahvlo bumiki» 
em tA%iÍQ ei^gfioÈé f porem tem np^ais nobresa ékvor^iáioí^ 
e vara%y especialmente em poesia ; e^poc isso a exitíoik 
keimtjica nfe appaovaiá [maa mm rasilo^ aòt cesses de 
I>. Fránmaeo de PcwtJigal: un. quo di&: it& tttnpO' tr9g(h> 
dee^ qval hutíret^a Zkso» ftc. Também ^em seatido níe» 
talmico é pouco nobie ttogar por sofrei conv piaeta&iGia;. 
e por isso é censurado oAuctor dotom. 7. daMcm.«Lur 



119 

sit. por dizer na pag. 3Í0: tf Orei de Castella, que nSo 
podia tragar este casamento òlc, 

' Traqucj espeeie de foguete, não tem logar senSo no 
jocoso; ecom rasSo 6 censurado o Auctor da Vida deS. 
João deSahagum, por usar deste termo na part. f. pag. 
105 verso. Traquefar por pertegutr é verbo que só nojo* 
coso nSo aboliu o uso, sendo aliás nao menos que de 
João de Barros na Decad. l.^ pag. 15. col. f . 

TraiUs de casa: admite-se em assumpto familiar; 
no elegante deve-se dizer ntOMis, alfauiê ou adorno daca<* 
sa, não obstante trosto significarem alfaias dem^noscon- 
ta. Com aauctoridade de D. Francisco. Manuel nasEpa- 
naphoras, pag. 111, pódcí-se usar de uleniifios, se der li<- 
cença a critica severa , pois que este termo só UgniAca 
em rigor os moveis de guerra, que pertencem ao soldado. 

IVeia em sentido metafórico por ivhtik%a e artificio 
não tem logar Recente no estilo em que devia f aliar o 
o poeta que escreveu a Vida de S. João Evangelista y 
usando deste termo mais cómico que epíeo, quando-di»^ 
se: « MiHre^ai arma ao outro accommettendo^ &c. Me- 
lhor disáera tragai, 

THposá vocábulo que não conta a linguagem elegan- 
te, e pede emprestada áda medicina a palavra intatino» 

IHsavd e trisvieto não tem hoje a nobreza que tinha 
quando os usavam os nossos Clássicos. Diz*se em com- 
posição grave: 3.^ avd, 3.^ neto &c. Deveriam estes vo- 
cábulos tornar a resurgir , e usar«se delles , j& que dize- 
mos bfiiwô e buwcio. 

Vcàeniáa já não tem uso senão no jocoso, e justa- 
mente é estranhado o. Curvo por chamar a Deus Vaien' 
tâOy nas suas Observações Medicas, pag. 8fil. Se disse- 
ra campeão , usaria da palavra decente que convinha á 
séria^ OMiteria que escrevia. 



ili 

Paihacfmto sim pdde ter «90 end âbcwfto p%,yfé com 
o exempla de Brito tiolonir !• daAioií. LuriC^pâg/347; 
porem lefi bc)e muito mais culto usar de aêylo cm rtfn^ 
ffio^ guardar wOuuowto pata o estilo faiftlliar é aiadA 
para o cómico. 

VàRA 6 te«mo mais nobre em toMippoelçSc» élégáoAte^ 
do qoe pádréroy palavra qne tem hqfé muito áe popular; 
não obstante os diversos^ exemplos da«êkos <fu«^ a pódeái 
deflandev. 

Ftígame é to« pofMilar^ e nio lhe aekamosr enempíó^ 
seguros para. se poder usar em obra q«e nio Si^ja joeo^. 
O» oolsos diaen mxagê». 

Vy^efêàa^^ éMàáSiotem. bes» taso em todo o e^ílo qué 
nftoforosMsblimie, oporisio éoeiBarado<yaudfordo^^09i*- 
êoAffikSúm^j «sacado devte termo popular etnunvaepopea» 

f^omitar é vocábulo que tem os melb^Tis ésiemplo»^ 
assim na prosa como no \ccr80f mas a critica desta idade 
é tão delicada, que recommenda se fuja deste termo o 
mais que puder ser nar líagiragedi elegante , excepto no 
sentido metafórico, porque nelle, commummentefallan- 
do» conserva este verbo asais cJgum» nobresa. Fomito 
ainda é palavra mais popular. 

Tfalvez desejaria o íeítor priorcipiante mais copioso 

numero de vocábulos, mas e^tes foram os que nos oc^ 

correram para satisfazer ao reparo do crítico nosso aUlt- 

go*. S? c&n^ q«t ba. oMros^ mukos t<¥M^» e títòáoê áé 

lallav efi» o nosso» idlMici , q«e n/M oir nea^h^itt aso dej^ 

veim ííéí úo eêtíio mag^^osev €^r»corid' e^^itfbStfi^ | aMs sé 

éêf «odiotf eife# ^•ttAfessédM»- ftílzer meação*^ irfi(y hémàtfá 

pavar elUss- sâ^^sie livro. Apoaptámpo^ os qlier nos Mirfcvá^ 

ram ,• ^m q«e oiisi9tfimos>, esscs^ lem^MMá i»y IsMo^* a H* 

^* <fe& bM^ Mvvos iMiléiiaô», e a pi^fils» éeWà Atf |^ 

so»^ ma^. caiitts' n» tiff^aarr 

Part, 3.* 8 



114 

I 

Advertidamente nSo quízemos fazer mençSo de ter- 
mos infinitos , que claramente sSo tidos por populares ^ 
cómicos y jocosos e chulos y porque não quisemos encher 
papel com cousa que nao ignoram nem ainda os mesmos 
éscriptores principiantes. Estou certo que nenhum have- 
rá que não fuja do uso de taes vozes em discurso grave 
e elegante ; e quando ao compor succeda cahir nelles por 
inadvertência , depois ao limar peze com toda a reflexão 
se o tal vocábulo , ou f raze y ou modo de fallar sSo ou 
nflo decorosos^ isto é, sem baixeza, por serem muito po- 
pulares, ou se despertam algumas ideas sórdidas, impu- 
ras e satiricas ; e no caso que assim seja, cuide em emen- 
da-los de modo que não fiquem sujeitos á moderna cri- 
tica, que em todos osescriptos quer que oSo falte aquel- 
la cultura e polimento que Cioero tanto recommendava 
no seu idioma* 



REFLEXÃO 6.* 

Ulusiração á Reflexão 3.* da^.^ Parte ^ que tra- 
ia dos nomes que tem commum de dous 

o seu género (f^c. 

Satisfeita a crítica do nosso amigo, pelo que respeita 
á l.'^ Parte deste Tratado, . resta agora pelo que toca á 
f .^ satisfazer a novos reparos ou escrúpulos* Visto oon^ 
cedermos na Reflexão 3.^ género commum de dous a al- 
guns nomes y pertende elle que o provemos com exem- 
plos clássicos y para que os principiantes saibam os de- 
fensores que tem ao usar de qualquer dos diloji géneros y 
sem os obrigar a folhear Auctores, que talvez não terão. 



115 

Beiisfazendo a este reparo , dixemoa que a palavra 
iribus se acha em Vieira tanlas vezes com o género fe* 
kninino como com o masculino. No tom. 2. pag. 44 se 
encontra a Ministros maiores das doze trtbus.f» No mes- 
mo tom. pag. 121 diz: a Porque das doze tribus.n Ibi-* 
dem j pag. Qb% se acha : a Concorreram as doze tríbus n 
&c. Pelo contrario no tom. 3. pag. 108 lhe dá o género 
masculino. liem no tom. 6. pag. 136 cum seq. se acha» 
rao muitos exemplos; porem muito& mais nos tomos do 
Rosário, que passam entre os cri ticos pelos que foram es* 
críptos em mais pura linguagem. 

Também de apinhos e espinha» sao no mesmo Clássi- 
co iguaes osèxemplos. No tom. S. pag. lalemos : « Uma 
rosa entre as eapmhas. 99 No 6. pag. 74 disse : « Tira de 
panno cheia de esptnhas39 &c. Em fim leia-se o toqp. S. 
dos Sermões do Rosário y que se enfastiará o leitor de 
contar exemplos deste vocábulo feito feminino. Mas tam- 
bém em outros tomos o achará muitas vezes masculino. 
No tom. fi. pag. S3fi disse: ^ Coroa de espinhos fy: em 
fim são tantos os exemplos , que por muitos nos dispen- 
se o leitor do trabalho de os copiar. 

Catástrofe fazem hoje todos os modernos do género 
feminino. Não nosoppomos ao uso; só dizemos que Vieira 
dizia o catástrofe. Alem de outros logares veja-se o do 
tom. fi. pag. 271, onde diz: «Tal foi o maravilhoso ca-^ 
tastrofe» &c. 

Apostrofe^ a que hoje dão quasi todos o género mas- 
culino, deu Vieira o feminino, tom. 2. pag. 35, dizen- 
do: «Fazendo uma apostrofe a Theodosio» &c. 

A Biperbok umas vezes deu o género masculino., 
outras o feminino, subin tendendo a palavra ,/^cra. No 
tom. 4. pag. 202 disse : <t Falia Séneca da hipérbole tão 

8 ^ 



11( 

usada « &c. £xemploa 4e o^iazer masculiao aiada sao 
mais frequentes. 

Fcnix : peiiendem hoje muitoi oullos que se lhe dè 
a genoFO masculino; ecom effeito assim ousam em seus 
escripiQs. Porem nós em Vieír-a o achamos sempre com o 
género feminino , suhí&tendendo a palavra atse. Vf^ja-se 
no toip. 4. só a pag. éôO; e achar-so-hâo tilo multipliv 
eados exemplos , que por muitos nSo transoFeveaioa. 

Torrente : quasi que aingueiifi l^a hoje que foça mas-i 
eulino a este termp ^ quando os Clássicos qu£^si sempre 
lhe deram este género. Yieíva ao tom. ^.pay. 16: » Vis^ 
tes a torrexiác formado >i &€. 

Díadtma: palavra a que nenhum eulla moderao 
quererá dar o género femiaíao , deu->lha Vieiva em mui- 
tas parles. Lomhra-aos que no tom. 10. pag. âOO seachii 
duas vezes: ^ Tirou daoabeça ckéSkidõma»^ &e. ; seChrí»'' 
to tirara a dààdaman &c. O mesmot se acha sempre ao 
poema C%8síipo. 

Foafdairaa : parecerá a alguas cousa estranha dar a 
este termo o geaero masculino : ppis saibam que lho deu 
Vieira no tom. 10. pag. 356. a Por meio deum/onto»^ 
ma cal^ido da Ibica. 99 Não é único este exemplo. 

Feraonagern : com alguoa exemplos que nao aio. da 
Ínfima nota dão inuitos modernos a este bobm o geaero 
masculino, imitando aos castelhanos; porem ep Vieiara 
ainda lhe não achámos senão o feminino. No.tom. d* pag. 
817 diz : u Todas as grandes personagúm áes toei j.erar- 
chias 99 â^c. No 5. pag. 2Sd: «^Convidou eu mcáotes fog^ 
sonagens do. seu reiao» &c. 9 e na pag. 489 : « P€r40ncu9 
gens fendas edespedaçoáias» &c. No 7. pag. MS*: aCom- 
parando-o ásmaiotifes personagens^ do mundo» &c Veja^ 
se também o tom. 10 pag. 486, e 494 col. 8. 



117 

D&fnkftgò e dominga tem sutt differença. Como ter- 
sâo èeciesiâstico é do getiero fêtninitio , e diz-se l>omin* 
gdfi etião d&íffifhgús da quaresma: réaar dac2omifi^a enaò 
do dmniMgo &c. Come termo privatiro dos oculares é do 
g('tíéro ihhsouliiiO) ^Úií-^te: ouvir missa ao domingo e 
não á domingn : trabalhar ao dúrmngo e não á oíomÍ7t^a 
&.C. De maneira que os ecclesiasticos dizem sempre do* 
mmgfiè do atino^ e os seculares domingos^ Por sabida de 
Iodo9 escus^ã éraf e&t& ReUexUo^ mas servirá para és esf 
tfaògel^os qlie ftâòqviizererti errar em a Q<%sa linguagem. 



REFLEXÃO 7> 

Em que se addicciond a Kèftexâò 4.* c/á ^.* PcíHt 

que traía dos superíativos . 

Ne... „..H. po„o ^ ...a ,„e „e_..„. D.e- 
mos só que o Padre Vieira no tom. 3. pag. 17. fez de 
supremo o superlativo suprenúsúmo ^ e no tom. 4. pag. 
ôl. duas vezes áeimmenso formou tmmcnsissimo. Talvez 
que teji^tado com estes exemplos é que se animou um 
académico real da nossa historia a usar árrojadámeàle 
do superlativo untsszmo. Os modernos criticos estranham 
corhô' bárbaros e ítáproprios^ iaes superlativo»} poreilÉi se 
Cátao dhse pefpeíukfty eperpePuisúmui ; Ckero infirúliof ; 
Seriéca proàimíiar y e Ovidky vaàuímmus &c. Porque se 
ha d« eif tfranl^ar âf tim Oiassko como Vieira que vm tam* 
bem da supre«hfa ductofidad^ dè mestre? 

NSo nos esqú^cètémos também de diàer, ^ue frequen- 
temeifte ouvimos formar imperlativos de outros sup^rln-r 



118 

4ÍV09 , V. g. de grandíssimo ^ grandmwímo ; de imporlu^ 
nisBimOf tmportunusmtmo '^ de boníssimo^ bonUsUsimo Sccm 
•Não se devem admíltir estes excessos, senio no estilo jo- 
coso , em que o mesmo errar é uma graça elegante , á 
maneira dos antigos cómicos 9 em quem se acha pessiTni^- 
simusy e mtnimisstmus. £m qualquer outro estilo dar-se- 
ha por erro. 

Advertimos por ultimo, que só também no jocoso , 
no familiar , e no satyríco é que devem ter uso aquelles 
nomes, que com a terminação emão ou emasso tem for- 
ça de superlativos, como v.g. altarrão^ vdhacãOy poetei" 
so, gigantasso &c. Damos esta advertência, faltando por 
via de regra , porque occasiões haverá , em que estes ter- 
mos augmentativos terão bpm logar em discurso grave, 
assim como o tem alguns diminutivos em e/e, [que cos- 
tumam servir só para o jocoso, e satyricoj como v. g. 
reise/e, de que usou Brito na Mon. Lusit. tom. 1. pag. 
Ibb. em logar de dizer reíúnho ou pequeno rei. 



REFLEXÃO 8.» 



Addiccionamento á Reflexão 9.* da 2.* Parte. 



D, 



'e vários descuidos na Reflexão 9.* nos argue o cri- 
tico nosso amigo. Censura-nos primeiramente ter-nos es* 
quecido nella o verbo Air, devendo fazer-se delle especial 
memoria; pois qiie são raros os que acejrtam. na conjuga-- 
ção da primeira pessoa do plural no indicativo. 

A verdade é , que communissimamente se conjuga 
n6% vamos , ryós hidcs , elks vão &c. devendo-se dizer nós 



Altnos, e guardar o vàmoi para o imperativo &c. Como 
sei , que a muitos se faz estranha esta linguagem , apon« 
taremos de Vieira mais exemplos do que é nosso costu- 
me. No tom. @. pag. 137. a Já htmos no terceiro movi** 
mento» &c. No tom. 3. pag. 57. a Nós Aimos pelos pas^ 
SOS de Christo» &c. No tom. 4. pàg. 5â8. col. 3. a Nós 
hvmos em serviço da fé» &c. e na col. !2. <<Nós somos 
os que himos a servir a elles» &c. No tom. õ. pag. SI. 
«Todos htmos embarcados na mesnia náo » &c. Item pag. 
338. a Em bem clara prova do que htmos dizendo » &c. 
No tom. 6. pag. S88. << Todos himos caminhando piara 
a futura» &c. Item^ pag. 499. « Devoção que ategora 
htmos louvando» &c. Item^ pag. 539. a Himos áquella 
portaria» &c. Item pag. 54S. «Nos htmos dispondo , e 
habilitando» &c. 

O segundo reparo do critico é nSo termos fallado 
nada sobre a natureza de alguns verbos ^ de que usa Viei- 
ra por modo diverso do que praticam alguns modernos. 
Nesta matéria nao poderemos satisfazer com extensão ao 
amigo 9 porque é ponto em que nao temos feito particu- 
lar observação. Com tudo escreveremos o que nos occor^ 
rer , que por pouco quts acja , não deixará de ser útil ao 
escriptor principiante. 

No uso do verbo arrastar ^ diz-se commummente ar- 
rastando^sc^ e Vieira dizia arrastando sem a partícula 
se. Veja^se além de outros logares o do tom. ^. pag. 18* 
onde diz. a Uns ari^asiando , outros sem pernas y outros 
Sjem braços» &c. 

Ao verbo assentar y querem muitos , seguindo a D. 
Francisco Manuel, que se ajunte sempre que significar re- 
solver os termos comigo^ comtigOy comsigo ; porem do con- 
trario são muitos os exemplos em Vieira. ^Depois de a^ssen- 
tar que a maior obra de Júlio César »&c, tom. S. pag. 32, 



130 

O verbo pariir oa sua significação passiva errada^ 
mente conjugam muitos: en parti ^ inpartiite^ elle par-» 
im &c. devendo conjugar. Euparti-me^ tu partute-tCy eU 
le ptjMrtiu^te &c. para assim imitarem ao grande mestre 
Vieira f que em todos os tempos sompre acrescentava a 
partícula sâC a Partirtdo^sc Christopara oCeOi» &e. tom. 
fi. pag. 109. 

No verbo soòcr diz-se commuraipente sobir pela pa* 
rede j tohir ao monte , e Vieira dava**lhe caso activo áu 
JiGBdo zcbir a parede y wahmio o monte &c. Veja-^se o tom* 
fi. pag. t80. Os modernos 9 que nZo faliam assim ^ nao 
procodem com coherencia , porque diiem sobir a tuxLda ^ 
e não pela escada. 

Ao. verbo eallar acrescentam quasi todoa as particu* 
las me^ e se^ dizendo callo-me , calk-se &c; Em Vieira 
pelo contrario acho mil exemplos, em que dig caUo^ e 
ca//d; caUav0y eaiUxeam âcc. No tom. 9« pag. 349. «No 
consistório deOeus os interessados ealknny [eoSo coUatn* 
te,' como hoje sedíss.^ Notom^ 3. pag» 90i «cScelle cal* 
htr con)o costumai» &e« Itfm, pag. fl6V. « Aproada ^ e 
ealh. Nu t<ui|. 4. pag. fO€. « Assim «aXoM o maior prC» 
gadof do Mundo &c. Item pag-. Sl^. 4; Deus l^emandois 
que calloMe &c. 

CrOSMir : sempre os Clássicos aooasodette veibo- acres-- 
aèntavaip a preposição J», ou ils, ou úb, dizendo, go* 
%ar do Cea, áu gtorha^ de ^/teias ; eâão [como hoje es* 
cfevem muitos] gmar o €eo 9 a gloria , as delicias âic. 



Itl 

REFLEXÃO e/ 

Em que se discorre sobre o uso de algumas 
partículas^ que se ajuntam a verbos 

e nomes. 



p 



or occasiáo da reflexão pasgada noi oceòrreo ãiicorrer 
um poucQ em serviço doescríptor prínGÍpiante eobre o uso 
errado y que muito» dão a algumas partículas, que acom- 
panham aos verbos em suas conjagaçfies y e aos nomes 
em suas declinações. Alguns críticos superficiaes^ e que 
dos nossos Clássicos tem levíssima noticia , persuadem-se 
que seâdo*lhes necessário usar ; v. g. da linguagem ama-- 
rank-nOf leram-nOy oumraafw-no^ devem dizer omar&rn^^ 
kram^o , owMrmnrO ; porque é uma posposiçflo , que vai 
o mesmo que o uínm^cnn y o leram ^ o outíram , conjuga^ 
çSa certamente genuína da língua portuguesa. 

Porem não diriam assim estes critico^ , se tivessem 
liçãid dos nossos Clássicos^ especialmente do Padre Viei- 
ra , que sempre ajuntou a partícula no^ e na ábâ ver« 
bos naquelles tem^pos, em queellas tem logar. Produzir 
todos os exemplos seria um processo infÍDito ; transcreve^ 
rismos s6 alguns para desengano. destes modernos gram- 
maticos , cujos eserípips não declaramos por não sermos 
odiosos. 

\No tom. ^. pag» IM. diz esteAuctor. aFkeyam^na 
assim recolhidos âic- e na pag. %% se aeh« « Qt^êeram-* 
fM> adamar por se» rei . . . aetamarofn^no « . . Âamam-^m^ 
de prender» âtc No toiii« S. pag. di9 disse também «cti^ 
nham^na elles com meraeiniieato &c. 

Não bâ kfcje Igualmente cousa tãoconimum, (eomo 
AizcF-se T. g. } Aodb M, enão ha st cíc, quundo em Virf* 



12ÍS 

ra dSo ha cousa tão trivial , como é este segundo modo 
de pronunciar. No tom. S. pag. 162 se achará: u Ha se 
de offender a verdadeira lealdade >> &c. No mesmo tom. 
pag. 3õ7 se lerá : a Ha te de pôr em balança o menos , e 
o mais» &c. No tom. 3. pag. 350 e 351 se encontrará : 
tí Ha de se entender c ha se eíe advertir 9» &c. No mesmo 
tom. pag. 369 ; cc Hão se cZe julgar , e avaliar os homens » 
&c. e na pag. 15: «Quando Elias se houve (2e partir» &e. 
No tom. 5. pag. 451 : a Hei me (2e guardar» &c. e nunca 
disse he% de me guardar ^ ha de se pôr ^ hão de se julgar» 
&c. como hoje commummente se diz. 

São muitos também os que tem por umá pura re> 
dundancia este modo de fallar refertr^vos^hei as vossas 
proexas » &c. bastando dizer referirei as vossas acções ^ 
numerarei as vossas proezas. Chamam igualmente redun- 
dância a estoutro modo de fallar. « Deram4he a Pedro, 
devendo^se dizer deram a Pedro : elle viíi^nos a nós , pos- 
toque nós. o não vissemos a eUe^ bastando que se dissesse 
u elle viOr^nos postòque nós o nâo vissemos » &c. Porem 
os que faliam do primeiro modo tem sempre em seu fa- 
vor a Vieira. No tom. S. pag. 313. diz elle. a Louvar-' 
voS'hei as nossas virtudes , reprender-vos-hei os vossos ví- 
cios» &c. No tom. 5. pag. 314 diz também, a Deram- 
Uie a S. Gonçalo» &c. £ no tom. 7. pag. 39. « Elle via- 
nos a nós em quanto Deus , postòque nós o nâo mssemot 
a elle. » Estes modos de fallar, bem longe de serem re- 
dundâncias, aão graças da Índole da nossa língua. O que 
nella será feia mancha , será o pronunciar v. g. amariiar 
sôj iferki-stf, ensinriria-se, eoutnrichSíS &c. em vez deamof^ 
scnhiaj l^-^e-huiy eminar-sc-/iia, e ovimr-^scrhia &c. 

Já em outro logar deixamos observado, que ao ver- 
bo haver sempre se. segue em todos os modos, tempos e 
pessoas^ da sua conjugação a partícula (2e, e que é erre 



Iâ8 

dizer v, g. Haoemo% fost^er ^ havemos ama^ &c. em vez de 
havemos defaxer^ havemos dt amary porque' a dita par- 
tícula nâo pertence rigoroàamente ao verbo haver y mas 
ao que se lhe segue. £ daqui vem, que fazcndo-se estas 
perguntas, a Sá de amar^ has de amary ha de amar^ 
hâo de amar T» deve-se.respoader em boa linguagem: 
hei e não hei de ; has e não has de\ ha e nSo ha de; hâo 
e nao hâo de* 

■ 

Advertimos mais, que é erro usar da dita partícula 
de com o verbo dever, NâLo se ha de pronunciar v. g.; 
devemos defaxer^ devia de kr^ devera de amar &c. em 
logar de devemos fa%er ^ devia ler y dçvera amar &c. Ad- 
vertimos por uUimo, que no usO do verbo haver não se 
deve ajuntar o db, quando o termo , que se segue, é no- 
me, e por. isso é grave erro pronunciar; hei dt mis/er , 
devendo-se dizer: hei mister y ha mister y hâo mister y ha^ 
viam, mister , e assim nos demais tempos , e pessoas; por- 
que mister é nome antigo, que significa necessidade y e 
haver vai então o mesmo que ter. 

Não nos esqueceremos dé advertir, que no pretéri- 
to imperfeito do conjunctivo dos verbos; v.g. se euama" 
ra y ou amasse , Vieira [segundo a nossa larga observa- 
ção] muitas mais vezes diz amara , tivéreis , e disséreis , 
do que amasse , tivésseis , e dissésseis, Lembra-nos alem 
de outros exemplos um do tom. 12, pag. S14. a Se vós 
tivéreis os olhos tão allumiados , como David , pode ser 
que disseras o mesmo >» &c. Hoje raro será o escriptor, 
que não seja Vieirista, o qual não diga iwesseiSy e dis- 
sésseis. 

Passando dos verbos aos nomes , todo o que não ti- 
ver folheado bem a Vieira , estranhará como uma vicio- 
sa redundância dizer-se. a Sua era de Naboth a vinha, — 
Sua era' de MiphAoset a herança de seu pai Saul^-^Sua 



1«4 

€ta a fcuLonda do jemxí dtfanAliat do ewmgtlho ^ e entea- 
deria ^ que bastaria dizer» A vtnAa dt Naboth era suo*^ 
tra d^ Mtphíbout a herança de seu pai SauL -^ A fai%enr' 
da dopai dtfamt&Oê doeiúangelho era sua '^ porem saibam 
08 que assim diriam, quô o primeiro modo defaUar édo 
grande mestre da nossa Ungua no tome b. page 450. 

Nelie achamos igualmente qne nunca dizia , como 
hoje dizem quasi todos , reino , ou provindas da BuropOf 
mas de jEtifopa; nem toda a Buropa^ mas toda Europa, 
Yeja-se no tom. 6^ apag. ÕO. ondedift: coníosUo dacbris-^ 
tandade de Europa^ e na pag. M6, a Todas ns protin-' 
cias dô Europa ff &c. ena pag. 110« uToda Europa a ser- 
visse á MettL» dcc. Jadntho Freire deÁndrada cosstan^ 
temente seguiu o mesmo na Vida de D. Jofto de Cas- 
tro y onde sSo itifíuiios os exemplos^ 

Nâo despreze o escriptor principiante o que dissemos 
nesta Reflexão ^ e pelo que apontamos cuide muito em 
obsertar nos Clássicos [espedalmcnte em yieir»3 outros 
diversos modos de fallar ^ nos quaes consiste uma grande 
parte dos mistérios, e delicadezas da nossa pura, e ge- 
nuina linguagem , as quaes muitas vezes ignoram y oU 
esquecem ao» mestnoS' cultos. 



*l fc* X 



REFLEXÃO lo.* 

Em q^e $e mostra quanéo é faeil ca/iir em erros 
de grammatica , e provesse com exemplM 

da poema Uíyssea. 

~ v;rra se tanto é estranbavel ignorar oe segvedOv de unta 
Uffgtm ^ quanto mais será censura te) caidr em erros dm^ 



195 

ro9 na grammattec^ delia y e muito mais se for de grande 
Bota o Auctor que oa commeUer? 

Rematemos pois este livro^ lançando outra vex mâo 
da UlysB^a de Gabriel Pereira de Castro ^ e nesta epo* 
pea geralmente applaudida, guiados pela crítiea que Ibe 
fizera Manuel de Faria e Sousa y mostremos bem aos 
olhos do escriptoi principiante o quanto é facil €ahir em 
erros indesculpáveis da grammatíca da sua mesma Lin^ 
gua, uma vez que claramente os commetten um Auctor 
<|ue tem seu logar no catalogo dos nossos Clássicos. Dos 
exemplos que apontaremos tire o leitor por Iructo polir 
escrupulosamente os seus escriptos; observando uma e 
muitas vezes se está errada ou correcta a grammatíca dei- 
les, para assim evitar ajtssta critica dos cultos modernos. 

Logo na estancia 1, docant. 1. commetteuesteepí- 
£Q^ uma falta de grammatíca , qaandx> disse : 

f9 Se eu podesse laiita 

» A' pattia, ao mundo ^^ á eternidade canto. » 

Uma vex que die canto ^ devia dizer «s^m j90ss<» tais^ 
In ; e aó S6 dissesse cantara é que teria bom logar o pa^ 
desse. 

Na eftt. 73 do mesmo canto ha também uma con- 
coadanoia graauoftatical, que nâo passaria h^e sem repa<« 
10. DÍ3 o poeta : 

^N^OMtna parte ojasdira se nè partido ^ 
» Que uma fina alcatila representa y 
»'De que a fomosa Chioris, e o marido 
» De ses s«» javclineíro se contenta ^ &c. 

Para a linguagem ser exacta ^ uma vez que diísse 



OUoris e o marido , devia pôr no plural o conUnia. Oê 
exemplos dos poetas latinos, que talvez o poderiam de** 
fender, de nada valem em uma epopefi portugueza, cu- 
ja Língua jamais admittíu semelhantes liberdades; an- 
tes amesmaconcordanciagrammaticál, que quer napro~ 
sa, manda também observar no verso, exceptuando aU 
gumas especiaes licenças , que concede só á poesia , em 
cujo ca$o nao estamos por ora. 

No mesmo cant. 1 . est. .30 ha outra falta de gram- 
matica semelhante á antecedente, e causada também por 
força de consoante. 

99 Que os didphanos céus , e escuro inferno 
7) Vès a teu gr&o poder ajoelhado* » 

Devera di^er em pura linguagem ajoelhados eoncor- 
dando com céus einferno^ que reverenceam o grande po- 
der de Júpiter. 

No cant. S. est. do Argumento diz o poeta que a A 
grega antena vira n &c. Este modo de fallar não agrada- 
rá aos de paladar delicado, assim como nao agradou a 
Manuel de Faria e Sousa , dizendo que as antenas nao 
vêem nem ouvem. 

No cant. 3. est. $5 usa do participío csperdiçando ^ 
e censura-lho Ignacio Garcez Ferreira, querendo que dis« 
sesse desperdiçando j uma vez que no poema pronuncia 
desperdícios e nao esperdunos, E>te critico estranha tam- 
bém ao poeta dizer constune e prosigue , dízendo-se já no 
seu tempo, como pronunciaçao mais culta, consome e 
prosegue. N£k> achamos a esta critica mui polido funda- 
mento; ese este poema nsio tivesse outros erros degram- 
matica^ nao teríamos duvid$^ a dizer que não tinha de- 
feito. 



127 

No mesmo canto est. 73 faz com que Poliíemo, quei- 
xando-se de Ulysses j diga : 

f9 Mas como não te estimo ^ nem te temo y 
99 Yendo-te em tal miséria , e tal estado ^ 
79 Te agasalhei infame peregiino , 
» Que a tudo acha caminhos o destino. » 

Supposto dizer agasalhei y fallando do passado , não 
poderá agradar aos escrupulosos o f%âo te estvmo j nem te 
temOy posto no presente , e quereriam que o poeta tivea^ 
se dito com mais correcta grammatica:^ Mos como não 
te estimava , nem te temia . .. te agasalhei. » 

Na est. 8S do mesmo canto ha uma falta gramma- 
tical , que não pôde ter boa defensa , pôr mais que se 
empenhem as lioengás da syntaxe figurada. Diz Polife* 
mo a seu pai Neptuno : 

V Aqui teu filho tens de fúria insano , 

97 Que em tuas aguas lava o sangue immundo , 

99 De que banhado estou ^ e quasi exangue 99 &c. 

Bem se vé que devia dizer está e não estou y visto 
fállar em terceira pessoa de filho. 

No canto 4. est. 53 parece-nos que a critica seve- 
ra não approvará usar o poeta de óbedecc-lo em logar de 
cbedecer-lhe y que é o que pedia já a grammatica do seu 
tempo. Apontemos os versos. 

99 Vês as netas belíssimas de Belo , . 
19 Que o iniquo mandado executaram 
99 Do pai y e por melhor ohedece-lo y 
»0s míseros esposos degolaram 9» &c 



1S8 



Com tudo nós ainda estranhamoi mais apuerfl erí- 
dicula antithese de bellissimat e Bdhy e a redundância 
do mandado executaram y e depois vir a óbedece-lo. 

A est. lOB do mesmo canto não p6de passar sem re* 
paro grammatical. Qualquer leitor bastará a julga-lo. 

» Que saudoso pranto j e nsagoas vejo 

r> Di%er sem fruí to á Lusitana gente » &c. 

NSo sabemos como pranto e m^gcm se wfon^ dissier^ 
«speeialmente o pranto ^ ao qual 96 compete o verbo* mí* 
eir. Se dissera a qnt saudoso pitanlo e magoas aufo sem 
fructo á Lusitana gente» 9 entib entendia*s&. 

Ho caat. õ. «st» fld. dia dei ç^ de; ve-fo. em rez de 
dege^ 9€'Í9. A partímla de é certo qae ao sea tempo 
«ra jár usada 96 pela pldbe dos ekcrifptove'»* 

»D^um delgado cendal andam vestidas , 
» Que accende mais a desejar de ve-ío » &c. 

isto é, o corpo das nymphas. Para bem devia dizer como 
Gahifies : « Qnr ode$^ d&vê-h móis iíocemde « ;. posem a 
força do consoante o fea caàir em tíao empeçada a dafií* 
tuosa grammatica. 

Na ésL &? da mesmoi canto ttsa de tas vâo em Io- 
gar d« «m /os. £^ daroi o eivo ^ nãk> esUmdo em Itália 
queas assam. faUava : 

» D^aqui Perseo nasceu ; Danae cortando 
99 C^o filho o mar por dasMaadb via 
79 A Itália, vekssji &ur^ 

Porem ea quasi que^asvtc» pufdoár» esta. fsita do 



qtíé â fáál1(fí6là genealogia eníiqifefse câUiga o po6tá nes* 
íH' estância 9 do mesmo modo que ò fairia o conde D. 

Pedrb. •'''•"''•^•'" .....'•. '...' :\, 

'• JíòtèiàVr ê. est. ISpSe diversos verbos enivnv^taos 
tMrpòs^ que õâ nào dpprosvam as regras de útiaa gram-* 
matica exacta. 

9> Ordena-se que o grande Heitor tomasse 
9? A rédea ^ e capitães comsígo ekja ^ 
99 Que repartisse as hostes , e ordenasse 
99 O campe , .e déss^ o modo da peleja : 
9>Que os de Dardania Eneas governasse , 
99 E acompanhado neste of&cio seja y> &c. 

Visto dizer ordena-sej devia continuar «que o gran- 
de Heitor iomCf reparta y ordene edi: que Eneas got?er- 
ne99 &c. E querendo usar de tomasse e governasse^ devia 
dizer ordenou-se^ e proseguir dizendo elegesse e fosse ^ e 
não eleja e seja. Nenhum ouvido haverá que nao estra- 
nhe esta confusão de linguagens. 

Na est. 77 do mesmo canto , fallando de dous ca- 
pitães peleijando, e comparando-os a dous leões , com- 
métte uma grande falta grammatical. 

9> Qtkal dous leões famintos sobre a presa» &c. 

Bem elaro está que devia dizer quaes^ sendo oslcues 
dous , e dous também os capitães , dos quaes diz na es- 
tancia antecedente que as espadas kvantam refulgentes. 

No cant. 10. est. 3S diz estava ^ pedindo o sentido 
que dissesse está : 

V Vejamos o que o fado nos consente , 

» E o que por elle decretado estava. » 
Part. 3,* 9 



aso 

- . . {V^rfti c^einplos bíwtfir^t^sí^s rp|H^rQ«9 PW BHfl PUOS- 
drinhar exactamente todos os defeitos gramtnatícai^quf 
le .^n<:í)iiilmm u^u^ cetebr« epopçfiç, que a sqç;^i^ o nos- 






> 



' Fm DÁ Terceira Partê. 



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NOTAS. 



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vtf notímufe ODalt «ilgu«i««.apiAfiW9J@«s do m^$% A. ^ é< ààim 
rectificarem algumas inexactidões: — com p pneff^nlc .4ddíeÍMU» ' 
mento ficará o mais completo , que nos foi possivel , o catalogo 
estamjpiid^ 4^ ^g«i(ÍA,^ P.r(flAqgajd*.çart«.pri^«ç^, , .; , 

* 

to>.jm^(»,.s0 i|íiaro#/0#«»Bp de 19ái8 , dçivp Vejrr^r^f*9i:: 
lu»€V9'A^^^ <VM»Pf.Ar|^i*í s#«/íl^M«^^f rr- ^ufaftftMítt«r^Q.-tt .. 



<. 



9 « 



13^ 

Philandro, Epiilolaf a um eicriplor principianie j por Cândido 
Luritano. Coimbra: na imprensa de Trovão e Comp.^ 1826. 
12.0 fr^ — gg^ ^^2 epistolas em verso: e consta de 69 paginas 
ao todot 

Teriio: Accrescent^ò^sf-^^^^^y^^^^^' ^^P'^^^' ^^ obras 
seguintes : — u Arte kitíorica , po^ òandido Lusitano. Coimbra : 
na imprensa de Trovão e Comp.^ 1826. li?.^ fr. — Consta de 
dois livros em verso solto , e tem ao todo 47 pag. de impressão* 

— u Santoi Patronos contra a$ tempettcuíet de raiotj invoca^- 
dos em devotos kymnos pubHcados por Cândido Lusitano, Lisboa 
naofficina Sylviana. 1768. 8.^ — Alem de muitos hyro nos do A., 
comprdiende esta pequena colIecç3o outros compostos pòr vários 
sócios da Arcádia. Consta ao todo de 82 paginas. 

— u Memorias das principaes providencias que se deram no 
terremoto que padeceu a carte de Lisboa no anno efe 1755. — 1748. 
fdi«f; sem o nbme do Impreésor. Sahiu e^e livro porejo snppos**' 
to nome- de «Amador Pa tricio: » porem o Catalogo da Real Li- 
viftrk. das. Necessidades dá como auctor destas MenofÍM o P.^ 

Francisco José Freire. 

• •>*.- • • '• . 

As Reflsxôxs 1.' b 2,* '^Sohre palavras anti^^dàs* 

• Nd catalogo que o A. ordenou d8o-se eomo obsoletas e fora 
de uso muitas palavras que no sentido próprio quotidianamente 
se «mpregaM ^ ou porque s8ò neeéàsarias ^porventura únicas em 
seu significado 9 ou porqtíe nuucu se proscreveram' « w6 os escru- 
pulosos seiscentistas as refugavam ^ ou porquê a influencia da II- 
çSo dos Clássicos, hoje louvavelmente renovada, as tornou a pôr 
em' voga. Ineloiu também o A. no mesmo vocabulário os nomes 
de armas antigas^ òs' termos- de brasSo , os quo designam cargos 
civfs ou militares, hoje abolidos : todavia niío se podem conside- 
rar antiquados 9 porquanto todas as veies que nos fdr necessário 
indicar Oêol3[}etitos poresbas vosesdesignados^haVemos lanhar mão 
delias : logo %6 podènios diser que entram ellas com métaôs fiíe» 
quencia no discuno, • itf emesrtos caM , mas nuA^sa as nietto* 



133 



^moa-Do jMM% l^vtM demiadar.-ff Das q«n no indo com 
.num wuk boje ootrém , faflctnos a.s^goiote litUi . ; ^ 



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Aeettcblba* • 


Decrocar.,, 


' Pániáfl* :. 


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AcéfAiW. 


Despeito* , 


Passj^inedto^ 


' . - • 


Aoititemente^ • - 


Ji^fnbaiiiieiito» 


.. . Ri*r.;- 


,» ..:.■> 


Açodado* 


J^beieifaf* 


Páqotee^ . 


.* ■• . V 


Açétooi. 


.. . .£sbulko».v . 

4 


FincaiiOk 


r '. ^ 


Adoiitodo. (. 


, FAi^- 


. PfoK 


• 


Áfao. 


• Fo^Tcí^ro.. 


:. Réejbi^toea* 




Alqufihfsai» - , 


, Guaridif: . 


.. J^€ló. ;; . 


»t 


Afleíoo»;. 


Ji^oadçt»! 


Hedori^ae^' 


• • 


Aufutoada* ' 


. ., n[«pvaatÍM:p. . , . 


, Roíía.--: 


• 


Bataltt^r^ 


*•' W" 'r^rf ?^ «o • i' » ' 


,1 r BoOBgaate« w 


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Britar* • - 


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.. 8a«rion. . 


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2 ():: 



DO méimo cataUgd y (ancootraiiios. ^pàiavrés jfà» po- 
dam algUnuM bfevfs adteitcfidías.^ quo eacrevfewmoi 
■eaipfe a «erieálpkabetica.. 

.i> AcMáMioi alam daatigtaifioaçoai qooUie d£oA,>tinhá<4i^ 
txa 9 Gatteimaifl covmiuin l^jOó Ioda» «Uas« f or.'ooofifta(lw>io> ori^ 
tendiam aquelles individaoa, >iloqiio leoobiafai quantia, maèwm 
fHe tiofaaaa deaatt^9t»afitibiY«ea^iia.oneoii<Ato'>dè2bèna:8iilftcRn- 
toa :poffa. pçdoiMi. aetvir. : in* guotjra cokn cawaUo o mnnti94 Bata 
ligi^ficaçaa; e tão íréqoanté: lloa dooiiomiioatanligoé , : qua* mais 
qlietúdo >àdmira oscapaMo uSo f d aonoaso A-;^^ .naa tMnbém^ao 
P.* Viterbo no £lucúlarâo> a Bf<^raot'iiae;pitnaifli« ediçSIfttt do 
|>íoo.^e>ate.-ao proptío Diccioiiaffio.da Academia* A^vista dmta 
fileiieio .allegaremoa aaaactòr idades , qâe. nos, ahapam. 

Coniulte-se o chamado Bje^vmenio da . Giâ^rrá ^ qna ee^at- 
tribue>a SlRal Dr Dinia^ e .qoe dojceito .tem : IdoiorflMoaçdefe 
■Stiíto iknteriotet ; impresso pela prlmairA^vei jdo lote.' 3i":das 



foi. 304^ se b<telqii«>«!aori«efac«t0Vi^kido(>&lfidoii#0t)lo^ ««O 

depois impresso com muita correcção no 1.^ liv. das Orden. /áf" 

fonsinas, Coimbva 1792, por se a<^r mHas incorporadcr? ka rn èc 

Regimento y' »r«Mi^ festa e confifÍM* a'lMa passo aquaM iígill» 

ficação de aconHmáol Epara naoativftimiilitfrraos citaçd«9J 9Jmt>^^ 

fadarião fíe)«^u« iil^iariavel confofltiidtade'^ bastar- nos^lM^-jUs^tr; o 

dito 1.^ liv. da^neflas ordeoa^i ^ tud âe^ tit.71 ^ <|O0 tmtà:±: 

Dos Coudees € Ré^nientot, queèmuiitíffliciiê pertencem zisen^lfi 

cap. 9 que se hiMr^ie = Da» Conikmi ^ p€r que kamde se«r' ioA- 

çados cavalos j eápwwas em todos nossorlt^tios z=: começd èalimii^ 

u Nd «i^áré* de Lixboa, ei*M toeb* a Estremadura o« ^i^ 

n te verem bêe»y qie valham quaMta fiièrcos de prata «nráliiidM 

9» segundo^Kdê "Anátidamos, ou •ttvèn^Páf Mos que valha )r>|iie#»ái 

99 cavallos reotfboívdos, e estas ftHtrM^ qye se seguen>;>l;ii»'4MKf A 

99 e posto ^«f| Íb«'do dito avaliaiifl«tlléYalleça huai »«lM^e«iA 

99 prata, de filffá^f- que nom scjiilll' iMtíê de trinta e nove^iàetti 

99 lhes leixeltl<dè lançar o dito «eavalc^ « armas. 99 .i^!- • 

E assim contin4M'-toclo o cap. determ^tíaádo diffe rentes «fMHákib 

conforme as Comarcas , &.c. 

-aq o|^ ãnvêàá^riif do GttftOiio*(iaC0Éii«r<Míitei£irorsí,rAAto no 
(tbirípo 4ocnnMd»'d^£lItei D. Itíáo il.^, o quã\ IrviÊêntxà» mAà 
no Livro grande de pergaminho , ásh'.isie9Émâ ;OaMiini ^ tb|IIí a 
Jpl.ÍJÍ!QluiAmaAÍD'jdba^Wtjnúr MpctftoM/^nsto^Ptoévràikovès des- 
4fti Gidftáff dspan iDÃb Geèl«$^>q(Je'fi)Rci 'DMiloinpu.(4;H)l;fb^ ent 

.^^«0 aiiddstií>CvlÁttv>tftmi» tfgw^atfei^titvstfsveih fl»>thi«tjtdi9 

f '"^ en tceoem oábttiiosdkquiKiMtgaii^^ibtai,) pOT<fuiifi^itoM|r«al 

(^niÍBàifm^ctêtKL^yiAoPtf%re'm ^èeir'iiihro>.4« 'q«diiÍki\ée'>Aiill lit^ 

t •^9fr'|»fgil'.'filitt5rli«lpUilldt»^^}& aobrvtfiitioihándsra-^.Toilb^ fél 

'^'('«Ueírl^^ih^c^i^iltoiiite 'iívaHa«Mls Ml(Ia)Jcli|«''9oQèí»]c8rcaiii<^ 

99 ne ai%tr(mpé^,^miíAhíii&$\'kfiÍ{i\hHim\jK!Êi Ibntti in^bCíAiRe^f 

fir>po.;MtSRloilífV' 'à fi^h^xi^lj ,' f|M:eiid«>«m«v)çãU â&»U4tgiès •^' qci» 



' ^'i^ tilgfllirlbrblltf l9tMfá^ar<tMM<tíefmn:oHuaUoi>ttuif^^ ^> e 

^f^ ^^'ftl^Ms^jM^édttnM^^rirtébetkiBdcweriaueivlibifls^ipàvtt^ dos 

ni M'biíè|i» ^«i^ ^lfaW){liNlí«iMpp«tf4á«nrçeer9^<él^fiimiidflSK «oaKar 

-^M<(!pdtt<|(il>Mà#>lbMii>*<oft«àif)ié*t. MMéy Rèpoiideo'^Ifae'pra- 

ÓMicloi^nDD^ ^aiBMidQ4fii»>Uv«i^epMO, «^-iqvi&t» noms inèder- 
ildr liegii)iAl«Mi'^ «fid gft ^ g« i(M<gipof fiiglr«i) ^itefior não IfFtm 
noticia da antígualha portuguesa de quantia t(j(5màkMyi,^e «gifcian- 
ftaJos (acontiados), adoptaram para exprimir a mslmái ideia ioú'4 
Wa|aiil%íual|u(#:iaindltínnJ«v^UM^ie'>ro«aa»:»j «aJ|ufjlIisando as 

>' t(Mairúhillà*»íixfiEftiMiiW^ {Mio PtftíFri Jtía^tttfnTiietSan- 
d/utra. pàr?«&mUotaaob0rAftdoij «rqumaé pwr {OcteRGagip «^gntfide- 
la/ :d^c9tedb ttaiuMi «oipi^ijiíAwDaií.cMitM.iqRetV^O) dei tnab ^ «ou^sd 
p«to ^ceraafio; ai ottiv khf>riif dmos qye :vfto mt^siif^ . n t^ V4d é.ftam- 
h^im 01 JDi«t><dMA«ai[l.t4ia flauta sitf iiartit ^<)Con)o (fOiíAliU ad- 

V|)fbjaf> . í-o^-í-il.íiS. •> >.'»•!.'• -í» f<.'».i:t .1 /•■>♦» ::»íi f> í»i ;:, * "O '♦ 

.1: -i4<^firf «\0*tfica>4aBilitna:-^)patAag9i»ii3omjauiiiff^ 
dMiMi^aUaifo^^iaioiclaot lavffi|dia»f g , ^ne^ aiío , tinha netoa — 
EVfro<|íl«ii*iiiinvçK fHM ftiesCacíaiilígpaKdaF.CapafA de J^wm^los, 
9tÁit^<^'|iMlKkiidò ^ACNikidaiAiiMwiitoA*. Faiidjgjicíwihtftidaoitala-si- 
Sffií&94lfl<^/aiMi; aQ'Ai<d{>.|ISIú9MlafitD ^>ifaMt «08,dQifIVmaii.'<da 

a 8 de Julho de/1^4[a^''ra||Mta4a7á^4<flj>;tf9ríd9ilÍv»:iMmilM^te 
4lftvvw^4^9 4a<^t44>Cbntoi^^iie^f^Q;|il4n«6pMFV!(M]itr''.>9 «b^ 

M rem que entre os capítulos particulares, que ^nli^lA 



1^6 

ff que oteor tai hè^nr* Briniei»iiietíle qu^ |Hiirr s)»r je^4k> >«ihi <4q 
n muitas vynha») e olivaea, e ootras bemfeitorílii 9 4^>oa.iii04 

• ft sadore^dela ot mais hòftiailot o^M«eaibJpfloyrft,',pipr« a 
h 4|aal tem beb , íj daoSo aa dka» 'bemlatUIriaa , por i«3p ba- 
ti ver odiíó, em <|Ue se recolbam :< qve aua^AUt^fl baja.poc bem 
9t qãe se tomem as beràades pertenoefiteii .]M»ta^))a.i^ q ^ne^oa 

. n senborios ot oSo tolbão;, aióda q«ie pe>ra..«i|a.ti4Qbf^i|i.potie, 
ne privtkgioa ; e sejam áviJuidaa asiíerdaitoé <p^;t^ omí qtia*- 
r tro boinetis, pêra se' pagarem^ «se pagava 'cojaoiolfi a#tam 
f» arrendadas; etjaeitoda pesaoa» ^«« tiver. bois dati|r0,Aa«il- 
nla, seja carreteiros, coauo lavradoies^ >iam.14 paMCf Sflfb 
tvjpena de pagar de-vasio^- emak da^nstura ^(CaUilIrlt 0! 9litt 

- f»fôr ordenado* n ' ■* 

£- anais 'adianto /-v ...(<•;'-.> <• 

w fijipor bem, eme apratqaeiíadvtk iâiihája aâuwp»* 

» ra os bois , a qual se fará na bordado de'fie9t8na^, • que hm 

sttilo-fisprífall <la diita villf f 'e-seTá-^êrtftisso^i&da vào Conce- 

• n Ibo delia ^^arrendamento por; tempo ^dé nove. ánnos^ por 'de« 
' »»>«anove moios depam empada bâaano, convém a saber qua*- 
' n trodetriguo, eosqninte de «evada, que li«maTs<tiiHhtiioyii 
' w ãeoevada, dò que ora a. dita beMade váhde;' oom.tal étH 

'f* ój^am^b que >oft Jtiiiès e offiolaes'do Conoelho da^ifita iviia 
»9 ordenem e dem dous bomens seguros e abonados, ^ètO^ 

■ Mmem sóbré si o arntwdamento dadita"b«rdaMkiyiefiagabiento 

--'««-delia; bsquaes ieobrigarSo por si eai^oabensy^eònfopi^lnibi- 

M >pa«iP pagâdofiw,' de^ dar , o pagar ao EMprytâll òs ditos ãe^ 

^«'^aovè moSoa do pam em oadaihum anuo, dàraiido^òs dit^i< 

- 99 nove a anos, ' ao téaapo da nov idade , ' ou-stia jaaia ' va Ra t ti^ 
n Ibos pagando qae sejam por ello executados em seus b^nse 

'>:ii»!fiiaeiida, senn óConeelhò, nemí oatra ligntiíia ptfsS>MÍ^pera 
'^«r^^Hi^mais séreWi èltaãôs, nem Mqneridoe^t&ê. ••:><*« »i' ^ . 
Pela continuafSô deaer aadna aa^h«irdadc^doSáuÍ'ABitti>j>se'veiè 
a^tendàt^'^ iHPntd da h«l4»d», qkto aíq^la bojíé ae^'>tfb«ma da 

Àdlia* • • • • •' '; • :. .. o .' i'v <»♦ •: - 

• '^ : - ^Miè^^j; éM^^guafdtfdd'r'^a»Msi, «'das^piiata^Da^á Àdoa. 
^GofM-^Vè^vâ^oifai '^ta^a feiia p«la Cattiai!a'0 4Eriiv«ri>aaf{a da 



lar 



foi. Mi* a !»4éoiM«-;ll«»»MUliétd«*leUb «nuo,. no.w« C«ft 



t ',♦•:• t' t5 *'":' » í >. '. •/• 



il^rAJa : na.logw oitadk ite Fr. I4uiii €le &uaa .pà*«e .tet 
a aigliifieaçio da tida em.valim,privik9ÍaaâiA^^^^ 
h^m^vãp me»tw«a;asobir a «He logaf , patque e»taiida tau 
he^ <9fararfp , owdo tendes «slet diof wt4>„ arreceava 4 "« peir 
4e9se pof miiii.d qUe peí ellet tem gwihaiio* »» v . - • • 

: ^Ifeirfciíytièrçtie: .!»• pesaeg*» aU<«^ Fr* ETaacttííp 
Brandão f (que e «m documento, de 1«8«) não vem emtipU ed* 
mó uma «5 |«ilawa. É* ««aânle. u AseLdwjuilla que eu hei ert 
Portugal e em Leon, cbmo em: Gaiisa^ ooaío alkur hu fuer.^m 

eu o baja . . • » 

• :iAwwr»4to<fo: nao^iios parece quétenhá a«e^ 1^« 

dá o A. , mas também nSo. temos por exacta a que Ibe aponta 

o Dicc. de Moraes : o caso é que o Dicc. da Academia traE o 

lllpimp logfcrdarAolesiefta « IMO c^ iírterpreta; »"^^ 

^ AòníOmí »g«nde»lMaciid»A«iídemw«^iiífi^e«faifa^ 

ie.iafféukm8nt€s.y^'''''^- '-.>' -^ '•'••' - ' ^ •" ' '^ ''"^ 
> ^ jéUnveifti: o ,piack)a««ôié» «ssai Ao«d«Wík laWaíftée^ee na 
«iicteridadeoaef>FaYÍa e fionsajAfclaeste^wibd o 5iig«lfl««A> 'de 
émprêfm^^-, ii#«i»*9tóbn)<iin.Jaííir.-»ípo»eiil o Pil 8an»|> Itówín» 
JiíiiCTéíoríadwekpreBsanieiltesqoe nsiia «qqivàlonei«>i M*c*iirj 
iketnúip , levara ^tn^^tdyuma^eàifr^^i ^^»^ wi»fàf<mhai ^ 
- i^-^MÚ-: é notk^^d eiija«#4»>Aífkte»do cbrtpsitondBnaiieita 
pírtafta^*i!0 «itatiiiWWWelbaftSrieo nrriãdPi «lo^Ainm, poaqee da 
iréé^o nioiíUMi, de figoracifCttUf ^viffeUí>a «è^preaílS» mi iefc j^ní- 
ie párft'dénátlt»'f*Mla'^^«^ie%^Aseg^ft»^ae1ihdaím cofmas^crM 
tiae «erras^ quando jiresebtooi lòbot^feitem' dbreH^k^, «lettem es 
-âtlm nb 'm«o e'4efeniliiiÂ-se a eonlceií jogendd "^ MiÁvmk 
esta artilharia de garo^ queas^mals^darviíes o aoM|i«el*edor 
erw òS'|iíiles é-»«tir»-ie c^éçi' oikicItilÉOfíparfciAvieflemípodtír em- 
^egav-aK gartás : aquélla roda das e^s éêi mó., ti^mKÃmitwàtíf 
do se <ex|flieott JF^rge Ferrcdra na passagem 'cilada; ■'• ^-< ^ 

OmWo: deve;ser onjudaí oBlncidafio dis e atgutAfte^Ht* 
ilCbftvém eité-riom« â todo' èiebrittao •, psis v«td|id«iteBie«**«*» 




m 

angicos ^ip AGr*^ d^Ato^ 

A<rhíi.â«^ iki' Ç(wwâ dá Bíêifa-«igid£d^Kb^aiilferjp<«í Fá«i*l>n.í /í 
Na segunda Reflexão desta parte terceira queixa-se ^\Ai 
eotoMWMtfi riOfe Aiib^íe»qft(íiír-flè«íide!««irtbp(TerWiiy.c^^ fa|. 
ta obriga.ía é*«ttirtloqai©.Vt a^q^wbraiil«r«W?ia^^^^^ 
a este leépeítcí iiikqniK)t i^tnenn» quec nv piÍMÍ(Ma'fdarpve8Mitè 
«Ota ; ha tiittitos q^e; à©v»ine«tè-»orrff«i;, como .b黫iaBd»<db 
lei^ ha outros que» í»diSMÍdade da^faateipaitpataAííiiitíapJiir'»!. 
gumagnvèzesiio idistóirío:^ e •■troa q^^erporBfi^-^f^MMJétor ida- 
de e pareceoM» de e<fc>aíih» protottWMafaomingtteiippHienBdmH. 
t». Paceásisaadeçoiíhiwery «dJiwBSM «ôlolhw^^asHpagvnM e 
«q,.e»tpois1míkviiSoi«e»««ttinoaíicrailii*aaji.... • ts- :> ,p^,r:-,o : 

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li''.' '. ■• ' '• I .- . '. 



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^' ■ •' •' "■\* - «'-'"^ o : í-on-iol-l "^ .ooííí o 

Geralmente .^ iwdãdt ieési ai ehml(,^^sdgyfA.M^i qunqm 
ba.tei^AMftt ^Oft^ont ^deiuintíBàiiioMèteiBriB/^ii^-^ki^ dis- 
curso nobre; mas também occasiões 8eofferecei»\AiR;^U0i.^6>^9il- 
ão «W!*egçirlo^MOrÀte>jUúft<dDeátR>pátmoèal%ab ^.«Hb. tiver 
á©8.«ttítloj.de»elo^,ieii«i*,e;liè%wgemjOálet«i^^ 

peeicMio.; ^o;«aoM9Ípf«ada^ eofi(»i]iMriri»ea];t«in||i4db»^ff?í^ff, 
reinavA«MiièQÍa «k.g^stm-^iqpkkveMifl^dAMiÂav., e^AppitiM9^«Ir 
filKDhariufa itdtt^pkbeoèícntrb&iiodbeftftfitlM ipIfswiibpoídeti^tODve- 

lâeaAemnite.eitb^R.IkaoibigB^vaenaridcdf^ 
liade.*iià»aff;a.-«mrf»Qr<Hi|-«fit fiátmipsii-tQ^^JO.fMkhlj olftwr 

do :i!9m9:ix> A^'ítA^4tlbante4iA9»(M-^H>«ifoni4a;iBftli«^iks^/«ím 
éTé^éU «âVci^^^ liMiibfiiank MliawIskef^e^MBP^ 
S6i»jq«0;4[»erii6«o^j«ite«ii|^pto(fl«8éj»,pn^ oi, ,.h^ií[i},i, ^^, . 

m- i>&cicpMí»tf:«i«M4ftii|l94(RMâiLOiiifioBãp^ 
fiA»f ra^Mud^ièn^ilsè m9^<»tiUA^ 9.tóntpmti9Mê9i pú^fí^ 

temporaneos fM>iAioiTO «8iUlo(/iiimiUahi>fè^i:ili^^ IftmiUpí^ -Qi «b- 
bmeAfté-j^m f «iftecéitàfiiiúiLlQ À>b8UMdp)ap«^ó8($u^\j#iJA0> claro 
oâAmt^M^tBii^flmtrfdtf^^tdet^faMenfiuiila^ff^ yn^^OMUfedo 



vL39 

«/iadMájio áoft:CkiaiaMhaáifr«oiilHgBidèi9<{t» |UiBirri»^*^:de 
€&isiefifl fáflibnli.^^|ir«táinglE#v^l-aiiolon^^ ipMcés 

exemplos, que vamos apprdtUitMNj'' ' >.; * ' >-• í''j.i*.'/"íI' -*:<> c>a 

daft^diÉBaS' <}jJe4iW»0Bqk»vain! diqgoas «tosai) AsÍfel»nBnhMqa:e^ 
-bèvcm nfbrem* ha'€lecmDflBHeBiíqis^áe|K|de «Mèiem^tk» jíwdkiB- 
iB«y e^ooHs ekgaaoiiti^i. còmO' ler Brito <y'tJlbf»« pw lA L «u^^cap. 
IQ -*T f^Como 4teilieiá«iueiviiilM«éeláiier^dQ*lreênqaist8r«BnHne»- 
te todiÉ aHespefebd^ crnSo^wiHá VièoeanAii^ moítak^^^arLábfiii 
4a jovnada se aeliar.Mm coasd ■atihtfiar*^^^^ • .> ' * — .- 

Aeáhado por dMUíador! eaiprey o i«uicoDf«BÍiMeitieigtB 
o P.* Chagas* Eatniíh. E^ir..SarmAifil^'aJ^tô.i^\^^á§om 
apenas vos conhego j segundo vos vejo velho , acabcuío e consu- 
mido* jj-^ 

A^cinte : como substantivo , o temos nos sermões de Ceita 
nesta phrase — '^Um peccador affrontado mais se entrega ent2o 
aos acinte» da vida torpe que nao em os braços da emenda e pe- 
nitencia. ,, — Como adverbio, lê-se em Fr. H. Pinto. tom. 1.^ 
dial. 3.^ cap. 5.^— -<'£ por aqui vereis quão grave peccado é 
eleger acinte homens indignos , por affei^ão , ou particular in- 
teresse. ,, — 

jHeifõo : no sentido natural ha também lesão , deformidade ; 
porem o polido Barros usou-o no sentido figurado, Decad. 4.^ 
iiv* 4.^ cap. 18. — <( Natural aleijão dos avarentos que sempre 
tem roais conta com a fasenda que com a honra e vida. „ 

Anão: Vieira disse: — '^a arvore mais anãa é maior que 
herva gigante.,, £ Lucena. Vid* do Santo Xav. liv. 8.^ c. 18. 
'' GLuem dis homem , nao dii se é pequeno ou grande, anão ou 
gigante. „ 

Arrenegar, — Em verso bastará oexemplo de Camões.: cant* 
4.° est. 40. 

Os Pereiras também arrenegados 
Morrem , arrenegando o ceu e os fados. 

Em prosa citaremos D. Francisco Manuel nos ApoL dialogae» 



i;4D 

ff» i:36< -#*>*f. Airvenego das^írtadbs !éapináikftido>ft^tificM.iy^^{6Q- 
'davia: c8te«XBiiiplo perlèBee'aociiale'fafliilnff'.^Mn ot^çlo^bfthfte 
'ViaigfL disse .'a^ans SemiSofc: t^i^^/AuantM. pfécitos • eslâo e noi í nfiii^ 
no arrenegando dos seus despaehoal-^) ;-. > -.< ^ *: r.r . hd' . .^ / 
'"'.,' tAUmaimtt daremos dois éiesDplos ndsctítid» metafórico ^ 
-povqvci hioi admira i^ne: se ase quando 'eadpiímé>o*tqrnMiAd:dadD 
-fjcfe: elgoi. r-^ ^ Benr é qu^ 4ke dessem tuiiiAlgoi faroils^ c eiinte- 
.ríorque o ahdasaf perpetuameàieassombt ando e^tMiosorado coiti 
-ai memoria da injostiça, que comlièu irmão .ti«àa'(Usádo'. fr^«* 
(Bártiiola ^vmrx.-^&OÊriíMÈ Cwréaéua» part. 4.^'câ^<' ftt pag. 
722. — ^*0 amor dç todas estac temporalidades deviateonliDuà^ 
'j&ente íoéàuKnar'^ Nicodemos^que se n&a pusesse; eihjrisobL de as 
/perden,, Fr. AoloDÍD.Fá0..Trat. 1." folh. «AcoL !;<*) H w 

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índice dos vocabulários^ ou catálogos de palavras^ 
comprehendidos nas ires partes desta obra* 






Pag. Part. 

Catalogo de vozes anUquadat .... começa a • • . . 23 1 .^ 

Notas respectivtu ao mesmo 164 ,, 

Outro catalogo de vozes obsoletas • 6 3.^ 

Notas 132 

De verbos que estão em denuo 62 

Da$ palavras não auctorisadas por exemploè Claã- 

stcof • 33 1.^ 

Das palavras de que muitos duvidam^ m<u que são 

auctorisadai • • • 38 

Dos nomes alatinculos 45 

Notas cu)s três catálogos precedentes • 166 

Dos synonymos e dos vocabxdos que entre st diffe- 

rem ..••.•• 77 

Notas 170 

De nomes próprios viciados na pronunciação • • • 22 2.^ 

De verbos viciosamente conjugados •• 26 y, 

De palavt*as que correm com pronunciaçôes diver- 
sas . • . ^ 39 

Notas. 172 

Dos vocabfilos s6 admittidos em estilo familiar ou 

jocoso 76 3.* 

Notas 138 ,, 



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índice. 



• X 



•;■'■" ■ J, Pag. 

Reflexão 1 .* 7^ J&n que se dá a l^ tmi copioso Ca- 
tálogo ãc anUgjas pdlavtás pcyrtiigueiQs , para ins- 
. Jruf^4çi^ do,prinçtpi<mte ^çsludo da nossa historia ' 

. rC ^itte9^qí^t:<;^ (b$ prmdros^ ^ , . b 

Reflcxâlo 8,*fTT^So6rc a falta que temos de muitos 
verbosy^de.qitt usavam osrnaysâs.on^ij^os, e Ao^e tn^ 
'j\isitím€nte4e,d4o por tmtiqtsados^ , €1 

Reflexão 6.-^ — JBm gifcc se trata das redundâncias 
nofallar:h.\ ; . . .\ •.,... .. 64 

Reflexão é.^-^^Etn que se rec&rívnichdáa proprleda^ ' 
de nos eplthetos^e expressôei . '. ... ., , . . ,'\ ." , 67 

Reflexão õ.* — Sobre muitos vocábulos^ que presen- 
temente senão admittem em estilòmagnifico ^ e su- 
blime ^ rnas só no familiar ^ cómico^ ou jocoso ífc. 7ô 

Reflexão 6.» — lUtatmçãa á JS^flaxâ/yd.^^da S.^ Par- 
te , que trata dos nomes que tem commum de dous 
o seu género Ifc ^ , .... 114 

Reflexão 7.^-^jEm que sèaddicciona a Reflexão 4.» 
da Q,^ Pairte que trata dos superlativos. . ; . . . 117 

'ReflexWci 'Si,^ — j4ddicáonamento á Reflexão 9.^ da 
S.* PaHc: J . . . 118 

Reflexão 9.^ — Em que se discorre sobre ouso de ai- 
gumas partículas, que se ajuntam a verbos e nomes ISl 

Reflexão 10.* — Em que semx)stra quanto éfacll ca- 
hir em erros desrammaticOy e provesse com exem- 
plos do poema Ulyssea 1S4 

Notas , ' ' J31 



Erratas para maior correcção da 1.* Parte. 



Errot. 

Pag. 7, vlí|i.,p^.u}t.- MlU , .. 

9, . w. 6 D. Fr. Manuel \ 

31) « ' 5'. pag. 17Í cõl,'3.* 

•■''2;í suppiítúa-sét to- 

mas ■ 
. >tf > ^amaruia . 
... a .pag..^ã6' V.9 . 



99 
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99 
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19 99 

• • * 

08 n 

« 4 • 

09 n 
132 w 



20 Conforta 

30 exteripr 

JSl vigorosa 

14' Doador 

13 presa 



Emendas, 

!D* Fraiioiscò Manuel 
. átinofo , 

pag. 1721 òblfcç. i.a 
lèa semente': rimas 

• • • » 

sonoras ' •' . 

pag«26«v.^ diHÍ8t« 

de.S. Dom. 
Cantôra , . 

interior 

rigorosa 

dador 

prosa 



1' i 

Pag. 



99 
91 



Erratas da 3.^ Parte. 



13 lin. '3« 
17 . 99' 17 c 
22 9» 26 



JÉrroi. 

Abróiar 

Arreve^ar 

cabellò 



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' Èmenãa,. 

jéfi'oiar 
• Arrevessar 

capêllo 



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